Hearts Of Sapphire escrita por Emmy Alden


Capítulo 16
¨f i f t e e n¨


Notas iniciais do capítulo

Aqui vai mais um capítulo! Não se esqueçam de comentar/ favoritar a história, é importante!



Foi tudo muito rápido.

Os vagões foram esvaziados um vilarejo de cada vez, mas todos seriam encaminhados juntos para o lugar onde ficariam durante o Sacrifício.

Conall não teve a oportunidade de falar com Corinna ou Mattia até eles chegarem na entrada da construção de destino.

O local era a coisa mais impressionante que o rapaz já vira. Era localizado bem próximo à estação de trem onde eles desembarcaram. A entrada era um campo aberto e fértil. Bem diferente de Nix.

O grupo de vinte e dois humanos caminhando até lá não era passado despercebido pelos habitantes do Setor Superior.

A roupa de cada pessoa que ele avistara poderia ser usada para custear sua família por anos.

Tecidos que ele nunca havia pensado em pôr os olhos. Texturas que seu tato nunca seria capaz de compreender e muita, muita pele à vista.

Vendo todos aqueles juntos parecia que estava pondo os pés em um ambiente divino onde o garoto não tinha nenhuma relevância.

O que não deixava de ser uma verdade, se fosse parar para pensar bem.

—Apreciando a visão?— a voz de Mattia soou em seus ouvidos enquanto Conall observava uma moça que parecia irradiar luz com suas vestes douradas.

Passavam pelo portão de entrada da propriedade que se distinguia de toda a arquitetura das construções em volta. Aquela era reta, sem adornos ou elaborações bem pensadas. Sem graça e sem vida.

O jovem se virou para olhar sua aliada.

—Você está excepcionalmente agradável hoje, Mattia.—ele cutucou discretamente a menina com o cotovelo e era suspirou impaciente.

—Sempre diz isso quando me vê.

—O que não torna isso uma mentira. Viu Corinna por aí?

—Acho que a vi mais para o fim do grupo.—a menina respondeu distraída e abaixou a voz antes de dizer..—Eles são tão estranhos.

A menina observava o que ela achava ser um casal caminhando naturalmente pela rua. Ou o mais próximo de naturalmente possível com as roupas espalhafatosas e com tantas camadas que aparentavam ser pesadas só de olhar.

—Acho que eles pensam o mesmo de nós.

O interior da construção era um verdadeiro labirinto.

Não havia sequer um cômodo amplo e aberto, pelo menos nenhum visível.

Apenas corredores e mais corredores e escadas que levavam para baixo.

Todos seguiam num silencio doutrinado. Ninguém ousava falar ou questionar coisa alguma enquanto desciam as escadarias iluminadas por lamparinas que realizavam seu trabalho precariamente.

Poderiam estar muito bem estar sendo levados para a morte e não teriam o que fazer. O grupo de humanos era flanqueado de todos os lados por deorum atentos e com cara de poucos amigos.

Finalmente, as descidas acabaram.

Corinna tentava memorizar cada esquina e ponto de referência que poderia vir a usar.

Se fosse necessário.

Realmente o Setor Superior, em sua verdade, não tinha nenhuma intenção de impressionar ninguém além de si mesmo.

Não precisavam de instalações luxuosas para exibir aos humanos porque aquilo seria para alguns o auge de que sua vida alcançaria.

A garota ainda analisava distraidamente o cheiro pungente de magia ser substituído por algo muito mais sórdido ao passo que adentravam o subsolo.

Estava perdida em pensamentos quando se encontrou no fim do grupo.

Apressou o passo até se aproximar de um grupo de garotos que se cutucavam e cochichavam entre si.

Eles não demoraram a notá-la. Apesar de o grupo também estar perigosamente afastado da "multidão" principal, Corinna duvidava que eles não sabiam o que estava fazendo.

Os deorum, um pouco à frente, —percebendo que nenhum dos humanos seria idiota o suficiente para fazer alguma besteira — estavam mais relaxados e praticamente não prestavam mais atenção na ordem do grupo.

