O Colecionador escrita por Kaline Bogard


Capítulo 4
Questão de tentativa e erro


Notas iniciais do capítulo

Celoko

Devia ter postado segunda, mas fiquei com preguiça de pensar em um título pro capítulo :/



— Quer conhecer o resto do pessoal? — Naruto perguntou empolgado. Fazia tempo que não recebiam um novato. Quase um ano.

— Não! — Kiba ficou de pé — Não tenho tempo pra isso! Vou atrás desse Colecionador e descobrir o caminho de casa!

Naruto suspirou.

— Não vai conseguir. Não vai fazer nada que todos nós não tentamos até agora. Além disso, pelo que vi, o Colecionador não está em casa. Ele trouxe você e saiu de novo. Nesses casos, não tem como entrar onde ele mora, acontece o mesmo paradoxo espacial: a gente tenta entrar na casa e de repente volta aqui!

Kiba pareceu desconfiado. Analisou o rosto do outro rapaz, não viu sombra de deboche ou mentira. Naruto contava um fato, somente isso.

— Mas…

— Se quiser, quando ele voltar eu te ajudo a tentar fugir daqui! Acredite em mim, agora não tem como.

A frase foi um balde de água fria no ânimo de Kiba. queria encontrar uma rota de escape o quanto antes. Porém ele era impulsivo, não burro. Uma das coisas que sua mãe lhe ensinou foi a premissa de tentar conhecer o inimigo antes de atacar. Bem, na grande maioria dos casos a tentativa era inválida. Kiba apenas atacava sem pensar…

Naquele momento se via preso em uma armadilha sem precedentes. A sensação era tão irreal que refreou os impulsos e o fez agir com cautela.

— Tudo bem. Mas você tem previsão de quando esse homem vai voltar?

— Nenhuma. Até agora são saídas intermitentes. Nunca vi um padrão… posso apresentar o pessoal e te levar até a casa dele, pra você tirar a prova!

— E não podemos ir antes na casa dele? Seria muito melhor.

Naruto cruzou as mãos atrás da nuca.

— Você é mais teimoso do que eu! Tudo bem, gosto disso.

— Não sou teimoso! Só quero voltar pra minha família.

A expressão de Naruto amuou. Pensar na própria família o deixava triste, ele não conheceu os pais, que faleceram em meio a uma guerra quando era recém nascido.

— Entendo. Vem comigo — ficou de pé também e apontou na direção em que Kiba havia seguido, depois apontou um pouco mais para a esquerda — Ali você vai para a floresta e para o lago, como já deve ter descoberto. Ali a gente chega na casa dele. Vem.

Os dois caminharam naquele sentido.

— Você tem vivido aqui todo esse tempo? O que vocês fazem? Só ficam aqui…?

— Tipo isso — Naruto respondeu — Bem, cada um tem sua rotina, pra poder se distrair. A gente se acostuma, que opção tem? Pra lá fica o pomar, a estufa, a arena de treinos e o parque.

— Arena de treinos?

— Hn. Treino lá com o pessoal todos os dias. Também tem uma biblioteca e um salão de jogos.

— Caralho…

O lugar parecia bem completo em suas opções. Talvez para que os “prisioneiros” não ficassem entediados?

Naruto silenciou. Já tinha passado pela mesma situação de Kiba, com a diferença que precisou descobrir tudo por si só. Sasuke, que vivia ali há mais tempo, não era o melhor anfitrião. Na verdade, ele estava na ponta contrária disso.

Enquanto seguiam em passos moderados, Kiba prestava atenção no lugar. O campo parecia se estender a perder de vista. Era algo lindo de se ver.

Em dado momento, a barriga do garoto roncou alto. Pelo visto seu corpo se recuperou do susto e cobrava algum alimento. Ele estava sem comer desde a noite da festa, o que para seus padrões era um bocado de tempo.

— Tá com fome? — Naruto escutou o som.

— Varado — Kiba resmungou. O estômago ainda estava meio sensível pela ressaca, porém a situação inusitada o ajudou a se recuperar um pouco. Nada como um bom susto para limpar o organismo dos efeitos da ressaca.

— Quer passar na vila e comer algo?

— Não! — Kiba explodiu — Só quero ir embora daqui! Desculpa, não posso perder tempo! Minha mãe e minha irmã devem estar desesperadas!

Naruto silenciou. Não parou o avançar, nem mudou de rumo.

Demoraram ainda um bom tempo, até que uma construção surgisse no horizonte, uma pequena casa de dois andares, toda no estilo ocidental que Kiba só havia visto em livros de história. Era algo como um pequeno e charmoso chalé.

— É ali? — soou ansioso.

— Sim. Ele mora ali.

— Vamos invadir e investigar!

