In Wonderland escrita por Cigarette Daydream


Capítulo 10
As Masmorras


Notas iniciais do capítulo

Eaii, demorei? Claro que sim!
Vou pedir desculpas? Siiiiim, mil perdões!
Tem um link de roupa no meio da fic, só que como tá com problema os links no Nyah, copiem e colem ok?
enjoy




 A luz sufocada que invadiu as masmorras revelava que havia amanhecido. A jovem Alice abria lentamente os olhos para a pouca luz e só então se lembrou de onde estava. As masmorras da rainha. O cheiro de morte, sujeira e umidade denunciava o sofrimento dos prisioneiros que ainda estavam vivos.

 Alice se levantou do lençol sujo em que dormira. Sua cela era feita de três passos de nada em todas as direções. Já haviam se passado seis manhãs sufocadas desde que a rainha a enviara para as masmorras. A fome fazia a menina se sentir fraca. Era servida uma refeição mole e com gosto de nada por dia, quando tinha sorte, a refeição vinha quente, fazendo passar um pouco do frio do local.

 A menina puxou os cabelos para longe dos olhos e tentou se lembrar mais exatamente de qual era seu objetivo ao sair dali. Ela ainda não havia decidido muito bem. Queria lutar, mas queria fugir. Queria Raphael, mas ele era um soldado cruel. E mais do que tudo, queria matar. Queria que o sangue da rainha escorresse por entre seus dedos.

 A rainha enviou quatro soldados no segundo dia, para dar um susto em Alice. Eles se aproximam demais a fazendo se lembrar das mãos de Edward, mas antes que pudessem fazer qualquer coisa Gabriel apareceu e os mandou embora, prometendo a Alice que ia tira-la dali, foi embora também.

 Enquanto Alice se descontrolava com seus pensamentos, passos ecoavam no corredor, o soldado que andava ali sabia muito bem os riscos da missão que Gabriel o havia encarregado, mas sabia também da honra que era receber tal tarefa. Apenas tinha que comunicar a garota, muda-la de cela e, mais tarde, a ajudar a ir até Gabriel.

 Ao ver o soldado do lado de fora da cela, Alice se encolheu. E se a rainha quisesse dar mais um susto nela?

 – Alice? – o soldado perguntou.

 – Sim? – a menina se surpreendeu com o tom de sua voz, já não a usava fazia seis dias.

 – Irei entrar, Gabriel me enviou para te dar um recado – falou o soldado, em um tom baixo.

 A menina ficou feliz. Será que sua fuga estava assim tão perto? O soldado entrou e se sentou, indicando a Alice que fizesse o mesmo.

 – Qual é o recado? – a menina perguntou.

 O soldado por sua vez, analisou o estado da garota, um lado do rosto tinha uma marca roxa, os cabelos estavam desgrenhados e olheiras denunciavam o quanto ela vinha dormindo mal.

 – Ele me pediu para muda-la de cela e mais tarde virei te levar a Gabriel – o soldado falou cauteloso, a menina era muito bonita, ele não contava com isso. –, ele queria vir antes, mas foi preciso certos cuidados e preparativos para isso, como deve imaginar.

 Alice apenas assentiu. Era melhor do que poderia imaginar! Ela se veria livre do medo dos soldados da rainha ainda hoje.

 – E onde Gabriel está? – a menina perguntou.

 – Na base – o soldado disse e se levantou. –, voltarei mais tarde.

 A menina assentiu e se sentiu um tanto decepcionada, gostaria de conversar um pouco mais, aquela visita breve a fez sentir falta de falar com outra pessoa.

 – A propósito, trarei alguma comida – ele disse. –, parece faminta.

 – Obrigada – a menina quase riu da sinceridade do soldado.

 Com um aceno de cabeça o soldado se retirou e seguiu para uma das ultimas celas, depois de vários giros em espiral, finalmente chegou a seu destino. Gabriel o esperava lá dentro.

 – Falou com ela? – perguntou ao soldado.

 – Sim senhor – foi respeitoso o soldado.

 – E então? – questionou Gabriel.

