O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 70
Pássaro Engaiolado


Notas iniciais do capítulo

Pra que serve um pássaro que é incapaz de voar livremente



Primeiro Andar do Pandemonium, “Mundo de Pedra”

BLOQUEOU O SOCO DE SEU OPONENTE USANDO SEU ANTEBRAÇO, fazendo com que a guarda dele ficasse aberta por tempo o suficiente para que pudesse retribuir o favor com um gancho direto no queixo. Atingiu o oponente em cheio com esse golpe, mas se arrependeu disso quase que imediatamente quando o rosto dele foi jogado para cima com força. Em geral isso não seria algo problemático, mas aquele filho-da-mãe tinha um corte gigantesco na garganta, e a força do golpe de Breath somada a esse corte foram o suficiente para fazer com que a cabeça dele fosse arremessada pelos ares, fazendo com que o mercenário desse um salto para trás e quase gritasse graças ao susto. Mas que... porra, isso é... caralho, eu ODEIO zumbis! A maioria das pessoas provavelmente não o consideravam alguém lá muito esperto – e francamente, não as culpava por isso – mas até mesmo alguém como Breath conseguia entender bem rapidamente que estava lidando com zumbis ali. Afinal de contas, de onde raios vieram essas porras?! Em um minuto estavam massacrando soldados do Olho Vermelho enquanto cantarolavam alegremente, no outro um bando de corpos podres vinha em sua direção e começavam a tentar mata-los. O que devia tirar de algo assim?

– Não abaixe sua guarda, Breath! – Avisou Zetsuko, usando suas duas espadas para defender-se dos ataques dos dois zumbis que enfrentava; um sujeito armado com uma espada bem fina que parecia ter sido um espadachim em sua vida, bem como um outro que estava envolto em uma armadura grossa e parecia ter sido uma espécie de cavaleiro, talvez até mesmo um dos do Salão Cinzento. – Isso pode soar bem estúpido, mas zumbis não morrem! Mesmo que você arranque suas cabeças ou destrua seus órgãos, eles vão continuar a avançar!

Ergueu uma sobrancelha ao ouvir aquilo, mas antes que pudesse questionar a veracidade do aviso ele teve a prova viva disso ao ver o zumbi que enfrentava avançar novamente contra ele, mesmo sem cabeça. Ah, vai tomar no cu! Bloqueou os golpes dele sem dificuldade (não sabia se ele era fraco assim naturalmente ou se a “ressureição” havia os enfraquecido, mas os zumbis dificilmente representavam um perigo para ele no que dizia respeito à força) e saltou logo para trás, tomando espaço o suficiente para que ativasse sua Aloeiris e movesse seu braço em um soco, fazendo com que o grande braço flamejante de Ifrit acertasse seu oponente em cheio e o esmagasse contra uma parede como se fosse uma mosca.

Quase chegou a sorrir em satisfação depois disso, mas então viu o zumbi sem cabeça se reerguer prontamente assim que seus pés tocaram o chão, e seu sorriso foi transformado em uma careta e um resmungo.

– Aaaaarrrg, maldição, eu odeio essa merda! – Gritou ele a plenos pulmões, cerrando seus dentes com força e bufando de ódio enquanto movia seu braço novamente para fazer Ifrit tornar a esmagar o zumbi contra a parede. – Por mil raios, se essas porras não morrem, então como matamos elas?!

– Acho que é meio óbvio que você não mata o que não pode morrer – comentou sarcasticamente Blair enquanto se ocupava em perfurar o crânio de um dos zumbis que avançava contra ela com sua adaga, para em seguida puxar a lâmina da arma para baixo, rasgando o rosto do morto ao mesmo tempo em que o empurrava para longe. – Se você quer se ver livre deles, eu diria que a sua melhor aposta é tentar deixar seus corpos em uma condição que torne impossível que eles possam se mover novamente. Arranque seus membros, quebre seus ossos, eu sei lá, faça alguma coisa que sele os movimentos deles e eles devem parar de ser um problema.

E como que para demonstrar o que ela queria dizer, o minotauro que a maga havia invocado no início da batalha tomou em suas grandes mãos os corpos de duas zumbis – uma delas uma mulher que havia sido bela antes de morrer e cujo corpo havia sido costurado, enquanto a outra era simplesmente uma criatura bizarra cheia de cicatrizes – e apertou-os com força. O som de ossos sendo esmagados foi claro, e se havia ficado qualquer dúvida, o sangue quase preto e fedorento que escorreu por entre os dedos da besta deixou tudo bem claro. Mas que merda..., pensou Breath, torcendo o nariz e virando seu rosto em outra direção para tentar não se focar naquele cheiro repugnante. Bem, isso parece estar funcionando, observou Breath, dando uma olhada para ver como as duas mulheres se remexeram no chão depois que o minotauro as soltou, claramente tentando se mover, mas vendo-se incapazes pela falta de ossos. Isso é bem nojento, mas acho que vou ter de fazer isso também.

