Sword Art Online - Imergentes escrita por And990


Capítulo 3
A Devoradora - Parte 1


Notas iniciais do capítulo

Esse é o começo da primeira grande aventura de Devil Hunter sozinho na realidade virtual e no jogo Demons, Fire and Dragons. Ele está confiante na sua capacidade, mas será que ele é realmente capaz de derrotar o monstro totalmente Over Power contra quem tantos pro-players fracassaram?...

Glossário: pro-player - jogador profissional pago (ou, falado casualmente, simplesmente um tremendo viciado...)
Quest - Missão de um RPG
spawnar - meio que... "brotar". termo usado em RPG's, em geral.
Creep - monstro pequeno, fácil de matar
FPS - Frame Per Second. Também pode significar jogos que exijam reflexos rápidos, quase sempre atiradores em primeira pessoa
Boss - monstro "chefe", difícil de se matar e que oferece grandes recompensas ao ser derrotado
NPC's - Non-player Character - personagem do jogo programado, que não é controlado por um jogador
Menu - quadro que apresenta as opções do jogo como "configurações, volume, gráficos" e etc.
Double Slash - Um dos golpes preferidos de Andy Stewart. Consiste em dois cortes consecutivos em diagonal, deixando uma marca em forma de X no seu alvo.



Eu estava na cozinha, fazendo comida quando Zeny chegou.

— E então... “Devil Hunter”... vai desafiar o monstro agora? - perguntou ele, sarcástico. Respirei fundo, me lembrando, e ri.

— Ninguém nunca venceu uma batalha de barriga vazia. Assim que acabar aqui, sim, vou desafiar a Besta de Magma Invencível Que o Tio Nagari Desenvolveu Bêbado - respondi, citando o que um pro-player de DFD disse sobre um dos desenvolvedores do jogo depois de ser completamente destruído pelo Boss.

E não era pra menos. “O Monstro de Lava”. A quest individual de DFD que nos últimos dois meses inúmeros profissionais do jogo tentaram vencer, e todos falharam. Por orgulho, ou talvez, infantilidade, eu decidi que ia derrotar a criatura de primeira.

“O Devorador”. Esse era o nome do monstro. Supostamente, possuía um dano surreal, algo que fugia totalmente o padrão do jogo. Alguns jogadores disseram que o Boss destruiu metade de seus inventários antes deles. Esgotar a durabilidade de um item a curto prazo exige choques ridiculamente intensos, contínuos, e muito dano. Realmente não acontecia nessa frequência.

Fosse o que fosse, eu decidi que ia descobrir.

— Queimando em três... dois...

— MERDA! - gritei, tirando do fogo os ovos que já começavam a tostar, enquanto eu divagava.

Depois de comer, já ia pro meu quarto quando Zeny me chamou.

— Andy! Boa sorte. Eu vou assistir - disse ele, confiante. Eu sorri de volta, e saí pela porta.

Cheguei, respirei fundo, deitei na minha cama e pus a viseira vermelha, deixando a verde, a azul e a amarela de lado, todas conectadas ao mesmo aparelho.

Deitei na cama, fechei os olhos, e declarei, o mais dramaticamente que pude:

— Link Start!

Comecei a imersão. A tela inicial, as configurações, tudo projetado na minha mente enquanto meus olhos permaneciam fechados.

Depois de tudo escurecer, senti a maciez do colchão embaixo de mim. Quando olhei pra cima, não estava mais no meu quarto, e sim na Hospedaria Diabrete Faminto. Não usava mais roupas caseiras, e sim um traje preto adornado em vermelho que aumentava a força do meu personagem. Não estava mais desarmado, tinha um inventário com seis espadas e alguns itens que seriam trazidos a mim com poucos comandos de mão.

E não era mais Andy Stewart. Agora, eu era Devil Hunter.

Levantei, empolgado, e corri direto pra praça. Lá, aluguei um cavalo e segui a estrada pra fora da zona segura, para as Planícies Devastadas.

A paisagem se substituiu por árvores de aparência carbonizada e arbustos vermelhos. Essa já era uma região de alto nível, e não tardaram a spawnar linces e guepardos exóticos. Consegui evitar a maioria só aumentando a velocidade, mas em determinado momento fui obrigado a equipar uma espada de estilo medieval. Com ela em punho, eliminar os linces ficou fácil. Já começava a diversão.

Depois de alguns minutos cavalgando e me defendendo de ataques, cheguei a um ponto onde o chão passava de amarelo alaranjado a vermelho-escuro. Uma placa dizia “Atenção, viajante! Você está adentrando as Terras Escarlates, lar de Lynferion, Rei dos Diabretes e do Grande Devorador. A partir daqui, é recomendada cautela. Nível mínimo recomendado: 70”.

Sorri, desci do cavalo alugado e o deixei retornar à cidade. Sem cavaleiro, não seria atacado pelos creeps.