 – Ela parece estar louca para sair de lá – prosseguiu o soldado. – Parece que bateram nela, ou algo do tipo, e não acho que estejam dando a ela a mesma comida dos outros prisioneiros, parece muito fraca para isso.

 – Imaginei que isso aconteceria – suspirou Gabriel, tentando controlar sua raiva.

 – O que ela tem de tão ameaçador para a rainha? – perguntou o soldado. – É apenas... Uma garota e daquelas bem frágeis, aparentemente.

 – Sim, aparentemente – disse Gabriel. – Quero que volte lá e a entregue isso, Gabriel estendeu um pacote pardo, diga-a para não alimentar-se da comida de que é servida, desconfio que, para cumprir sua palavra com Raphael, a rainha a esteja envenenando aos poucos.

 O soldado assentiu e se virou, refazendo o caminho pelo qual veio. Gabriel, por sua vez, puxou a parede falsa e seguiu pela passagem sufocante de pedras e terra. O rapaz odiava aquela passagem e como não precisava a usar havia muito tempo, não sabia que ela estava bloqueada, portanto seus planos para salvar Alice foram atrasados. Levaram cinco dias inteiros para retirar todos os escombros e montar uma nova estrutura.

 Fora também muito difícil arranjar distrações para manter o mínimo de soldados fieis a rainha no castelo, para tudo ser feito sem interrupções, mas hoje, por pura sorte, a rainha tivera que sair do castelo, levando muito mais soldados do que o normal com ela, devido aos ataques. Assim, a rainha tornou hoje o dia perfeito para a retirada de Alice das masmorras.

 Quando, finalmente, Gabriel chegou a outra passagem, já estava quase sem folego, mas conseguiu empurrar a pesada madeira para frente. Entrou em sua sala respirando fundo e foi até a jarra pegar água, mas ouviu um pigarreio. Raphael estava sentado em sua poltrona, como os pés em cima de sua mesa.

 – Não sei como eu não imaginei que era preciso apenas um pouco de segurança da rainha fora, para a sua segurança se descuidar – disse Raphael.

 – Eu não havia pensado nisso, é verdade – admitiu Gabriel. – O que quer aqui?

 – Sei que vai liberar Alice hoje – o rapaz falhou em sua tentativa de parecer indiferente. – Quero vê-la.

 – Acho que não... – disse Gabriel, inflexível.

 – Engraçado... Tenho uma informação importante para que a salve, uma pena que eu não possa vê-la – fingiu remorso Raphael.

 Gabriel analisou a situação por um instante, Raphael não era de mostrar cartas que não tinha nas mangas.

 – Tudo bem – concordou ranzinza. – Que informação?

 – A rainha vai estar de volta daqui a, pelo menos, três horas, sugiro que tire Alice de lá antes desse período de tempo – disse Raphael. – Houve imprevistos no caminho que, depois que eu vir Alice, poderei sentar com chá e biscoitos a mesa, e te contar.

 – Então temos que tira-la de lá imediatamente, em breve os soldados que restam no castelo retomarão seus postos! – exclamou Gabriel. – Vou enviar meus soldados.

 Raphael observou Gabriel sair da sala e olhou em volta. Em um canto um tanto escondido, havia um livro grosso e vermelho, que Raphael, levado pela curiosidade do por que do objeto estar escondido, pegou e abriu. Viu a letra de Gabriel por várias páginas e então encontrou uma folha avulsa na qual o nome de todos os mortos estava acompanhado por um símbolo triangular com a inicial A. R. C gravada por cima. Raphael tratou de guardar a folha e devolver o caderno para seu lugar, antes que Gabriel voltasse.

 Gabriel voltou com dois soldados que entraram na passagem com ele rapidamente, não pararam nem ao menos para dizer a Raphael para não tocar em nada. Raphael tirou mais uma vez a folha do bolso e a consultou. O que A. R. C queria dizer? O rapaz andava de um lado para o outro. Tinha pensado na possibilidade de Gabriel estar envolvido nos assassinatos, mas... Esperava que não estivesse. Raphael, apesar de não admitir, queria continuar acreditando que seu amigo de infância continuava tão bom como antigamente, embora ele mesmo já tivesse mudado bastante nesse quesito de bondade.

