Challenges of The Love escrita por Liz Rider, Kiera Collins


Capítulo 19
Merida rainha, Vanessa nadinha




Na segunda, quando cheguei em casa, contei tudo a minha mãe. No início, ela ficou brava por eu ter deixado uma festa acontecer sem a permissão dela, mas Elinour acreditou em mim. Eu sempre brinquei de dizer para os meus irmãos que a nossa mãe tinha uma espécie de poder, assim descobria quem falava a verdade. Agora, estou quase acreditando que ela tem mesmo esse poder.
Mas ainda bem que eu contei tudo antes da sexta.
Eu e Elsa fomos para a frente da Olympic, onde nós esperávamos os pais, naquele dia. Chegando lá, vi minha mãe... conversando com Vanessa. O meu coração parou e pensei em todas as coisas erradas que eu havia feito naquele ano, coisas que aquela cobra poderia estar contando para a minha mãe.
Fiquei observando. Vanessa estava usando seu "modo menina fofa" para conversar. Ela sorria como uma menina fofa, quando minha mãe falou algo. Por um segundo, ela fez uma careta, mas o seu sorriso de menina fofa voltou tão rápido quanto. Vanessa saiu andando, e nós também. Quando passamos ao seu lado, ela nos lançou um sorriso e formou a palavra "sábado" em seus lábios.
– Que foi isso? - perguntei para Elinour.
– Vamos para casa, te contarei no caminho. - respondeu ela.
– Tá. Tchau, Elsa! - falei, enquanto eu e minha mãe iámos para o carro. Elsa respondeu com um aceno sorridente. Vamos andando para o lugar onde minha mãe estacionou. Entro e sento no banco de trás e minha mãe liga o carro.
– Aquela menina, Vanessa, foi me parabenizar pela maravilhosa festa na minha casa. - contou ela, enquanto dirigia.
– Eu... Eu não acredito. Ela nem estava lá! Quando eu fui mandar todos embora, eu olhei para cada rosto de cada pessoa ali. Ela não estava lá. - disse, enquanto as peças se encaixam na minha mente.
– Então ela foi falar comigo para te prejudicar. Pensando que eu não sabia, ela contou tudo. - disse Elinour, quando eu já sabia disso.
– A Vanessa é uma cobra, uma nojenta - gritei com raiva, enquanto dava socos no banco. - uma vadia, uma put... - fui interrompida por minha mãe:
– Ei, ei, ei! Nada de palavrão! E pare de xingar! - falou ela. Dei um loooongo suspiro.

No sábado, dia da festa de Vanessa, gostaria de ter ficado dormindo até 11 horas, mas fui tirada de casa à força. Minha mãe me obrigou a ir comprar um sofá novo:
– Ah, vamos Merida! Pare de ser chata.
– Por que eu tenho que ir? Por que você não leva eles? - disse apontando para Harris, Hubert e Hamish.
– Por que eles fazem muita bagunça. E você é uma mocinha, devia se interessar por isso! - respondeu ela. Eu devia me interessar em... sofás?! Minha mãe devia estar um pouco desatualizada. Mas acabei indo pro shopping sem reclamar muito, porque eu precisava comprar um fone novo.
Chegamos em casa por volta das duas e meia. Fui tomar um banho para ir na festa de Vanessa. Fiquei pensando que se eu não fosse para essa tal festa, era como se eu dissesse "parabéns, Vanessa. Pode ir contar as merdas que faço sempre que quiser, porque sua vingancinha dá certo".
Depois de tomar banho e estar pronta, fui olhar o meu celular. Havia um mensagem de Vanessa.
"Hey, galera! É para vcs irem de fantasia na minha festa. Só os descolados vão assim, umas 4 minas perdedoras não vão hahahaha Já sabem, né? Elsa, Merida, Josy e Liana.
Bjos,
Van."
Bloquiei a tela do celular. No início, achei que Vanessa estava avisando para mim, Elsa, Josy e Liana que nós devíamos ir de fantasia, mas percebi que ela estava falando que nós éramos as perdedoras. "Desgraçada", pensei. Não sei se aquela mensagem foi enviada de propósito ou sem querer, mas agora eu tinha que arrumar uma fantasia:
– MAAAAAAANHÊ

