WSU's Aradia - Sangue de Vilão escrita por Leanan Moriartti, WSUniverse, Lex Luthor


Capítulo 5
Capítulo 4 - A Caçadora


Notas iniciais do capítulo

O capítulo ainda não foi devidamente revisado.



Nova Orleans, 2017

June andava com dificuldade pelas ruas cobertas de neve, a roupa de frio atrapalhava sua locomoção bem como sua muleta que por vezes deslizava no concreto dificultando ainda mais o trajeto. A jovem procurava por alguma pista, pois tinha certeza de que os rapazes haviam deixado algo escapar, não que ela não confiasse neles, mas eles não eram lá muito detalhistas.

Sugeriu aos meninos que não contassem a polícia sobre o que acharam na floresta, não ouviu nos noticiários sobre um corpo encontrado na floresta, por conta disso deduziu que ainda não haviam encontrado e que o cadáver ainda estava lá, era arriscado ir, ela sabia que poderia acabar como principal suspeita, entretanto também desconfiava que os investigadores a descartariam quando ficassem a par de sua condição física.

Irritou-se ao lembrar de sua doença e apertou com força o apoio da muleta, o que fez o objeto deslizar no chão e ela cair de costas, ficou por alguns segundos observando a neve cair em seu rosto ao invés de tentar se levantar, ignorou as pessoas que tentavam ajudá-la.

Não havia avisado seu irmão ou sua avó de que iria sair, sentia que eles não se importavam, por isso não quis incomodá-los.

Quando suas costas começaram a umedecer, June respirou fundo e sentou-se onde estava. Sem motivo aparente seus olhos encheram-se de lágrimas, June pigarreou e respirou fundo, segurando o choro. Tentou acalmar-se pensando em que só precisava chegar ao centro da floresta, não era uma floresta tão grande.

Tomou impulso para levantar-se, e por sorte, conseguiu na primeira tentativa. Olhou a sua volta para ver se alguém a olhava, mas a atenção das poucas pessoas que estavam passavam era voltada à uma mulher com poucas roupas que fixava cartazes em pontos estratégicos dos quarteirões.

Não era o biquíni de couro que chamavam atenção, mas as curvas marcantes juntamente com a cor da mulher, as cores de uma cobra coral, vermelho e preto com riscos amarelos, sem se importar com os olhares curiosos, a mulher sorria deslumbrante, como se estivesse desfilando. June teve dúvidas se era pintura corporal ou se era real, o único fato que lhe assustava era a mulher não sentir frio, afinal estava nevando. Mas preferiu a hipótese de que se tratava de uma corrompida, era bem comum naquela cidade, mesmo com tantos escândalos acontecendo mundo afora.

Quando a beldade colorida se afastou do cartaz que estava fixando, a manca decidiu averiguar o conteúdo do anúncio, dessa vez caminhando com cuidado. O papel em formato A3 tinha cores chamativas, parecia um pôster antigo de um show de horrores, o letreiro era dourado, brilhando mais que o resto das imagens.

“Le Fantastique Cirque du Aleister Deveraux”

June refletiu sobre a última vez que o circo havia estado na cidade. Não lembrava, talvez nunca tenha ido. Mas o fato era que aquele nome lhe era bem familiar. Ficou com os olhos focados no cartaz, tentando lembrar-se de onde havia lido aquele nome. Perdeu a noção de quantos minutos se passaram. Buscando em algum lugar da sua mente, June voltou ao dia anterior, quando estava estudando a história de Aradia, as páginas do livro sendo viradas lhe vieram à tona. Era Deveraux.

— Mas por quê Aradia montaria um circo se o que precisa é de discrição?— Sussurrou June a si mesma enquanto cutucava os lábios com a unha.

Foi então que seus olhos se voltaram para o nome antes do familiar, “Aleister”. June se sobressaltou e decidiu sair da frente do cartaz e voltando ao seu trajeto, com medo de ter sido percebida pela mulher colorida. Talvez, e provavelmente, Aradia não soubesse dele, isso daria uma vantagem à June, só precisava de motivos para ligar os fatos. Por que um bruxo daquele nível estava na cidade?

Aleister era famoso por muitas coisas perversas, nenhuma que June quissesse lembrar, tinha até receio de investigar ele, mas sabia que era preciso.  

