D.N.A Advance: Nova Ordem do Século escrita por Sensei Oji Mestre Nyah Fanfic


Capítulo 60
Chega o Natal


Notas iniciais do capítulo

Apesar de no Japão o Natal não ser comemorado como feriado, algumas pessoas cristãs o comemoram. Daí resolvi colocar esse capítulo especial de Natal.


Pra quem nunca leu um livro de história e acredita no natal, meus parabéns feliz natal. Para quem não acredita (eu daki) é algo qualquer como qualquer dia do ano.

Eu posso ter exagerado no capítulo anterior dizendo que as pessoas se enfeitaram com o Natal, mas foi porque sou ocidental e, apesar de saber que lá na terra do japa não se comemora, eu não sei bem o que eles fazem nessa data. Inventei. Feliz Leitura!!



24 de dezembro de 2016, os personagens desta história se reuniram para celebrarem a ceia de Natal. Também uma parte da população do Japão comemorou uma data ocidental ─ se bem que esse país ficou ocidental demais após a Segunda Guerra Mundial.

A ceia que Kari e TK passaram foi na casa deles mesmo, até convidaram Tominaga. Isso porque sem ela, os dois nunca teriam voltado e estariam separados até hoje. Entretanto, ela dispensou o convite para passar a noite com o seu mais novo namorado.

A ceia na casa dos Kyoto não foi diferente. Como eles eram ocidentais ─ sendo que Ray tinha parentesco inglês ─ fizeram todos os rituais para celebrar o nascimento de Jesus Cristo*. Colocaram uma bela árvore na sala de casa e enfeitaram-na como devia ser, colocou várias luzes pisca-pisca e penduraram meias perto das janelas, já que não havia lareira na casa. O peru era tão grande que precisou de uma bandeja grande para suportá-lo.

─ Cadê o Impmon? ─ perguntou Márcia.

─ Saiu. Foi se encontrar com uma namorada ─ respondeu Paulo. A mulher ficou curiosa, mas o garoto jurou que não diria quem era.

Slash passou esses dias como hóspede e já fez mais serviços domésticos do que a própria diarista. Ele mesmo quem quis se servir e deixou Márcia mais encantada por ele, e não só ela como Lúcia também. Os outros homens naquela casa sentiram uma pontinha de inveja.

Mesmo enfrentando um frio de lascar do hemisfério norte, Wesley preferiu se encontrar com Tominaga num bar próximo dali. Há algum tempo eles vinham se encontrando, mas certos acontecimentos impediram-nos.

─ Me diz, o que você faz? Até agora que eu sei é que você não é japonês, é loiro e fala fluentemente a minha língua. Nunca me disse exatamente o que era ─ disse Tominaga tomando a sua bebida colorida preparada pelo barman.

─ Sou brasileiro, mas nasci no Canadá.

─ Nossa, que chique!

─ Nem sempre fui loiro, vim do futuro e sou um digimon metade homem metade... Você entendeu o que eu quis falar.

─ Você é mesmo uma piada! Qualquer idiota acéfalo acreditaria nisso ─ ele sorriu pra ela. ─ É que é um absurdo isso que você falou.

Eles pediram mais alguns drinques e depois petiscos afrodisíacos. Depois de algumas conversas, bebidas, petiscos e etc., Tominaga levou Wesley para a sua casa. Já com a cara meio chapada o homem segurou-a no braço e a levou para um quarto.

O pai de Tominaga abriu a porta do seu quarto e olhou o rapaz levando a filha. Depois anotou na caderneta.

─ Com esse já são 55 este ano...

Wesley nem esperou que ela ficasse à vontade. Jogou-a sobre a cama e começou a beijá-la ali mesmo. A noite prometeu aos dois.

Naomi nunca celebrou o Natal, pois sua família era Xintoísta. Estava jantando com a sua tia quando um dos seguranças entrou na sala de jantar. O homem avisou para a patroa que uma pessoa queria muito ver a herdeira e que era um homem. Mesmo com as relutâncias dela, o segurança insistiu para que ela fosse. A donzela saiu para fora de casa, depois que colocou seu casaco preto, e foi até o jardim da mansão. Caminhou um pouco até chegar ao portão de saída.

─ Deixe-o entrar ─ o segurança abriu o portão menor ao lado. O homem passou. ─ O que faz aqui?

─ Calma, princesa. Non se esquece que éramos parceiros da mesma causa ─ disse Müller.

─ Essa causa já está perdida há muito tempo e já tenho outros planos. Se for para falar sobre isso perdeu seu tempo, por favor se retire.