— Espera… — Naruto chegou a estender o braço para impedir Kiba, mas o garoto mostrou o lado impulsivo e ansioso que lhe era característico e disparou numa corrida veloz, em parte graças ao fator sobrenatural, herança herdada da mãe shifter — Novatos…

Observou enquanto o recém-chegado corria rápido, ganhando terreno e aproximando-se da casa. Quando parecia que Kiba ia alcançar a cerquinha branca de madeira em volta do perímetro ele simplesmente desapareceu no ar.

Naruto sabia que era uma proteção erguida para impedi-los de chegar até a casa. Sempre que o Colecionador estava fora, aquilo era acionado. Quando ele regressava, havia outra barreira ainda mais intransponível…

Riu baixinho, imaginando a frustração de Kiba quando ele notasse que voltou ao ponto de partida, outra vez levado ao campo de flores em que despertou. Estaria óbvio na face do garoto, naquele pouco tempo de interação podia dizer que o outro era tão transparente e impulsivo quanto o próprio Naruto se sabia ser.

Sem pressa alguma encerrou a distância até pisar na “armadilha”. Pelo tempo de um piscar de pálpebras estava ao lado de Kiba, como deduziu.

— Eu te avisei — falou como quem não quer nada. Porém se arrependeu um pouco ao ver os olhos vivazes marejados de lágrimas, que Kiba lutava para não derramar.

— Que cacete. Não tem como chegar na casa…? — a voz soou fraca.

— Não, Kiba. Eu tentei. Por anos, eu tentei. Você acha que não? Eu vinha aqui todos os dias, mais de uma vez por dia. Tentei achar brechas na barreira, investiguei cada milímetro. Eu tentei… tentei pra valer.

O vigor daquela afirmação comoveu Kiba. devia ter levado o aviso a sério. Naruto lhe contou que estava ali há tempo o suficiente para que séculos se passassem no mundo real. Evidentemente teria buscado um jeito de escapar.

Mas Kiba era assim. Ele precisava ver as coisas por si só, tentar com as próprias mãos e a própria força.

— Vou tentar quando o Colecionador voltar. Continua essa coisa de mandar a gente de volta pra cá? — Kiba decidiu com menos afobação. Talvez voltasse à casa depois e investigasse com calma, sem afobação. Talvez descobrisse um detalhe que Naruto deixou passar… porque não?

— Não. Quando o Colecionador está em casa, a barreira é outra.

— Ah, então temos uma chance!

— Eu nunca consegui, mas não custa tentar — Naruto sorriu com simpatia.

Nesse momento a barriga de Kiba roncou de novo.

— Já sei! To com tanta fome que meus dons de detetive fraquejaram. Preciso comer alguma coisa pra ficar mais forte.

— Então vamos lá! Eu costumo filar a bóia na casa da Hinata. Já tá quase na hora da janta, mas não custa ver se ela guardou algo.

O sorriso de Naruto era quase contagiante. Não atingiu Kiba, porque ele ainda sofria por estar preso ali, aparentemente sem chances de conseguir escapar. Se fosse mesmo uma realidade entrecortada do mundo real, somente o criador poderia abrir uma passagem. Isso significava confrontar o até então misterioso Colecionador e requisitar sua liberdade de volta.

— Tudo bem — se deu por vencido. Estava com fome, cansado e a cabeça começava a doer. Os pensamentos convergiam todos para a mãe e a irmã. Se o cálculo de Naruto estava certo, aqueles dois meses paralelos estavam prestes a se passar em sua vila.

Sabia de outros mundos separados do Ningenkai , onde criaturas místicas viviam sua própria realidade. E tais mundos, às vezes, continham regras diferentes para tempo, espaço e outras medidas usadas pelos humanos. Discrepâncias que às vezes beiravam o impossível.

— Não quero acabar com as suas esperanças — Naruto falou baixinho — Só que alimentá-las é pior, sabe? Quanto antes você se conformar que não tem como sair daqui, menos vai sofrer.

Kiba fez um gesto de desprezo com a garganta.

— Não tenho medo de sofrer. Nem quero desistir! Meu sonho é de ser Hokage em Konoha e trazer orgulho para a minha família. Vou ser o primeiro Hokage mestiço da história! Farão lendas ao meu respeito! Preciso sair daqui para cumprir o meu destino.

A empolgação juvenil se reacendeu e alcançou Naruto.

— Que convicção, Kiba! Vou te ajudar na investigação. Nenhum de nós conseguiu achar uma brecha nas defesas do Colecionador, mas sempre tem uma primeira vez.

Kiba sorriu cheio de gratidão.

— Podemos comer agora? To passando mal de tanta fome…

— Claro! Vamos até a casa de Hinata! Ela sempre cozinha pra mim! Depois eu te apresento o pessoal. Você vai se dar bem com eles. Pode até considerar sua nova família.



Notas finais do capítulo

até qualquer dia!

tenho mais 8 capítulos digitados!



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "O Colecionador" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.