Esperou um pouco depois do seu último soco, ao invés de continuar seguindo em frente com a sequência de golpes que nem estava fazendo até então. Tal como imaginou, o zumbi tornou a se levantar e avançar contra ele assim que lhe deu a chance, mas agora isso era exatamente o que Breath queria. Abriu seus braços e suas mãos, e em um movimento forte ele bateu uma na outra, como se estivesse batendo palmas. Ifrit copiou perfeitamente os seus movimentos, e o corpo do zumbi que enfrentava foi esmagado entre as mãos do demônio do fogo. Até nunca mais, maldito.

– Esses zumbis não são um problema, só um incômodo – disse Denis, lançando algumas de suas esferas explosivas no zumbi de um gigante que avançava contra ele. As explosões abriram múltiplos buracos no corpo decrépito do cadáver, mas isso não conseguiu nem o atrasar; seu golpe prosseguiu apesar disso, e Denis se viu tendo que saltar para evitar o punho do zumbi. – Tem algo muito errado com isso. Por que o inimigo se daria ao trabalho de organizar tantos zumbis contra nós se eles são tão fracos assim? Isso é dedicar recursos e energia demais em algo infrutífero.

– Talvez eles tenham pensado que esses zumbis seriam o suficiente para nos derrotar! – Sugeriu Blair, jogando sua cabeça para trás bem a tempo de evitar o ataque do zumbi de um homem musculoso, outro que parecia ter sido um cavaleiro enquanto vivo. – Talvez eles tenham nos subestimado, ou talvez eles tenham esperado que os zumbis fossem conservar mais da sua força natural. Qualquer que seja o caso, isso não importa agora, importa?

– Não, você está errada. Isso importa agora; na verdade, eu diria que isso é o que mais importa agora – afirmou Denis, franzindo o cenho ao dizer aquilo. Da fumaça provocada por algumas de suas explosões emergiu o mesmo zumbi espadachim que estava atacando Zetsuko momentos atrás. Ele brandiu sua espada em um golpe mirado no pescoço de Denis, mas o mago defendeu-se daquilo de forma surpreendente; ele ergueu uma de suas mãos, e quando Breath olhou bem para ela, viu que essa mão estava cercada por uma camada de energia púrpura que a envolvia como se fosse uma luva. Essa luva deve ser uma espécie de barreira, pensou ele de imediato, apenas para se surpreender novamente quando Denis em seguida revestiu sua outra mão nessa mesma energia e tocou o peito do zumbi com ela; um brilho intenso surgiu na mão no momento do toque, e a energia desse brilho logo passou para o peito do zumbi, e um segundo depois o próprio peito do cadáver explodiu num espetáculo macabro de sangue e órgãos, sujando o mago naquele líquido asqueroso enquanto o morto-vivo era jogado longe. Pela forma como reagiu Denis podia muito bem dar mais importância a uma mosca do que a toda essa sujeira. – Os zumbis são parte do plano dos nossos oponentes. Se eles são tão fracos assim, então o objetivo deles não é nos derrotar. Mas sendo assim, o que eles querem? Nos atrasar? Essa parece uma alternativa válida, mas não consigo imaginar que seja a única razão disso; existem múltiplas formas de nos atrasar, e muitas delas são mais simples do que lançar hordas de zumbis contra nós. Nos distrair? Talvez. Essa me parece a possibilidade mais provável, francamente, apesar de que é difícil decifrar o porquê disso. O que eles têm a ganhar nos distraindo? Essa é a questão... que eu acho que você pode responder, hum?

Quase chegou a questionar Denis sobre com quem ele supostamente estava falando, mas antes que pudesse fazer isso e passar vergonha o rosto de seu companheiro se virou em uma direção, e bastou acompanhar o movimento para que tudo ficasse muito mais claro. Em um dos cantos da área, ajoelhado no chão enquanto desenhava com dois de seus dedos o que parecia ser um grande círculo de energia que envolvia praticamente toda a sala, estava um homem sem camisa com o corpo repleto de tatuagens. Mas... quem é esse cara? E como ele chegou aí? Nunca havia visto aquele estranho antes, nem tampouco visto ele chegar na sala, mas pelo que podia ver do círculo ele já estava trabalhando ali há um bom tempo.

