Aprendendo a Mentir escrita por Starsky


Capítulo 20
Capítulo 19 — Aprendendo a beijar.


Notas iniciais do capítulo

Eu não queria falar muito nas notas iniciais dessa capítulo, então vou apenas oferecê-lo à lindíssima RosaDWeasley (u/760776/) que recomentou AaM com muito muito amor! Obrigaaaaada, linda! Esse capítulo é para você! hahaha.
Mais comentários sobre ele nas notas finais :v



Capítulo 19

Aprendendo a beijar

Rose Weasley

 

Ela nem sabia direito porque tinham corrido tanto. Quando percebeu, estava arfando, apoiada com as costas numa das pedras verticais da colina que vinha logo antes do portão principal do castelo, próxima à cabana do Guarda Caça. Ao seu lado, Scorpius escorregava pela pedra até cair sentado na grama, respirando rapidamente e repetidas vezes.

— James e Nate! Merlin! — Ela falou alto e olhou para o céu. Não acreditava ainda no que havia presenciado. — Como foi que ninguém notou isso?! Eles são sadomasoquistas né, essa é a única explicação! Ficam se batendo e depois… Nossa! Eu nunca ia imaginar!

Scorpius nem mesmo balançava a cabeça, estava com os olhos direcionados aos próprios pés.

— Seu primo vai me matar… E eu só queria… Eu só queria ajudar… Preciso mudar de escola… Durmstrang não é tão ruim assim, né?

Rose gargalhou e deixou que o próprio corpo caísse ao lado do loiro. Nem se ele tivesse 7 vidas conseguiria sobreviver a uma semana em Durmstrang.

— Ele não vai te matar, ele só vai… — Ela parou para realmente pensar em suas palavras e na cara que James fez. — É, desculpa, mas foi bom te conhecer.

Imediatamente, o rapaz bateu as palmas das mãos no rosto e choramingou num som quase inaudível.

Mas quem diria… James, rei de todo o ódio à Sonserina e senhor de todo o abuso, tinha, na verdade, alguém na casa das serpentes para beijar. E esse alguém era justamente Nate Parkinson! Isso era demais para digerir. Rose olhava para o horizonte com os pensamentos borbulhando no caldeirão que era a sua cabeça. A partir do momento em que ela e Scorpius flagraram o beijo, tudo mudou de figura. Claro, o Malfoy virou um alvo ambulante que seria morto por James a qualquer momento, mas Rosie… Ah, Rosie! Grindelrose virou uma pessoa intocável. Pela cara que seu primo fez, aquilo era um segredo de estado! O pior lado dela surgia quando descobria segredos de estado.

— Eu vou fazer ele desejar nunca ter nascido — disse a moça, sorrindo malignamente ao fitar o rapaz ao seu lado. — Nós iremos, não é?

— Rose. — A voz de Scorpius soou mais séria. Ele a encarou com calma, suave demais. — Me desculpa, mas eu não posso te deixar fazer nada assim.

Rapidamente, a expressão dela se fechou.

— Você tem meio segundo para me dizer o motivo desse lapso de memória que te fez esquecer tudo que o James já fez contigo. Conosco!

Ele entreabriu a boca, mas no primeiro “meio segundo” que lhe foi dado, nenhum som saiu.

— Não é bem isso, é que… — Scorp suspirou nervoso, passando a mão na própria nuca. — Eu estive pensando sobre o James, o Albus e a Lily. Eles não são exatamente a família perfeita, mas… Bom, a minha presença na vida do Albus tem sua parcela de culpa na questão do Albus não ser tão próximo do irmão.

Imediatamente, Rose arregalou os olhos e bateu no ombro de Scorpius. Ele choramingou um “ai” alto e ficou a encará-la, esperando por alguma forma de explicação.

— Se você estiver querendo me dizer que vai se afastar do Albus para ajudar na amizade dele com o James, eu juro que eu te mato.

— Não, não, não! — Scorpius balançou rápido a cabeça, mas a mão massageava o ombro que Rose bateu. — Não é isso. Eu só acho que poderia ajudar eles dois, sabe? E isso incluí, ou pelo menos incluía até dez minutos atrás, ser legal com o James pra diminuir essa raiva dele. Eu não devia ter ido atrás dele… Eu não devia ter ido atrás dele...

