Sonhos de Grãos de Areia escrita por LaviniaCrist


Capítulo 20
Pontualidade


Notas iniciais do capítulo

Indico lerem enquanto ouvem a música: The Marriage of Figaro de Mozart (eu não tenho certeza se já foi usada, poderiam me avisar?)
Ainda não editado, pode conter erros.



 

Em um susto, Kankuro sentou-se em sua cama e olhou ao redor, assustado.

A luz do sol passava pelas janelas e invadia o quarto, o ambiente ainda passando do frio para o quente, suas marionetes amontoadas onde ele havia as deixado e tudo parecendo exatamente normal. Se estava tudo normal, por que ele acordou de supetão daquele jeito?

— Eu... Eu estou... — o rapaz se esforçava ao máximo para lembrar, até que deu um pulo da cama e começou a ficar desesperado — ATRASADO!

Começou-se então um “tudo ou nada” entre Kankuro e as várias tarefas matinais que ele precisava cumprir (higiene matinal aqui não).

A primeira de todas era dar um jeito no mau hálito, proveniente de frutos do mar no jantar, bebidas e uma noite de baba acumulada. Entretanto, parecia que as coisas ao seu redor estavam tramando uma conspiração contra o pobre homem: o tubo de pasta de dentes que ele teve um árduo trabalho estendendo a vida nos últimos dias (amassando o tubinho com o cabo da escova, quem nunca?) estava, enfim, sem nenhum conteúdo.

“Droga, droga, droga!”, enquanto procurava alguma outra em seu armário, lembrou-se do motivo de estar tentando prolongar a tanto tempo aquele tubo: “POR QUE EU ESQUEÇO DE COMPRAR ESSAS COISAS, JAAN!?”.

Ele respirou fundo, passou a mão molhada no rosto e tentou se acalmar. Haviam outros banheiros nos quartos de Temari e de Gaara, bastava ele usar um dos dois! Isso!

Sorridente, o rapaz saiu do quarto nas pontas dos pés e levou a mão direto à maçaneta do quarto do irmão. Gaara acordava mais cedo entre os três, já deveria ter saído dali e com certeza Kankuro poderia ter seu momento matutino de privacidade... Porém, infelizmente, a porta estava trancada, deixando apenas a segunda opção: quarto da Temari.

Mantendo-se silencioso e nas pontinhas dos pés, Kankuro entrou cuidadosamente no quarto da irmã. Sentia-se passando em frente a uma fera e não uma garota adormecida, ele conhece o gênio forte que a irmã possui e o que poderia fazer contra ele caso descobrisse o intruso ali.

Poucos passos depois, ele já estava abrigado dentro do banheiro de paredes rosadas e com cheiro de perfume. O primeiro passo era escovar os dentes, mas havia um problema: sua escova ficou no quarto e ele não estava nem um pouco disposto em refazer aquele caminho perigoso.

“Bem, somos irmãos, não tem tanta diferença da minha baba para a dela, né?”, cuidadosamente, ele pegou a escova de Temari “Droga, isso é considerado um beijo?”, fazendo uma careta, ele colocou a pasta e começou o processo, parando na metade e chegando a se engasgar um pouco com a espuma “... EU ESTOU BEIJANDO O SHIKAMARU TAMBÉM!?”. Foi a gora d’água, ele cuspiu tudo e achou mais higiênico dar algumas lambidas no sabonete.

Agora ele precisava de um banho rápido, mas nada se é rápido quando o fator pressa está envolvido. O que deveria ser uma simples escolha de sabonete tornou-se uma missão Rank-S de decodificação de enigmas: sabonetes líquidos de morango, lichia, hidratantes, com mel, sem sal, com estratos naturais, com óleos nutritivos e mais quaisquer outras coisas que ele não fazia ideia para que serviam. Por fim, decidiu pegar o de esfoliação.

“Isso deve deixar a pele bonita, sei lá...”, pensou ele, virando quase metade do frasco em uma esponja e começando a banhar-se.

Cinco passadas rápidas com a esponja depois, Kankuro perguntava-se como estava tão sujo de terra. Demorou mais algumas para ele notar que aqueles pequeninos grãos pretos vinham do sabonete e, por ter derramado tanto produto na esponja, ela estava impregnada com aquela “sujeira”. A terra não era o único problema dele agora: o sabonete também tinha uma espécie de olho, que o deixou com a sensação de estar sujo ou até mesmo gosmento.

“E agora? MERDA! Se eu sair assim de casa, a areia vai ficar toda grudada em mim, jaan!”.

Em um lapso de raciocínio, lembrou-se do sabonete da pia que usou para lavar o rosto e pegou-o. Tomaria banho com ele, mesmo sendo pequenino e com perfume de doces, precisava de alguma coisa!

Banho tomado, pedrinhas retiradas do corpo e energia restaurada. Começar o dia assim era ótimo, apesar de todo o trabalho que estava tendo.

Última etapa de um banho: secar-se. Coisa fácil de fazer, a não ser por ter apenas uma pequenina toalha se secar as mãos naquele banheiro.

“Como a Temari usa essa coisa!? Por isso mulheres demoram a ficar prontas... Olha o tamanho disso! Não dá nem envolta da minha cintura! ”, por mais que o rapaz tenha tentado colocar a peça de pano ali para procurar alguma outra toalha pelo quarto, o quadradinho felpudo de cor rosa era pequeno demais.

Olhando em volta, pensando em tomar atitudes drásticas como simplesmente sair correndo pelado para o quarto, ele finalmente notou um roupão. Florido, macio e pequeno... Kankuro vestido naquilo parecia mais uma tentativa frustrada de parecer sexy: abdome exposto, mangas dobradas até em cima para favorecer os movimentos e relevando os braços fortes, a pequenina toalha cor de rosa presa na frente de sua virilha, amarrada com o cinto do roupão, pernas completamente de fora...

