Sonhos de Grãos de Areia escrita por LaviniaCrist


Capítulo 19
Controlado


Notas iniciais do capítulo

Não faço ideia do motivo, mas Temari é sinônimo de Tango!
Indico a música El Choclo, tocada por Eduardo Rojas.
Capítulo ainda não editado, pode conter erros.

Tive alguns problemas em tentar colocar a imagem do capítulo, então aqui está ela (não que eu tenha achado ela procurando por SasoGaa nem nada assim, eu nem sou louca em yaoi...): https://scontent-sea1-1.cdninstagram.com/vp/0c3a4eba32fe1d3b3c46c4d5a2c1e89a/5BE26EC5/t51.2885-15/e35/23164636_726883424178777_718815824126672896_n.jpg?se=8&ig_cache_key=MTY0Mjk0NjU2NjU1NjA2ODcwMA%3D%3D.2



 

 Temari olhava para o irmão mais novo, admirando a beleza medida perfeitamente conforme a seriedade, ele merecia melhor que ninguém o título de “Príncipe das Areias”, tanto por sua nobreza de alma quanto pelo poder mais importante de todos e que havia conquistado: o poder da confiança que as pessoas depositavam nele.

Agora, a loira encarava o outro irmão: um rapaz bonito, sério, que conseguia se tornar um bêbado irritante na mesma medida. Kankuro segurava sua marionete de cabeleira ruiva, uma de suas armas mais poderosas e, mesmo com a fala embolada, tentava explicar aos dois o motivo de querer tanto dinheiro para investir naquele amontoado de madeira.

— Não posso gastar com bobagens, Kankuro.

— Bobagenx? — o mais velho ficou realmente ofendido — Extá chamano o Sasori di bobage?

— Não, estou chamando os gastos excessivos com ele de bobagens! — sério — Kankuro, vá tomar um banho frio, beber um chá, conversamos amanhã de manhã...

— Quem disse qui eu preciso di banho? — por mais maldade que fosse, a cada palavra errada que Kankuro pronunciava, Temari se contorcia para não deixar as risadas fugirem.

— Você não deve ter se contentado em beber, daí decidiu tomar um banho de álcool!

— Atia fogo em... tão!

— Bem que eu gostaria, mas você é nosso irmão e queremos te proteger — finalmente Temari se pronunciou — a irmãzinha leva você e põe pra dormir, vem! — ela levantou-se e estendeu a mão.

— Tema... Ele não quix... Ajudar eu... — enquanto era levado pela irmã, o mais velho continuava a resmungar coisas sem sentido e choramingar, apontando na direção de Gaara.

Antes de chegarem na porta do quarto, Kankuro já estava adormecido e andando voluntariamente conforme a irmã o apoiava. Ele não costumava a chegar nesse estado, mas as várias recusas de Gaara em financiar os novos “artigos” de melhoria dele estavam o deprimindo. Por um lado, Temari concordava que nunca era demais investir em segurança, mas por outro, entendia que Gaara não podia gastar além da conta.

— Chegamos, idiota... — ela falou baixo, dando um leve empurrão para que o irmão fosse para a cama. — Boa noite, Kankuro.

— Noite... — o rapaz murmurou subindo na cama como podia e se enrolando em seus cobertores.

.

.

.

Voltando para o escritório do caçula, Temari ouviu uma discussão acalorada e alguns objetos se chocando contra o chão. Apressou os passos e entrou no cômodo enquanto puxava o seu leque, afinal, onde poderia ser além de lá, com todos dormindo? Quem mais poderia estar envolvido além de seu irmão? Estavam tentando sequestra-lo ou algo assim!?

— Gaara! — ela gritou enquanto, com um pontapé, abriu a porta.

— Ótimo, mais uma para ficar contra o Kankuro!

Ao ouvir aquilo, a loira sentiu até mesmo os cílios se arrepiarem: quem estava falando, ou melhor, quem estava gritando e andando pela sala esbanjando vida, era Sasori.

— Não estou contra o meu irmão, só não vou continuar bancando os seus experimentos sem fundamentação! — o ruivo estava de pé, visivelmente irritado.

Notando o estado da garota, Sasori revirou os olhos e apontou com o queixo para uma cadeira. Parecia tão real que, mesmo não tendo o conhecido em “carne e osso”, Temari poderia jurar que ele era exatamente assim.

Ela sentou-se, respirou fundo algumas vezes e encarou os dois ruivos a sua frente, esperando por respostas.

