O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 1
O Cavaleiro Negro


Notas iniciais do capítulo

E aí pessoal! Faz algum tempo, não faz? Hahahaha. Espero que vocês tenham apreciado o tempinho que tiveram de folga de mim, hehe.Estou aqui agora trazendo para vocês a segunda temporada da "Era Dourada", com a saga mais votada por vocês; "O Olho Vermelho". E tenho de assumir; estou bem animado para essa saga. Comparado a ela, "O Torneio de Valhala" foi pouco mais que um prólogo. É nessa saga que poderei realmente trabalhar livremente, então, esperem uma história bem melhor aqui do que a anterior.Por sinal! Na última história, chegamos ao ponto de ter fanarts feitas sobre essa história! Nem preciso dizer a vocês o quão feliz isso me deixou, não é? Creio que, para nós - escritores - existem poucas coisas que nos deixam tão felizes quanto quando nossos leitores gostam tanto da nossa obra que chegam a fazer obras como fanarts ou fanfics. Por isso, quero deixar registrado aqui que estou aberto a qualquer coisa desse gênero; se você fizer uma fanart, eu adoraria vê-la, e caso você me dê permissão, eu adoraria divulgá-la aqui. O mesmo vale para fanfics, também, embora eu obviamente só possa divulgá-la caso você a poste no site. Esse tipo de coisa realmente alegra a alma de um escritor!Pra finalizar, mas não por último! Vocês sabiam que um de vocês, leitores, também criou uma história interativa. Pois é, meus chapas, estão surgindo rivais pra mim, haha! "Os Pacificadores" é uma história com uma premissa bem interessante, na minha opinião; uma história que conta a história de um homem chamado Clement, que recebe a missão de restaurar a paz a um continente caótico, repleto de guerras. A história só tem um capítulo por enquanto, mas essa premissa chamou meu interesse, e a escrita dela é muito boa! Na minha opinião, vale a pena que vocês deem uma olhada nela; parece-me que ela tem potencial para ser tão boa - ou até melhor! - do que a Era Dourada, haha!http://fanfiction.com.br/historia/519746/Os_Pacificadores_-_INTERATIVABom, é isso. Não vou lhes segurar aqui. Agora, meus amigos... apreciem o primeiro capítulo.



O punho de Hozar moveu-se contra ele com a mesma força e peso com a qual o cinzento antes movia o seu martelo. Em resposta a isso, o que Kastor fez foi fazer com que uma espada longa surgisse em sua mão direita e movê-la de encontro ao punho de seu amigo.

A força por trás do impacto do golpe de ambos foi o suficiente para que todo aquele lugar tremesse como se tivesse sido atingido por um terremoto. Viu a outra mão de Hozar se fechar em um punho também, mas antes que o cinzento tivesse tempo para lançar outro soco contra ele, o azul saltou rapidamente para trás, afastando-se dali a passos rápidos. Correu rapidamente os olhos para a sua espada, e não se surpreendeu quando viu que ela tinha se quebrado. Bem, creio que não há muito que eu possa esperar de um pouco de aço barato, não é? A resistência e durabilidade de suas armas não importavam muito contanto que ele tivesse várias ao seu dispor e fosse capaz de usá-las rápido o suficiente para não ser atrapalhado com o fato de uma delas se quebrar; mais importante que isso era o aumento na sua força física. Aparentemente, agora tenho força o suficiente para pelo menos conseguir aguentar os golpes de Hozar. Isso é bom.

Dois meses haviam se passado desde o fim do torneio, e nesse tempo, todos haviam treinado e se tornado mais fortes. Kastor, Hozar, Duke, Teigra, Kyanna, Bryen, Anabeth... todos haviam se esforçado ao máximo ali. E mesmo assim, Kastor podia dizer com segurança – e talvez apenas um pouco de arrogância – que ele é o que mais treinava entre todos eles. Seus duelos eram constantes, sempre variando os oponentes, sempre aprimorando seu corpo e técnicas. Dois meses atrás, eu fugi quando Dwyn nos atacou. Iria se certificar de que nunca mais tivesse de fazer algo assim.

Hozar saltou sobre ele, caindo sobre o azul, sua sombra cobrindo o sol como se fosse um eclipse. Chamas rodeavam seu punho, conjuradas voluntariamente por ele, um dos frutos de seu treinamento. Esse não parece um golpe que eu vou querer bloquear, dessa vez. Tinha agora força nos braços o suficiente para competir com os golpes normais de Hozar, mas não tinha desejo algum de tentar sua sorte contra os ataques mais fortes do cinzento. Afinal de contas, eu sou um guerreiro de agilidade. Acho que já está mais do que na hora de eu começar a mostrar os verdadeiros talentos da minha classe, não é?

MACH 2! – anunciou ele. Outro dos frutos de seu treinamento era esse; agora, era capaz de ativar o MACH 2 e 3 instantaneamente com apenas uma pequena fadiga, e era capaz de sustentar-se nesses modos por horas e horas. Apesar de que não preciso disso. Com o MACH 2 ativado, desapareceu da vista de Hozar muito antes que o cavaleiro lhe alcançasse. O golpe do homem atingiu nada mais do que o ar, e enquanto Hozar olhava rapidamente ao redor tentando lhe localizar, Kastor aproveitou-se para mover-se para o ataque. Quando Hozar lhe notou novamente, o Cavaleiro Azul agora planava no ar atrás dele, pronto para seu golpe.

Com um sorriso no rosto, Kastor ergueu ambas as mãos acima de sua cabeça. Com a ajuda de seus poderes, o que surgiu nelas foi um grosso cabo de madeira. O cabo se estendia por quase quatro metros, sendo que Kastor segurava-o bem no início, e quase que todo o tamanho desse cabo era acompanhado pela lâmina. O que Kastor portava em mãos ali era um machado gigantesco, com uma lâmina de aço enorme, duas vezes maior do que qualquer homem. Olhando para aquilo, era impossível imaginar que aquela monstruosidade pesasse qualquer coisa menos do que uma tonelada, mas ainda assim Kastor manuseava aquele machado com uma praticidade absurda, como se ele pesasse tanto quanto uma pena. Ergueu a lâmina desse machado tão alto no céu quanto pode, e logo em seguida, desceu-a de uma só vez contra Hozar.

