Um Dia Qualquer. escrita por Hikari


Capítulo 19
Festa agitada do Sr. Cabeção.


Notas iniciais do capítulo

Ok! Eu sei que querem fazer uma revolta de vamos-trucidar-Reyna, mas calma!
Eu ia postar ontem, mas eu fiquei assistindo Evangelion 1.11 you are (not) alone e Evangelion 2.22 you can (not) advance com meu irmão e eu viciei e fiquei escutando a música dos créditos (http://letras.mus.br/neon-genisis-evangelion/1077845/) até madrugada e acabei não conseguindo resolver se colocaria música nesse capítulo ou não e no final acabei nem colocando.
Continuo falando nas notas finais já como provavelmente nem lerão aqui, hahahaha.
Aqui vai aparecer uma das minhas personagens favoritas!!!



Todo mundo estava abraçando e sorrindo para o ruivo parado na porta, que apenas conseguia ficar lá imóvel e admirado agradecendo a todos, via que ele estava com bermuda com estampa havaiana e blusa branca folgada, e seus cabelos estavam mais bagunçados do que o costume, devia estar na praia alguns instantes atrás, e carregava algo nas costas, tinha o contorno de um violão recoberto por uma capa preta.

Vi-me pensando o quanto ele estava lindo.

O que raios...?

Pudim! Pense em pudim! Ok.

O tio Gale estava ao lado mais atrás, observando Will e com os braços ao redor de Agatha, ela estava com uma postura reta e sorria orgulhosa de olhos fechados. Podia perceber que o bebê já estava quase nascendo, pela barriga protuberante em que se formava nela, meus pais disseram que só faltavam dois meses e fiquei feliz por isso.

Fynn estava ao meu lado e me encarava enquanto eu ficava em pé sem me mexer feito uma abobalhada só olhando para a cena que se passava diante de mim, ele deu um risinho falso.

–O que foi, Annie? Por que ficou parada como uma estátua tão de repente? Ficou encantada pelo esplendor do seu magnifico Will? –ele falou sarcástico imitando uma voz fina e irritante e piscando os olhos demasiadamente fazendo de conta que era uma menininha petulante.

–Ah, não enche, Fynn. –disse, desviando o olhar do garoto e virando a cabeça do meu irmão para o outro lado, cruzando os braços logo em seguida, tentei procurar meus pais que haviam se separado de nós quando chegamos.

Escutei outra gargalhada e fiquei com uma tremenda vontade de enfiar goela abaixo o presente que eu segurava na mão diretamente pela boca do meu irmão.

–Está bem, maninha. Então se está tão confiante assim, por que não vamos até lá falar parabéns para nosso amigo, hem? –ele provoca, agarrando minha mão e me puxando para mais perto do lugar onde eu menos pretendia ir.

Quando finalmente olhei para frente novamente, vi uma garota de cabelos encaracolados e – também – ruivos que pareciam brasas vivas, abraçando Will, ela ria despreocupada e podia ver seus olhos azuis empolgados falando algo para ele, que deu um sorriso aberto.

Algo se remexeu dentro de mim e um fervor resolveu aparecer, e sem que notasse, eu cerrei minhas mãos em punho, olhando para a garota que havia acabado de abraçar meu amigo.

O que estava dando em mim?

A única coisa que enchia minha mente eram perguntas sobre aquela garota.

Annie sua tonta, pense em outra coisa, isso não faz sentido nenhum!

Minha consciência tinha razão, balancei a cabeça e parei no meio do caminho, com Fynn insistindo ao meu lado para que eu andasse, mas eu recusando sem ao menos olha-lo.

E aí vi meus pais, eles saíram do fundo onde conversavam com a tia de Will que – para meu espanto – estava sorrindo amigavelmente para mim e pensei imediatamente no que meus pais poderiam ter dito a ela. Torcia para que não fosse algo constrangedor demais, o que sabia que provavelmente era.

Tentei impedi-los de se aproximar, mas olha só! Minha mãe não percebeu, ou fingiu não perceber, e meu pai apenas se esquivou da minha mão, piscando para mim.

Recuei alguns passos e meu irmão bufou de desagrado e farto de mim, finalmente se cansando de tentar me levar até lá, ele soltou minha mão e foi junto com meus pais para ir falar com o “amado” Will que-todo-mundo-gosta-e-contempla.