─ Não sobre isso. Sobre isto ─ ele retirou o detector do casaco.

─ Isso é...

─ ...um detector de digimon com o DNA certo para as pesquisas do Genetech. Você saber que Hikari Kamiya trabalhava para o seu avô?

─ Como é que é?

─ O velho não te dizer mesmo, não é? Pois é, eu descobri quem é esse digimon misterioso que ninguém achava. Você conhecer muito bem. Ele estava disfarçado de garoto e você até deu aulas pra ele. Digo de um tal de Lucas Kyoto, vive naquele lugar chechelento chamado Nerima.

─ Não pode ser... O Lucas não...

─ Sim, o Lucas sim. Descobri que você gostava daquele menino e por várias vezes poupou aquela família. Eu já relatar para a Genetech acerca do caso.

─ Não me faça rir, Ektor. Meu avô morreu há quase um mês e não há ninguém que possa tomar a iniciativa naquela pesquisa absurda.

─ Será?

─ Se fala desse tal Kelson Fukushima, aposto que é um analfabeto que mora no norte.

─ Vai achando isso. Até mais, amor.

Müller saiu da propriedade e foi embora com o seu carro. Naomi ficou tocada com as palavras que o homem havia dito.

Em Nerima, o Natal já havia chegado pois era mais de duas da madrugada. Alguém começou a bater na porta. Como Slash dormia no sofá, ele foi o primeiro a acordar. Caminhou para o lado de fora e viu Wesley escorado na porta. Ele levou o homem, com o braço dele apoiado em seu ombro, para dentro. Colocou-o deitado e o cobriu com um lençol. Wesley estava biritado e ao mesmo tempo corado. Slash desistiu de dormir e foi para fora enfrentar o frio da madrugada. Mexeu no seu anel, este brilhou bastante e uma criatura saiu de dentro dele.

Dracmon estava congelando do lado de fora. Ele foi incumbido para persuadir Paulo a ir para o cheiro do queijo** preparado por Weiz.

─ Droga, que frio é esse? No digimundo é mais agradável do que neste lugar. Aff, maldito Slash que resolveu se intrometer naquela família.

Era quase cinco horas da manhã quando o vampiro chegou na casa. Ele conseguiu atravessar a parede do muro e passar pela área externa até entrar na parte de dentro. Paulo abriu os olhos e viu Dracmon olhando para ele.

─ Dracmon, você me assustou. O que faz aqui e a essa hora?

─ Preciso que venha comigo para salvar o meu parceiro. Ele foi sequestrado por um tal de Weiz.

─ Como é? Eu preciso chamar o Slash e o Aiko agora.

─ Não, é melhor você ir só.

─ Desculpa Dracmon, mas dessa vez temos que nos unir para acabar com a ambição daquele homem.

Dracmon parou bem na frente dele, estendeu as mãos e começou uma sessão de hipnose no digiescolhido. Paulo ficou hipnotizado e começou a seguir as ordens do digimon. Ele saiu apenas com a roupa de dormir até o portão e saiu na rua gélida; o pequeno vampiro levou o rapaz para a armadilha.

...

MANSÃO MATSUNAGA

Nakawa acordou bem cedo, assim como faz todos os dias. Apesar de não ser um feriado, pouca gente foi trabalhar. Mesmo assim ela fez questão de trabalhar normalmente. Ela levou o café da manhã para Naomi como sempre, mas a moça não estava no quarto. A empregada caminhou alguns metros e escutou as vozes de tia e sobrinha no quarto da mais velha.

─ Você falou que muito em breve colocaria em prática o que pedi. Já se passaram vários dias, o ano está terminando e nada.

─ Calma, sobrinha. Hoje mesmo os matadores invadirão o apê do casalzinho e matarão todos. Eles nem mesmo vão ter tempo de acordar.

─ Queria ser uma mosquinha só para ver a cara de desespero da Kari quando se deparar com os assassinos.

Nakawa ficou chocada com o que ouviu e rapidamente ligou para Yuuko. A mãe da Kari havia acabado de acordar quando o celular dela tocou. Ouviu Nakawa, com a voz alterada e rápida, falar a respeito do provável assassinato de Kari. A governanta não entrou em detalhes, apenas disse que descobriu que Naomi havia contratado matadores para acabar com a vida da digiescolhida. Yuuko imediatamente ligou para a filha.

Kari viu no relógio digital ao lado que ainda era 7 da manhã. Atendeu o telefonema e ouviu a voz da sua mãe.