Seu ataque criou uma onda de choque, e essa onda de choque foi responsável por destruir o chão abaixo dele, a pressão da sua força agindo como se uma explosão tivesse ocorrido dentro do solo, arremessando blocos de terra e pedra para o ar. Ah, droga. Eu tenho de parar de destruir a nossa base. Ainda estava em meio ao ar, parado ali já que ainda segurava o cabo do machado e a lâmina desse estava cravada no chão. Aproveitou-se disso e do fato de que o cabo estava firme ali para impulsionar seu corpo para cima e saltar para ele, ficando em pé sobre o cabo para ter uma visão melhor da área. Muito bem, muito bem. Esse ataque causou muitos danos ao chão, então isso significa que Hozar não foi atingido por ele. Sendo assim... aonde ele está.

Teve sua resposta bem rapidamente.

– Você evoluiu bastante, Kastor – disse a voz de Hozar. Olhou para trás e viu o homem parado à alguns metros de distância dele, de braços cruzados. Naqueles dois meses, a aparência de Hozar havia mudado bastante. Antes os cabelos deles eram em sua maioria castanhos com um pouco de cinza neles, mas agora a situação havia se invertido e eles haviam se tornado cabelos cinzas com um pouco de castanhos neles aqui e ali. Eles agora estavam bem penteados para trás, com as pequenas pontas deles cercando sua nuca. Da mesma forma, ele agora também tinha uma barba grossa ao redor do rosto. A armadura também havia mudado para um modelo mais grosso e resistente, com traços mais duros e ameaçadores também, mas fora isso, não muito mais havia mudado nele. – Sua força física está bem desenvolvida agora. Quanto pesa esse machado? Uma tonelada? Duas, talvez?

– Haha, você está me superestimando um pouco ai, meu chapa! – recrutou Kastor, sorridente como sempre. O Cavaleiro Azul também havia mudado, mas muito pouco em comparação ao outro. Havia conservado seus cabelos mais curtos, e tinha também se dado ao trabalho de impedir que uma barba crescesse em seu rosto, mas seu corpo havia se desenvolvido mais naquele tempo. Graças a seu treinamento intenso, seu físico havia mudado, dando-lhe músculos um pouco mais pronunciados; não havia deixado de ser esguio, mas agora seu corpo mostrava mais sua força, principalmente quando ele se dava ao trabalho de mostrar isso. Havia também adicionado manoplas e botas de aço azul, com as quais tomou o cuidado de certificar-se de que combinassem bem com seu peitoral, ao seu arsenal, o que lhe ajudava bastante com todo o trabalho que tinha de fazer com suas mãos e pés. Isso não é um conjunto perfeito, mas serve, eu acho. – Suponho que esse machado parece pesar muito, mas não é tão pesado assim. Uns seiscentos ou setecentos quilos, eu acho, deve ser o peso real dele. E de qualquer forma... você ficou bem mais rápido, hein? Eu nem vi você saindo daqui pra aí!

– É meio difícil ver qualquer coisa quando se tem um machado gigantesco na frente do seu rosto – apontou Hozar. – Esse é um dos seus problemas que eu notei. Essa arma é simplesmente muito grande para que você possa a manusear efetivamente. O poder dela é extremamente alto, concordo, mas o tamanho dela torna seu manuseio difícil, e não importa quão forte uma arma possa ser, não vale a pena usá-la se ela te impede de ver os movimentos de seu inimigo.

– Eu sei, eu sei – retrucou Kastor, coçando a cabeça. – Eu apenas queria testar ele, sabe? Quero dizer, ele é um machado gigante! Eu tenho um machado gigante! Eu não sei quem fez ele ou como eu o consegui, mas eu sei que ele é meu! Que tipo de homem eu seria se não usasse o machado gigante?!

– Um homem inteligente – respondeu imediatamente Hozar. – Verdade, não pensei por esse lado antes. Pensando dessa forma, faz sentido que você procure o usar.

– ... Vai se ferrar, você – foi a única resposta que o Cavaleiro Azul conseguiu pensar em dar imediatamente. Fraca, eu sei, mas vai ter de servir. Não tinha tempo para pensar numa resposta melhor. – De qualquer forma, mais importante que isso... e os outros?

– O que tem os outros? – questionou Hozar, franzindo o cenho. A única resposta que Kastor lhe deu para isso foi olhar para o homem com uma de suas sobrancelhas erguidas. – Eles estão aqui e ali. Duke, Teigra e Anabeth ainda não voltaram da missão deles. Bryen e Kyanna estão treinando juntas, pelo que eu sei. Nada demais.

– Entendo... – murmurou Kastor, em compreensão. Tinha um sentimento estranho ali, como se algo estivesse incomodando sua mente. Sinto como... se algo fosse acontecer. Não sabia o que, no entanto.

Não focou-se muito nisso, entretanto. Logo decidiu por simplesmente dar de ombros, e chamando mais duas espadas à ambas as suas mãos, virou-se com um sorriso para encarar Hozar.

– Muito bem – disse ele, girando as espadas. – Nesse caso... que tal mais uma dança?

Por um momento Hozar apenas ficou fitando-o calmamente depois disso, seu rosto não exibindo nada do que ele pensava, sólido como rocha. Isso não durou muito. O homem aparentemente tentou conter isso, mas uma risada eventualmente fez seu caminho, passando pela garganta dele para ressoar por aquele lugar, rouca e forte. Seus punhos se erguera, mais parecendo duas grandes rochas cinzas, prontas para esmagar a cabeça de Kastor no chão.

Se encararam por um momento, e logo em seguida, avançaram um contra o outro.

=====

O suor escorreu por seu rosto, pingando para o chão pela ponta do seu nariz. Aquilo não era algo necessariamente difícil para ela naquela altura, mas isso não mudava o fato de que isso se tornava bem exaustivo depois de tanto tempo assim.

Sustentando seu corpo a partir apenas de sua mão esquerda, Bryen Hardying estava fazendo flexões para aumentar sua força física em um espaço com a gravidade dez vezes maior. Do outro lado da sala, sentada de pernas cruzadas no chão, de costas para a parede, estava Kyanna, de olhos fechados e concentrada para manter a gravidade elevada ali.

Ainda não é o bastante. Dobrou seu braço, sentindo todo o seu corpo descer junto dele, e outra gota de suor escorreu até o chão. Força. Resistência. Não é o bastante. De fato, comparada a um humano normal, Bryen estava monstruosamente forte agora; nos dois meses que haviam se passado desde que ela se juntou a Era Dourada, sua força física, agilidade e resistência haviam crescido bastante. Havia treinado com todos os outros, e cada um ali parecia ter alguma coisa de diferente para lhe ensinar em matéria de lutas, mas nem mesmo isso havia sido o suficiente. Eu evolui bastante desde que cheguei aqui, mas ainda não estou no nível deles. Nenhuma de nós está. Da mesma forma que haviam evoluído, o mesmo valia para o trio monstro daquela guilda. Kastor, Hozar e Duke haviam crescido bastante naquele tempo, e a força daqueles três agora não era nem sequer comparável ao que eles tinham quando lhes conheceu. Tenho de ficar mais forte. Ao menos tão forte quanto eles. Se não podia sequer enfrenta-los de igual pra igual, então como poderia esperar ter força o suficiente para matar aquele homem? Minos Arclight...

