Série Tempo e Amor - Parte V - Felizes Para Sempre escrita por Valdie Black


Capítulo 5
Peter e Clara - Felizes Para Sempre


Notas iniciais do capítulo

N/A: Esse capítulo é especial para quem gosta de Clara/Doze (Whouffaldi). Aproveitem!



— Onde ela está? - perguntei imediatamente.

— Venha comigo.

Segui Amelia quando ela subiu as escadas depressa. Christopher estava atrás de mim. Eu não quis demonstrar mas fiquei aterrorizado. O que poderia ter acontecido com a Clara?

— Ela me pediu para deixá-la sozinha um pouco. - Amelia explicou. - Quando chegou a hora da cerimônia começar eu voltei para ver como ela estava e…

— Sim?

— Acho que ela entrou em pânico, Peter. Trancou a porta, não deixa ninguém entrar e diz coisas sem nexo como “eu não aguento, não consigo...”.

Paramos na frente da porta do quarto. Rose já estava lá.

— Clara, deixe-me entrar. Posso ajudá-la. - ela dizia com sua voz melodiosa. - Vai ficar tudo bem.

— Me desculpe, Rose! - Clara falou do lado de dentro. Pela voz dela eu percebi que estava chorando e não gostei nem um pouco.

— Não precisa se desculpar, meu anjo! Estamos todos do seu lado. Christopher acabou de chegar.

— Desculpe minha demora. - Christopher disse, ansioso. - Fiquei preso no trânsito, sabe como é.

— Se você precisar de mais tempo, Clara, nós todos vamos esperar por você. - disse Amelia. - E se aquela sua madrasta reclamar deixe que eu lido com ela.

Clara continuava chorando, desesperada, e não conseguia dizer mais nada. Eu percebi que ela não queria falar com eles. Clara não gostava de incomodar seus convidados.

— Deixem-nos a sós um instante. - pedi.

Rose concordou e saiu com Amelia e Christopher. Eu me aproximei da porta e encostei a cabeça.

— Clara?

Ela parou de soluçar quando me ouviu.

— Peter?

— Sim, sou eu. Estamos sozinhos. Posso entrar?

— Não! - gritou, assustada. - Desculpe… eu queria muito vê-lo… mas…

— Meu amor, é só que você parece tão transtornada. Pensei que poderíamos ignorar as formalidades.

— Sim, podemos… é só que… estou com tanto medo. Não quero que nada dê errado.

— Como assim?

Achei estranho. Clara não era do tipo de ter medo.

— Eu sei que é estúpido, mas fico pensando que algo ruim vai acontecer… e não podemos brincar com a sorte… desculpe, eu sou muito tola!

— Não é. Eu entendo.

Ela estava tendo uma crise de ansiedade.

— Me desculpe, Peter, mas eu não consigo sair. O que é estranho é que eu quero muito sair, mas por algum motivo meu corpo não deixa.

— Rose tem razão, minha querida, você não precisa pedir desculpas. Se não quiser se casar hoje, eu não vou ficar com raiva. Posso esperar o tempo que for. Uma semana, um mês, um ano… ou talvez uma eternidade. Só quero que você seja feliz.

— Você deve estar pensando que eu não quero me casar, mas eu quero! Muito! Eu te amo, Peter.

— Eu também amo você. Sei como se sente e não é culpa sua.

— Queria muito poder abraçá-lo, mas… não consigo.

— Hum… e se nós fechássemos nossos olhos? Você abre a porta e mesmo assim não nos veríamos. A tradição não é maculada e ainda podemos nos abraçar. Entre outras coisas.

Clara não disse nada. Estava pensando no assunto.

— Você vai fechar os olhos mesmo? - ela perguntou.

— Eu prometo.

— Certo, então… vamos fazer isso.

Fechei meus olhos, como prometido.

— Estou pronto.

— Eu também.

Ouvi o som da tranca sendo retirada e a porta se abriu. Entrei no quarto com as mãos estendidas, procurando por ela. Clara segurou-se em mim.

