About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 70
Depois - 1992




SHE'S KILLING ME

1992

POV SEVERO

Às vezes, quando estou sozinho, imagino-me morrendo. A vida sai de mim como uma torneira aberta. Cria-se um rio com o meu sangue. A minha pergunta é: você me vê flutuando?

Minha mãe nunca pegava em minha mão.

Não importa a ocasião, ela não o fazia. Às vezes eu me sentia triste por ela não o fazê-lo, principalmente quando via as outras crianças de mãos dadas com seus respectivos pais. Tobias também não pegava na mão em minha mão, mas comprava-me um sorvete, como um pedido de desculpar bem chulo, já que ele não sabia que eu odiava uva passas.

E ele sempre comprava sorvete de uva passas.

Eu admirava minha mãe doentemente. Gostava do poder que ela tinha de calar qualquer pessoa apenas com um olhar frio. Às vezes eu treinava esse olhar na frente do espelho, para treinar nas crianças da rua que mexiam comigo. Eileen era uma mulher rígida e que sempre acreditou em lealdade, o que era estranho, já que ela traiu sua família casando-se com um trouxa. Ela não tinha paciência para pessoas choronas, apesar de sempre chorar quando Tobias batia nela, era uma mulher que não pedia desculpas, era forte e muito inteligente.

Mas eu me perguntava arduamente como ela poderia ser tudo isso e tão burra ao mesmo tempo.

Como ela, sendo uma bruxa, poderia aturar a desgraça que era Tobias Snape?

Tobias era um homem muito amável, simpático e engraçado. Ele sempre me contava as coisas que aprontava na escola, levava para andar de bicicleta no parque perto do bairro e me ensinou a jogar bola. Mas então ele mudava drasticamente, de repente, sem nenhum sentido. Ele sentia raiva de mim, por mal conseguir correr reto sendo que Tobias era o melhor jogador do time da escola. Odiava quando eu chorava e sentia uma raiva descontrolada quando preferia ler a correr na rua com os outros garotos.

– Não vê, Eileen? As crianças na rua zombam dele, roubam seus brinquedos, batem nele e tudo que ele faz é abaixar a cabeça e aceitar! Me diga o que tem de errado com esse garoto!

– Ele não é uma má pessoa, Tobias, só isso...

– Má pessoa? Defender-se agora é sinal de ruindade?

– Tobias, tenha paciência com ele, só tem nove anos, é um menino...

– Bem, eu com nove anos não deixava ninguém enfiar o dedo na minha cara e me dizer o que fazer ou deixar de fazer! – eu fechava os olhos com força, e fingia que nada tinha ouvido nas finas paredes de sua casa, concentrando-me falsamente em meu livro quando meus pais notavam que eu ainda estava na casa. Era pequena e as paredes descascavam facilmente e a tinta amarela desbotava, dando uma aparência mais antiga ainda a casa dos Snape. Eu gostava de pegar os livros de minha mãe e por mais que não fizesse ideia de metade das palavras ali escritas, gostava de lê-los.

Eu também gostava muito de ir até o terreno perto da Rua da Fiação, onde tinha um lago mal cuidado, mas o lugar era lindo.

E ficava mais bonito ainda com ela.

– Severo? – Dumbledore ainda estava fitando a janela quando eu acordei de meus devaneios. Estar em Hogwarts me assombrava o tempo inteiro. Cada centímetro daquele lugar era um pesadelo, uma memória gravada a sangue. – Você me ouviu?

– Sim.

– Preste atenção no garoto Malfoy... – ele sentou-se novamente antes de eu fechar a porta. – Seria uma pena ele se tornar o pai.

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Ser um professor nunca esteve nos meus planos.

Consequencias do destino, uma vez que eu não tinha certeza do que eu queria ser. E no fim das contas... Eu não era ninguém. Poções era um passatempo, era um talento que sempre esteve comigo, mas as Artes das Trevas eu adquiri, e era por isso que eu queria tanto essa maldita matéria. Mas não, Dumbledore acha mais sensato Gilderoy Lockhart lecionar Defesa Contra as Artes das Trevas uma vez que mal consegue fazer um feitiço de proteção para si mesmo. Dei um rápido olhada nos alunos fazendo suas redações e peguei a carta de Lucius, tocando fogo nela. As pessoas que antes eu julgava serem meus amigos... Eu tenho nojo. De todos, cada um deles. E ter uma vida dupla não estava facilitando meu ódio.