Só parou seu treinamento no momento em que sentiu a gravidade extra que pesava sobre ela desaparecer.

– Muito bem, muito bem – disse Kyanna, sorrindo jovialmente enquanto se erguia do lugar aonde estava. – Creio que isso basta, não é?

A sua única resposta foi olhar para a maga. O que ela pensa que está fazendo? Saltou e aterrissou de pé ali, e então dirigiu toda a sua atenção para ela.

– Continue – disse Bryen. – Ainda posso fazer isso por mais algumas horas. Ative novamente o campo de gravidade.

Kyanna balançou negativamente a cabeça.

– Talvez você pode, mas você não sou eu – disse ela. – Sou uma maga psíquica, Bryen. É bem esgotante para alguém como eu usar uma magia que foge tanto a minha especialidade como essa; não posso sustentar isso por muito tempo. Se eu ativasse meu campo novamente, eu estaria esgotando totalmente minha reserva de mana, e gosto de conservar um pouco de energia dentro de mim para o caso de que eu tenha de entrar em uma batalha inesperada ou coisa do tipo. Além do mais... – acariciou a cintura e pernas, e colocou uma falsa expressão de dor no rosto. – Eu fico toda dormente ao ficar tanto tempo parada sentada ali, sabia?

Resmungou qualquer coisa para si mesma em resposta a isso. Maldição. Podia insistir em seu treinamento sozinha, mas isso seria inefetivo. E também não há nenhuma outra pessoa com a qual eu possa treinar. Kastor e Hozar estão treinando um com o outro, e Duke e os outros ainda estão em sua miss-

Foi então que sentiu aquilo.

Sua mão direita cobriu rapidamente o pulso da sua mão esquerda, e pode ver que Kyanna fez o mesmo. A sensação foi como se algo estivesse queimando em sua mão, mas isso só durou um momento. Olhou para o pulso, e tal como imaginava, viu ali o símbolo da magia que Kyanna havia a muito colocado sobre eles, para informar-lhes de como estavam seus companheiros. Um círculo de fogo rodeado por sete espadas, sendo que, agora, três dessas ardiam com o dobro da força normal.

Ela sabia o que isso significava.

– Então, você finalmente voltaram, não é? – disse ela, para ninguém em particular.

=====

Nenhum guarda ousou lhe atrapalhar. As pessoas abriram caminho para ele a medida que ele andava, como se ele fosse um rei ou coisa do tipo. Todos fitavam-lhe com olhos esbugalhados, como se não pudessem acreditar no que viam.

Ele não tentava esconder seu sorriso de satisfação ali.

Sabia que pelo menos a maior parte disso não era em respeito ou medo dele em si, mas sim devido ao pequeno dragão que ele arrastava pelo rabo, mas francamente, não dava a porra da mínima. É assim que as coisas tem de ser, pensou Duke Graham, erguendo com um dedo os óculos escuros no seu rosto para ver melhor as coisas. Tenham medo, seus bando de merdas. Tenham medo de mim, haha!

– Você parece estar gostando mais disso do que deveria – comentou Teigra Blacktiger ao seu lado, lançando um rápido olhar para ele.

Duke sorriu. Desde dois meses atrás, aquele homem havia mudado bastante. Seus cabelos negros haviam crescido um pouco mais, ao ponto de que os fios de alguns deles conseguiam agora cair sobre suas orelhas, e uns poucos deles estavam quase sempre caídos sobre a frente de seu rosto. Havia perdido um braço também, bem antes, durante sua batalha com Dwyn, mas não se incomodava mais com isso; depois de todo aquele tempo, ele havia aprendido a manusear muito bem seu braço de aço, tão bem ou melhor do que o de carne e osso. Mais que isso, no entanto, ele estava mais... feliz. Desde que havia se juntado à Era Dourada, Duke conseguiu de volta algo que ele tinha perdido a muito tempo; companheiros verdadeiros. O fato de que ele havia conquistado novos companheiros agora era uma das coisas que fazia com que aquele homem estivesse quase sempre rindo, bem como uma das coisas que influenciou para que ele se tornasse mais altruísta e menos agressivo... ainda que apenas um pouco.

– Ei, sou um homem simples. Tiro prazer nas coisas básicas da vida... como pessoas olhando para mim com respeito – disse ele, sorrindo.

– Exceto que eles não estão olhando para nós com respeito – apontou Anabeth, correndo rapidamente o olhar pelas multidões de pessoas que estavam ali. – Eles estão nos olhando mais com medo, pelo que parece.

– Perto o suficiente – declarou Duke, dando de ombros como se não se importasse realmente com aquilo.

Um grupo de três pessoas arrastando um dragão para dentro de uma cidade não era algo comum, e sendo assim, não demorou muito até que uma grande comoção ocorresse. Guardas e cidadãos haviam formado quase que um círculo ali, cada um deles tentando ver melhor e mais de perto o que estava acontecendo. Supostamente, seria trabalho dos guardas lidar com aquela situação, mas simplesmente não havia guarda ali que tivesse coragem o suficiente para fazer alguma coisa. A guarda de Valhala não era composta por verdadeiros ou coisa do tipo; em sua grande maioria, a guarda era constituída de simples jovens que tivessem força o suficiente para usar uma arma e armadura, treinados apenas basicamente. A força de nenhum deles era muito além da de um humano normal, e isso em parte se devia também devido ao estilo de vida deles; a guarda era uma organização quase tão corrupta quanto os próprios Governadores da cidade, frequentemente aceitando propinas para olhar para o outro lado ou conduzir outros tipos de atividades ilegais na cidade. Desde que grandes criminosos não agissem dentro de Valhala e pagassem aos guardas uma certa quantia, a existência deles era pacífica ali. Isso fazia com que todo o oponente que aquela guarda encontrava tratasse-se de pequenos criminosos e um ou outro grupo ocasional de bandidos, e se havia alguma coisa que esses eram, isso era despreparados. Bandidos e criminosos não tinham armas ou treinamento no nível dos da guarda, e isso fazia com que os guardas tivessem um tanto de comodidade. Em outras palavras, a guarda de Valhala era pouco mais do que um escudo de papel; ela só era efetiva contra grupos ainda mais frágeis que ela, mas ela se quebrava facilmente diante de problemas maiores como um espadachim imortal ou um dragão, em parte pelo fato de que eles nem tentavam lidar com esses problemas.

