Hello There 2 escrita por Lucas André


Capítulo 31
S02EP28 – Hello There


Notas iniciais do capítulo

Hello There

Os sobreviventes se veem mais próximos do final, quando o assassino lhes presenteia com um convite para a rodada final, e todo o terror que se segue.



O carro parou no meio-fio, estacionando com um tranco. O motor foi desligado, e Molly virou o rosto, encarando sua casa adiante. As luzes continuavam todas acesas, mesmo que Ellen tivesse dito que iria dormir. A janela da sala também estava aberta. Talvez Ellen tivesse mudado de ideia e estivesse na sala, lendo um livro ou assistindo TV.

Com o laptop fechado no colo, Molly olhou para o outro lado quando Emily agarrou sua bolsa e abriu a porta, descendo com uma fúria repentina. Merriman também desceu, segurando o computador embaixo do braço, enquanto caminhavam até a porta de entrada.

— A Ellen não disse que iria dormir? – perguntou Molly, para ver se Emily tinha alguma nova teoria sobre as luzes acesas.

— É melhor que ela esteja acordada – respondeu a sobrevivente, marchando pesadamente até a porta, com Molly a alguns passos atrás, ainda indecisa se era uma boa ideia interrogar Ellen.

Desde que saíram da casa da psicóloga, a mente de Molly martelava em diversas teorias sobre o que tinha acontecido e de quem era todo aquele sangue. Poderia ser o sangue de algum animal, simplesmente para assustá-las ao fazerem-nas pensar que alguém tinha morrido, mas a ligação recebida por Emily fazia com que essa teoria, em parte, fosse provada errada. Passou a viagem toda telefonando para todos os sobreviventes restantes – Sam, Linda, Owen, Kai, Garrett, Tommy – para se certificar de que nada havia acontecido com eles e que aquele sangue não pertencia a nenhum deles. Por sorte, todos estavam vivos e saudáveis.

Além disso, também vasculhou o caderninho de anotações de Ellen e se manteve informada das teorias criadas pela loira, impressionada ainda mais com a capacidade de pensar da psicóloga, e sentindo-se um pouco traída, também. Uma das teorias era sobre Molly, mas já estava riscada. Se negava a lembrar do que estava escrito sobre si, mas, de qualquer jeito, Ellen pareceu tê-la descartado, pois aquela página estava marcada com um risco em cima, provando que era uma teoria comprovada incorreta após o ataque contra a moça, que custou-lhe um dos braços.

Chegaram a porta da frente e Molly se apressou a pegar a chave no bolso, deixando o laptop entre as pernas. Destrancou a porta, e Emily passou direto, entrando de uma única vez. Merriman ficou para trancar a porta, deixando o computador em cima do sofá enquanto posicionava a chave na fechadura. Os passos de Emily retumbavam atrás de si.

— Ellen? – perguntou a garota, seguindo pelo corredor.

A casa estava vazia até então. Silenciosa como um túmulo. Emily sabia que o único lugar provável em que Ellen poderia estar era o quarto de Molly. Seguia para lá, decidida a obter algumas respostas. Não deixaria que Ferrer passasse sobre todos daquela forma. Precisava de respostas. Sabia que Ellen ia até a casa dela algumas vezes por semana para checar as coisas, e mesmo que fosse fácil que nunca tivesse descoberto o que acontecia no porão, era de se esperar que, após frequentar o lugar por tanto tempo, notasse que algo estava fora do lugar. Este “algo” logo seria notificado, principalmente pelo medo de Ellen e sua paranoia de estar em perigo o tempo todo. Isso, ao menos que ela estivesse deixando o desagradável companheiro ficar em sua casa.

— Ellen, a gente precisa conversa – continuou, os cabelos pulando nos ombros na caminhada trotante. – É um assunto sério.

Assim que Emily entrou no quarto, parou ali mesmo no batente. Seu andar foi travado num tranco que balançou todo o corpo, ao que a sobrevivente captou o horror existente naquele cômodo. O sangue que manchava as paredes, como se o quarto tivesse sido alvo de uma chacina, fez o estômago de Emily revirar no espanto de ver aquela cena. O corpo de Ellen jazia estirado aos pés da cama, um cadáver em seu mais puro estado. Um crime hediondo que não tinha acontecido a mais de trinta minutos, o tempo exato que levaram para chegar até a casa.

Deu um passo adiante, olhando para os lados. O assassino não estava em lugar nenhum, é claro. Voltou a encarar o corpo, com um peso no peito. Não somente pelo choque de estar diante de um cadáver, como também de ser o cadáver de alguém que julgou culpada. Bem, isso não provava nada, na verdade. O fato de Ellen estar morta apenas comprovava que o Carrasco não era confiável e, se ela estava trabalhando com ele, a única coisa que conseguiu foi ser apunhalada pelas costas, literalmente. Mas isso nunca seria respondido agora.

Emily conseguia ver as fendas profundas nas costas de Ellen, a cabeça deitada no chão, e o longo risco na garganta. O sangue tinha parado de escorrer para fora de seu corpo perfurado, e as poças tinham parado de se estender. Agora, eram bolas vermelhas ao redor do corpo, a maior poça de sangue que Hayes tinha visto na vida – e ela já tinha visto muitas poças de sangue. Segurou a bile e olhou para a porta quando o som de passos se aproximando pelo corredor chegou aos seus ouvidos, ficando em estado de alerta.

A garota se adiantou até lá, correndo, antes que Molly fosse capaz de chegar ao quarto. Deu de cara com ela, impedindo sua passagem. Ela tinha uma expressão indiferente no rosto, a mesma que levou desde que saíram da casa de Ellen, um nervosismo e um medo reprimidos que ela teimava em guardar para si para tentar demonstrar força. Emily, por sua vez, tinha os olhos aguados e a expressão frustrada. Continuava com uma onda de adrenalina e eletricidade percorrendo o corpo. Ellen estava morta, era isso. Ellen estava morta.

Com as mãos de Emily em seus braços, empurrando-a para trás, Merriman franziu o cenho.

— O que foi? – perguntou, tentando espiar sobre os ombros da amiga.

— Molly, não vê isso – disse, a voz falhando.

Foi uma questão de segundos até que Molly percebesse o que havia acontecido. De repente, seu rosto se transformou naquele pânico de antes, os olhos encharcando imediatamente. A garota abriu a boca em um lamento, o cenho franzido intensamente.

— Ai, não… – resmungou, a voz embargada no choro que estava por vir. Estava pálida. A única cor em suas feições eram os cabelos e as roupas. – Emily, não, não… Não pode ser…

— Vamos ligar pra polícia – alertou, tomando uma decisão imediata que poderia acalmar a morena. – Vamos sair daqui, ir lá pra frente. Você não precisa ver isso, Molly.

Molly não lutou contra. Não queria ver um cadáver. Isso a traumatizava desde que viu o corpo de Jordana ser retirado do hotel na floresta, e ele ainda estava coberto por um pano. Não podia imaginar o que aconteceria consigo caso visse um descoberto. Por isso, deu meia volta e caminhou a passos trêmulos até a porta. Pegou a chave e destrancou-a de novo. Emily a seguiu sem olhar para trás, respirando fundo para não entrar em uma crise, tanto de pânico, quanto de ódio. Era incrível como o assassino sempre conseguia tirar as coisas de si, sejam elas boas ou ruins. No caso, era uma coisa ruim, mas importante. Ainda queria saber se Ellen estava envolvida ou não.