“Ao menos eu sou bonito...”, pensou o rapaz, olhando-se no espelho e fazendo algumas poses engraçadas. “NÃO TENHO TEMPO PARA PALHAÇADA, JAAN! ”, ficou sério, focando-se em seu último passo: a maquiagem.

Claro, ele poderia voltar para o próprio quarto e fazer aquilo como sempre, mas ficou encantado com a variedade de pinturas que encontrou nas gavetas da pia. Temari tinha até mesmo mais do que ele! De cores opacas, vibrantes, com brilho e sem brilho, cremosas e com efeito seco! Todas de qualidade e com uma excelente cobertura (alguém chama ele para ser o garoto propaganda dos produtos Ivone).

Demorou até que ele se decidisse qual usar entre todas as opções, mas o item escolhido foi um batom vermelho com pequeninos brilhos dourados. Ficaria ótimo para a ocasião!

“Certo, agora só me concentrar e terminar logo is...”, antes de qualquer outro pensamento, ele ouviu batidas na porta. Um gelo subiu sua espinha e ele começou a preparar uma desculpa qualquer:

— Está ocupado!

— Eu sei, idiota! — a irmã retrucou — Esse é o meu banheiro, a única pessoa que pode ocupar ele sou eu! — mais algumas batidas na porta foram ouvidas.

— Mas o meu está com um vazamento e...

— E EU OUVI VOCÊ CANTANDO NO BANHO E SEI QUE JÁ TERMINOU! — agora sim Temari parecia mais uma fera do que qualquer outra coisa — EU PRECISO USAR O BANHEIRO!

— Espera só mais um pouco, jaan! — o irmão implorou, notando a maçaneta começar a se mexer e lembrando-se que não havia trancado a porta.

— SAI LOGO E ME DEIXA EM PAZ! — ela entrou.

Vendo o jeito que o irmão estava vestido e sua boca pintada de vermelho, ela não aguentou manter a ira e começou a rir, abraçando-se. O mais novo tentou falar alguma coisa, mas estava tão envergonhado com as circunstancias e tão atrasado que não conseguiria pensar em nada para explicar-se.

— Te-Temari... Eu... — os olhos estavam arregalados, enquanto ele tentava com muito custo acabar de fechar o roupão ou tampar as pernas.

— Só sai... — a irmã disse entre as risadas — sai daqui antes que eu faça xixi nas calças! — ela chegava a estar com os olhos marejados de tanto rir.

Sem pensar duas vezes, Kankuro correu em disparada para o quarto e acabou sua pintura, havia levado o batom consigo. Nem quis secar melhor o corpo antes de vestir suas típicas roupas escuras. Estava andando tão apressado agora que nada e nem ninguém poderia atrapalha-lo, ou melhor, uma coisa poderia.

“Eu preciso ir no banheiro...”, os passos foram desacelerando e ele começou a olhar em volta. O banheiro mais próximo estava a vários e vários corredores de distância. “Droga, como eu estou tão apertado do nada!?”.

A cada segundo ele imaginava mais e mais água, o que só dificultava se concentrar em achar um banheiro. Já sem conseguir dar um passo se quer, Kankuro estava apoiado na parede e se contorcendo como uma minhoca. No ápice de sua necessidade por um banheiro, ele resolveu improvisar com um grande vaso de plantas que havia no corredor.

“Ninguém nunca vai saber, jaan...” pensou ele, extasiado por finalmente sentir o liquido deixando o seu corpo.

Por mais improvável que possa parecer, por aqueles corredores que ninguém passava, Kankuro começou a ouvir passos. Passos apressados. Passos que se aproximavam dele!

— Kankuro! — aquela voz vinda do outro estremo do corredor... Gaara.

— S-Sim? —  o mais velho não ousou fazer movimentos bruscos, apenas acabou e cobriu-se, fingindo que estava apenas olhando a planta decorativa.

— Sabe que está atrasado e fica perdendo tempo com as plantas?

— E-Er... Eu só estava achando estranho terem molhado ela a essa hora, só isso... — sorriu sem jeito, encarando finalmente o irmão.

— Molharam ela? — o ruivo pareceu pensativo, se aproximando ainda mais dele e olhando a planta também — Que estranho...

— É... Estranho, né? — Kankuro deu um sorriso sem graça — Vou indo, nos vemos por ai! — deu algumas tapinhas nas costas do irmão e saiu o mais apressado possível de lá.

“Que a pobre plantinha sobreviva, jaan!”.

Novamente, Kankuro andava apressado para finalmente chegar ao seu destino: a zona de treinamentos. Lá havia apenas duas pessoas, comentando algo entre si, mas assim que o notaram se aproximar, encerraram a conversa e jogaram para ele um pergaminho grande:

— Está atrasado para o treinamento, sabe que eu odeio esperar! — Sasori parecia irritado, apesar de manter a postura calma.

— Isso no seu rosto é brilho? — a velha Chyio perguntou, espichando os olhos e encarando Kankuro.

— Q-Que? Claro que não! — ele virou-se de costas, esfregando a mão no rosto e realmente comprovando que a tintura era brilhosa — De qualquer jeito, vamos logo com isso, jaan! — sorriu.

Os outros dois também sorriram ao notar o empenho em ser um marionetista que Kankuro estava tendo.



Notas finais do capítulo

Link: https://www.youtube.com/watch?v=8OZCyp-LcGw
Espero que tenham gostado!



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