P.s.: Eu Te Amo escrita por Dreamy


Capítulo 24
Cara a Cara


Notas iniciais do capítulo

Oi florzinhas...
Olha eu aqui de novo!
Bem, primeiro de tudo: Muito, muitíssimo obrigada pelos comentários, eles são minha fonte de inspiração.
O próximo capítulo sai dia 24/01 se tudo correr bem.
Bjos e aproveite o capítulo!




Capítulo 24 – Cara a cara

Eu não fui presa.

Fui julgada, mas não pela corte completa. Apenas meia dúzia de bruxos estava lá e eu fui inocentada graças ao depoimento de Rose Weasley Malfoy e Clay Jensen. James estava no julgamento, mas não me olhou uma vez sequer. Ele se manteve firme e serio durante todo o julgamento, nenhuma vez olhou para mim, nenhuma vez falou nada e foi embora assim que o Srº Potter deu a sentença. “Inocentada de todas as acusações”.

Fui para casa e no dia seguinte quando peguei o Profeta Diário fiquei realmente surpresa de ver que não tinha nenhuma única nota sobre o acontecido, absolutamente nada além de uma pequena nota dizendo sobre o nascimento de mais uma Potter, mas não tinha nada sobre a morte de Olívia, nem meu julgamento. Abri meu armário à procura de alguma coisa para comer e me surpreendi ao ver que estava cheio. Peguei os ingredientes para um pastelão de rins e o livro de receitas e fiz – ou tentei fazer – com a maior calma que consegui.

Eu tinha acabado de chegar do enterro de Olívia e estava tentado achar energia para alguma coisa. A única coisa que eu queria era dormir e de preferencia nunca mais acordar, mas eu tinha assuntos mais importantes para pensar. Fiquei toda a cerimonia a distancia e ninguém me viu, somente depois que todos tinham ido embora foi que eu me aproximei do túmulo dela.

“Olívia Susan Russel, Amiga sincera, Namorada Amável, Mãe Corajosa... Sempre em nossos corações.”

Coloquei uma coroa de flores e respirei fundo para controlar a vontade de chorar que me esmagava. Sentei no túmulo e desabei... chorei tudo que estava entalado em mim desde que a tinha matado. Chorei por horas a fio, parecia que eu nunca conseguiria para de chorar, que as lágrimas nunca parariam de cair. Eu já estava soluçando, mas a dor ainda não tinha passado. Somente depois de um bom tempo consegui me controlar o suficiente para levantar.

–O que eu faço agora? – perguntei mesmo sabendo que não obteria resposta.

Sacudi a cabeça e com as lágrimas já secas em meu rosto aparatei de lá. Cheguei em meu apartamento e lá estava eu fazendo um pastelão de rins tentando coloca a cabeça em ordem. James tinha me proibido de ver Helena, mas isso não era algo que eu pudesse aceitar. Talvez aceitasse se não tivesse visto seus olhos, não tivesse escutado seu choro, mas já era tarde demais, eu precisava vê-la, nem que fosse apenas para ter certeza de que ela estava bem. Uma única vez, mas eu precisava vê-la.

Terminei o pastelão e comi, não estava ruim. Depois fui para o quarto que eu e Olívia tínhamos arrumado e fiquei um bom tempo lá, tão alegre e ao mesmo tempo tão triste. Eu soube ao olhar aquele cômodo que veria Helena de uma forma ou de outra, mesmo com a proibição de James eu daria um jeito. Sai de lá e fui para meu quarto, tomei um banho e cai na cama exausta, adormeci quase instantaneamente.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Cheguei ao hospital e sem nem mesmo café da manhã parti para a correria de sempre, eu tinha ficado dois dias fora e parecia que os pacientes tinham duplicado nesse meio tempo. Eu tinha um único proposito, falar com Rose, mas não consegui um único minuto livre até o almoço e mesmo assim não consegui vê-la.

–Oi. – cumprimentou Clay sentando na cadeira a minha frente com um prato de comida transbordando.

–Oi.

–Como vai? – perguntou ele receoso.