As duas saíram para o exterior da casa e foram atingidas pelo ar noturno, sem chance de pegar algum agasalho. Molly logo abraçou o próprio corpo com seu único braço, virando para Hayes quando chegaram a uma boa distância da residência, encarando a casa.

— Como isso foi acontecer…? – resmungou ela, balançando a cabeça negativamente enquanto Emily pegava o celular no bolso. – Ai, meu Deus, Emily…

— Calma, Mol. Tá tudo bem – disse, tentando acalmá-la. – Não se preocupa, ok?

— Foi muito feio? – continuou, sem saber o que dizer exatamente. – Deus do céu… Tadinha… Acha que ela tinha alguma coisa a ver?

— Talvez a gente nunca descubra.

E os minutos que se passaram nunca pareceram tão casuais. Foi como um déjà vu para as duas, assim que a primeira viatura surgiu descendo a rua e os primeiros vizinhos botaram a cabeça para fora da janela, espiando o que ocorria.

A primeira viatura era sempre o precedente do caos. O procedimento continuava o mesmo: um policial vinha checar se a denúncia era verdadeira, e então contatava o restante da equipe e algumas ambulâncias. Em questão de segundos, mais e mais viaturas cobriram a rua, cercando a casa. Os vizinhos e curiosos de plantão que ao menos moravam naquela parte da cidade e ouviram falar do que tinha acontecido, surgiram um atrás do outro. A faixa amarela foi posta para impedir que ultrapassassem e alguns policiais tentavam acalmar a multidão. Logo, as primeiras emissoras vieram e repórteres começaram a perambular para todos os lados, tirando fotos e fazendo suas matérias exclusivas.

Emily ficou parado no gramado da frente como em tantas outras vezes, de braços cruzados e expressão séria. Ao menos se importava com a falatória ao redor, nem com os chamados de seu nome ou os flashes das câmeras direcionadas em sua direção. Tentava esquecer tudo aquilo e se concentrar em montar um plano para pegar o assassino. Precisava de um plano. No entanto, era difícil se manter focada em meio a toda aquela gente, com todos aqueles olhares cortantes direcionados para si vindos de pessoas que ela ao menos conhecia. Os espectadores nem tinham mais pena da garota que trouxe a desgraça de volta à cidade.

Tinha acabado de repetir a história duas vezes para uma policial dali, observando enquanto os tiras entravam e saíam da casa. A van do IML chegou minutos depois, um pouco atrasada. O corpo ainda não tinha sido retirado, contudo. Emily esperava o momento em que a maca coberta sairia da casa, apenas para dar uma última olhada no que um dia foi Ellen Ferrer. Isso era outro fato estranho: após morta, a pessoa parecia perder suas feições. Principalmente quando era vista em meio àquele estado ao qual foi submetida, como era normal naqueles dias. Era como se a alma literalmente saísse do corpo e o cadáver não passasse de uma carcaça usando uma máscara daquela pessoa que um dia habitou aquele corpo. Isso fez Hayes tremer.

Atrás de si, tinha os ouvidos bem atentos na conversa que se prosseguia entre duas senhoras de idade, do tipo vizinhas fofoqueiras e chatas que sempre estão aptas a dar sua opinião sobre a vida alheia. E mesmo sem encará-las, Emily conseguia sentir o olhar delas sobre seus ombros.

— Eu te disse, Mandy – disse uma delas, com desgosto. – Essa aí é o perigo! Eu te disse… Te disse! Assim que ela botou os pés na cidade, coisas ruins começaram a acontecer.

— É, me disse mesmo – concordou a outra, um pouco mais velha e de voz mais arrastada. – Já era de se esperar, não era, Edna? Garotinha imunda… Tirando a vida dos nossos habitantes!

— Por que ela não vai embora de uma vez?

— Ouvi dizer que está impedida.

— Quem impediria uma assassina de sair da cidade?!

— A polícia, ora! Ela não pode sair até que o caso esteja encerrado.

— Bem, que esse caso se encerre logo, então!

Emily apenas balançou a cabeça e fechou os olhos por alguns segundos, se segurando para não virar e iniciar uma discussão. Em vez disso, cruzou ainda mais os braços, tentando se proteger do frio. Virou o rosto e encarou Molly a alguns metros, ao lado de uma das vans de reportagem, andando de um lado para o outro enquanto conversava com alguém ao telefone. Não sabia quem era o remetente, mas por algum motivo o assunto tratado na ligação a fazia ter uma expressão curiosa, mesmo que ainda estivesse em choque pelo que tinha acontecido.

Ficou encarando, até que Molly abaixasse o celular e viesse em sua direção, parecendo apreensiva e com aquele mesmo olhar choroso de antes no rosto.

— Era a Sam – disse ela ao se aproximar. – Ela disse que precisa me ver.

Não deixou de estranhar.

— Ela disse por quê? – perguntou.

— Não. Só disse que queria conversar comigo.

Concordou com a cabeça.

— Tudo bem, pode ir. Eu cuido das coisas aqui. – Não via problema em deixar Molly ir. – E, viu, vê se não se preocupa muito com isso que aconteceu, ok? Até onde a gente sabe, a Ellen tava trabalhando com o assassino.

O comentário fez Molly tremer. É isso o que me deixa mais triste, pensou em dizer, mas se manteve calada e apenas acenou com a cabeça enquanto se retirava para o lado, passando pela multidão aglomerada e sumindo entre eles. Por sorte, a casa de Sam ficava a apenas alguns quarteirões de distância, então não era uma caminhada perigosa para Molly ir sozinha, e de qualquer jeito, dali, Emily conseguia ter uma boa visão da garota descendo a rua.

Voltou a encarar a casa, ficando séria de novo. As velhas ainda discutiam atrás de si. Repórteres chamavam seu nome para uma chance de entrevista. O público encarava-a com estranhamento. Policiais lançavam olhares em sua direção, divididos no que acreditar, pois ao mesmo tempo que tinham de servir pelos inocentes e proteger Emily, não deixavam de pensar que aquela era a garota que estava matando todo mundo.

— Oi, Emily – escutou uma voz masculina dizer sobre seus ombros.

Emily virou-se rapidamente e encarou Kai, que se aproximava a passos lentos e contidos, esperando uma rejeição por parte da sobrevivente. Quando viu que ela não teve reação, aproximou-se o bastante para ficar ao seu lado. Emily sentia o nervosismo vindo dele.

— Aqui estamos nós de novo – comentou o negro, com as mãos nos bolsos da calça, olhando para frente.

O lugar estava claro agora. Os policias tinham posicionado pequenas lanternas a pilha, quase como holofotes, sobre todas as viaturas e ligado-as, iluminando todo o ambiente para uma melhor análise de evidências e para se situar melhor na cena.

— Pois é – concordou Hayes. – Queria ter uma estimativa de quando isso vai parar.

— Se a sorte estiver ao nosso favor, vai ser logo, logo.

— Terminar logo significa mais mortes em um curto período de tempo – explicou Emily, indiferente. – Espero que demore um tempo ainda, para que tenhamos chance de nos proteger e montar um plano de como resolver tudo isso.

Kai apenas concordou com a cabeça, sentindo um mal-estar percorrer o corpo.

— Ela… – começou Conway, um pouco indeciso se fazia a pergunta delicada naquele momento. – Ela revelou alguma coisa sobre aquele caderno de suspeitas antes de morrer?