— Cuidado. Tem um degrau. - ela me guiou devagar pelo quarto, senti suas mãos trêmulas.

— É tão bom estar com você. - eu falei, puxando-a para um abraço.

— Eu também acho.

Clara deitou a cabeça no meu peito, estava um pouco mais calma apesar de ainda chorar. Alisei os cabelos cacheados dela.

— É uma pena não poder vê-lo.

— Mas mesmo assim nos encontramos, não foi? Sempre damos um jeito, você e eu.

Ela me apertou com mais força. Segurei seu rosto com ambas as mãos, limpando as lágrimas, e dei-lhe um beijo nos lábios.

— Esse é o meu nariz. - ela falou, rindo-se.

— Ah…

Clara encontrou os meus lábios e demos um beijo.

— Podíamos ficar aqui para sempre. - ela sugeriu. - Nada de mau aconteceria.

— Isso seria ótimo, não é?

— Peter, o que está acontecendo comigo? Eu costumava ser tão corajosa…

— Você ainda é corajosa. Não apenas isso mas também é altruísta, gentil e linda.

— Então por que eu não consigo sair do quarto?

Minhas mãos cobriam o rosto inteiro dela. Clara parecia tão pequena e frágil, mas sempre pensei que ela era mais forte que eu.

— Casamentos deixam qualquer mulher nervosa, e você não é “qualquer mulher” então ele está te deixando especialmente nervosa.

— Não é o casamento. Já venho me sentindo assim há algum tempo. Fico pensando que algo ruim vai acontecer outra vez.

— Por exemplo?

— Outro julgamento, outro acidente, outra doença, outra… morte.

Abracei-a novamente.

— Não posso prometê-la que nada de mau vai acontecer, mas muitos ferimentos já cicatrizaram agora. Algumas coisas ficaram no passado e não vão mais voltar.

— E as outras coisas?

— Bem… você sabe que não tenho mais trinta anos, e existe a possibilidade… de não estar presente para vê-la envelhecer.

— Isso era pra me acalmar?!

— Clara, é só uma das várias possibilidades. Também pode ser que tenhamos uma vida longa e feliz juntos. Eu acredito que sim, porque me sinto mais jovem sempre que estou com você. A vida me deu outra chance e não acho que foi por acaso.

— E se não for assim? E se você me perder ou eu perdê-lo?

— Todo casamento é uma aposta. Eu era bem mais jovem no meu primeiro casamento e não convivemos muito tempo juntos ou fomos muito felizes. Mesmo assim não me arrependo de ter me casado.

— Eu só não queria sentir aquilo de novo. A dor.

— Sei disso, mas sentir coisas é bom. Ainda que não pareça ser em alguns momentos. Nunca pensei que fosse sentir ciúmes de uma mulher de novo até vê-la com aquele seu ex-namorado idiota. Foi bom saber que eu ainda sentia essas coisas. Eu ainda era uma pessoa.

— Já passei por muita coisa, Peter. Só queria dar uma pausa.

— Essa é uma boa ideia. Podemos fazer uma viagem só nós dois. Ainda não planejamos nossa lua-de-mel.

— Certo…

Ela ainda não soava muito tranquila. Pensei se seria uma boa ideia revelar-lhe os meus medos.

— Você gosta de fazer planos, sei disso. Gosta de se manter ocupada. A vida comigo pode ser bastante chata, não é?

— O quê? Não…

— Bem, eu sei que minha família é um prato cheio mas você tinha uma vida muito diferente antes de mim. Tinha um trabalho e amigos… eu tirei tudo isso de você e não acho que dei muita coisa em troca.

— Ah, meu querido, é isso mesmo que você pensa?

Ela fez carícias em meu rosto.

— Sim. Clara… você acha que pode mesmo ser feliz comigo? Queria te perguntar isso faz tempo, mas tinha medo da resposta.

— Querido, eu não achava minha vida horrível antes de você mas agora eu não consigo entender como foi que eu passei esses anos todos sem conhecê-lo. Você me faz tão feliz, Peter, e nem precisa tentar muito. Só precisa olhar pra mim e eu me sinto nas nuvens.