E isso ajudou Duke ali.

Com a grande multidão que havia se aglomerado ali, supunha que ao menos metade da cidade estava reunida naquele lugar, e com a dolorosa incapacidade dos guardas de serem uteis para alguma coisa, parecia-lhe que aquilo iria continuar por algum tempo. E isso lhe dava uma boa chance ali. Acho que posso me aproveitar disso para cuidar bem dos meus assuntos...

EI, VOCÊS! – gritou ele a plenos pulmões, sua voz ressoando por todo o ambiente. Seu grito foi forte o suficiente para que a atenção de todos ali passassem do dragão para ele, e um bom bocado daquelas pessoas recuassem um passo para trás em medo. Sorriu, satisfeito. Perfeito. – Eu e minhas boas amigas aqui cuidamos desse pequeno dragão que vocês podem ver. Bem legal e bem bacana da nossa parte, eu sei, eu sei, mas não fazemos isso de graça, sabe? – correu seus olhos por ali, fitando o rosto de cada uma dessas pessoas antes de prosseguir. – Existe um homem aqui chamado Kennedy Kay, e ele foi o responsável por colocar uma recompensa nesse dragão. Ele provavelmente está entre vocês, em algum lugar. Então... Kennedy Kay, mova sua bunda gorda pra cá antes que eu perca a paciência e decida enfiar o meu pé nela!

Talvez devesse ter pegado um pouco mais leve no que dizia respeito a intimidação. Pensou que suas palavras iriam intimidar a população a cooperar com ele, mas pelo que viu, o que isso fez foi fazer com que boa parte das pessoas que estavam ali simplesmente virassem e saíssem correndo em medo. Ah, merda. Sentiu os olhares de Teigra e Anabeth caírem sobre ele, acusadores, e usou de todas as suas forças para ignorá-los o tanto quanto podia. Não foi o suficiente. Merda, merda, merda. Eu nunca vou ouvir o fim disso, não é? Já conseguia até imaginar. “Bom trabalho Duke, você fez realmente muito bem ali. Nunca imaginei que você conseguiria estragar uma oportunidade tão boa quanto aquela de terminarmos o nosso trabalho assim tão rapidamente”.

E foi então que alguém emergiu por entre todas aquelas pessoas. Um homem franzino de cabelos finos da cor da areia, magro e comprido, mais parecendo um palito do que qualquer coisa. Usava óculos de grau no rosto e seus olhos constantemente se apertavam como se ele estivesse se esforçando para tentar enxergar o que estava à sua frente. Tudo naquele homem transmitia constantemente uma impressão de nervosismo, insegurança e apreensão, mas ainda assim, ele pelo menos teve a coragem o suficiente de erguer a mão. Então, esse é Kennedy Kay?, observou Duke, erguendo uma sobrancelha. Eu... francamente, eu estava torcendo pra que fosse uma mulher com nome masculino. É muito mais sexy imaginar uma mulher com nome masculino do que um homem com nome masculino.

– Você é Kennedy? – perguntou ele, embora isso fosse mais uma pergunta retórica do que tudo, considerando toda a situação.

– S-sim – respondeu ele, ajeitando seus óculos com um dedo enquanto uma gota de suor frio escorria pela sua testa.

– Ah, muito bem – disse o Titã. A cauda do dragão estava em seu ombro, já que ele tinha estado arrastando a besta mágica por ai por um bom tempo. Jogou-a de lado, e o peso da simples cauda da besta foi tão grande que o chão pareceu afundar no lugar aonde ela caiu, delineando o contorno dela. – Sendo assim, podemos falar de finanças agora! Só pra confirmar, o pagamento é em dobro se o dragão estiver vivo, não é?

Os olhos do homem se arregalaram ao ouvir aquilo, e Duke sorriu em satisfação consigo mesmo... por dois ou três segundos, tempo que ele demorou para notar que, ao contrário do que ele havia pensado inicialmente, o olhar do homem não era de surpresa, mas sim de pânico.

– O que foi? – perguntou ele, franzindo o cenho.

– V-você trouxe o dragão vivo aqui?! – exclamou Kennedy, abismado. – Assim? Sem correntes, sem jaula, sem grilhões, nada?!

– Hm? Tem algum problema com isso?

– Se tem algum problema? Você tem alguma ideia de quão perigosos dragões são?! Se você não acorrenta-lo ou coisa do tipo, ele pode acordar a qualquer mom-

O homem foi interrompido quando um forte rugido subitamente ecoou pelo lugar.

Não pensava antes que isso era possível, mas os olhos de Kennedy se arregalaram duas vezes mais quando ele ouviu aquilo. Ao seu lado, viu tanto Teigra quanto Anabeth saltarem para longe, fugirem dali, ao mesmo tempo que sentiu uma sombra se formar sobre ele. O que é isso?

Ergueu sua cabeça e então viu-o. Acima dele se erguia a cabeça do dragão, os olhos reptilianos fitando-o com o que parecia ser ódio, os dentes afiados a mostra, a boca aberta como se planejasse devorar Duke de uma única fez.

– Ah... – disse ele, finalmente compreendendo as coisas. – Então é por isso que o cara estava preocupado. Se eu não prender esse dragão, ele pode escapar.

No momento em que o dragão avançou contra ele, ouviu vários sons diferentes. Ouviu pessoas correndo para longe dali desesperadas, ouviu alguns membros corajosos da guarda gritando para ele se afastar enquanto corriam para lhe ajudar. Ouviu uma ou duas mulheres gritarem em horror perante ao que estava por vir, ao mesmo tempo em que ouviu alguns homens gritarem para que ele fugisse.

Ouviu tudo isso, mas o que ele fez foi apenas rir.

Moveu seu braço humano, e com seu punho nu, golpeou o que seria o queixo do dragão no momento em que ele tentou lhe abocanhar. O rosto da besta virou tão rapidamente de baixo para cima que por um momento chegou até mesmo a pensar que tinha quebrado seu pescoço, e duas longas presas brancas saíram de sua boca, caindo no chão. Um estrondo pode ser ouvido ali um momento antes do dragão ser arremessado violentamente para cima, rodopiando no ar, girando sem controle nenhum de si. Sangue de dragão caiu sobre as bochechas de Duke, e isso apenas fez com que o sorriso no rosto do homem crescesse ainda mais.