— Não – respondeu, imediatamente. – Eu não tive a chance de questioná-la sobre isso. Na verdade, era o que iria fazer assim que chegasse aqui. Mas… Encontrei somente o corpo.

— Onde você tava? – Olhou para ela.

Emily teve de pensar rápido. Balançando a cabeça como se não fosse nada demais e dando de ombros, respondeu:

— Comendo. Saí pra jantar com a Molly. A Ellen resolveu ficar em casa.

A mentira descarada pareceu o suficiente para enganar Kai. O rapaz apenas concordou com a cabeça e voltou a olhar para frente. Emily engoliu em seco, aliviada e nervosa. Não sabia mais em quem confiar. Sim, tinha uma grande parcela de chance de ter descoberto quem era o assassino, mas isso não mudava o fato de que ele continuava tendo um comparsa. Ou mais de um comparsa. Dessa forma, omitira grande parte das coisas que sabia no momento, para se manter livre de encrenca.

— Quanto tempo ficaram fora? – tornou Kai.

— Uns… Quarenta minutos? Cinquenta? Por aí.

— E conversaram sobre a Ellen?

— É, conversamos. Foi aí que pensei em voltar pra cá e perguntar as coisas para ela. O resto da história você já sabe.

— Então, basicamente, nas nossas teorias, a Ellen tava trabalhando pro assassino.

— Sim, nas nossas teorias. – Engoliu em seco. – Agora só vamos saber se isso era verdade se o próprio assassino contar.

Ficaram em silêncio de novo. Kai encontrou algo para contar e ergueu as sobrancelhas, dizendo:

— Ah, encontramos o seu carro.

Emily olhou para ele, interessada. Era o carro que havia sumido desde a morte de Jordana. Era para estar na floresta, mas havia sumido. Provavelmente tinham rastreado a placa do veículo.

— Encontraram?

— É, encontramos. Tava num lixão perto da saída de Oakfield, praticamente destruído. Foi muito bem lavado. A perícia ainda tá tentando encontrar evidências ou DNA dentro, mas até agora não tem nada.

— Que merda.

Kai suspirou fundo e, por um segundo, olhou para o lado, captando a presença que estava atrás da faixa amarela que circundava a residência. Tocando o ombro de Emily, disse:

— Parece que temos companhia.

Emily virou-se na direção que Kai apontava e encarou Garrett. Ele estava suado e parecia desesperado com alguma coisa. Discutia com um policial para que ele deixasse-o passar para o lado de dentro da faixa, gesticulando veemente com as mãos. A sobrevivente apenas encarou, sem reação, tentando entender o que estava acontecendo.

— Acho que ele quer falar com você – disse Kai, finalmente.

— Acha? – questionou.

— Por que mais ele estaria aqui? – Olhou de Emily para Garrett, e então de volta para Emily. – Bom, vou deixar você ir, então. Nos vemos mais tarde.

— Tudo bem… – resmungou, sem vê-lo se afastar.

Em seguida, Emily caminhou até DeLucca com passos rápidos. Algumas vaias saíam da multidão, mas ela nem deu bola. Mais flashes dispararam em sua direção. Na metade do caminho, Garrett conseguiu vê-la e acenou. Imediatamente, o policial com que discutia também se virou.

— Tá tudo bem – avisou para ele.

Abaixou o torso e passou por baixo da faixa, enquanto Garrett terminava sua conversa com o homem fardado e virava-se em sua direção. Ficaram um diante do outro.

— Emily, eu preciso falar com você – disse Garrett.

De perto daquele jeito, Hayes percebia a mancha de suor nas axilas dele e o suor que descia pelas têmporas. Os cabelos cacheados negros balançavam rapidamente durante os movimentos agitados de cabeça do rapaz. Ele estava extremamente nervoso com alguma coisa, e isso mostrou-se ainda mais claro quando Emily concordou com a cabeça e foi levada gentilmente para o lado, afastando-se da multidão, sentindo a mão molhada dele em seu ombro e arrepiando com isso.

Acabaram logo abaixo de uma árvore que havia na calçada do outro lado da rua, sendo açoitados pelas luzes vermelhas e azuis que piscavam no topo das viaturas.

— O que você tá fazendo aqui? – perguntou ela, séria e curiosa.

— Eu tenho que te falar uma coisa – respondeu Garrett, o cenho franzido.

— Tá bom. Pode falar.

Garrett deu uma longa inspirada antes de soltar, olhando para os lados:

— Eu recebi uma ligação do assassino.

Emily franziu o cenho e ficou sem palavras por alguns segundos, até que perguntou:

— E o que ele disse?

— Ele me mandou ir pra um lugar. Disse que era o final. Eu não sei… Me pareceu uma armadilha, então eu preferi vir contar pra você primeiro.

Concordou com a cabeça. Não sabia se devia acreditar nele, mas a simples menção de que o assunto da conversa era o final de tudo fez sua percepção de desconfiança baixar.

— Fez bem em não ir sozinho – disse. – Onde ele disse pra você ir?

— Everwood Hotel – disparou.

De imediato, diversas memórias tomaram a mente da sobrevivente. Lembrou-se de Jordana morta, decapitada, e também de todo o sangue, o caos, a tristeza e o medo. Engoliu em seco.

Garrett continuava encarando-lhe fixamente, esperando uma resposta e uma solução para a situação, com os lábios levemente abertos e tremendo.

— Ele disse que seria o final. Será que é o que eu tô pensando? – continuou o rapaz, como se tentasse estimulá-la a dar uma resposta rapidamente.

— Faz sentido ser lá – disse ela. – Muitas coisas aconteceram naquele lugar.

— É, eu me lembro… – resmungou, olhando de forma desconfiada ao redor. – O que eu faço? – Sua voz tomou um timbre mais desesperado.

— É melhor só ignorar, Garrett. Deixa ele na mão. É bem mais seguro.

— Mas ele disse que é o final, que vai ser o final de tudo. Isso significa que vai acabar, né? O massacre vai ter um fim.

— E você confia nele? – Balançou a cabeça e disse num tom que era quase como se perguntasse “você é idiota?!”. Por sorte, tentou ser gentil. – Ele só quer te matar. Ele acabou de matar a Ellen. Tá no processo de eliminação: o Carrasco tá se desfazendo de algumas pessoas do grupo, para então ir para a rodada final. – Deu uma pausa, sob o olhar esmagador de decepção de Garrett. Emily tentava cooperar com a situação e dar uma boa justificativa. – Ele tá tirando alguns sobreviventes do caminho, pra sobrar apenas alguns.

O rapaz bufou em agonia, frustrado. Passou as mãos de forma desesperada nos cabelos.

Realmente não acreditava que o Carrasco estava preparando a rodada final. Aliás, por que não ligou para ela logo de cara? Aquilo queria dizer que ele estava atraindo os sobreviventes para si. Como disse, era o processo de eliminação. Ou, até mesmo, uma armadilha de Garrett.

— Então isso quer dizer que ele quer me matar – constatou o tatuador, mais para si mesmo. – Eu sou o próximo alvo! Ai, meu Deus… Eu vou morrer…

— Ei, não pensa assim, só vai…

Emily foi cortada quando seu celular tocou. Os dois olharam para baixo imediatamente, virando a atenção na direção do som. Então, encararam o bolso dianteiro de Hayes. Ela tirou o aparelho de lá na hora, encarando a tela. Número desconhecido.

