Amem escrita por Liz Setório


Capítulo 27
Lágrimas


Notas iniciais do capítulo

O capítulo acabou ficando imenso, mas tudo que está aqui não poderia estar em outro capítulo, pois se assim fosse, o ritmo da história iria ficar quebrado. Enfim, as emoções aqui contidas estão do tamanho do capítulo rsrs

Boa leitura!



— Mãe… Eu pequei — revelei num tom de voz fraco.

— Pecou? Como assim você pecou? Não me diga que você fez mal a uma criancinha, por favor, me diga que você não é um maldito pedo...

Minha mãe estava visivelmente nervosa, falava num tom de voz alto, evidenciando todo o seu desespero. Acabei a interrompendo, para assim tentar diminuir um pouco a sua aflição.

— Não, eu jamais faria uma brutalidade dessas.

Naquele momento lembrei do bispo Meirelles, aquele sim tinha coragem de cometer tamanho pecado e não sentir o menor remorso. Como um religioso poderia fazer tamanha atrocidade? Como qualquer pessoa poderia fazer uma coisa dessas?

— O que você fez, meu filho? Por favor, diga, diga logo antes que sua mãe enlouqueça.

O estado de nervosismo de mamãe era imenso. Ela estava se dando conta de que eu não era o padre corretíssimo idealizado por ela. Eu era apenas um terrível pecador.

Já havia me arrependido de iniciar aquela conversa, quis inventar uma coisa qualquer, mas já era tarde, não poderia simplesmente contar uma mentira, precisava ir com aquilo até o final, pois não era justo continuar mentindo para minha mãe. Ela precisava saber onde eu estava e o porquê de estar em tal lugar.

— Eu quebrei o meu voto de castidade.

— Meu Deus… Meu Deus, Paulinho você se deixou seduzir por uma mulherzinha qualquer… Como pode, meu amor? Como pode?

Havia chegado o momento mais difícil: revelar tratar-se de um homem ao invés de uma mulher.

Respirei fundo e enfim me encorajei:

— Não foi com uma mulher.

Minha mãe me olhou por alguns segundos em silêncio, depois me deu uma bofetada. Uma lágrima rapidamente escorreu do meu olho direito, não pela dor do tapa — ela havia me batido com força, o que me causou uma certa dor —  mas sim pela vergonha de revelar aquilo para mamãe. Eu sabia que dali em diante passaria a ser o desgosto dela.

—  Com um homem… Com um homem… Isso não poderia ser pior — bradou, balançando a cabeça negativamente.

Era possível sentir em suas palavras um certo nojo, dali em diante ela passou a me ver como um ser repugnante.

Um breve momento de silêncio instalou-se entre nós. Durante esse tempo de quietude me questionei se deveria revelar que tal homem era o Miguel. No entanto, não foi necessário, mamãe acabou juntando as peças sozinha.

— Foi com o Miguel não foi? — indagou.

Não tive coragem de confirmar e ela insistiu, dessa vez aos gritos.

— Foi com ele? Diga, Paulo, diga.

Balancei a cabeça de forma afirmativa.

— Jesus… E pensar que esse homem estava aqui dentro de minha casa… Que vocês dormiram juntos aqui…

— Mãe…

Antes de concluir minha fala fui interrompido por ela.

— Não, não tente explicar nada, Paulo. Você deveria ter honrado a batina que veste, não deveria ter pecado dessa forma. Um duplo pecado: sodomia e quebra do voto de castidade. E pra piorar tudo, isso ainda foi feito com outro padre. Meu Deus… Esse mundo está mesmo perdido… Nem os padres estão livres da tentação do Demônio.

Senti-me tão impuro. Tão pecador. Desejei que houvesse um buraco no chão para esconder a minha cabeça. Eu já não tinha mais coragem de olhar para minha mãe.

Rapidamente lágrimas se formaram em meus olhos e quando vi já estava imerso em um choro descontrolado. Logo minha mãe começou a chorar também e de forma inesperada ela me abraçou.

