O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 79
Joia do Infinito




Segundo Andar Subterrâneo do Pandemonium, “As Terras Úmidas”

– MAS O QUE INFERNOS É TUDO ISSO? – Perguntou Vaen entre dentes enquanto passava a mão em uma das paredes estranhas daquele andar e fitava o líquido bizarro que havia ficado nela. A primeira coisa que notou era que o líquido não era muito fluído; algo como água ou algo escorreria imediatamente pelos seus dedos até pingar no chão, mas por mais que aquilo parecesse deslizar de alguma forma pela sua mão, ele ainda era muito espesso, muito viscoso. Isso parece mais uma espécie de óleo ou coisa do tipo... óleo como o de um sapo. Grunhiu em irritação e sacudiu violentamente a mão para jogar aquilo fora, sem entender muito bem o que isso deveria significar.

– Eca, Vaen! Eu te amo, mas por favor, mantenha essa mão cheia dessa coisa estranha longe de mim! – Esperneou Chappa, recolhendo-se um pouco para o lado enquanto segurava sua arma com ambas as mãos de uma forma que era tudo menos profissional e tinha uma expressão enojada no rosto, como se ele estivesse segurando a criatura mais asquerosa do mundo em suas mãos. Não pode impedir que sua sobrancelha se erguesse ao ver aquilo. Hum. Interessante. Não gostava daquela gosma estúpida, mas se isso ajudasse a fazer com que Chappa desgrudasse um pouco dele, rolaria pelo chão com o maior sorriso do mundo.

– Calados, vocês dois! – Censurou a líder do grupo deles de forma ríspida. Titânia era um dos quatro Ascendentes do Salão Cinzento; a mais recente, na verdade, embora alguns rumores sugerissem que ela era simultaneamente a mais forte dos quatro. Bom, eu acho que Bokuto e Soulcairn são mais fortes do que ela, mas esses rumores não são completamente infundados. A verdade era que a leva de Titânia, a quinquagésima-nona, era de longe a mais poderosa que o Salão Cinzento havia visto nos últimos dez anos. Kastor, Florian, Behemoth, Hozar, Lancelot... todos os cavaleiros, do Sexto ao Segundo, possuíam poder o suficiente para serem classificados como um Primeiro Cavaleiro, mas todos eles perderam seu lugar para Titânia. Por mais que os cavaleiros da quinquagésima-nona leva fossem poderosos e dignos de respeito, Titânia conseguia se sobressair. Os talentos que ela possuía eram muito mais do que os frutos de puro trabalho duro ou do treinamento que ela recebeu nas mãos de cavaleiros como Gwynevere.

Talvez nem mesmo ela estivesse completamente ciente disso, mas a verdade era que Titânia era um prodígio da guerra, uma guerreira nata com habilidades e talento que você encontraria em um a cada milhão.

– Nós estamos em território inimigo, não em um parque de diversões. Se vocês querem ficar se esfregando em coisas estranhas ou agindo como namorados, façam isso depois. Eu não vou tolerar comportamentos que coloquem a missão em risco. Fui clara? – A pergunta não deixou espaço para nenhuma resposta além de um acenar de cabeça, e foi exatamente isso que tanto Vaen quanto Chappa fizeram. Infelizmente, parece que a nossa estimada líder sofre do terrível problema que chamo de “Eterna TPM”. Titânia era tremendamente poderosa e tinha uma figura imponente e inspiradora para os que estavam ao seu redor, mas isso não mudava o fato de que ela era tão forte quanto mal-humorada. Perigosamente mal-humorada. Eu nunca cheguei a testemunhar nada com os meus próprios olhos, mas pelo que os rumores dizem ela já chegou ao ponto de quebrar os membros de diversas pessoas apenas por tentarem tocá-la. Era bem irônico, para dizer a verdade; com sua aparência e seus talentos naturais, Titânia poderia facilmente ser uma guerreira lendária, talvez até mesmo uma daquelas grandes mulheres que servem como um ícone para as mulheres do resto do mundo, mas sua atitude estragava qualquer chance disso.