Nada fez além de lançar um olhar pesado para Garrett, que já dizia tudo. Ele apenas continuou encarando, assustado, enquanto Emily questionava ao telefone:

— O que você quer agora?

Quase que de imediato, a voz respondeu:

— Bem-vinda à rodada final, Emily. — A garota vibrou. — Está pronta para o momento pelo qual todos esperavam?

Emily respirou fundo, finalmente acreditando no que Garrett dizia.

— É o que eu mais quero — respondeu, firme. — Onde vai ser?

— Everwood Hotel — afirmou o maníaco, assim como DeLucca tinha dito. — Venha sozinha. Já estou convocando todos os meus escolhidos, então não há necessidade para chamá-los com você.

— Isso é impressionante. Finalmente lembrou que tem um saco. Não acredito que realmente vai reunir todo mundo.

— Ah, Emily. Não por muito tempo. Acredito que você saiba o que acontece nesse momento: todos são alvos da minha faca, um por um, até que eu esteja somente com você e ganhe.

— Nota 5 pra sua fanfic, só porque eu fico viva até o final. Agora eu te digo a real, filho da puta: eu sempre ganho. Já te disse isso.

— As mesmas palavras de sempre, Emily. Mas você não sabia que garotas mortas não falam?

— Deve ser por isso que eu ainda tô falando.

Sorriu de lado. Não se deixaria levar pela conversa do maníaco. Adorava bater boca com ele. Bem, pelo menos quando tinha argumentos melhores do que os dele.

Diante de si, Garrett apenas a encarava, esperando uma conclusão para a conversa acalorada.

— A mensagem está dada. Ellen foi a última da lista — continuou o Carrasco, ignorando seu último comentário. — Não apareça, e eu mato todos os seus amiguinhos enquanto dormem, sem nem dar a chance de salvação. E em relação a você, Emily… Se não aparecer, vai ter um fim pior do que a morte.

— Que seria…? — questionou, cansada daquilo.

— Eu te incrimino por todas as mortes, Emily.

Parou de falar e tirou o sorrisinho do rosto, estática. Franziu o cenho, finalmente ficando levemente preocupada. Não duvidaria dessa capacidade do assassino por nada.

— Você não seria louco — disse.

— A loucura é a minha melhor qualidade. — O psicopata riu ao seu ouvido, sua voz se sobrepondo às conversas alheias ao redor. — Foi muito bom você ter caído no meu joguinho e nunca ter dado queixa de nenhum ataque. Aliás, é bem conveniente sempre ser você a denunciar o encontro de um novo corpo, não acha? Archie, Ellen, Jordana… Os policiais vão fazer essa ligação entre as coisas. E com a ajudinha de uns truques que eu tenho na manga… — Mais uma risada grotesca. — Você irá apodrecer numa cela…

Engoliu em seco, nervosa. Aquele era mesmo um destino pior do que a morte, e o assassino tinha tudo em mãos para fazê-lo acontecer.

— Por isso eu digo: Everwood Hotel, hoje a noite. Estarei te esperando, Emily Hayes. Espero que esteja pronta para tudo o que está por vir — continuou ele. — Está na hora do acerto de contas.

A chamada foi encerrada, e foi com os bipes ecoando no ouvido que Emily olhou ao redor pela última vez, com um tremor crescente atravessando todo seu corpo.

 

1

 

As risadas tomavam a mesa de jantar da casa dos Campbell. De um lado da mesa, Owen sorria constrangedoramente em meio a vários goles de água, tentando acompanhar o ritmo dos pais nas histórias bobas que funcionavam muito bem para quebrar o clima mórbido. E diante de tanta comida quanto tinha ali, era fácil se desvencilhar um pouco da realidade e se distrair. No entanto, tudo ficava mais difícil quando a companhia do jantar era Linda Sammuels.

A professora estava sentada do outro lado da mesa, à frente de Owen, com os pais do garoto em cada ponta. Ela não pôde rejeitar o convite para o jantar do Sr. e da Sra. Campbell, seria muita falta de educação e senso em relação ao que tinha acabado de acontecer com o garoto. Além disso, estava disposta a ajudá-lo da melhor forma possível, mesmo que o clima durante toda a noite fosse extremamente constrangedor devido ao passado dos dois. E ainda que a transa que tiveram tivesse sido algo completamente errado e que jamais voltaria a acontecer, ambos sabiam que ficar separados, naquele momento, não era a melhor opção. Por isso, tentavam ignorar essa parte de suas vidas e agir como pessoas normais diante dos pais de Owen, uma coisa extremamente difícil para Linda, que estava ao lado tanto de alguém que já viu pelado, quanto dos pais desse alguém.

Por sorte, o jantar estava se encaminhando para o seu fim e Linda pararia de soltar comentários bestas para suprimir todo o seu nervosismo em relação à situação.

— Mas é o que eu digo, sabe, Johanna — disse a professora. — A escola está lá para lecionar os jovens, não para educá-los. Quem tem esse papel são os pais.

Johanna, a mãe de Owen, concordou veemente com a cabeça diante do assunto da vez, que era o fato de muitas pessoas acharem que era trabalho da escola educar os alunos.

— Sem sombra de dúvidas — concordou a moça. — Bem, vou retirar os pratos e servir a sobremesa. É uma torta de limão divina! Você vai adorar, Linda. É a receita caseira da minha mãe.

— Já estou salivando — disse Linda, antes de se encolher com vergonha após o comentário estranho. Owen suprimiu um riso.

Os pais do garoto se levantaram em conjunto. Owen, sentado numa das cadeiras com a perna quebrada e engessada apoiada em outra embaixo da mesa, com suas duas muletas encostadas na parede de trás, teve seu prato sujo e sem resquícios de comida retirado de sua frente. Não entendia como pessoas perdiam o apetite quando estavam tristes ou nervosas. Ele, por exemplo, só conseguia comer mais e mais. E Linda parecia sofrer do mesmo male.

Assim que os mais velhos se retiraram para a cozinha, Owen e Linda foram deixados sozinhos. Um silêncio constrangedor se prosseguiu por alguns instantes. Ele tentou mudar a perna de posição, e conseguiu facilmente. Não doía muito, apenas quando se esforçava demais. O gesso era tão pequeno que nem tornava-se pesado e impossível de carregar por aí. Por sorte, não foi necessário usar a cadeira de rodas, e ficou apenas com as muletas para poder exercitar o membro até que estivesse cem por cento recuperado e pronto para uso adequado novamente.

— A comida estava muito boa — comentou Sammuels para quebrar o silêncio.

— Meu pai é um ótimo cozinheiro — disse Owen, sorrindo.

Sorriram sem jeito um para o outro e então desviaram os olhos. Novamente, o silêncio predominou. Linda não sabia como se comportar. Era evidentemente a mais culpada da situação.

— Isso é muito estranho — soltou ela.

— Demais — concordou Campbell.

— Acho que vou embora.

— É, é melhor mesmo.

Linda se levantou da cadeira, pegando sua bolsa, que estava pendurada no encosto. Iria para a cozinha, onde daria uma desculpa para os pais de Owen sobre como foi chamada com emergência para a escola para resolver um assunto com a diretora. Não aguentava passar mais nem um segundo naquela casa. Estava a ponto de explodir com toda aquela tensão percorrendo o corpo. A responsabilidade que tinha em todo o caso era enorme e, francamente, não sabia lidar com todo aquele peso sobre os ombros. Uma palavra a mais e poderia ir presa.