Sorri, mesmo que ela não pudesse ver.

— Gosto quando você me chama de “querido”.

— Gosto quando você é honesto comigo.

— Nunca menti para você sobre como me sinto. A verdade, Clara, é que eu me apaixonei por você assim que a vi.

— Eu demorei mais um pouco. Acho que você me conquistou quando dançamos juntos.

— Sem dúvida. Eu sempre fui um dançarino muito bom. Mas você não cedeu ao meu charme tão fácil assim, se me lembro bem.

— Eu não o conhecia direito e parecia tudo tão complicado na época… se eu pudesse voltar no tempo mudaria isso para que ficássemos juntos mais cedo.

— Não. Você me ensinava muito quando discutia comigo. Gosto das coisas como foram, ainda que tenha vergonha de algumas atitudes que tomei. Nossa história é muito bonita, não acha?

— Sim. Eu acho.

— E sabe o que eu percebi? Aquilo foi só o começo! É a história que vamos contar quando perguntarem como nos conhecemos e ficamos juntos, mas isso é só a primeira página, querida, o resto ainda vai ser escrito.

— O que você acha que vai acontecer agora?

— Não sei, mas eu queria muito descobrir.

Eu não podia vê-la mas sabia que ela estava sorrindo quando perguntou:

— Então o que estamos esperando?

********

Fiquei bem mais confiante depois da conversa com o Peter. Estava ansiosa para casar com ele, mas tive de esperar mais uma hora enquanto retocava a maquiagem. Se alguém achou a demora irritante ninguém reclamou, talvez minha madrasta tenha reclamado mas Amy avisou que tinha deixado ela ocupada com outra coisa.

Eu não me importava com as chatices da Linda, na verdade. Estava muito feliz para me importar.

— Você está maravilhosa, Clara. - disse Rose com os olhos lacrimejados. - Sério. Você está.

— Obrigada, Rose.

— Aqui. - Amy me deu o buquê de lírios. - Meu Deus, você vai se casar!

— Eu sei!

Senti um frio na barriga e sabia que dessa vez era excitação e não medo.

— Rose, pare de chorar. - Amy mandou. - Senão eu vou chorar também.

— Eu não estou chorando. - Rose limpou as lágrimas nos cantos dos olhos. - Vamos. Já esperamos demais.

As duas seguraram a cauda do meu vestido quando eu saí do quarto e desci as escadas. Ouvi alguém assoviar.

— Clara, você está um arraso! - David elogiou.

— Obrigada, David.

— Verdade, Clara, você está muito bonita. - Rory concordou e depois olhou nervoso para Amy. - Quer dizer… com todo respeito.

Amy não pareceu ter se importado. Estava ocupada demais certificando-se que meu vestido permanecia intacto.

— Olha, Jenny, a vovó Clara não parece uma princesa?

— Pare de chamar ela assim, David! - Rose reprovou, mortificada. - Clara não é avó da Jenny!

— Tudo bem, Rose. - eu falei, achando graça.

Jenny sorriu para mim mas não disse nada, estava tímida naquele dia pois teria que levar as alianças e ficar na frente de todas aquelas pessoas. Eu olhei em volta.

— Onde está o Christopher?

— Ele resolveu ficar com o papai. É, eu também achei estranho.

— Não temos tempo pra conversa fiada! - Amy interrompeu, nervosa. - Rose, vá avisá-los que estamos prontos para entrar.

Rose a obedeceu. Eu gostaria de ter visto o Christopher antes da cerimônia mas aquilo ia ter de esperar. Meu pai aproximou-se de mim.

— Eu tinha esperança de que essa demora toda foi porque você fugiu pela janela e o casamento ia ser cancelado. - ele falou baixinho para que só eu ouvisse.

— Você nunca vai conseguir aprovar o Peter? - perguntei, sorrindo.

— Bem… acho que poderia ser pior.

Ouvimos o som das gaitas de foles. Amy agitou-se e não foi a única.

— Rory, volte pro seu lugar! Ah, cadê a Rose? Ela devia me ajudar. Dane-se, eu mesma faço isso! - falava enquanto erguia a cauda do meu vestido.

