Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 25
25. A boa mãe a casa torna


Notas iniciais do capítulo

Ó quem voltou pra vocês ♥
Agradecimento especial à screamybanshee, que acompanha a fic desde sempre e recomendou a fic no último capítulo! Muito obrigada, amore. Eu amei demais! Dedico esse capítulo pra você. :3
Espero que gostem, esse capítulo tá enorme!




CAPÍTULO 25

 

Você nunca estará sozinha, apenas relaxe e ouça-me.
Eu respiro o ar que você respira, estou sempre com você no disfarce.

Lawson - Where My Love Goes

 

— Meu Deus! O que é isso, Ally?!

   Parei onde estava, com as mãos segurando o jarro sobre a minha cabeça e a respiração arfante. Minha mãe segurava a toalha em uma mão e me olhava estupefata, com ar de riso. Fechei os olhos, engolindo em seco e sentindo cada molécula do meu corpo agradecer aos céus por não ser seqüestrada hoje.

— Você está bem, querida? – Danielle Jones perguntou, deixando a toalha sobre o sofá e se aproximando de mim com as mãos estendidas. – Me dê esse jarro, por favor.

   Murchei os braços e entreguei o vaso para ela, que mantinha um sorrisinho no rosto. Coloquei as mãos na cintura, tentando normalizar a respiração e me situar novamente, depois do susto.

— Agora eu poderia ganhar um abraço da minha filha? – ela riu, abrindo os braços.

   Ri de mim mesma e da situação, envolvendo-a em meus braços apertadamente. Senti o cheiro do seu perfume habitual – de flores de Jasmim – e me senti calma instantaneamente. Apertei-a mais em meu abraço, afundando o rosto em seu ombro. Ela afagou meus cabelos e eu sorri notando, só então, o quanto eu sentia falta daquela mulher.

— Por que não me disse que viria hoje? – perguntei quando nos soltamos, mas ainda segurando as mãos uma da outra. – Quase me matou de susto, mãe.

— Eu queria fazer uma surpresa. – ela sorriu. – E quem se assustou foi eu! O que você achava que iria fazer com uma toalha, uma escova de dentes e uma escova de cabelos?

— Não sei. – sorri. – Eram as únicas coisas que eu encontrei. Mas você está aqui! – dei um gritinho de felicidade, abraçando-a novamente. – Senti tanto a sua falta!

— E eu senti a sua. – ela beijou minha testa, acariciando minhas bochechas com seus dedos macios em seguida. – Você está tão magrinha...

— Ai, não começa. – lamuriei. – Eu juro que estou me alimentando bem.

— Não foi isso que a Eve e a Vanessa andaram me contando... – ela me olhou desconfiada.

   Revirei os olhos, olhando ao redor em seguida. Havia quatro malas gigantes na sala e uma pequena largada no meio do caminho. Provavelmente era a que minha mãe carregava quando esbarrou na Louca da Toalha e Escovas.

   Ela não demorou a me puxar para o sofá, para me mostrar tudo o que havia trazido das viagens. Apenas uma mala grande e a pequena eram de suas coisas pessoais. As outras três malas grandes eram de presentes que ela havia comprado – para mim, Eve e Vanessa - pelos lugares por onde passou. Sorri a cada presente que ela colocava em minhas mãos; desde roupinhas em estilo indiano – como blusas, vestidinhos e shorts, que eu amava fortemente – a enfeites para meu quarto e o restante da casa e alguns docinhos legais que ela encontrou na França. Fiquei observando-a distraidamente, sentindo que aquela casa havia tomado vida de repente, depois de tanto tempo.

   Era só Danielle Jones voltar ao lar, que ele parecia mais bonito. Pena que as vindas eram sempre rápidas, no máximo duas semanas. Mas ainda assim era sempre um tempo bem aproveitado, dava para matar a saudade que eu tanto sentia.

— Esse aqui... – ela começou, retirando um pacote do fundo da mala e sorrindo um pouco. – Como você voltou a falar com seu pai, eu pensei que você poderia entregar a ele por mim.

   Olhei do pacote para ela rapidamente, deixando um dos meus presentes ao meu lado no sofá para pegar o que ela segurava.

— É um presente para ele? – perguntei surpresa. – Isso é novidade.

   Ela sorriu, assentindo. Eu desembrulhei o conteúdo do papel onde ele estava enrolado e sorri ao ver que se tratava de uma miniatura de moto, mas um pouco maior do que a minha mão, toda prateada e com aparência envelhecida proposital. Era uma Harley Davidson, e era linda. E eu sabia o quão significativo aquilo era.

   Meus pais sempre me contavam – antes do divórcio, quando eu ainda era posta para dormir sob beijinhos na testa e histórias para dormir de ambos – que quando eles se conheceram, meu pai tinha uma Harley bem antiguinha que havia herdado de seu avô, mas que ele cuidava como se fosse uma filha. Mas como minha mãe acabou engravidando de mim e eles eram recém-formados na universidade, e ambos haviam acabado de conseguir um emprego, ele resolveu vender a moto dele para ajudar nas despesas.

