All Through the Night escrita por Lux Noctis


Capítulo 1
Capítulo 1


Notas iniciais do capítulo

All Through the Night é uma música belíssima, principalmente na versão do Sleeping at Last, e foi ela a inspiração para essa oneshot curtinha.



“All through the night

I'll be awake

And I'll be with you”

A música ecoava pelos altofalantes do carro. Uma melodia agradável aos ouvidos, enquanto o motorista tamborilava os polegares no volante, deixando-se levar pelo ritmo. Seus sempre buscando o retrovisor. Não por se preocupar com os carros atrás de si, mas para tentar vislumbrar os belos olhos castanhos do passageiro, que ocupava-se (como sempre) com o celular em mãos. Sempre tão atarefado e disperso. Sempre naquele horário.  Todas as noites, aquilo era uma rotina. Steve desocupava-se das corridas, não aceitava nenhuma outra, querendo sempre estar no mesmo lugar, no mesmo horário, esperando aquele passageiro entrar e sentar no banco traseiro, murmurar o endereço, e sequer olhá-lo por mais de dois segundos.

As primeiras noites, repletas de silêncios tão inquebráveis, que nem mesmo os dedos tamborilantes no volante era existente. A música? Apenas na mente de Steve Rogers enquanto dirigia para o endereço dado pelo moreno. Todas as noites ridiculamente iguais. Steve estacionava quando via o moreno erguer dois dedos da destra. Ele jogava o sobretudo no banco, junto à maleta de couro, sentava-se, fechava a porta e dizia o endereço. Sempre o mesmo. Poucas quadras de distância, mas o homem parecia empertigado demais para uma caminhada noturna. Talvez mocassins e ternos não fossem a melhor vestimenta para tal.

Uma  noite, Steve tomou uma decisão importante. Música. Em outra, permitia-se tamborilar os dedos no volante… até finalmente respirar fundo, e apresentar-se.

—  Aliás, meu nome é Steve Rogers.

O passageiro nada fez além de erguer os olhos do celular, e menear a cabeça. Sem sequer mencionar seu nome. Steve estava se encantando por alguém cuja vida era um total mistério. Era um executivo, talvez. Importante, sério, reservado, ocupado. Alguém que não tinha o menor interesse em se apresentar à ele, e deveria compreender tal coisa. Mas no final daquela corrida, quando o passageiro estava prestes a descer, guardou o celular no bolso dianteiro da calça social, olhou-o pelo retrovisor, como se olhasse diretamente dentro dos seus olhos.

—  Tony Stark.

Duas palavras. Mais que o suficiente para uma apresentação não muito calorosa.

“All through the night

This precious time”

Teve uma noite, umas das quais Steve o esperou por mais tempo que o normal, recusando qualquer corrida que não fosse o endereço de Tony… Quando o moreno finalmente entrou em seu carro, não estava fazendo uso do celular, e Steve estranhou, mas manteve-se calado.

—  Hoje o dia foi cheio. —  Tony comentou como se falasse à um amigo, tirando de Steve um sorriso compassivo. E um olhar de quem entendia bem o que ele falava.

—  Sou um excelente ouvinte.

E Tony falou. Falou do dia, da semana, quase falou como havia sido seu mês até aquele momento. Cessaram o falatório desenfreado apenas quando Steve parou o carro frente ao prédio que Tony sempre indicava como seu endereço final.

Fora assim por tantas noites. Noites de partilha enquanto estavam naquele carro. Steve com os olhos sempre atentos à pista, mas desviando sempre que possível para olhar as orbes castanhas de Tony pelo retrovisor. E o passageiro daquele carro finalmente passava a deixar o celular de lado, realmente conversando com o motorista. Conhecia-o melhor que muitos daqueles que se diziam seus amigos.

Estavam quase dependentes daquele momento que compartilhavam todas as noites. Dependentes da companhia um do outro, da voz, da forma como acabavam contando os problemas, e curiosamente os esquecendo um pouco.

“Oh, all through the night today

Knowing that we feel the same without saying

The same without saying”

Tony passava o dia na expectativa de que a noite chegasse, pois não importava o dia de cão que pudesse ter, ao encontrar o loiro e seu sorriso perfeito, tudo ficava em segundo plano. Mesmo que ele não admitisse. Não poderia fazê-lo. E Steve… bem, Steve passava pelo mesmo dilema. Suas noites tinha o ponto alto quando junto à Tony. Seus problemas eram esquecidos momentaneamente, para depois surgirem com mais força. Porque ganhava mais um sempre que se afastava de Tony.

