Série Tempo e Amor - Parte V - Felizes Para Sempre escrita por Valdie Black


Capítulo 2
Rory e Amy - Algo Antigo, Algo Novo




Bebês não combinavam com casamentos, mas como sempre a Amy não quis deixar o Matty com a babá.

— Pelo menos me deixe segurá-lo. Você parece exausta, Amy.

Ela fechou a cara e agarrou-se ao nosso filho. Amy tentara esconder suas olheiras com maquiagem mas não funcionou, eu conseguia ver que ela não estava completamente descansada.

— Se você está me achando feia isso é prolema seu, Rory. Eu vou cuidar do meu filho.

— Eu nunca disse “feia”. Na verdade, você está muito bonita.

Qualquer outra pessoa ficaria horrível no dia seguinte a uma noite de farra, mas não a Amy. Às vezes eu me perguntava o que foi uma modelo viu em mim, esse homem sem nenhum atrativo. Ela conseguiu sorrir quando eu disse aquilo.

— Obrigada. Você também está bonito.

Tínhamos decidido esperar pelo começo da cerimônia no lado de fora. Isto é, a Amy tinha decidido sair porque Matty começou a chorar. Reconheci que era mesmo um pouco assustador lá dentro para uma criança pequena. Clara tinha escolhido se casar num castelo medieval.

— Nossa, faz tempo que você não me elogia desse jeito…

— O que quer dizer com isso?

— Nada. Desculpe, não é o momento certo para falar nisso.

— Vamos esperar bastante tempo ainda. Pode falar.

Nem sempre era fácil conversar com a Amy sobre coisas que não lhe agradavam, mas eu sabia que ela não era irracional então eu fui sincero.

— Faz tempo que não conversamos sobre outra coisa que não o Matty.

— Bem, é o nosso filho e ele acabou de nascer.

— Na verdade, o Matty já está bem grandinho.

Ela olhou para o nosso filho como se só agora tivesse percebido que ele não tinha mais o tamanho nem o peso de um recém-nascido.

— Acho que temos que nos adaptar, Amy, ele não precisa mais dos mesmos cuidados de antes.

— Que tolice! Ele ainda é um bebê. Não consegue nem andar.

— Mas consegue ficar de pé, e acho que já estaria andando se nós não fôssemos tão… protetores.

Pensei que ela ia gritar comigo, mas apenas olhava para o Matty.

— Acho que tenho medo de perdê-lo também. - Amy confessou.

— Ele não é… o Matt. Só tem o mesmo nome. - disse, falando mais baixo.

Eu sabia que a Amy nunca ia superar completamente a morte do Matt. Os dois eram como unha e carne por muito tempo. Lembro que no dia do meu casamento Amy estava mais preocupada se o Matt iria gostar de mim do que com qualquer outra coisa, e ele de fato não gostou muito de mim mas acho que com o tempo acabou se acostumando comigo e eu com ele. Sentia falta dele também, era um cara divertido mesmo com todos os seus demônios.

Amy me surpreendeu ao colocar o Matty no chão. Nosso filho não reclamou e logo tratou de ficar de pé, agarrando-se no vestido da mãe.

— Isso foi bom. Meus braços estavam doendo, quando foi que o Matty ficou tão pesado? - ela comentou.

— Não é só isso, Amy. Também tem a questão da babá. Ela não trabalha há tempos.

— Você quer demiti-la? Tudo bem.

— Não, meu bem. Estou pensando em deixar o Matty com ela por uma noite ou duas.

Amy arregalou os olhos.

— Você enlouqueceu?! Aquela mulher é horrível. Só contratei ela porque você insistiu.

— Ela é muito qualificada e você sabe disso. Matty gosta dela.

— Matty gosta de lama também! Vamos deixá-lo sozinho na lama também, Rory?

— Amy… - suspirei. - … faz tanto tempo que não ficamos a sós, amor. Você não sente minha falta?

— Você está bem aqui, Rory.

— Você sabe o que eu quis dizer.

Ela ponderou sobre minhas palavras.