James Sirius e Scorpius Malfoy, legais um com o outro… Se nem mesmo Albus havia feito aquele milagre, só mesmo Merlin na causa para mudar a situação, e mesmo assim não seria tão aleatório quanto James e Nate.

— James não te odeia por quem você é, ele te odeia pelo que você representa. — Rose mal fechou a boca e percebeu que já havia dito aquela mesma frase, só que ela era James. Isso retorceu sua espinha. — Argh. Tá certo, eu não vou perturbar o juízo dele. Mas isso é por você, porque eu juro que ele merece!

Scorpius sorriu simplesmente, parecia que estava agradecendo sem dizer nada. Aquilo revirou o interior de Rose, quase tanto quanto no momento em que viu ele e Lily se aproximando demais e quase se beijando na arquibancada da Grifinória mais cedo. Quer dizer, se eles tivessem se beijado, era provável que Scorpius arruinasse tudo!

Garoto idiota…

— Apesar de a família de vocês não gostar da minha, acho que dá pra contornar um pouco pela minha amizade com o Albus.

Foi quando uma pulga pinicou atrás da orelha de Rose. Sabe quando a sombrinha da dúvida aparece e não quer te largar até você explodir em palavras? Então….

— E se você gostasse de uma garota cuja família te odiasse?

Rose tinha completa e absoluta certeza de que Scorpius possuía sentimentos por Lily. E a família de Lily não gostava dele, com clara exceção de Albus. Mas a cara de surpresa que Scorpius fez juntamente ao vermelho que tomou de conta do seu rosto apenas confirmaram a teoria da garota.

— O-o que você está dizendo?! — Ele gaguejou e engasgou na própria saliva, começando a tossir desesperadamente. Por Merlin, era tão claro! Por que ele não dizia logo?!

— É só uma hipótese. — Rose mentiu, dando de ombros. — Você falou do seu melhor amigo e de como negou uma vingança contra um cara que sempre te perturbou pela amizade com o Albus. Mas e se fosse uma garota?

Ele ainda estava tossindo, e seus olhos passavam a lacrimejar até. Levantou-se num pulo, batendo no próprio peito para tentar não morrer.

— É diferente — murmurou com a voz falha. Mas Rose permaneceu a encará-lo, esperando uma resposta digna. — A garota não gosta de mim como o Albus gosta.

— Então tem mesmo uma garota. — Rose se levantou, mas não sorriu. Estava curiosa demais, essa era a única explicação para sentir seu peito bater mais ligeiro. — Por que não me disse antes? Devíamos ter incluído ela no meu plano.

Scorpius mordeu o lábio inferior, estava nervoso.

— Você não entende, Rose, essa pessoa… Essa pessoa não olharia para mim com outros olhos. E mesmo se por algum milagre olhasse, eu nunca poderia pedir que ela brigasse com os pais porque eu estou na vida dela. — Então pôs as mãos no rosto, esfregando as bochechas de angústia e dando de costas para ela ao começar a andar.

Porém, Rose Weasley nunca foi de desistir fácil. Correu para a frente dele, fitando diretamente seus olhos azuis ao falar:

— Você já beijou essa garota?

Ele negou com a cabeça.

— Não lembra do que o Albus disse uma vez? O máximo de contato que eu tive com garotas foi com a minha mãe e com a Madeline quando apanhei dela há anos atrás. — Madeline. Só de ouvir aquele nome, o café da manhã de Rose voltava todo. — Eu nunca beijei uma garota...

As sobrancelhas de Rose se juntaram de uma vez.

— Você nunca o quê?

— Eu nunca beijei uma garota — repetiu Scorp com um riso sem graça. — Não é como se ela fizessem filas por mim, então não precisa dessa admiração toda.

— Bom, elas não faziam fila antes. — Ela deu de ombros e pigarreou. — O que eu quero dizer é que agora elas estão todas em cima de você. Veja a Loucaline, ela não larga do seu pé, chega a ser ridículo. — Só de pensar na imagem de Madeline atrás de Scorpius com seu sorriso mais falso, Rose quis vomitar. — Não deixe que a Loucaline seja seu primeiro beijo, de verdade.

— Não chame ela de louca… — murmurou Scorpius, baixo e inseguro, para ultraje da ruiva.

Aquela afirmação fez o sangue dela subir. Sentia raiva de Madeline Nott como ninguém, então escutar ele a defender era simplesmente incabível. Num empurrão do ombro de Scorpius, ela começou a brigar.

