Sword Art Online - Imergentes escrita por And990


Capítulo 4
A Devoradora - Parte 2 (final)


Notas iniciais do capítulo

Fala aí, galera! Sorry, não posto um capítulo há muito tempo, mas é porque estou me revezando entre essa história e Black Wings, a minha original, e mais outras coisas dessa vida... de todo modo, espero que gostem da conclusão de A Devoradora, e se preparem, porque eu já tenho completa a próxima aventura de Andy Stewart (ou Devil Hunter...)

Glossário: Inventário - conjunto no menu de todos os itens possuídos pelo jogador
Snipers - atiradores de baixa cadência e longa distância
zona crítica - última parte da vida de um monstro ou jogador. Varia de dez a vinte por cento.
Congratulations - "parabéns". mensagem recebida ao derrotar um boss.
Deslogar - sair do jogo.
Replay - "reiniciar" em inglês.



Caminhei por entre as rochas negras um bom tempo. Em determinado ponto, comecei a notar pequenos filetes de lava que corriam pelo chão, provavelmente afluentes de um rio maior. Comecei a ficar empolgado.

A estrada de repente desceu uma grande depressão, e no fundo dela havia uma correnteza de lava pura com uma ponte que a atravessava. Do outro lado havia um desfiladeiro de uma segunda chapada, com a depressão entre as duas.

E imóvel, preso na parede oposta como se fizesse parte dela, havia um monstro.

Conforme eu me aproximava, ele despertava. Era uma espécie de face gigante com olhos como fendas de magma puro e uma boca com dentes grandes e afiados de onde escorriam filetes de fogo pelo rosto e pelo chão. Possuía dezenas de garras gigantescas e muito longas brotando da cara e em torno dela, como patas de uma aranha. Provavelmente era aquilo que me faria em pedaços.

Por um momento, fiquei admirando a ideia. Era um boss totalmente novo. Imóvel, era você que tinha que ir até ele e destruí-lo, mas parecia mais provável que ele te destruísse.

Enquanto eu avaliava, ele soltou um urro gutural. Acho que era o sinal indicando que a batalha começara. Rapidamente, guardei o machado e saquei minha espada principal, uma lâmina de um tom de roxo muito próximo do preto, recoberta por vinhas com espinhos, com uma empunhadura curta. O monstro cuspiu um tiro de lava muito rápido e preciso, que por pouco não me atingiu.

Ergui a espada, e corri pro ataque.

Rapidamente, duas garras das mais longas bloquearam meu caminho. Cortei duas vezes em diagonal, e elas não foram decepadas, mas cederam e me deram passagem. Em seguida, ele tentou me golpear de cima pra baixo, e eu aparei por pouco. Enquanto a garra de cima me pressionava contra o chão, duas laterais vieram focando meu tronco. Soltei a de cima, deixando que se prendesse no chão e golpeei as de baixo, esquerda e depois direita.

Novamente, avancei. Dessa vez, ele tentou me derrubar lançando uma das garras contra minhas pernas como se fosse um chicote sólido. Eu reagi pulando a tempo por cima dela, mas então outra veio me empalar de frente. Consegui bloquear usando a lateral plana da lâmina, mas a força me empurrou de volta todo o caminho que eu progredi com dificuldade.

Caí no chão com um baque doloroso, tão longe que escapava o alcance de suas garras mais longas. Dessa vez, ele não cuspiu, só me encarou como que para ver como eu ia reagir.

Respirei fundo, e ri. Gargalhei. Quando levantei ergui novamente a espada e dei meu melhor sorriso de escárnio.

— Manda ver! - gritei, e voltei ao ataque. A duros golpes, tentei progredir contra a massa de garras que me atacava. Eram resistentes demais, mas depois de algumas tentativas e prevendo alguns dos golpes, consegui cortar algumas. Mas não parecia me ajudar em nada. Era melhor mirar aquele rosto horrendo, alcançá-lo e fazer picadinho dele.

Mas falar era fácil. Deixando a adrenalina tomar conta do meu corpo, aumentei a velocidade e a força, chegando a percorrer uma boa distância mesmo contra os golpes poderosos.

“Mais… mais! Me mostre o que sabe!”

Cima. Baixo. Esquerda. Na frente. Com mais algumas evasivas e bloqueios, finalmente cheguei ao seu rosto e, triunfante, desferi um Double Slash com toda a minha energia. O sinal de X arroxeado por conta da habilidade da lâmina ficou grafado no rosto do monstro, marcando-o de cima a baixo.