—Olá, gracinha. Já está perdida?— um rapaz de ombros largos impediu que a garota seguisse o seu caminho. Ele era bem mais alto que Corinna e ostentava um sorriso presunçoso no rosto.

—Cuidado, Ranthal, essa não é a esquentadinha de que o Kallien nos falou?

O coração da menina inflou e murchou quase que no mesmo segundo.

Esquentadinha?

Era verdade que tinha um temperamento forte, mas não se considerava esquentadinha. Principalmente depois de conhecer Mattia.

A Escolhida de Fortuna não disse nada apenas tentou desviar do suposto Ranthal, e ele segurou seus ombros com uma certa autoridade na mesma medida que a menina se livrou do toque.

—Sabia que tudo isso só fica mais interessante se você resiste? Pelo menos, Kallien tem um gosto parecido com o meu.— o infeliz se aproximou tanto dela que a jovem poderia sentir seu hálito no rosto.

Não cairia nessa.

Não arranjaria briga.

Aparentemente aquele cara e mais os dois rapazes que o acompanhavam faziam parte dos Sanguinários e Conall havia contado sobre como eles não jogavam limpo.

Resolveria aquilo nas disputas então.

Não tinha chegado tão longe para deixar um grupo de desgraçados minarem suas chances de sucesso num maldito corredor escuro.

Por mais que seu corpo parecesse tão carregado com repulsa fazendo com que ela tivesse dúvidas de que Ranthal sobreviveria a um só soco.

Ele ousou segurar sua cintura e a jovem fez a coisa mais leve que poderia. Em um segundo, os três davam risadinhas e, no outro, silêncio mortal penetrou o lugar.

Ranthal dera um passo para trás e agora limpava o rosto com a manga da camiseta, embasbacado assim como seus fantoches. A moça cuspira na cara dele.

O olhar no rosto do rapaz estava transbordando ódio quando fez sinal para que os amigos continuassem andando.

—Acabou de ganhar o pior inimigo que poderia ter, gracinha.— ameaçou enquanto dava a volta pela a menina e seguia seu caminho.

A menina deu um sorriso cínico:

—Lembre-se do meu nome. É Corinna.

—Vai se arrepender disso.

—Nos vemos nas disputas.

Corinna não percebeu que estava presa até dar o primeiro em direção ao grupo que se afastava.

O grupo em que deveria estar se não quiser entrar em problemas.

—Droga.

Ela apenas teve tempo de olhar para frente e ver Ranthal com um risinho provocador no rosto. A menina fez um gesto vulgar para o rapaz antes de começar a se desesperar.

A porta do Galpão estava sendo aberta no fim do corredor e se não conseguisse chegar até o último Escolhido passar por ali, tinha certeza de que estava tudo perdido para ela.

Calma, pense direito. repetia mentalmente.

O desgraçado— que agora fazia sinal de despedida para ela— havia prendido sua camiseta junto com a pequena bolsa que carregava e uma das lamparinas na parede, bem num ponto de suas costas onde não conseguia alcançar.

Estava convicta que todos os xingamentos do mundo não seria possível para descrever aquele infeliz. Contudo, continuava proferindo-os.

Já era capaz de ouvir as tiras de tecido sendo forçadas e cedendo aos poucos.

Tinha de arriscar.

Ou sairia dali sem a camiseta e seria queimada pela chama se puxasse demais ou ficaria ali esperando a pouca piedade do deorum que a encontrasse desgarrada do bando de humanos.

O que não demorou muito para acontecer. Ela ainda xingava.

—São expressões muito vulgares para uma dama falar com tanta autoridade.

Corinna sentiu seu coração parar e seu corpo gelar ao ouvir a voz desconhecida.

Com passos lentos, o rapaz caminhou até estar de frente para a garota.

Foi quando ela percebeu que estava realmente com problemas.

O contraste entre o deorum e aquele local era gritante. Ele não pertencia àquele lugar.

Suas roupas eram finas demais, elaborada demais para aquelas paredes escuras e precárias.

A iluminação das labaredas não eram nada comparada aos olhos verdes tão profundos e praticamente irreais do homem.