— Ah, eu esqueci que vocês são amiguinhos, mesmo com ela dando em cima de você descaradamente. — Rose soou ríspida, imaginando o rosto de Madeline Nott se aproximando do rosto de Scorpius até beijá-lo. ARGH! QUE NOJO! — Deveria ir lá beijar sua amiguinha, é mais fácil do que arrumar briga com a família da garota que você gosta. — Ela deu outro empurrão e começou a contar nos dedos: — Até porque Madeline Nott é perturbada, ridícula…

— Calma, Rose, ela não é tão ruim assim — disse ele, mas não houve efeito algum.

— Ríspida nas respostas, depravada…

— Certo, chega. — Scorpius já estava mais sério.

— Abusada, quase bipolar, provável portadora de algum tipo de sociopatia que só queria roubar o meu… O Jasper!

A palavra soou e assustou Scorpius de início. A expressão dele que já estava séria se fechou por completo, como se uma sombra o tivesse envolvido de vez.

— Entendi, então isso tudo é por causa do Jasper, não por causa dela mesma — murmurou ele, balançando a cabeça em reprovação. — Acho que não faz mal então se eu ficar com ela para te livrar desse tormento que é ela atrás do cara que você gosta.

Eis que Scorpius passou diretamente por ela, bufando para si mesmo enquanto andava. Rose ficou parada perplexa! Tipo, sério?! Sério que ele não escutou absolutamente nada que ela disse?!

— Você não pode estar falando sério — rosnou Rose, acompanhando os passos de Scorpius logo atrás. — Ela é impulsiva, desvirtuada, inconstante, egocêntrica, ridiculamente infantil e…

Scorpius se virou de uma vez, fazendo com que os dois parassem de frente um para o outro. Seus olhos a fuzilavam tão exasperados que o azul claro deles brilhava à luz do sol. Estava com raiva?

— E o que exatamente? Porque até agora eu só ouvi coisas que também se aplicam à sua pessoa.

É, ele estava com raiva.

— Ao menos eu reconheço meus defeitos. — Ela cruzou os braços abaixo do seio. — Aquela garota só está atrás de você para causar algum efeito na vida medíocre dela.

— Você quer parar de estragar isso pra mim? — disse, desta vez mais indignado. — E daí que ela é ruim e tem más intenções? Quem disse que eu mesmo não estou com más intenções?! Eu tenho uma garota de quem gosto e mesmo assim estou pensando nela só pelo fato de ser uma das poucas garotas que me deu atenção! Isso não faz de mim uma pessoa egocêntrica e tudo mais?!

Aquele foi o ápice. Rose não queria gritar e nem perder a linha, mas a forma como ele falava e defendia Madeline Nott era a pior! E ainda mencionou a garota que ele gostava! Por que não admitia logo que era Lily? Era tão óbvio. Por que não acabava logo com a ansiedade no peito de Rose que a fazia arfar de angústia? Droga!

— Quer saber?! Faça o que quiser — gritou sem pensar.

— Adivinha, eu vou fazer mesmo!

“Imbecil!” ela pensou enquanto o encarava “Troglodita! Cego! Burro!”

— Quer usar a Loucaline para esquecer a queda pela outra garota porque está com medo, ótimo!

— Isso, Rose, continua me chamando de medroso… — Scorpius revirou os olhos. — Você é realmente ótima em apontas o dedo pros outros.

— E não é isso que você é? Medroso? Está sempre com medo de mostrar quem é de verdade, praticamente pede por adulação para fazer as coisas que eu planejo!

O rosto dele se retorceu enquanto olhava para os lados completamente abismado.

— Fala a garota que só sabe mandar, mandar e mandar. Não me chame de medroso se você não entende o motivo pelo qual eu não invisto na garota que eu gosto! Não diga que me falta coragem se você não faz a menor ideia de quem é ela!

— Claro que eu faço, idiota! — berrou, forçando os próprios olhos a continuar encarando Scorpius. Lily Luna! É Lily Luna, claro! A garota mais bonita da escola, a garota mais simpática e gentil, a única capaz de manter Albus e James na linha, a única que não era grosseira gratuitamente, a única que não tinha preconceitos, a única que era verdadeiramente boa, a única que não se importava com ele ser um Malfoy, a única que… Que era melhor que Rose. — Por isso você é idiota, porque deveria fazer algo… — falou com menos fúria, respirando fundo para tentar não perder o resto de sanidade que ainda tinha. — Só faça um favor a si mesmo de não gastar a porcaria do seu primeiro beijo com aquele trasgo em forma de gente chamado de Madeline Nott porque você corre o risco de nenhuma outra garota querer te beijar novamente.