— A gente se vê amanhã na escola, então — despediu-se ela, pronta para dar as costas.

— Tudo bem. Até lá.

Então, seu celular tocou. Linda se obrigou a parar e a tirar o aparelho de dentro da bolsa, encarando a tela. Por um segundo, sentiu a bile com gosto do ensopado de peixe que tinham acabado de comer subir pela garganta. Era a última pessoa com quem gostaria de conversar na vida.

Demorou pouco menos de cinco segundos, depois de ter colocado o celular no ouvido, para que a voz melodiosa, e estranhamente sexy, saudasse em seu ouvido com um:

Hello there, Linda.

Suspirou fundo e lançou um olhar para Owen, que continuava sentado a mesa.

— Eu não quero falar com você — respondeu, séria.

— Não precisa falar, só precisa ouvir — rebateu o assassino. — Hoje é a noite das noites. Hoje, é o momento em que as máscaras caem e todos vocês ficam diante da revelação, Linda.

A professora vibrou, fechando os olhos por um momento. Desviou o olhar de Owen, encarando o chão, ainda parada ao lado da mesa de jantar.

— Você está mentindo — afirmou, nervosa.

— Eu minto muito. Muito mesmo. Mas te garanto que hoje não é um desses momentos, acredite. Te dou a minha palavra: hoje a noite, tudo acaba.

— E por que tá me ligando pra me avisar disso? — quis saber.

Owen franziu o cenho, reparando na forma como a voz de Sammuels estava séria e um tanto raivosa, ao mesmo tempo que um timbre vibrante saía, como se estivesse com medo.

— Porque você é uma convidada de honra para esta noite! — disse o maníaco, rindo. — Everwood Hotel. Conhece?

Linda conhecia. Aliás, como não conheceria depois de tanto tempo tentando encontrar alguma conexão com o que houve naquele lugar e o que estava acontecendo atualmente? A simples menção daquele nome a fez sentir a desconfiança no corpo, lembrando-se de suas principais suspeitas. Seria coincidência que o assassino fizesse a rodada final no Everwood Hotel? Sendo que o lugar já tinha um passado sombrio e as principais suspeitas da moça fossem acima de Olivia e Tommy, os dois responsáveis por deixar o hotel daquele jeito? Achava que não.

— É claro que conhece — continuou o mascarado, respondendo por ela. — Te espero lá, Linda Sammuels. Vai ser uma noite e tanto.

— O que acontece se eu não for?

— Você morre — respondeu ele com casualidade. — Estou te oferecendo uma chance de continuar viva. Ainda há uma garantia de que continue respirando no final desta noite. Se conseguir me derrotar, é claro, mesmo que seja, digamos… Impossível. — O psicopata riu. — Então, não perca essa oportunidade. Espero te ver aqui.

Linda desceu o celular e ficou encarando-o por um tempo depois que a chamada foi encerrada. Com o coração na boca, ela pensava no que faria dali em diante. Era uma coisa certa acreditar na palavra do assassino? Poderia muito bem ser uma cilada. E se assim fosse, necessitava de uma estratégia, pois estava disposta a ir de encontro a ele e enfrentá-lo finalmente. Estava farta daquilo tudo, e daria um final para as coisas, nem que para isso arriscasse sua vida.

— Era ele, né? — A voz de Owen a tirou de seus pensamentos.

A morena virou o rosto na direção do jovem, que tinha uma expressão assustada e um pouco confusa. Estava vermelho como um pimentão. Engoliu em seco antes de concordar com a cabeça, tendo um segundo de hesitação. Owen tremeu.

— O que ele disse? — tornou ele.

Linda olhou para todos os lados antes de responder, se certificando de que os pais de Campbell não estivessem próximos o bastante para ouvir. Aproximou-se dele e sussurrou:

— Ele disse que hoje é a noite das noites.

— O que quer dizer?

— A última noite, Owen. É quando ele vai tirar a máscara e se revelar.

Owen ficou em estado catatônico por alguns segundos, de boca aberta.

— Mas ele tá falando sério? — perguntou.

— Eu não sei. Acho que sim. — Deu um pausa. — Ele me pediu para ir até o Everwood Hotel.

— Aquele lugar na floresta? Nem a pau, Linda. É uma armadilha.

O garoto balançava a cabeça negativamente, nervoso.

— Eu também acho que é — respondeu ela, para sua surpresa. — E é por isso que você vai ter que me ajudar nisso.

Ele franziu o cenho.

— Como?

Sammuels teve de pensar rápido, e logo desenvolveu um miniplano para aquilo.

— Você precisa levar a polícia para lá, Owen.

— Como assim? Isso não é, tipo… Proibido?

— Nas regras do jogo dele? Completamente! Mas agora ele tá disposto a revelar sua identidade. Se depois dele revelar, houver gente viva e a polícia chegar, mesmo que ele escape, a gente vai saber quem é e ele vai ser pego depois — explicou.

Owen concordou com a cabeça, vendo que fazia sentido. Se de alguma forma descobrissem a identidade, mesmo que o assassino escapasse, os sobreviventes restantes saberiam a identidade para dá-la para a polícia. De uma forma ou de outra, o Carrasco seria pego.

— Tudo bem, eu faço isso — concordou. — Mas você vai até lá?

— Sim, vou. É a nossa única chance — respondeu. — Ele provavelmente ligou pros outros também. E se não ligou e isso for realmente uma tentativa de me matar, a polícia vai chegar a tempo de pegar ele. Mas para isso, preciso que faça as coisas do jeito certo, Owen.

Frente a frente, Linda estava inclinada na direção do garoto, sussurrando as palavras.

— E de que forma eu vou fazer isso? — perguntou Owen.

— Você tem que ir na delegacia. Não pode somente ligar, tudo bem? Se quiser eu te dou dinheiro para um táxi, mas você tem que ir até lá. Marcar presença lá, certo?

— Meus pais jamais vão deixar eu sair.

Linda abaixou os ombros, pensando numa alternativa, um pouco decepcionada.

— Consegue sair escondido? — disse, então.

Era estranho dar tal opção para um adolescente, na casa dele, com os pais do mesmo a apenas alguns metros de distância. Era ainda mais estranho por ser uma adulta, uma professora, basicamente a única pessoa que não deveria estar perguntando aquilo.

— Consigo — disse ele, concordando com a cabeça.

— Certo. Então você precisa ir até lá e ser bem específico ao falar para eles que precisam vir o mais silenciosamente possível, ok? Não pode ter barulho, alarde ou qualquer coisa assim. Sirenes desligadas e apagadas. — Linda respirou fundo. — Você nunca conseguiria pedir tudo isso por telefone, até porque não são nem os policias que atendem, e sim alguém de uma operadora de emergência bem longe daqui que repassa a mensagem pra delegacia daqui. — Owen apenas concordava com a cabeça, marcando as palavras da professora em uma parte de seu cérebro. — Você vai até lá, diz tudo isso e traz eles para o Everwood Hotel, onde eu e provavelmente todos os outros estaremos esperando por vocês.

Owen engoliu em seco. Era um risco para Linda e para os outros, mas ele estava disposto a ajudá-los naquela ideia. Se aquela fosse realmente a noite final de todo o massacre, isso significava que todos os riscos deveriam ser tomados. Se havia um momento para se arriscarem, era aquele. Além disso, era sua única oportunidade de vingança contra o assassino pela morte de Max e poderia finalmente fazer justiça. Apenas esse pensamento o fez se encher de raiva novamente.