   Ele sempre dizia que um dia compraria outra Harley, mas o tempo foi passando e ele foi deixando essa ideia de lado. Eu tenho que perguntar a ele sobre isso quando vê-lo novamente.

— É linda, mãe. – sorri, passando a ponta dos dedos levemente sobre a superfície da miniatura. – Ele vai adorar, tenho certeza.

— É bom mesmo. – ela disse com um leve sorriso nos lábios. – Gastei mais do que devia nesse presente, mas imagino que terá valido a pena. Não pude deixar de lembrar dele quando entrei na loja e a vi.

   Embrulhei a moto novamente e continuamos olhando os presentes que ela havia trazido para Eve e Vanessa. Parece que ambas já sabiam que minha mãe viria hoje, mas ninguém me contou. Eu tinha que lembrar de beliscar Eve quando a visse por ter me escondido isso, mas eu entendia que a intenção delas era boa. Eu fiquei realmente surpresa por ver minha mãe ali, na minha frente, em um dia que eu não esperava por isso. Quase tive um ataque de pânico por achar que era um bandido invadindo o apartamento, mas tudo bem.

   Depois de vermos tudo que ela havia trazido e ajudá-la a guardar suas coisas em seu quarto, veio o momento “mãe e filha”. Ela ralhou comigo por causa da camada de poeira sobre os móveis (exagerada, só tinha um pouquinho), por causa da geladeira praticamente vazia (eu nunca lembro de fazer compras!!!) e do cesto de roupas sujas que já estava cheio.

— A casa não estaria assim se eu soubesse que você viria. – cruzei os braços, encostando minha cintura no balcão da cozinha enquanto ela lavava três copos que estavam na pia.

— Então a culpa é minha porque eu não avisei que viria? – ela riu. – Como você é esperta, Allison.

— O que acha de irmos ao mercado enquanto as roupas batem na máquina de lavar? – perguntei. – Podemos visitar Eve e Vanessa também...

— Acho ótimo. – ela sorriu. – Sinto tanta falta de São Francisco. Viajar é maravilhoso e nunca deixa de me surpreender, mas voltar para casa é...

   Ela suspirou, olhando ao redor com um leve sorriso nos lábios, deixando a frase no ar. Seu olhar caiu sobre mim e sorrimos uma para a outra. Ela foi tomar um banho enquanto eu colocava as roupas para lavar, e logo eu fui tomar meu banho também. Saí do banheiro enrolada na toalha e assim que entrei no quarto avistei meu celular com a tela acesa sobre a cama.

   Havia três mensagens de Daniel:

   “Bom dia, flor do dia que está louca para desabrochar.”

   “Nossa, isso foi ridículo, desculpa. Mas não deixa de ser verdade.”

   “Quero te ver hoje. Podemos sair?”

   Eu não sabia se ria da sua piadinha infame sobre a minha virgindade, ou se tinha um ataque de fofura pela última frase. Ele não costumava dizer coisas como essa. Sempre me chamava para sair, mas não havia deixado tão claro que queria me ver. Eu me sentia feliz. Absurdamente idiota e boba, mas feliz.

   “Minha mãe está aqui!!!” – enviei, junto com um emoji de carinha feliz. “Podemos ir mais tarde? Vou passar o dia com ela, fazer compras, visitar Eve e Vanessa... Se quiser, você pode nos encontrar em algum lugar.”

   Deixei o celular sobre a cama e abri as portas do closet, procurando por algo para vestir. Optei por vestir um dos vestidinhos novos em estilo indiano que minha mãe havia trazido para mim. Tinha uma estampa discreta, era azul escuro e bem fresquinho. Assim que o vesti, ouvi o celular apitar.

   “As coisas estão ficando sérias, não? Já conheci seu pai, sua madrasta, seus irmãozinhos... Agora vamos para a pior parte...”

   Revirei os olhos, sorrindo.

   “A pior parte é o casamento, querido.” – enviei, imaginando a risada dele ao ler a mensagem.

   “Você me deixa muito entusiasmado assim, querida. Me mande uma mensagem quando der para eu encontrar com vocês. Mas enquanto isso me manda uma foto sua para eu ter o que fazer enquanto não nos vemos?”

   Liguei a câmera frontal da câmera e sorri feito uma idiota, fazendo uma cara de boba proposital. Enviei a foto rapidamente. Enviar fotos bonitas e ajeitadas demais não tinha graça. Só Deus sabe a quantidade de fotos bizarras que Eve tem guardadas de mim. Tenho medo do dia em que elas virão à tona.