Digo, todos menos eu. É claro.

Apertei meus braços cruzados contra minha barriga com frustração e recuei um pouco mais até trombar com a poltrona e quase cair, me segurei de última hora no apoio de braço e fiquei observando com os olhos semicerrados enquanto eles ficavam falando alguma coisa para o garoto que havia alargado ainda mais o sorriso.

Minha atenção distraiu-se pela garota de antes, que agora retornava ao lugar que estava sentada, de frente a uma mesa. Sentou-se colocando os pés na outra cadeira, acomodada, e Morgan – a tia que havia sorrido para mim – repreendeu-a. A garota só reclamou e passou o pé para a mesa, inclinando um pouco a cadeira, oscilando para frente e para trás, ignorando o olhar que Morgan enviava a ela.

Pelo canto do olho, vi Fynn animado com alguma coisa. Ele estava meio longe de Will que agora conversava entusiasmado com meus pais. Benditos sejam... aqueles traidores.

Meu irmão havia se agachado igual àqueles príncipes de conto de fadas e pegado a mão de cada uma das duas garotinhas que estavam de frente a ele, beijando o dorso das mãos delas.

Mas o que ele estava pensando que fazia agora?

As duas meninas não pareciam ser muito mais novas que meu irmão, na verdade, pareciam ter a mesma idade – doze anos. Ambas eram dois clones idênticos com os mesmos cabelos ruivos característicos caindo até o meio das costas em cachos perfeitamente arrumados e os olhos azuis eletrizantes iguais a da menina que estava encarando poucos minutos atrás. Supus que fossem irmãs, as três. O que não era muito difícil de adivinhar.

Fiquei com vontade de rir, mas abafei o barulho – que saiu mais como um ronco - com a palma da minha mão.

Meu irmãozinho, onde ele estava com a cabeça?!

Percebi meus pais gesticulando na minha direção e fiquei totalmente atenta assim que vi exatamente o que sabia que eles fariam.

Minha mãe, com toda a sua dignidade, elegância e coragem, abriu os braços em minha direção com um sorriso que ocupava quase o rosto inteiro dela, meu pai dizia algo que fez o Will, antes com a expressão compenetrada, sorrir e olhar para mim, o que consequentemente fez minhas pernas tremer e eu ficar estressada por minhas pernas terem ficado bambas repentinamente só com aquele olhar.

Ah não. Não, não, não e não e não! Nããããão, não e mais não. Infinitamente não e não de novo.

Não tinha mais escapatória, era agora, ou era... Agora. Sabia que se eu não fosse lá, é possível de ele mesmo vir até aqui, e eu não queria que as pessoas pensassem que eu sou tão incapaz de fazer algo tão simples.

Talvez não tão simples assim para mim, mas tudo bem.

Inspiro profundamente antes de começar a ir onde ele está e expiro um pouco antes de chegar, tento esforçar para fazer o melhor sorriso que posso, e me surpreendo por eu não ter dificuldade alguma. Na verdade, tive uma leve – forte – impressão de que estava contendo-o até nesse momento.

–Feliz aniversário. –digo com uma felicidade que não havia percebido antes ter e estendo minha mão com o embrulho do presente.

O garoto a minha frente pega o que estou estendendo para ele e fixa seus olhos nos meus, o que não ajuda muito para me fazer relaxar.

E para ajudar, ele abre um glorioso sorriso que mostra todos os seus dentes brancos.

Glorioso? Eu pensei mesmo nisso?

–Obrigado. –ele responde e já deixa a mão esticada para que eu possa aperta-la, sabendo muito bem que eu não... hãm... tenho confiança e afinidade em abraçar muitas pessoas.

Mas, como disse antes, parece que estou naquela fase em que sua mente fica tão distorcida que aparentemente faz você pensar e agir como se não fosse você que a controla e eu dou um abraço repentino nele. Que surpreende tanto ele quanto eu.

Ou sendo mais direta, mais eu do que ele, na realidade.

Acho que Will está assustado ou surpreso demais pela minha súbita demonstração de carinho para dizer alguma coisa. Pelo que eu me lembre, essa deve ser uma das raras vezes que eu o abraço, se é que eu já o abracei algum dia.

Mais uma desculpa por eu me sentir estranha?

É, pois é.

