A Raposa escrita por Miss Weirdo


Capítulo 24
Capítulo 24


Notas iniciais do capítulo

AEEEEEEE POXTEI
Na verdade ainda não, mas assim que eu apertar o botão eu vou postar.
Eu gostei demais desse capítulo, particularmente, e se vocês quiserem ter uma experiência mais viva, recomendo:
Deixar esse vídeo aberto enquanto estão lendo, mas no volume baixo. Quando o Tomeh abrir a porta de casa aumentar, e quando chegar no bar tirar o som completamente.
Juro, fica muito legal :3
https://www.youtube.com/watch?v=LR6nhCLXhX4

Boa leitura!




Quando desci novamente, o livro escondido dentro das vestes e a cabeça ainda imersa naquele pesadelo com a feiticeira, encontrei todos focados na mulher de cabelo preto e liso, correndo até sua cintura. Um longo vestido que cobria até os dedos de seu pé e um xale preto sobre os ombros caracterizavam ainda mais a mulher que eu lembrava. Fora poucas rugas no rosto, Mikaela não havia mudado nada. 

— Tom, estávamos a sua espera — ela sorriu, abrindo os braços — você cresceu!

— Seu Ocqui é muito bom — admiti, lhe dando um abraço. Admito que eu sempre considerei Mika mais mãe que minha própria mãe. As vezes, quando a situação na minha casa estava simplesmente insuportável, eu ia para a dela, onde me preparava uma bebida quente e deixava que lesse seus livros. Ah, e ela não era louca.

— Sem demorar, já expliquei para Mikaela seu problema — minha mãe interrompeu, cruzando os braços, o olhar de determinação em seu rosto. Ela queria resolver logo esse problema, e, para ser sincero, eu também.

— Chegaram a alguma conclusão? — Fox perguntou. Por fora ela parecia confiante, mas minhas experiências passadas com suas habilidades em atuação me deram certeza de que, por dentro, ela ainda estava abalada. Eu estava me tornando um especialista em decifrar seus olhos castanhos.

— Podemos nos sentar? — ela apontou para os sofás, mas apenas se dirigiu à sala quando todos nós ficamos acomodados. Mika se sentou na cadeira que puxou da mesa da cozinha para poder ficar de frente para ambos os sofás. Cruzou suas pernas, juntou as mãos e nos fitou por um tempo, os olhos focados.

Ruídos de ventania escapavam pelas frestas da janela e dançavam por nossos ouvidos, como um lobo uivando. Me distraí por um momento, imaginando as árvores balançando ao som dessa música esquisita. 

— E então? — Batata questionou, nervoso.

— Belena, sobre o que está acontecendo… — a morena começou, e Fox arqueou as sobrancelhas.

— Como sabe meu nome?

Mika pareceu surpresa.

— Eu sei de tudo. Eu sei sobre seus pais, seu irmão, seu relacionamento com o regente, seus piores pesadelos e ambições. Das coisas que se envergonha às que mais se orgulha. Sei também de seus segredos — naquele segundo, seus olhos desviaram-se para mim rapidamente, o que me levou a pensar se não fora apenas uma ilusão. Voltou a conversar com a ruiva — não existe nada que alguém possa esconder de mim.

A capitã ficou sem reação. Devia ser horrível para alguém que sempre teve controle de tudo perceber que, de uns dias para aquele exato momento, todos ficaram sabendo das coisas que ela mais procurava esconder. Sua vontade provavelmente seria a de quebrar tudo e fugir, gritar uns palavrões, quem sabe? Qualquer coisa que condissesse com sua personalidade impulsiva. Mas não. Ela ficou desolada e parada.

— Deixe-me ser mais clara — Mikaela pigarreou — eu imagino que seu problema não seja de agora. Casos assim… Vem desde a infância.

— Não pode ser — ela anunciou — nunca ocorreu nada desse tipo comigo quando criança.

— Tem certeza? — a morena estreitou o olhar e se inclinou na cadeira — se lembra do cavalo?

Fox parou para pensar um pouco, então disse:

— Eu me aproximei muito depressa.

— Mas e os cachorros de sua família?

— Eram da guarda, obviamente iam… — o tom de sua voz tinha se alterado antes de eu a interromper, intrigado.

— Você nunca se deu bem com animais, já chegou a me dizer isso vez ou outra.

