Sonhos de Grãos de Areia escrita por LaviniaCrist


Capítulo 2
Controle


Notas iniciais do capítulo

Eu aconselho para lerem enquanto ouvem a música Por una Cabeza de Carlos Gardel,
mas o instrumental apenas (tem o link dela nas notas finais, assim como a cena que me inspirou este capítulo).



Uma mulher loira olhava inquietamente ao redor. A cerimônia de casamento de Naruto e Hinata havia se tornado monótona desde que o moreno, com quem ela havia passado a maior parte do evento de mãos dadas, fora pegar uma bebida e simplesmente desapareceu no meio das pessoas.

Ela analisou minuciosamente ao redor, notando uma pequena aglomeração, provavelmente eram pessoas interessadas em dançar assim que a banda começasse a tocar algo. Reparando um pouco melhor ela notou um homem de cabelos escuros e espetados, que nunca indicou o menor talento sobre passos de música.

Por que está ali?

Foi tudo o que passou pela mente de Temari enquanto ela começou uma caminhada graciosa e lenta em direção a ele, ao mesmo tempo que a os instrumentos começaram a ser tocados, em um ritmo delicado.

Ninguém se mexia, apenas encaravam a loira se aproximar.

Quando ela finalmente estava com Shikamaru à uma distância curta de si, quando tudo o que ela precisava era estender a mão ou chama-lo, todos decidiram se mexer ao mesmo tempo, fazendo-a perde-lo de vista mais uma vez. O mais estranho não foram os movimentos sincronizados de todos, que mais pareciam cartas se embaralhando sobre uma mesa, mas sim que, ao final, todos formaram uma roda em volta dela.

Os olhos verdes encararam as pessoas com certa impaciência.

Temari pôde reconhecer Yoshino, a mãe de Shikamaru, e suas amigas inseparáveis: as mães de Ino, Choji e Sakura. Estas, estavam ao lado dos filhos, respectivamente. Ela também reconheceu Gai sentado em sua cadeira, Tenten logo atrás dele e Rock Lee, ao lado de seu mestre.

Ela deu alguns passos em volta, se sentindo uma doninha encurralada.

Finalmente notou seus irmãos, um ao lado do outro. Temari percebeu que, assim como todos, eles mantinham o olhar fixado nela e ao mesmo tempo com aparência de vazio.

Algo de errado estava acontecendo!

— Ei, Kankuro. — ela tentou falar baixo, sentia que a qualquer momento todos iriam começar a se mexer de novo — Viu o Shikamaru?

— Já vai começar... — ele respondeu praticamente em um sussurro, sorrindo de canto.

— O que vai começar? — por alguns segundos ela encarou o irmão do meio, depois desistiu e fitou o mais novo — Gaara?

— Melhor se preparar. — a resposta foi curta e imprecisa.

Me preparar para que? Eu já estou preparada para o que for!

Ela deu uma pisada no chão, irritada, apontando para os dois e pronta para desferir ofensas, quando se recordou que estava sendo observada por todos ali. A loira bufou tentando manter a raiva em controle e voltou a andar, circundando aquela roda de pessoas.

Os olhos verdes fitaram um pouco mais sérios para a senhora Nara. A mulher, assim como as amigas, olhavam para Temari e cochichavam algo entre si, chegando a soltar alguns sons baixos que evidenciavam a vontade delas de rirem

O que pensam que estão olhando?

Aquilo foi o bastante para a paciência da Sabaku acabar e ela decidir encerrar aquele joguinho. Ela virou-se na direção de onde tinha vindo, ficando surpresa ao notar Shikamaru atrás de si.

Ele apenas sorriu e estendeu a mão para ela.

O ritmo da música mudou de uma calmaria singela para uma agressividade apaixonante, dramática e sensual... Tango!

Haviam tantas perguntas que ela queria fazer, tantas reclamações, tantos golpes que ela queria lançar contra ele, mas o corpo fazia exatamente o contrário, como se estivesse sendo controlado pelo ritmo da música.

Ela se aproximou e os dois entrelaçaram as mãos direitas enquanto se abraçavam com as esquerdas. Ela encostou a testa no queixo dele, corando levemente por fazer isto. Os passos precisos pareciam ensaiados incessantemente, mesmo que fossem improvisados. Eles caminhavam em meio à roda enquanto dançavam.

Mesmo Temari sentindo o corpo ser controlado, era ela quem estava no controle. Ao menos, foi isso o que a loira entendeu, já que a cada pequena mudança que ela fazia, Shikamaru se desdobrava para acompanhar em meio aos passos de dança.

É tango, afinal de contas!