Quando eu o abracei naquele momento e senti seu calor, algo se revirou dentro de mim, algo que nunca havia sentido antes. Uma coisa indefinível, nova e, para mim, indecifrável no instante. Aqueles pensamentos do dia do parquinho voltaram a minha mente e, sem perceber, eu sorri.

Para. Para tudo.

Isso tá parecendo muito com aquelas histórias melosas. Ou está quase.

Eu não gosto de histórias melosas.

Nem desses pensamentos parecendo muito como papai e mamãe. Urgh.

Afastei-me rápido e percebi meu rosto esquentar e olhei para baixo para que ele não visse que estava corada.

Maldição. Não podia deixar que isso saísse do meu controle de novo, não até descobrir o que estava havendo comigo.

–Hãm, obrigado. De novo. Eu acho. –ele fala, coçando atrás da cabeça e percebi-o olhando para cima, envergonhado. Ri baixinho e desviei o olhar para o outro lado, fingindo não ter notado.

–Bom, bom, como estão todos aqui, vamos começar a “festa”! –escuto a voz grave de alguém atrás de mim, quando consegui focalizar de quem vinha vejo um rapaz alto e bronzeado, ele tinha os cabelos e os olhos escuros que destacavam sua figura empolgada, ele se espichou para passar entre as pessoas e apertar o botão no rádio para a música começar a tocar. Até que não era uma música tão ruim assim. Ela retumbava e fazia as paredes tremerem, pois é, só poderia ser um pouquinho mais baixa.

Ainda bem que o meu cão não está aqui.

Acabei de perceber que a maioria das pessoas é adulta que ficam conversando sobre coisas-chatas-que-adultos-falam, inclusive meus pais que pareciam bem confortáveis no sofá ao fundo. Como eles foram parar lá tão rápido?!

As únicas pessoas que parecem ter entre a minha idade é aquela garota com os cabelos flamejantes que revira os olhos para o rapaz alto, a outra pessoa que parecia ter entre nossa faixa etária apesar de ser um pouco alto demais, e que era o único que estava dançando ali, embora ainda houvesse as duas garotas gêmeas que meu irmão tinha convidado para dançar. Então agora, tinham quatro pessoas pulando e se mexendo, agitando-se de qualquer jeito com o ritmo do som. Mas ninguém parecia ligar para eles, e por isso convenci a mim mesma de que faria o mesmo.

–Então, hãm, obrigado por aparecer por aqui. –viro-me para Will novamente que está me encarando, ele tinha guardado o embrulho que eu o havia dado e percebo que somos os únicos no canto da sala, até Gale e Agatha foram parar perto dos meus pais.

Nem percebi que estávamos há tanto tempo naquele mesmo lugar.

Sem falar nada.

–Não foi nada, ruivinho. Estava sem fazer nada lá em casa mesmo. –brinquei e sorri para ele, ficamos mais meia década sem dizer nada parados no mesmo lugar e tentei pensar em algo para falar. A única coisa que me veio à mente foi a coisa mais estupidamente óbvia e ridícula que alguém poderia dizer:

–Dezesseis anos, hem? Está animado?

–É... –ele dá o seu típico sorriso torto e depois dá de ombros. –Não sei, parece a mesma coisa.

–A mesma coisa? –achei uma brecha para algum assunto.

–Aham, todos pensam que vai ser aquela coisa extremamente diferente, que vai “mudar” o mundo e blábláblá. –ele levanta os ombros e olha para cima, para uma mancha escura e indefinida no teto. –Na verdade, estou na mesma, é como estar fazendo, sei lá, dez anos.

Assinto com a cabeça, entendendo o que ele quer dizer e tento puxar assunto quando vejo que estamos prestes a voltar a ficar em silêncio esmagador de novo.

Não me juguem, eu não sou uma pessoa, bem... “adequada” para isso. Tudo o que eu falo basicamente não presta para nada.

–Então... Como vai a vida entediantemente entediante?

–Excessivamente entediante e a sua? –ele responde de imediato, não achando nada estranho a pergunta.

Quer dizer, talvez ele já esteja acostumado, o que é bem provável.

–Completamente inútil e sem graça. –falo torcendo a boca, me sinto estúpida por não ter nenhuma novidade, então Will se remexe e ajusta a alça da capa do violão e então lembro do que eu queria perguntar.