— Todos aqueles dias, sozinha nos corredores de sua casa, quando você ouvia passos mas se decidia que eram apenas impressão?

— Não é possível — ela balançou a cabeça, confusa, mas livrando-se dos pensamentos. 

— Oh, na verdade é mais possível do que aparenta. Os arrepios repentinos, a sensação de estar sendo observada, sombras que percebe quando olha muito rápido para algo? — Isso acontece com todos! — a ruiva bradou, exasperada.

— Mas você sabe que com você é diferente — Mika estava irredutível, e os Sailors olhavam para as duas como se estivessem segurando espadas e prontas para iniciar uma batalha. Nem mesmo Garra, com toda sua impulsividade e raiva, parecia apto a se levantar e impedir o que quer que estava prestes a se formar.

— Você está louca, não há nada de diferente sobre mim! — protestou, falando mais alto.

— Não? Realmente? — a mulher cruzou seus braços e, em seguida, disse com a voz afiada como uma faca, atingindo Fox em seu ponto fraco, provando para todos que realmente sabia de tudo — sabe me explicar o que aconteceu naquela noite nos estábulos? 

A ruiva abriu a boca, sem resposta. Seu olhar se perdeu por um segundo, olhando para o chão, a respiração sem ritmo. Foi como se o mundo inteiro parasse diante de mim para que ela pudesse reviver essa lembrança, e o único fator presente fora sua expressão desconsertada sendo os uivos da ventania do lado de fora da casa. Todavia, aquilo tinha acontecido em apenas um segundo, com o impacto de cair de um precipício.

Mikaela respirou fundo, orgulhosa de seu feito, e voltou a falar:

— O que aconteceu naquela noite, Belena, quando você…

— Chega.

A morena aparentou confusão.

— Com licença?

— Eu disse chega — levantou-se, decidida. Seus olhos determinados indicavam impaciência, ou seria negação? — estou cansada dessas besteiras. Não existem demônios me perseguindo. Nós nunca deveríamos ter deixado a rota para a fronteira de Maragua. 

— Menina, você poder terminar de ouvir? — minha mãe tentou, mas a garota se estressou.

— Não! Não pretendo ouvir mais nem um pouco dessas idiotices! Eu sou a capitã mais temida de todos os mares, eu consegui essa reputação, eu a torno real a cada dia que passa. Marujos desviam suas rotas no oceano para escaparem do Metal Curse, mercadores em terra tremem ao ouvir o nome Sea Fox, e sabem por quê?

A garota olhou para todos nós, que nos aquietamos em nossos assentos enquanto sua voz aumentava e seu olhar se tornava cada vez mais mortal. Tudo naquele momento me recordava da primeira impressão que tive dela, desde a língua afiada à maneira que seu cabelo vermelho condizia com sua personalidade em chamas. Conviver com ela era estar constantemente sobre risco de morrer queimado.

— Por que não é uma história para assustar crianças que me impede de estourar a cabeça de alguém que esteja no caminho do que eu quero!

Seus olhos miraram cada um de nós como uma lâmina, fazendo-me ter um calafrio. Depois de ter certeza que ninguém a contestaria, deu as costas e saiu da minha casa batendo a porta atrás de si, deixando conosco um clima desconfortável de quem não conseguiria lidar com ela. Mohra sabia que nessas horas, era melhor deixa-la sozinha, Garra a respeitava demais para invadir seu espaço, Sequela estava completamente alheio à situação e Batata a temia o suficiente para não se meter num momento daqueles.

Bem, eu não era nenhum desses homens.

Me ergui devagar, atraindo todos os olhares. 

— Hm, eu, ahn — pigarrei — já volto.

Ninguém tentou contestar. Se um de nós tivesse que morrer… Bem, eu estava me oferencendo de qualquer maneira.

Saí de minha casa e fui imediatamente atingido por uma rajada do vento forte, que balançou meu cabelo. Vasculhei o lugar com os olhos rapidamente. Fox andava com passos duros para o terreno da floresta, e meus pelos se arrepiaram só de pensar em me aproximar daquele lugar. Era muito esquisito, com suas árvores frondosas e fechadas, como um muro verde para uma terra escura.

O cabelo da ruiva contrastava com o cinza do céu, voando em todas as direções, e eu tive que andar mais depressa para alcançá-la antes que pudesse causar um incêndio real com sua raiva. Naquela ventania, morreríamos todos.