– Como... Mas que... – Draco olhava sua poção desesperado. Regular, se eu tivesse que avalia-lo. Não muito longe dele, a nascida trouxa da Grifinória mais uma vez obtia sucesso em sua poção. Era a mais inteligente de sua casa... Surpreendente.

– Burro. – riu Rony Weasley ao lado de seu fiel amigo... Harry Potter. Cada traço, movimento, até mesmo o riso... Eram todos do pai. O mundo estava tão amaldiçoado que mesmo matando James Potter, nós recebemos uma maldita e completa cópia. Olhar aquela criatura me embrulhava o estômago. E às vezes, quando estou preso em memórias, enquanto Hermione Granger exibe sua Inteligência em voz alta, a voz se funde com os olhos do Potter, que fogem para o ruivo do Weasley.

Eu sinto que vou explodir nesses momentos.

– Bem, você não é mais esperto que ele. – observou a Granger, olhando para o caldeirão do amigo Weasley. – Está fazendo tudo errado, não é possível que vocês não consigam seguir o que está escrito no livro...

– Bláblábláblá. – cortou o Weasley.

– .... É tão simples! – deu de ombros a garota, remexendo sua missão.

– Você se acha muito inteligente, não é Granger? – provocou Draco. As bochechas da garota queimaram enquanto ela quase enfiava sua cabeça no caldeirão. – Se acha uma bruxa.

– Ela é uma bruxa, Malfoy. – retorquiu o Potter. Até sua voz estúpida era semelhante ao do pai. Sem contar a habilidade em se intrometer em assuntos onde não é chamado. Atraído pela confusão... Idênticos.

– Não é não. – sorriu Draco. – Ela só é uma sangue-ruim nojenta.

– BASTA! – minha voz se elevava sozinha. Aquela maldita sentença me assombrava mais do que Hogwarts em si. Levantei-me exaltado, quase ofegante. – Não ouse repetir essas palavras na minha classe novamente. – Inclinei-me na mesa de Draco, que tremia arrepiado. – Entendeu?

– Sim... Senhor. – respondeu, com a voz embargada. Potter e Weasley riam de Draco, o que me deu a chance e mais uma vez devolver lentamente todos os pontos ganhos pela Grifinória em 1971 a 1977.

– Não posso chamar isso de poção, Weasley. Dez pontos a menos. – passei pela mesa do Potter. Eu não suportava olhá-lo. – Isso é veneno, Potter? Vinte pontos a menos. E cinco pontos a menos para a senhorita Granger, por abrir a boca sem necessidade.

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– Snape! – virei-me no corredor e agonizei levemente com a visão desagradável de Emmeline Vance, correndo em minha direção. A estepe do Black me deixava mais enojado que Marlene McKinnon, graças à Merlin, muito bem morta. – Quanto tempo!

Falando com o verme, Vance? A avaliei lentamente, me perguntando o porque dela estar falando comigo.

– Felizmente. – retruquei antes de recomeçar a andar. E ela, infelizmente, me seguiu.

– Sabe, eu acho que vou me candidatar a professora de Voo. Soube que abriu as vagas, é verdade?

– Não faço a mínima ideia.

– Onde ele está então?

– Ele? – virei-me novamente para Vance, fazendo-me de idiota. Todos vinham para vê-lo, mesmo que de longe, afinal, Dumbledore proibiu permanentemente qualquer pessoa de chegar perto do Potter para dizer o quanto ele é parecido com o, maldita seja, pai. Mesmo não tendo casado com o Black nas vias de fato, ela ainda usava a aliança. Ridícula.

– É, ele! Você sabe, Harry. – E sorriu, parecendo ansiosa. – Não sei... Talvez se Dumbledore me ajudar, eu consiga leva-lo para ver Sirius.

Ah, não, isso é piada!

– Ohhhh, claro! Porque com toda certeza o garotinho vai querer ver o assassino dos pais dele no meio do mar. – O sorriso da Vance se desfez agressivamente.

– Ele não é o assassino. Sirius nunca faria isso com James e Lílian.

– Bem, não é o que parece. Doze anos se passaram, e ele continua o assassino.

– O que foi, Snape? Ainda magoado pelo colégio... Ranhoso? – Emmeline Vance era do grupo de James Potter, e era uma das que ajudavam o Potter a fazer suas brincadeiras. – Somos todos adultos agora, essa fase já passou. E todos que James conhecia tinham apelidos. Sabe qual era o meu? Dentuça. Ele passou sete anos me chamando de dentuça e nem por isso eu sou toda... Que nem você.