— Tudo bem — disse ele. — Eu espero meus pais dormirem e saio pela porta da frente mesmo.

— Certo. Acho melhor eu ir indo. Te mando uma mensagem quando chegar lá.

Ela voltou a ficar ereta e estava pronta para sair dali.

— Ei, Linda — chamou-a, fazendo-a parar e se virar. — Se cuida, por favor. Não entra antes de eu mandar uma mensagem falando que cheguei na delegacia. Fala o mesmo pros outros.

— Sim, tudo bem.

— E… Quando ver aquele desgraçado, faz questão de se vingar por todos nós.

— É a única coisa que eu pretendo fazer — concluiu Linda, antes de dar as costas e ir falar com os pais de Owen uma última vez, para avisar que estava de saída.

 

2

 

Molly caminhou até a porta da casa de Sam. Ainda sentia a bile na garganta, esforçando-se para não vomitar. Continuava difícil acreditar que Ellen estivesse realmente morta, e que talvez jamais descobririam se ela estava envolvida ou não. Tentava forçar esse pensamento para fora de si.

A viagem foi curta e a caminhada durou menos de dez minutos, percorrendo apenas alguns quarteirões abaixo de sua própria casa. A casa de Sam era tão próxima que era até assustador quando olhava para a rua acima, podendo ver as viaturas e toda a iluminação ao longe, da mesma forma que era possível escutar as viaturas e os carros cruzando com velocidade para ver o que estava acontecendo. O som do caos se propagava para todos os lados, e Molly voltou sua atenção para a porta da frente, vibrando.

Esticou o dedo e apertou a campainha. Ficou tremendo com o vento frio do lado de fora por poucos segundos, até que o som pesado de passos surgiu de dentro da casa e a porta se abriu repentinamente, revelando Sam. A loira estava descabelada e parecia suada de nervosismo, com uma expressão um tanto assustada. Molly forçou um sorriso de cumprimento antes de passar ao lado dela e entrar na casa, deixando que Winters fechasse a porta atrás de si. Ficou esperando no hall, até Samantha, sem dizer uma única palavra, ir até a sala. Seguiu-a com estranhamento.

Chegando lá, Molly logo voltou os olhos para um quadro em cima da lareira. Era Sam e Lincoln, abraçados, vestidos bem, provavelmente no dia em que Sam foi pedida em casamento. Tal casamento que nunca chegou a acontecer. Mas a moça ainda usava a aliança, como Molly notou após uma olhada curiosa.

Desviou os olhos para a TV ligada, que passava um noticiário sobre as últimas notícias do massacre de Oakfield. A apresentadora dava um geral em tudo o que estava acontecendo e alertava os espectadores da situação da cidade.

— Treze pessoas já foram assassinadas nessa sangrenta continuação da história de sete anos atrás, e o mistério por trás da identidade desse assassino apenas cresce, enquanto a polícia local e o FBI trabalham para descobrir algo novo todos os dias, mas sem sucesso — dizia ela. — Por enquanto, é aconselhável que os moradores mantenham-se seguros em suas casas e não deixem a cidade, até que as investigações estejam completas e todos estejam seguros para viver novamente.

Molly olhou para Sam. Ela parecia agitada, de frente para a TV com os braços cruzados, encarando a apresentadora com desgosto.

— É uma piada — comentou ela. — Nos aconselha a ficar seguros em nossas casas, mas nem nelas estamos seguros. Nos aconselha a não deixar a cidade, mas o maldito FBI barra qualquer um que queira sair! — Virou-se para Molly, ainda parada do outro lado do cômodo, sem jeito. — Eles tão de brincadeira com a nossa cara, não é, Molly? Como acham que isso vai resolver alguma coisa?! — Bateu os braços na cintura, enraivecida.

Respirou fundo, sem saber o que responder.

— Eu não sei, Sam… — disse, incerta, enquanto a loira começava a andar de um lado para o outro, nervosa. Estava com um rabo de cavalo brilhante atrás da cabeça, o rosto mais magro do que se lembrava. Isso deixou Molly preocupada.

— Eu não tô aguentando mais isso — exaltou-se Sam. — Achei que suportaria, mas não consigo. Não mais. Como a gente pode se sentir seguros? A merda do FBI não serve nem pra colocar um segurança pra gente e acha que vai conseguir pegar esse desgraçado!

— Garanto que eles estão fazendo tudo o que podem… — Tentou acalmá-la.

— E não tá adiantando nada! Já percebeu como somos nós mesmos, os próprios alvos do assassino, que fazemos os maiores avanços nas investigações?! A polícia nunca ajuda em nada! Nem parece que levam o caso a sério.

Molly constatou que era verdade e decidiu não continuar cutucando a ferida, cruzando seu único braço e apertando o toco do outro lado. A casa estava silenciosa e toda acesa. Merriman percebeu como o som das sirenes e do caos que se desenrolava rua acima era abafado ali dentro. Nem parecia que alguém tinha morrido a alguns quarteirões de distância.

Em relação a Sam, achava normal que ela estivesse daquele jeito. Depois de tanto tempo, já estava na hora dela finalmente surtar por conta da situação. Lincoln estava morto, seu noivado arruinado, e provavelmente todo o seu psicológico também. Sua reação era basicamente o que todos estavam sentindo e simplesmente reprimiam dentro de si.

— Acho que a gente deveria juntar todo mundo e… Fazer tipo um interrogatório, sabe? — tornou Sam. — A Emily poderia interrogar todo mundo. Ela é boa nisso, eu já percebi. E acho que a Ellen deveria ser a primeira, porque tem todo aquele lance do trato com o assassino e…

— Sam, você não sabe? — cortou Molly, surpresa, dando um passo adiante e sendo tomada por uma expressão triste.

A loira parou de falar e olhou para ela, curiosa.

— Do quê? — perguntou;

Molly engoliu em seco. Odiava ter que dar aquele tipo de notícia.

— A Ellen… — começou. — Ela… Morreu. Ela tá morta, Sam.

Sam teve a mesma reação de um susto. Parou de andar de um lado para o outro e se manteve estática ao lado do sofá, espantada. Ficou daquele jeito por um bom tempo, chocada, apenas digerindo a informação. Seu peito esquentou, a mesma sensação de quando recebeu a notícia de todas as outras mortes durante o tempo que passou ali.

— Quando? — perguntou, a voz fraca.

— Agora de pouco — respondeu, com um aperto no peito. — Eu e a Emily encontramos o corpo… E… Chamamos a polícia. Na minha casa.

— Ai, meu Deus… Eu me sinto horrível… — grunhiu Winters, franzindo o cenho em tristeza.

— Mas isso não prova nada — interrompeu Molly, fazendo a atenção de Sam voltar para si. — Isso não significa que ela não tava tendo um trato com o assassino. Talvez só prove que ele não precisava mais dela. Ou… Ela até mesmo pode ser inocente, e só agora o assassino veio fazer o que prometeu: matá-la se rejeitasse o acordo. — Deu de ombros. — Talvez a gente nunca saiba a verdade.

— Você tem razão — concordou Sam, balançando a cabeça.