Então, Scorpius soltou urro abafado para cima e encarou Rose furiosamente.

Pronto! Era só o que faltava para acabarem de uma vez a briga da pior forma. Gritariam mais um com o outro e dariam as costas. Ele estava andando na sua direção justamente para isso! Diria que ela não deveria se meter e a odiaria sem medidas. Rose sequer sabia como poderia responder aquilo, pois o coração batia tão acelerado e assustado que interrompia seus pensamentos de se alinharem.

Entretanto, Rose estava enganada.

As mãos de Scorpius foram ao rosto dela, magras e grandes, envolvendo-o tão ligeiro que a moça percebeu tarde demais o que estava acontecendo. E Scorpius Malfoy a beijou.

A sensação atordoante do rosto formigando e latejando misturada com o embrulho em seu peito a assustaram mais do que a velocidade reduzida daquele beijo. Ele praticamente só encostou os lábios nos dela e a largou, dando um passo para trás com as orelhas vermelhas e os olhos indignados. Mas Rose, ah pobre Rose! Ela não se moveu.

— Pronto. Satisfeita agora? — resmungou o rapaz, coçando a lateral da cabeça com a boca torta. — Meu primeiro beijo foi com você, não com ela.

Ele deu de costas e saiu andando novamente, chutando o chão como podia. Só que Rose continuou sem se mover.

Como? Por que? Por que ele havia feito aquilo com ela?

Não era certo ou justo acontecer algo tão espontâneo, ainda mais porque estavam gritando um com o outro. Poderia jurar que ele iria explodir há segundos atrás ou coisa do gênero! Mas não, ele a beijou. Seus lábios, ligeiros e suaves, encostaram nos dela. E, devagar, ela tocou em sua própria boca com a ponta dos dedos. Seu respirar foi na pele dela. Seus olhos a enxergaram numa mistura revoltosa e cheia de coragem de sentidos. Não era um beijo! QUE NADA! Aquilo era só um encostar de lábios desajeitado! Estava tudo muito errado!

— Chama isso de beijo?! — O grito da ruiva fez com que ele se virasse novamente e a encarasse, vendo-a rir para si mesma. — Você é mais sem noção do que eu pensei, Scorpius Malfoy!

Os pés de Rose andaram sozinhos. As mãos de Rose seguraram a gola da camisa de Scorpius sozinhas. Os olhos de Rose se fecharam sozinhos. Ela o puxou e beijou por conta própria, arrancando para si todo o fôlego do rapaz para que se misturasse à sua palpitação num beijo.

Não foi apenas um encostar de lábios. Definitivamente não foi! O interior de Rose implodiu no instante em que as bocas se encostaram, agraciando uma a outra com toda aquela vontade.

Rose sentiu o calor do corpo de Scorpius. Ele parou um momento estático antes de de fato beijá-la de volta, inclinando o rosto para o lado e se unindo mais a ela. Por mais que tivesse sido pego num susto, fez com que uma mão encontrasse o rosto de Rose e a outra abraçasse sua cintura. Eis que a ruiva também subia as mãos para o pescoço dele, na ponta de seus pés, deixando seus peitos colados e sentindo o vento bater e levantar os cabelos longos dela a cada sopro. Estavam se beijando! Beijando, por Dumbledore! Lábios, carne, respiração, e o mundo se resumia a eles naquele instante!

Foi como se música tocasse ao fundo. Inusitado. Inseguro. Lento e molhado a cada movimentar de rostos, amassar de bocas e surto no peito. Era insaciável. Definitivamente insaciável! Rose o abraçava tão pequena e maleável que chegava a doer lá dentro do orgulho e dos suspiros que ansiava dar. Sentia claramente a lembrança suave do gosto de café e insônia, do cuidado e do apego que ele a segurava, como se fosse um passarinho em suas mãos. Não a beijava desesperadamente como outros já fizeram para tentar conquistá-la num segundo, mas de um jeito que prolongava a ansiedade no peito da moça a cada movimento das mãos dele na cintura e logo nas costas dela, que retribuía com os dedos em seus cabelos, tão grossos e tão cheios. Tocar neles não era suficiente, puxava-os devagar até chegar à nuca. E por mais que ela pedisse ao seu próprio peito, ele não parava de ribombar exasperado.