— É ele quem está controlando o Kankuro! — o Kage apontou para o outro — Notou como ele anda estranho desde que concertou essa maldita marionete!? Esse verme está fazendo com que o Kankuro dê continuidade aos estudos dele!

— O-O... O Kank-kuro ele... Ele? — estava nervosa demais para conseguir acabar a frase.

— Não, está mais vivo do que eu. — Sasori sorriu da forma mais debochada que conseguia — E eu não estou controlando ele, pelo menos, não do mesmo jeito que sou controlado... Apenas dou algumas ideias, coisas vagas, sobre como ele pode usar os venenos.

— Está controlando a mente dele, eu conheço o... — antes de qualquer coisa, Gaara foi interrompido.

— Conhece o seu IRMÃO? Sim, porque não precisa ficar chamando ele apenas de KANKURO... Ou IDIOTA — nesta última, ele encarou Temari — Sabia que ele se importa em ser aceito como o seu irmão? Sabia que ele queria ser, antes de qualquer líder de qualquer coisa, ele queria ser importante para você como um irmão mais velho? Sabia!? — a marionete bateu as mãos na mesa — Eu sei mais sobre ele do que vocês! EU SEI O QUE ELE QUER!

— Você está fazendo ele achar que quer o mesmo que você! — Gaara também bateu as mãos na mesa, no limite da calma.

— CHEGA! — a loira se levantou, surpreendendo os outros dois — Tudo bem que o Gaara não saiba como agir em família, mas isso não te dá o direito de...

— De me importar com o pobre e abandonado Kankuro? — novamente um sorriso debochado foi dado por Sasori — Você não fica atrás... Aposto que levou ele para o quarto apenas para não ter que ouvir mais nada, aposto até mesmo que jogou ele por lá, simples assim.

— Eu não admito que...

— Ele tem razão, Gaara. — Temari suspirou — Talvez realmente eu não dê tanta atenção para ele, mas o que isso tem relação com você?

— Tudo.

— Tudo?

— Tudo. — Sasori repetiu.

— Não me leve a mal, mas para alguém que matou a própria avó, você não é exatamente o cara ideal para se envolver nisso...

— Ele está matando o Kankuro aos poucos também! — o Kazekage acusou.

Risadas escandalosas e desajustadas sucederam os poucos segundos de silencio que aquela acusação gerou. Sasori parecia mais um louco... Ele realmente não ligava para Kankuro ou para qualquer outra pessoa, algo de errado havia ali!

— Bem, qualquer hora ele pode errar a garrafa de bebida pela de veneno, pode ter as linhas cortadas em meio a uma luta séria, pode até mesmo ser empurrado escada abaixo... São tantas possibilidades... — a voz saia fria, assim como o olhar, de modo que não eram apenas “comentários” e sim ameaças.

— Seu miserável! — Temari ameaçou pegar o leque, mas parou de conseguir se mover pouco antes de alcança-lo.

— Que bela marionete eu acabei de conseguir... — ele sorriu.

— Eu entro em acordo, solte-a. A voz de Gaara era séria. Ele sentou-se novamente e começou a escrever algo, evitando olhar para a irmã ou para Sasori.

— Não... Gaara, não!

— É sempre assim... Da última vez, Kankuro quase foi morto em uma batalha.

Sim, ela chegou a se lembrar do irmão chegar ferido e seus subordinados nem acreditarem em como ele ainda estava vivo. Fazia sentido que a dificuldade nas lutas aumentasse conforme ele fosse promovido, mas agora fazia ainda mais sentido.

— Então...

— Já tentei contar a ele, conversar, até mesmo o afastar dessa marionete, mas nada adianta...

Enquanto Temari sentia ser liberada, ela conseguiu notar Sasori se aproximando de Gaara. Ela pensou em pegar o leque e ataca-lo, mas julgou ser perigoso demais fazer algo contando apenas com sua agilidade contra as estratégias do escorpião.

— Que fofo, está com ciúmes do irmão? — o ar de arrogância em Sasori deixava aquela fala amedrontadora, de certo modo — Você é tão fofo que dá vontade de apertar, sabia? — uma risada maníaca ecoou pela sala, enquanto ele segurava o rosto de Gaara pelo queixo, apertando — Ama o seu irmão?