Dobrou ambas as suas pernas o máximo que pode, e a mera pressão que elas exerceram foi o suficiente para que o chão abaixo dele trincasse. Quando ele saltou, esse chão simplesmente não suportou mais e praticamente explodiu, erguendo uma nuvem de poeira que o encobriu por alguns momentos. Avançou contra o dragão como se fosse uma flecha, e apesar da enorme distância que os separava, havia lhe alcançado em um piscar de olhos. Com sua mão de carne e a de aço, segurou a parte superior da mandíbula do dragão enquanto o passava, e então girou no ar. Vamos lá! De uma só vez, puxou o dragão junto consigo em direção ao chão novamente, caindo com força e velocidade de um pequeno meteoro.

A cabeça do dragão explodiu em milhões de pedacinhos no momento em que ele a esmagou contra o chão. Seu sangue respingou sobre o corpo de Duke e pintou as ruas da cidade, provocando gritos de horror e nojo de tanto homens quanto mulheres. Não se importou com isso. Ao invés disso, o que fez foi olhar para as suas mãos. Parece que essa coisa realmente era um dragão, no fim das contas. Ao enfiar seus dedos na mandíbula do dragão para esmaga-lo no chão, os dentes dele havia cortado um pouco os quatro dedos de carne e osso que lhe restavam. Bom, creio que isso significa que devo treinar um pouco mais a resistência do meu corpo.

– Ei, Kennedy! – disse ele, virando-se na direção do homem franzino novamente. Aquele homem engoliu em seco e olhou ao redor, apenas para ver que ele era praticamente a única pessoa que permanecia ali; depois de terem presenciado a demonstração de poder de Duke, muitas das pessoas haviam sido bem rápidas em dispararem a correr pra longe dali. – Pode esquecer aquilo que eu falei sobre recompensa dobrada. Parece que, no fim das contas, eu acabei matando esse dragão.

=====

Um sorriso surgiu em seu rosto dele ao ver aquilo. Destruir a cabeça de um dragão dessa forma, com essa facilidade... interessante! Aquele certamente não seria alguém fraco. Ergueu uma mão e fechou-a em um punho com tanta força que uma de suas veias se tornou visível ali.

– Cuidado, cuidado – advertiu uma voz de mulher. – Você não vai querer lutar com um deles agora, Breath.

Isso fez com que o sorriso que antes estava em seu rosto desaparecesse instantaneamente para dar lugar à uma feição de irritação. É por isso que gosto de trabalhar sozinho.

– Não me diga o que fazer Zetsuko – retrucou ele de forma ácida. – Você não paga o meu salário.

Breath era, antes de qualquer coisa, um homem monstruosamente forte. Seu físico era bem desenvolvido, encoberto por uma jaqueta de pano branco aberta, deixando seu peito – e uma extensa e violenta cicatriz em forma de “x” ali – a mostra, enquanto na parte de trás da jaqueta Breath tinha desenhada uma mão negra, mostrando o dedo do meio à tudo e todos. Trazia em sua testa um protetor de aço rústico amarrado na parte de trás de sua cabeça, e isso fazia com que seus cabelos negros ficassem ainda mais selvagens e desarrumados ali. Tinha mais de vinte anos, mas a sua aparência e a forma dele agir faziam com que ele parecesse ter quinze anos ou coisa do tipo. Um mercenário de certo renome, existiam duas coisas pelas quais ele era famoso; pelo seu gênio forte, que não se dobrava diante dos desejos de praticamente ninguém, e pela extrema brutalidade e agressividade que ele demonstrava quando lutava.

– Ora, que não seja por isso – disse Zetsuko, sorrindo de forma provocante. – Eu pagarei você com felicidade para que você me ouça, Breath. Talvez isso impeça que você estrague todo o plano.

Ao contrário de Breath que parecia agressivo e imaturo, Zetsuko transmitia um ar de simples maturidade e calma eterna. Uma mulher no mínimo exótica, Zetsuko tinha longos cabelos da cor da platina, selvagens, caindo-lhe pelas costas até a cintura. Um velho quimono antigo cobria o corpo dela, algo que parecia ter mais de dez ou quinze anos; em algum ponto no passado ele havia sido belo e branco, mas anos e anos de uso haviam feito com que as extremidades dele estivessem rasgadas, desgastadas, e a maior parte do quimono branco havia se tornado amarelada pela terra, poeira e sujeira em geral que impregnaram-se nele com o passar do tempo. Aquele quimono, ao contrário da maioria, era aberto na frente, e isso seria algo que deixaria o peitoral daquela mulher a mostra, mas ela tinha consciência o suficiente disso para amarrar diversas faixas ali para não revelar nada indevido. Ao redor de sua cintura, a mulher trazia duas espadas – katanas, feitas não pelas mãos de um ferreiro comum, mas pelas de um mestre espadachim.

– Ei, ei, vocês dois vão acabar brigando um com o outro nesse ritmo – comentou uma terceira voz. Estava sentado sobre a única cama daquele quarto, comendo uma pera enquanto falava. – Eu não dou a mínima realmente se você querem matar um ao outro e tudo mais, mas poderiam fazer isso depois que a missão acabasse? Sério? Por que, eu não sei se vocês sabem, mas se vocês se matarem, o nosso contratador vai ficar puto, e eu realmente não gosto do pensamento dele me negando o pagamento.

Os dois se viraram para ele. O terceiro do improvável trio de mercenários, provavelmente o mais relaxado de todos, Denis Gladen era alguém que mais parecia ser um patife ou trapaceiro de cidades grandes do que um mercenário como os outros dois. Seus cabelos castanhos eram bem curtos, apesar de que eles praticamente não podiam ser vistos graças ao boné que ele usava. Seu bigode e barba se juntavam, cobrindo o maxilar daquele homem, apesar de que pouco mais do que isso. Suas costeletas eram grossas e maiores do que o normal, quase alcançando seu queixo, mas além disso, o homem tinha uma aparência bem comum. Seus lábios sorriam, mas esse mesmo sorriso não alcançava os olhos cor-de-madeira dele, olhos que olhavam para os dois mercenários ali sem expressarem nenhuma emoção. Luvas brancas cobriam as mãos daquele homem, enquanto o que cobriam seu corpo eram calças longas e surradas azuis, uma camisa social impecável de branca e um casaco marrom cor-de-terra com gola alta. Aquele era um homem estranho, no mínimo; ele conseguia ao mesmo tempo ser bobo, irritante, malandro... e assustador. Mais assustador do que qualquer um queria admitir.