Ela não parecia satisfeita com a resposta que Vaen e Chappa deram, mas não insistiu muito naquilo, virando-se logo para frente e continuando a caminhar na dianteira do grupo, tomando ponto e certificando-se que tudo estivesse seguro para que os outros pudessem avançar. Vaen e Chappa seguiam há poucos metros de distância dela, servindo como os elos do meio da formação, enquanto Dayun seguia mais atrás na retaguarda, estranhamente taciturno para alguém que normalmente era tão barulhento quanto ele. A mulher havia decidido por manter um ritmo de avanço mais lento e cauteloso, aparentemente temendo que eles pudessem ser emboscados a qualquer momento pelo inimigo, e embora Vaen conseguisse entender o ponto de vista dela e até concordasse com ele em certo ponto, não conseguia deixar de se sentir frustrado por aquele ritmo maldito. Isso é uma guerra, uma maldita guerra! Todos os outros estão lutando com tudo acima de nós, e enquanto eles estão arriscando as suas vidas enfrentando oponentes perigosos, nós estamos caminhando por corredores nojentos no ritmo da tartaruga manca!

Sentiu seu cenho franzir com seu pensamento, e, frustrado, virou seu rosto para o lado. Bem, acho que não tem muito que eu possa fazer contra isso, de qualquer forma. Como líder do grupo, devia obediência à Titânia, e de qualquer forma, via sentido demais nas ações dela para questioná-las. Como estou no meio, não posso fazer nada de prestativo na dianteira e na retaguarda, então... talvez seja melhor que eu me ocupe em tentar descobrir aonde exatamente estamos nos metendo.

Seus olhos foram para as paredes ao seu redor, analisando-as com calma e curiosidade. Uma das primeiras coisas que havia notado ao chegar naquele andar é que ele era todo... molhado. Tudo do chão até o teto estava empapado naquele estranho líquido que havia tirado da parede momentos atrás, fazendo com que o ambiente conseguisse ser mais úmido do que um pântano. Esse líquido é uma coisa bem estranha... eu pensei que ele podia ser corrosivo ou coisa do tipo quando cheguei nesse andar, mas já estou aqui há algum tempo meus calçados não demonstram sinal algum de corrosão, assim como os meus dedos. Ele era, no entanto, escorregadio; quando havia tido contato com um pouco dele antes, havia o sentido escorrer/deslizar pelos seus dedos, e essa sensação era a mesma que tinha na sola dos seus pés. Cada passo que dava fazia com que ele deslizasse um pouco pela falta de fricção, mas isso estava longe de ser realmente problemático; um pouco mais de atenção, alguns passos mais firmes, e todo o risco que podia correr com aquilo se esvaia. Isso deve fazer mais alguma coisa além de ser escorregadio. Talvez seja inflamável? Ou conduza eletricidade? Algo do tipo, provavelmente.

Além daquele líquido, o próprio ambiente ao seu redor era intrigante. Pelo que podia ver, parecia que algum tipo de grama crescia nas fendas entre uma pedra e outra no chão, e embora não estivesse em grande quantidade, conseguia ver um pouco de musgo nas paredes e no teto. Isso por si só não era tão chamativo – considerando que o ambiente era tão úmido, não podia estranhar um pouco de grama e musgo – mas o fato de que uma espécie de névoa, ainda que fina, preenchia os corredores era algo que fazia com que Vaen torcesse o nariz. O musgo e a grama podem ser explicados como uma consequência natural da umidade local, mas o mesmo não vale para essa névoa. Ela e esse líquido... talvez eles sejam artificiais? A essa altura, não ficaria surpreso se tudo aquilo fosse parte da habilidade de algum inimigo. Será que ele tem algum tipo de plano preparado para lidar conosco? Talvez a habilidade dele seja capaz de criar névoa em uma certa área, e o que estou vendo ao meu redor agora é apenas uma preparação para que ele tire de vez a nossa visibilidade quando chegarmos em sua armadilha. Ou talvez ele esteja nos monitorando, usando essa grama e musgo como “olhos” para ficar verificando o nosso avanço? Cada vez que pensava nessas coisas, sentia-se ficar mais agitado.

