31 dias no Inferno escrita por Kaline Bogard


Capítulo 4
Tem gente que não entende a referência...


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura!!



Kiba abriu os olhos na manhã seguinte e era um novo garoto. A pomada tinha aliviado a pele e o sono, restaurado do cansaço.

Ele sentou-se na cama e analisou ao redor, procurando por Shino. Logo viu o rapaz parado na janela, observando algo lá fora. Podia dizer que ele estava tenso, só pela postura corporal.

— ‘Hayo — cumprimentou e levantou-se para ir ficar ao lado dele.

— Ohayou — a resposta veio rápida.

Então Kiba notou que o companheiro tinha um inseto na palma da mão.

— O que aconteceu? Más notícias?

— De certa forma — Shino fechou a mão e quando a reabriu, o bichinho havia desaparecido — Os insetos não resistiram ao calor. Todos os que mandei investigar a ilha morreram, exceto esse.

Kiba ficou triste. Sabia como o namorado se preocupava com seus preciosos bichinhos. Tanto quanto ele se importava com Akamaru, o cachorro que o ajudava em diversas missões, mas que ficou em Konoha dessa vez.

— Que foda, Shino.

Reações emotivas não eram parte da personalidade de um Aburame. Ele não prolongou o assunto. Mostrou que já estava pronto para começar as investigações do dia. E Kiba não perdeu tempo. Ele pegou a toalha e foi para o banheiro comunitário, pelo menos tentar lavar o rosto. Quando voltou, parecia meio desanimado. A água da torneira era tão ou mais quente que a do chuveiro. Tornou a ficar com as bochechas vermelhas, assim como as mãos, cena que condoeu Shino e o fez ajudar com a pomada de novo, ao som de gemidinhos resmungões.

Kiba quase chorou ao vestir o uniforme de missões. Se pudesse, usaria roupas leves! Mas… um ninja é sempre um ninja. Não importa o clima.

Desceram até a recepção. A funcionária os cumprimentou com um gesto de mão, sem desgrudar os olhos da revista.

— Divirtam-se. É bem cedo, não tem perigo. E não alimentem os dragões.

Kiba parou perto da porta.

— Por que não? — indagou.

— Dragões-de-Komonyah podem comer pessoas — respondeu distraída — Humm… crustáceo com oito letras e um “r” na terceira casa, mas que porra é essa? Quando um dragão pega o gosto por humanos, eu só tenho dor de cabeça pra resolver.

Kiba ficou meio indignado. Como assim ela se incomodava com os transtornos de ter que resolver os problemas? E a vitima? E as famílias…? Famílias?!! Nesse ponto, ele lançou um olhar na direção de Shino e, conhecendo-o bem, entendeu a expressão como um sinal para ficar quieto.

— N-não tem café da manhã? — perguntou para mudar de assunto.

Tal questão teve o poder de fazer a mulher erguer a cabeça pela primeira vez desde que entraram no saguão aquela manhã.

— Café da manhã, moleque? Eu tenho cara de escrava por acaso? Já basta cozinhar o almoço e o jantar!! Isso é a porra de uma ilha tropical, vá buscar uns frutos… pescar no riacho… usa a imaginação. Um dos itens do pacote diz: proporcionamos um retorno ao contato com a natureza… entendeu a referência?

Pois Kiba arrepiou-se todinho. Por um segundo, Shino lembrou desses cachorros bravos que latem e latem, e avançam para morder. Antes que o pior acontecesse, o segurou pela gola da blusa e o puxou para fora da pensão.

— Me larga, Shino! Eu não vou engolir esse desaforo!!

— Temos prioridades, Kiba. Brigar com funcionários não é uma delas.

— Hunf. Tá, entendi. Mulher grossa!!

Shino o liberou e o garoto continuou resmungando por boa parte do caminho. Passaram pela aldeia e foram explorar a praia. Lá, alguns turistas da pousada se divertiam no mar, arriscando-se nas águas revoltas. Parecia refrescante e convidativo.

— Ne, acho que o desaparecimento das pessoas tem a ver com os Dragões — Kiba retomou o raciocínio interrompido na recepção.

— Penso o mesmo.