 Depois do que pareceram mil horas para Raphael, os soldados retornaram com Alice e ao encarar o estado da menina, ele não teve outra opção, se aproximou e acabou com a saudade irracional que vinha sentindo da menina que foi sua prisioneira há algum tempo atrás. Alice estava tão feliz com o abraço de Raphael que não teve tempo para dizer nada.

 – Eu senti sua falta – sorriu Raphael.

 – Eu também – a menina retribuiu o sorriso.

 – O que fizeram com você? – perguntou Raphael.

 – Não importa agora – a menina disse. – O que vamos fazer?

 – Venha comigo – ofereceu Raphael. –, a rainha vai ver que você não representa ameaça alguma.

 Alice então quebrou o abraço de Raphael.

 – Você quer continuar servindo a rainha? – perguntou Alice, nojo estampado no rosto.

 – Ela só está tentando proteger seu reino, ela me fez entender isso – disse Raphael. – Não foi ela quem matou aquelas pessoas, sabe? Então, você vem?

 Alice deu um passo para trás, em descrença.

 – Isso só pode ser algum tipo de brincadeira não é? – perguntou Alice. – Quer que eu demonstre lealdade a alguém que me feriu? Que me prendeu? Que me usou?

 – Achei que você entenderia que...

 – Não! – exclamou Alice, muito alto. – Não quero mais ouvir o que tem a dizer, eu devia ficar ao lado de quem escolheu me proteger, de quem escolheu me tirar daquele lugar... Desde o inicio, eu deveria ter estado desse lado.

 – Alice... Eu também escolhi te proteger – falou Raphael, em um tom magoado.

 – Não tanto quanto escolheu proteger a rainha, aparentemente – interrompeu Gabriel. – Agora, por favor, Alice precisa descansar, vá embora.

 – Você quer que eu vá? – perguntou Raphael, olhando para Alice.

 – Sim – a voz da menina tremeu. –, não volte mais, por favor, não se vai continuar defendendo a rainha.

 – Mas eu... – o rapaz se interrompeu no meio da frase, estava prestes a cometer uma grande burrice. – Tudo bem, estou indo.

 – Acompanhem-no – ordenou Gabriel aos soldados.

 Alice ficou observando Raphael ir embora, sentindo-se desolada. Como Raphael podia ter coragem de defender a rainha desse jeito? A menina sentia-se tonta de tanto pensar e sentou-se por um instante, de cabeça baixa.

 – Você o ama – a compreensão encheu a voz de Gabriel.

 Alice levantou o rosto e o encarou: – Não é verdade, não mais.

 Um sorriso quase encheu o rosto de Gabriel, aquilo era muito bom para ser verdade. Raphael estava fora do caminho, Alice estava livre...

 – Sinto muito por ele ter escolhido a rainha – ele disse e se sentou do lado da garota. – O que quer que eu possa fazer para ajudar, me deixará feliz.

 Alice assentiu e encarou o chão mais uma vez.

 – Acho que deveria tomar um banho e depois conversamos sobre o seu futuro aqui na A. R. C. conosco – ele disse. – Vou chamar as criadas.

 Alice não sabia o que pensar sobre tudo o que aconteceu. Foi muito rápido para assimilar os detalhes de tudo. Mas a expressão de Raphael quando ela escolheu ficar, ela tinha certeza de que lembraria para sempre.

 As criadas ajudaram Alice a se arrumar (http://www.polyvore.com/cgi/set?id=85857844&.locale=pt-br) para o jantar de boas vindas que A. R. C. estava oferecendo para ela, como novo membro do grupo. Alice deixou que a arrumassem sem reclamar, estava estranhando tudo aquilo, mas sabia que não podia fugir do seu destino, que, sem dúvidas, era enfrentar a rainha.