Mas ele reagiu: protegeu seu rosto com suas garras mais curtas e depois me empurrou com elas, com toda a força.

Caí no chão quase fora do seu alcance. Quase. Um dos membros mais longos veio direto na minha direção.

“Já era. Perdi.”

Mas a garra perfurou minha espada ainda na minha mão, transformando-a em fagulhas luminosas.

Recuei o quanto pude. Por quê? Por que a minha espada? Ele podia ter me perfurado entre os olhos, se quisesse.

De repente, as peças se encaixaram na minha mente. Dano absurdo. Espadas destruídas. Inventários acabando. Mas os snipers… eles não tinham perdido seus equipamentos…

As garras.

As garras deviam ter alguma Monster Skill, uma habilidade que, de alguma maneira, as permitia esgotar a durabilidade de um item em pouco tempo. O monstro não tinha um dano extraordinário. Tanto que eu tinha ferimentos, e ainda me restava muita vida.

Levantei e equipei novamente a espada medieval. Agora eu sabia o que tinha que fazer. E tinha que ser rápido.

Voltei ao ataque. A empunhadura de duas mãos reduzia incomodamente meu alcance, mas a força de meus ataques aumentou. Usei essa vantagem pra ganhar terreno. Novamente alcancei o rosto da criatura. Ela reagiu protegendo-o com as garras menores. Dessa vez, não dei tempo pra ela me empurrar. Ataquei com tudo.

Precisei chegar perigosamente perto, mas golpeei com tanta energia que ela não teve tempo de revidar.

“Mais forte… mais rápido… mais forte… mais rápido… mais forte… mais… RÁPIDO!”

Finalmente, consegui. Cortei de uma vez só todas as garras menores que o monstro usava pra proteger o rosto. Agora, ele estava vulnerável.

Infelizmente, não tive tempo de me aproveitar dessa vantagem. Com a lateral de uma garra mais longa, ele me golpeou no estômago, novamente me arremessando. Ainda no ar, ele me acertou com um segundo golpe, que além de destruir a espada, abriu um corte no meu rosto.

Caí no chão girando, já me preparando pra levantar. Dessa vez, ele não me deu tempo: cuspiu um tiro de magma na minha direção.

Numa fração de segundo, equipei o machado e golpeei o disparo. Depois, verifiquei a durabilidade do equipamento. Praticamente não tinha baixado. De fato, o efeito era exclusivo das garras.

Voltei ao ataque. O problema é que era ainda mais difícil mover o machado em alta velocidade do que a espada de empunhadura dupla. Fui golpeado algumas vezes tentando abrir caminho, até que tive outra ideia. Pelo menos, fazia uso do dano da arma.

Me agachei enquanto corria, tentando atrair um golpe de cima pra baixo. Consegui. Subi pela garra do Devorador, agora presa na minha frente, tomei impulso e pulei. De lá, tinha uma linha de fogo livre. Arremessei o machado girando, e consegui acertar o rosto do monstro de novo. Enquanto eu recuava, ele o arrancou com uma garra, jogou contra o chão e o destroçou com um único golpe de várias delas.

Só mais três armas. Era a hora da minha última cartada.

Recuei novamente, abri meu inventário e saquei uma espada muito longa que lembrava uma de esgrima pelo formato. “Tudo bem, Kizaki, vamos ver se essa lâmina é tudo que você me disse…”

Avancei de novo. Usar uma empunhadura única novamente, ainda tão leve, era libertador. O monstro me atacou frontalmente com um golpe de três garras. Consegui bloquear as três, embora tenha sido empurrado um pouco pra trás. A espada deixava a desejar em força… então eu resolvi fazer uso da velocidade.

Novamente, avancei pra cima do monstro lutando contra a onda de golpes que ele me desferia. Sua vida já tinha caído o suficiente para que seu padrão de ataque aumentasse, tornando seus golpes ainda mais rápidos e fortes.

Mas agora de ânimo renovado, minha energia voltou. Fui bloqueando e contra-atacando enquanto avançava, e os meus golpes se tornaram borrões indistintos pela alta velocidade. Ali, já não havia teoria ou técnica, era puro instinto e reflexos.