Eles passaram noite após noite, conhecendo um ao outro, se encantando um com o outro… apaixonando-se um pelo outro.

Era loucura!

—  Hoje eu não quero voltar pra casa. Não agora, então, eu entendo se quiser me deixar numa rua qualquer e seguir seu caminho. —  Tony falou assim que sentou no banco de trás, sem fechar a porta, esperando que Steve nem ao menos aceitasse a corrida. Mas o loiro apenas sorriu, apoiou a destra no banco do carona, virando o corpo para trás, parcialmente. Encarando Tony.

—  Pra onde, então? —  a voz suave, esperando que Tony lhe disse um endereço qualquer.

—  Só siga em frente.

E ele seguiu, noite adentro, ele nem se preocuparam com casas, família. Steve estava feliz por finalmente passar mais tempo que o já habitual com Tony, enquanto o moreno sentia a dor da despedida. A despedida de um amor que nem ao menos se permitiu.



 

“We have no past, we won't reach back

Keep with me forward all through the night”


 

Steve parou apenas na encosta de uma bela paisagem. A lua iluminava-os como se finalmente um amante pudesse beijar os lábios de seu grande amor.

Eles sentiam a mesma coisa, mas mantinham-se calados. Não estragariam aquilo, seja lá o que fosse. Só porque sentiam, não significava que entendiam. Tony era casado, Steve era noivo. E eles sabiam disso. Já se conheciam bem demais.

Tony saiu do carro, apreciando a bela vista do alto. Tão longe de tudo, apreciando os prédios com suas luzes distantes, observando Steve fazer o mesmo, e apoiar-se frente ao carro, assim como Tony. Ambas as mãos no capô do carro, os dois olhando para frente, sentindo o calor da mão alheia tão próxima, resvalando uma na outra. As horas haviam passado como um piscar de olhos. Conversaram, como sempre. Riram, como sempre. E quando se olhavam nos olhos, era como se o mundo inteiro parasse, apenas para que pudessem prolongar o momento. Eternizá-lo.

Passaram a se amar conforme os dias, conforme as conversas. Quando notaram que se entendiam mais que as pessoas que eram realmente próximas. No fundo, a história de que não escolhemos quem amamos, é verdadeira. E eles sabiam bem. Steve queria ter a coragem necessária para puxar Tony pela cintura e selar seus lábios aos dele, mas o homem era casado, e isso seria errado.

Tony, por sua vez, queria jogar tudo para o alto, e fugir com Steve naquele carro. Pouco se importando que levaria apenas a roupa do corpo. Nunca fora tão feliz quanto era quando perto daquele loiro cativante. Mas não poderia atrapalhar a vida dele com todo o caos que era sua própria vida.

—  O nascer do sol aqui é sempre esplêndido. —  Steve comentou finalmente tocando a mão de Tony, como se apenas quisesse chamar sua atenção.

—  Passamos a noite toda conversando, isso é… —  olhou para as mãos unidas de forma suave, respirando lentamente. —  Obrigado pelo tempo, Steve.

O silêncio dominou, até que o sol nascesse e as mãos se separaram quando eles decidiram que precisariam voltar às suas vidas normais.

Eles tinham a certeza do que sentiam, sentiam exatamente o mesmo.


 

“Oh, all through the night today

Knowing that we feel the same without saying”


 

Era a despedida, e Steve nem ao menos havia notado. Não até Tony sair do carro quando Steve parou frente ao prédio.

—  Obrigado pelo tempo, e pelo ombro amigo quando precisei, Steve Rogers. Espero que seus próximos clientes não sejam tão verborrágicos quanto eu. —  o sorriso transmitia a tristeza de seu interior ao abandonar o carro.

E fora instintivo para Steve sair do carro, e quase correr até Tony, parando-o antes que ele entrasse naquele prédio. A destra firme ao antebraço esquerdo do moreno.

—  Não é um adeus, é?

—  Nunca é um adeus, mas sempre é um adeus. —  falou virando-se para Steve, a tempo de vê-lo se aproximar e lhe abraçar. Retribuindo o abraço de forma sutil, mas necessitada, gravando o cheiro, o calor, o toque.


 

Gravaram tudo um do outro. Desde o som da risada, à forma como os olhos se fechavam um pouco quando sentiam que não estavam contado toda a verdade sobre seus dias. Se gravaram porque se conheceram, e por se conhecerem se amaram. Mas nunca falaram.


 

“Keep with me forward all through the night

Keep with me forward all through the night”



Notas finais do capítulo

Opiniões são sempre bem vindas!



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