   Daniel respondeu à foto com um áudio de sua risada escandalosa e me chamando de esquisita. Ri enquanto escutava e ouvi minha mãe me chamar da sala. Eu me despedi dele rapidamente e guardei o celular na bolsa, calçando minhas botinhas marrons em seguida. Tentei colocar meus cabelos no lugar com os dedos mesmo, enquanto ia até a sala e encontrava minha mãe já arrumada me esperando.

   Resolvemos visitar Eve e Vanessa antes de fazer compras. Elas já nos esperavam na varanda da casa quando chegamos, e correram para pular em cima da minha mãe quando saímos do carro. Logo nos puxaram para entrar e ficamos reunidas na sala de estar, mostrando os presentes delas e tomando o famoso chá de morangos de Vanessa, que ela fazia sempre que minha mãe vinha, porque só minha mãe e Vanessa agüentavam beber aquilo. Eu amo chás e amo ainda mais morangos, mas aquele chá de morango parecia ter gosto de tudo, menos de morango. Então, me resumi a beber um suco com Eve, enquanto ríamos das nossas mães implicando uma com a outra como eu e ela fazíamos.

   Era engraçado olhar para elas e em seguida para nós duas. Éramos como cópias, mas invertidas. Porque meu temperamento era mais parecido com o de Vanessa – nós duas somos tranqüilas, destrambelhadas, teimosas e bobas -, e minha mãe e Eve são mais parecidas – ambas são mais realistas, irônicas, engraçadas e adoram me dar puxam de orelha.

   Depois de duas horas de chá, suco, biscoitinhos e Vanessa querendo preparar um banquete para nós duas, conseguimos ir embora. Prometemos voltar para almoçar no dia seguinte, porque hoje ainda tínhamos que fazer compras. Fomos para o mercado e a sensação era de que nada havia mudado.

   Era como se minha mãe estivesse sempre aqui, como antes. A sensação reconfortante de tê-la atrás do volante, dirigindo. As piadinhas dela em relação às músicas antigas que tocavam nas rádios e eu adorava – enquanto ela, por outro lado, não agüentava mais ouvi-las por serem justamente da época dela. E aquela sensação de que eu estava sendo cuidada.

   Eu procurava não pensar muito sobre a falta dela, porque ela sempre foi uma mãe completa, mesmo de longe. Procurava não pensar muito no apartamento vazio e focava no quanto ela estava feliz vivendo o sonho dela. Mas em momentos como esses eu imagino como seria tê-la aqui todos os dias, como antes.

   Paramos no supermercado e eu pulei do carro toda feliz, fazendo-a rir. Pegamos um carrinho e resolvemos comprar tudo do zero, já que havia pouquíssimas coisas em casa. Eu havia comprado apenas pães, queijo, suco, iogurtes e alguns biscoitos há alguns dias, já que eu geralmente acabava jantando na casa de Daniel ou na Eve.

   Minha mãe ralhou comigo sobre a importância dos legumes, frutas e verduras, enquanto eu apenas concordava, fazendo-a me beliscar levemente às vezes por causa do meu deboche. Ela comprou tudo que era verde e colorido que havia na seção, dizendo que eu teria que comer cada coisinha para crescer forte e saudável.

   Acho que ela esquece que eu estou há três anos com exatamente a mesma altura. Então crescer é um assunto meio complicado quando se trata de Allison Jones...

   Conversávamos sobre coisas diversas, como o preço dos produtos subindo, sobre como funcionavam as coisas nos outros países que ela visitava, sobre a melhor marca de iogurte e, de repente, sobre Daniel.

— Vanessa me contou que você está namorando... – minha mãe começou, como quem não quer nada. – Por que não me disse?

— Depois eu e Eve é que somos fofoqueiras. – eu ri, enquanto olhava os iogurtes à minha frente. – Eu não disse porque... Não sei. É meio complicado, na verdade.

— Eu quero ouvir. – ela sorriu levemente. – Você nunca me contou qualquer interesse por alguém antes, sabe quanto tempo eu esperei por esse momento?

   Revirei os olhos, finalmente escolhendo um iogurte natural de morango e colocando-o no carrinho, no qual minha mãe estava apoiada. Ela arqueou as sobrancelhas para mim, esperando eu começar a contar a história. Fiquei olhando-a nos olhos por alguns segundos, pensando se lhe contava a verdade ou não.

   A cada vez que um momento como esse chega, eu confirmo que o namoro é real. Isso já tem se tornado tão comum que é quase como se fosse verdade. Eu não queria dizer a verdade para minha mãe, não queria dizer que aquilo começou como uma farsa, com um cara que eu nunca tinha visto antes. Eu sabia que ela não iria me julgar, mas ver os olhinhos dela brilhando para mim, na expectativa de saber sobre o primeiro “namorado” de sua única filha...

   Bem, Allison Jones já está acostumada a contar essa mentira.