Arrogante como sempre.

– Com licença. – virei as costas para ela, mas como previsto, ela continuou a me seguir.

– Vamos, por favor, Snape... Deixe-me vê-lo, é rapidinho.

– Eu não faço ideia de onde esse garoto está, Vance. Mas eu tenho certeza de que Dumbledore não quer que ele veja o suposto padrinho. E que eu saiba, não são permitido crianças em Azkaban.

– Eu sei, mas se Dumbledore falasse com o Ministro...

– Impossível. Todos sabem que ele é o assassino dos Potter. Menos você. – continuei caminhando em direção das masmorras, levemente irritado. Quando esses fantasmas apareciam em Hogwarts, eu conseguia ficar mais perturbado do que habitualmente. Ela está certa, todos tinham um apelido de James Potter, e claro, uma vez posto jamais esquecido. Como a McKinnon que fora chamada de Dragonina por anos. Mas o problemas é que essas pessoas eram amigos dele, mas eu não. Nunca fui. Sequer tive a chance... Como se eu quisesse. Já nas masmorras, encostei-me na janela e observei Emmeline Vance observar o Salgueiro Lutador. Quantas vezes eu não vi Lupin entrar naquela árvore? Porém, minha pior lembrança daquela árvore não era nem de perto os Marotos entrando e saindo dela... Era bem pior.

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MIKKY EKKO - FEELS LIKE THE END

Sev?

Continuei seguindo a pequena Weasley, apertando o diário com força contra seu peito. O ruivo... Um tom mais claro que o dela, mas ainda assim conseguia me tirar o ar. Malditos... Pensamentos. Continuei observando, vendo se o estúpido plano de Lucius teria lucros no fim das contas. O corredor está lotado. Crianças me irritam.

Vamos, Sev. É divertido.

Um grupo de grifinórios ri de um sonserino. Ele está andando sozinho pelos corredores. O mais alto lança um feitiço. Preciso continuar a seguir a Weasley. Os amigos do mais alto aplaudem. Tudo é confuso.

Não ligue para eles, Sev.

A Weasley passa a andar mais rápido, parece assustada. Os primeiranistas são assim, facilmente impressionáveis. Ótima estratégia usar a pirralha, provavelmente ela estava se sentindo sozinha, com certeza se apoiaria no diário. Inofensivo por enquanto... Inofensivo. O Potter está no corredor. Está correndo com o Weasley e a Granger. O maldito sorriso...

Por que você está tão triste, Sev?

O Potter tromba na Weasley, e derruba suas coisas. A ruiva curva-se para pegar. O Potter para e também se agacha, a ajudando. O garoto de óculos se levanta... E parece imortal. A ruiva se ergue. Confusa e encantada. A terrível sensação de estar preso em um dejavú.

Eu sempre vou amar você, Sev.

E eu mais uma vez, viro as costas.

Porque naquele cenário, eu sou apenas um figurante. A sombra, ou o detalhe em uma parede. As coisas... As coisas somem. As pessoas se vão... Mas algo fica. E te assombra o resto da vida. Porque Lílian estava em todos os lugares, está na mente na mente de Hermione Granger, no cabelo de Rony Weasley e nos olhos de Harry Potter. Está no jardim, na biblioteca, no céu... Em todos os lugares. E eu... Sou um fantasma que foi obrigado a sobreviver.

Porque eu já estou morto há muito.

Sempre



Notas finais do capítulo

Eu queria que o Snape narrasse o terceiro ano, porque lá tem a cena mais engraçada de Harry Potter, na minha opinião, claro.

Sabe quando o Harry vai pra Hogsmeade e dá uma zoada no Malfoy, aí ele volta pra Hogwarts correndo e o Snape pega ele? Eu choro de rir daquela cena, de verdade. hahahahahahaha É muito clássica, queria que tivesse no filme.

Estamos finalmente tão próximos de ver o Sirius...Dessa vez, não vou demorar para postar o próximo capítulo. Aliás, já no próximo a Dora conhece o Remo. Vocês perguntaram até que ponto o Lupin narra: A narração dele vai até ele ver o nome do Sirius no mapa. Ponto. Eu sei que eu pulo mil coisas que eu DEVIA narrar, mas o Sirius explica tudo depois, e eu achei que ia ficar um saco ter que ler duas vezes a mesma coisa, então vai assim mesmo e pronto.

ESTAMOS CHEGANDO LÁ!

MUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH