Stay With Me escrita por Valdie Black


Capítulo 9
Um dever




Quando John estacionou a sua moto e tirou o capacete a primeira coisa que viu foi Lord Melbourne sentado na entrada do edifício, balançava o rabo e encarava os dois.

— Acho que seu gato está com saudades.

Clara desceu da moto primeiro.

— Ele só está cuidando de mim. É muito protetor.

— Certo… - John hesitou. - … então, ontem foi divertido.

— Você já disse isso.

— Ah…

Ela sorriu.

— Você quer…? - Clara parou antes de terminar a pergunta e olhou assustada para algum ponto atrás de John.

— Clara? O que foi?

Ele olhou para trás procurando o que tinha causado aquela reação mas não viu nada fora do comum.

— John! - ela gritou e agarrou o braço dele com força.

John desceu da moto depressa.

— Clara, o que houve? - perguntou, agitando-se. O rosto dela tinha empalidecido e os olhos arregalados ainda estavam voltados para o outro lado da rua.

Lord Melbourne veio até eles e John sentiu as unhas do gato nas suas pernas como se o culpasse pelo estado da sua dona, mas John não se incomodou.

— O que foi? O que você está vendo?

Clara não disse nada. John começou a sentir um medo genuíno.

— Você quer entrar em casa? Vamos…

Ele a levou pelos braços pois Clara tinha ficado paralisada. Lord Melbourne os seguiu para dentro do prédio.

— Respire, Clara, já estamos longe do perigo. - disse John mesmo que não soubesse do que se tratava o perigo.

Clara inspirou fundo.

— Expire… você já vai estar de volta em casa.

Ela teve dificuldade em expirar o ar e quando o fez não parecia ter ficado mais calma. John entrou em desespero mas tentou não demonstrar.

— Vamos tomar uma água, sim? Vai ajudar.

Ele pegou suas chaves e abriu a porta pois Clara estava muito trêmula.

— Você está bem. Estamos todos bem.

— Pensei que era ele. - ela disse.

— Mas não era ele, certo? Não era.

— Mas e se fosse?!

— Não foi ele, senão o Lord M teria reconhecido.

John não sabia de quem ela falava mas tinha uma suspeita. Ele a sentou na sofá e virou-se.

— Não! - Clara gritou e agarrou seu braço de novo. - Não vá!

— Eu só vou pegar um copo d’água pra você. Não vai demorar.

— E se ele entrar no prédio?! Ele não é um estranho, ninguém iria suspeitar, ele pode vir até mim…

— Shh…

John agachou-se para ficar na mesma altura que ela.

— Clara, eu juro a você que nada disso vai acontecer. Tente se acalmar.

Ela ainda parecia assustada. John não sabia o que lhe dizer.

— Olhe, o Lord Melbourne está aqui também. Ele vai protegê-la.

Lord M pulou no colo da dona quando ouviu seu nome. Clara o abraçou como se fosse um travesseiro.

— Respire fundo. Vou pegar um copo d’água.

John levantou-se rápido antes que ela pudesse impedi-lo e foi até a cozinha. Percebeu que também estava um pouco trêmulo. Quando retornou para a sala viu Clara encarando a porta de entrada como se estivesse esperando por alguém.

Ele sentou-se ao seu lado e passou a mão em suas costas.

— Clara, está tudo bem. Você está segura agora.

— Tem certeza?

— Sim. Confia em mim?

Ela desviou o olhar da porta e o encarou.

— Confio.

Clara aceitou a água que ele ofereceu e John respirou aliviado quando percebeu que ela estava lentamente se acalmando.

— Desculpe, eu não sei o que deu em mim. - disse, falando baixo.

— Tudo bem.

— Pensei que tinha visto meu ex-namorado.

John assentiu.

— Imaginei.

Ele viu lágrimas se formarem em seus olhos e não soube o que lhe dizer.

— Eu… às vezes eu me lembro de como eram as coisas quando ele estava aqui e é como se estivesse vivendo tudo de novo.

— Ele não vai voltar, eu prometo.

— Mas às vezes é como se ele nunca tivesse saído, sabe? Ele está na minha cabeça. As coisas que ele disse e fez…

John afastou os cabelos dela do seu rosto.