A jovem cogitou a ideia de seguir a corrompida, mas isso a atrasaria, e não saberia até quando os policiais ficariam alheios ao corpo na floresta. Por fim seguiu em direção à floresta, não sabendo mais o que estava procurando, embora estivesse determinada a encontrar as respostas.

 

***

 

Aradia estava a horas encarando a caixa aveludada que estava entreaberta, revelando um colar dourado de enorme pedra vermelha; perguntando-se se deveria usá-lo para consertar o estrago em seu rosto.

Caso usasse, não levaria mais que um segundo para ter o rosto de antes, entretanto concluiu que seria muito fácil se usasse magia. No fundo ela queria sofrer, já que não sabia mais qual era seu objetivo, queria simplesmente punir-se por sua incapacidade. Fechou com força a tampa da caixa e jogou-a na parede de madeira bruta da cabana.

Em frente ao pedaço quebrado de espelho Aradia encarava seu ferimento causado pela garra da sirena, um corte que começava no canto esquerdo da boca e subia pelo maxilar, indo em direção à orelha, a pele abaixo do corte pendia, como se estivesse prestes a cair.

Com irritação a bruxa levantou a agulha em sua mão, já com a linha posicionada. Furou a pele perto do corte, começando pelo canto do maxilar, e enfiou a agulha suavemente, arrastando a linha até o pequeno nó encostar na pele, conduzia o objeto com cuidado para não causar mais estrago, empurrava de um lado para o outro do ferimento,  sentido a linha se mover e repuxar sua pele, juntando os pedaços separados.

Quando chegou com a agulha no canto da boca, ela fez um pequeno nó na linha grossa, com a ajuda da agulha e logo cortou o fio.

Pegou o pequeno pedaço de espelho e aproximou para ver os pontos, sangue escuro emoldurava um corte horrível com um fechamento pior ainda. Um emaranhado torto de pele e linha, não tinha como fazer com que ficasse esteticamente bonito.

Com um suspiro longo, Aradia fixou o pedaço de espelho na parede novamente ficou ouvindo os barulhos no cômodo ao lado, cheiro de tempero começava a exalar pela pequena cabana, fazendo o estômago da bruxa roncar. Foi para onde o cheiro a chamava.

O frio estava presente, embora não fosse tão rígido, mas o suficiente para que Yaga se apressasse em fazer comida para esquentar a casa. O fogão improvisado, pedras empilhadas com fogo aceso embaixo fora motivo de Aradia se irritar.

— Não sei porque você não arranja um fogão de verdade, ao invés dessa montoeira de pedra que só serve pra fazer fumaça e deixar tudo com gosto defumado. — começou a negra enquanto se aproximava do fogaréu.

O calor a deixava inquieta sempre, não gostava de lembrar-se das inúmeras vezes que morreu pela mão do fogo. Perto do calor, sua respiração pesava e sua pele coçava. Mas manteve a postura na frente de Baba, não queria que ninguém soubesse de sua fraqueza.  

— Eu nunca me acertaria com um daqueles. — justificou a velha enquanto jogava vários temperos no que parecia ser uma panela de ferro.

Ao virar-se para Aradia, a velha se sobressaltou.

— O que aconteceu com seu rosto? — quis saber. — E por que você não usa o colar ao invés se torturar? — O tom de irritação era perceptível na voz da velha.

Aradia não se importou em responder, disfarçou a vergonha que tomava conta de seu rosto e decidiu mudar para a forma do corvo, nessa forma o corte sumia. Voou até o ombro de Yaga, para ver a comida de perto.

— Você sabe que deve evitar ficar na forma humana. Exige muito da sua magia. — Baba reprime o corvo empoleirado em seu ombro. — E também deveria ter usado o colar, teu rosto era lindo antes, quase angelical. Agora você parece uma boneca voodoo

Mesmo ouvindo, o corvo mantinha-se encolhido, como uma pequena bola de penas, olhando fixamente para a carne sendo frita. Fingindo não ouvir.

— É realmente diferente das outras.

O corvo grasnou baixo, como se estivesse protestando algo.