─ Mãe, para que está me ligando a essa hora? Deu-me feliz Natal a senhora e o papai.

─ Kari, sai já daí!

─ Como é que é? Sair de onde?

─ Sai do apartamento com TK e os digimons. Eles estão vindo matar vocês. Saiam agora!

A morena saltou da cama assim que ouviu a sua mãe gritar. Ela acordou o noivo imediatamente e também os digimons. Yuuko apenas dizia para eles saírem de lá o quanto antes. Takeru vestiu a calça de moletom e os chinelos, Kari também se vestiu. O loiro pegou as chaves do carro e o celular.

─ Eles chegaram ─ disse Tailmon vendo uma van preta parar e cantar pneus na portaria. Homens de preto saíram do veículo e entraram no edifício. Nem preciso mencionar o que eles fizeram com o porteiro.

─ Vamos sair daqui agora! ─ disse o loiro.

Bem longe dali, Paulo caminhou até perto de um carro sedan prateado. A porta abriu revelando Weiz. O garoto desmaiou no banco dianteiro e Dracmon pulou para o de trás.

─ Como vai fazer Wesley ir até você?

─ Dracmon, não tem muita imaginação. Ele vai escutar a voz na ligação que eu farei. Há uma cabana bem afastada da cidade, eu farei com que o pai dele também vá para lá e por fim matarei os dois. Sinto muito, Paulo, mas vou te matar para uma causa maior.

Weiz dirigiu tomando o seu rumo.

O elevador estava demorando demais para abrir. TK desistiu de ir pelo elevador, pois os assassinos provavelmente estavam lá. Foram pelas escada, mas escutaram passos apressados. Estavam encurralados. O único jeito foi ter que pedir ajuda ao casal de vizinhos que moravam ao lado. Uma senhora idosa abriu a porta e permitiu que todos eles entrassem.

─ Obrigada, dona Seika.

─ De nada, menina Kamiya. Fiquem à vontade.

Eles ouviram passos de muitas pessoas chegando ao andar. Eles murmuravam, cochichavam entre si. Kari abriu vagarosamente a porta e viu todos eles armados com pistolas, eram quatro.

Os assassinos invadiram o apartamento e começaram a atirar contra tudo. Pensaram que eles ainda estavam ainda na cama e começaram a atirar. Por falta de atenção dos criminosos, já que todos eles estavam dentro do apartamento e nenhum vigiando do lado de fora, os quatro tiveram uma chance de escapar. O elevador estava aberto e eles puderam descer.

─ Eles fugiram pelo elevador. Droga! Liguem para os caras de baixo para matá-los assim que os virem.

Dois membros apontaram as armas para o elevador. Assim que abriu tiveram uma surpresa: não havia ninguém.

TK havia parado no 1º andar e desceram pelas escadas até o subsolo. O rapaz entrou no carro sendo acompanhado pelos outros.

─ Ligue para o Ken, ele vai nos ajudar ─ disse ele.

Kari fez isso. O rapaz tinha o controle que abria o portão do subsolo. Ele arrancou com o carro e partiu para bem longe dali.

O líder dos seis assassinos desceu pelo elevador.

─ Incompetentes. Ninguém aqui pensou na possibilidade deles terem ido ao subsolo?

─ A gente vai agora...

─ Não! Eles já devem ter saído de lá. Por sorte sabemos o modelo e a placa do carro. Vamos dar um rolé nessas ruas.

Kari digitou o número do policial, contudo só dava na caixa-postal. Ela ficou pensando em fazer alguma coisa.

─ Por que não deixaram a gente cuidar deles? ─ perguntou Patamon.

─ Não podemos nos envolver com esse tipo de gente. Vocês podiam matar aqueles e viriam mais vinte atrás de nós. O melhor a fazermos é informar às autoridades e saber quem os contratou para nos matar ─ disse TK.

─ Já tenho ideia de quem os contratou ─ disse Kari. ─ Vou ligar para a Yolei. Alô Yolei? Amiga, eu preciso da sua ajuda.

A van com os bandidos se aproximou do carro, por trás, e começou a bater. TK aumentou a velocidade para poder fugir deles, mas era inútil.

─ Droga, eles nos acharam ─ disse ele.

A van ficou em frente ao outro carro. Um dos assassinos abriu a porta de trás e começou a atirar.

─ Abaixem-se!

O homem começou a atirar contra o pára-brisa do carro de TK. Todos os ocupantes deste veículo se abaixaram para não serem pegos.