– Ah, droga, eu fui visto antes de poder terminar meu trabalho. Que maravilha – resmungou o homem entre dentes, em um tom que era baixo o suficiente para que deixasse claro que aquelas palavras eram apenas para ele, embora isso não tenha impedido que ouvissem o que ele dizia. Quando o homem ergueu seu rosto para eles com um sorriso largo e claramente forçado no rosto e começou a acenar, a cena foi quase hilária, se não fosse tão estúpida. – Ah, oi, oi! Não deem atenção a mim, não, não. Eu sei que vocês devem estar bem ocupados, então apenas continuem com o que estão fazendo, sim?

– Que tal “não”? – Questionou deles, focando toda a sua atenção naquele homem. O zumbi gigante que lhe enfrentava tentou se aproveitar disso para lançar um soco nele, mas toda a resposta que Denis deu a isso foi apontar dois dedos em sua direção e disparar deles uma minúscula esfera de energia que literalmente entrou dentro do corpo de seu oponente. Assim que isso aconteceu os movimentos do gigante pararam, e logo em seguida seu corpo começou a inchar de forma grotesca como se fosse um balão, assumindo proporções cada vez mais desconexas e absurdas até que, por fim ele simplesmente explodiu de dentro para fora, espalhando sangue e tripas por toda a sala. Mesmo de longe como estava, Breath se viu forçado a cobrir seu rosto com um braço para impedir que essa nojeira caísse em seus olhos. Esse cara... quando foi que o Denis aprendeu técnicas assim? – Eu diria que o que você está fazendo é algo um tanto quanto... curioso – murmurou o mago, inclinando um pouco sua cabeça para o lado enquanto falava com o homem das tatuagens, sem dar a menor atenção para o gigante e o destino que ele havia tido. – Um homem estranho, fazendo o que parece ser um círculo de energia em uma área que engloba praticamente toda a cidade... uma pessoa poderia imaginar que você está fazendo algum tipo de ritual e está nos usando como ingredientes, sabia?

– Heh... – fez o das tatuagens, abrindo um pequeno sorriso em seu rosto. – Não se preocupe, isso não é nenhum tipo de ritual – disse ele, mesmo enquanto continuava a trabalhar naquele círculo. Pelo que via, não faltava muito para que o círculo fosse completo; o equivalente a um ou dois metros, no máximo. – Mas isso é tudo que eu vou te dizer sobre isso. Se ainda estiver curioso, por que não tenta esperar um pouco? Quem sabe, talvez você se divirta com o que ver.

– Talvez – concordou Denis, acenando levemente com sua cabeça. – Isso dito, eu não me sinto tão confortável em deixar um estranho fazer coisas estranhas que claramente envolvem eu e meus companheiros, principalmente não quando algo me diz que esse estranho é um de nossos inimigos. Então, se me permite... – uma das mãos se Denis se fechou, se ergueu e então se abriu, e quando ela fez isso ele revelou que na palma dela estavam agora localizadas dezenas de pequeninas esferas, cada uma delas mais brilhante que as outras – eu vou estragar um pouco os seus planos agora.

E sem dar tempo para que o homem pudesse retrucar qualquer coisa, Denis arremessou todas as esferas para cima. Assim que cada uma delas atingiu o seu ponto mais alto, o resultado foi instantâneo; todas elas dispararam simultaneamente em praticamente todas as direções possíveis, e logo em seguida os sons de dezenas de explosões em todas extremidades da sala ressoaram pelo ambiente. Mas o que raios Denis pensa que está fazendo?, foi o pensamento que passou imediatamente pela mente de Breath e que o mercenário quase colocou em palavras, até que ver uma das explosões esclareceu tudo; o círculo que o homem das tatuagens havia criado cercava todo o ambiente, o que significava que ele havia sido criado rente as extremidades da sala. Com todas aquelas explosões, Denis estava fazendo mais do que apenas levantar poeira ou destruir o ambiente; ele estava destruindo também o círculo, impedindo que seu oponente pudesse fazer o que quer que ele havia planejado.

