Stay With Me escrita por Valdie Black


Capítulo 4
Primeiro encontro


Notas iniciais do capítulo

N/A: Espero que gostem do capítulo. Foi divertido escrever.



John voltou correndo para casa depois da sua reunião nos AA, estava ansioso para o encontro com a Clara. Fazia muito tempo desde que saíra com uma mulher assim. Claro que saía com sua esposa às vezes, mas ainda tinha os cabelos todos pretos na última vez em que estivera num primeiro encontro com uma estranha.

“Não é uma estranha, é a Clara.”, pensou tentando se acalmar. Aquilo não era um encontro às cegas que seus amigos o forçaram a ter, era uma saída com uma mulher que ele já gostava. Além disso ela também já gostava dele, então só precisava manter essa boa impressão.

“Mas como é que eu faço isso?”, sua ansiedade voltou. Não era bom com mulheres, e até hoje não sabia como tinha conseguido se casar com uma. Como se não bastasse ainda tinha a questão da Clara ser bastante jovem e John não fazia ideia de como agradá-la sendo ele quem era.

Talvez fosse melhor cancelar o encontro. Ele iria parecer um pouco ridículo ao lado de uma mulher que tinha metade da sua idade, e a coisa toda provavelmente seria muito desastrosa. Clara não precisava de mais essa provação. Ele também não.

John interrompeu seus pensamentos ao chegar na frente da sua casa e perceber que a porta tinha sido arrombada. Alguém tinha invadido. Ele abriu a porta devagar e olhou em volta, sem conseguir ver alguém.

— Seja lá quem você for, invadiu a casa errada! - gritou. - Eu estou armado e não tenho nada a perder.

— Que mentira. Você odeia armas.

— Missy!

Quase caiu de costas ao perceber a mulher a deitada no seu sofá.

— Você enlouqueceu?! O que está fazendo aqui?!

— Vim visitá-lo, é claro. Depois eu vi que sua casa estava uma bagunça e resolvi ajudá-lo. Que tal?

Missy tinha apenas jogado as roupas em cima do sofá no chão.

— Você não arrumou nada.

— Bem, eu fiz mais do que você. Imagine só quando cheguei aqui e não vi nenhum lugar para sentar. Um absurdo.

— Por quê você invadiu minha casa? Podia ter deixado um recado quando viu que eu não estava.

— Eu não invadi nada! Só precisei usar um pouco de força para abrir a porta. Acho que ela estava emperrada.

— Estava trancada e você invadiu sim! Eu devia chamar a polícia agora.

Missy revirou os olhos e levantou-se.

— Ah, por favor, chame! Eles tem um café ótimo. Enquanto isso vou lhe contar o motivo da minha visita.

A médica tirou um pedaço de papel do decote do vestido e o entregou ao amigo. John leu o que havia escrito com atenção.

— Um convite?

— Sim!

— Festa de ano novo? Não sabia que você ainda fazia essas.

— Bem, eu tinha mesmo parado depois daquela sua cena na minha última festa. Mas esse ano foi muito bom para mim e eu queria comemorar com as pessoas que mais gosto… você também pode vir, se quiser.

John sentiu o rosto corar ao se lembrar do que tinha feito na última festa de ano novo da Missy.

— Obrigado, Missy, mas vou ter que recusar. Festas significam bebidas e… não sei se estou pronto pra isso.

Ela deu um muxoxo.

— Não seja ridículo, homem. Ninguém mais se lembra daquilo.

— Sério, Missy, acho que tenho que evitar as festas por enquanto.

— Pense no assunto. - falou, recusando a aceitar o convite de volta. - Você pode até trazer aquele seu bichinho… como era o nome mesmo? Clara?

— Ela não é um bicho. - disse, irritado.

— Desculpe. Namorada, então.

John olhou para baixo. Evitando encará-la.

— Ela também não é isso.

— O que aconteceu, homem?

Ele passou a mão pela testa, estava suando de nervoso.

— Nós temos um encontro hoje. Eu talvez estrague tudo.

Missy deu um tapa em sua cara. John nunca ficou tão chocado.