Algumas coisas assustam mais do que o medo, afinal. Se eles se separassem, certamente o arrependimento viria, e aquele orgulho todo seria dilacerado nas migalhas da bravura impensada que teve de repente. Mas ela queria tanto ficar ali. Tanto… Era um beijo que mais parecia ter se multiplicado e ecoado em eras.

Foi um beijo incrível.

Rose não soube ao certo quanto tempo ficaram ali até finalmente diminuírem o ritmo e cessarem o encontro dos lábios — e das línguas, que se envolveram em certo ponto. Ainda estavam abraçados e se separaram apenas para abrirem os olhos.

Os olhos…

Scorpius os tinha seriamente fixados aos dela, e sua cor límpida seria capaz de espantar todas as trevas do mundo, azuis, entreabertos e direcionados a ela.

— Isso… — murmurou ele, afrouxando os braços.

— Isso foi um beijo. — Rose se apressou, retraindo os lábios ligeiramente inchados. — Foi um bom beijo. Muito bom, sim. Entendeu agora como você deve beijar alguém?

Ele sorriu com um franzir de sobrancelhas e a soltou de um braço, passando os dedos no rosto da moça para levar uma mecha de cabelo para trás da orelha dela.

O problema era que Rose se sentia apunhalada por si mesma. Não apenas beijara Scorpius Malfoy como também tinha vontade de beijar novamente, como se tivesse ensaiado tudo aquilo em outras encarnações. Era a única explicação para ter sido algo tão encaixado. E por isso ele não poderia beijar Madeline! Seria uma verdadeira blasfêmia depois de ver forma como eles claramente estavam conectados!

Ela queria dizer isso a ele! Que jamais beijasse aquela garota! Que seus beijos agora pertenciam a ela, a Rose Weasley. De fato estava prestes a falar! Mandaria Lily para o espaço só para agarrar-se à chance de beijar Scorpius outra vez.

O que estava acontecendo com ela, pelo amor de Merlin?! O riso quis escapar da boca. Não poderia ser verdade. Poderia ser muitas coisas, mas tava bem longe de ser algo que as palavras pudessem descrever.

Porém, todo monólogo que Rose tentava a preparar em sua mente foi interrompido quando os lábios de Scorpius se movimentaram, e sua voz conseguiu dizer numa espécie rara e cruel de veneno:

— Você acha que a garota de quem eu gosto vai apreciá-lo?

Foi como um choque para que ela recobrasse os sentidos. Até mesmo deu um passo para trás, sentindo a mão tremer involuntariamente.

Scorpius tinha alguém de quem gostava. Rose tinha Jasper. JASPER, POR MERLIN! O que ele diria? Não podia contar a ele, não podia dizer que enquanto estavam separados, ela beijou um Malfoy. Rose tinha Jasper. Rose tinha sua família. Rose tinha muitas coisas que não permitiam que ela agisse de tal forma displicente com alguém como Scorpius, por mais que ele a encarasse daquele jeito, como se fosse a mulher mais bela do universo. Como se já fosse mulher, na verdade. Ele não deveria encará-la assim.

— Claro! — Forçou aquele riso que tentava vir antes e ergueu os ombros. — Quer dizer, eu gostei. Achei que esse treinamento aqui que nós fizemos serviu de alguma coisa.

— Treinamento? — O sorriso dele desapareceu.

— Sim sim, você ainda tem muito o que melhorar, mas não duvido que vá conseguir encantá-la. — Tomou coragem de frente para ele, fazendo o mesmo que o rapaz ao tocar na lateral do rosto dele com seus dedos. Scorpius era realmente bonito, apesar de toda aquela altura. Seus cabelos loiros brilhavam com seu rosto e chamavam atenção junto aos olhos azuis. — Só, por favor, não beije a Madeline sob hipótese alguma. Eu e provavelmente a garota por quem você tem uma queda ficaremos chateadas se o fizer. E… Me desculpa por ter falado aquelas coisas. É só que o assunto “Madeline” me tira do sério.