— Fox, volte aqui! — gritei.

— Vá embora, Tomeh! — sua resposta, junto ao meu nome pronunciado errado, me fizeram ir atrás dela com mais vontade.

— Você só precisa me escutar! 

— Eu não tenho interesse em ouvir nem mais uma palavra sobre essa estupidez, muito obrigada!

Continuou trovejando até as árvores, o lugar onde estávamos cada vez mais próximos. Meu coração se acelerou de ansiedade.

— Fox, por favor, qual o motivo da resistência?

— Não há resistência, nada aconteceu! — esbravejou, virando-se rapidamente, mas sem deixar de andar.

— Você mesma viu os demônios! 

— Pare de me seguir, isso é uma ordem! — me deu as costas novamente.

— Pare você de agir como uma criança! Você mesma disse que é a capitã mais temida do mundo! Aja como uma!— gritei, dessa vez correndo.

— Agir como uma? — ela parou de andar, as árvores tão próximas agora que pareciam uma onda gigante pronta para nos engolir. Folhas voavam para todas as direções, carregadas pelo vento forte, e os galhos se batiam como se pedindo socorro. Um paredão de medo, tive a impressão de que qualquer um que entrasse ali não sairia nunca mais, e senti a necessidade de olhar para cima, tentando assimilar o tamanho daquilo tudo — você quer que eu aja como a capitã que todos tem medo? 

— Eu não tenho medo de você — falei, no máximo um metro nos separando agora. O atrito das folhas quase nos impedia de ouvir nossas vozes.

— E esse é seu problema — Fox assumiu, virando-se de repente, puxando a faca do cinto e apontando para mim.

Dei um passo instintivo para trás.

— Eu não te entendo — balançou a cabeça, nervosa — sempre foi assim, atirado, pensando que podia fazer o que quisesse, uma confiança irritante, lábia pior ainda. Você não tem o respeito que os outros marujos têm. Qualquer um na sua posição iria temer minha presença, evitar me olhar diretamente nos olhos… Mas para você isso não passa de um jogo!

— Sabe que eu sou a única pessoa em que você pode confiar — falei, levantando a mão devagar.

— Confiar? Ah, está tudo errado. Eu nunca confiei em você, por favor!

— E todas as vezes onde me deixou te consolar enquanto o mundo todo parecia estar desmoronando? Nenhum outro marujo fez isso por você.

— Tomeh, eu nunca permiti! Todas as vezes, você invadia meu quarto, nunca tive escolha.

— Pelo Destino, pare de mentir! Se Sea Fox quisesse, eu já estaria morto — continuei levando a mão até a faca apontada em meu peito, pronto para tira-la dali.

— Por muito tempo me perguntei se estava errada ao te trazer para o navio. Quer saber? — falou, as palavras seguintes sendo carregadas com mais força pelo vento, me atingindo como um soco — eu deveria tê-lo deixado afundar com seu antigo capitão!

Naquele momento eu engasguei.

Queria ter uma resposta para aquilo, mas não tinha. Eu estava sempre pronto, mas daquela vez, não. Esperava qualquer coisa, menos a frase que ela tinha cuspido contra mim com tanta verdade. Em seus olhos, não havia um pingo de remorso.

A mão que estava em sua faca, a abaixando devagar, parou. Eu não consegui raciocinar direito.

Naquele segundo, me lembrei de uma das primeiras vezes que conversamos. Ela havia me perguntado se eu acreditava em anjos. Respondi que sim. “Então você também acredita no Diabo, e ele está bem na sua frente”. Foi ali que eu decidi o caminho que iria trilhar. O Destino havia me guiado ao convés do Metal Curse, ao invés de apenas desistir e queimar junto dos perdedores. Foi lá que assinei um tratado assumindo que sabia o que estava fazendo. Eu finalmente havia entendido. Eu nunca soube. 

Aquela garota não era o Diabo. Era pior.

  — Você… — balbuciei — você sabe qual a diferença entre os outros Sailors e eu?

Ela ficou em silêncio, me encarando, a faca apontada para o meu peito e o queixo erguido.

— A diferença… — eu comecei, mas algo me chamou atenção atrás de Fox. De primeira achei que fosse um reflexo, uma sombra, mas quando os pelos de meu braço se eriçaram e a forma não desapareceu, e sim pareceu ficar mais vívida, tive certeza do que estava acontecendo.