–Desde quando você toca, ruivinho? –pergunto, apontando para suas costas com as sobrancelhas levantadas, realmente aquilo me impressionou, quer dizer, eu não fazia ideia que ele gostava de tocar algum instrumento.

–Na verdade comecei esse ano. –ele sorriu sem graça e despenteou os cabelos com as pontas dos dedos, abaixou-as logo depois e pôs as mãos dentro do bolso da bermuda, inclinando-se levemente para frente. –Encontrei esse violão nas coisas antigas do meu pai e fiquei muito interessado, Gale disse que podia me ensinar e eu aceitei.

Aquilo me surpreendeu ainda mais.

O tio Gale tocava violão? Ok... Está aí uma coisa que eu menos esperava.

Depois do pequeno surto da descoberta, temos uma conversa muito “produtiva” falando coisas absurdamente sem sentido nenhum, mas que pelo menos me fez se esquecer daqueles assuntos que estavam me preocupando, ou seja, minha cabeça completamente fora de ordem e quase entrando em colapso pela minha confusão momentânea que havia aparecido sem mais nem menos.

–Ah, mas como sou lerdo! –ele exclama e pega minha mão, me assustando, depois de um tempo com o silêncio novamente. –Vou te mostrar minha família, a que você ainda não conhece.

Seu sorriso é tão contagiante que me vejo sorrir também, sou guiada por ele pela sua mão e percebo que ao meu redor realmente tem pessoas que nunca vi na minha vida – coisa que não é uma notícia muito nova, claro. Não conheço praticamente ninguém, ser sedentário dá nisso.

Mas a que ele me leva primeiro é a garota ruiva, aquela “amiguinha” dele do começo da festa.

Bom, ela voltou à posição normal e não está mais com as pernas apoiadas na mesa, e eu tenho quase certeza que é por causa de Morgan, também tinha prendido o cabelo em dois rabos que caiam de ambos os lados e repousavam nos seus ombros, seus braços estavam cruzados enquanto escutava a música e observava indiferente as pessoas dançando, podia ver em seus olhos os traços de que estava prestes a desabar no chão de cansaço, ou tédio.

A garota levanta preguiçosamente o olhar e encara Will que sorri e gesticula com a cabeça a minha pessoa, e só então ela parece me perceber. Ela vira a cabeça lentamente e parece me examinar com os olhos, suspira e inclina a cabeça para trás, fecha os olhos e fica quieta. Não disse uma palavra.

Tenho uma leve impressão que ela me deixou no vácuo e que fui ignorada.

Olho para Will que sacode a cabeça e se desculpa:

–Não ligue, ela só está cansada...

Volto-me para o ser imperturbável da mesa.

–É, percebe-se...

A tia de Will chega silenciosa por trás de nós e eu pulo quando a vejo com um sorriso gigante no rosto, talvez até mesmo um pouco amedrontador, e para bem em nossa frente.

–Oh, querida! –ela fala para mim colocando a mão nos meus ombros. –Você é a Annie, certo?

Franzo a testa, como ela sabe? Pelo que eu lembrava eu ainda não havia me apresentado a ela.

Então eu vi.

Meus pais, os anjos em pessoa, acenando para mim e sorrindo, minha mãe riu e olhou para minhas mãos, não entendi e resolvi me voltar para a tia do Will que dizia algo como “Seus pais me falaram de você...”, mas então ela parou e olhou na mesma direção que minha mãe olhava, fiquei mais desorientada ainda.

Virei-me para Will e pude perceber que sabia tanto como eu. O que significava: nada.

Ele estava com a cabeça inclinada para o lado, deixando que uma mecha de seu cabelo caísse no seu rosto e eu nem percebi quando eu levei minhas mãos para ajeita-lo e agitar seus cabelos para deixa-los mais bagunçados do que já estavam, comecei a rir com a sua expressão espantada e depois por ele tentar arrumar o cabelo que havia deixado completamente desarrumado, mas por fim desistindo e jogando-o para o lado, fazendo uma careta e sorrindo para mim, fiquei totalmente presa naquele sorriso.

–Oh... Will, não sabia que estava interrompendo vocês... Eu volto mais tarde... –senti um aperto na minha mão, e Will retesar-se.

E só então percebi, meu riso cessou na hora e senti meu rosto esquentar, sabia que estava corando. É óbvio. Olhei para baixo e vi as nossas mãos entrelaçadas. Não havia percebido que ainda estava de mãos dadas com Will.

