About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 56
Depois - 1979


Notas iniciais do capítulo

Um double.



THE FORGOTTEN MARAUDER

1979

POV PEDRO

O ar estava denso por conta da água quente.

Eu conseguia ouvir os risinhos infantis delas do outro lado do box embaçado. A espuma fugia pelas beiradas enquanto eu fitava as lingeries jogadas pelo chão do banheiro. Respirei fundo enquanto tirava a roupa. Por algum motivo instigante, eu conseguia vê-las através do box por mais embaçado que estivesse.

Primeiro era o doce olhar de Lílian Potter, com suas madeixas ruivas caindo perfeitamente em suas costas nuas, quase alcançando seu quadril ensaboado por Marlene McKinnon, ainda com seus longuíssimos cachos louros voando com um vento que não existia, concentrada em ensaboar sensualmente Lily. Ela ficaram uma de frente para a outra e por alguns segundos eu pensei que fossem se beijar.

Não excluída, Emmeline Vance fitava as costas de Marlene com desejo, ensaboando-a com desejo. Elas pareciam estar em uma festa, uma ensaboando ou acariciando os seios da outra, entre risinhos e gemidos de prazer. Os cachos de Marlene, os lisos fios de Lily e o ondulado do cabelo de Emmeline era a única forma de diferenciar aqueles corpinhos tão bonitos... Que pertenciam a mim.

Abri o box, exausto de esperar.

Todas elas estavam de costas para mim, e na sequencia se viraram. Primeiro Emmeline, sussurrando sensualmente com a voz rouca “Pedro...”, em seguida Lily e por último Marlene, com aquele olhar sexy que só ela sabia fazer.

– Você é o homem mais másculo que já tive o prazer de conhecer. – sussurrou Marlene, com os olhos semicerrados.

– Você é mais inteligente do que eu, e é tão bonito... – gemeu Lily. Emms foi a última, sorrindo docilmente, com seus seios balançando na frequência.

– Estou apaixonada por você, Pedro. Sempre fui e sempre serei. – e com isso, eu não hesitei em entrar no chuveiro com aquelas três belas mulheres. E claro, deixando minha toalha do lado de fora. Mas assim que o box se fechou...

– Acorda, moleque! – senti uma bota cutucar meu traseiro e eu despertei, extremamente magoado por não ter sido verdade. Eu fiquei tão animado que tive que continuar de bruços para não ser zoado por Sirius, James e Remo. – Mais um dia na vida dos Marotos.

– Mal acordou e já de mal humor? – questionei, olhando Sirius, fuçar na sua mochila, devorando tudo que via pela frente.

– Quando minha vida estiver boa eu sorrio, pode ser? – debochou.

– Devia estar feliz, Marlene não se casou, Cadaroc está desaparecido há duas semanas e ela é toda sua. Mais uma vitória para Sirius Black. – bocejei, sonolento. Ele me ignorou e continuou comendo.

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Eu odiava ser comparado.

Meus pais trabalhavam duro no Ministério da Magia, no Departamento de Trato de Criaturas Mágicas. Eu pessoas gentis, amigáveis, mas muito dispersas. Eu nunca fui alvo de atenção em casa, então tê-la em Hogwarts foi uma espécie de vitória pessoal. Eles me tratavam como um bebê de algum conhecido que estava na casa deles por um tempo indeterminado. Talvez seja o autismo do meu pai, ou a falta de esperteza em minha mãe... Mas eles nunca foram meus pais. Não de verdade.

Aos seis anos, minha vó desconfiou que eu também tivesse autismo como meu pai, mas eu era daquele jeito mesmo. Características gravadas em mim a sangue. Eu não sou idiota... Eu não sou idiota... Apesar de me chamarem disso o tempo inteiro. Quando eu cheguei em Hogwarts, eu fiquei muito assustado.

Como eu iria sobreviver sozinho em um lugar enorme como aquele?

O Chapéu Seletor disse que eu daria um ótimo Sonserino. Mas eu queria pensar grande, eu queria a Grifinória. E foi lá que conheci James, Sirius e Remo, eu deixei de sentir medo pela primeira vez na vida. Eles eram... Incríveis. Era uma outra grande vitória para mim, que nunca tive amigos antes, estar incluso em um grupo tão exclusivo maravilhoso como aquele. Eu fazia parte deles. Eu era um deles.

Mas de todas as características de um maroto... Eu era traído... Eu era traído...

