Stay With Me escrita por Valdie Black


Capítulo 8
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ClaraOswald

Amy, como foi a viagem? Você já está em casa?

AmyPond

Argh!

Sentei na frente de uma criança no ônibus e ela ficou chutando meu assento A VIAGEM INTEIRA.

ClaraOswald

Nossa!

AmyPond

Eu culpo os pais por não saberem impor limites.

Na verdade, eu culpo o Rory por ter me convencido de que deveríamos voltar de ônibus.

ClaraOswald

Bem, pelo menos você já está em casa.

AmyPond

O Rory vai ainda vai me pagar por essa.

Mas e você? Aconteceu alguma coisa? Sua voz soa diferente.

ClaraOswald

Voz? Eu estou te escrevendo!

AmyPond

Espera…

Você fez sexo ontem?

ClaraOswald

Não!

AmyPond

Clara…

ClaraOswald

Como é que você sabia?!

AmyPond

Já lhe disse, você soou diferente.

Ah! Quero detalhes!

Foi com o Cara de Coruja?

ClaraOswald

É claro que sim!

Com quem mais seria?

AmyPond

Não sei, Clara, eu tento não me intrometer na sua vida particular.

Mas como foi?! Como ele é?!

ClaraOswald

Foi muito bom.

Ainda estou na casa dele, na verdade.

AmyPond

Foi na casa dele?! Aaaah!

Isso é muito importante, Clara.

ClaraOswald

É?

AmyPond

Lógico!

Mas você não pode ficar muito tempo aí. Lembre-se, você tem que se fazer de difícil!

ClaraOswald

Bem, vou ter que voltar pra casa por causa do Lord M de qualquer forma.

A porta do quarto abriu-se e Clara sorriu para o John quando ele entrou carregando a bandeja com o café da manhã.

ClaraOswald

Tenho de ir, Amy.

AmyPond

Ele está aí? Tire uma foto dele, quero saber como ele é!

ClaraOswald

Ele acabou de acordar, não acho que está com vontade de tirar fotos agora.

AmyPond

Então tire depressa antes que ele repare.

Clara endireitou-se na cama. John colocava a bandeja à sua frente.

— Ei, John.

— Sim?

Ela tirou uma foto quando John a olhou. Ele estranhou o barulho da câmera do celular.

— Tudo bem, uma amiga minha queria saber como você era. - explicou.

— Agora? Não sei se isso é aconselhável, Clara…

— Eu gostei.

Clara lhe mostrou a foto e pela expressão em seu rosto ele pareceu ter uma opinião diferente.

— Você quer que eu apague a foto?

— Faça o que achar melhor. Mas não são muitas mulheres no mundo que sabem como fica minha aparência pela manhã.

— Hum… quando você coloca dessa forma…

Clara disse que não poderia mandar a foto e ignorou os protestos de Amy deixando o celular de lado.

— Minha barba fica ainda pior em foto do que no espelho. - ele comentou, sentando-se na cama. - Estou pensando em me livrar dela.

— Eu gosto dela.

— Mesmo?

— Bem, eu gostaria de ver seu rosto inteiro qualquer dia desses mas a barba tem uma sensação boa.

Ele beijou sua bochecha em resposta.

— Coma. Eu fiz tudo para você.

Clara ergueu as sobrancelhas.

— Mesmo? Engraçado, pensei que você tinha saído pra comprar.

— Por quê? - perguntou, fingindo inocência.

— John, você demorou só alguns minutos pra voltar aqui…

— Bem, isso não quer dizer nada.

— E quanto aos seus sapatos? Por quê está usando eles dentro de casa?

— Combinam com as calças.

Clara balançou a cabeça.

— Sou o tipo de pessoa que prepara a própria comida, Clara, mas se por acaso algum dia eu não prepará-la é só porque alguém me aprisionou na cama pela maior parte da manhã e eu não tive tempo para fazer nada.

— Eu lhe disse que não precisava me fazer nada…

— E eu a ignorei.

Ela olhou para a comida e timidamente apanhou uma das torradas, só para agradá-lo pois não estava mesmo com fome.

— Então… quantas mulheres no mundo sabem como é sua aparência pela manhã? Só por curiosidade…

Ele riu com a pergunta.

— Bem, eu costumava dormir no hospital durante os plantões então muitas enfermeiras e médicas já me viram pela manhã.

— Inclusive a Missy?

— Sim… mas como eu disse, somos apenas amigos.

— Como vocês se conheceram?

— Na faculdade. Nós éramos da mesma turma.

— E vocês nunca namoraram? Nunca?

— Não, mas ela me beijou uma vez numa festa… nós estávamos bêbados! - acrescentou depressa quando viu o olhar dela. - Foi há mil atrás. Aposto que ela nem se lembra disso.

— Aposto que ela quer uma reprise.

— Clara…

— Desculpe, John, mas acho impossível de acreditar que ela não quer nada com você.

— Por quê?

Ela olhou para baixo, sentindo vergonha.

— Ora, quem não iria querer? - falou baixinho com medo de que ele ouvisse.

— Obrigado…

Pelo seu tom de voz Clara percebeu que ele tinha mesmo ficado tocado com o elogio.

— … mas mesmo se ela quisesse, eu não a vejo com esses olhos.

Ela assentiu, não gostava de falar na Missy mas não conseguia evitar. Aquela mulher a irritava muito.