— Acorde, homem! Essa garota te conheceu quando tentou se matar e ainda assim aceitou sair com você. Não tem como estragar isso. Sim, eu sei que ela tentou se matar, não adianta me dizer o contrário.

— Você invade minha casa e ainda me dá um tapa na cara!

— Não precisa agradecer.

John alisou a bochecha, sem acreditar naquilo.

— Mas, Missy…

— Vá tomar um banho. Eu vou escolher uma roupa decente pra você usar.

— Não precisa…

— Ah, mas eu preciso, John. Olhe só pra você. Parece um mendigo.

***

Clara mexia nos talheres da mesa, um pouco nervosa com o encontro. Primeiro tinha medo de que John não fosse gostar daquele restaurante, mas com o tempo foi se preocupando que talvez ele não viesse. Estava acostumada a se decepcionar com os membros do sexo masculino.

Ela ergueu o olhar e sentiu alívio ao ver John entrar no restaurante. Ele também sorriu quando a encontrou.

— Desculpe o atraso. - disse, sentando-se à sua frente. - Tive uma visita hoje de manhã. Se é que posso chamá-la assim…

— Tudo bem. Fico feliz que esteja aqui.

— Você está muito bonita, se não se importa que eu diga.

— Me importar? Ora… - Clara sentiu o rosto esquentar e se achou muito boba, como se fosse uma adolescente que tinha sido notada pelo garoto popular da escola. - … você também está bonito, John.

— Ah, obrigado. Eu tentei. - ele deu um largo sorriso.

Clara o achou mesmo bonito, estava tão cansado na última vez que o vira. Agora parecia mais leve, ou talvez fosse ela quem se sentia assim.

— Gostei da sua camisa com estampa de bolinhas brancas. - ela observou. - Escolha corajosa.

— Eu achei mesmo que seria exagerado, mas Missy disse que…

— Missy?

— Hum… sim, ela me ajudou.

Clara olhou para baixo, fingindo que tinha visto algo muito interessante em seu prato. John segurou sua mão.

— Missy é uma amiga antiga, mas é só uma amiga.

— Não precisa se explicar, John. Você não me deve nada.

— Mas eu quero explicar. Não gostaria que você tivesse a ideia errada.

John alisava sua mão com o polegar. Clara riu-se.

— Desculpe, faz tempo que não saio com um homem.

— Quanto tempo?

— Ah, você sabe…

Ela não conseguiu responder.

— Deixe-me colocar dessa forma… - ele começou. - … na última vez que eu tive um primeiro encontro nós fomos ver “Quatro Casamentos e um Funeral” no cinema.

— Que romântico!

— Sim, eu vi mais do Hugh Grant do que gostaria.

Clara achou graça.

— Pelo jeito que você fala acho que esse encontro não foi muito bom.

— Na verdade, foi sim. Eu me casei com ela naquele mesmo ano.

— Ah…

Os dois se calaram. John ainda segurava sua mão.

— Clara…

— Boa tarde! - uma garçonete surgiu, sobressaltando os dois. - Vocês já fizeram o seu pedido?

— Sim, eu fiz. - disse Clara.

— Eu vou querer o mesmo que ela.

— Eu só pedi uma sopa.

— O quê?! Me dê isso aqui. - John apanhou o cardápio das mãos da garçonete. - Traga-nos um filé mignon e uma cesta de pães.

— Alguma bebida para acompanhar?

— Bem, já que vou comer filé agora que tal uma garrafa de vinho? - Clara perguntou.

— Eu só vou querer uma água, obrigado. - John respondeu depois de um pigarreio.

— Então, uma taça de vinho e um copo d’água? - a garçonete quis saber.

— Não, eu vou querer água também.

Clara enrubesceu, sentindo-se embaraçada. A garçonete levou o pedido para a cozinha.

— Não quis ofendê-la, Clara, é só que eu não posso beber mais.

— Desculpe, eu não sabia.

John a surpreendeu levando sua mão até os lábios e dando-lhe um beijo.

— É melhor assim. Sua presença já me deixa inebriado o suficiente.

— Essa cantada funcionava nos anos 90? - Clara brincou, tendo plena ciência de que seu rosto tinha ficado mais vermelho que um tomate.

— Infelizmente, não. Eu era muito solitário nesse época.