— Boa sorte. - Rory me desejou com um sorriso gentil antes de nos deixar. Eu inspirei fundo.

— Você está feliz? - papai perguntou.

Sorri.

— Sim. Sim, eu estou.

Ele deu um beijo na minha cabeça.

— Sua mãe estaria orgulhosa.

Não tivemos tempo de falar mais nada pois as gaitas começaram a tocar a Marcha Nupcial neste momento. Meu pai e eu demos os braços e entramos no salão. Todos ficaram de pé para me ver. Os irmãos do meu pai, meus primos, minha avó, Linda com o que parecia ser Matty em seus braços e ao seu lado estavam Craig, Sophie e Alfie. Sophie chorava ainda mais livremente do que Rose havia feito.

Jackie Tyler e Bill Potts também estavam lá, com a Donna Noble que gesticulou um “legal” para mim com os dedos. Caminhando até o altar eu vi Christopher parado ao lado pai, sorri contente em vê-lo tão bem e ele sorriu de volta para mim.

Peter nunca esteve tão lindo e eu nunca o amei tanto quanto naquele instante. Meu pai me deu um abraço e lançou um olhar gélido para o meu noivo antes de me deixar com ele. Peter estendeu a mão para receber a minha.

— Você parece um príncipe encantado. - eu comentei.

— Você parece mais alta. - foi a resposta dele.

— Só isso?

— Você sempre foi bela para mim, Clara Oswald, então eu só apontei aquilo que achei diferente.

Meu rosto ficou muito vermelho depois disso. A música parou e todos voltaram a se sentar. Christopher permaneceu de pé, assim como a Amy atrás de mim. A juíza começou a cerimônia.

— Ah, que lugar legal! - ela disse, admirando o ambiente. - Eu me casei no cartório, foi tão sem graça. Enfim… vamos lá...

Ficou um bom tempo organizando seus papéis antes de prosseguir. Jodie Whittaker era uma jovem mulher um pouco deslumbrada com tudo mas eu simpatizei com ela assim que a conheci. Ela tinha um jeito especial de deixar tudo alegre.

— Amigos, familiares, bebês… estamos aqui hoje para oficializar a união entre Clara Oswald e Peter Capaldi. É sempre um momento importante na vida de qualquer um decidir com quem vai passar o resto da vida. Parece tão longo com a pessoa errada e tão curto com a pessoa cera. Na época em que este castelo foi construído os casamentos eram negócios, acordos, contratos... não havia o romantismo que temos hoje. Ironicamente também foi a época dos contos de fadas, dos “felizes para sempre”, que não existem mais com tanta frequência hoje em dia. Parece que no mundo de hoje não há mais espaço para o amor, não existem mais castelos encantados e sapatinhos de cristal. Não sei quanto a vocês, mas gostaria que essa magia voltasse. Eu fiquei muito contente quando a Clara me pediu para realizar essa cerimônia porque eu vi o relacionamento dela com o Peter de longe e sempre admirei a força dessas duas pessoas que continuaram juntas mesmo com todas as adversidades. Pensei que nunca conheci um casal tão merecedor de um final feliz quanto este.

Eu não tirei meus olhos do Peter durante todo o discurso. Meu coração batia tão forte que chegava a doer. Queria muito beijá-lo.

— Agora acho que todos nós já esperamos o bastante. Quem está com as alianças?

Jenny caminhou até o altar com a ajuda de seus pais, seu rosto estava vermelho de vergonha mas ela conseguiu trazer o saquinho com as alianças até nós. Peter apanhou uma e eu a outra.

— Clara, você gostaria de ler os seus votos primeiro? - Jodie perguntou.

Assenti. No fundo eu gostaria que aquela cerimônia acabasse logo, era muito estressante vê-lo tão bonito na minha frente e não poder fazer nada a respeito, mas virei-me para Amy e ela entregou os votos que eu havia escrito.