— Você gostava de ser médico?

— Sim, muito.

— Sente falta?

John refletiu sobre a pergunta por longos segundos. Clara mordia a torrada sem vontade de engoli-la.

— Às vezes… mas acho que se voltasse a ser médico agora não teria a mesma sensação de antes. Talvez essa fase da minha vida tenha acabado.

— Você deixou a medicina por causa do…?

— Sim.

Clara percebeu que ele sabia que ela estava falando sobre o alcoolismo dele. John deu um fraco sorriso.

— Uma vez apareci bêbado para o trabalho… que é algo que não se deve fazer, especialmente se o seu trabalho envolve cirurgias complicadas.

Ela não conseguiu evitar uma risada. John não se incomodou.

— Eu odiava tudo, Clara. Os hospitais, as pessoas sobrevivendo, as pessoas morrendo… eu principalmente odiava o fato de que todos trabalhavam normalmente enquanto que para mim o mundo havia se acabado. Nesse dia foi “sugerido” que eu me aposentasse e foi o que eu fiz.

— Bem… pelo menos você não foi processado por um paciente.

— Eu estava prestes a entrar numa sala de operação, acredita? Mas Missy percebeu o meu estado e interveio antes que fosse tarde demais. É uma boa amiga.

— Hum…

— E você? Gosta de ser professora? - perguntou.

Clara também demorou a responder.

— Não sei… ultimamente não estou gostando de nada.

“Só de você”, pensou mas não disse.

— É por causa dele, não é? Ele era professor na sua escola.

Clara sabia que John estava se referindo ao seu ex-namorado.

— Não apenas por isso… mas… é como se as coisas fossem sempre iguais e nada que eu faço importa.

— Como assim?

— Os alunos não gostam da matéria então parece que eu só sirvo para dar notas. Mas eles tem razão em não gostar porque é uma matéria muito chata.

— Não diga isso. Todo aprendizado é importante.

— Você não entende, John… eu sou obrigada a ensinar algo completamente inútil só porque nosso sistema diz que devo ensinar dessa forma. Estou cansada de falar sobre as mesmas coisas antigas de sempre. Quando não falo sobre a língua como ela fosse um manual de gramática que ninguém usa é porque estou falando sobre “grandes autores” que não passam de homens frustrados que foram rejeitados por mulheres que queriam algo melhor e fico alternando entre esses dois assuntos.

John ouviu atentamente o seu desabafo e, por fim, disse:

— Me parece que essa fase da sua vida também está acabando, Clara.

Ela riu.

— Sim, bem… eu não posso me aposentar e preciso pagar as contas, então…

— Querida, existem outras coisas que você pode fazer. Não precisa ficar em um trabalho que a deixa tão infeliz.

Clara balançou a cabeça.

— Não. Eu não sei fazer nada além disso, mas tudo bem… às vezes eu falo um pouco sobre Jane Austen e as irmãs Brontë… de passagem, é claro, porque só as frustrações românticas dos homens são artísticas o suficiente para o nosso ensino mas pelo menos é alguma coisa.

Ela tinha acabo metade da torrada e colocou a outra metade de volta no prato.

— Obrigada, eu já estou satisfeita.

— Mas você não comeu nada!

— Eu disse que não estava com fome.

— Clara, você tem que comer, por favor.

Clara viu o desespero no olhar dele e sentiu uma raiva que não sabia explicar de onde veio.

— Escute aqui, John, só porque você me acha uma coisinha deprimida e doente não quer dizer que sou sua paciente.

— Eu não disse isso…

— Sim, eu me lembro de como nos conhecemos mas agora eu sou sua namorada e espero ser tratada como uma.

— Querida, eu apenas me preocupo com você às vezes, mas….

— Não! Eu lhe disse que não estava com fome e mesmo assim você me trouxe comida como se eu fosse uma doente na cama de hospital que não sabe o que é bom para si mesma. Eu sou uma mulher bastante consciente, obrigada!

Clara afastou a bandeja e levantou-se da cama. Vestiu suas roupas de costas para ele.

— Desculpe. - disse John num sussurro. - Tem razão, eu venho agindo como se precisasse salvá-la de alguma coisa. Um complexo de herói muito estúpido.

Ela não disse nada. Não estava acostumada com alguém pedindo desculpas ou dizendo que ela tinha razão.

— Mas eu não acho que você seja uma “coisinha deprimida e doente”. Acho que é a pessoa mais forte que eu conheço.

John a abraçou por trás e Clara aceitou seu abraço.

— Fique um pouco mais. Vamos falar sobre outras coisas… ou sobre nada, só queria que você ficasse.

Ela sorriu, a raiva tinha evaporado tão rápido quanto veio.

— Gostaria de ficar, mas tenho de cuidar do meu gato.

— Deixe que eu a leve em casa, então. Você pode decidir o que fazer comigo quando chegarmos lá.

— Bem… já que você calçou os sapatos…

John beijava seu rosto e pescoço. Clara arrependeu-se de ter dito que gostava da sensação da barba dele porque sabia que ele estava se aproveitando disso.



Notas finais do capítulo

N/A: Quem gostou da capa nova? Quem queria ver a foto do John? Quem acha que a Missy tem mesmo uma crush no John? Quem está gostando da história até agora?

=***



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