— Ele era um colega da escola. – comecei, enquanto andávamos a passos lentos pelo corredor do mercado, meus olhos sobre as prateleiras. – Começamos a nos conhecer melhor e puf!

— Puf?

— Sim. – sorri. – Começamos a namorar.

— Ótima história. – ela ironizou, com um sorriso nos lábios, enquanto pegava um pacote de macarrão e o colocava no carrinho. – E você gosta dele, querida?

   Ótima pergunta, mãe. Porque o ponto é exatamente esse. Na verdade eu gosto de outro, mas pra disfarçar eu estou com o Daniel. Mas, de qualquer forma...

— Gosto. – respondi simplesmente. – Ele é um cara muito legal.

— Mas você gosta dele? – ela reforçou a pergunta, me olhando nos olhos. – Você sente aquele frio da barriga, aquela ansiedade para vê-lo? – ela sorriu, animada, como uma adolescente de quinze anos. – Sente aquele arrepio quando o vê se aproximando? Ou sente vontade de falar com ele a todo momento, sente vontade de vê-lo?

   Eu escutei o que ela disse, com atenção, e fiquei observando-a por alguns segundos processando o que ela falou. Senti uma ponta de identificação no peito.

— Era isso que você sentia com o meu pai? – perguntei baixinho.

   Sua cabeça pendeu um pouco para o lado, enquanto ela pensava em uma resposta. Um leve sorriso se formou em seus lábios e um brilho rápido passou pelo seu olhar. Segurei a borda do carrinho, esperando pela sua resposta com o coração acelerando um pouco. Porque eu sentia, sim, tudo aquilo por Daniel. Mas se ela confirmasse que aqueles eram sintomas do que eu achava que era, mas me recusava a pensar sobre, então...

— Sim. – ela disse, e eu senti uma pontada leve no lado esquerdo do peito. – É amor, o nome disso, querida.

   Desviei o olhar do dela, olhando para a prateleira à minha frente. Suspirei, assentindo fracamente. Ela me olhava cuidadosamente e acho que percebeu que eu preferia não tocar muito naquele ponto. Mas, ainda assim, não desistiu do assunto. Talvez por ela não participar muito da minha vida tanto quanto gostaria. Eu não me importava nem um pouco de contar as coisas para ela. Nossa relação era à base da confiança, afinal, eu vivia sozinha. Não foi fácil para ela simplesmente me deixar viver por conta própria, praticamente. Então eu não escondia as coisas dela. No caso de Daniel, eu apenas não contei porque não surgiu uma oportunidade específica.

— Então, como ele é? – ela perguntou, enquanto continuávamos andando pelo mercado. – Me conte com detalhes.

   Eu ri, achando graça da sua insistência em saber. Peguei meu celular na bolsa e abri a galeria de fotos. Havia algumas fotos de nós dois juntos, outras com Eve e Jack e outros dele sozinho, que eu tirei sem ele saber, em momentos aleatórios. Daniel dirigindo, Daniel bebendo milkshake no canudinho, Daniel sentado ao lado da janela da lanchonete e observando a rua, distraído...

   Fiquei com o olhar perdido na galeria de fotos, e só então percebi o quanto ela era preenchida por ele. Ele se tornou alguém na minha vida, realmente.

   Pisquei rapidamente e suspirei, saindo do meu transe. Cliquei em uma foto de nós dois juntos, sorrindo bobamente para a câmera, no Píer. No fundo da foto dava para ver um pouco do mar e dos leões-marinhos espreguiçando-se nas pedras.

   Minha mãe pegou o celular da minha mão e olhou bobamente para a tela do celular. Ela sorriu, olhando da foto para mim, e em seguida para a foto novamente.

— Ele é lindo. – ela elogiou. – Você puxou o bom gosto da mamãe!

   Revirei os olhos, rindo, enquanto pegava o celular de volta. Ela parecia muito mais feliz depois de tudo isso.

— E quando eu poderei conhecê-lo? – ela perguntou.

— Hoje, talvez. – dei de ombros. – Acho que ele poderá se encontrar com a gente.

— Chame-o para jantar conosco hoje! – ela disse, animada. – Eu vou preparar algo. Podemos chamar Eve e Vanessa também, para ele não se sentir tão envergonhado.

   Sorri em concordância e logo mandei mensagem para Eve, perguntando se elas iriam. Ela confirmou rapidamente. Então, mandei uma mensagem para ele:

   “Quer jantar lá em casa hoje?” – perguntei.

   “Sua mãe me convidou?”

   “Sim. Eve e Vanessa também irão.”

   “Então diga que ela caiu do céu, porque hoje minha tia resolveu preparar lasanha de espinafre.”

   Ri da sua piadinha, mas eu imaginava que ele estaria meio nervoso. Nunca vou esquecer as suas atitudes na casa do meu pai. Toda aquela pose, tentando passar uma boa impressão e tentando agradar meu pai com mínimas coisas...