– Controle-se, Vaen. – A voz de Titânia cortou pelo silêncio solene que havia se estabelecido como uma faca quente por um bloco de queijo, mas surpreendentemente, ela não veio tão ríspida quanto antes. Veio séria e forte, sim, mas seu tom era um pouco mais... amigável, por assim dizer. Não necessariamente gentil, mas mais compreensível, como se ela conseguisse simpatizar com ele de alguma forma. – Ficar se preocupando com a possibilidade de que essas coisas sejam uma armadilha não vai nos levar a lugar algum. Siga em frente, tome cuidado, fique atento. Isso é tudo que podemos fazer. Se nosso oponente tem alguma armadilha preparada para nós, então tudo que podemos fazer é tentar nota-la antes que seja tarde demais e lidar com ela adequadamente. Mas não há nada que possamos fazer sobre esse líquido, essa névoa ou esse musgo. – Ao dizer aquilo, Titânia deu de cara com uma bifurcação em que o caminho único se dividia em outros três; à esquerda, à direita, e afrente. O olho dela correu por eles de forma ressabiada, para se fechar firmemente no momento seguinte. Tinha até uma resposta na ponta da língua para o que ela havia dito a essa altura, mas escolheu ficar calado ao ver aquilo. Ela está tentando detectar de onde exatamente está emanando a energia. A missão que havia sido passada ao grupo era simples; encontrar e destruir a Joia do Infinito, um artefato mágico que havia de alguma forma vindo parar nas mãos de Balak, e algo que representava um grande perigo para eles. Um mago já era perigoso em situações normais, mas um mago com acesso a uma fonte infinita de mana? Isso era uma criatura realmente assustadora. Por isso nós precisamos destruir essa Joia. É arriscado demais tentar fazer qualquer outra coisa; a destruição dela é absolutamente necessária. Felizmente, por suas características a Joia do Infinito emitia constantemente um traço de energia que podia ser usado para os guiar até ela... desde que permanecessem em silêncio e deixassem que Titânia se concentrasse em seu trabalho.

O que, francamente, não demorou muito.

– Direita. – Disse ela simplesmente, começando a seguir pelo caminho sem olhar se os outros a seguiam. Ah, ai está ela! A clássica postura “vão se foder todos vocês” de Titânia. Já estava ficando com saudades. – Além do mais, Vaen, nada do que nos cerca emite qualquer sinal de energia. Você pode checar se quiser. Para dar algum uso a essas coisas, elas teriam de estar sujeitas aos efeitos de alguma magia ou Aloeiris, mas não temos nada do tipo aqui.

Aquilo já foi algo que chamou sua atenção. Sua sobrancelha se ergueu um pouco ao ouvir aquela afirmação, logo em seguida tratou de fechar seu olho para tentar se focar. Fazer algo assim não era algo muito fácil quando estava se movimentando, mas conseguiu manter foco o suficiente para averiguar que Titânia não estava mentindo. Ela fala a verdade. Não tem nada ao nosso redor. Isso, no entanto, sugeria que o que lhe cercava era “natural”... e isso era algo que ele tinha dificuldade em entender. Esse tipo de coisa obviamente não é o que você esperaria ver num lugar desses, o que significa que elas provavelmente estão aqui por alguma intervenção de Balak e do Olho Vermelho. Mas se eles não estão aplicando nenhum tipo de poder sobre essas coisas, então qual diabos seria a utilidade disso tudo?

Não sabia, nem tampouco teve tempo para pensar muito nisso. Não demorou muito para que os passos de Titânia parassem e que o grupo todo se virasse para a direita, todos os olhos focados na grande porta preta que se destacava na parede.

Não conhecia muito de portas, então não podia falar muito sobre do que aquilo deveria ser feito, mas ela certamente parecia bem sólida. Parece que a base dessa coisa é feita de mogno ou coisa do tipo, mas ela é revestida também com algum tipo de metal. Aço, ferro... faça a sua escolha. Pelo que me diz respeito, isso pode ser até latão que eu não saberia dizer a diferença. No fim das contas, não era como se aquilo importasse muito. Não importa o quão sólida ela fosse, uma porta continuava sendo uma porta, e uma simples porta nunca seria o suficiente para impedi-los de fazer qualquer coisa.

E pelo olhar de Titânia, aquela era a porta que deveria estar os separando de seu objetivo.

Antes de avançar, a ruiva se deu ao trabalho de lançar um olhar para o grupo. Viu seus olhos que o que ela viu não a desapontou. Assim que deu de cara com aquela porta, Vaen foi rápido em tomar em mãos o machado de polo que trazia às suas costas, e Chappa havia sido similarmente rápida em se preparar com sua naginata em posição de combate. Até mesmo Dayun, que estava até então sendo responsável por tomar conta da retaguarda do grupo, não perdeu tempo em se aproximar deles e se preparar para um possível embate, trazendo seu bastão na mão direita... embora a postura silenciosa dele ainda fosse algo no mínimo curioso, que estava cada vez mais começando a perturbar um pouco Vaen. Esse cara não costuma ser tão silencioso assim. O que aconteceu?