— Peter, eu o conheci no momento mais sombrio da minha vida. Tinha acabado de perder alguém e pensei que nunca mais fosse ser feliz novamente, mas você foi tão maravilhoso e sempre soube o que dizer para me fazer sentir bem. Eu me sinto em casa quando estou com você, me sinto em paz e contente. Eu te amo muito e quero ficar ao seu lado para sempre.

Coloquei a aliança no seu dedo. Peter segurou minhas mãos.

— Vai parecer que estou improvisando mas na verdade eu quero lhe dizer isso desde que nos conhecemos. - ele falou, sorrindo. Seus olhos tinham um brilho diferente. - Clara Oswald, você é a mulher mais incrível desse mundo. Me considero sortudo só de estar na sua presença. Eu nunca fui digno de nada, mas para ficar você eu me sinto motivado a ser um homem melhor e talvez algum dia eu alcance a perfeição que você merece. Por enquanto tudo que posso fazer é amá-la. Eu quero acordar todos os meus dias restantes ao seu lado, não importando se serão poucos ou muitos dias, para mim serão eternos.

Ele colocou a aliança em meu dedo e beijou minhas mãos.

— Ai, vocês são tão lindos! - Jodie disse, encantada. - Mas enfim… tenho que perguntar porque é a lei, gente… Clara Oswald, você aceita este homem como seu marido?

— Aceito.

— E você, Peter Capaldi, aceita esta mulher como sua esposa?

— Aceito.

— Se alguém tiver algo a dizer que impeça essa união, pronuncie-se agora.

Silêncio. Ninguém tinha mais nada para dizer.

— Bem, então, eu vos declaro marido e mulher. Vocês podem se beijar agora… se quiserem.

Foi o que fizemos. Peter me envolveu em seus braços e acho que nenhum de nós queria sair dali, eu com certeza não queria. Só nos separamos quando ficamos sem ar e foi então que eu reparei que todos estavam aplaudindo. Peter e eu demos as mãos e descemos do altar, ele ria muito e eu também. Antes de sairmos eu joguei o buquê para trás. Estava finalmente casada.

A festa seria nos jardins do castelo. Tínhamos contratado uma banda que estava nervosíssima por termos nos atrasado tanto.

— Ah, graças a Deus! - Rose deixou escapar, quando viu a banda. - Quer dizer… hum… as gaitas de foles foram lindas…

David se acabava de rir.

— Você não está enganando ninguém, amor.

Rose olhou feio para ele.

— O que eu quis dizer é que foi um casamento muito bonito.

— Obrigada, Rose.

— Nós agradecemos toda a ajuda que vocês nos deram. - disse Peter.

— Ora, foram vocês quem nos ajudaram. - David falou, dando um largo sorriso. - Clara, eu sempre a considerei como parte da família mas é muito bom ter isso oficializado.

— Concordo. - troquei olhares com o Peter. Ele ainda estava com aquele brilho diferente nos olhos.

Rose me deu um abraço de supetão.

— Estou tão feliz por vocês. - ela disse, desmanchando-se em lágrimas.

Eu a abracei de volta.

— Certo, vamos tirar logo essa foto. Estou morrendo de fome. - David confessou.

O fotógrafo do casamento sugeriu que tirássemos fotos na frente do castelo.

— Temos que esperar pelo Christopher. - Rose falou. - Onde ele está?

— Ele já está comendo! - David falou, indignado. - Ei, Chris!

Christopher, que estava de fato se alimentando dos docinhos, ergueu a cabeça quando foi chamado.

— Venha cá! Queremos tirar uma foto da família… e traz uns salgados pra mim!

Chris ficou surpreso com o convite, mas veio até nós.

— Não é uma foto de família sem o filho que deu certo, né? - ele disse.

— Cadê o meu salgado?

— Tá me achando com cara de garçom, David?

— Você atirou em mim e não quer me trazer nem um pão de alho sequer?

— Ah, isso já faz dois anos, irmãozinho. Supera!

— Amy! - eu chamei quando a vi saindo do castelo. - Rory!

Os dois vieram até nós quando me ouviram. Amy trazia Matty nos braços novamente.