— Meu amor… Meu Paulinho… Não chore… Não chore. Eu não aguento te ver assim… Eu te amo tanto, meu bebê. Eu sempre esperei de mais de você… Tanta expectativa deve… Deve, sei lá ter te feito perder o rumo, mas eu tenho certeza de que você vai se encontrar, vai voltar para o caminho de Deus, assim como o padre Miguel. Ele é um bom homem, o que aconteceu entre vocês foi apenas uma provação de Deus ou uma tentação do Diabo, eu não sei, mas vai ficar tudo bem… — declarou entre lágrimas.

—  Mãe — disse enquanto me soltava de seu abraço — Eu… Eu amo o Miguel… É amor de verdade e se um dia eu cruzar com ele de novo, largo a Igreja sem nem pensar — completei ainda chorando um pouco.

— Paulinho, você está confuso, amor. Você nasceu pra ser padre — disse num tom de voz firme.

A afirmação de minha mãe mais parecia uma ordem, era como se ela me ordenasse a seguir com o sacerdócio mesmo estando evidente a minha falta de vocação.

— Não, eu nunca tive vocação… E estou mais que certo do meu amor pelo Miguel.

Em realidade, eu não tinha vocação. No entanto, havia aprendido a amar a Igreja de tal maneira que, durante algum tempo, foi prazeroso ser padre. Ah, eu via tanta beleza na fé católica, uma simples missa, para mim, sempre era um espetáculo de beleza e fé. A cada missa celebrada me sentia mais perto de Deus. Todavia, além do forte amor que eu tinha pela Igreja, surgiu o Miguel e infelizmente eu não pude conciliar esses dois amores.

— Eu não aguento mais ouvir isso, por favor, vá. Vá, Paulo, vá e tente colocar teus pensamentos em ordem, só apareça aqui quando tiver tirado da cabeça essa ideia esdrúxula de que não tem vocação.

— Então nunca mais a senhora me verá.

— Não diga isso, assim você parte o meu coração.

— Me prometa uma coisa?

— O que?

— Que vai me perdoar, vai me perdoar por eu não ser o santo que a senhora tanto idealizou. Por não ser um padre perfeito... Vai me perdoar por eu ser gay.

— Você me pede muitas coisas… Muitas coisas impossíveis. Paulinho, você tem noção da dor que as suas palavras me causam? Eu tinha um filho padre, um padre de dar orgulho. Agora, agora eu tenho um filho padre, mas um padre desviado.

— Desculpe, mãe. Me desculpe por ser essa vergonha ambulante, mas mãe, lembre-se que a senhora é cristã e Cristo nos disse que devemos perdoar até setenta vezes sete….

— Eu nunca pensei que o perdão fosse assim tão difícil de ser exercido… Mas tenho fé em Deus, Paulinho, tudo isso vai passar, isso é só uma fase, meu amor, você vai voltar a ser o homem e padre honrado de antes.

[...]

A viagem de volta ao mosteiro foi extremamente perturbadora. Tudo reprisava na minha mente e eu chorava, chorava e chorava. Nos últimos dias só havia me acontecido coisas ruins. Como suportaria tamanha dor?

Eu rezava, pedia forças a Deus, porém não conseguia me acalmar e quanto mais perto do mosteiro pior eu ficava.

— Está tudo bem com o senhor? — questionou o rapaz que estava sentado ao meu lado no avião.

— Sim.

— Tem certeza, padre? Percebi que o senhor chorou bastante durante a viagem.

Padre… Era incômodo ser chamado daquela forma, eu queria tanto poder me livrar desse maldito título e daquela maldita batina.

— Absoluta. Estou passando por um período um pouco atribulado, mas nada de mais.

— Espero então que Deus lhe dê forças para passar por esse momento difícil.

— Amém. Eu tenho certeza de que ele dará, meu filho.

Eu não poderia abrir minha intimidade para aquele homem que havia acabado de conhecer.

O homem não disse mais nada e seguimos a viagem em silêncio, provavelmente ele percebeu a minha mentira e deve ter percebido também que seria muito inconveniente continuar me questionando o motivo da minha tristeza.

De repente, não sei como, o rapaz e eu já havíamos aterrisado, estávamos no banheiro do aeroporto, trocávamos beijos quentes e carícias indecentes. Eu já não pensava mais em Miguel, tudo que desejava era penetrar aquele homem, penetrá-lo e assim conseguir ter prazer e esquecer um pouco das coisas que me perturbavam.