–O que você quer saber? – arqueei uma sobrancelha e o encarei.

–Você vai me contar por que me enfeitiçou? – ele começou a comer me olhando intrigado.

–Não. – respondi bebendo meu suco de abobora – Mais alguma coisa?

–Não acha que eu mereço saber? – ele sorriu.

–Não.

–Então não acha que eu vou sair no prejuízo? – ele me olhou serio, todo o humor desaparecido.

–O que você quer dizer? – perguntei em duvida.

–Que tal nos fazermos da seguinte forma: você aceita meu convite para sair e eu esqueço que você usou uma Maldição Imperdoável em mim? – ele sorriu de novo. Eu estava começando a achar que ele era bipolar.

–E se eu não aceitar?

–Vai magoar meu coração. – ele tomou um gole do próprio suco.

–Eu não me importo com seu coração. – respondi.

–Mas eu me importo, ah vamos Hestia, saia comigo e ficamos quites – ele pediu com um olhar pidão que só ele sabia fazer.

–Eu não estou com animo para sair. –me esquivei.

–Mais um motivo para você aceitar, - ele pegou minha mão por cima da mesa – se distrair.

–Se você soltar a minha mão agora eu posso até pensar. – disse fuzilando ele com o olhar.

–Tudo bem – ele soltou minha mão – Pense com carinho.

Me levantei e sai, indo mais uma vez fazer rondas. Rose parecia estar usando capa de invisibilidade, eu não a achava em lugar nenhum, apesar de saber que ela estava no St. Mungus. Somente perto da hora de ir embora eu a encontrei no almoxarifado, quase sai dando pulinhos de alegria, ok, nem tanto, mas fiquei aliviada em acha-la.

–Ate que enfim te encontrei. – disse.

–Hestia, eu também queria falar com você. – ela sorriu para mim.

–Onde você se enfiou o dia todo? – reclamei.

–Eu estou no grupo do Clay essa semana, estava fazendo ronda no lado leste. – ela explicou.

–Eu preciso da sua ajuda Rose. – admiti me encostando numa prateleira cheia de poções.

–Ajuda? – repetiu ela surpresa – Ajuda em que?

–Preciso ver Helena. – respondi.

Rose parou de guardas as poções na prateleira e me encarou como se estivesse vendo o próprio Voldemort em pessoa. O que ela estava pensando eu não sabia dizer, mas pouco me importava de fato, a única coisa que realmente me importava naquele momento era convencê-la a me ajudar a ver Helena, o resto eu podia resolver mais tarde.

–Como é? – perguntou ela ainda em choque, com um aceno na varinha todas as poções foram aos seus lugares.

–Eu quero vê-la, - comecei – sei que James não vai permitir, mas não me importo, eu quero ver Helena nem que seja só alguns minutos. E eu preciso que você me ajude.

–Ajudar você? – ela se virou para mim – Hestia, James jamais vai permitir que você se aproxime dela. Ele deixou isso bem claro já.

–Então ele não precisa ficar sabendo. – respondi, eu já estava preparada para isso, já sabia que James não ia deixar – Escondido dele, eu vejo ela um minuto e depois vou embora.

–O que você quer que eu faça? – era uma pergunta retorica.

–Olha Rose... – respirei fundo colocando os pensamentos em ordem – eu nunca te pedi nada, nem pediria se eu soubesse de uma forma de fazer isso sozinha. Mas eu não vou conseguir ver Helena sem a sua ajuda... por favor – pedi a ela.

A expressão dela foi mais incrédula ainda do que quando eu tinha pedido sua ajuda e eu soube o motivo: eu havia pedido por favor. Isso não era uma coisa normal minha, pedir ajuda e mais ainda, pedir por favor, mas situações desesperadas, pedem medidas desesperadas.

–Eu acho... – ela suspirou, parecia estar prendendo a respiração – acho que posso conversar com tia Ginny, talvez se eu conseguir convencê-la a deixar você ver Helena ela possa ajudar.

–Pode ser, - respondi. – eu preciso muito ver a menina.

–Por quê? – Rose perguntou me olhando intrigada.