– Ah não – reclamou Breath, praguejando para si mesmo. Avançou um passo em direção ao homem, ameaçador. – Sabe, Denis, se existe alguma coisa que eu não preciso ouvir agora é pessoas me dizendo que eu não deveria enfrentar pessoas. Esse é exatamente o motivo pelo qual eu odeio trabalhar em conjunto. Por algum motivo, vocês parecem achar que eu devo fazer o que vocês querem!

– Nós não queremos que você faça o que queremos, Breath – disse Zetsuko calmamente. – Nós só não queremos que você estrague as coisas para nós.

– Eu não vou estragar nada, caramba! – exclamou ele, puxando seus cabelos como se fosse capaz de arrancá-los em frustração. – Apenas me deixem enfrentar a merda do cara! Eu vou chutar a bunda dele, vou rir na cara dele, e não vou estragar merda nenhuma!

– ... Eu francamente duvido muito disso – comentou calmamente Denis.

– Além do mais, nós simplesmente não podemos deixar que você faça isso, Breath – apontou Zetsuko. – Isso é para não estragar as coisas para nós, lógico, mas também temos que levar em conta as nossas ordens. Nosso contratador foi bem específico. “Não arranjem problemas, não entrem em confrontos, não chamem atenção nenhuma para vocês. Ao menos não até que eu encontre aqueles dois.”

=====

– Ah, cara, isso é ótimo! – sem timidez alguma, Kastor expressou em voz alta sua satisfação com aquilo. Deixou que boa parte da água da garrafa caísse sobre a sua cabeça antes de balança-la, sentindo o liquido escorrer por seu rosto, pescoço e ombros, fazendo milagres sobre os músculos de cansados de seu corpo. – Agora entendo o porquê de tantas pessoas falarem que a água é o líquido dos Deuses! Isso aqui é refrescante demais!

– Isso é água; se ela não fosse refrescante, estaríamos com grandes problemas – apontou Hozar. Ao contrário de seu amigo azul, o Cavaleiro Cinzento não era nem de longe tão expressivo ou espontâneo quanto Kastor. Enquanto o mais jovem dos dois jogava a água sobre si para tentar aliviar a dor de seus músculos de alguma forma, o que Hozar fazia era simplesmente bebê-la normalmente, sem maiores estardalhaços.

Estavam ambos no salão principal e de entrada da guilda, sentados em um dos vários bancos de madeira enfileirados ali. Os olhos de Hozar correram por ali, tomando pela primeira vez o tempo para simplesmente avaliar aquele lugar. Nada mal. Não era um lugar luxuoso nem muito grande, mas isso não era algo surpreendente para ele; apesar de todo o dinheiro que haviam conquistado com o torneio, guildas eram coisas caras, e nem mesmo o dinheiro que eles tinham seria o suficiente para montarem um quartel como o das grandes guildas. E mesmo que fosse, fazer isso seria uma tremenda estupidez. As grandes guildas eram maiores porque elas possuíam mais membros, e isso requeria mais espaço, o que significava que elas necessitavam de um lote maior e muito mais materiais de construção. Isso, no entanto, é sustentado pelo fato de que o grande número de membros significa que eles constantemente estão completando um grande número de trabalhos, o que gera uma renda alta e estável para eles. Em contra partida, enquanto as grandes guildas tinham centenas de membros – algumas chegando até a alcançar quase mil – a guilda deles tinha sete pessoas. Sete pessoas bem capazes, mas ainda assim, sete pessoas. Investir em uma base maior seria apenas um desperdício de dinheiro para pessoas como eles. Além do mais, Kastor é impaciente. Ele quis um trabalho rápido aqui, e isso nos forçou a contratar mais pessoas que o normal. Mesmo assim, tivemos de usar Anabeth e Kyanna para completarem as coisas antes que Kastor gastasse ainda mais dinheiro desnecessariamente.

Mas, supunha que no fim das contas isso havia valido a pena. Fizeram um bom trabalho aqui. A madeira da qual a guilda era feita era de boa qualidade, e os carpinteiros haviam sido generosos o bastante para ceder a Kastor algumas mesas, cadeiras e bancos que eles tinham sobrando de trabalhos anteriores ou que eles simplesmente fizeram em seu tempo livre. Um grupo deles haviam sido até mesmo generoso ao ponto de criarem todo um pequeno bar para Kastor em um canto ali, apesar de que esse estava inocupado tanto pela falta de um barman quanto pela falta de bebidas. Mas, em si, essa guilda está muito boa. Tinham uma boa cozinha, uma boa escadaria que levava ao segundo andar, uma escadaria não tão boa que levava ao porão, um quadro de pedidos, e um belo par de portas de entrada.

Um par de portas que, naquele momento, foi aberto.

Isso atraiu a atenção tanto de Hozar quanto de Kastor; considerando que a guilda deles ainda era desconhecida, a maior parte dos trabalhos que a Era Dourada cumpria eram trabalhos gerais passados diretos ao Governador para serem repassados para interessados; em outras palavras, eles iam atrás do trabalho. Talvez possa ser Duke e os outros. Haviam sentido a chegada deles à cidade graças ao feitiço, mas eles ainda não haviam chegado até a guilda, então aquela era uma boa hipótese.

Mas logo desistiu dessa hipótese assim que viu a figura que estava ali.

Era um homem... ou ao menos supunha que era um homem. Não posso realmente ver o rosto dele para saber. Um sobretudo velho, manchado pelos efeitos da chuva e sol encobria aquela pessoa, apesar de que ele não fazia nada para esconder o quão grande era aquele que estava ali. Maior do que Hozar, aquele homem deveria ter mais de dois metros. Por baixo daquele sobretudo, as únicas coisas que era possível se ver eram um pouco da armadura negra que protegia o corpo daquele homem e os ombros dele, grandes e fortes.

Demorou um momento para compreender o que era aquilo, mas quando o fez, não perdeu tempo em avançar contra ele.

Eu sabia! Eu sabia que eles iriam nos atacar em algum momento! Depois que Lancelot e Titânia derrotaram Dwyn, Lancelot presenteou-lhe com uma rápida visão do passado de Dwyn. Não conseguiu ver muito nem compreender muita coisa ali, mas se havia uma coisa da qual não se esquecia relacionado a isso, era das figuras que tinha visto. Um cavaleiro forte como um touro e grande como uma torre... se esse homem se deu ao trabalho de vir até aqui e se encobriu dessa forma, ele deve ser um companheiro de Dwyn! Iria fazer com que ele se arrependesse rapidamente daquilo: havia derrotado Dwyn completamente antes quando era muito mais fraco, não seria derrotado agora.