Com Miguel, o sexo era troca, oscilavamos nas posições ativa e passiva, porém com aquele desconhecido, eu não queria trocar, eu só queria me aliviar, me aliviar daquela vontade imensa de fazer sexo e de ter prazer.

Coloquei o homem com as mãos apoiadas sobre a pia e iniciei o sexo de forma absurdamente bruta, nunca pensei que eu pudesse ser tão animalesco durante o ato sexual.

Não tirei-lhe a roupa por completo, apenas abaixei sua calça e sua cueca. Eu também não estava completamente nu, estava apenas sem batina e com as calças levemente abaixadas. Enquanto eu lhe penetrava ele soltava gemidos altos, tão altos que eu me questionava se logo alguém não entraria ali, entretanto eu não me importava, por mim, poderia entrar até o papa ali, nada me faria parar. Eu precisava daquilo, precisava fazer com que aquele homem fosse meu.

Eu me sentia extremamente poderoso na posição ativa, nunca antes havia me sentido daquele jeito. Enquanto fazia movimentos de vai e vem dava tapas na bunda do rapaz, tapas fortes que faziam ele gemer ainda mais e quanto mais ele gemia mais poderoso eu me sentia, era tão bom ter o controle de toda aquela situação...

De repente senti uma mão em meu ombro, me assustei com aquilo e pude ouvir o rapaz dizer:

— Padre, nós chegamos.

Havia sido um sonho, nós não tínhamos transado.

— Obrigado, eu acabei pegando no sono — respondi um pouco embaraçado.

Eu acordei me sentindo um pouco estranho. Aquele sonho havia sido tão vívido… Mas aquilo, obviamente, não teria como acontecer na realidade, visto que eu não conseguiria transar com aquele homem nem com nenhum outro, pois não conseguiria deixar de pensar em Miguel um instante sequer.

[...]

Quando cheguei ao mosteiro já não pensava mais no estranho sonho erótico. Naquele momento o que me perturbava era o mosteiro. Senti-me tão pequeno diante daquela imponente construção, construção essa que tinha toda a pompa de um recinto pertencente à Igreja Católica… Olhar para aquele lugar e pensar que provavelmente eu ficaria o resto da minha vida ali, era perturbador e era ainda mais perturbador pensar que eu passaria o resto dos meus dias sem ver o meu amado Miguel.

Fui até a sala do abade me apresentei novamente e ele me fez uma proposta.

— O que acha de sair da cozinha e ir pro aconselhamento? Temos poucos padres nesse setor e o número de visitantes buscando alento espiritual só aumenta.

Eu aconselhar pessoas? O que diria para aquelas pessoas? Eu sequer sabia lidar com a minha própria dor. Como daria conta dos dramas alheios? Quase neguei a proposta do abade, porém lembrei de Quíron¹ e pensei que assim como ele poderia ser um curador ferido e aceitei a proposta.

[...]

Enquanto seguia em direção ao meu quarto vi Rafael e ele pareceu imensamente surpreso em me ver.

— Você? Você aqui? — interrogou.

— Sim, infelizmente. Ele me abandonou…

— Eu sinto muito.

— Me dê um abraço — pedi quase chorando.

[...]

Naquela noite não dormi, nem nas seguintes, passei um bom tempo com uma terrível insônia. Eu havia esquecido o quanto aquele mosteiro era um lugar terrivelmente perturbador, o quanto ele me fazia lembrar de como eu era pecador.

Além de ter uma terrível insônia eu quase não tinha apetite. Em realidade, eu comia pouco, dormia pouco, mas durante a noite ou em outros momentos em que estava sozinho, eu chorava bastante, me arrependia amargamente de ter abandonado Miguel. Eu me odiava por ter entrado naquele mosteiro.

[...]

Conseguia me sair relativamente bem no trabalho de orientação espiritual. Algumas pessoas não pediam conselhos, apenas queriam ser ouvidas e perdoadas por seus pecados. Na verdade, tudo aquilo resumia-se em uma confissão, porém menos formal, mas com a mesma obrigatoriedade de sigilo.

[...]