Peguei uma cadeira para minha mãe. Coloquei em frente ao guarda-roupa e ela subiu. Elinour puxou uma grande caixa rosa.
– Me ajuda a pôr no chão! - disse ela. Segurei na parte de baixo da caixa. "Uma grande e pesada caixa rosa", pensei.
Colocamos a caixa no chão e nos ajoelhamos ao lado dela. Minha mãe abriu-a.
– Esse daqui era seu baú de fantasias, mas você nunca mais vestiu fantasia nenhuma... Aí ele ficou para os seus irmãos. - disse ela, com um olhar distante.
– Mas você quer que eu vista algo desse baú? - perguntei.
– Claro que não. Nada aqui é do seu tamanho, você cresceu muito mocinha! - disse, arrancando risos de mim. - Eu peguei isso pra gente se inspirar. Olha a quantidade de poeira na tampa! - soprou a poeira da tampa, arrancando tosses de mim.
– Inspirar? - perguntei.
– É. Nós vamos "fazer" uma fantasia. Ideias?
Vi uma jaqueta de couro no guarda-roupa. Lembrei do meu arco:
– Que tal eu ir fantasiada de Katniss?!
– Quétinis? Quem é Quétinis? - minha mãe pergunta.
– Katniss. Katniss Everdeen. É só vestir aquela jaqueta, uma calça, fazer uma trança no cabelo, pegar um arco e pronto, vira a protagonista de Jogos Vorazes, heroína, arqueira.
– Você quer ir de arqueira? Então não vai estar fantasiada. - falou.
– E qual é a sua ideia? - perguntei.
Minha mãe pensou um pouco. Foi andando para a porta do seu closet.
– Venha. - me chamou. Fui entrando e era incrível a quantidade de roupas, sapatos e acessórios lá dentro.
– Olha esses vestidos. Vestindo-os, você ia ficar parecendo uma princesa.
– Princesa? Você quer que eu me fantasie de princesa? Não mesmo! Isso não tem nada a ver comigo!
– Mas isso é que é legal, filha. Vamos, escolha um e vista. Caso não goste, você vai de Quétinis.
– É Katniss, mãe.

O primeiro vestido que eu provei era azul claro, longo e com detalhes dourados nas mangas e na gola. Uma touca também fazia parte da roupa, mas nada me faria usar aquilo.
– Tá muito apertado! - disse, quando Elinour fechou o zíper.
– Merida! Você está linda! - disse ela, juntando as duas mãos ao lado do rosto. - Dê uma voltinha!
– Arrrgh! Não... Dá... Pra... Respirar! - falei. Minha mãe suspirou:
– Então prove outro.
O terceiro e último vestido que eu provei era verde escuro, longo, assim como as mangas dele. Ele tinha um pequeno decote em "V", detalhes dourados na barra, na pontas das mangas e na gola e uma faixa dourada na cintura. Me olhei no espelho.
– Bom... eu consigo respirar. - disse e me voltei o rosto para minha mãe, rindo.
– Você está linda. Acho que ficaria melhor com um coque. E uma coroa. - disse ela, com os olhos brilhando.
– Okay. - disse, me sentando. Minha mãe começou o trabalho fazendo uma trança, depois fazendo um coque a partir dela. Ela terminou prendendo o cabelo com um grampo discreto e colocando a coroa. Levantamos-nos.
– Agora eu vou tomar banho. Ah, filha, não vou poder te buscar quando a festa acabar. Leve dinheiro para pagar um táxi de volta. - disse ela. Assenti e sai do seu quarto. "Eu não vou pegar um táxi com essa roupa", pensei. Então tive uma ideia e fui para o meu quarto.
Eu e minha mãe descemos as escadas com os braços entrelaçados, ao som de assovios.
– Quem é você? O que fez com a Merida? - perguntou meu pai, segurando nos meus ombros e me chacoalhando. Tombei a cabeça para o lado e fiz uma cara de tédio:
– Para, pai.
– Só estou brincando. - disse, me abraçando e beijando minha testa. - Tchau!
Acenei e fui em direção a porta, logo atrás da minha mãe. Entramos no carro e saímos. Abri a pequena bolsa dourada que havia trazido e tirei o meu celular, junto com o fone.