E no lugar da coragem, eles criaram o medo.

E ele impregnou apenas em mim.

– Rabicho.

Você deixou de ser Pedro há muito, não é? Eu costumava gostar do meu apelido. Isso significava a minha forma de rato, e minha forma de rato significava excitação. Significava esgueirando-se tarde da noite, correndo para o pub em Hogsmeade e rindo sobre Uísque de Fogo até as três da manhã com os Marotos no sétimo ano. Isso significava explorar túneis escondidos tão velhos que até mesmo as aranhas tinham esquecido onde estavam. Significava escutar os planos da Sonserina na véspera de jogo e depois contar para o Capitão e seu Batedor. Isso significava nunca ter medo, porque eu nunca estaria sozinho. Eu era um dos quatro. Eu costumava gostar de meu nome, que significava pertencer.

Ele ainda significa pertencer, mas agora eu pertenço a algo muito diferente.

– Rabicho.

Foi James quem pensou naquele apelido. Foi ele quem fez, foi ele quem disse... Será que ele sabia? E seria diferente se ele soubesse? Ele sabia? Quando ele escreveu meu nome em seu mapa, ele sabia? Quando Remo me acolheu como uma das pessoas que saberiam sobre seu segredo, ele sabia? Quando Sirius dizia que eu era seu melhor amigo... Ele sabia?

– Rabicho.

Como isso começou? Eu não me lembro. Ele veio para mim, ou eu fui até ele? Será que eu tenho mania de ser um agente duplo, de espionar o Lorde das Trevas, de ser um herói? Ou será que eu vou de boa vontade, querendo poder apenas para mim? Houve um ponto em que eu escolhi, onde eu tinha feito uma escolha? Será que eu escolhi isso?

Eu não me lembro. No ano passado, nada mais é que uma névoa de confusão e engano. Eu menti tanto que eu não sei o que é real. Tudo o que eu sei agora é o medo.

– Rabicho.

James é o líder. Ele sempre foi, nasceu para liderar. Eu me sentia seguro quando o via colocar as mãos na cintura e sorrir daquele jeito enorme que só ele sabia fazer, e seus olhos eram tão confiantes que você jamais duvidaria de uma palavra dele. Ele parecia imortal.

– Rabicho.

Sirius era a caixa de segredos. Todos confiavam nele e queriam ser amigo dele pois era raro encontrar alguém no mundo como ele. Sirius morreria por seus amigos sem pensar duas vezes e eu me perguntava como ele tinha coragem... Ele era tão ousado, confiante e corajoso, o braço direito de James. Porque não existia James sem Sirius e Sirius sem James.

– Rabicho.

Remo era o pai de todos. Era a voz da consciência, a sensatez e a inteligência. Era ele quem nos alertava minutos antes de nos ferrarmos, era a voz da sabedoria quando não fazíamos ideia do que fazer. E ele tinha um amor incondicional por nós. Estava gravado em seu rosto... E era óbvio, era óbvio...

– Rabicho!

– Desculpe, não estava prestando atenção.

– Típico. – bufou Aleto. Estávamos em um bar qualquer conversando sobre algo que eu não me recordava. Meu estômago estava embrulhado enquanto eles falavam sobre como cortaram pedacinho por pedacinho do noivo de Marlene e deram para os Testrálios comerem. Droga, como eu iria olhar Marlene nos olhos agora? Do mesmo jeito que olhou Sirius sabendo que o irmão serviu de comida para Dragão. Aleto parecia animada com o planejamento de ataque contra a Ordem.

– O Lord das Trevas está muito seletivo. – resmungou Amico, girando seu copo. – Não sei o que podemos fazer para obter destaque.

– Trazer a cabeça de Dumbledore. – sorriu Willian. – Rabicho tem a chance de fazer isso todo dia e não faz.

– Você é estúpido ou se faz? Ele quer mata-lo, quer essa glória para ele. – retrucou Aleto.

– Ok... Talvez exterminar de vez os McKinnon. – ponderou Avery, ao lado de McMillian. – Isso o faria feliz.

– Terminar de exterminar os Potter também. – sorriu Amico.

– Não. – minha voz saiu mais alta do que eu planejava. Todos me olharam, com as testas vincadas de desafio. – Digo... Qualquer ataque será suspeito, Moody está quase convencendo Dumbledore a testar todos da Ordem, descobrir quem é o espião.

– Porra, esse maldito não morre! – Aleto socou a mesa com força. – Bella devia ter finalizado ele.