Fui chamado até a sala do abade e quando cheguei lá fui surpreendido por uma ligação de minha mãe.

— Paulinho… Meu amor, como você está?

— Estou levando, mãe. E a senhora?

— Com muitas saudades de você… Eu estive aqui pensando… E… E você poderia pedir pro bispo te mandar pra cidade vizinha daqui… O padre, coitado, está muito doente e não tem condições mais de ficar à frente da igreja. Talvez o abade te deixe sair, aposto que você está seguindo tudo direitinho e não tem mais necessidade de ficar aí.

Eu nunca pediria algo ao bispo, pois certamente ele tentaria usar o Miguel como moeda de troca — se eu soubesse onde o meu amado estava eu iria atrás dele, nem lembraria da existência do bispo Meirelles — e também, eu não tinha condições espirituais para ter uma paróquia sob o meu domínio, malmente conseguia ter domínio de mim mesmo.

— Mãe… Eu não vou pedir nada ao bispo.

— Por quê? Você não quer ficar perto da sua mãe?

— Nós já conversamos sobre isso… Eu… Eu… não tenho vocação.

— E por que você está nesse maldito mosteiro? Eu tenho que mentir pra todo mundo que pergunta de você, porque jamais, jamais, Paulo eu vou dizer que o meu filho é um padre degenerado e que está numa prisão-mosteiro para padres depravados.

— Então é isso, a senhora quer me mostrar pros outros. Quer que as pessoas digam Lá vai o Paulo, filho da dona Jussara, vejam só, o Paulo é um santo.

— Quer saber de uma coisa? Me esqueça, esqueça que você tem mãe. Eu não sou mãe de um sodomita como você — disse aos gritos e depois bateu o telefone.

Desliguei o telefone com os olhos cheios de lágrimas, era muito duro ser rejeitado pela minha mãe daquela forma.

Depois daquele dia cheguei a ligar para minha mãe algumas vezes. Ela chegou até a me atender, mas brigávamos. Ela dizia que me amava, mas não aceitava eu estar ali, me queria perto dela e de Deus e para mamãe, estar perto de Deus significava exercer o sacerdócio.

Após muito brigarmos pelo telefone, as nossas ligações foram diminuindo, até que depois de alguns anos já não nos falávamos mais. As pouca ligações que passei a fazer e receber eram de Ângelo e de Michele, o meu irmão sempre me dava notícias de minha mãe e a minha sobrinha me distraia contando como era a sua vida de universitária na capital.

Mafê chegou a me ligar duas ou três vezes, entretanto, minha irmã tinha uma visão muito parecida com a da nossa mãe, nós acabamos brigando também e as ligações cessaram.

Sentia-me extremamente triste com tudo aquilo. Eu já não tinha Miguel, já não tinha mais a mesma relação com a minha família… O meu mundo estava simplesmente destroçado.

O tempo ia passando lentamente, todos os dias eram iguais. A minha amizade com Rafael se mantinha e ele vez ou outra parecia dar em cima de mim. Ele ia chegando com jeitinho, como quem não quer nada e eu fazia de conta que não estava entendendo, fingia não saber as reais intenções dele.

[...]

— Eu gosto de você.

— Eu também gosto de você, Rafa.

— Não, Paulo. Eu… Eu gosto de você de uma forma romântica, é isso que quero dizer… Não aguento mais te ver chorando pelo leite derramado. Esqueça esse tal de Miguel.

— Desculpe, mas eu nunca poderei esquecê-lo e você sabe que não choro só por ele…

Rafael se aproximou, tentou me beijar, porém eu virei o rosto. Ele era bonito e me atraia, todavia eu não sentia nada por ele, não poderia iludí-lo daquela forma.

— Por que você não se permite? Me dê um beijo, só um beijo…

— Não, eu não posso — disse me retirando do recinto.

[...]

Aos poucos Rafael foi entendendo que eu não poderia corresponder o sentimento dele por mim. Ele entendeu que eu amava somente a Miguel e que nunca poderia amar outro homem em minha vida. No entanto, ele sempre deixava implícito que se um dia eu quisesse ter algo com ele, ele facilmente corresponderia.

[...]