   Bem, o jeito era esperar pelo jantar e ver no que iria dar.

(...)

   Quando eu saí do quarto, já arrumada, dei de cara com a mesa do jantar – que raramente era usada para esse fim – toda organizada. Arqueei as sobrancelhas, vendo jogos de jantar, copos e pratos novos.

— De onde eles saíram? – perguntei à minha mãe quando ela saiu da cozinha e veio com talheres em mãos, colocando-os ao lado de cada prato.

— Comprei hoje, naquela hora em que te deixei no carro para ir à loja ao lado do mercado. – ela disse, sorrindo. – São bonitos, né?

   Sorri, assentindo. Ela devia sentir mesmo falta de estar em casa e preparar momentos assim. Ouvimos a campainha e fui abrir a porta. Eve e Vanessa sorriam, com algumas sacolas em mãos. Nós nos abraçamos e Vanessa foi direto para a cozinha falar com a minha mãe, enquanto eu e Eve íamos para a sala. Ficamos assistindo TV enquanto ouvíamos nossas mães rindo juntas na cozinha, com certeza bebendo vinho e falando bobagens, como eu e Eve fazíamos. A única coisa que mudava entre nossas mães e nós, era que elas bebiam vinho, e nós nos empanturrávamos de doces.

   Estava tudo indo tranquilamente bem, até a campainha ser tocada novamente. Fez-se silêncio na cozinha e eu suspirei, levantando do sofá e indo abrir a porta novamente. Lá estava Daniel, com as mãos nos bolsos da jaqueta de couro e com os olhos verdes levemente arregalados. Sorri, vendo que ele estava nervoso, tanto quanto no dia em que conheceu meu pai.

— Oi. – ele sussurrou.

   Eu ri um pouco, abrindo caminho para ele entrar. Daniel entrou a passos lentos, olhando ao redor como se estivesse entrando na jaula de um leão. Não parecia a mesma pessoa que estava fazendo piadinhas por mensagens até algumas horas atrás...

— Daniel? – a voz da minha mãe soou assim que fechei a porta, e nos viramos para a cozinha, de onde ela saiu. – Olá, eu sou Danielle.

   Ele sorriu nervoso e minha mãe o abraçou, bem receptiva. Isso pareceu deixá-lo mais tranqüilo. Através do balcão da cozinha eu via Eve na sala, ainda no sofá, rindo e sem fazer menção de levantar. Quando minha mãe e Daniel se soltaram, Vanessa veio cumprimentá-lo também, toda sorridente.

— O jantar já está quase pronto. – minha mãe disso para nós dois.

— Sim, já estamos bêbadas, mas estamos sendo rápidas. – Vanessa sorriu. – Vão para a sala, xô.

   Minha mãe riu bobamente, enquanto eu revirava os olhos. Dava para ver que elas já estavam levemente embriagadas por aqueles sorrisos bobos delas. Peguei na mão de Daniel e o puxei para a sala, colocando-o sentado no sofá como se ele fosse uma criança envergonhada.

— Quem vê nem pensa que é você. – Eve riu, cutucando-o com o cotovelo. – Ele estava assim quando conheceu o tio Leonard, Ally?

   Eve se inclinou um pouco para frente, para me ver melhor já que Daniel estava entre nós duas com o olhar fixo na TV.

— Não, quando conheceu o meu pai ele ficou tentando mostrar que era o fortão da casa. – sorri. – Fiquei surpresa com a quantidade de malas que esse rapazinho aqui consegue carregar sozinho.

— Calem a boca. – ele resmungou, revirando os olhos. – A situação é diferente agora.

— Eu sempre pensei que os caras ficassem mais receosos em conhecer o pai da garota. – Eve disse.

   Estávamos os três lado a lado no sofá, todos de braços cruzados e com o olhar na TV, onde passava um episódio antigo de Friends.

— E é. – Daniel disse. – Mas conhecer a mãe também é meio...

— Hmm... – pude notar Eve sorrindo maliciosamente. – Mas isso acontece quando o cara realmente se importa com a imagem que irá passar, não é? Fica preocupado em parecer um bom namorado para a garota. Ou seja, sinal de que realmente gosta dela.

— Sim. – Daniel disse prontamente, e quando eu e Eve olhamos para ele ao mesmo tempo, surpresas, ele piscou os olhos rapidamente, dividindo o olhar entre nós duas. – Quero dizer, não é isso. É que é meio...

— O jantar está pronto! – Vanessa cantarolou, carregando uma travessa de carne assada para a mesa de jantar.