A garota por quem Scorpius tinha uma queda. O pensamento sobrevoou a cabeça de Rose. A consciência pesou, talvez tivesse obtido tudo aquilo à força. Eram, afinal, beijos que iam ser entregues a uma garota por quem ele nutria sentimentos, não a ela. Jamais faria com que Scorpius começasse a ficar com ela, sendo que ele gostava de alguém, estando a própria Rose sem pretensões amorosas.

Quer dizer, Jasper a estava esperando, não estava? Faltava apenas um ano e meio para ficarem juntos outra vez.

— Rose, você não...

— A sua garota vai ficar satisfeita — falou ela, suspirando antes de voltar a fitá-lo. Um ano e meio, e terei Jasper novamente. Um ano e meio, e Scorpius Malfoy não será mais ninguém. — Você tem o selo de aprovação Weasley.

Scorpius sorriu nervoso.

— Em respeito e apreço a você e à garota de quem eu gosto, prometo não beijar a Madeline. Sabe, vocês duas têm com certeza opiniões bem semelhantes. — Parou um momento em silêncio e tocou a mão dela com a sua, que estava quentinha. Um arrepio correu pelo corpo dela. Não era a primeira vez que suas mãos se tocavam, mas era… Diferente. — Me desculpa também pela briga. Você é… Realmente assustadora quando grita.

— Contanto que fique longe da boca da Nott, estamos quites. Já me bastou ter beijado um cara que dividiu saliva com aquela louca, dois ia ser demais. — Ela o interrompeu, esforçando-se para sorrir em resposta e para encarar seu rosto. Havia pedido por aquilo, não deveria estar tão arrependida. — E o beijo…

— Como você disse, foi um bom beijo — murmurou Scorpius, sorrindo fracamente e soltando a mão dela. — Eu não deveria ter te beijado assim sem aviso né? Hahaha.

Rose riu suavemente também. Lógico que deveria, ela pensou.

— Não, não deveria — disse com esforço, parecia que estava desaprendendo a mentir. — Mas está tudo bem.

Devagar, Rose moveu o corpo como se pedisse passagem. A expressão do rapaz foi apenas um balançar de cabeça compreensivo, dando espaço para ela ir na frente. Desistiu num instante de ir para o Salão Comunal da Grifinória, voltaria para o castelo para um lugar diferente.

— Acho que pirei, Rose! — exclamou Scorpius com a moça ainda de costas.

Rose virou-se para ele, andando em marcha ré. Sorriam um para o outro como se estivessem ligados.

— Ficou arrependido? — Ela perguntou, querendo não imaginar qual seria a resposta.

— De forma alguma. Se eu for assassinado pelo James, saiba que fiquei feliz que beijei você. — Scorpius deu de ombros e sorriu de volta para ela. — Fiquei realmente feliz que foi você.

O sorriso que trocaram foi polido e perfeito para o momento. Eram amigos, certo? Rose entrou no caminho de volta, andando com passos fortes e firmes. Iria até a cozinha. Precisava de um facão para matar as borboletas que festejavam no seu interior.



Notas finais do capítulo

Então... Antes de falarmos dele, eu gostaria de COMEMORAR COM VOCÊS! Gente, chegamos à marca dos 300 acompanhamentos e 200 comentários! Vocês não têm noção da minha alegria absurda com tudo isso! SÉRIO! Era para eu postar esse capítulo aqui só semana que vem, mas esses números me convenceram do contrário hahaha. Estou muito muito muito muito feliz, mas tenham certeza que esse reconhecimento é por conta de todos! Quem comenta sempre me incentiva mais, dá ideias, dá suporte e aguenta minhas demoras hahah. Obrigada de coração! Vocês são uns fofos!
Agora sobre o capítulo... VOCÊS NÃO ESPERAVAM POR ISSO, ESPERAVAM?! Quem diria que a Maddie seria responsável por tudo isso! E quem diria que a cabeça OCA do Scorp seria responsável por ele e a Rose não estarem se beijando até o ano acabar kkkkkkk. Por favor, não queiram bater (muito) no Scorp, ele já sofre demais.
Espero de verdade que tenham gostado. Esse capítulo está pronto desde, bom muuuuito tempo! Agora que a verdadeira desgraça se desenrola kkk. E, como muitos pediram, próximo capítulo será sobre Nate e James e como aconteceu aquele beijo do capítulo anterior.
Espero ansiosamente por todos lá! E aguardem, eu vou trazer algumas novidades de montagens no próximo hahaha. Beijooos!



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