Corinna sentia-se um ser ordinário perto dele.

—Você não deveria estar aqui sozinha.

Não me diga, a menina bufou mentalmente.

—Eu...estou presa.— a jovem disse entre dentes.

O deorum tentou esconder o sorriso que teimava em curvar o canto de seus lábios.

—Oh, que indelicadeza...Permita-me.—o rapaz deu um passo para frente e Corinna deu um —instintivo—para trás, lembrando um pouco tarde do fogo que queimava em suas costas.

Ele se permitiu sorrir dessa vez. Seus cabelos cor de trigo bem partidos e arrumados pareciam cintilar com a proximidade da luz.

—Prefere que eu chame um dos meus que serão menos simpáticos ao te ajudar? Ou é a sua intenção ser encontrada e eventualmente morta? Devo dizer que isso é uma ideia muito tola e…

—Cale a boca.— o deorum paralisou com as palavras. —Ajude-me de uma vez.

O homem se recuperou rapidamente da surpresa e fez o que a menina pedira.

—Sabe, não pode dizer a ninguém que nos encontramos aqui.— comentou enquanto desfazia o emaranhado de tecidos.—Apesar disso, sou Athlin.

—Não é como se eu fosse sair anunciando que me prenderam numa maldita lamparina. Tem como você parar de rir?

Athlin pôs os dois dedos na frente dos lábios se controlando. Então ele recuou fazendo seu corpo inteiro entrar no campo de visão de Corinna.

—Perdão, só acho interessante o fato de já ter inimigos, nem ao menos chegou no Galpão.

—Chegaria mais rápido se você somente se concentrasse em me soltar.

O deorum deu de ombros:

—Já o fiz.

A menina sentiu as bochechas esquentarem sob o olhar intenso do rapaz.

Ela ajeitou as costas e a bolsa no ombro. Ao tatear as costas conseguiu sentir um pequeno rasgo em sua camiseta, mas era ínfimo.

—Talvez um “obrigada”?.—Athlin zombou.

Corinna fechou a cara.

—Eu ia agradecer.—ele arqueou uma sobrancelha e ela suspirou ao dizer.— Obrigada, senhor Athlin.

A garota se pôs a seguir o seu caminho; a porta do Galpão virava uma pequena fresta aberta.

Uma mão segurou o seu braço.

—Somente Athlin, e você não me disse o seu nome.

A jovem olhou para onde o deorum segurava firmemente o seu braço, mas sem machucar, o local estranhamente queimava com o contato, entretanto não de um jeito ruim.

O garoto não demorou a quebrar o contato e então a moça olhou para o seu rosto perfeito.

—Corinna. Corinna Lestat, mas você descobriria em breve, de qualquer forma.

A Escolhida não tinha nem dado o primeiro passo para dentro do Galpão quando foi interceptada por Laeni.

—Onde você estava? Sabe que não pode sair explorando por aí sem um de nós acompanhando. E que rasgo é esse em sua camisa?

Pelo canto do olhos, Corinna era capaz de ver Ranthal acenando para ela com um sorriso cínico no rosto.

Queria ficar brava com a Examinadora. Não era como se ela quisesse ter ficado lá fora.

Não sabia porquê, mas desde o momento em que encontrara aquele deorum no corredor, estava meio agitada demais. Quase como se ela pudesse quebrar várias coisas só para encontrar um pouco de paz.

Contudo, a garota precisava ser coerente. Laeni, apesar de suspeita, sempre fora simpática consigo. Não era culpa da mulher que ela ficara para trás.

—Prenderam-me no corredor, por isso fiquei para trás.— Corinna inclinou a cabeça discretamente na direção de Ranthal esperando que a deorum percebesse. E a mulher o fez.

—Ignore-os. Lembre-se que as disputas que vale realmente a pena são na Arena e não fora dela. Não deixem que te desestabilizem.— a mulher disse lançando um breve olhar na direção do Escolhido de Mors e companhia.— Agora se apresse. Escolha uma cama e se instale, logo divulgaram a lista de Simpatizantes e seus Escolhidos de interesse.

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Notas finais do capítulo

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