Impmon acordou com uma forte dor de cabeça e uma ressaca brava depois da noite anterior. Gastou tanta energia que dormiu grande e acordou pequeno. Ainda estava meio zonzo, saiu do sofá e foi para o quarto. Ao chegar lá, ele não viu Paulo. Achou estranho porque a casa estava silenciosa.

─ Ué, aonde ele se meteu?

Procurou por todos os cantos da casa, mas não o achou. Ficou realmente preocupado e chamou Lúcia.

─ Eu não acho em lugar algum. Ele sumiu!

─ Meu irmão não pode ter sumido assim do nada ─ disse Lúcia.

─ Será que ele saiu? ─ perguntou Lucas.

Eles acordaram Aiko, logo em seguida foi a vez dos mais velhos e por último Slash. Ninguém viu Paulo sair, ninguém! Márcia começou logo a entrar em pânico, dizendo que o filho fora sequestrado ─ o que não deixa de ser verdade.

Weiz carregou Paulo para dentro da cabana e o amarrou numa cadeira. O adolescente acordou um tempo depois e viu o homem à sua frente.

─ Onde estou? O que vai fazer comigo? Eu sei quem você é. Responda!

─ Sabe mesmo? Pena que já é tarde demais para descobrir minha verdadeira faceta. Quando eu matar o seu pai e a você, será nesse momento que vai descobrir quem realmente eu sou. Dracmon!

─ Senhor?

─ Olhe-o para mim. Vou sair.

─ Maldito Dracmon! Não acredito que era um digimau e ainda por cima é um capacho do Weiz?

─ Pra você ver como são as coisas. Eu precisei hipnotizá-lo para poder fazer você vir comigo. Fui criado pelo senhor Weiz, por isso ele é quem eu obedeço e sirvo. E se serve de consolo, eu vou cuidar muito bem de você até na hora em que for destruído.

Paulo olhou para os lados, parecia mais um chalé. Com certeza estava fora de Tóquio.

Durante a perseguição, Stingmon apareceu sobrevoando a via em que TK e os outros estavam. O digimon se comunicou com Ken, que estava numa viatura muito atrás. Stingmon ficou sobre o teto da van e logo no pára-brisa. Ele forçou o motorista a parar o carro causando o capotamento. TK parou o carro.

─ Que droga é essa? ─ disse o líder com duas pistolas nas mãos. ─ Que importa. Morra!

O homem começou a atirar contra Stingmon. O inseto se protegia dos disparos com a armadura natural do seu corpo. O digimon pegou-o e arremessou contra o veículo. Ele desmaiou na hora. Os demais estavam mortos por causa do acidente. Logo o carro de Ken apareceu.

─ Vocês estão bem? ─ perguntou o policial.

─ Estamos ─ respondeu TK.

─ Ken, muito obrigado por ter nos ajudado.

─ De nada, Kari. Mas vocês precisam ir à delegacia fazer o boletim de ocorrência. Deixa que os meus colegas cuidam desses elementos.

Kari assentiu e foi para a delegacia.

Márcia ficou apreensiva com o desaparecimento do seu filho. Todos estavam bastante nervosos. Ray não permitiu que ligassem para a polícia antes dos supostos sequestradores entrarem em contato.

Slash estava aparentemente calmo ─ isto se dá pelo fato que ele era um viajante do tempo e sabia que Paulo sairia ileso dessa. Tanto que chamou a atenção dos outros que perguntaram como ele se mantinha tão tranquilo. Ele teve que inventar uma história qualquer.

O telefone tocou e Márcia praticamente voou para retirá-lo do gancho. Ela começou a gritar com o sequestrador. Ray a tirou do telefone e falou com a pessoa. Em seguida, ele foi até Impmon e entregou a ele.

─ Alô?

─ Querido Wesley, há quanto tempo? Estou com o seu filho aqui pertinho de mim, amarrado numa cadeira velha sendo vigiado por dois digimons sob minhas ordens. Então qualquer bobagem que você fizer, eu o matarei.

─ Onde ele está?

Continua...



Notas finais do capítulo

*Eu não comemoro o Natal (sou foda igual a Naomi hehehe) por convicções religiosas, morais e históricas. Já que Jesus nunca nasceu em dezembro, muito menos no dia 25.


** Cheiro do queijo é uma expressão cearense, acho eu, que significa ir para a armadilha. Essa expressão surgiu quando colocamos queijo na ratoeira e o pobre ratinho ia lá por causa do cheiro e tinha um fim trágico.


Próximo capítulo é a continuação deste. Wesley e Daregon frente a frente.



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