Voltaram a ficar em silêncio, olhando para o chão de forma incomodada. O assunto trouxe um ar mórbido para a sala. Não que já não estivesse antes, mas a morte de Ellen somente fez esse pesar aumentar.

— Por que me chamou aqui, Sam? — perguntou Molly, finalmente se lembrando do chamado da amiga, dizendo que precisavam conversar.

— Ah, é claro — disse a outra, também se lembrando. — Pois é, eu tava esquecendo de falar.

Molly esperou pelo que ela teria a dizer.

— É sobre o Garrett — contou Sam. — Eu não confio nele desde aquela dia no hospital, quando a gente foi te buscar, lembra?

Merriman caçou em suas memórias o que ocorreu naquele dia, até se lembrar do encontro do celular de Peter no porta-luvas do carro de Garrett, e de como uma certa desconfiança foi levantada contra ele numa discussão entre os três, antes do rapaz provar sua inocência ao relatar que o assassino havia enviado o aparelho para ele.

— Ele não contou pra ninguém mais, então achei que ele queria que ninguém soubesse além de nós duas. Por isso eu chamei você, que também sabe do que aconteceu, em vez de ir falar logo com a Emily ou outra pessoa — explicou a artista.

Molly apenas concordou com a cabeça, e Sam abanou os braços.

— Você não acha estranho, Molly? — perguntou Sam. — É improvável demais.

— O que quer dizer? — Não tinha voltado a pensar no assunto desde aquele dia, até porque foram interrompidos pelo chamado de Emily na floresta, quando ela encontrou o corpo de Jordana. Por isso, sua cabeça estava ocupada com esse assunto maior.

— Qual é, quem concerta uma porta bêbado? Ele disse que concertou a porta arrombada pelo assassino enquanto bebia, logo antes da Emily aparecer e ele surtar com ela por estar bêbado. Se ele já estava naquele ponto quando ela chegou, deve ter embebedado rápido. E, meu Deus, você já tentou concertar uma porta quebrada? Parafusar, martelar e sei lá o que mais, em tão pouco tempo quanto deve ter sido?

— Sam, isso não faz sentido. — Molly riu, nervosa. — É difícil, mas não é impossível. E a gente não sabe em que parte da noite o assassino enviou o celular pra ele, nem quanto tempo antes da Emily chegar ele ficou concertando a porta.

Sam concordou com a cabeça, agitada.

— Tudo bem, isso tem explicação — continuou ela, impassível. —, mas nada explica o fato dele nunca ter sido atacado nem tido contato com o assassino. Ele é um dos alvos, isso fica claro caso essa história do celular seja verdade, mas ele nunca entrou em contato com o Carrasco. Eu, você, Linda, Emily, Owen… Todos fomos atacados e somos alvos, e não tem motivo pro assassino não ter ido atrás dele também.

— Talvez ele não tenha tido tempo ou vontade, Sam. Eu realmente não confio cem por cento no Garrett, mas essas teorias não fazem sentido e não tem nenhuma sustentação. O melhor a fazer é esperar. — Balançou a cabeça, com pena da amiga, que estava daquele jeito provavelmente por todo o trauma sofrido. — A Emily disse que tem um plano, e eu prefiro confiar nela do que sair apontando dedos e se arriscando.

— Isso não é tudo — tornou Sam, sem provas de que fosse parar tão cedo. Molly nada fez, apenas escutou-a, ainda em pé. — Ainda naquele dia no hospital, ele disse que ficou sabendo pelo Kai que a Jordana estava desaparecida. Eu conversei com o Kai hoje e ele disse que nunca contou pro Garrett isso. E não sei se você se lembra, mas naquela época, o desaparecimento da Jordana ainda tava sendo mantido em sigilo. Ninguém sabia. As únicas pessoas que tinham conhecimento, segundo o próprio Kai, era ele, a Emily e a Ellen. Só. Então como o Garrett ficou sabendo?

Molly sentiu o corpo queimar, vendo que aquele era um argumento que poderia provar alguma coisa. Encheu-se de curiosidade e tensão.

Sam continuou:

— Se quiser saber, eu também perguntei pra Emily e pra Ellen, e nenhuma delas contou isso pra ele. Me explica isso agora.

A garota não tinha argumentos contra, mas não deixava de ser uma jogada perigosa.

— Tudo bem. Mas se você estiver certa em relação a isso, o que vamos fazer? — questionou.

— Contar pra polícia, pra Emily, ir atrás do Garrett e colocar ele contra a parede, sei lá. Temos que fazer alguma coisa — respondeu, como se fosse óbvio.

Os olhos de Molly passaram novamente para o quadro atrás de Sam, dela e Lincoln abraçados e sorridentes. Então, tudo fez sentido: ela queria trazer justiça para o seu noivo e estava focada em encontrar um culpado. Tentava ir atrás de qualquer um que parecesse suspeito.

— Olha, Sam, eu não sei. Não tem como ter certeza. Se você tiver errada, vamos estar apenas nos afastando mais ainda uns dos outros — disse Molly, tentando não provocar um ataque de raiva na loira. — Eu sei que tudo isso é difícil, e que você quer se vingar por todos os mortos, mas temos que esperar o momento certo pra fazer alguma coisa. Não é de um momento para o outro que pegamos um assassino, e se for mesmo o Garrett, é extremamente perigoso. Se ele for culpado, já podemos ter uma boa base e saber do que ele é capaz e, logo, não se torna seguro fazer alguma coisa sem um plano antes. Sim, eu topo buscar por mais evidências com você, mas vamos com calma. Temos que calcular bem os nossos passos.

Sam baixou os olhos, decepcionada. Isso fez o coração de Molly derreter, encarando a expressão chorosa da outra, quase como uma criança que foi repreendida. Mas no fim, Sam apenas concordou com a cabeça, afinal, Molly estava certa: precisavam de um plano. Partir para cima de uma vez só não era uma opção. Falaria com Emily ou com os outros mais tarde, com certeza. Estava se precipitando demais, se pondo em muitos riscos, e não via que poderia morrer caso continuasse com aquilo.

Abriu a boca para respondeu, quando seu telefone tocou na mesinha de centro. Em conjunto, as garotas viraram o rosto na direção dele. Sam adiantou a pegá-lo, sem preocupação.

— Alô? — disse.

Hello there, Sam — respondeu a voz, com a artista finalmente se dando conta que era o assassino, após não ter reparado no “Número Desconhecido” escrito no visor do aparelho.

Ela congelou, olhando para Molly. De um momento para o outro, encheu-se de raiva.

— O que você quer, filho da puta?

— Eu já matei o seu marido, tirei sua sanidade, e até te fiz comer carne humana. Agora, você tem a chance de se vingar de tudo isso.

Parou por um instante, não entendendo muito bem.

— Do que você tá falando?

— Uma rodada final. É disso que eu estou falando.

Sam colocou no viva voz ao ver Molly perdida do outro lado da sala, e assim que a morena captou o timbre da voz ao telefone, inflou o peito com força, entrando em desespero.

— Não tá falando sério — disse Sam.

— Ah, eu estou. Todos vão estar presentes, te prometo isso. E você, Sam… Ah, você é uma das minhas preferidas! Não pode faltar você.

Fez um gesto para que Molly ficasse em silêncio, ao que a garota olhava ao redor, tentando encontrar alguma coisa com a qual pudessem se proteger caso algum ataque viesse.

— Eu não acredito em você. Não vai ser fácil assim — continuou a loira.