   Pulei do sofá e fiquei de pé rapidamente, com o coração acelerado, doida para sair daquela situação. Eve era realmente esperta. Ainda pude ouvi-la rindo e Daniel resmungando algum palavrão. Suspirei, indo sentar à mesa rapidamente. Logo Daniel sentou ao meu lado esquerdo e Eve no meu lado direito. Logo toda a comida estava posta na mesa e as adultas sentaram à nossa frente, no outro lado da mesa, sorridentes. Começamos a nos servir, enquanto minha mãe falava sobre tudo o que havia preparado. Como Vanessa era vegetariana, ela se serviu apenas de arroz, legumes assados e uma salada especial que minha mãe havia preparado para ela.

   O jantar correu tranquilamente, entre piadinhas de Vanessa e leves provocações da minha mãe sobre suas piadas serem péssimas. Mas não tão péssimas quanto as que eu tentava contar, é claro. Minha mãe fez diversas perguntas sobre Daniel, de uma maneira bem divertida e receptiva. Percebi que ele foi ficando bem mais calmo com o passar do tempo, e no fim já estava rindo abertamente.

— Eu fico feliz que tenha vindo, Daniel. – minha mãe disse, limpando os cantos dos lábios com um guardanapo, enquanto sorria carinhosamente para ele. – É muito importante para mim saber que Ally está sendo cuidada por mais alguém além dessas duas loucas.

   Vanessa arqueou uma sobrancelha para ela e Eve revirou os olhos.

— Eu cuido da tua filha enquanto você roda o mundo, toda bonita, e é assim que você me agradece? – Vanessa ralhou colocando uma mão sobre o coração, fingindo estar ofendida.

   Minha mãe riu, mas a ignorou, voltando seu olhar para Daniel novamente.

— Obrigada, de verdade. – minha mãe agradeceu. – Espero que Ally saiba reconhecer o ótimo rapaz que está com ela.

   O que é isso, afinal? Levantei o olhar da minha sobremesa, olhando para todos na mesa e arqueei uma sobrancelha para minha mãe. Daniel sorriu convencido. Revirei os olhos.

— Já chega, né? – falei, comendo mais um pedaço do meu pudim. – Já podemos retirar a mesa, já que todos terminaram de comer?

— Sim. – minha mãe sorriu. – Vocês tiram a mesa, porque já estamos velhas.

— Nós, as idosas, iremos para a varanda terminar de beber nosso vinho e olhar os vizinhos passando na rua. – Vanessa levantou sua taça, enquanto com sua outra mão ela pegava a garrafa de vinho recém aberta e a abraçava. – Divirtam-se, crianças.

   Minha mãe levantou sua taça e elas brindaram, enquanto ficavam de pé e iam para a varanda. Pude ouvi-las batendo os pés nas quinas dos bancos que haviam lá e xingando baixinho. Eu e Eve sorrimos uma para a outra, balançando a cabeça levemente enquanto retirávamos os pratos e copos da mesa. Daniel nos ajudou, retirando as travessas, que eram mais pesadas.

   Ficamos alguns minutos na cozinha, limpando e colocando tudo na lava-louças. Logo estava tudo em ordem e fomos para o meu quarto. Eve se jogou no chão, onde havia meu tapete felpudo e algumas almofadas. Ela abriu os braços e sorriu, fechando os olhos.

— Eu amo esse tapete. – ela disse. – Tanto quanto amo donuts.

   Daniel sentou em minha cama, apoiando as costas na cabeceira e eu fiz o mesmo, abraçando meu travesseiro.

— E aí, o que achou? – perguntei e ele. – Muito assustador?

   Ele fez um barulho esquisito, enquanto dava de ombros e balançava a cabeça negativamente.

— Eu pensei que ela fosse atender a porta, então quando você a abriu eu juro que pude ouvir a música de Arquivo X tocando em minha mente. – ele disse, fazendo eu e Eve rirmos. – Mas sua mãe é bem tranqüila, eu gostei dela. Foi melhor do que conhecer o seu pai, que ficava me olhando torto no começo.

— Ele não fez isso. – revirei os olhos, defendendo Leonard. – Ele gostou muito de você, sabe disso.

   Daniel deu de ombros, sorrindo levemente. Ficamos nos olhando por um tempo, mas logo desviamos o olhar. Fez-se um silêncio no quarto por mais de um minuto, o que fez Eve sentar no chão para nos olhar, com uma sobrancelha arqueada.

— Está tudo bem? – ela perguntou.

   Eu e Daniel nos olhamos, e depois olhamos para ela, assentindo fracamente. Ela semicerrou os olhos para nós dois e ficou de pé.

— Ok, eu vou pegar sorvete. – ela disse. – Vocês querem?

   Assentimos e ela saiu do quarto. Eu me remexi um pouco onde estava, incomodada com aquele silêncio e clima esquisitos. Tudo o que minha mãe havia dito mais cedo estava rondando a minha cabeça, assim como a indireta que Eve lançou e que foi confirmada rapidamente por Daniel. Fiquei olhando minhas unhas, mordendo o lábio inferior, pensativa. Daniel se remexeu em seu lugar também, cruzando os braços e me olhando de canto.

