Estrada para o outro lado escrita por slytherina


Capítulo 9
Reencontro


Notas iniciais do capítulo

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar na verdade não há." Pais e filhos - Legião Urbana




"Quando a gente realmente quer uma coisa, a gente tenta até conseguir." Sam falou a meia-voz, mais para si mesmo, como para se convencer.

"Você está citando 'de volta pro futuro'?" Garth falou do quarto onde procurava mantas para Sam usar como colchão.

"Não! Isso é algo que meu irmão me dizia, quando eu falhava em algo. Nem sempre dava certo, mas sempre me fazia levantar e tentar de novo." Sam respondeu sorrindo.

"De pé, soldado Reese!" Garth exclamou.

"O que é isso?"

"É de 'o exterminador do futuro'. O pai de John Connor estava semi-morto, mas esta ordem de Sarah Connor o punha de volta na luta." Garth respondeu, saindo do quarto com as mantas e edredões na mão.

"Parece que você é um cinéfilo."

"Nem tanto. Tome aqui as mantas. Diz aí, por que estava citando seu irmão?"

"Por que eu vou sair agora e vou conseguir um emprego, nem que demore o dia inteiro, eu não vou desistir." Sam falou convicto, enquanto ajeitava as mantas no chão.

"E o que pretende fazer?" Garth perguntou com uma expressão curiosa e compadecida, como se ele soubesse que isso ia dar em nada.

"Posso lavar pratos, entregar jornais, catalogar livros, levar cachorros para passear, lavar banheiros, cortar grama, e ... trabalhar no McDonald." Sam terminou de enumerar suas opções com uma expressão otimista.

"O que seu irmão faz?" Garth perguntou voltando para o quarto para arrumar algumas roupas no armário.

"Ele é caçador, como meu pai, mas faz bicos como mecânico." Sam lembrou com carinho do irmão, que era um faz tudo, e também ganhava dinheiro em jogos de sinuca.

"E você não sabe nada de mecânica de carros?" Garth voltou para a sala e foi beber água da torneira, pois a água era potável. Encheu um copo para Sam também.

"Nada!"

"E também não pode caçar como seu pai?"

Sam lembrou-se que Garth não tinha nenhuma idéia sobre o que seu pai caçava. Será que ele imaginava seu pai caçando alces ou ursos?

"Papai caça animais grandes e perigosos. Com a AIDS eu me tornaria a presa e não o caçador. Meu pai não aceitaria que eu pusesse minha vida em risco, e nem poderia contar comigo na retaguarda, pois eu agora tenho a mania de desmaiar, quando estou muito cansado."

"É, a situação tá brava. Você ainda está estudando não é? Por que não volta pra escola?"

"E quem iria trazer comida pra casa. Eu não quero que você me sustente."

"E não vou. Se você voltar a estudar pode almoçar na escola." Garth piscou para Sam.

"As pessoas nunca me aceitariam sendo aidético." Sam falou acabrunhado.

"Eles não precisam saber. Guarde segredo até que resolva confiar em alguém, ou até que você resolva ser porta-voz dos fracos e oprimidos."

Sam deu um meio-sorriso e baixou os olhos. "Sabe, Garth, meu irmão queria ir até a escola aterrorizar meus amigos, para que eles contassem de quem eu peguei AIDS."

"Minha Nossa! Ele fez isso?"

"Espero que não." Sam ficou triste e deixou-se arriar ao chão.

"Ei, cara! Não esmorece, não! Seu irmão pode ser um idiota, mas nem todo mundo é como ele. Tem muita gente por aí que tem uma boa cabeça sobre os ombros, e que não tem preconceitos contra aidéticos."

Sam olhou Garth de soslaio, mas não sorriu.

Alguém bateu na porta. Garth foi atender. "Pois não?"

"Estou procurando Sam Winchester. Ele está aqui?" Uma voz grave e conhecida soou do outro lado da porta semi-aberta.

Sam sentiu-se aquecer no mesmo instante. Uma alegria infinita e uma saudade doída, que ele nem sabia que estava sentindo, ameaçaram comprimir seu peito. "Dean?" Ele gritou.

"Sammy?" Dean afastou Garth de sua frente sem cerimônias, e entrou no apartamento, dando de cara com seu irmão desaparecido. Abraçaram-se forte e começaram a chorar no mesmo instante.

Garth e a Assistente Social do Hospital, que viera acompanhando Dean, ficaram olhando os dois irmãos e se emocionaram também.

"Que bom que te achei. Agora vamos voltar pra casa. Você está bem? Hein?" Dean perguntou após se refazer da emoção, segurando o rosto de Sam com as duas mãos.

"Eu tou bem! Eu tou bem! Tem certeza de que quer que eu volte?" Sam perguntou ainda receoso e inseguro.

"Toda a certeza do mundo! Vamos para casa!" Dean pegou a mochila de Sam e puxou Sam pelo braço, em direção à saída.

"Espere, espere! Quero que conheça meu amigo. Este é Garth, eu o conheci no hospital. Este é meu irmão Dean."

"Como vai?" Garth estendeu a mão timidamente.

"Vou bem, e você?" Dean apertou a mão do outro a contragosto. A única coisa que ele queria era sair dali, imediatamente.

"Dean, eu quero que você saiba, que eu e Garth somos amigos do peito, e que sempre manteremos contato. Ok?" Sam falou sério e intenso, procurando os olhos do irmão, para que o outro percebesse que ele não estava brincando.

Dean sentiu a força da resolução do irmão e resolveu concordar por hora. Depois ele analisaria melhor tudo aquilo. "Ok!"

"Valeu, Sam! Acredite, eu já fico feliz em saber que as coisas se ajeitaram pra você, e que sua família o aceitou de volta." Sam e Garth se abraçaram.

"As coisas vão se ajeitar pra você também, chapa." Sam se virou para a Assistente Social. "Meu amigão aqui necessita de um emprego. Será que a senhora não pode ajudá-lo nisso?"

Garth afastou-se um pouco envergonhado, mas ele bem que precisava dessa força.

A Assistente balançou a cabeça afirmativamente. "Há uma vaga para palestrantes sobre a AIDS, para trabalhar com adolescentes. É um trabalho remunerado, embora não seja muito, acho que dá pra manter este quarto." Ela falou se dirigindo a Garth.

"Eu aceito!" Garth falou no mesmo instante.

A assistente riu. "O emprego é seu." Ambos apertaram as mãos e se abraçaram, no que foi acrescido do abraço de Sam.

Dean ficou até encabulado de ver tanta gente se abraçando por causa de um emprego.





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