Stay With Me escrita por Valdie Black


Capítulo 5
Flores


Notas iniciais do capítulo

N/A: Esse capítulo demorou a sair porque eu estava super deprimida nesses dias e ele me deixava mais deprimida ainda :( mas ele é necessário. 

Tentem se concentrar nas coisas engraçadas também rs



Seu pai tinha lhe mandado uma mensagem dizendo que iria visitá-la e Clara sentiu o estômago afundar pois uma visita do seu pai significava também uma visita da Linda, sua madrasta. Pensou que sempre poderia jogar o Lord M em cima dela se lhe irritasse muito, mas talvez seu gato não merecesse aquilo.

A campainha tocou naquela manhã pegando-a de surpresa. Nem havia se arrumado direito ainda pois que tinha o costume de acordar tarde durante as férias. Vestiu um robe por cima do pijama e ao atender a porta descobriu que não era o seu pai, nem Linda.

— Clara Oswald?

Tratava-se de um homem desconhecido vestindo um uniforme, trazia um buquê de flores consigo.

— Sim?

— Isto é para a senhorita.

— Oh…

Ela apanhou o buquê. Havia um cartão entre as flores mas Clara já imaginava de quem seria.

— Preciso que assine isto.

Clara pegou a caneta que o entregador lhe deu e assinou o recibo de qualquer jeito. O buquê era grande demais para ela e quase o derrubou no chão.

— Obrigado. - disse o entregador antes de sair.

Ela fechou a porta e apanhou o cartão, ansiosa pra lê-lo.

Obrigado pela companhia ontem. Estes lírios são de verdade, aliás.

— John.

Sorriu. Nunca tinha recebido um buquê de flores antes, muito menos de um homem que ela acabara de conhecer. Havia algo de especial em ganhar seres vivos de presente, mesmo que fossem flores, ao invés de algo fabricado e vendido em cópias iguais.

Colocou os lírios num vaso com água. Lord Melbourne subiu na mesa e analisou o presente com a pata.

— Nunca ganhei nada assim antes, Lord M. É verdade que eu também nunca saí com um cavalheiro antes.

Lord M pareceu não ter encontrando nenhum problema nas flores pois logo perdeu o interesse nelas e desceu da mesa. Clara tirou uma foto delas com o celular e a enviou para Amy Pond. A resposta veio quase que imediatamente.

AmyPond

Aaaahhh!

Foi o Cara de Coruja quem te deu isso?

ClaraOswald

Sim!

AmyPond

Aaahh!

Rory nunca me deu flores.

ClaraOswald

O que eu faço? Devo ligar pra ele?

AmyPond

NÃO!

Clara, você tem que se fazer de difícil agora.

Espere que ELE ligue pra você. E se falar das flores diga: “Hã? Que flores? Ah, sim! Agora me lembro...”

ClaraOswald

Isso não é grosseiro? Nenhum homem me deu flores antes e a primeira vez que acontece vou ter que fingir que não me importei?

AmyPond

Confie em mim, Clara. Se você demonstrar que se importa os homens perdem o interesse.

ClaraOswald

É por isso que você é assim com o Rory?

AmyPond

Assim como?

ClaraOswald

Nada. Deixa pra lá.

AmyPond

Eu quero conhecer o Cara de Coruja. Quando eu e Rory voltarmos vamos ter que sair nós quatro.

Ela riu, imaginando o John lidando com a Amy Pond.

ClaraOswald

Certo. Depois combinamos isso melhor :)

Clara se pegou pensando no que aconteceria se ela e John ficassem sérios. Ele teria que conhecer o seu pai. E a Linda.

**

— Não sei por que, Clara, mas eu pensei que você fosse se livrar desse gato. - disse Linda, olhando feio para Lord M que tinha subido no colo da dona.

— Você sempre pensa isso, Linda. - Clara fez carinho em seu gato que ronronou em resposta.

— Linda tem certa razão, Clara, os gatos trazem muitas doenças. - seu pai concordou, sentado ao lado da esposa.

Clara ficou nervosa mas não quis discutir e estragar o almoço que já não estava indo tão bem assim.

— Vocês ainda não me disseram como foi o natal.

— Todo mundo perguntou por você, Clara. - Linda respondeu. - Seu pai e eu não soubemos o que dizer. Ninguém ia entender por que você prefere passar o natal sozinha, excluída de todos.

— Clara não foi por causa da neve, Linda. Já falamos sobre isso.

— Mas é claro que isso é mentira, Dave! A Clara gosta de arrumar qualquer desculpa para evitar as outras pessoas. Ela vai acabar virando uma solteirona desse jeito.

— O natal foi ótimo. - seu pai respondeu, cortando a fala da outra. - Nós comemos muito, conversamos bobagem, alguém “se esqueceu” de trazer presentes… você sabe, o de sempre.

— Hum…

Clara sentia falta de passar o natal com a família, apesar de tudo, mas não conseguia mais fazer isso. Não era só por causa da Linda, mas desde que sua mãe morreu as coisas ficaram estranhas em sua família. Para começar todos discutiram por conta da herança, depois todos discutiram porque seu pai se casou de novo e agora todos discutiam porque a família da Linda não era bem-vista entre eles.

Sentia muito pelo seu pai que apenas queria uma companhia e tentou ajudá-lo, mas ficar perto de Linda a deixava muito deprimida pois ela julgava tudo em sua vida.

— E como foi o seu natal, querida?

— Ah, foi normal… nada demais.

— Espero que não tenha ficado comendo besteira na frente da televisão. - Linda comentou. - Você já está gorda o bastante.

— Obrigada, Linda. O que acharam da lasanha que eu fiz?