– Mm. Isso foi um pouco rude. Tive muito trabalho em criar um círculo dessa dimensão, sabe? – Graças a todas as explosões que Denis havia causado, praticamente toda a sala havia ficado cercada por uma nuvem de poeira e fumaça. Conseguia ver o que estava no centro do círculo de fumaça decentemente, mas não tinha a menor ideia de onde estava o homem agora, e o fato da sua voz estar vindo de todos os lados naquele exato momento não lhe fazia favores. – Ah, as coisas iam ser muito mais simples se você tivesse se comportado – suspirou ele em tom de lamentação. – Eu tinha isso tudo planejado, sabe? Eu iria imobilizar vocês e tirá-los da batalha sem lhes causar um arranhãozinho sequer. Mas nããããããooo, “hurr durr, eu sou maguinho que explode coisas! Hurr durr, eu tenho que ferrar com todo o seu plano, hurr durr!”. Bom, muito bem, espero que esteja satisfeito agora, seu chato. Graças às suas ações, os seus companheiros vão apanhar.

No exato momento em que a última dessas palavras soou o homem surgiu, emergindo do meio da fumaça no que parecia ser um salto bem alto, indo direto em direção a alguém bem específico.

– Ei, Blair! – Gritou Breath, começando a correr tão rápido quanto pôde em direção a ela, embora soubesse bem que não iria ser rápido o bastante. – Fica esperta!

A mulher estava ocupada se esquivando dos golpes que uma espécie de zumbi-pugilista lançava contra ela, mas mesmo assim ela teve uma reação rápida; assim que ela ouviu a voz de Breath ela de virou, e seus olhos quase que de imediato caíram sobre o homem que avançava contra ela.

Isso em geral seria algo bom, mas naquela situação, foi a pior coisa que poderia acontecer. Por ter virado seu rosto e se distraído, Blair não notou que o zumbi que lhe enfrentava momentos atrás estava agora saltando para trás até que fosse tarde.

Gaiola! – Disse o homem das tatuagens no momento em que sua mão direita foi envolvida em energia. Acima de Blair, tudo que ele teve de fazer foi posicionar essa mão da forma como queria; assim que ela esteve em posição, dezenas de barras de energia fluíram dela, barras sólidas que envolveram Blair em uma espécie de jaula e cravaram-se no chão. Tudo que o homem teve de fazer a seguir foi apoiar-se numa dessas barras com sua outra mão e saltar, aterrissando em frente à gaiola de pássaro de energia que ele havia criado para prender Blair.

– Uma gaiola? – Exclamou a mulher, olhando ao redor em confusão. – Mas o que... você acha que isso vai me deter? – Seu rosto se contorceu em uma expressão descontente, e movida pelo ultraje daquilo ela não pensou duas vezes em golpear uma dessas barras. O choque que levou por esse ato descuidado foi tão forte que puderam ver flashes do esqueleto dela, e a fraqueza que tomou conta da maga depois daquilo quase fez com que ela vacilasse sobre outras barras da gaiola.

Nã-nã-nã! Se eu fosse você, Invocadora, eu não faria isso. Claro, a não ser que você seja uma daquelas pessoas que tira prazer de coisas como choques. Se for esse o caso, vá em frente!, mas mantenha em mente que eu considero essa preferência em particular como completamente bizarra e não sinto remorso algum por pensar dessa forma – disse o homem, gargalhando e balançando a cabeça enquanto tornava a se levantar e direcionava seu olhar para os que restavam; Breath, Denis e Zetsuko, que ainda estava ocupada lutando contra o cavaleiro-zumbi. – Mas, bem, acho que já está na hora de eu me apresentar também, não concordam? Prazer em conhece-los, meus bons companheiros de trabalho! Meu nome é Alcatraz, chamado por alguns de “o Aprisionador”, um dos companheiros de batalha do homem que vocês conhecem como Jiazz, o Juggernaut. Prazer em lhes conhecer!

Um dos companheiros de Jiazz? Ouvir aquele nome lembrou Breath de um grande problema que tinham ali. É mesmo. Jiazz supostamente se aliou ao Olho Vermelho nessa guerra. Havia ouvido rumores sobre a força do Juggernaut, e pelo que havia visto quando estava no Salão Cinzento, ele havia sido capaz de derrotar sozinho um bom número de pessoas fortes. Se esse cara está aqui, isso significa que Jiazz também está no primeiro andar? Esperava com todas as forças que não. Gostava de lutar, mas suas experiências recentes haviam lhe ensinado que tinha de ser um pouco mais cauteloso em relação a lutas, e enfrentar o homem mais forte do sul dificilmente lhe parecia ser uma boa ideia.

– Ah, e por sinal! – Disse Alcatraz, apontando com seu indicador para Breath sem nunca tirar o sorriso do rosto. – Fica esperto!