E por isso mesmo ele se surpreendeu tanto quando tudo que o homem fez foi erguer rapidamente uma de suas mãos e segurar o punho de Hozar como se ele não fosse nada.

Ouviu um grito de Kastor atrás dele, perguntando o que ele estava fazendo, mas simplesmente não tinha tempo o suficiente para responder àquilo; tentou puxar seu punho, ganhar distância daquele homem, mas ele segurou-o com força, e com uma única mão ele deteve Hozar. Maldição...! Tentou liberar suas chamas para fazer com que ele se afastasse, mas o homem nem sequer balançou; viu as chamas lamberem a mão do homem, e ainda assim, ele não pareceu sequer senti-las.

– Ora, ora, você me surpreende – disse a voz do homem; uma voz que trazia ao mesmo tempo força e experiência. – Isso lá é forma de tratar seu pai?

No momento em que ouviu essas palavras, suas chamas se dissiparam por completo.

O homem soltou seu punho, mas isso fez pouca diferença para ele; não iria voltar a se afastar, não agora. Seus olhos estavam fixos na figura a sua frente, tão compenetrados que ele nem sequer notou a aproximação de Kastor; quando se deu conta, o azul simplesmente já estava ali, parado do seu lado, aguardando o mesmo que ele.

As mãos do homem lentamente se ergueram até o capuz do seu sobretudo que cobria seu rosto, e ele o puxou de uma só vez. Seus cabelos eram grisalhos, curtos e levemente espetados apesar de sua idade, e seu rosto era bem barbeado e trazia traços duros da vida de guerreiro que ele viveu. Faltava-lhe metade da orelha direita, e em seu queixo, o homem trazia uma cicatriz do lugar por onde um machado havia passado. Nada disso, no entanto, se comparava ao ferimento que havia lhe tomado o olho esquerdo, deixando uma extensa cicatriz, um corte tão violento que ele era forçado a usar um tapa-olho para ocultar aquilo. O velho cavaleiro olhou para ambos os seus aprendizes diante dele por um momento com um olhar avaliativo, mas logo em seguida ele sorriu e pousou uma mão sobre o ombro de cada um deles.

– Vocês dois... posso ver que vocês cresceram bastante. Isso é bom. Vocês fazem este velho homem muito orgulhoso – disse Odin Wynthers, líder dos cavaleiros do Salão Cinzento, o Cavaleiro Negro, para em seguida jogar sua cabeça para trás e gargalhar alto.



