Série Tempo e Amor - Parte V - Felizes Para Sempre escrita por Valdie Black


Capítulo 1
Rose e David - A Noite Anterior


Notas iniciais do capítulo

N/A: Olá mais uma vez!

Em 2016 eu escrevi uma fanfic chamada “Luzes da Ribalta” e pensei que a história tinha acabado ali, mas não tinha. Depois escrevi “Diamantes” e pensei que daquela vez tinha acabado mesmo, mas de novo errei. “Meia-Noite” e “Vinyl” foram publicadas e acreditei que tinha sido mesmo o fim, mas ??“ surpresa ??“ não foi!

Talvez vocês fiquem com raiva de mim por mexer tanto com seus sentimentos dizendo “agora acabou” e depois voltar, mas meu engano foi honesto. Eu realmente pensei que tinha acabado.

O final de “Vinyl” me pareceu definitivo na época mas assim como aconteceu com “Luzes da Ribalta” e “Diamantes” eu comecei a ver coisas que não tinham sido exploradas direito, então essa fanfic vai dar um fim a essas questões enquanto eu mostro pra vocês o casamento de Peter e Clara :)

“Felizes Para Sempre” terá cinco capítulos e já estão quase todos escritos. A narrativa será na primeira pessoa, todos os personagens principais das fanfics anteriores vão ganhar um ponto de vista! Esse capítulo será da Rose e do David (nesta ordem).

Para entender essa fanfic é preciso ter lido as outras, então vou deixar os links delas nas notas finais. Se você já leu então muito obrigada por retornar essa ideia doida que eu tive e que pensei que não ia dar em nada mas que de alguma forma foi lida, relida, favoritada, comentada, elogiada, criticada e até ganhou arte. Obrigada a todos vocês!

Espero que gostem de mais essa parte da história da nossa família problemática favorita, realmente não quero decepcioná-los depois de tudo que fizeram por mim.

Como sempre, eu uso os nomes dos atores somente para diferenciar os Doutores e nada mais.

Boa leitura!



Tinha passado a noite com Clara e Amy. O dia seguinte seria o casamento e embora Clara não quisesse demonstrar eu sabia que ela estava nervosa. Era adorável, na verdade, lembrava a mim mesma antes de me casar com David (em ambas as vezes).

— Não posso beber. Vou ficar horrível amanhã. - ela disse quando lhe ofereci um copo de vinho.

— Só um pouco não vai fazer mal. Amy não se importou.

Indiquei com a cabeça a mulher desmaiada no sofá. Amy roncava alto então sabíamos que ela ainda estava viva. Eu fui contra, mas Clara quis realizar o sonho antigo dela de termos uma despedida de solteira numa boate de strip. Ela bebeu muito e tivemos que carregá-la de volta para casa nos braços, ainda bem que Rory e o bebê não estavam em casa.

— Não é a Amy quem vai se casar amanhã. - disse Clara.

— Aposto que ela também não se importou antes do casamento dela. Vamos, Clara, você precisa relaxar um pouco. Sei como está se sentindo.

Tinha certeza que ela estava repassando todos os preparativos em sua cabeça, certificando-se de que não tinha se esquecido de nada. Gostaria de lhe dizer que ela provavelmente vai se esquecer de algo e não vai fazer diferença alguma no fim das contas.

Clara apanhou o copo e, ainda que hesitante, tomou um gole.

— Aí está. Não fez mal algum.

— Não quero ter dores de cabeça amanhã, Rose.

— Desculpe, querida, mas você vai ter. O pessoal da organização sempre faz alguma besteira e aí você vai ter que lidar com eles.

Me arrependi de ter dito aquilo pois ela me olhou muito preocupada.

— Clara, estou só brincando. Vai dar tudo certo!

Ela ainda parecia descrente.

— Não sei como você conseguiu fazer isso duas vezes, Rose.

Eu ri.

— Bem, houve muito tempo entre a primeira e a segunda vez então em algum momento eu esqueci o quão estressante era. Tudo é tão glamouroso nas fotos…

Clara assentiu e não disse nada, mas parecia que sua mente estava em pandemônio.

— Clara, se quiser contar algo eu estou aqui para ajudar. Pode ser sincera comigo.

Ela suspirou.

— É tão estranho, Rose, o fato de tudo estar bem entre nós. Fico esperando que algo terrível aconteça e nos separe novamente. Talvez ele mude de ideia e me deixe ou… não sei…

— Sei como se sente, Clara. - falei com sinceridade. - Antes de me casar com o David pela segunda vez eu também esperava que algo ruim fosse acontecer. Outro acidente, talvez. Eu não conseguia acreditar que tudo estava dando certo.

— Como você se acalmou?

— Bem, eu tomei umas doses de tequila… e criei coragem para contar ao David meus medos. Ele me tranquilizou bastante. Talvez conversar com o Peter ajude.

— Ah, não… dá azar.

— Ver o noivo dá azar, não conversar com ele.

Achei graça a Clara se preocupar com aquilo, ela não me parecia ser do tipo supersticiosa mas talvez fosse sua ansiedade falando.