Logo afastou essa pergunta de sua mente, no entanto, sabendo que tinha coisas mais importantes com as quais se preocupar; deu de ombros e girou seu pescoço, bem no momento me que Titânia deu um passo adiante e chutou a porta sem dó.

Sólida ou não, a peça foi arremessada como se não fosse nada, abrindo passagem e deixando que o brilho azulado do que era o objetivo deles irradiasse sobre os cavaleiros. Ela voou direto contra um homem que estava aparentemente de guarda ali... um homem que só precisou mover seu punho em um golpe rápido para jogar essa porta para o outro lado da sala, muito longe de representar qualquer problema para ele.

– Que entrada rude – murmurou ele em um tom de voz seco e desprovido de humor. Ele estava sentado sobre um banquinho rústico de madeira, e foi ali que ele permaneceu, agindo como se os recém-chegados cavaleiros não fossem um perigo. Bom, azar dele. Se ele quer agir de forma arrogante, ele é bem-vindo. Isso só facilita o meu trabalho.

Tal como estava fazendo até então, Titânia foi novamente a primeira a avançar para dentro da sala. Ao contrário do homem que estava mantendo uma postura até que relaxada, a dela era bem mais séria, mantendo sua guarda sempre erguida e seu olho constantemente sobre seu inimigo. Esse cara deve ser um dos membros do Olho Vermelho, pensou Vaen enquanto adentrava da sala, dando uma olhada melhor no sujeito com o qual trocaria golpes em poucos momentos. A bem da verdade, não havia muito o que ver nele; sua aparência era bem normal, considerando tudo. Seu rosto era longo, rígido como o que você esperaria de alguém que está sempre franzindo o cenho por aí, e seus cabelos longos negros eram penteados para trás e presos em um longo rabo-de-cavalo que ia até a metade das suas costas. Seus olhos eram afiados, e por trás de lentes finas de vidro eles fitavam intensamente os quatro recém-chegados. A única coisa que realmente chamou a atenção de Vaen em meio a tudo aquilo foi algo que a maioria das pessoas ignoraria; as luvas de couro negro que ele usava em suas mãos. Essas luvas... esse cara é um assassino? Em seu tempo como pirata, havia lidado um pouco com assassinos; aqueles que estavam envolvidos em áreas mais... obscuras da sociedade tinham sempre que ter pelo menos uma certa ciência dos outros profissionais envolvidos em áreas similares, se não para usar de seus serviços, para prevenir-se contra eles. Chegou até mesmo a tomar trabalhos em que teve de levar assassinos pelo mar até um determinado local afim de que eles executassem sua missão. E isso fez com que descobrisse algumas coisas sobre eles.

Quando alguém falava sobre assassinos em uma situação normal, o mais comum era que as pessoas logo pensassem em alguém frio e com um ar perigoso ao seu redor, envoltos em vestes negras, cobrindo seus rostos com um pedaço de pano e trazendo uma pilha de bugigangas em suas calças e casacos. A verdade era que esse era um pensamento bem simplório e, francamente, um tanto quanto estúpido. O fator de maior importância para os assassinos é a o status incógnito. Se eles andassem por aí vestidos da forma que a maioria das pessoas imagina, eles estariam pintando um grande alvo nas costas. Algumas características eram verdadeiras, sim – em particular, eles tinham uma tendência a serem mais frios do que as pessoas normais devido ao seu meio de vida, e sua profissão meio que os forçava a serem magros e flexíveis – mas em geral, não existia um padrão para o que era um assassino. Eles se vestiam de várias formas, se portavam de várias formas e tinham aparências bem divergentes no geral.