— Tem muito sal. - Linda respondeu, fazendo careta. - Mas você nunca soube cozinhar mesmo.

— Pra mim está boa. - disse o seu pai.

— Tudo está bom pra você, Dave. Você gosta de qualquer porcaria.

— Isso é verdade. - Clara provocou, mas Linda não pareceu ter notado.

— Aquele seu namorado Danny sabia cozinhar muito bem, mas você o espantou com essas suas maneiras rudes.

— O que aconteceu comigo e com o Danny não é da sua conta. - respondeu, sem paciência para ser educada.

— Está vendo só? Você nunca vai conseguir segurar um homem desse jeito, Clara.

— Clara não precisa de um homem. Ela está bem. - seu pai falou.

— Não seja ridículo, Dave. Então ela vai acabar sozinha? Sem filhos nem nada? Hoje mesmo eu li uma matéria na internet sobre uma mulher que nunca teve filhos e morreu de câncer por causa disso.

— Minha mãe teve uma filha e ainda assim morreu de câncer.

Todos se calaram depois disso. Clara notou que seu pai ficou muito sério.

— Desculpem. - ela disse, arrependida de ter falado aquilo.

— Tudo bem, Clara, já estamos acostumados com sua falta de tato. Talvez seja uma coisa boa você não passar mais os natais conosco.

— Sim, talvez seja. - Clara concordou.

O resto do almoço foi passado em silêncio. Ao fim da tarde seu pai se despediu dela sem olhar em seus olhos.

**

John quase nunca entrava naquele quarto agora. A última vez que entrara foi quando encaixotou todos os livros e as roupas para serem doados. Também retirou a cama e os armários deixando tudo vazio. Antes passava pela porta fechada e ouvia músicas de cantoras pop vindas de dentro mas agora só havia silêncio.

Às vezes a existência daquele quarto vazio não o incomodava e às vezes gostaria de demoli-lo. Mas sempre se lembrava de que era o quarto da sua filha e agora não era mais nada. Tudo que a Jenny podia ter sido não poderia ser mais.

John abriu a porta do quarto e contemplou o vazio dentro dele. Sentou-se no chão e encostou-se na parede. Seria o aniversário dela se estivesse viva. Pensou no dia em que ela nasceu, no quão animado ele estava com o seu bebê no colo. Jenny era um bebê que chorava muito por qualquer coisa mas se acalmava quando John a segurava nos braços e dizia “está tudo bem, o papai está aqui”.

Mas era mentira. Ele não conseguiu ajudá-la no final. Ele não estava lá. Quando Jenny chegou no hospital já estava morta. John pensou que naquele momento ele tinha morrido também, mas isso também não era verdade. Ele continuou vivendo enquanto ela não podia mais.

River viveu um pouco mais. Chegaram a trocar umas palavras antes dela entrar na sala de operação. “A Jenny está bem?”, ela perguntou e ele mentiu de novo, “Sim, está”. Foi isso. Suas últimas palavras para a esposa eram uma mentira.

— Por que eu estou aqui? Por que eu não fui com elas? Não faz sentido. - falou, pensando alto. - Eu devia ter morrido naquele dia também. Não tenho mais nada pra fazer aqui.

Todos lhe deram cartões de terapeutas famosos, convidaram-no para reuniões com outros viúvos e pais que perderam filhos mas John recusou tudo. Ele não queria fazer parte desse grupo triste. Não queria ser uma estatística. Ao invés disso ele bebeu e esperou que o destino tomasse conta do resto.

Mas o destino ainda assim o deixou vivo. Além disso o destino lhe trouxe a Clara. John deveria sentir-se grato por isso, mas sentia apenas culpa. Não queria se apaixonar de novo, começar a vida de novo. Ele queria sua vida antiga de volta. Era injusto estar com a Clara e ter esses sentimentos. Era injusto estar com a Clara quando ainda pensava na River e na Jenny.

O celular em seu bolso tocou e John viu que era a Clara telefonando.

— Clara.

— Oi, John. - ela soava um pouco mais animada do que ele, porém era um tom de voz parecido com o que ela usou quando conversaram pela primeira vez no hospital. - Só liguei para agradecer pelas flores.

— Hum… ah, sim… você gostou delas?

— Sim. - ela esperou que ele dissesse algo, mas quando não obteve nenhuma resposta continuou a falar. - Estive pensando… hum… sei que nós saímos ontem, mas… você quer faz algo hoje? Talvez ver um filme ou algo assim?

— Ah… não sei, Clara, hoje é um dia complicado pra mim.

— Tudo bem. - ela falou, depressa. - Foi só uma ideia boba. Eu nem devia ter ligado. Você disse que ia me ligar, não foi? Tudo bem se não quiser mais me ligar também.

— Clara…

— Tchau, John.

Clara desligou. John sentiu-se pior do que já estava. Não sabia o que devia fazer agora. Talvez fosse melhor deixá-la seguir seu caminho sem ele, mas o fato é que John gostava de ouvir sua voz então resolveu ligar para ela de novo. Clara demorou a atender.

— Hoje não é um bom dia pra mim. - ele continuou, como se a conversa nunca tivesse acabado. - O que acha de sairmos amanhã?

Ela não respondeu de imediato, e John teve medo de ter estragado tudo.

— Está bem.

— E quando é que eu vou ganhar as minhas flores?

Conseguiu fazê-la rir, então talvez ela não estivesse mentindo e as coisas estavam mesmo bem.



Notas finais do capítulo

N/A: Socorro! Quando foi a última vez que eu chorei escrevendo uma história? Não me lembro :x 

Enfim, espero que tenham gostado do capítulo. Esses dois vão ter muito desencontros ainda... 

=***



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