— Mas quem disse que vai ser fácil? Eu estou te oferecendo uma chance de se vingar por tudo o que fiz, mas eu não prometi nada. Se for mais esperta, tudo bem, mas garanto que eu também vou ir atrás de você, Sam. Eu vou colocar minhas mãos em você se você não for muito rápida em correr de mim. Essa é uma chance de você ganhar de mim, de me vencer. Se será capaz disso? Saberemos mais tarde.

Pensou por muito tempo antes de responder, saciando a ideia de se vingar do assassino. Com o lábio retesado dentro da boca, Sam martelava com a mente seus próximos movimentos e suas próximas palavras. Molly continuava extasiada do outro lado, em silêncio, tentando deixar nenhum som escapar da boca, virando-se de costas para a amiga e olhando pela janela.

— Onde? — finalmente perguntou, firme.

— Everwood Hotel — respondeu o mascarado, fazendo Molly virar, curiosa, já com lágrimas nos olhos, de cenho franzido e muitas perguntas na cabeça.

— Que horas?

— Quando quiser. Eu vou estar lá, te esperando. — Era incrível como ele conseguia fazer tudo tomar um tom macabro, o que fez Sam estremecer. — Essa vai ser uma noite para ser lembrada, Sam. Te vejo daqui a pouco.

Ele desligou, e as duas ficaram se encarando por um tempo, temerosas, sem saber o que fazer. Sam jogou o celular no sofá, engolindo em seco. Aos poucos, foi notando que seu coração estava disparado e a respiração pesada. Sempre ficava assim quando o assunto era o Carrasco.

Molly apertou seu braço decepado, nervosa.

— O que você vai fazer? — perguntou a morena, desde que Winters tinha recebido a ligação e, claramente, era quem deveria tomar alguma ação.

— Eu vou me encontrar com ele, é óbvio. — Molly franziu o cenho. — Depois de me certificar de que isso não é uma armadilha, claro.

— Sam, isso não é uma boa ideia…

— Molly, nada do que tá acontecendo é uma boa ideia! — disse, desesperada por um instante. — Tudo é arriscado! E não é como se a gente tivesse outra escolha.

Molly respirou fundo, olhando para a janela de novo. O Everwood Hotel era um lugar isolado na floresta e claramente nada de bom aconteceria lá. Sentia-se extremamente angustiada. Naquela situação, não sabia o que fazer.

— Eu preciso que você busque os outros — continuou Sam. — Eu não vou ter tempo pra fazer isso, então você tem que me ajudar, Molly. Fale com a Emily e leve ela até o hotel. Também busque o Kai, a Linda… Todo mundo, ok? Juntos, a gente tem uma chance maior de derrotar o assassino.

— Não acha que…

— Ele já chamou todo mundo? É, talvez. Mas eu não posso confiar nele.

A morena engoliu em seco, agora sendo quem andava de um lado para o outro.

— Quando a gente chegar lá, vamos ter uma chance maior de pegá-lo — disse Sam. — E acho que é uma batalha que temos que lutar juntos.

Molly não respondeu.

— Molly! — chamou sua atenção, fazendo-a virar para si. — Entendeu?

Relutante, a garota concordou com a cabeça.

— Eu vou fazer o que for possível — disse.

— Era isso o que eu queria ouvir.

 

3

 

As árvores envolviam Emily e Garrett naquela caminhada tenebrosa pela floresta. A trilha quase desaparecia na escuridão enquanto eles avançavam, nervosos, pisando em folhas secas e galhos a cada passo que davam. Em silêncio, tentavam não chamar muita atenção com as lanternas de seus celulares discretamente escondidas na manga da blusa que vestiam.

Como não podiam trazer mais ninguém, pediram um táxi e foram andando pelo restante do caminho, desde que o taxista se recusou a entrar na mata pela má qualidade do lugar. Não reclamaram. Realmente era melhor irem caminhando, pois chamaria menos atenção caso o assassino estivesse a espreita em algum canto, esperando pela chegada dos alvos selecionados.

— Ainda acha que fizemos a escolha certa? — perguntou o tatuador, que até então era o mais assustado da dupla.

— Sem dúvidas — respondeu Emily, baixinho. — Mal posso esperar para pôr minhas mãos naquele filha da puta.

— É arriscado.

— Sempre foi. Qual a diferença agora?

Garrett balançou a cabeça, mordendo o lábio.

— Você tem razão. É preciso.

— Sim, é preciso.

Emily apertou a parte de trás de sua calça, sentindo o cabo de sua pistola, pega antes de terem saído da casa. Com um sorrisinho, seguiram em frente, até chegarem em frente ao enorme hotel abandonado, com todas as faixas amarelas ainda jogadas e espalhadas pelo chão desde o dia em que Jordana foi encontrada morta. Emily tremeu diante da visão escura do ambiente, não podendo ver muita coisa além dos dois primeiros andares. Alguém poderia muito bem estar observando-os lá de cima. Sem reclamar, os dois avançaram e entraram antes que mudassem de ideia, desvencilhando-se da segurança do exterior e emendando-se nas sombras que os esperavam do lado de dentro.

Alguns minutos depois da entrada da dupla, uma segunda presença surgiu em meio as árvores, saindo da trilha. Linda olhou para cima, com sua franja quase cobrindo a visão e os cabelos morenos suados próximos da cabeça. Suspirou fundo, apertando o cabo da faca de cozinha com mais força nas mãos. A lâmina tremeluziu na fraca luz da lua, antes da professora dar seus passos na direção do prédio, com o coração na boca, passando pelas portas de entrada e pensando que tudo ocorreria como deveria. Não obedeceu o comando de Owen sobre esperar que ele mandasse uma mensagem dizendo que havia chegado na delegacia. Tinha que fazer aquilo agora. De qualquer jeito, Owen chegaria a qualquer instante com a polícia.

E a terceira pessoa que surgiu da trilha foi Sam. A loira caminhava com passos decididos na direção do Everwood Hotel, com os cabelos loiros pulando nos ombros e sem nada em mãos além de seu celular com a lanterna ligada, que dava um pouco de luz para a nebulosidade do ambiente. Ela sabia que o fim estava próximo, e com uma raiva esclarecida no olhar penetrante, Winters caminhou até a construção.

Presos entre as quatro paredes do hotel, os sobreviventes não podiam ter ideia do que estaria por vir e das descobertas que se desenrolariam pela noite assombrosa. O terror mostrava-se próximo de acabar e os segundos corriam lentos pelo relógio, enquanto o corpo de cada sobrevivente sofria o crescente medo do desconhecido, e a história aproximava-se de seu devido fim.

Com o crocitar dos grilos ao fundo e a escuridão envolvendo tudo e todos, longe de qualquer pessoa que pudesse escutar os gritos que se prosseguiriam pela noite, eles buscavam pelas respostas que procuraram por tanto tempo… Sozinhos, isolados e com o mal mais próximo do que podiam sequer imaginar.



Notas finais do capítulo

Pois é meus amigos, agora a merda vai atingir o ventilador de vez! Nossos queridos sobreviventes entraram no prédio para o esperado embate final. As coisas vão se complicar pra eles haha O que esperam que vai acontecer? As apostas se encerram aqui, então quem acham que é o responsável por trás da máscara? Ou melhor, os responsáveis?! Me contem suas teorias e tudo o que estão pensando, ficarei muito feliz em saber. Até a próxima! Amo vocês sz



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Hello There 2" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.