 Quando pronta, Alice fora até o salão de jantar onde todos a cumprimentaram e deram as boas vindas, a menina não podia estar mais feliz por estar ali. Só faltava uma coisa... Ou melhor, uma pessoa, mas Alice já havia decidido descartar Raphael para sempre de sua mente.

 Quando o jantar terminou, Gabriel pediu que Alice o acompanhasse até sua sala e a menina o seguiu.

 – Você sabe que está aqui para lutar, certo? – ele perguntou a menina.

 – Sei – respondeu Alice. –, é claro.

 – É mais difícil do que parece enfrentar a rainha – ele disse. – Por isso você precisa começar a se preparar, a partir de amanhã, você vai treinar, não só o corpo, mas também a mente. Se quiser enfrentar a rainha, o descanso será curto.

 Alice assentiu, sabendo que concordar com aquilo significava muito mais do que ela imaginava.

***

 Raphael caminhava olhando para a lua. Como ele podia estar tão confuso em relação a o que ele sentia por Alice? Não estava bem claro que amava Meredith antes de Alice aparecer? Então o que estava acontecendo agora?

 Mesmo com os pensamentos tão negativos ele não podia deixar de notar o quanto machucou Alice ter escolhido ficar, lutar ao lado de Gabriel e ter pedido para ele nunca mais voltar a procura-la.

 Raphael sentia que um buraco estava aberto em seu peito agora, mas numa atitude um tanto estupida, ele deu meia volta e retornou ao quartel general de Gabriel.

***

 Alice, que havia subido do subsolo para o labirinto, ficou surpresa ao ver Raphael de novo.

 – Por favor, me conte por que está com tanta raiva de mim – pediu Raphael. – O que eu fiz de tão errado assim?

 – Eu realmente tenho que te explicar? – perguntou Alice e ao ver que não obteve resposta, disse: – Você não deveria lutar sem causa, mas continua lutando... Isso é tão...

 – E você não deveria lutar por uma causa perdida, que nunca vai triunfar – o rapaz falou irritado, para logo depois se arrepender.

 – Não tem como você saber disso – a menina murmurou.

 Os dois pararam de falar e simplesmente ficaram se encarando até a raiva diminuir. Mas, ainda assim, ambos queriam convencer o outro de que seu lado era o melhor.

 Raphael por fim suspirou frustrado e falou: – E então? Vai mudar de ideia ou terei que mata-la no campo de batalha?

 – Você é mesmo inacreditável! – a garota sibilou. – Acha mesmo que pode me intimidar com suas ameaças? Acredite ou não, há coisas piores do que a morte, Raphael.

 O rapaz encarou a fúria nos olhos de Alice e soube que ela estava muito convicta para se deixar convencer. Raphael levantou os braços, como quem se rende.

 – Tudo bem, mas não diga que eu não te avisei – ele sorriu de canto. – Pode descobrir isso de morte por si mesma já que está no time perdedor.

 – Isso é o que vamos ver – a garota sorriu presunçosa. –, não sou tão fraca como pareço.

 – Apesar de ser verdade – o rapaz se aproximou e rendeu Alice rapidamente. –, vai precisar de mais do que isso para se defender.

 – Me solta – reclamou Alice e foi atendida.

 Raphael levantou as sobrancelhas para a teimosia da menina e se virou se afastando lentamente, mas não pôde conter o sorriso que lhe veio ao rosto, a coragem da menina de desafia-lo o deixava bravo, bobo e encantado ao mesmo tempo.

 Alice, por sua vez, pensava se seria coerente pedir para ele cantar uma música agora; ela certamente estava com medo, mas ele não precisava saber disso, não é mesmo?

 De repente (tão de repente que Alice inclusive se assustou), Raphael se virou e voltou.

 – O que?... – a menina começou, mas Raphael a calou com um beijo.

 Alice arregalou os olhos surpresa e ao mesmo tempo feliz, de repente a menina foi apenas fechando os olhos e sentindo a sensação de estar nas nuvens.

 Raphael então se separou lentamente dela e disse: – Agora eu tenho um motivo para te matar.

 Alice então sorriu e o viu ir embora.



Notas finais do capítulo

Reviews?
xoxo