Kitty's Pride escrita por Bree


Capítulo 5
Um prelúdio costumeiro


Notas iniciais do capítulo

Depois de muito tempo, cá estou. Minhas sinceras desculpas. Xoxo.



Na manhã seguinte toda a casa funcionava com um ritmo diferente e o café foi servido no interior devido ao mal tempo. Havia chovido durante toda a madrugada e os criados ainda tinham de se preocupar com os preparativos para o baile dos Höwedes. Os vestidos e ternos foram passados, os sapatos polidos, fitas enviadas do povoado para que Jane escolhesse, enquanto a pequena Margo chorava.

— O que aconteceu a minha pequena princesa? – Quis saber Kitty, assim que se apresentou para o café, com o pé ainda não muito bom, sentando-se de frente para Jane e Margo e a esquerda de Bingley, na suntuosa sala de jantar da residência.

— Não está muito contente com o clima, creio eu. – Disse a mãe, cheia de preocupação. – Ninguém está. Quem poderia imaginar tal dilúvio? Isso pode comprometer os planos dos nossos anfitriões.

— Me pareceram obstinados demais para se assustarem com a chuva. – Disse Kitty, tentando ser o menos venenosa possível.

— Não acho que volte a chover tão cedo. Além disso, Sir. Nichols pavimentou o acesso a Ottercrow. - Comentou Bingley, que lia o jornal distraidamente e com ótimo humor.

— Não perderemos nosso compromisso, Jane. – Garantiu a irmã mais nova. – Por falar nisso, alguma notícia de Pemberley?

— Oh, Lizzie me escreveu um pouco mais cedo. Estão todos bem. Georgiana lhe mandou um abraço. Aparentemente só ela irá ao baile logo mais. – Disse Jane.

— Ora, mas por qual motivo? – Quis saber Bingley, abaixando o jornal.

— Darcy terá de se ausentar hoje à tarde. Uma tarefa inadiável segundo Lizzie, que por sua vez não quer sair sem o marido. – Explicou Jane.

— Lizzie está ficando mais rabugenta, estou avisando. – Disse Kitty. – Mas é bom que tenham permitido a ida de Georgiana. Acho que ficaria deslocada sem ela.

— Como está o pé? – Perguntou Jane, entregando a filha a babá e servindo-se um pouco de leite.

— Um pouco melhor. Farei um curativo nos dedos antes de sairmos. – Informou Kitty.

— Que bom que não foi nada mais sério. – Disse a irmã, que parecia tão preocupada com Kitty quanto com Margo, que parara de chorar enquanto subia as escadas com a Sra. Evans.

— Irá poder dançar por pelo menos parte da noite maravilhosa que nos aguarda. – Declarou Bingley, dobrando o jornal com um gesto prolongado. Kitty perdera o hábito de ler o jornal matutino, e ficava contente em extrair do cunhado as informações mais importantes. Os três enveredaram por assuntos londrinos sem muita importância, e quando a criada desfez a mesa do café, Jane e Kitty usaram o espaço recém-adquirido para escolherem fitas, enquanto Bingley caminhava pela propriedade com um dos criados para averiguar os prejuízos trazidos pela tempestade passada.

— Essa cor vai realçar seu tom de pele, tenho absoluta certeza. – Disse Jane, puxando uma fita azul escura entre os dedos, ambas as mulheres estavam de pé frente a um mar delas. Kitty capturou a pequena faixa de tecido e a analisou com um suspiro. Jane adorava os bailes e tudo que envolvia os preparativos, o que lhe era custoso era deixar os filhos passarem a noite sem ela.

— Jane, não quero que gaste comigo, sabe disso. – Disse Kitty, por fim. – Sei que papai lhe envia uma quantia para meus gastos mensais, mas quero evitar usar esse valor com supérfluos.

— Enfeites não são supérfluos. – Respondeu Jane, quase indignada com a irmã. Kitty foi mais uma vez tomada pelo sentimento de intromissão, como se aqueles momentos tivessem de pertencer apenas as suas irmãs e cunhados.  – E você é parte de meu sangue e minha alma. O que são umas poucas fitas e adornos comparados a isso?