— Ele está ocupado agora, não quero atrapalhar. - foi sua outra desculpa.

— Bobagem. Conhecendo o Peter, ele deve estar morrendo de vontade de conversar com você também. Lembra quando ele disse que despedidas de solteiro eram ridículas na idade dele mas David insistiu?

Clara deu uma risada.

— O que você acha que eles estão fazendo? - perguntou.

— Não sei, você quer descobrir?

— Na verdade, quero sim.


********


Rory levantou-se da mesa de novo.

— Rory, pare de ficar saindo o tempo todo! - reclamei. - Estamos no meio de um jogo.

Mostrei as cartas em cima da mesa.

— Desculpe, David, mas eu conheço os horários do meu filho e sei que ele vai acordar com fome daqui a pouco. Além disso, você sabe que eu não vou ganhar.

— Não com essa atitude!

Verdade seja dita, Rory jogava muito mal mas minha intenção era todos conversarmos enquanto jogávamos. Ao invés disso ninguém parecia se importar com aquele noite de diversão além de mim.

— Se eu deixar o Matty chorando a noite toda, Amy me mata.

— Amy não está aqui pra ver isso.

— Você não sabe do que a Amy é capaz.

— Vamos, Rory, deixe de drama! Uma noite só não vai fazer mal ao moleque. Nós deixávamos a Jenny chorando o tempo todo e ela sobreviveu.

Assim que disse aquilo Matty começou a chorar no quarto de visitas e Rory saiu em disparada.

— Por que você paga uma babá se ela nunca trabalha?! - gritei para ele, mas não obtive resposta.

Eu e a Rose deixamos a Jenny com a Jackie, mas Amy recusou-se a deixar o filho deles com a babá ou outra pessoa que não fosse ela ou o Rory. Na verdade, ela não ficou muito satisfeita em deixá-lo com o Rory mas me pareceu que um bebê atrapalharia seja lá o que for que as garotas planejaram fazer.

Estava com inveja. Com certeza a noite delas estava sendo bem mais divertida.

— Se eu soubesse que isso ia acontecer não teria convidado ele. - falei. - Estamos bem só nós dois, pai.

Papai não disse nada. Na verdade, ele nem parecia notar minha presença ou a de ninguém mais. Desde o começo da noite ele só respondia minhas perguntas com palavras monossilábicas e era óbvio que gostaria que fôssemos embora.

Era bem egoísta da minha parte mas eu realmente queria conversar com ele, gostava de passar o tempo com meu pai. Nunca pensei que isso fosse acontecer mas senti falta do Christopher, ele teria encontrado um jeito de animar as coisas com aqueles comentários mordazes, mas apesar de ter sido convidado ele não apareceu e não sabíamos onde estava.

Christopher tinha saído da prisão e estava morando em algum lugar. Clara tinha esperado ele estar livre antes de marcar a data do casamento porque não queria excluí-lo da festa, mas parecia que o próprio Christopher estava se excluindo. Pediu que não entrássemos em contato com ele a não ser que fosse absolutamente necessário e ninguém sabia onde ele estava nem o que estava fazendo para se sustentar. Clara disse que devíamos deixá-lo em paz para fazer suas próprias escolhas, mas às vezes parecia que tínhamos voltado ao começo e ele ia se autodestruir novamente.

— Com licença. - papai falou e se levantou da mesa também.

— Todo mundo vai sair? Tá bom, então fico com os pontos todos para mim.

Ele já tinha saído da sala, me deixando sozinho. Soltei um suspiro de cansaço e joguei as cartas, desistindo. Meu celular dentro do bolso começou a tocar e fiquei satisfeito em ouvir aquela voz quando atendi.

— David?

— Rose, graças a Deus… quer dizer, por que está me ligando? Íamos passar a noite separados.

— Eu sei, mas a Clara gostaria de falar com o Peter antes de ir dormir e não sabemos onde ele está então eu liguei pra você.

— Ele está em casa… digo, nós estamos fora da cidade! Do país! Do continente! As coisas estão uma loucura aqui, Rose, você nem sabe o que aprontamos.

— Aham… então você pode passar o celular para o Peter ou isso é impossível porque as coisas estão loucas demais? - perguntou, eu sabia que ela estava sorrindo.

— Claro, espere um pouco.

Girei as rodas da minha cadeira com a mão e deixei a mesa para trás.

— Pai? - chamei. - Tenho um telefonema pra você. É a Clara.

Papai estava na cozinha servindo-se de um copo d’água e ergueu a cabeça quando falei o nome da Clara. Entreguei-lhe o celular depressa.

— Alô? Boa noite, Rose… estou bem, obrigado. Como estão as coisas por aí? Que bom… claro, eu adoraria falar com ela.

Houve um momento de expectativa então meu pai sorriu pela primeira vez naquela noite.

— Olá, meu amor, como foi sua noite? Ah, que ótimo… a minha não acabou ainda, acho que o David pensa que há alguma salvação. Quase tenho pena dele.