— Eu me enganei ou você entregou o Matty para a minha madrasta? - perguntei.

— Ah, eu tive de entregar para distraí-la. Mas acabei me arrependendo, veja só como o Matty está perturbado.

Não vi diferença alguma no Matty, mas não quis contestar.

— Venham tirar uma foto conosco. - convidei.

— Claro! - Amy respondeu, alegre.

Todos nos reunimos para a foto em família. David nos agradeceu mais uma vez e depois que a foto foi tirada ele partiu direto para o bufê com Rose empurrando sua cadeira de rodas e Jenny ao lado dele.

— Que crianção! - Christopher falou. - Esse daí não duraria nem dois dias na cadeia.

— Fico muito contente por você ter vindo, Chris. - falei.

— É, é… tenho ficado muito ausente, eu sei.

— Não estamos criticando você. Se quiser ficar longe de nós, tudo bem, vamos entender. Mas se quiser nos visitar seria muito bem-vindo.

Ele assentiu.

— Acho que vou ficar distante por um tempo. Mas eu posso visitá-los para o natal e essas besteiras. Desculpe, quis dizer, ocasiões importantes.

— O que você preferir, Chris.

— Você está trabalhando em algo, Chris? - Amy quis saber. - Pergunto porque a Clara me disse que você se interessava por moda.

Fiquei envergonhada. Não sabia se o Christopher queria que aquela informação fosse descoberta por alguém, mas era verdade que deixei isso escapar para Rose e Amy.

Chris pareceu um pouco surpreso, mas fora isso ele não se alterou.

— Na verdade, eu trabalho numa loja de roupas. Não sou vendedor nem nada disso, só organizo os manequins.

— Eu ainda tenho alguns contatos da minha época de modelo, se você quiser estudar mais sobre isso.

Ele evitou os olhares de todos, intimidado.

— Ah, isso era só um hobby. Algo que minha mãe costumava fazer comigo… não é como se eu tivesse talento…

— Talvez ela tenha visto algo em você. - Peter falou. - Algo nós não vimos. Sua mãe era muito sensível e boa com estética, talvez você tenha herdado isso.

— Talvez…

Eu notei que Chris não queria mais falar sobre isso, mas não estava zangado por terem tocado no assunto.

— Bem, você sabe onde me encontrar. - Amy completou. - Com licença, pessoal, está na hora do Matty comer.

— Casamento ótimo! - Rory elogiou antes de nos deixarem.

— Tenho que ir também. - Christopher disse. - Acho que o David já comeu tudo que tinha no bufê, então…

Eu o surpreendi dando-lhe um abraço.

— Estou muito feliz por você, Chris.

Ele ficou sem jeito e deu algumas batidas nas minhas costas.

— Também estou feliz por você, Clara.

Nos separamos. Ele olhou para o pai e os dois apertaram as mãos.

— Pai.

— Chris.

Arqueei as sobrancelhas. Peter nunca falava os apelidos dos filhos. Christopher parece ter notado isso também porque nos deixou com uma expressão confusa no rosto.

— Você acha que ele vai ficar bem? - perguntei, observando-o ir embora.

— Ele vai ficar ótimo. É forte como a mãe dele.

Eis que Jodie Whittaker surge carregando vários doces e salgados nos braços.

— Pessoal, a festa está ótima mas eu tenho um compromisso inadiável para hoje.

— Ah, está bem, desculpe termos atrasado tanto o casamento. - eu falei, me sentindo mal. - Sei que você é ocupada.

— Ah, não se preocupe! É só que hoje vai ser o episódio final de “Broadchurch” e eu esqueci de colocar para gravar. Sabem como é, né…

— Nós compreendemos. - disse Peter, que obviamente não tinha compreendido nada. - Obrigado por ter aceitado participar do nosso casamento.

— Obrigada por terem me convidado!

Jodie foi embora, sua capa colorida balançava ao vento enquanto ela andava. Ouvi a banda tocar a música “L-O-V-E” do Sinatra.

— Vamos tirar essa foto logo. Eu quero dançar com você. - falei, impaciente. Ele riu.