–Eu não sei. – respondi sinceramente. – você sabe que eu prometi a Olívia que cuidaria dela, mas agora isso parece ser mais que uma simples obrigação, e quase como... – parei pesando em como colocar isso em palavras, como eu podia explicar de modo que ela entendesse que quando peguei Helena nos braços algo mudou dentro de mim, era o sentimento mais forte que eu já tinha sentindo em toda a minha vida – eu não sei explicar – admiti com um suspiro – eu preciso ver Helena.

–Eu vou ajudar você. – respondeu Rose sorrindo minimamente.

OOoOoOoOoOoOoOoOo

Foi exatamente três dias o tempo que levou ate Rose me trazer uma resposta. Três longos dias onde eu pensava em todas as formas possíveis de ver Helena escondida de James. Três dias em que em um deles aceitei sair com Clay Jensen. Três dias em que quase enlouqueci...

–Tia Ginny aceitou ver você. – disse Rose assim que me viu.

–Sério? – perguntei.

–Sério, ela disse que hoje o James vai chegar mais tarde, ele esta treinando e então ela quer que você vá a casa dela as cinco em ponto. – Rose terminou sorrindo.

–Eu estarei lá. – respondi confiante. Era engraçado, por que não me sentia nem um pouco confiante com a perspectiva de ficar cara a cara com Ginny Potter, muito pelo contrario, a ideia fazia meu estômago embrulhar, mas mesmo assim confirmei, eu não fraquejaria.

Cinco horas chegou rápido. Muito rápido, e exatamente na hora eu estava em frente à casa dos Potter´s me perguntando qual era o meu problema, por que eu não podia apenas cuidar da minha vida? Respirando fundo varias vezes seguidas, bati na porta. A Srª Potter abriu a porta me encarando inquisitivamente e mais uma vez tive vontade de fugir, aquilo não era da minha conta afinal.

–Entre Hestia. – pediu a mulher ruiva e muito bonita me dando passagem, quase sai correndo de lá.

Entrei na casa me sentindo completamente louca por estar naquela lá.

–Srª Potter – cumprimentei, minhas mãos suando. O que havia de errado comigo?

Dai eu me lembrei que eu estava na casa dele. Tinha o cheiro dele, muito suave, mas tinha, estava lá. E as fotografias, os troféus de quadribol como nome dele, era a casa dele e independente de qual fosse minha missão naquela casa isso não me passava despercebido.

–Muito bem Hestia, - começou ela – eu vou direto ao ponto, por que esse é um assunto que esta me intrigando muito. Por que você quer ver a minha neta? – eu abri a boca para responder, mas ela me interrompeu levantando levemente o indicador – Eu sei sobre seu envolvimento com James anos atrás, sei o que você fez no parto, sei o que Olívia te pediu e sei por que você aceitou, então eu sugiro que você não minta para mim. E a sua única chance de ver minha neta, se for isso mesmo que a trouxe aqui.

–Eu entrei nessa historia por causa de James, por que apesar de todos esses anos meu envolvimento com ele mexeu muito comigo, foi por isso que aceitei o pedido de Olívia e até alguns dias atrás esse era o único motivo – parei um momento – Eu fiz o parto dela, eu matei a Olívia e quando eu peguei Helena nos braços, quando escutei seu choro eu me dei conta de que já era tarde demais para voltar atrás – eu parei de novo – eu não vou negar que James ainda mexe comigo, mas não é por causa dele que eu estou aqui. – e como para confirmar o que eu falava, escutei um choro no andar de cima, parecia chamar por mim – Eu posso ainda amar o James Srª Potter, mas quando eu peguei Helena nos braços não foi a filha do James que eu vi, - surpreendentemente me vi respirando fundo para não sucumbir as lagrimas – eu vi a filha de... A filha de uma amiga que eu tinha matado, vi um bebê desamparado, e eu percebi que mesmo que eu não tivesse prometido a Olívia que cuidaria dela, mesmo assim eu ainda teria vindo aqui pedir a senhora que me deixe vê-la. Que me permita pelo menos uma vez, estar com ela.

