Kitty's Pride escrita por Bree


Capítulo 4
Uma união desejada




Quando Jane regressou, encontrou a irmã perdida em devaneios enquanto uma criada tirava a mesa. Kitty tinha os olhos perdidos, como se admirasse um quadro particular.

– Criaturas adoráveis, não acha? – Questionou Jane, esfregando as mãos discretamente, como costumava fazer por estar ansiosa.

– Se viessem mais cedo nos encontrariam dormindo. – Observou a mais nova, despertando. – Não me olhe severamente, não ligo tanto para o desprezo dos Höwedes pelo decoro.

– Talvez ainda não tenham se habituado ao fuso horário. – Lembrou Jane, sentando-se de frente para a irmã.

– Talvez. Mas nada a respeito deles segue o esperado. – Disse a moça, brincando com uma mecha do cabelo. Em seus pensamentos, Kitty se perguntou se isso seria realmente ruim.

– Por que diz isso, minha irmã? – Quis saber Jane.

– A mulher parece um tanto amarga, fizeram uma mudança durante a madrugada e vão dar um baile apenas um dia depois de se estabelecerem aqui. – Enumerou Kitty. – É estranho.

– Não acho que seja. Talvez tenham costumes diferentes no exterior. – Disse Jane, ainda em defesa.

– Se prefere pensar assim. – Retrucou Kitty. – Mas sei que ela não me teve com bons olhos.

– Talvez tenha só se assustado com seu vestido sujo. – Sugeriu Jane.

– Algo muito arcaico para alguém que acha que as mulheres devem ser modernas. – Observou Kitty. – Mas não quero mais levantar teses sobre os vizinhos. São gentis e atenciosos por virem aqui pessoalmente.

– Até que enfim concordamos com alguma coisa, Kitty. – Disse Jane. – Agora podemos nos arrumar e preparar os meninos. Assim que Bingley chegar iremos ao almoço com os Walters. – Concluiu ela, levantando-se e cruzando o jardim na direção da casa. Kitty a acompanhou logo em seguida, pouco disposta a sair de casa, mas sem intenção de contrariar a irmã. Poucas horas mais tarde o cunhado chegou com a carruagem da família e foi informado sobre a visita e o convite dos recém chegados. Bingley é claro, ficou muito contente e triste por não ter estado presente para recebe-los. Tudo foi acertado para que pudessem comparecer ao baile do dia seguinte, e durante o almoço com os Walters, não se teve outro assunto, já que a família de Lord e Lady Walters também havia sido convidada. A família em questão era composta por dois filhos solteiros, pouco mais velhos que Kitty, Alfred e Michael.

Por mais de uma vez, Alfred tinha sido recomendado por Jane como um ótimo pretendente para a irmã mais nova, mas Kitty não aceitava a ideia. Tinha apreço por ele, e ele obviamente não lhe havia feito pedido algum, mas caso acontecesse, ela não sabia se poderia aceitar. Alfred era bonito, ela admitia, com olhos amendoados e cabelos pretos, mas algo não se encaixava e ela não flutuava na presença dele. Mas mesmo assim, a disposição de lugares durante o almoço os colocou próximos um do outro. Isso claramente era um plano da mãe do rapaz, Lady Linda Walters, uma senhora de não mais que cinquenta anos, afetuosa e sorridente.

– Os Höwedes foram pessoalmente a Goldenshaw, eu suponho. – Disse Alfred em voz baixa, surpreendendo Kitty, que estava concentrada em seu prato.

– Ah, sim. Bem cedo. – Respondeu ela. – Muito atencioso da parte deles.

– Eu diria que foram precipitados, quase exagerados. – Rebateu o rapaz. – Certa vez, na universidade, eu lidei com um cavalheiro de igual personalidade, claro que eu sempre... – Ele continuou, mas Kitty nem sequer podia ouvi-lo, ocorreu-lhe então que Alfred falava demais de si mesmo.

– Interessante. – Respondeu Kitty, sem estar ciente do que exatamente ele tinha dito. Isso era sempre o que ela respondia quando não prestava muita atenção. No outro canto da mesa Lady Walters e Jane conspiravam com risadinhas, fazendo com que Kitty corasse levemente. Tudo que a jovem mais temia era ver a irmã se influenciar pela tendência da mãe, e pior ainda, que Alfred já tivesse tomado conhecimento da trama que se tecia ali. A última opção, suspirou ela ao reconhecer, era praticamente certa. Mas o que ela faria para desencorajar a irmã e Lady Walters? Não estava em seus planos nem sequer pensar em se comportar mal, para que fosse desmerecida como nora, mas essa era uma das poucas ideias que poderiam evitar um noivado. Kitty suspirou e se manteve calma. Recorrendo ao pouco entusiasmo durante as conversas. Mas ela logo percebeu, frustrada, que aquilo foi interpretado como timidez, e a sogra em potencial, apenas sorriu em apoio a ela.

Quando todos se despediram, Kitty sentia que o sapato lhe dera um machucado no pé. A moça seguiu com certa dificuldade até a carruagem, na qual Alfred a ajudo a subir. Quando se distanciavam da propriedade, Jane finalmente lhe falou empolgada.

– Lady Walters ficou muito feliz ao ver você e Alfred tão próximos.

– Ele me fez apenas algumas perguntas. Nada demais. – Se defendeu a jovem, olhando demoradamente pela janela da carruagem.

– Ele tem afeição por você. – Insistiu Jane.

– Eu também tenho. É inteligente e gentil. Poderia ser como um irmão, se Deus nos tivesse dado tal sorte. – Respondeu Kitty

– Sabe que não falo nesse aspecto. Talvez muito em breve ele lhe faça o pedido. Mamãe ficaria muito feliz. – Declarou Jane.

– Duvido muitíssimo, minha irmã. – Respondeu Kitty, entre os dentes, sentindo as maças do rosto esquentarem. – Estou certa de que me vê como amiga.

– É um rapaz muito interessante, Kitty. – Se posicionou Bingley. – Adora cavalgar e possui um escritório lucrativo no povoado de Klint.

– Não sabia que ele já advogava. – Disse Kitty, surpresa.

– Há pelo menos três meses. – Disse Bingley.

– Que bom que se interessou, Kitty. – Sugeriu Jane.

– Fiquei curiosa. Alfred não comentou nada nas oportunidades que teve. Enfim, podemos falar de outra coisa? – Pediu ela.

– Que tal de como precisamos comprar fitas e arranjos de cabelo para amanhã à noite. – Sugeriu Jane.

– Por favor, Jane! – Exclamou Kitty, arrancando uma risada da irmã.

– Concordo. – Disse Bingley, e ambos riram. A carruagem sacolejou até Goldenshaw, onde todos se recolheram aos aposentos para mergulhar os pés em bacias de água quente. Kitty estava em um estado crítico, bolhas aviam estourado e ela mal podia se mexer sem que sentisse o local queimar. Uma criada lhe ajudou com o curativo, e ninguém foi contrário a decisão da jovem de jantar no quarto naquela noite.





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