Cinco anos tinham se passado e eu continuava dando orientações espirituais e um dia fui surpreendido pela visita de dois seminaristas. Eles me pediram para entrarem juntos na sala das orientações. Estranhei aquilo, porém como não se tratava de uma confissão, eu poderia deixar eles entrarem juntos.

Os dois ficaram em silêncio durante algum tempo, até que um, ordenou ao outro:

— Fale, Mateus, fale.

Olhei para o tal Mateus na expectativa de que ele começasse a falar e contasse o porquê de estarem ali.

— Você deveria falar, Pedro. Você que inventou de virmos aqui — declarou, visivelmente irritado.

— Podem falar. Eu não irei julgá-los — garanti.

Os dois ficaram em silêncio, aparentavam estar envergonhados, porém de repente, Mateus encorajou-se e revelou:

— Estamos, apaixonados.

— Você poderia ter explicado melhor. O que ele vai pensar... — ralhou Pedro.

Soltei um leve riso e os dois me olharam, suas feições demonstravam confusão e eu, de forma sucinta, disse:

— Larguem o seminário.

— O que? —  questionaram em uníssono.

— Tenho algo para contar a vocês.

Contei a eles toda a minha história de amor com Miguel e o seu triste fim, quando terminei estávamos os três em lágrimas.

— Padre, por que o senhor não vai atrás dele? — Quis saber Pedro.

Ele parecia ser o mais romântico dos dois.

— Não é tão fácil assim. Eu nem sei onde ele está.

Um silêncio constrangedor tomou conta do lugar e eu me vi na obrigação de rompê-lo.

— Talvez, vocês queiram uma benção ou algo do tipo para ficarem juntos… Não sei, mas por favor não sejam tolos como eu… Eu peço a Deus que ilumine o amor de vocês e  dê forças para vocês enfrentarem todas as dificuldades que virão. Em nome do pai, do filho, do espírito santo, amem.

— Amém — responderam em coro.

— Não, não é amém. É amem, sem acento mesmo, porque é  do verbo amar, pra vocês amarem mais…

— Padre… Eu sinto pelo que aconteceu com o senhor, mas espero que um dia o senhor e o Miguel fiquem juntos — declarou Mateus.

Era visível a sinceridade nas palavras do garoto.

— Obrigado, mas eu tenho que me conformar com a impossibilidade disso.

— Não, padre Paulo, isso não é impossível. Impossível é Deus pecar — argumentou Pedro.

— Belas palavras, Pedro, mas as chances são mínimas. Eu nunca saio daqui… E se um dia sair eu nem sei por onde devo procurar o Miguel, esse mundo é tão grande e ele pode estar em qualquer lugar… Mas enfim, não desperdicem o amor como eu desperdicei, porque o arrependimento é a pior coisa desse mundo.

Conversei com aqueles jovens durante mais algum tempo e eles saíram de lá determinados a viver o amor que sentiam, aquilo encheu o meu coração de júbilo, entretanto, assim que eles se foram eu me senti triste e até com um pouco de inveja deles, eu havia perdido o Miguel e nunca mais o encontraria.

Fiquei trancado naquela sala por um bom tempo, cheguei a chorar, mas aquele não foi um choro intenso, apenas algumas lágrimas rolaram pela minha face. Quando finalmente tomei coragem para deixar aquela sala e ir para o meu quarto, pude, ao andar alguns passos, sentir uma mão tocando o meu ombro, virei-me rapidamente para ver quem era.



Notas finais do capítulo

Quíron¹: é uma figura mitológica, um centauro, filho do deus do tempo, Cronos, por isso era imortal. Ao contrário dos outros centauros, Quiron não era selvagem, mas sim bondoso e um ótimo curandeiro. Um dia ele foi ferido por uma flecha envenenada com um veneno mortal, ele não morreu, porém sua ferida nunca sarou. Ele convivia com essa ferida diariamente e justamente por isso era tão bom em curar as pessoas: sabia como era estar ferido. Através da própria dor, era capaz de compreender a dor dos outros, com empatia e compaixão.

Referência: https://seremrelacao.com.br/quiron-o-curador-ferido-e-nos-terapeutas/

Espero que tenham gostado do capítulo ♥
Até o próximo ^^



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