Yaga tinha suas dúvidas sobre Aradia, não entendia porquê a bruxa lhe trouxera dos mortos, se fosse pela companhia, Yaga achava que faltava simpatia, raramente conversavam sobre algo sem que o corvo lhe soltasse as patas. Se fosse pela magia, Aradia era com certeza mais poderosa, ainda mais tendo o maior controle sobre o elo entre as duas. Para que Baba sumisse, bastava que Aradia quisesse. E Yaga temia isso, afinal, a bruxa corvo tinha um temperamento instável, quase explosivo. Um arrepio subiu pela espinha da velha, a bruxa corvo poderia estar usando-a para despistar os caçadores. Era o único motivo que fazia sentido para ela. Tinha que arquitetar um modo de se desvencilhar de Aradia, uma vez que não sabia até onde a mesma iria.

— Aradia, você tá me usando como isca? — perguntou a velha, desta vez sem medo da reação.

O corvo não respondeu.

Yaga pensou que talvez fosse só porque não quisesse responder, mas também que poderia ser verdade.

Aradia planou para o chão e se tranformou-se, voltando ser a mulher de pele escura.

— Se quer tanto focar nos meus objetivos, deveria sair dessa cabana e me ajudar a caçar as bruxas, eu não aguento mais esse lugar. Te trouxe de volta pois pretendia agilizar a caçada, mas você só me serviu de estorvo. — a bruxa curvo cuspiu as palavras.

Yaga baixou a cabeça, incomodada.

— Você acha que eu gosto daqui? — falou quase que sussurrando enquanto as tropeçavam lhe causando dor na garganta. — Eu já estava morta a muito tempo, Aradia. Eu nunca quis voltar, eu nunca quis vingança.

— Eu sei.— Foi tudo que a negra respondeu antes de sair para o frio batendo a porta atrás de si.

Na quietude do lugar, Yaga pôs-se a procurar o Colar Maternal, em busca de qualquer centelha que lhe desse liberdade. Não gostava de ser tratada como uma pessoa sem importância.

***

 

June percebeu, da pior maneira, que era horrível andar por entre galhos com a ajuda da muleta. Sua mão direita já estava com calos doloridos com tanta força que fazia para se manter caminhando. Mesmo com tantos obstáculos, a jovem havia encontrado o corpo da bruxa. Era totalmente diferente do que havia imaginado pelas palavras do irmão.

O cadáver ainda que não tivesse de decomposto era irreconhecível, estava estranhamente fundido ao chão verde do lugar, gardênias cresciam por cima da pele pálida, June quase achou poético, pois as flores não eram naturais dali, o que indicava que alguém havia plantado-as ali, de certa forma, June agradeceu por as flores estarem ali, o aroma doce delas amenizava o cheiro de carniça. Como se o assassino estivesse se desculpando com a vítima.

A manca ajoelhou-se até a carcaça com dificuldade, posicionou sua muleta no chão e tentou prender a respiração, contendo a ânsia que lhe incomodava. Olhou com atenção o rosto que fitava o céu, os olhos castanhos que não tinha brilho algum, June acompanhou o olhar do cadáver, olhando para cima. Estavam em uma área aberta da floresta, uma região usada para muitos rituais. A caçadora tirou do bolso um par de luvas latéx e vestiu-as.

Mexeu e remexeu no cadáver, procurando qualquer sinal místico, que não fosse as gardênias brotando no cadáver. Julgou ser uma morte simples, a garganta estava cortada, aberta e escancarada. Um sinal de brutalidade que não combinava com a delicadeza que vira segundos antes

June lembrou-se que alguns dias atrás era Yule, época em que muitas bruxas usavam para comemorar o solstício de inverno. Geralmente todo o coven saia para cultuar, mas apenas uma bruxa se importar em dar seus cumprimentos aos deuses, significava medo, aos olhos de June, o coven estava sendo ameaçado. Isso só reforçava sua teoria sobre Aradia.

Mas o cadáver que estava na sua frente não mostrava um espírito vingativo. Revelava apenas um assassino fora do controle que arrependia-se depois.

June apanhou sua muleta e tentou se levantar quando algo lhe atingiu pelas costas, fazendo ela cair de bruços por cima do cadáver. Esforçou-se para olhar o que havia acontecido, mas uma mão pressionou sua cabeça contra o cadáver, impossibilitando qualquer movimento.





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