— O que foi? — a ruiva perguntou, irritada, mas com as sobrancelhas arqueadas. Meus olhos desviavam dos seus para mirar o que estava atrás dela.

— Fox, saia daí — murmurei.

Ela não contestou. Provavelmente concluiu que meu olhar assustado devia significar algo importante, e começou a dar passos na minha direção.

A coisa atrás dela então se moveu, e eu gritei para que ela tomasse cuidado. Fox, num impulso, virou o rosto para ver o que estava atrás de si e deu um grito. Tentou correr na minha direção, mas uma força esquisita me puxou para perto das árvores, o que fez com que eu trombasse na garota e nós dois rolássemos na direção de um dos troncos, indo floresta adentro.

De repente, meu peito começou a queimar. Eu arfei enquanto éramos arrastados, e procurei de toda maneira arrancar minha blusa. Meu corpo era arranhado por diversas folhas secas e raízes, e eu podia ver Fox se debatendo ao meu lado, procurando algo para agarrar.

Consegui puxar de dentro de minhas vestes o livro que havia pego da estante de minha mãe, o símbolo da capa onde os quatro círculos se ligavam brilhando em vermelho, incandescente. Passei a mão por ali e senti meus dedos queimarem.

Em um piscar de olhos, me encontrei sentado em um banco de madeira no fundo de um bar. Velas iluminavam as mesas com uma luz alaranjada tremulante, e o estabelecimento estava cheio de pessoas. Em um pequeno palco, músicos tocavam seus instrumentos animadamente, e a conversa alta entre mulheres e homens preenchia o ambiente de uma maneira convidativa.

Logo que terminei de observar onde estava, a porta de madeira se abriu, deixando a escuridão engolir a luminosidade momentaneamente, ao passo que um homem de sobretudo chumbo pisava com suas botas no chão de madeira. Uma corrente fria fez seu caminho até mim, e notei uma camada fina de chuva caindo.

A porta se fechou, e o homem caminhou vagarosamente até onde eu estava, sentando no banco do outro lado da mesa circular. Tirou seu capuz, revelando uma barba loira encardida e um início de calvície. Grandes olheiras roxas arrastavam seus olhos para baixo, e o nariz inchado parecia ter sofrido algum golpe há pouco tempo.

Observei enquanto ele reclinava a cadeira até ficar se equilibrando nela com os pés traseiros. Levantou a mão e pediu por uma cerveja para uma das atendentes, tirou uma faca do bolso e passou a cutucar suas unhas.

O homem não fazia nada mais que isso. Dava alguns goles em sua cerveja, raspava as unhas com sua faca ou observava o reflexo das luzes em sua lâmina, e tudo isso sem dizer uma palavra. Eu já estava ficando incomodado, e me perguntei se não deveria andar para tentar descobrir alguma coisa.

O relógio no canto do lugar bateu. Foram várias badaladas, que no meio da música e da conversa passaram despercebidas. O homem estreitou o olhar e viu enquanto um casal entrava no estabelecimento de mãos dadas e sorrindo. Pareciam um pouco bêbados, e foram se puxando aos tropeços e com sorrisos bobos até um corredor nos fundos. O homem loiro os seguiu com o olhar, virou o resto de sua bebida e bateu o copo na mesa.

Me levantei ao mesmo tempo que ele, e o vi se arrastar no meio das pessoas como se fosse uma sombra. Não esbarrou em ninguém, não chamou atenção, não despertou a curiosidade de nenhuma pessoa que não fosse eu. O segui até o corredor vazio e longo, onde ele foi até uma das últimas portas com o passo pesado.

O som ali era abafado, o que facilitava o homem loiro de escutar o que acontecia dentro do quarto. Com o ouvido encostado na porta, prestava fixa atenção. Não demorou muito, se afastou e deu um chute para fazê-la abrir com um estrondo.

— Ei! — gritou o homem — está ocupado!

A mulher tentou se cobrir no lençol, mas o loiro apenas revirou os olhos e foi até eles.

— O que está fazendo? — a moça questionou, irritada.

— Ah, não me leve a mal — respondeu com a voz rouca, enquanto puxava sua faca e dava um sorriso sinistro — mas eu estava precisando de uns trocados.