Uma de suas sobrancelhas se ergueu ao ouvir aquilo, mas então ele sentiu a deslocação do vento, e isso foi o bastante para que compreendesse a situação. Suas mãos se levantaram quase que por puro instinto, bem a tempo de segurar o enorme punho do minotauro de Blair que caiu sobre ele.

O minotauro era uma besta poderosa, mas Breath também era um homem forte. Mesmo com todo o peso que ele trazia, Breath foi capaz de aguentar o golpe da besta sem grandes problemas, apesar de que a força dele ainda refletiu no chão abaixo de seus pés, fazendo com que afundasse em uma pequena cratera.

– Mas que merda! – Exclamou ele, furioso. – Ei, Blair! O que isso significa?!

– Não sou eu que estou fazendo isso! – Gritou a maga em resposta, uma expressão aflita surgindo em seu rosto. – Eu perdi o controle sobre o minotauro, Breath!

O quê?! Tentou gritar uma resposta, mas no momento em que abriu sua boca sentiu a pressão do punho do minotauro aumentar ainda mais, reduzindo seu grito a um ranger de dentes irritado.

– Ela está falando a verdade, sabe? – Comentou Alcatraz enquanto coçava um ouvido com o mindinho. – Uma vez que alguém está preso em uma das minhas prisões, essa pessoa a maior parte das suas influências fica presas nessa prisão. Ela consegue ver o que está além das grandes e se comunicar com quem está do lado de fora, mas o alcance de coisas como a mana ou as Aloeiris não se estende além da prisão. E salvo engano meu, se você invoca uma criatura mas para de suprir mana constantemente para ela, essa criatura sai de controle.

Ah, você tem de estar de sacanagem comigo! Ergueu seu olho, e mesmo com o punho do minotauro obstruindo boa parte de sua visão, conseguiu ver o bastante para ver a besta erguer seu outro punho em preparação para um novo ataque. Eu não tenho como me defender de outro golpe. Não com minhas mãos ocupadas.

Tudo que Breath pôde fazer foi engolir em seco e se preparar mentalmente para o que estava por vir.

Isso dito, o punho nunca chegou a atingi-lo. Quando ele começou a vir em sua direção, viu o braço ser decepado quase que instantaneamente por um golpe rápido de Zetsuko, e logo em seguida uma barragem de esferas explosivas acertaram o minotauro. A besta caiu morta meros instantes depois, ao mesmo tempo em que seus companheiros aterrissavam ao lado de Breath.

– Seus... filhos da puta... – resmungou o mercenário, mesmo enquanto um sorriso começava a se abrir em seu rosto. – Vocês certamente demoraram, hein?

– Amamos você também, Breath – retrucou Zetsuko, posicionando-se ao lado de Breath de forma a cobrir o flanco esquerdo dele.

– É salvo por seus amigos e ainda reclama da demora... francamente, os jovens de hoje estão ficando cada vez mais folgados – murmurou Denis, sorrindo levemente enquanto puxava um pouco mais seu boné, ao ponto de tê-lo ocultando um de seus olhos, ganhando um ar mais sombrio e perigoso por isso.

– Ah, que meigo! Os amigos estão se unindo para proteger uns aos outros! – Disse Alcatraz, fazendo caricaturas exageradas, como se fosse uma mulher de meia-idade brincando com seu animal de estimação. – Isso é tão adorável! .... Uma pena que não vai durar muito, realmente. – Todo o humor e os exageros de suas ações desapareceram de uma vez, sendo substituído por um súbito ar de seriedade. Os olhos de Alcatraz se tornaram mais afiados, seus braços foram envoltos em energia, e quanto ele tornou a falar, sua voz havia se tornado bem mais grave. – Foi mal, mercenários. Nada contra vocês, mas é meu trabalho derrotar os invasores. Eu vou tentar ser um pouco gentil, mas deixem-me deixar uma coisa clara; eu garanto suas vidas, não seus membros.



Notas finais do capítulo

FATOS INTERESSANTES!

*A técnica da Gaiola de Alcatraz é, em parte, inspirada pela Gaiola do personagem Doflamingo, de One Piece. Ela é feita em uma escala muito menor e não possui todas as propriedades que a Gaiola do Doflamingo possuía, mas ainda assim elas retém algumas semelhanças, como a capacidade de impedir que determinadas coisas imateriais passem para fora da gaiola (coisas como a comunicação de Den Den Mushis no caso do Doflamingo, bem como a mana e as Aloeiris no caso de Alcatraz).



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