— Ei! - me indignei, mas papai não pareceu ter ouvido ou se importado.

— Bem, você sabe que eu preferia ter passado a noite com você… sim, eu entendo… claro que não estou zangado, por que eu ficaria? Amanhã já estaremos casados a esta hora e então passaremos todas as nossas próximas noites juntos.

Uma voz na minha cabeça – que soava como a Rose – dizia que eu devia sair dali porque aquela conversa era pessoal demais mas eu não me mexi.

— Você queria me dizer alguma coisa? - ele esperou. - Tem certeza? Você parece um pouco nervosa... está bem então. Não se preocupe com nada. Vai ser um casamento lindo, tudo relacionado a você é lindo.

Eu fui meloso assim com a Rose antes de nos casarmos? Devo ter sido. Aliás, acho que ainda sou. É estranho ver isso em outra pessoa, ainda por cima quando essa pessoa é meu pai.

— Eu só espero que você consiga me reconhecer depois de todo esse tempo sem me ver. Um dia? Tem certeza que não foi um século? Certo… foi muito bom ouvir sua voz... durma bem, então. Eu serei bonzinho com meu filho e o Rory, prometo… até amanhã. Também amo você.

Papai me devolveu o celular depois disso.

— Eu não lhe ensinei que é errado ouvir as conversas dos outros? - ele perguntou.

— É o meu celular!

— É a minha noiva!

Papai não estava irritado, divertia-se com o meu bisbilhotamento.

— Bem, pelo menos você está de bom humor agora. - eu disse, um pouco sarcástico.

— Desculpe. Eu sentia falta dela, só isso.

— Eu entendo, pai. Desculpe, eu não quis atrapalhar vocês. Tudo bem se quiser que eu vá embora.

— Bobagem. Ela queria passar um tempo com as amigas, eu devia ter me concentrado em meus filhos em vez de me distanciar de vocês. Um mau hábito.

— Você considera o Rory como um filho?

— Eu me referia ao Christopher.

Nos encaramos. Me perguntei se ele pensava a mesma coisa que eu.

— Papai, você acha que o Chris está bem?

Ele pensou um pouco antes de responder. Olhou de relance para nossas fotos grudadas na porta da geladeira.

— Sim. Espero que sim. Não gostaria que ele se isolasse, mas já forcei seu irmão a fazer muitas coisas. Clara diz que ele é um homem adulto e inteligente que sabe se cuidar então vou deixá-lo tomar conta de si mesmo.

Assenti, talvez fosse melhor mudar de assunto.

— Você está nervoso, pai?

— Por que? Não é minha primeira vez. - ele respondeu com um sorriso enviesado.

— Eu fiquei nervoso na minha segunda vez também. Na verdade, foi pior porque eu não podia beber.

— Bem… acho que tenho um pouco de medo de errar novamente e deixá-la infeliz. Não fui um bom marido da primeira vez.

— As coisas eram diferentes naquela época. Você e a Clara são… é diferente, sabe?

Ele bebeu um gole d’ água antes de continuar a conversa.

— Você quer dizer que nunca me viu falando desse jeito meloso com a sua mãe?

— É, algo assim.

Evitei o olhar dele, estava um pouco envergonhado.

— Verdade, é diferente. Acho que é estranho para você e o Christopher também, ter a Clara como madrasta. Tecnicamente.

— Ah, já nos acostumamos com isso. Gosto de provocá-la dizendo que vai ser avó da Jenny.

Nós dois rimos. Papai abriu a boca para dizer alguma coisa mas foi interrompido quando Rory chegou com Matty chorando em seus braços.

— Eu não sei por que ele está assim! Já lhe dei comida. - disse, mostrando a mamadeira. - Amy vai me matar.

Eu e meu pai nos entreolhamos e houve uma espécie de entendimento. Não éramos mais “pai e filho” mas sim dois pais experientes que estavam pensado “olha só esse coitado que não tem ideia do que está fazendo”.

— Ele está sentindo seu nervosismo. - papai explicou. - Dê-me aqui.

Foi até Rory e tirou Matty de seus braços.

— Shh… - ele disse, balançando Matty nos braços.

O bebê parou de chorar finalmente e Rory ficou impressionado.

— Como você fez isso?

— Tive três bebês de uma vez só, acho que aprendi alguns truques. - papai respondeu, piscando o olho. - Durma bem… Matthew.

Matty segurou a mão dele e fechou os olhos, caindo em um sono tranquilo.



Notas finais do capítulo

N/A:

Luzes da Ribalta: https://fanfiction.com.br/historia/703196/Serie_Tempo_e_Amor_-_Parte_I_-_Luzes_da_Ribalta/

Diamantes: https://fanfiction.com.br/historia/707870/Serie_Tempo_e_Amor_-_Parte_II_-_Diamantes/

Meia-Noite: https://fanfiction.com.br/historia/724190/Serie_Tempo_e_Amor_-_Parte_III_-_Meia-Noite/

Vinyl: https://fanfiction.com.br/historia/733869/Serie_Tempo_e_Amor_-_Parte_IV_-_Vinyl/

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