— Você quer falar alguma coisa. – ele disse baixinho. – O que há?

— Nada. – murmurei.

— Mentirosa. – ele sorriu um pouco. – Tem algo te incomodando. Fala logo.

   Suspirei, desviando o olhar do dele. Voltei a olhar minhas unhas, mas desisti rapidamente. Voltei a olhá-lo e vi que ele ainda me observava.

— Aquilo que a Eve disse... – comecei temerosa da resposta que ouviria. – Era verdade?

— Que parte?

— Sobre você... – engoli em seco, sem saber como continuar. – Você sabe. Sobre você... E eu... – balancei um pouco as mãos, apontando para nós dois. – Enfim.

— Seja menos vaga. – ele pediu.

   Percebi que estávamos mais próximos um do outro. Ambos encostados na cabeceira da cama, lado a lado, com os ombros quase colados. Eu conseguia sentir um pouco da sua respiração batendo levemente contra o meu ombro e isso me fazia sentir coisas que eu não devia sentir. Pelo o menos não nesse momento.

— Você gosta de mim, Daniel? – fui direta, sentindo meu coração ficar à mil.

   Um brilho diferente passou por seu olhar, enquanto ele continuava me olhando nos olhos. Ambos parecíamos querer controlar nossas respirações, enquanto mantínhamos o olhar um no outro. Eu não sei por que, mas todos os momentos com Daniel eram intensos. Desde os olhares nos olhos até os momentos em que nos tocávamos e tudo parecia explodir dentro de mim. Era intenso, e bom. E era uma coisa que eu nunca havia sentido na minha vida até agora, mas que eu sinto falta em momentos aleatórios como sinto falta de respirar. Estar com ele era sufocante e prazeroso, e eu não sabia o que diabos fazer com isso tudo. Com todo esse turbilhão, essa bagagem de sentimentos que ele me faz sentir e com os quais eu não tenho experiência. E é disso que eu tenho medo. De errar o caminho e cair em queda livre nisso tudo. Porque se tem alguém que demora a se recompor de uma queda, essa pessoa sou eu.

   E é tão mais confortável ser apaixonada por Benjamin, tão normal olhar ele passar por mim e apenas desejar estar no lugar de Mia sabendo que isso nunca acontecerá. É tão mais fácil gostar dele sabendo que ele nunca será meu, eu estou acostumada a isso. E de repente, me apaixonar por Daniel como tudo indica e me ver de frente com a possibilidade de ser realmente correspondida é estranho. Inesperado. E eu sou uma idiota medrosa.

— Defina gostar. – ele disse, com a voz um pouco rouca, após alguns segundos.

   Ele me olhava de uma forma diferente, quase como Jack olhava para Eve. Umedeci os lábios com a língua, sentindo meu coração ficar cada vez mais acelerado. Daqui a pouco eu tenho arritmia cardíaca e nunca saberei a bendita resposta.  

— Como... – murmurei, fechando os olhos e tentando pensar em uma definição. – Como um garoto gosta de uma garota?

   Abri os olhos, vendo-o fechar os seus enquanto um sorria se abria em seus lábios bonitos. Ele voltou a olhar para mim, com um ar risonho. Seu rosto se aproximou lentamente do meu, nossas testas quase coladas.

— Sim. – ele disse baixinho. – Como um garoto que admira uma garota e que quer estar com ela como se ela fosse sua fonte de oxigênio. Como um garoto que não tem a mínima idéia do que está fazendo, mas que sente necessidade de fazer por você. – eu engoli em seco, enquanto uma de suas mãos vinha para o meu rosto e acariciava minha bochecha suavemente. Seu olhar caiu para os meus lábios e eu senti cada parte de mim implorar por ele. – O que você está fazendo comigo, Ally?

— Cheguei! – Eve gritou assim que entrou no quarto.

   Eu e Daniel quase demos uma cambalhota para trás devido ao susto, nos afastando rapidamente. Ficamos cada um em uma ponta da cama, com o coração a mil e olhando Eve como se ela fosse uma louca. O sorriso dela desmanchou levemente. Ela carregava um pote de sorvete e três colheres.

— Ah, qual é. – ela ralhou, colocando uma mão na cintura, enquanto a outra abraçava o pote de sorvete. – Quando eu deixo vocês sozinhos pra ver se rola algo, não rola nada. Quando eu saio pra pegar sorvete, rola quase de tudo. Nem vou pedir desculpas.