Delicadamente solto minhas mãos das dele, e tento disfarçar unindo minhas mãos atrás do corpo, noto Will fazer o mesmo, só que ao invés de deixa-las como as minhas nas costas, ele apenas cruza os braços.

A garota ruiva deixa escapar um grunhido da garganta e Morgan dá um gritinho olhando para o lado percebendo a menina dormindo na cadeira, ela comprime os lábios e levanta suas mãos acima da cabeça da ruiva e então a abaixa, dando um tapinha em sua testa, a outra se sobressalta e começa a massagear a parte em que foi estapeada e olha para Morgan boquiaberta.

–Ei... –ela começa, mas é interrompida por Morgan:

–Eu volto mais tarde. –ela pisca para mim e começo a enrubescer mais ainda, porém quando ela passa ao nosso lado Will a impede de sair dali.

–Espere, eu posso ir agora! –ele diz, posso perceber um leve rubor em suas bochechas, mas devo estar imaginando, coisa da minha cabeça, culpa do frenesi de desculpas esfarrapadas que havia me programado para dizer caso eu tivesse a oportunidade e se alguém perguntasse sobre isso mais tarde.

Morgan alterna o olhar entre eu e Will e depois respira fundo.

–Está bem. –ela fala e pega Will pelo pulso. –Vou rouba-lo um minutinho. –ela diz para mim com um sorriso amarelo significativo grudado no rosto e com isso, ao contrário de entender tudo, fico totalmente desnorteada.

–Ahn... O-ok.... –respondo, mas antes que ela leve Will para outro aposento, ele consegue se desvencilhar e pegar com sua mão livre o meu braço e seu toque repentino me faz sentir um formigamento que nunca tinha aparecido antes.

–Converse com a minha prima, ela gostaria muito de te conhecer. –Will fala antes de ser puxado pela tia de novo e por fim cede, me soltando e deixando-se levar pela senhora impaciente e a última coisa que vejo é seu sorriso confiante.

Prima?

Dou meia volta e encontro a garota de cabelos ruivos, ela não está me notando, parece concentrada demais em algo que tirou debaixo da mesa, curvo meus lábios para baixo ao ver que é um chiclete estragado, o que ela pretende fazer com aquilo?

Minha pergunta é logo respondida quando ela se entorta e olha para trás, mira o chiclete mastigado em forma de bola e lança, acertando com precisão o copo de uma mulher com minissaia, que para mim está claro que não é apropriado para sua idade, da mesa ao lado.

Fico com os olhos arregalados, eu vi mesmo aquilo?

Finalmente com o trabalho encerrado, ela se endireita e percebe que estou olhando para ela, em pé e de queixo caído, ela esbugalha os olhos e se levanta, tentando logo consertar a sua imagem diante de mim.

–Oi, eu sou Aimee, mas pode me chamar de Amy. –a garota aparentemente inocente de cabelos ruivos presos em dois rabos com uma fitinha diz para mim com um sorriso enorme e amigável no rosto estendendo a mão, como se não houvesse acabado de jogar um chiclete pré-histórico no qual estava grudado na mesa vai-saber-por-quantas-décadas no copo da mulher loira com saia extremamente curta e uma bolsinha frufru com um poodle roxo dentro (não tinha ideia do por que alguém da idade dela teria isso, mas não discuti).

Apertei sua mão e quando eu fui tentar soltar, ela manteve-se firme no cumprimento, olhei para ela amedrontada.

A nova garota havia estreitado os olhos para mim. Tive vontade de sair correndo naquele instante, pensei que ela fosse me jogar em alguma lata de lixo ou algo do gênero do jeito sinistro que ela me encarava.

–Responda rápido: queijo ou paçoca? –ela falou séria, olhei para os lados sem entender nada.

–O quê?! –perguntei a ela, que ainda segurava minha mão com força.

–Responda! –ela insistiu.

Sinceramente? Minha vida a cada dia está ficando mais estranha, nada normal comparável a outros adolescentes da minha idade. Pelo menos é o que eu acho, vai saber se existe alguém parecido? Não duvidaria nada, pensando bem. Levando em circunstância a época em que vivo.

E afinal de contas, quem faria uma pergunta daquelas?

–Humm... –o que ela queria com aquilo? O que uma coisa tinha a ver com a outra? –Pa-paçoca...?