— Não quero ser um fardo, Jane. – Murmurou a jovem. – Você e Lizzie gastam tempo...

— Nem mais uma palavra. – Pediu Jane, calmamente, como se a irmã estivesse lhe recitando uma receita conhecida. A irmã mais velha deu a volta na mesa e abriu uma das cortinas, deixando o ar frio entrar na casa, em seguida foi até uma das gavetas e retirou de lá uma caixa de madeira. – Acho bom que escolha muitas fitas, não sairemos daqui até que esta caixa esteja abarrotada.

— Por favor, Jane! – Insistiu a irmã mais nova. – Eu não serei tão requisitada a ponto de usar nem um terço delas! 

— No que couber a mim terá ocasiões para usar todas e sem reclamações. – Começou Jane, estendendo a caixa para a irmã, que a capturou com o semblante fechado – Já falei com Charles e muito em breve pensamos em retribuir a cortesia do Sr. e Sra. Höwedes.

— Estão todos envaidecidos ou malucos. – Declarou Kitty, lançando um olhar perdido sobre as fitas.

— Coloque uma coisa em sua jovem cabecinha, Kitty. – Continuou Jane, segurando a irmã gentilmente pelos ombros. – Trouxemos você para cá por que decidimos assim. Não está aqui por imposição.

Kitty quis suspirar e continuar questionando, mas uma discussão com Jane era pouco viável, já que a irmã mais nova, que perdera boa parte da impetuosidade da adolescência, certamente se renderia com um abraço. Kitty capturou preguiçosamente todas as opções da caixa e acabou por escolher duas delas, insistindo no fim para que pudesse pagar por elas e como sempre, Jane não lhe deu atenção. Os Bingley não gastavam com descuido e por isso não contraiam dívidas. Ao longo dos anos e com a chegada dos filhos, Charles aprimorou suas habilidades administrativas e viu sua fortuna quase duplicar. Mesmo assim, Kitty desejava preservá-los dos gastos com sua sobrevivência. Sem sucesso.

Após o almoço, a menina Bennet se recolheu em seu quarto e escreveu um curto bilhete para Georgiana, contando-lhe sobre os acontecimentos recentes, sobre os Höwedes, Alfred Walters e fitas caras. Um criado foi logo despachado para Pemberley e a menina pôs-se a analisar os vestidos que Jane havia mandado separar para ela. Todos eram absurdamente lindos e em tons de azul. Kitty sorriu, correndo os dedos pela seda e sentou-se na cama. Aquela era uma vida diferente da que se imaginava levando cinco anos antes. E ela se sentiu feliz e confortável como não estivera durante todo o dia.

A soberba carruagem dos Bingley já esperava por seus donos na entrada da propriedade. Ambos os filhos já haviam sido postos em seus aposentos e os adultos se apressavam para partir. Jane estava radiante como sempre, em um lindo vestido amarelo, um presente do marido, vindo direto de uma grande ateliê francês. Ele por sua vez trajava-se como um Lord, o que lhe rendeu grandes e sinceros elogios da esposa. Não precisaram esperar muito e logo Kitty desceu as escadas. Com o pé dolorido, ela se pôs frente a irmã, que parecia prestes a se debulhar em lágrimas.

— Está tão linda. Tão elegante. – Disse Jane, realmente com a voz embargada. – Será a mais bela solteira do baile. Garanto-lhe. – Disse, tomando rapidamente as mãos da irmã nas suas. Kitty tinha o rosto corado, o cabelo claro e cacheado preso em um penteado frouxo que deixava algumas mechas caindo sobre seu busto descoberto. O vestido destacava sua pele como nenhum outro faria, as luvas na altura dos cotovelos possuíam o mesmo tom, o colar escolhido era delicado e discreto e seu sorriso deixava a irmã mais velha animada. Juntos, partiram dali para a propriedade dos Höwedes, que já se encontrava iluminada e fervilhante.





Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Kitty's Pride" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.