–Você ainda não respondeu a minha pergunta. – disse ela sem se perturbar com o choro.

–Eu quero ver Helena por eu a amo. – respondi, de repente desesperada para tê-la em meus braços e acalmar o choro dela – Eu amo uma menina que não é minha, que não nasceu de mim, mas que eu sinto com se tivesse. Eu sei que James não quer que eu me aproxime dela, mas eu apenas quero... vê-la. Por favor, senhora Potter. – pedi.

–Você esta aqui para ver o James. – não era uma pergunta e aquilo me desesperou mais ainda, o choro no segundo andar aumentou.

–Não – eu meio que gritei, meio que gemi – eu não me importo de não ver James, eu não quero vê-lo, o que eu sinto pelo James não pode nem se comparar ao que eu sinto pela menina.

–Você ama meu filho? – ela perguntou calmamente.

–Amo. – respondi, que sentido tinha mentir afinal.

–É por isso que você esta aqui, por causa dele, não por causa da minha neta. – ela ainda mantinha a calma, eu por outro lado estava completamente desesperada, quase as lágrimas, percebi com raiva.

–Eu...

–Vá embora. – ela falou apontando para a saída. Perdi o folego.

–Por favor. – pedi. O choro dela ainda mais alto, como se tivesse aumentado o volume do radio.

–Saia. – a voz dela era inflexível.

–Srª Potter... – tentei. Ela sacou a varinha.

–Saia da minha casa. Não procure mais minha neta e faça o favor de se manter afastada do meu filho. – a situação tinha saído completamente do meu controle, entrei em pânico.

–Eu nunca mais procuro o James – como e eu vivesse procurando por ele – nunca mais falo com ele, nem sequer olho para ele, apenas me deixe ver Helena.

–Não. – ela respondeu apontando a varinha diretamente para mim. – Saia agora.

–Não – grunhi – não sem vê-la.

–Eu não vou hesitar em te expulsar daqui menina, saia da minha casa. – a voz dela se alterou pela primeira vez, mas o choro de Helena se sobrepunha a nossas vozes.

Não sei o que me deu, mas no instante seguinte eu estava correndo escada acima à procura do local aonde vinha o choro.

–Ah não vai não. – escutei a voz da Srª Potter dizer e quase instantaneamente peguei minha varinha, meu feitiço mudo arrancou a varinha da mão dela e eu corri escada acima mais uma vez.

Abri a porta do quarto que vinha o som e vi a irmã do James, Lily tentando desesperadamente acalmar Helena, sem pensar em nada a peguei nos meus braços sob os protestos de Lily e comecei a chorar com ela vendo novamente seu rostinho, dessa vez vermelho de tanto chorar. Larguei a minha varinha em cima da cômoda e comecei a ninar Helena e ao mesmo tempo tentar me acalmar. Estava tudo perdido, eu tinha perdido qualquer chance de poder ver Helena depois do que tinha feito. O choro de Helena diminuiu, e eu escutei passos subindo a escada. Olhei para o rosto dela mais uma vez, memorizando os traços o máximo que eu podia, aquela era a ultima vez que eu a veria, disso eu tinha certeza. O choro dela cessou por completo, mas eu ainda continuava a chorar como uma trouxa, no sentido literal da palavra. As lágrimas escorriam na minha face.

–Hestia... – escutei a voz da mãe de James me chamando. Eu estava de costas para a porta, de modo que primeiro limpei meu rosto com a manga da minha veste e olhei mais uma vez para aquele serzinho diminuto que eu segurava, Helena olhava para mim como se si perguntasse quem eu era. Mas é claro que bebês não podem fazer isso, disse a mim mesma.

Virei-me devagar, eu já tinha desistido, tinha reconhecido que tinha ido longe demais. Enfeitiçar dois bruxos não era nada, mesmo que o feitiço em questão fosse uma Imperdoável, mas agora enfeitiçar Ginny Potter, mesmo sendo apenas um expelliamus, aquilo era demais. Apertei Helena contra mim e então encarei a mulher na porta.



Notas finais do capítulo

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