— Pobrezinho.

— E quanto a você? Deve estar cercada de admiradores.

Ela deu uma risada sarcástica.

— De jeito nenhum! Eu espanto todos eles desde que… - Clara parou, sentindo-se enjoada. - … bem, eu não tive experiências agradáveis nessa área.

— Devo me considerar sortudo, então. O que será que eu tenho de tão especial?

Clara encolheu os ombros.

— Você concordou em pagar pelo almoço.

Ele sorriu.

— Certo…

— E quanto a mim? O que eu tenho de especial que você não vê desde 1994?

John a observou com seus olhos azuis brilhantes, fazendo-a sentir um arrepio.

— Me sinto compreendido quando estou com você. Tenho que me esforçar muito com os outros, mas com você é fácil.

Clara segurou a outra mão dele.

— Você teve problemas com álcool, não foi? É por isso que não pode beber?

John assentiu, confirmando.

— Você se incomoda com isso?

— Não. Todos nós tivemos momentos de fraqueza.

— Discordo, quando olho para você só vejo alguém forte.

Ela sorriu.

— Está enganado. Eu tentei me matar, não foi?

— Mas você sobreviveu, voltou pra casa e veio almoçar comigo. Eu não acho que conseguiria.

Clara não insistiu naquilo mas ela continuava não se achando forte. Sabia que não teria sobrevivido se não fosse pelo John.

***

Tinha comido bastante. Além da sopa e do filé, John insistiu que ela comesse frutas de sobremesa. Acabou saindo do restaurante sentindo-se mais pesada do que nunca.

— Ah, eu me lembro dela. - Clara disse, olhando para a moto que estava parada na entrada do restaurante.

— Quer mais passeio? Posso deixá-la em casa.

— Não precisa. Eu moro perto daqui, posso ir andando.

— Vou caminhar com você então.

Foi o que ele fez. Clara aproveitou que ele estava ao seu lado para apoiar-se.

— Eu não devia ter comido tanto, agora mal consigo caber no vestido.

— Bem, você não devia ter escolhido algo tão curto.

— É, aposto que você odiou.

Ele riu.

— Não, não posso dizer que odiei.

— Eu gostei mesmo da sua camisa, aliás. Missy escolheu bem.

— Eu escolhi, Missy ajudou com uma opinião feminina. Faz tempo que não ouço uma.

— Quanto tempo faz que você perdeu sua esposa e filha?

John demorou a responder. Clara não queria ter que tocar no assunto mas ela tinha de saber.

— Quatro anos.

— Como…?

— Foi um acidente de carro. Por favor, não me faça mais perguntas agora.

— Desculpe. - apressou-se em dizer.

John suspirou e depois tentou sorrir.

— Tudo bem, podemos conversar sobre isso depois. - ele disse.

— Bem, posso lhe contar algo pessoal também, se quiser. Hum… meu ex-namorado não era… muito bom. Ele era muito controlador e demorei muito tempo para perceber isso.

— Sinto muito. Você não merece isso.

— O nome dele era Danny. Ele era professor na mesma escola que eu ensino, mas agora não é mais. Está tudo bem.

Clara sabia que não soava sincera, afinal como poderia estar tudo bem se ela tentou se matar? John a segurou mais para perto de si.

— Acho que chegamos. - ele disse. Tinham mesmo chegado na frente do prédio onde Clara morava.

Ela virou-se para ele, que ainda a segurava.

— Obrigada, John. Hum… eu te convidaria a entrar mas…

— Tudo bem. Deixei Missy tomando conta da minha casa e tenho de voltar para ver se ela pegou fogo.

Clara ainda não gostava da ideia dele passar tanto tempo com a Missy, mas não disse nada. John a encarou.

— Espero nunca magoá-la, Clara. - ele disse.

— Eu também espero nunca magoá-lo, John.

Clara deu um beijo em sua bochecha, cessando os questionamentos que passavam pela cabeça dele.

— Eu te ligo. - disse John.

— Estarei esperando.

Ela deixou-o. Aquele encontro teve vários sentimentos conflituosos, mas ela acabou gostando dele. Amy ficaria satisfeita.



Notas finais do capítulo

N/A: Que tal?

=***



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