In Wonderland escrita por Cigarette Daydream


Capítulo 11
Um suspiro


Notas iniciais do capítulo

Alerta de hot, quer dizer mais ou menossssss. Estou retomando minhas histórias e quis começar com minhas favoritas, um obrigada especial pela recomendação linda que ganhei, foi isso que me inspirou a voltar ♥




Alice estava pronta, e Gabriel sabia. A cada dia a menina ficava mais rápida, mais esperta, menos medrosa. E Raphael nunca mais apareceu depois da noite em que a beijou. Um dos guardas de Gabriel o informara do evento, mas ele não se importou. Ele desejava a garota, é verdade, mas a proporção eu o movimento tomou nas últimas semanas devido à esperança que o nome “Alice” trouxe ao povo que o deixava sedento. Ele queria vingança contra a rainha, ele queria o trono. Mais tarde cuidaria dos assuntos do coração. E se bem conhecia Raphael, ele estragaria qualquer coisa que pudesse acontecer com ela por conta própria. A única que conseguia o deixar bobo o suficiente para tentar reparar seus erros era Meredith. E ela estava morta.

Gabriel se arrependia profundamente, mas Meredith se tornara uma peça crucial para sacrificar. Ela se uniu ao movimento, eles dormiram juntos, ele a rejeitou e então ela ia entregar tudo a rainha. O trabalho de todo um povo contra a tirania desperdiçados por ciúmes de um amante. Entretanto, o rapaz desejava que não tivesse que matar a esposa de seu melhor amigo. Dormir com ela é perdoável, mas matar? Ele duvidava. E também sabia que segredos como esse tem sua própria maneira de vazar. Quanto ao Grifo e as criadas, ele não se sentia tão mal assim. As duas desgraçadas decidiram o chantagear e o Grifo simplesmente percebera o movimento de opositores, em sua ronda noturna. O animal era fiel demais a coroa para deixar para lá. Mas ele temia por essas mortes.

  Alice e Gabriel chegaram a se conhecer um pouco nas ultimas semanas de aulas, instruções e treinos de combate. Se tem uma coisa que o rapaz tinha certeza é de que ela não serviria se soubesse que as mortes foram organizadas por eles. De todo modo, ele tinha que admitir que todo o alvoroço e medo da corte foi extremamente crucial para enfraquecer as alianças internas com a rainha. Então foi simplesmente um caso de unir o útil ao agradável, só não imaginava como, casa a historia vazasse, faria Alice ver as coisas desse jeito.

 A menina levantou a cabeça do livro que estava lendo e sorriu para Gabriel: – Você está me encarando.

 – Você fica bonita quando lê – ele sorriu de volta.

 Ela o olhou por um tempo tentando decifrar a expressão em seu rosto quando seu sorriso morreu, mas não conseguiu imaginar nada com o que tivesse que se preocupar, ele a contaria se tivesse algum problema. Tinham se tornado parceiros de estratégias ultimamente e de disso Alice sabia muito bem: Seu pai costumava a ensinar como fazer um bom plano de negócios, expandir a lista de clientes e derrubar a concorrência. De certo modo, comércio se parecia muito com a guerra. Mesmo que fosse uma guerra do povo contra a corte, parecia tão grande como briga entre duas nações. “As recentes mortes” pensava Alice, “deixaram uma impressão na corte, seja qual for o responsável”. Se tem uma coisa que ela não era, é boba, então uma parte sua não confiava completamente que Gabriel não tivesse nada a ver com todas aquelas mortes sangrentas, mas decidira confiar nele, decidira inspirar uma nação. E era exatamente isso o que estava fazendo com cada minuto do seu dia. Neste exato momento, ela lia o diário do falecido marido da rainha: o rei por direito. Queria conhecer o inimigo e Gabriel guardara o diário do pai.