Com isso, movimentou a arma rapidamente e perfurou o homem, fazendo a mulher dar um grito. Ele logo correu para cima dela, que pulou para fora da cama tentando fugir. O assassino fora mais rápido, bloqueando a porta.

— Por favor, não me mate — ela tremia de medo, as lágrimas começando a escorrer por suas bochechas rosadas — eu lhe imploro.

Mesmo sabendo que eles não podiam me ver, e que aquilo deveria ser mais um devaneio, senti a agonia de querer impedir e não poder. Mesmo quando eu gritava um “não” involuntário, eu sabia que não iriam me ouvir.

— Me desculpe, mas meu empregador foi bem claro — deu de ombros. A mulher soluçou, desesperada, e saiu correndo novamente. A última memória que teve foi a faca do loiro voando e se cravando em suas costas.

O homem virou seu pescoço de um lado para o outro, esticando-se. Caminhou vagarosamente até uma peça de roupa jogada no chão, o paletó do morto. Procurou por algo no bolso de fora, e depois no de dentro. De lá, puxou um papel.

Abriu, checou algo e deu um sorriso. Devia ser o que procurava.

Fechou a porta do quarto atrás de si enquanto caminhava novamente pelo corredor. A música animada parecia entreter perfeitamente todos ali, que junto das luzes tremulantes e dos sons dos instrumentos, ficavam entorpecidos numa realidade alternativa, onde não puderam ouvir o pedido de socorro da garota, agora morta, jazendo no mesmo lugar que eles. 

Deixou uns trocados ao lado do copo vazio de cerveja, intocado, e foi embora.

Eu o segui para fora do bar, me deparando com uma cena familiar. Assim que nossos corpos foram imersos pelo vento frio, o chuvisco havia parado e gritos do outro lado da rua me chamaram atenção. Uma garota maltrapilha fugia de dentro de uma loja com um livro nos braços, enquanto duas mulheres assustadas corriam para trancar a porta. Tanto eu quanto o loiro ao meu lado nos distraímos com a cena.

— Olhe por onde anda! — esbravejou a mesma voz rouca. Um homem desconhecido passava com pressa quando esbarrou no assassino. O papel caiu de suas mãos.

Me abaixei, lembrando do que ocorreu na memória daquela feiticeira, o que havia me levado de volta a realidade. Senti um calafrio, mas ignorei a sensação e encostei na folha. Meus olhos se arregalaram.

— Tomeh, responda! — Fox pediu, chacoalhando minha cabeça.

Murmurei alguma coisa incompreensível, ainda grogue.

— Pensei que estivesse morto — falou.

Olhei rapidamente onde estava. Meu corpo todo ardia com os diversos arranhões dos galhos, e percebi estar envolto em árvores.

— Ainda estamos aqui? — perguntei, a voz fraca, o peso  do mundo sobre meus pulmões — espera… Nós morremos?

— Não — falou, dobrando suas pernas e as abraçando.

— Então como escapamos — parei para respirar — daquela coisa?

— Nós não escapamos, ela foi embora — a ruiva disse, parecia confusa — eu não sei exatamente o que aconteceu. Estávamos sendo arrastados, de repente você segurou um livro e desmaiou, e eu podia jurar que era porque tinha batido a cabeça. Naquele momento eu só estava implorando para o vulto desaparecer… E ele desapareceu.

Esfreguei meu rosto, me mexendo o suficiente para conseguir me sentar. O vento agora estava mais fraco, contudo ainda podia balançar as madeixas alaranjadas da garota. Olhei para o rosto da capitã, onde vários arranhões trilhavam caminhos por meio das sardas. Não conseguiria descrever seu olhar em palavras, porque provavelmente não teria como. 

Eu continuava me sentindo traído pelas palavras que a menina tinha disparado contra mim, e mesmo assim meu senso de lealdade falava mais alto. Eu estava me odiando por aquilo, pois sabia que, apesar de tudo, ainda faria qualquer coisa por ela.

E, sentados de frente um para o outro, eu disse:

— Você ainda quer saber a diferença entre os outros marujos e eu? 

Ficou em silêncio, mas assentiu vagarosamente.

— Os Sailors lutam por você. Eu luto com você.

 

“O seu nome ninguém diz”



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado! Eu curti esse capítulo :p



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