Ela encarou Yoshino com um ar vitorioso. A loira sorriu de canto, ainda mais provocativa, enquanto fazia movimentos perfeitamente executados, como um leve rebolado entre os passos, giros em que ela e Shikamaru aproximavam-se ainda mais ou se separavam por completo e, até mesmo, se abaixar lentamente deslizando a perna esquerda entre as pernas de Shikamaru, sendo apoiada por ele.

A feição da futura sogra de Temari era um misto de surpresa e agrado. Ela parecia realmente emocionada em ver o filho dançando, mesmo que no começo não estivesse levando Temari a sério. Por outro lado, as amigas dela continuavam um tanto insatisfeitas... provável ser algo sobre Shikamaru ser um bom pretendente ou apenas questões diplomáticas entre os clãs.

A música começou a ficar mais lenta, com um ar dramático enquanto a dança de Temari e Shikamaru continuava com movimentos precisos, harmoniosos e com pitadas de sensualidade.

Em um dos últimos movimentos, os dois quase se separam completamente, ficando afastados ao máximo enquanto tocavam apenas as pontas dos dedos um do outro. Em um movimento rápido e cuidadoso, o Nara puxou a pretendente a namorada para perto, abraçando-a pela cintura e aproximando os corpos ao máximo.

Não pense que é o único que sabe fazer coisas inesperadas...

A loira sorriu de canto, provocativa, levantando uma das pernas e abraçando-o pela cintura com ela. Ela só não esperava que fosse ter como resposta Shikamaru se abaixando um pouco mais, a puxando para si e fazendo-a se abraçar ainda mais a ele.

Os dois estavam cara a cara, na mesma altura de olhares em um misto de desejo e luxuria. Aquela música, as pessoas, nada mais importava agora, desde que ambos se beijassem.

Eles aproximaram um pouco mais os rostos.

Os corações estavam acelerados, tanto pelos movimentos da dança quanto pelas vontades que tinham.

Conseguiam sentir a respiração um do outro.

Palmas.

Tanto Temari quanto Shikamaru foram tirados do transe por sons de palmas.

Olhando em volta, os dois notaram que ainda eram observados por todos e estavam recebendo aplausos. A senhora Nara foi quem começou com a comemoração, alegre, comentando algo de maneira entusiasmada para as amigas.

Temari olhou novamente para Shikamaru, enquanto se separavam e ficavam de pé. O olhar agora não era tão atrevido, as bochechas estavam ficando vermelhas e a onda de desinibição havia passado, tanto para ele quanto para ela.

Então foi isso...

A mulher suspirou, pensando se a continuação daquela dança iria ser em breve, mas um gesto por parte do moreno a tirou dos devaneios: ele, sem nem mesmo se dar conta, havia entrelaçado os próprios dedos nos dela, agora os dois estavam de mãos dadas.

Aquilo fez com que Temari ficasse ainda mais vermelha, sem saber como reagir e nem como alinhar os pensamentos de novo, não que fosse necessário, já que ele estava finalmente tirando-a daquele cerco de pessoas.

A música acabou com um toque de graça e elegância, enquanto os dois caminhavam de mãos dadas.

Aquele sonho delicioso e melódico iria terminar de uma forma bem mais intima e interessante, do ponto de vista de Temari, se não tivesse sido acordada de abrupto por um grito que ela julgou ser de Kankuro, provavelmente irritado por colocar uma peça do jeito errado em uma marionete.

Ela nem se deu ao trabalho de ficar irritada, muito menos de ir ver o que havia acontecido. Ela apenas se aninhou na cama, abraçando um dos travesseiros e soltando risadinhas como se fosse uma garotinha entregue à primeira paixonite.

Como será que ele dança?

Aquele pensamento avivou o brilho dos olhos verdes, enquanto ela tentava não soltar risadas enquanto imaginava os dois tentando dançar e tropeçando um no outro... Caindo... Os dois rolando no chão, rindo e se xingando, até que ficam com os olhares vidrados um no outro e...

— Temari, está acordada ainda? — a voz de Kankuro pareceu um choramingo, vindo do lado de fora da porta.

— Não! Estou tendo um pesadelo com você, idiota! — ela esbravejou, afundando o rosto no travesseiro.

Nem que custasse uma noite inteira de sono perdido, mas pelo menos em sua imaginação ela iria conseguir um beijo de Shikamaru.



Notas finais do capítulo

Link da música (me inspirei nesta dança): https://www.youtube.com/watch?v=Gcxv7i02lXc
Link da música original: https://www.youtube.com/watch?v=SJ1aTPM-dyE
Espero que tenham gostado!
Para o próximo capítulo, vocês preferem um sonho ou um pesadelo para o Kankuro?
Sugestões, dicas, críticas e observações são muito bem-vindas.
Quem se interessar em ler mais de minha autoria enquanto não posto o próximo capítulo, tenho outras fanfics: Gaara Chibi, Crime das Flores e Guia Gejimayu: como viver em tempos de paz!



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