— Eu sei o que quer dizer… dançar...

Enrubesci. Queria ficar a sós com ele desde que o vi no altar, mas ainda tínhamos toda uma festa pela frente.

— Com licença, Clara.

— Bill?

Olhei para trás. Bill Potts trazia o buquê em mãos.

— Onde eu coloco isso? - ela perguntou. Segurava as flores longe de si, como se estivessem envenenadas.

— Bill, foi você quem pegou o buquê? - Peter falou, rindo-se.

— Sim, mas foi um acidente!

— Venha tirar uma foto conosco. - eu convidei.

— Certo, mas onde eu…?

— O buquê é seu agora, Bill. - Peter disse, querendo provocá-la. - Não adianta fugir da responsabilidade.

— Isso não tem graça, Peter! - ela reclamou.

Apesar daqueles protestos ela tirou uma foto conosco segurando o buquê. Depois foi até a mesa onde estavam os presentes para se desfazer dele.

— Ela é uma boa garota. - Peter comentou.

— Sim, acho que ela é a filha que você nunca teve.

Peter olhou para mim muito sério.

— Não gosto de “nunca”, parece que a história já acabou.

— Como assim?

— Pensei que as coisas tinham acabado para mim, mas olha só para nós agora.

Fiquei em choque. O que ele queria dizer com aquilo?

— Peter… você quer ter mais filhos?

— O que eu quero é construir uma vida com você. Ainda não sei dizer o que isso significaria.

— Pensei que você achava que não aguentava mais.

— Sim, eu achava.

Ele ainda tinha aquele brilho no olhar. Eu o beijei, segurando o rosto dele com a mão. Ficamos nos beijando por tempo suficiente para fazer o fotógrafo desistir de nós.

— Ah, eu quase me esqueci! - Peter disse, interrompendo o beijo. Achei-o parecido com o David elétrico daquele jeito. - Eu tenho uma surpresa pra você.

Ele tirou algo do interior da sua jaqueta. Demorei alguns segundos para entender o que era.

— Meu caderno!

— Eu o encontrei numa caixa da mudança de quando você veio morar comigo.

Era o caderno azul que eu trouxe comigo na minha primeira visita à família do Peter, eu coloquei os nomes deles e seus problemas para ajudá-los depois como fazia com meus alunos.

— Tive que ler para saber do que se tratava e… - ele alisou meus braços. - … achei muito bonito.

Enrubesci novamente.

— Pensei que poderia ser o seu “algo azul”, mas agora não adianta mais.

— Eu me esqueci disso. - falei, de fato tinha me esquecido daquela tradição.

— Não tem problema, Sra. Capaldi. O casamento foi lindo mesmo assim.

— Sim, foi.

Eu o beijei mais uma vez. Ele, meu marido, o homem da minha vida. Não tinha ideia de como nosso futuro seria, mas nosso presente era um conto de fadas.



Notas finais do capítulo

N/A:
Quem lembra do caderninho azul? 

Pois a 13 apareceu! Acho essa parte da cerimônia de casamento chata e quis deixar mais interessante. "Broadchurch" de fato já acabou faz tempo, era uma série que tinha David Tennant e Jodie Whittaker no elenco (entre outros atores de Doctor Who porque o Reino Unido só tem uns dez atores e eles se revezam em todas as séries). 

O Chris teve um final feliz, para mim, e espero que vocês tenham gostado também. Ele é muito retraído por vários motivos e acredito que um dia vai se soltar dessas amarras e viver a vida que sempre quis ter. 

Esse é o fim? Tenho até medo de dizer isso para essa história (risos) sempre pensei que acabou e não tinha acabado ainda. Mas acredito que sim, é a última que escrevo deles pois gosto de finais de contos de fada. O que não quer dizer que as vidas dos personagens não tenham continuado depois daqui, eu só escrevi um pedaço. 

Espero que tenham gostado e desculpem qualquer coisa. Sempre tento fazer o meu melhor. 

Obrigada pela leitura de mais essa fanfic desta série que eu amo. 

=***



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