– Explodir o olho dele não é o suficiente pra você? – gargalhou McMillian. – Fala sério, isso é prova de que a Lestrange enlouqueceu de vez. Explodiu o olho do cara.

– É, a protegida dele, a McKinnon, o chama de Olho-Tonto agora. – riu Amico. Eu não estava achando a mínima graça naquilo, mas eu não era idiota de dizer. Eu não sou idiota... Eu não sou idiota... Ou era? Que seja, todos os Marotos são idiotas.

– Não vejo a hora de mata-la. – o sorriso doentio no rosto de Aleto era assustador. Ela odiava Marlene por ela ter namorado Régulo, o suposto “amor da sua vida” e também por ter matado sua “melhor amiga” Rebecca Lestrange. – Dolohov e eu vamos juntos. Cada um vai aproveitar um pouco... Vai ser inesquecível.

– Eu quero o Black. – sorriu Amico.

– O lobisomem é meu. – McMillian salivava de prazer.

– E a Potter é minha... Vou usufruir dela muito bem antes da morte. – riu Avery, com um tom malicioso que me enojava. Eles me olharam, esperando que eu dissesse algo. Eu quero a mim mesmo, esquartejado e jogado aos testrálios.

– Acho que é o suficiente por hoje. – terminei meu uísque e levantei-me, sentindo-me com cinquenta anos em vez de vinte. Atravessei a rua e aparatei na rua da minha casa, sentindo-me pior do que antes. Eu estava apavorado. Eu devia me matar, eu devia ir na Avenida mais movimentada e me jogar entre os carros... É o mínimo que eu poderia fazer.

De todos, o que eu mais amava era Remo.

Não era ele quem me ergueu a mão amiga no primeiro dia em Hogwarts? Não foi ele quem me chamou de amigo quando ninguém queria fazê-lo? Não era ele quem tinha a maior paciência em me ensinar coisas que os outros já tinham desistido?

E Lily? Oh meu Deus, eu sou maluco! Como eu tive coragem de dizer a localização da casa de seus pais... Como eu pude fazer isso, como eu pude deixá-los matar a bela Addison Evans na minha frente e não fazer nada? E o olhar... O olhar dela...

Ela me viu.

Eu sei que viu.

Viu sim.

E todas as noites ela ia me assombrar com aquele terríveis olhos azuis. Quando o Lorde das Trevas adentrou na cozinha e mirou sua varinha à suas costas e ela virou, e me viu. E seu rosto... Seus olhos... A decepção gravada neles talvez tenha doído mais do que a morte. Será que James fará a mesma expressão para mim? Será que ela se lembrou de todas as vezes que me beijou, alimentou e cuidou quando eu era menor? Será que ela se perguntava onde estava a falha no fim das contas? Será que James também se lembraria de cada abraço, detenção ou confissões no meio da noite?

Gostaria que ela estivesse aqui para me responder.

Quando acendi a luz, gritos preencheram o local.

A casa estava lotada de gente e balões coloridos. Sirius não conseguiu se levantar na mesma hora que todos, já estava bêbado. James correu em minha direção para um longo abraço. Era meu aniversário e eu nem me lembrei. Mas eles se lembraram. Seria mais fácil se tivessem esquecido, Deus, como eu queria que tivessem esquecido. Lily tinha um grande bolo na mão, dando pulinho de excitação.

– Feliz aniversário, Rabicho. – sorriu James. – Almofadinhas, traga o presente.

– Meias para o Pedrinhooooooooooo. – balbuciou Sirius. – Eu não sabia o que dar, minha carta auxiliou o processo e ALUADO, VENHA AQUI, MEU GRANDE E VELHO AMIGO ALUADO! – Sirius jogou-se nos braços de Aluado, dando-lhe um forte abraço. Olhei para James, confuso. Pontas apenas deu de ombros.

– A carta dele, ele achou debaixo da cama.

– Sirius, me solta... – pediu Remo, ofegante.

– Não, você está triste e merece um abraço! – murmurou Sirius no cangote de Remo. E a festa continuou. E quando uma música tocou, Marlene e Sirius dançaram no meio da sala de estar. E então James vomitou e a festa acabou. Sirius era tão intuitivo e inteligente, tudo saia exatamente como ele dizia. Cedo ou tarde... Ele acertava. Simples assim.

E eu rezava para que ele acertasse sobre mim.

E me matasse.





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