Estrada para o outro lado escrita por slytherina


Capítulo 8
Esperança


Notas iniciais do capítulo

"Por que esperar se podemos começar tudo de novo, agora mesmo. A humanidade é desumana, mas ainda temos chance. O sol nasce pra todos. Só não sabe quem não quer." Quando o sol bater na janela do teu quarto - Legião Urbana




Dean estava com os olhos vermelhos pela noite insone. Ele foi diminuindo a velocidade do Impala até chegar na cidadezinha, para onde supostamente Sam havia fugido. Resolveu procurar a rodoviária primeiro, mas as pessoas não souberam informar nada, a não ser que o ônibus havia chegado lá.

Ele deu uma volta pela cidade, sem sucesso. Resolveu então, entrar em contato com seu pai. Já esperava pela bronca que sem dúvida iria levar, mas por mais que ele venerasse o homem, nada no mundo iria afastá-lo de sua resolução de encontrar Sam o mais rápido que pudesse.

"Onde você está?" John Winchester grunhiu.

"Estou numa cidadezinha distante uns 500 km de onde moramos. Tenho quase certeza que Sam veio pra cá. Só não consigo encontrá-lo." Dean respondeu calmamente, cansado e triste.

"Resolveu seguir seus impulsos sem me consultar. Mais uma vez." John reclamou. Dean quase podia ver seus dentes cerrados e os músculos tensos, como quando ele estava irado.

"Na rodoviária, havia o registro de um Sam Page que pegou um ônibus na mesma noite em que Sam fugiu. Eu sei que era ele."

"Veremos. Dê-me as coordenadas que irei encontrá-lo. E não mova seu traseiro daí, sem me avisar." O pai ameaçou.

"Sim, Senhor!"

Dean informou os detalhes para seu pai e a seguir foi vaguear pela cidade. Tomou um café da manhã reforçado, com bacon, ovos fritos, café preto, e pegou um quarto de motel. Daí, a preocupação com seu irmão se tornou mais premente. Um sentido de urgência o fez sair de casa e procurar um Pronto Socorro próximo, para perguntar por Sam. Será que Sam estava correndo risco de vida?

"Sam Page? Não, ninguém com esse nome deu entrada aqui. Mas temos um Sam Winchester." A recepcionista do Hospital e Pronto Socorro local informou.

"Sam Winchester? É ele mesmo. É meu irmão. Onde ele está? Eu quero vê-lo." Dean perguntou excitado.

"Ué, você não falou Page?"

"Sam Page foi o nome falso que ele usou na rodoviária, para chegar aqui. Pensei que ele continuaria com o nome falso." Dean falou puxando a identidade da carteira, para provar seu ponto para a funcionária.

"Espere aí." A mulher se afastou do guichê e pegou um telefone próximo. Voltou alguns minutos depois. "Você terá que falar com a Assistente Social. Ela o levará até seu irmão."

Dean não se agüentava de excitação. Ele quase não podia ficar parado no mesmo canto, movendo os pés continuamente. "Ok!"

Ele foi conduzido por um corredor e teve que aguardar em um cubículo branco, por uma outra mulher, que viria trazer Sam de volta. "Oh, que demora!" Reclamou para as paredes.

A porta se abriu e uma mulher baixa e magrinha, com uma juba ruiva e imensos óculos de fundo de garrafa, entrou sozinha. Onde estava Sam?

"Onde está Sam Winchester, meu irmão? Por que não o trouxe consigo? Aconteceu alguma coisa com ele?" Dean perguntou ansioso pulando da cadeira onde estava. Se aquela mulher não se explicasse rapidamente, ele iria invadir aquele hospital, revirando quarto por quarto, até encontrar Sam.

"Acalme-se. Primeiro precisamos conversar. Seu irmão está na enfermaria para indigentes. Você sabe em que condições ele deu entrada aqui?"

"Condições? Não! A única coisa que eu sei é que ele está aqui, e eu vim buscá-lo para levá-lo para casa. Por favor, sem ser desrespeitoso, pare com o papo furado e me leve até ele, de uma vez."

"Não quer saber o que aconteceu com seu irmão?"

Essa pergunta teve o dom de fazer Dean se acalmar, como se houvessem jogado um balde de água gelada em sua cabeça. Dean sentou-se novamente. A Assistente Social sentou-se em sua cadeira, atrás de sua escrivaninha.

"O que aconteceu com Sam?" Dean perguntou num fio de voz.

"Ele não tinha para onde ir, por isso dormiu no banco da rodoviária. Um morador de rua o abordou e tentou roubá-lo. Ele correu até uma lanchonete próxima, pedindo ajuda. O dono do local afugentou o morador de rua, mas aparentemente, o esforço da fuga fez Sam desmaiar. Chamaram uma ambulância e ele foi trazido para cá, há duas noites."

"Isso ocorreu no dia seguinte a sua fuga? Sam é um rapaz durão, ele jamais seria aterrorizado por um morador de rua." Dean pensou em voz alta.

"Você sabe que ele está doente?"

"Sei."

"Sabe que essa doença o enfraqueceu?"

Dean balançou a cabeça afirmativamente. O remorso pesando forte em seu ser. Sam estava fraco e ele o havia esmurrado. Dean baixou a cabeça envergonhado.

"Seu irmão precisa de acompanhamento médico constante. E o mais importante, ele precisa do apoio da família. Ele não está apenas com o corpo fraco, mas seu espírito também está debilitado. A depressão é uma constante nesses casos, e isso atrapalha em muito sua recuperação."

"Recuperação? Essa doença não tem cura, moça." Dean falou tristemente.

"É, não tem cura, mas com o tratamento, a quantidade do vírus no sangue pode chegar a níveis indetectáveis, e seu irmão poderá levar uma vida próxima do normal, trabalhando, se divertindo, namorando, casando, e sem o risco de contaminar outras pessoas."

Dean ficou boquiaberto. Desde que Sam recebera o diagnóstico, era como se ele tivesse pegado a pena de morte, com um relógio fazendo a contagem regressiva. A idéia de que Sam ainda pudesse levar uma vida normal era extraordinária. Era quase como um milagre.

"Você falou isso para Sam?"

"Falei, mas ele estava muito abatido e creio que não me deu muita atenção. Cabe a você conversar com seu irmão e animá-lo, para que ele não se deixe vencer por sentimentos negativos e derrotistas."

"Sim, eu farei isso. Pode deixar comigo."

"Ok! Agora vamos até ele."

Eles foram para a enfermaria coletiva, onde os leitos se emparelhavam lado a lado e uma fina cortina os separava, para dar um senso de privacidade, ainda que precário. Dirigiram-se a um leito em especial e a profissional puxou as cortinas para expor um leito vazio.

"Onde está Sam?" Dean perguntou agoniado para uma confusa Assistente Social.





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