— Sim, eu sinto sua falta.

Sorri. Não foi uma conversa tão difícil quanto pensei que seria.

— Certo. Está bem. Você tem um pouco de razão. Podemo deixar o Matty com aquela… babá.

Dei-lhe um beijo no rosto fazendo-a rir.

— Com licença. - chamou uma mulher atrás de nós. - Desculpe interromper, mas poderiam me dizer se aqui é o casamento da Clara Oswald?

— É sim. - eu respondi.

— Ah, ótimo! E não começou ainda?

— Ainda não. Clara está se arrumando. - disse Amy.

— Que bom. Tive medo de nos atrasarmos, é um lugar muito longe. - ela se virou. - Craig, é aqui mesmo!

— Ótimo! - exclamou um homem gorducho, satisfeito. Ele estava mais longe de nós e caminhava apressado com um garotinho ao seu lado.

— Craig? Craig Owens? - Amy perguntou. - E você é a Sophie?

— Isso mesmo. Nós já nos conhecemos?

— Mais ou menos. - Amy sorriu e apertou a mão dela. - Sou Amy e esse é meu marido Rory e meu filho Matthew.

— Como vão? - perguntei, apertando a mão dela também. Já tinha ouvido falar de Sophie e Craig, Amy me contou de uma vez em que ela e Clara pensaram que o Matt teve um filho com a Sophie mas no final das contas foi uma inseminação artificial que ele concordou em fazer para ajudar o amigo Craig.

— Muito bem, obrigada. Então vocês também eram amigos do Matt?

— Sim. Eu era vizinha dele na infância.

— Ah, meu companheiro Craig morou com ele por um tempo.

— Olá! - saudou Craig quando chegou onde estávamos. - Que dia lindo ensolarado!

Amy tinha a boca aberta de surpresa. Eu também fiquei um pouco chocado. O filho de Craig e Sophie era quase a cópia idêntica do Matt.

— Sim, é um dia muito lindo. - eu disse depressa porque era falta de educação encarar os filhos dos outros sem falar nada.

— Ficamos surpresos com o convite, mas a Clara insistiu que viéssemos. - disse Sophie. - Ela é muito bondosa.

— Muito bondosa. - Craig concordou. - Entendo porque o Matt gostava dela.

— Seu nome é Matt também, queridinho? - Sophie perguntou para o Matty falando com a voz afetada.

— Olha só, Alfie, um amiguinho pra você brincar. - disse Craig.

— Ele é um bebê! - Alfie reclamou. Era um pouco mais velho que o Matty e encarou-o desgostoso.

— Não seja rude, rapaz. - Sophie reprovou.

Matty olhava para o Alfie com desconfiança e agarrou-se mais ainda no vestido da Amy.

— Ele… hum… ele é muito parecido com o Matt. - Amy arriscou comentar.

— Ah, sim. Não é maravilhoso? - disse Sophie. - Gosto de pensar que o Matt sempre estará vivo em nosso Alfie.

— Acho que ele está vivo em todos nós. - Craig disse.

— Verdade. - eu concordei.

Matty conseguiu dar um passo em direção ao Alfie. Amy tomou um susto pois pensou que ele fosse cair, mas Matty conseguiu se manter de pé sozinho.

— Diga “oi”, Alfie. - Sophie mandou.

— Oi. - disse Alfie.

Oi. - Matty respondeu.

Eu olhei para Amy e vi uma lágrima solitária descendo pelo seu rosto, mas ela sorria. Segurei sua mão e ela apertou a minha com força.


********

Minha cabeça ainda doía muito, mesmo depois de tomar os remédios. Eu realmente não devia ter bebido tanto na noite passada mas agora já era tarde para lamentar isso. Tinha uma cerimônia inteira de casamento pela frente e ainda por cima o Rory resolveu que era hora de discutir sobre nosso filho. Certo, eu insisti que ele falasse… mas mesmo assim…

Pedi licença para ir ao banheiro e deixei Rory conversar com Craig e Sophie, na verdade eu só queria ficar sozinha por causa da dor de cabeça mas acabei encontrando a Rose andando pelo corredor. Ela parecia tão incomodada quanto eu.