Temari sentia, novamente, até os cílios arrepiados com aquela cena. Seu irmão mais novo estava encurralado, na sua frente, e ela não conseguia fazer nada... seu irmão mais velho estava dormindo e, a qualquer momento, aquela criatura peçonhenta poderia tomar o controle dele!

Um murmúrio curto e irritado saiu entre os dentes do Kage, enquanto sua areia começava a sair da pequena cabaça.

— Quer brincar de areia? Eu posso usar a minha a qualquer momento. — ameaçou o mais velho, pegando com a mão livre um pergaminho escrito “Três”.

Temari ficou ainda mais espantada quando viu a areia do caçula recuando para o recipiente do qual saiu. Ela não conseguia nem respirar direito pelo nervosismo, tudo o que fez foi dar alguns passos para trás e tentar se concentrar e armar um plano.

— Eu não gosto de perder tempo! Responda: ama o seu irmão?

— AMO!

— Muito bem, você vai falar isso para ele assim que o vir, entendeu!? — com certa brutalidade, Sasori tirou a mão do rosto de Gaara — Então acabe logo de assinar isso enquanto a Temari-chan chama o seu irmãozinho para você dar as novidades — os olhos castanhos encararam a loira.

— E-Eu...

— Você também ama o seu irmão, certo? — ao receber um aceno positivo, ele continuou — ENTÃO VÁ!

.

.

.

Sentindo medo de deixar os dois ruivos sozinhos naquela sala, ela tinha ainda mais medo de desobedecer e colocar qualquer um de seus irmãos em risco. Com muito custo, ela conseguiu tirar o irmão da cama e empurra-lo até o escritório novamente.

— Temari... Quer dormir, eu...

— Por favor, Kankuro! Só mais alguns passos, por favor!

— Pra quêêê? — o rapaz empacou bem na porta.

— Porque tem uma surpresa enorme pra você lá dentro! — com muito custo, ela forçou-se a parecer feliz e animada — Vamos?

O irmão sorriu e entrou na sala, onde tudo parecia estar exatamente como antes. Os três irmãos estavam sentados como antes, Sasori era novamente uma marionete e, agora bêbado de sono, Kankuro falava embolado.

— Por que...

— Amo você, Kankuro. — A garota encarou o caçula, esperando que ele falasse logo o “Eu te amo” assim como ela.

Contraditório aos pensamentos da irmã, o ruivo apenas a encarou sem entender absolutamente nada, antes de pigarrear e começar a falar.

— A resposta é não, Kankuro. Não vou arcar com as suas pesquisas e...

— Vamos arcar sim! — com os olhos arregalados, a loira quase caiu da cadeira quando ouviu aquilo — Não importa como, vamos arcar com tudo porque amamos o Kankuro e queremos ele bem, certo? — ela mirava o caçula e a marionete, trocando de um para o outro rapidamente.

— Ti fofinha... — Kankuro sorriu, dando alguns tapinhas no topo da cabeça da irmã e bagunçando os fios loiros.

— Temari, você está bem?

— Quem não está bem é você! Precisamos aceitar isso ou ele... — ela encarou o boneco e, em seguida, se aproximou mais de Gaara — ele vai matar o Kankuro — sussurrou.

A mais velha poderia jurar que viu o caçula quase perder a compostura e dar uma gargalhada, quase.

— Temari, o Sasori não vai fazer nada porque ele está morto... — explicou.

— Max vivi em meu coração e no coração de todo os mestre di marionete! — completou Kankuro, abraçando sua arma letal como se fosse um amigo de longa data.

— Mas e as ameaças!? E tudo!? Foi agora a pouco, eu não acredito que você... — antes de poder acabar de se explicar, ela foi interrompida.

— Quando você tirou um leve cochilo achando que eu não iria perceber? — o ruivo arqueou a sobrancelha — Estava sonhando, deve ser apenas isso...

— Estava dormindo, você!? — Kankuro apontou para a irmã, dramático — nem parece que me ama... — choramingou.

— Você nem faz ideia do quanto, idiota! — a loira falou mau humorada, indo para o quarto.

Estava cansada física e mentalmente. Não era segredo para ninguém que ela encarava as marionetes do irmão como coisas “estranhas e potencialmente assustadoras”, ficar tempo demais naquela sala com uma tão perto a fez mal.

“... Será que ela faz mal ao Kankuro também? ”.



Notas finais do capítulo

Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=o20YCzej5_s
Espero que tenham gostado!



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Sonhos de Grãos de Areia" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.