   Revirei os olhos, me ajeitando em meu lugar e tentando fazer a respiração voltar ao normal. Eve veio até a cama e sentou na nossa frente, colocando o sorvete entre nós três. Daniel tinha uma expressão adoravelmente emburrada para Eve, que começou a rir da cara dele. Pegamos nossas colheres e as enfiamos no sorvete de morango com baunilha. Logo estávamos mais calmos e a situação de antes, aparentemente, esquecida. Ficamos conversando bobagens e logo Eve caiu no sono na cama - quando eu e Daniel começamos a discutir sobre os problemas que os humanos causam ao meio ambiente devido à sua ganância e a tristeza que é ver animais presos em zoológicos, definhando em tristeza e amargura enquanto são explorados para fins econômicos, quando deviam estar soltos na natureza que é deles por direito natural - com direito a boca aberta e um fio de baba escorrendo.

   Eu e Daniel nos olhamos, ambos com um sorrisinho. Coloquei um dedo na frente dos lábios, para que ele ficasse em silêncio, e saí da cama lentamente para não fazer barulho. Peguei canetinhas coloridas na minha escrivaninha e dei algumas para Daniel. Desenhamos um óculos redondo ao redor dos olhos de Eve, corações na testa, “JACK” em uma das bochechas em letras garrafais e diversas coisas aleatórios nos espaços que sobravam. Eu e Daniel tentávamos prender o riso, mas acabávamos soltando baixinho, enquanto nos apoiávamos um no outro. Logo terminamos nossa obra de arte e sacamos nossos celulares. Tiramos várias fotos de Eve e eu mandei uma para Jack.

   Eve gemeu algo aleatório, enquanto jogava um braço sobre o rosto e virava para o outro lado da cama, afundando o rosto no edredom. Decidimos deixá-la dormir e saímos do quarto. O apartamento estava silencioso. Olhei o horário em meu celular e vi que já havia passado um pouco da meia noite.

   Como não encontramos minha mãe e Vanessa na varanda, fui olhar no quarto. As duas estavam largadas na cama da minha mãe, ambas ainda com a mesma roupa de mais cedo, murmurando coisas aleatórias durante o sono. Sorri com a visão. Era realmente verdade quando elas diziam, anos atrás, que eu e Eve seríamos como elas. Eu não podia ficar mais feliz por isso.

   Fechei a porta devagar para não acordá-las e voltei para a sala, encontrando Daniel apoiado no batente da porta de vidro que dava para a varanda, com as mãos nos bolsos da jaqueta. Ele olhava a vista de São Francisco do alto, toda iluminada por pequenas luzes. A Golden Gate dava seu ar da glória a alguns quilômetros de distância. O vento estava gelado e eu me abracei assim que fiquei ao lado dele, sentindo o ar frio entrar em meus pulmões.

   Ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas observando a paisagem. Até que Daniel decidiu sentar em um dos bancos de madeira que havia ali, ao lado da mesinha e de alguns vasinhos de flores que ficavam na sacada. Ele estendeu uma mão para mim e eu a peguei, incerta. Ele me puxou para ele e me pôs sobre o seu colo. Sorri, envolvendo seus ombros com meus braços, enquanto ele envolvia minha cintura e afundava seu rosto em meu pescoço. Suspirei, apoiando minha bochecha em sua testa e sentindo o cheiro de shampoo em seus cabelos.

   Eu tinha uma sensação absurda de que tínhamos muita coisa entalada para dizermos um ao outro, mas faltava coragem. Respirei fundo o cheiro de shampoo misturado ao perfume amadeirado dele, e sorri lentamente. Eu tinha medo, sim, de me aprofundar nesse assunto de sentimentos. Tinha medo de dar de cara com o que eu sentia por Daniel, porque passei muito tempo acreditando que todos os meus sentimentos eram para Benjamin. Mas eu sentia isso mudando, pouco a pouco. Porém, eu só teria certeza – aquela absoluta, sem dúvidas ou confusões – sobre o que sentia por Daniel, quando eu me aprofundasse em relação ao que eu sinto por Benjamin e visse o que realmente sinto por ele, afinal.

   Passei meus dedos delicadamente na nuca de Daniel, enrolando-os um pouco em seu cabelo escuro e liso. Senti seus lábios trilharem um caminho do meu pescoço até o canto dos meus lábios, e para mim isso era o suficiente. Por agora.



Notas finais do capítulo

O que acharam?
Coraçãozinho bate forte com esses momentos #Danally, hahahahaha. ♥
Quero avisar que a fic está QUASE entrando em reta afinal, gente... Mas antes que gritem, chorem, ameacem me matar (hehe ♥), aviso logo que farei uma surpresa pra vocês, tá? Então podem acalmar os cores, hahahaha. ♥

Ah, um pedido: Pra quem não sabe, eu tenho um blog há bastante tempo, mas remodelei ele todinho esses dias! Agora ele será mais focado em textos/crônicas que escrevo, filmes que recomendo e coisinhas assim. Eu gostaria que quem pudesse, desse uma olhadinha. Tem várias crônicas minhas lá e tenho CERTEZA que vocês vão gostar! ♥
O link é: http://allieprovier.blogspot.com

Logo trarei o próximo capítulo!
Bjbjbjbjbjbjbbjbj



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