– É aqui mesmo? - perguntei, assim que o carro parou.
– Sim. Número 46. - respondeu. Tirei o papel com endereço de Vanessa da bolsa e conferi o número. Vi que estávamos no endereço certo e assenti.
– Tchau, mãe. - disse, enquanto abria a porta e saía do carro.
– Tchau. Boa festa! - disse, acenando.
Quando não conseguia mais ver o carro, desviei o olhar para a casa. Ela era tão grande quanto a minha, talvez maior. Estava na calçada, o caminho de lá para a porta era marcado por uma passarela de pedrinhas, cercada por grama recém-cortada. Ia tocar a campainha, mas a porta estava aberta.
Entrei e dei de cara com um corredor largo forrado por um tapete vermelho. O cheiro de perfume era quase enjoativo. Não sabia para onde deveria ir, então apenas fui em frente, seguindo o som da música.
Cheguei ao que deveria ser a sala, onde um DJ e os convidados estavam e garçons circulavam. Varri a sala com o olhar e não demorei a perceber que era a única de fantasia. E Vanessa não demorou a perceber que eu tinha chegado. Ela dirigiu um sorriso irônico a mim, fez um gesto para o DJ e a música parou. Senti vários pares de olhos grudados em mim. Por um segundo, entrei em pânico. Mas isso passou.
Vanessa devia estar esperando que eu chorasse, corasse, corresse ou fizesse tudo isso ao mesmo tempo, pois fez uma cara de surpresa quando fui caminhando tranquila e confiante para o meio da sala.
Comecei a abrir o zíper do vestido. Dois ou três copos caíram e quebraram. Parei e olhei ao redor. Os olhos de Elly estavam saltados e seus lábios desenhavam a frase "o que você está fazendo?". Ela já vai descobrir.
Quando minha mãe disse que não podia ir me buscar, fui para o meu quarto. Vesti outro vestido por baixo daquele que já estava usando. O vestido não tinha decote, era de mangas curtas, era na altura do joelho e de cor amarela, que parecia brilhar quando eu me movia.
Quando tirei o vestido, fiz um bolinho com ele e joguei ao pé de uma mesa. "Minha mãe vai me matar", pensei. Fui andando até Elly. Na verdade, "andando" nada, fui desfilando mesmo, olhando para Vanessa e mandando um beijinho para ela.
Cheguei até Elly e ela segurou meu braço.
– Me lembre de nunca mexer com você. - disse ela.
– Me senti a Johanna Mason. - disse, rindo. Ela deu uma risada e puxou uma garota que estava ao lado dela.
– Essa daqui é a Branca. Branca, Merida. Merida, Branca. - disse Elly.
– Oi. - falei, com um sorriso. Branca era o nome perfeito para aquela garota, a pele dela era branca como porcelana. Tinha os lábios vermelhos, olhos pretos e cabelos curtos da mesma cor.
Um garçom chegou com uma bandeja com sete pedacinhos de maçã espetados com um palito. Ele me ofereceu e eu peguei a bandeja toda.
– Merida, é pra você pegar um. - disse Elly.
– Mas eu quero os sete. - disse, olhando para Elly e depois para o garçom, que sorria. Retribui o sorriso e ele foi embora, deixando a bandeja comigo.
– Você quer? - perguntei para Branca.
– Não, odeio maçã. - respondeu ela. Juntei as sobrancelhas.
– Ahn, okay. - disse, colocando um pedacinho de maçã na boca.
– Você não vai tirar a coroa? - perguntou Elly, apontando para o objeto espetado no meu coque.
– Não. É para Vanessa saber que eu reino sobre ela.



Notas finais do capítulo

Liz mandou avisar que todos que shippam Jelsa vão morrer de diabetes no próximo capítulo, algo assim. E eu estou avisando que não entendi a mensagem.
beijos da Ki :*



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