Todo esse tempo gasto com o estudo, os treinamentos e os encontros secretos com o povo ajudou Alice de certa forma. Dessa maneira, ela conseguia pensar em outras além dos lábios de Raphael, da maneira como ele olhou para ela, de como ele desejou sua morte. “A palavra morte soava tão desesperadamente sedutora e romântica quando saiu daqueles lábios”, a menina pensava antes de dormir, durante as refeições, quando sua mente vagava para fora do livro e tinha que ler todo o pedaço novamente... Ela sentia sua falta. Não só pelos seus braços surpreendentemente confortáveis, ela sentia falta de ser completamente honesta com alguém e de poder se dar ao luxo de demonstrar fraqueza. Ali na base ela servia de exemplo, não podia chorar, nem mostrar suas dúvidas ou incentivar qualquer tipo de aflição e desespero. Alice deve estar sempre otimista e ajudando as pessoas ao seu redor. Não parecia muito diferente das coisas em casa. Tudo que lhe restava eram longos banhos, onde ela deixava sua expressão desmoronar vez ou outra e sua mente vagar par tudo que podia dar de errado, para falta que sentia de casa e também pensar na saudade irracional que sentia de Raphael.

Já Raphael se esforçara o máximo que podia para apagar a memória de Alice ou do beijo que roubara. Sentia como traição. Meredith não tinha partido nem há uma semana antes do beijo acontecer. E ele desconfiava que os sentimentos apareceram enquanto sua esposa ainda estava viva. Era patético: ele mal conhecia a menina, como podia ter arriscado sua vida para protegê-la? E não só uma vez. Mas, se fosse completamente honesto consigo mesmo – o que ele tentava não ser – lembraria que seu amor por Meredith não passava de uma lembrança a qual ele vinha se apegando por muito tempo. A própria esposa cuidou disso, se afastando cada vez mais e o traindo. De todo jeito, não era certo.

 Não que fosse certo estar acordando ao lado de qualquer uma, quando o sol está alto demais para ainda ser de manhã. Ele olhou para o lado e colocou as botas, pensando que não fazia ideia de como foi parar ali.

— Que noite, hein? – a moça tinha uma voz rouca e atraente.

— Se eu lembrasse alguma parte, te diria – ele piscou e ela sorriu.

— Como quiser – ela começou a se vestir. –, mas você se divertiu.

— Tenho certeza que sim, mas não me leve a mal... – começou Raphael.

Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, Voz Rouca já estava fora do quarto, que só agora ele percebeu, era o seu. Com um suspiro, se deitou novamente. A rainha deve estar enlouquecendo atrás dele a essa hora, mas sua cabeça parecia prestes a explodir.

— Assim que o encontrar, quero a cabeça dele numa badeja de prata! – gritou a rainha com um guarda. – Tem coisas mais sérias por aqui do que uma rapidinha para esquecer a fugitiva ratinha lira ou Meredith!

— A cabeça de Raphael, Vossa Majestade? É uma ordem? – a carta perguntou.

— Claro que não, o que você pensa que eu sou, idiota? – ela continuava a berrar. – Traga-o vivo imediatamente.

O guarda assentiu e, junto a mais dois guardas, foi atrás de Raphael. Enquanto a rainha ficou para trás pensando se, neste momento, Raphael seria o melhor parceiro para encontrar os rebeldes que ameaçavam a seu reino.  Quanto a Alice, ela tinha absoluta certeza de que estava fora de questão confiar o assunto nas mãos do rapaz, ou de qualquer um. A menina era bonita demais. Podia convencer qualquer um a não mata-la. Isso era um assunto para ser tratado pessoalmente, como a líder que era, não se deixaria completamente dependente de seus homens para o serviço quando era infinitamente mais inteligente, eficaz e seu sangue não descia para nenhum lugar indesejado complicando as decisões.

— Aparentemente, uma rainha trabalha por si só no fim do dia – ela murmurou.

Neste momento, Gabriel entrou: – Com licença.