— Não pense nele. Você nunca mais vai vê-lo. Acabou.

Sabia que não era um conselho muito bom porque era difícil simplesmente deixar de pensar em alguém, ainda por cima alguém que causou tanto dano. Mesmo assim, Clara assentiu e passou a mão em seus olhos.

— Meu Deus, o que houve com a sua perna?!

John olhou para baixo e viu um lado da sua calça rasgado. Sangue escorria pela sua perna onde Lord Melbourne havia arranhado.

— Ah… seu gato deve ter pensado que eu estava perturbando você e…

— Lord M, não acredito que você fez isso!

— Não tenha raiva dele, só estava tomando conta de você.

— Não preciso que tomem conta de mim!

Clara levantou-se bruscamente e o gato caiu no chão. Ela deixou os dois sozinhos na sala. John pensou que ela precisava sim que tomassem conta dela, não porque era fraca mas porque estava muito fragilizada no momento.

Lord M o olhou feio como se o culpasse também pelo tratamento que recebeu da dona e saiu da sala. Quando Clara voltou ela trazia consigo um kit de primeiros socorros.

— Clara, não precisa se preocupar tanto, eu nem estou sentido dor…

— Quieto!

John observou em silêncio enquanto ela fazia um curativo em sua perna.

— Você já pensou em ser médica?

Ela riu.

— Na verdade, já.

— Mesmo?

— É… mas a faculdade era muito cara.

— Poderia ter feito algo relacionado, como enfermagem.

Clara balançou a cabeça.

— Não sou boa com pessoas.

— Você está sendo boa comigo.

— Quase lhe dei um ataque cardíaco hoje!

— Não fiquei tão abalado assim…

— John, você ainda está pálido e suas mãos ainda estão tremendo.

Ele cruzou os braços para esconder suas mãos.

— É por causa do frio.

— Eu sei que foi assustador, John, e eu sinto muito. Não sei por que faço essas coisas.

— Não precisa se desculpar. Você passou por um trauma, eu também passei. Sei como os sentimentos ficam estranhos depois.

Ela lhe deu um sorriso triste e John não soube como interpretar aquilo.

— Você vai voltar pra casa agora? - ela perguntou quando terminou o curativo.

— Você quer que eu volte?

— Pensei que talvez você tivesse coisas pra fazer…

Não foi uma resposta.

— Bem, não tenho nenhum gato em casa…

— Não posso lhe pedir pra ficar, John, minha amiga disse que tenho de me fazer de difícil.

John achou graça.

— Lord M já está cuidando dessa parte.

Aquilo a fez rir e John ficou satisfeito.


**

Ele acabou passando o resto do dia com a Clara, e ela estava tão alegre que foi como se nada tivesse acontecido. Achava a casa dela muito melhor do que a sua, para começar não havia o cheiro da morte impregnado por toda parte e depois ela era muito mais organizada.

Quando o dia virou noite, John lamentou-se por não ter trazido nenhuma roupa de dormir.

— Você não precisa vestir nada. - Clara disse, erguendo a sobrancelha de forma sugestiva.

— Pensei nessa opção, mas talvez seu gato fique incomodado e eu não quero ser arranhado de novo.

John olhou para o Lord M que já se encontrava deitado no meio da cama como se fosse sua.

— Posso tirá-lo dali.

— Não quero deixá-lo com mais raiva de mim.

— John, é só um gato.

— Mesmo assim…

Clara revirou os olhos.

— Certo, posso colocar um colchão para nós no chão.

Ela não parecia satisfeita com aquilo, mas acabou se conformando. Seu quarto não era muito espaçoso mas John não se incomodou em deitar-se agarrado a ela.

— Ele não era como você. Eu sempre me sentia estúpida quando estava com ele. - Clara disse, de repente.

John beijou o topo da sua cabeça.

— Ele não é capaz de definir você. Ninguém é.

Clara o abraçou com mais força. “Vou cuidar de você”, John prometeu em silêncio.



Notas finais do capítulo

N/A: Não sei traduzir "duty of care" de forma decente então é isso que temos para hoje.

Eu quase chorei com esse capítulo rsrsrs espero que tenha agradado vocês.


=***



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