Mas uma coisa que sempre se mantinha entre um e outro eram as luvas negras que eles usavam constantemente em suas mãos. Havia pesquisado um pouco sobre isso, e embora não tivesse tido sorte o suficiente para achar muita coisa, descobriu o suficiente. Aparentemente, as luvas são sempre usadas por um motivo prático e um psicológico. Ao usarem luvas, eles evitam deixar sinais em objetos com os quais tenham contato que podem ser detectados por magias especializadas. E além disso... aparentemente, essas luvas são uma certa forma de tentar manter as “mãos limpas”, mesmo trabalhando com assassinatos. Pelo que meus contatos haviam me dito, elas só eram sempre negras pois esse era o padrão que mais correspondia ao seu ramo; luvas pretas não sujam facilmente, e elas se disfarçam bem no escuro. Qualquer que fosse o caso, uma das coisas que Vaen havia aprendido é a sempre suspeitar de um homem ou mulher com luvas nas mãos... e considerando a situação na qual estavam, não iria ficar nem um pouco surpreso caso aquele sujeito realmente se confirmasse como um assassino.

Apesar de que, isso não faz muito sentido, contemplou o cavaleiro, sem nunca tirar os olhos de seu inimigo. Assassinos normalmente trabalham de forma sorrateira. O trabalho deles não é enfrentar as pessoas de frente; toda a base do seu negócio se firma na capacidade de se esconder nas sombras e matar as pessoas de forma discreta, sem que sua presença nunca seja notada. E isso era exatamente o contrário do que aquele homem estava fazendo. Sentado no meio da sala, completamente a vista, sem manter guarda alguma... ele pode realmente ser um assassino?

– A Caçadora de Corações, Titânia – disse calmamente aquele sujeito, movendo seus olhos para Titânia em específico em meio a todos, aparentemente ignorando os outros como se eles fossem inconsequentes. – Estávamos nós perguntando sobre aonde podíamos esperar o seu ataque. Saber que você veio atrás da Joia é algo bom; isso significa que tomei a decisão certa ao insistir para que ficasse de guarda aqui.

– Ei! Por que você está falando como se ela fosse a única aqui?! – Ela era uma nanica e seu poder era incomparável com o de Titânia, mas mesmo assim, Chappa não ligava para esse tipo de coisa nos momentos em que se encontrava irritada... momentos como aquele. Vermelha de raiva, a garota podia muito bem começar a saltar como uma macaquinha furiosa de tão irritada que ela parecia. – Nós também estamos aqui, sabia?!

... Infelizmente para Chappa, parecia que o sujeito estava muito mais interessado em ignorá-la do que em dar atenção para qualquer um que não fosse Titânia. Era óbvio que ele tinha a ouvido, mas ele não deu sinal algum disso.

– Diga-me, Titânia... como você se sente? Seu olho lhe faz falta? Ouvi dizer que algumas pessoas sofrem com algo que chamam de “dor fantasma” quando perdem algum membro de seu corpo... embora um olho talvez não seja o suficiente para gerar algo desse tipo. Talvez eu deva redirecionar essa pergunta ao seu namorado, hm?

Uh oh. Seu olhar foi para Titânia imediatamente após ouvir aquilo em apreensão, temendo pelo que ela pudesse fazer diante daquela provocação. Titânia nunca foi uma mulher famosa por manter a calma, e pelo que me contaram, o que aconteceu com ela e Lancelot meio que se tornou um ponto sensível para ela. E, no entanto, para a sua surpresa, ela não demonstrou nada. Absolutamente nada. Sem raiva, sem ódio, sem irritação... e não parecia que ela estava tentando suprimir suas emoções, também. Ela literalmente parecia ter ignorado completamente a provocação de seu oponente, o que era completamente inacreditável para Vaen... e pelo que podia ver, o outro também parecia não estar esperando por isso.

– Se você acha que vai me irritar com comentários sobre esse, você está sendo ingênuo. – Disse Titânia ao notar o olhar confuso do homem, falando em seu tom usual sem qualquer alteração. – O que aconteceu com Lancelot é algo que me irrita, e eu quero vingança por isso. Mas não há porquê me irritar com comentários sobre o que aconteceu. Não agora. – Um sorriso súbito se abriu nos lábios dela, algo tão bizarro que, mesmo sabendo que ele não era destinado a ele, Vaen não pode deixar de sentir medo dele. O sorriso afiado que Titânia mostrou era algo incaracterístico da cavaleira, e ele era simplesmente tão horrendo, tão sedento de sangue, que sentiu um calafrio correr por sua espinha, da ponta dos seus pés ao seu último fio de cabelo. – Afinal, minha vingança está ao meu alcance agora, e eu vou aproveitá-la.





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