— Rose, aconteceu alguma coisa?

— Ah, não é nada… eu estava ajudando a Clara a se arrumar e aquela madrasta dela também está lá…

— Hum… eu nunca a conheci, mas já ouvi histórias…

— Não diga à Clara que eu disse isso, mas aquela mulher é um pesadelo. Tudo que fazemos é errado na visão dela. Eu tive que sair um pouco senão ia acabar esganando ela.

— Mande ela ir embora! A Clara já deve estar muito nervosa, ela não precisa também dessa chatice.

Lembrei-me do meu próprio casamento e do estresse que aquilo foi porque minha mãe tinha uma opinião sobre tudo. Nunca mais!

— Não posso mandá-la embora, Amy, é a madrasta da Clara!

— E daí? Ela não está ajudando.

Rose ia protestar, mas eu passei direto e subi as escadas circulares até chegar no quarto onde a Clara estava.

—… e esse xadrez é ridículo, o que tem de errado com branco? - ouvi-a reclamando assim que entrei no quarto. - Eu sinceramente não entendo por que você precisa se casar aqui.

— Eu moro aqui agora. - Clara respondeu sem ânimo. Estava arrumando-se na frente do espelho com sua madrasta em pé ao seu lado.

— Sim, mas todas essas tradições esquisitas… e por que em um castelo? Você nem convidou tantas pessoas assim… seu tio-avô ficou muito decepcionado quando não recebeu um convite, aliás.

— Com licença, Sra. Oswald? - interrompi, sem conseguir aguentar mais daquilo.

As duas olharam para mim, só agora tinham percebido minha presença.

— Sim? - a Sra. Oswald perguntou me olhando feio.

— O Sr. Oswald quer falar com a senhora.

— E do que se trata?

— Ele não disse, mas me pareceu importante.

— Ah, mas que rude! Espere um pouco, Clara, eu vou ver o que o seu pai quer agora.

Assim que ela saiu do quarto eu fechei a porta atrás dela e tranquei.

— Obrigada. - Clara falou.

— Como você está, Clara?

— Estou bem! - disse, obviamente irritada. - Gostaria que todos parassem de perguntar como eu estou e dizer o quanto eu estou linda.

— Se serve de consolo eu também me sinto um desastre hoje.

Clara estava mesmo linda. Ela usava um vestido longo todo em xadrez, provavelmente o que causou aquele falatório da madrasta dela.

— Você não vai se casar daqui a pouco. - ela pegou uma escova para arrumar o penteado mas desistiu porque sua raiva era muito grande. - O que eu estou fazendo, Amy?!

Sentei-me ao seu lado e apanhei a escova da sua mão.

— Amiga, você está simplesmente tendo um casamento dos sonhos num castelo de conto de fadas. - disse enquanto escovava seus cabelos cacheados. - A maioria das mulheres do mundo mataria para estar no seu lugar.

— Eu me sinto tão estúpida. Por que eu escolhi um castelo? Linda tem razão. Foi exagero.

Sendo ela a madrasta da Clara eu sabia que tinha que ser diplomática e respeitosa, mas não consegui.

— Clara, sua madrasta é o ser humano mais intragável que eu já conheci. Ela só está dizendo isso porque tem inveja de você. Não percebe? Você é a Cinderela e ela é a madrasta do mal.

— Eu me diverti tanto planejando esse casamento, mas agora… não sei… tudo me incomoda!

Por um momento pensei que Clara fosse chorar. Estava tão nervosa. Eu não sabia o que fazer.

— Ajudaria se eu trouxesse uma bebida? Geralmente ajuda.

— Não. Eu queria… - hesitou.

— O quê?

— Eu queria ver o Peter.

— Posso chamá-lo. Acho que ele está com o David.

— Não! Eu não posso vê-lo.

Revirei os olhos.

— Clara é só uma superstição imbecil.