— O que procura aqui? – ela o olhou com desdém.

— Eu sei que não está feliz com minha participação na corte ultimamente, mamãe – ele sorriu sem mostrar os dentes. –, mas estive tomando meu tempo para pensar nos assassinatos que ocorreram e então, uma ideia surgiu.

— Prossiga – a Majestade se sentou.

Ele sorriu de verdade nesse ponto, pensando no quão fácil seria convencer a mãe devido ao pouco senso que ela tem quando se trata de suas rixas.

— Faz o perfeito sentido que a duquesa tenha feito – ele disse. –, ela tem o álibi, mas também tem influencia, dinheiro e motivo! Ela deve ter contratado alguém, ou mandado o cheshire, isso explicaria a falta de suspeitos na lista. E nós dois sabemos o quanto ela gostaria de ver a corte desesperada o bastante para tomar seu trono: ela ganharia vingança e liberdade.

— Traga a duquesa para interrogatório – a rainha disse friamente. – Mais alguma coisa?

— Isso é tudo.

A rainha acenou com a cabeça para a porta e enquanto Gabriel saia, os guardas arrastavam Raphael, que não conseguia andar sozinho devido a seu estado de ressaca. Suas roupas estavam colocadas de uma maneira estranha, ele fedia e parecia estar tirando alguns cochilos não intencionais. Os guardas o jogaram no chão da rainha e, em sua ordem, deixaram a sala. Ela se levantou.

— Em tempos como esse – ela disse extremamente distante. –, preciso contar com meus aliados.

— Sim, – ele tossiu. – Vossa Majestade.

— Agora saiba, você era um bom aliado, até pouco tempo atrás – a rainha estava andando em círculos ao seu redor, falando lentamente. –, mas olhe para você.

Ele recebeu um golpe nas costelas, causado pela perna direita da Majestade, que sibilou furiosamente: – Não passa de um pedaço de lixo.

Raphael se encolheu e escolheu ficar calado, ao invés de confronta-la, o que seria inútil e provavelmente o deixaria sem cabeça no final.

— Você vai tomar um banho, se ajustar e me encontrar no salão principal em uma hora, ou não precisa mais se incomodar em me ver – ela disse. –, é só ir direto para nossa arena de forcas.

— Sim, Vossa Majestade – a voz de Raphael estava fraca, mas ele tentou demonstrar firmeza.

A rainha revirou os olhos e saiu da sala. Não demorou muito para Gabriel entrar depois dela. Ele ajudou Raphael a se levantar e se apoiar na mesa.

— Espero que noite passada tenha valido a pena – disse o filho da rainha.

— Pela garota que acordou comigo hoje, foi – ele sorriu. –, mas infelizmente minha memória não se importa em lembrar.

Gabriel riu e franziu a testa: – E Alice?

— O que tem Alice? – Raphael franziu a testa ainda mais forte.

— Bom... – ele enrolou. – Meu guarda viu vocês se beijarem.

Raphael deu de ombros e ficou de pé sem o apoio da mesa. Ele não queria ter essa conversa com Gabriel ou com ninguém e tinha que se tornar apresentável para a rainha o mais rápido possível. Com isso em mente, disse que estava atrasado e foi se aprontar. Chegou ao salão antes que sua hora acabasse e foi bastante útil no interrogatório da duquesa, como era de se imaginar: ela foi considerada culpada. Talvez nem mesmo pela rainha achar de fato que a duquesa teve algo a ver com os crimes cometidos, mas pelo faro de ação precisar ser feita, pelo fato da corte precisar ver que os problemas estavam solucionados e não era nem um caso de ameaça à coroa: era só uma briguinha entre mulheres.