Notas finais do capítulo

Bom, mais algumas coisinhas aqui a dizer a vocês!Primeiro; como eu disse na nota da história, essa história é interativa em dois pontos. Vocês, em pontos-chave da história, poderão interagir diretamente com o enredo, conduzindo a forma que ele irá seguir e fazendo escolhas que podem ou não alterar coisas no futuro. Os que acompanharam a primeira temporada devem entender isso melhor, mas para os que estão confusos... bem, pensem como se essa história fosse um jogo da Telltales, ok?Além disso, vocês também podem criar seus personagens para participarem da história! E outra; como os personagens são ilimitados, vocês podem criar quantos personagens quiserem, ao lado da facção que bem entenderem! Mantenham-se atentos, entretanto, ao limite de tempo; ele deve demorar, devemos apenas chegar nele lá pro décimo quinto capítulo ou coisa do tipo, mas ele vai chegar, e depois dele, não terá mais como se criar personagens até o inicio de outra temporada, ok? E por sinal; como a criação é ilimitada, isso significa que os leitores que criaram personagens na primeira temporada poderão criar ainda mais personagens nessa temporada!Aos interessados, segue o modelo de ficha abaixo. Por favor, mantenham em mente que a ficha deve ser enviada via MP, assim como dúvidas em relação a ela. Peço isso para que mantenhamos a história "limpa", ok? Se você fizer um dos dois por comentários ou afins, eu irei responder seu comentário lhe direcionando a mandar isso via Mensagem Privada, esperar mais ou menos doze horas para que você tenha tempo de ver isso, e depois irei exclui-lo. Mesmo se isso estiver junto a comentários sobre o capítulo ou afim. Se for esse o caso, por favor, edite seu comentário e remova as partes em relação a ficha, do contrário eu vou exclui-lo por completo. Sei que isso pode parecer meio chato da minha parte, mas ei, me ajudem um pouquinho aqui, sim?Bom, sem mais, aqui vai o modelo.Nome: (O nome de seu personagem)Idade: (Quantos anos seu personagem tem)Sexo: (Com camisinha, sempre. Lembrem-se disso, crianças)Alcunha: (Uma possível alcunha que seu personagem tenha. Por favor, tentem manter alcunhas em português, sim? Não é realmente proibido fazer alcunhas em outros idiomas, mas é bom que ela seja algo que todo mundo possa entender)Arma de escolha: (Alto-explicatório. Por algum motivo, sinto que quando estou dando essas explicações para vocês, estou ofendendo a sua capacidade intelectual. Foi mal)Magia: (Apenas caso o seu personagem tenha)Ocupação: (O que é o seu personagem? Mercenário? Cavaleiro? Criminoso? Por favor, tentem manter seus personagens em ocupações relacionadas a batalha, aqui. Do contrário, temo que eles possam ficar um pouco sumidos na saga)Aloeiris: (Caso você tenha um Aloeiris para o seu personagem, escreva aqui. Os únicos personagens que começaram com Aloeiris serão aqueles que escolherem o dado e tirarem ao menos um vinte nele. Os demais terão um criado por mim, se chegarem ao nível de tal)Classe: (Existem apenas três aqui. Mago, Guerreiro e Mago-Guerreiro. Mais explicações adiante)Estilo de Luta: (Descreva aqui o estilo de luta de seu personagem. Ele possui um estilo certo? Como são seus movimentos? Ele é mais defensivo ou ofensivo? Mais estratégico ou mais estilo sangue-quente? Você não precisa realmente criar um, se quiser pode deixar isso vazio e eu criarei um de acordo com o personagem que você criou, mas isso ajuda a identificar algumas coisas a seguir)Aparência: (Quão feio você é. Porque Deus [e o escritor] sabe que você será feio. A não ser que você seja uma mulher. Nesse caso, você é absolutamente sexy)Personalidade: (Descreva sua personalidade aqui, como seu personagem age, de preferência com exemplos. Essa parte é uma das mais importantes para seu personagem, então sugiro que você pense nela por algum tempo)História: (Essa é a parte mais importante. A história mostra o que se passou com seu personagem, e ela também influencia quem ele é. Não é obrigatório essa parte, e eu irei criar uma se você não o fizer, mas recomendo que preencham isso. Afinal, o personagem é de vocês, não meu; quanto mais campos para eu preencher, menos o personagem vai ser seu, entende?)Atributos: (Agora vamos para uma parte consideravelmente importante. Ok, ok, prestem bem atenção, sim?Vocês tem aqui, por definição, trinta pontos para a sua distribuição. Existem cinco parâmetros nos quais vocês irão os distribuir: Poder, Agilidade, Resistência, Vitalidade e Inteligência. Esses serão mais explicados mais abaixo.Agora, prestem atenção. Cada parâmetro vai de 1 a 5 em uma pontuação, com um acompanhamento de + ou -. Por que isso? Ora, para separar melhor as coisas! Vou explicar isso particularmente por exemplos.Suponhamos que o 1 seja o padrão da humanidade, sim? Então, uma pessoa com inteligência 1 seria uma pessoa de inteligência normal. Já alguém com uma resistência 1- seria uma pessoa com uma inteligência um pouco abaixo do padrão, enquanto uma pessoa com inteligência 1+ seria uma pessoa com a inteligência um pouco acima do padrão. Até ai, fácil, não é?Agora, prestem atenção. Os números são categorias, classificações. Se o um seria o padrão da humanidade, então o 2, por exemplo, seria um padrão acima da humanidade. Para ele, claro, ainda consta o + e o -. Agora, uma pergunta. Entre um indivíduo com inteligência 1+ e um indivíduo com inteligência 2-, qual é o mais inteligente?A resposta é o indivíduo com a inteligência 2-, simplesmente porque ele está num padrão acima do indivíduo 1+. O 1+ está superior em relação ao seu padrão, mas ele simplesmente não é bom o suficiente para passar para o padrão acima dele. Sendo assim, ele ainda é inferior ao 2-, apesar de que a diferença entre os dois é menor do a diferença entre o 2- e um 1 normal. Em termos, fica assim:1- < 1 < 1+ < 2- < 2 < 2+Entenderam?Outra coisa. Cada um ponto colocado em um atributo contra como se fosse um +, por assim dizer. Por definição, inicialmente todos os cinco atributos são 1-. Sendo assim:Se você coloca um ponto em um atributo 1-, você obtém um 1Se você coloca dois pontos em um atributo 1-, você obtém um 1+Se você coloca três pontos em um atributo 1-, você obtém um 2-E assim sucessivamente. Simples, não é?Bom, agora vamos para a última explicação. Como vocês sabem, vocês tem trinta pontos para distribuir em seus atributos aqui... mas é possível se alterar esse valor. Ao se criar um personagem, ao invés de usar os trinta pontos, você pode requisitar a rolagem de dados. Caso isso seja feito, eu rolarei dois dados de vinte lados. A soma dos valores desses dados será a sua nova quantia de pontos a usar. Notem, no entanto, que os trinta iniciais são perdidos nesse caso; você tem um mínimo de dez pontos, mas se, por exemplo, o total dos dois dados dar vinte, você só vai ter vinte pontos para distribuir.No entanto, existe uma razão pela qual rolar os dados. Se, independente do resultado final, um desses dados cair em 20, vocês ganham duas coisas; a primeira é uma rolada extra de um dado de vinte faces que te dá a chance de conseguir até mais vinte pontos, enquanto que a segunda é a capacidade de já começar com um Aloeiris criada pelo usuário. É uma escolha inteiramente sua se você corre esse risco ou não. Só lembrando; você pode criar quantos personagens quiser, mas apenas um deles poderá ter o rolamento, e só uma vez.Então, vamos lá agora, sim?)Poder (Poder é o equivalente a força e poder mágico. A diferença bem como a razão para ele constar como poder aqui é para englobar ambos de uma só vez. Um detalhe importante aqui; se seu personagem é um Mago-Guerreiro, então o Poder total dele é considerado como dividido igualmente para ambas as disciplinas, e não como o total dele para ambas. Então, por exemplo, se você é um Mago-Guerreiro com dois de Poder, você tem o equivalente a 1 em força física e 1 em poder mágico. Se seu personagem possui uma empatia melhor com um determinado lado, isso deve ser citado no espaço de estilo de luta, e sendo assim será levado em consideração que ele tem, por exemplo, 1+ em força física e 1- em poder mágico)Agilidade (Ao contrário de antes, a agilidade aqui nesse caso representa tanto a velocidade dos movimentos de seu personagem quanto os reflexos dele. Uma agilidade alta não aprimora apenas sua capacidade de correr por ai e se esquivar, mas também sua capacidade de bloquear ataques e afins)Resistência (A resistência determina a... resistência de seu personagem. Mantenham em mente que isso não é o mesmo que vitalidade. A resistência serve para reduzir o dano que seu personagem recebe de golpes, podendo até mesmo anulá-los por completo. Um exemplo de alguém resistente é Duke, que é capaz de receber vários golpes sem sentir nada)Vitalidade (Vamos colocar em termos de RPG; vitalidade é seu HP. Enquanto a resistência reduz o dano que você recebe, vitalidade determina quanto dano você consegue aguentar. Querem um exemplo simples? Seiya, de Cavaleiros do Zodíaco. Ele tem uma resistência mínima, sendo que praticamente qualquer golpe é super efetivo nele, mas em compensação ele tem uma vitalidade tão alta que ele consegue suportar enormes quantias de dano e continuar lutando mesmo assim)Inteligência (A capacidade de seu personagem de bolar planos, estratégias e táticas. Um personagem com alta inteligência não só consegue bolar maneiras de contra-atacar praticamente qualquer habilidade como ele também pode ser capaz de utilizar artes mais raras, eficientes e antigas. Um exemplo disso reside na personagem criada por leitores, Teigra; ela não possui muitas habilidades físicas, mas por sua inteligência ser alta, ela é capaz de usar artes como a alquimia e compensar sua carência no campo de batalha com ela)MAIS UMA COISA! Ao final de cada capítulo, irei colocar um link para a página de discussão desse capítulo em meu fórum privado. Não se preocupem, isso é uma coisa pequena; apenas algo simples para que vocês possam discutir melhor o capítulo caso queiram, tanto comigo quanto com outros leitores. No caso, o que segue a seguir é o link para esse capítulo!http://igorescritor.forumeiros.com/t5-discussao-do-capitulo-1-o-cavaleiro-negroBom, é isso pessoal. Até a próxima!