— Só é estranho que pessoas sem família desapareçam. Como se fosse de propósito para não levantar suspeitas e investigações.

— A população da aldeia estava tranquila ontem, não parecia temer alguma coisa — Shino ajudou com as deduções.

— Então é como se esses turistas fossem usados como sacrifícios pra acalmar os dragões e deixar os nativos em paz — Kiba arregalou os olhos — Aquela mulher da pensão tem acesso às informações de todo mundo. Ela deve saber quem pode ser vítima ou não!

Shino ponderou, enquanto assistia a farra dos turistas na água. Talvez uma daquelas pobres pessoas estivesse na lista para servir de alimento. Não… a maioria estava grupo, pelo que percebeu. Alguns tinham crianças. Fugiam ao perfil dos desaparecimentos.

Aquele casal escandaloso do jantar parecia algo promissor. Ou quem sabe…?

— Nós não temos família nas fichas, é parte da camuflagem  — falou em tom baixo, ganhando a atenção de Kiba — Talvez nós estejamos na mira.

Kiba entendeu o que o companheiro quis dizer. Fazia todo o sentido do mundo.

— Seriamos vitimas perfeitas.

— Vamos continuar investigando.

Aproveitaram a manhã toda para fazer uma varredura na orla da praia. O cenário era paradisíaco, embora perdesse parte do encanto a medida que o sol se tornava mais forte e o calor agia feito garras judiando da pele. Não encontraram nada de suspeito, nem mesmo um dos famosos dragões.

— A gente não viu nada, mas sinto como se fosse observado o tempo todo — Kiba comentou decepcionado, enquanto voltavam para a pousada por perto da hora do almoço.

— Sinto também.

Atravessaram a minúscula aldeia. Os habitantes estavam recolhidos as suas casas, tanto para fugir do sol escaldante, quanto para preparar as refeições, era o que indicavam os sinais de fumaça saindo das chaminés.

A recepção estava vazia. O almoço já tinha começado, por isso os dois rapazes correram para se alimentar e evitar perder a comida. Foi um pouco chocante descobrir que era arroz e curry de novo. Kiba serviu-se generosamente. Shino foi mais modesto ao montar o prato.

— Itadakimasu!!

— Itadakimasu.

Sentados na mesa, mais afastados, não conversaram. Kiba atacou a comida e concentrou-se nisso por um tempo, enquanto Shino mexia o arroz de um lado para o outro, reunindo coragem para provar.

— Ei, isso é seu? — Kiba perguntou a certo ponto. Tirou Shino das reflexões.

— Não entendi — o rapaz indagou confuso.

Kiba apontou a colher. Tinha uma pequena barata junto com o curry.

— Esse bicho aqui é um dos seus?

— Não, claro que não! — Shino garantiu mais do que depressa.

— Ah — Kiba pegou o inseto, que por algum milagre estava vivo, e o soltou no chão. Nem perdeu tempo assistindo a criaturinha fugir depressa, para voltar a comer como se não houvesse amanhã.

— Kiba… isso é meio… — Shino ajeitou os óculos no rosto, incrédulo de que o namorado ia comer aquilo! Depois de encontrar uma barata misturada.

— Quê? — o garoto raspou o prato já se preparando pra segunda dose — A gente não come nada desde ontem. To varado de fome. E a gente não pode desperdiçar comida por nada desse mundo.

Shino não rebateu o argumento. Ao invés disso afastou o prato para o lado, completamente sem apetite. Pra Kiba foi uma alegria. Ele pegou para si e tratou de comer tudinho. Não era de frescuras com um ou outro insetinho.

— Depois do almoço vamos explorar o interior da ilha — Shino deixou a questão anterior de lado, fixando-se no problema mais imediato: a missão que os levou até ali.

Passava do meio-dia. E, de acordo com a recepcionista, esse era o horário seguro para andar pelas trilhas que entrecortavam a parte mais interna de Sunshine Island. Evidentemente, a exploração seria feita com o triplo de precauções: se a funcionária ajudava a enganar turistas e da-los como alimento para os dragões, as dicas na verdade podiam ser uma fatal armadilha!



Notas finais do capítulo

Até o próximo!! :D



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