Respirei fundo e dei um passo à frente, adentrando o chão cor de sangue seco. Depois de alguns passos, recebi uma notificação: “Terra de Morte: resistência a dano físico reduzida”. Continuei andando. Depois de mais alguns passos, spawnou e me atacou um diabrete de tamanho médio, com garras longas e brilhando num tom alaranjado. Ele pulou rápido, e eu desviei pra esquerda enquanto atravessava seu tronco com minha espada, no tempo de uma respiração curta.

Ele caiu mal, sobre o joelho direito, mas se reestruturou e voltou a me atacar.

“Droga, esse bicho é resistente”. Quando pulou, atravessei ele na altura do peito com a ponta da lâmina. Dessa vez, sua imagem tremeluziu por um momento antes de se desfazer em fagulhas luminosas.

Retomei a caminhada. Os diabretes não spawnavam frequentemente, mas realmente davam um trabalho maior que a maioria dos creeps. Ainda assim, não aguentavam minhas sequências de golpes em arco. Derrotei a maioria com o Double Slash. Por mais rápido que fosse, ainda foi mais divertido que qualquer FPS. Passei aquele tempo de rotina refletindo sobre o quanto eu amo a imersão total.

Cheguei a um ponto onde a estrada de rochas de aparência carbonizada se dividia entre a via principal e uma secundária, que descia o terreno. Dando alguns passos pela secundária, cheguei a uma placa que dizia: “Atenção, inceto inoportuno e inssiguininificante! Eu, o grãde Lynferion, ordeno que dê meia volta e retorne à sua cidadezinha despresível de humanos... despresíveis!”

Lida a placa, me apareceu a notificação: “Missão em grupo: 'O Cruel e Semianalfabeto Lynferion'. Recompensas: 'O Diadema dos Diabretes' e 'Besta Desregulada Flamejante', entre outras. Nível mínimo recomendado: 77. Aceitar?”

Eu encarei por um momento, recordando o dia em que eu, Kizaki, John e Zeny combatemos o boss. Não foi nossa mais gloriosa batalha. Acabamos dependendo de Zeny e seu arco, depois de nós três sermos feitos em frangalhos. Achei meio ridículo. Muito poder para os snipers.

“Mas isso não vem ao caso”. Balancei a cabeça para afastar o pensamento.

Retornei à via principal. Minha presa hoje era outra. E ela já tinha provado que não dava tanto mole pra snipers.

Continuei a estrada. Depois de algum tempo, alcancei o que eu procurava. Uma aldeia de NPC's de aparência desgastada e cidadãos cabisbaixos. Passei pela hospedaria de players, pelo bar e pelas ruas, até me dirigir à praça central. Lá, um cartaz se exibia solitário: “Por favor, guerreiro, nos ajude. Precisamos voltar para o planalto obter mantimentos e recursos, mas O Devorador acordou, e ele vai destruir quem tentar cruzar o caminho. Você pode derrotá - lo?”

Lida a placa, surgiu a notificação: “Missão Individual: 'O Monstro de Lava'. Recompensas: 'A Devoradora' e a eterna gratidão dos moradores da aldeia, entre outras. Nível mínimo recomendado: 80. Aceitar?”

Abri meu menu. Li novamente os detalhes sobre o meu avatar nível 83. Respirei fundo, e aceitei. Recebi a notificação com os detalhes da missão. “Para acordar o Devorador, destrua 30 Bestas de Magma na Estrada Desgastada. Em seguida, dirija - se ao seu covil nas coordenadas indicadas”.

Lendo isso, respirei fundo, guardei a espada medieval no inventário enquanto equipava um grande machado, e segui a estrada de rochas negras saindo pelo lado da aldeia oposto àquele no qual eu vim.

Rapidamente, as bestas começaram a spawnar, principalmente cães e pássaros grandes de fogo. De vez em quando me atacava um tatu mutante de garras afiadas, e eu reclamava por eles não serem do tipo magma e não contarem pra missão.

Lutei com cautela, evitando me queimar. Esses creeps eram ainda mais fortes que os diabretes, mas depois de um bom tempo e muita luta, completei trinta abates. Acumulei um bom ouro e experiência, mas os itens dropados eram meio inúteis.

Enfim, cansado, voltei para a aldeia, bebi água, aluguei um quarto numa hospedaria e deitei uns cinco minutos.

Pra minha surpresa, naquele tempo, um jogador logou naquele fim de mundo e entrou no meu quarto. O nick era The Eye. Zeny sorriu para mim.

— O quê, achou que eu não vinha dar uma checada na região e no boss antes de você aparecer!? - perguntou ele, sorridente. Eu ri de volta.

— Peraí, você... desafiou o boss!? - perguntei. Ele ficou melancólico por um momento.

— Sim, eu lutei com ele. Olha... não fica bolado se não conseguir de primeira. Talvez aquilo seja demais até pra você... - disse ele. Aquilo me assustou. Zeny geralmente era positivo.

Vendo meu rosto, ele retomou a compostura.

— Mas não desanime! O grande Devil Hunter pode voltar pra casa derrotado, mas nunca desmotivado!

Eu ri, levantei e me dirigi à porta.

— Me deseje sorte - disse, antes de sair, fechando a porta atrás de mim.





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