Com o julgamento resolvido, Raphael estava novamente nas graças da rainha e não tinha com o que se preocupar por enquanto. A não ser com Alice. Agora que os assassinatos estavam supostamente resolvidos, a rainha faria sua única função encontra-la e puni-la. Serão tempos sombrios no anexo, que precisará ser cada vez mais discreto, ele deveria ir dar apoio moral. Sua cabeça continuava criando pequenas desculpas para ir vê-la a cada segundo de caminhada do castelo até a vila da corte e, enfim, ele não pode mais lutar. Lá estava ele na porta do anexo, sendo parado por um guarda.

— Eu preciso entrar, não é a primeira vez – ele empurrou o sujeito, mas logo Gabriel chegou para entrar também e o levou com ele.

— Não irrite meus guardas, Alice está na sala de leitura no final do corredor – Gabriel disse foi para seu escritório.

A mente da loira estava flutuando para bem longe de seu livro, da sala de leitura ou até mesmo do anexo. Alice estava pensando de sua corrida com Raphael até o Grifo e a Tartaruga; tinha tudo sido muito bom antes de acharem a tragédia. Mas um pedaço especificamente parecia saltar das folhas sempre que ela tentava se concentrar. Ela pensava em como eles deitaram na grama e em como estavam perto e em como o desejo por ele foi tão súbito e intenso que ela sugeriu que continuassem a jornada. Não tinha motivo para negar agora, eles já tinham se beijado mesmo. Ela fechou os olhos e podia imaginar inclusive o modo como ele pronunciava seu nome. Alice. Alice. Alice.

— Alice! – chamou Raphael um pouco mais alto e ela finalmente abriu os olhos, e um grande sorriso.

Ele percebeu que ir até ali foi um grande erro no momento em que a menina sorriu. Ele sentiu um peso esmagador sumir de seu peito e não era como ele desejava se sentir. Devia ir embora e nunca mais voltar, devia dizer para ela que não a queria, que não a desejava. Mas a moça já estava de pé e agora séria, com olhos preocupados. Lindos olhos azuis preocupados. Não havia mais volta.

— Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou. – Você parece perdido.

— Eu estou perdido – Raphael deu de ombros.

Eles se encararam por algum tempo, Alice não tinha certeza do que dizer ou fazer, então se aproximou com calma.

— Eu senti sua falta de um jeito esmagador – disse ela. – e me desesperei muitas vezes quando achei que nunca mais ia te ver. Eu sei que não devia sentir tanto por alguém que conheço há tão pouco tempo, mas eu sinto coisas que nunca senti em relação a alguém novo. Saudades, medo, desejo...

Raphael não precisou de mais nada, a próxima coisa que eles sabiam é que estavam trancando a porta enquanto se beijavam ferozmente. As mãos de Raphael a pressionavam, como ela imaginava que iriam e à medida que ele beijava seu pescoço era como se milhões de sensações percorressem seu peito... E outros lugares. Seus corpos agiam como um só, tinham um ritmo perfeito, a respiração pesava e os suspiros também. Um suspiro, dois suspiros... Um gemido baixo: O desejava tanto que toda sua pele estava atenta, podia senti-lo até mesmo onde ele não a tocava e ela queria que tocasse. Queria que tocasse em tudo. Mas ele queria permissão, sabia do que houve com seu cunhado e ela percebeu isso.

— Eu quero – ela repetiu enquanto tirava suas roupas.

Ele deslizava a mão por seu corpete como se quisesse o arrancar com os dentes e algo nisso fazia Alice se sentir incrivelmente linda. E então ele a tocou. Primeiro com as mãos e depois completamente. Quando não estava beijando seu corpo ele se ocupava com seus lábios e cada momento, uma nova sensação era despertada: todas incrivelmente profundas e esmagadoras, faziam a boca da moça agir por si, mas não era nada alto. Até que ele a beijou onde importava. Ela não sabia que algo podia sentir assim. Um suspiro. Finalmente.



Notas finais do capítulo

Espero que gostem, por favor reviews sobre o que gostaram, o que detestaram e podem me xingar pela ausência vai!



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