— Eu sei que é! - gritou. - Mas… nada pode dar errado, entende?

Eu parei de arrumar o penteado dela e alisei suas costas.

— Vamos nos acalmar, está bem? - falei, tentando soar tranquilizadora mas era muito ruim nesse tipo de coisa. Gostaria que o Rory estivesse ali para ajudar. - Querida, nada vai dar errado. Tente não se preocupar tanto pois você está perdendo.

— Perdendo o quê?

— O dia do seu casamento! O dia que você se veste como uma princesa e se casa com o homem que ama. É um dia feliz, Clara.

Ela deu um fraco sorriso.

— Obrigada, Amy. Eu sei que você não gosta do Peter então eu agradeço muito sua presença aqui mesmo assim.

Franzi o cenho.

— Por que você acha que eu não gosto do Peter?

— Ah… é só… bem, você já falou umas coisas… não importa! Obrigada por estar aqui e por aceitar ser minha Dama de Honra.

Senti algo me incomodando e não eram as dores de cabeça.

— Clara, eu… talvez tenha ficado um pouco chocada ao descobrir sobre vocês… mas… depois disso…

— Por favor, não se incomode com o que eu disse, Amy. - ela falou depressa, virando-se para mim balançando as mãos. - Isso já faz muito tempo, eu nem me lembro direito…

— Eu me lembro. Fiquei com raiva de vocês e… pensei que não fossem durar… Clara, eu sinto muito.

— Amy, tudo bem.

— Não. Eu fui muito infantil. Tenho sido assim desde que nos conhecemos e tudo que você fez foi me ajudar.

— Não exagere, Amy. Você também me ajudou bastante.

— Mas eu não apoiei você como você me apoiou. Lembra quando você descobriu que eu me fazia ficar doente porque queria deixar de ser modelo? Você não me julgou, mas eu julguei você e o Peter muitas vezes.

— Nossa, Amy, nunca vi você falando assim.

— Eu sei… e ainda agora também disse que o Rory tinha razão.

Clara arqueou as sobrancelhas e sorriu de surpresa.

— Quem é você e o que fez com a minha amiga Amy?!

— Bem… eu disse que ele tinha um pouco de razão.

Nós duas rimos. Acho que foi mesmo um dia cheio de revelações para mim.

— Amy, eu aceito suas desculpas mas não quero que você mude. Gosto do seu jeito desde que nos conhecemos. Ninguém é tão sincero comigo quanto você.

— Obrigada, Clara. Sabe… quando eu casei com o Rory muita gente dizia que não íamos dar certo porque eu já era modelo na época e esperavam que eu me casasse com alguém mais parecido comigo, mas eu não me importei. Rory me entende melhor do que todos os homens que já conheci e se o Peter faz o mesmo por você então não se importe com o que as pessoas dizem.

— Não me importo. - ela sorriu. - Peter disse que eu poderia escolher qualquer lugar para o casamento, e eu me apaixonei por esse castelo. Sou muito sortuda.

— Ele também é muito sortudo. - eu disse. - E deve saber disso porque te deu um castelo.

Peter não foi o melhor pai do mundo para o Matt, mas ele está acertando as coisas com a Clara. Algum dia eu vou perdoá-lo. Algum dia.



Notas finais do capítulo

N/A: Quem sentiu falta do Craig e da Sophie? ("eu!") Sem brincadeira, os episódios deles estão entre os meus favoritos. Sempre quis que o Alfie conhecesse o Matty então escrever essa cena foi como um sonho se realizando pra mim.

Todos gostamos da Amy, mas ela é mimada e não quis passar por cima desse defeito porque gosto dela ser assim e ao mesmo tempo uma boa pessoa.

O vestido da Clara não é branco, é xadrez porque as mulheres na Escócia se casam assim (geralmente é só um detalhe em xadrez mas o vestido inteiro também vale). Posso descrevê-lo melhor depois se vocês quiserem. Gente, desculpa eu ser tão ruim descrevendo coisas! Não faço de propósito.

Espero que tenham gostado do capítulo.

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