Desviando, bloqueando, girando e cortando, eu ganhei território sobre o monstro, até seu rosto estar novamente a meu alcance. Enquanto ele tentava me fazer recuar com as garras que ainda estavam entre mim e ele àquela altura, eu consegui manter um ritmo de um golpe a cada dois bloqueios. Dessa forma, feria a criatura cada vez mais. Finalmente, usava a vantagem que acumulei ao longo da luta.

Mantive esse ritmo de bloqueio-bloqueio-corte o máximo que pude. Consegui ferir muito o monstro. Mas quando ele já tinha entrado em zona crítica, uma sequência de três golpes frontais que eu não tinha visto até então jogou a espada pra longe de mim. Depois de destruí-la, ele me deu um golpe duplo, novamente me isolando.

Embora ele estivesse a menos de dez por cento de vida, eu já estava abaixo de trinta. Mas o problema maior era que minhas duas últimas armas eram um sabre mediano e a ridícula adaguinha inicial do jogo.

Mas tinha chegado muito longe pra desistir. Tomei minhas últimas poções de cura, equipei o sabre e voltei a atacar.

Agora, já me sentia cansado, física e mentalmente. Avançar contra aquele ritmo de golpes foi um tormento total. Quando finalmente alcancei seu rosto, já não me sentia inteiro.

Cortei duas vezes em diagonal, e depois uma terceira. A vida dele já era quase zero. Eu já me via vencedor.

“Só…”

“Mais…”

“Um…”

Mas meu último golpe não aconteceu. No lugar disso, senti uma pancada no estômago, depois duas no rosto, e uma garra perfurou minha coxa esquerda. Depois de mais dois golpes, o monstro finalmente me isolou, destruindo meu sabre contra o chão.

Acabou. Tudo acabado.

Levantei e abri meu inventário, não conseguindo fazer nada além de encarar, incrédulo. Era isso? O resultado de todo o meu treino!?

Saquei a adaga pouco maior que meu punho. O monstro me atacou, e eu bloqueei com a parte plana.

Só por curiosidade, chequei a durabilidade. Mas só então me lembrei.

Não havia durabilidade.

Aquela arma foi feita pra você conseguir todas as outras, com o tempo. Por isso não tinha limite, caso contrário, você poderia ficar completamente desarmado.

Encarei novamente a criatura. Minha vida estava a menos de dez por cento. Eu tinha uma chance. Era tudo ou nada.

Corri.

Depois de tanto tempo lutando com aquela coisa, percebi que tinha involuntariamente incorporado seus padrões de ataque. Eu lia seus movimentos com clareza absoluta.

Progredi dessa vez simplesmente correndo. Correndo, desviando, saltando, escorregando e correndo de novo. Só bloqueava os golpes que chegavam mais absurdamente perto.

“Esquerda. Em cima. Rateira. Dois golpes. Sequência de proximidade. Rasteira. Sequência de proximidade, de novo”.

O boss tentou me afastar com um último golpe, usando a garra longa como um chicote de altíssima velocidade e potência, mirando meu tronco. Numa fração de segundo, pulei por cima dela, girando.

E ainda em rotação, cravei a adaga na sua testa, sentindo o choque se espalhar por todo o meu corpo e o do monstro.

Uma vez no chão, encarei, meio incrédulo e absolutamente extasiado, as rachaduras brancas se alastrarem pelo rosto do boss, e depois ele explodir em fagulhas incandescentes.

Gostaria de dizer que eu levantei e guardei dramaticamente a adaga, mas não dessa vez. Dessa vez, eu desabei de joelhos no chão.

Encarei o letreiro de “congratulations”. Depois, recebi a notificação de que “A Devoradora” foi adicionada ao meu inventário, e os dados da espada.

Foi paixão à primeira vista. “Empunhadura única”. “Elemento: fogo”. “Requisito: Força 38”. “Efeito: Consumir (Consumir: Impactos com o fio da lâmina reduzem a durabilidade da arma em contato proporcionalmente à força do choque)”.

Nem voltei à hospedaria. Desloguei ali mesmo.

De volta ao meu quarto, John, Kizaki e Zeny me cercavam.

— Isso… foi… foda!!! - disse Zeny.

— Ele filmou tudo. Cara, isso vai rolar no feed de notícias do DFD durante um mês… talvez de toda a Web! - disse John.

— Foi incrível, Andy! Nem sei a quanto tempo não vejo um jogador lutar assim… - falou Kizaki.

Enquanto dava replay no vídeo, eu só conseguia sorrir ao me ver lutando energicamente contra a nuvem de golpes que tentava me pressionar.





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