Amy sorriu e sua expressão suavizou-se, como se eu houvesse passado de um teste. Ela soltou minha mão e eu a recolhi depressa, com medo de ela pega-la de novo.

–Desculpe, mas tinha que saber quem você era. –Amy explica e pisca para mim enquanto volta a se sentar, pegando seu refrigerante e sugando o líquido com o canudo que havia roubado de uma mesa ao nosso lado. –Então, tudo bem? Como você se chama?

–Sou Annie, prazer em conhecê-la. –digo formalmente sentando-se na cadeira que havia a sua frente, confirmando para mim mesma que ela havia cochilado há alguns minutos atrás como suspeitara, já como evidentemente não escutara meu nome ser citado quando Morgan pronunciara instante atrás.

Amy se engasga com o refrigerante que ela tomava e quase cospe o líquido na mesa.

–Annie?! –ela repete com a voz abafada, segurando a mão na boca.

Inclino a cabeça para frente, olhando seus olhos arregalados e percebendo a voz rouca pelo refrigerante entalado na garganta, seu tom manifestava um espanto gerado pela informação inesperada.

O que eu não compreendia era: Por que ela ficara tão surpreendida assim quando disse meu nome?

–Você está bem...? –tento perguntar, mas sou interrompida pela Amy que limpa a boca no pano que encobre a mesa e grita:

–Então você é a famosa Annie! –ela dá um sorriso que me faz ficar assustada. E quando digo assustada significa assustada mesmo. Aquele sorriso era tenebroso, sério. Como as abóboras amaldiçoadas que as pessoas decoram em frente das casas no Halloween.

E então fico confusa.

Famosa?

–Humm... É... eu acho. –digo vacilante, Aimee – ou Amy – aperta os olhos para mim.

–Você não está entendendo, não é?

Meneio a cabeça e ela explica:

–Will não para de falar sobre você, nós conhecemos sua vida inteira por causa dele.

Começo a enrubescer.

É isso mesmo?

Sério?

Uma sensação quente me envolve, mas logo é invadida pela raiva e fúria.

Como ele pode simplesmente espalhar para qualquer um sobre minha vida particular?

Está bem, são os seus familiares.

Mesmo assim!

–Bom, não se preocupe, é só coisas boas, se quer saber. –ela acrescentou vendo minha reação.

Nossa, obrigada. Ajudou muito.

–Er... Que... Legal. –reprimo meus sentimentos e guardo para mais tarde, tento não explodir e dar um – pelo menos – meio sorriso decente para reforçar minha frase.

Aimee sorri gentilmente.

–Mas se quiser, posso fingir que não te conheço. Então vamos recomeçar. –ela pigarreou e se debruçou na mesa tagarelando sobre coisas diversas que me faziam rir e quase me fez jorrar a água que tomava quando disse sobre o que o Will fazia quando era bebê e ainda morava no distrito 4 (como, por exemplo, na parte em que ela me disse que ele quase se afogou quando tentou “salvar” um peixe de dentro da água).

Foi no exato momento em que ela dizia quando ele uma vez foi quase puxado por uma vara de pescar para o mar que Will chega e coloca as mãos na mesa, nos olhando preocupado. Ele não está mais com o violão nas costas, o que me leva a concluir que ele deve ter guardado quando foi com sua tia para sabe-se-lá-onde.

–Está tudo bem por aqui? –ele fala alto atraindo a atenção de algumas pessoas ao nosso redor que logo se desinteressam e voltam a seus afazeres.

–Will! Como pôde não me dizer que Annie está aqui?! –Aimee exclama pondo-se de pé e encarando Will, com um enorme sorriso. –Agora a situação vai ficar mais animada!

Então ela começa a andar de um lado para o outro murmurando “estava me preocupando tanto em tentar bolar alguma coisa para tirar sarro do Aaron quando possamos nos unir e...” não escutei mais a partir, quem era Aaron?

“Aaron?” movo os lábios silenciosamente para Will.

“Meu outro primo” ele responde mudo e inclinando o queixo em direção do garoto alto bronzeado e de cabelos negros que havia visto mais cedo.

Então todos são primos, afinal.

Enquanto a prima de Will fazia uma dancinha maluca ao nosso lado eu comece a me sentir meio deslocada e desconfortável naquele momento.

Por quê?

Bom.

Parecia que eu era a única aqui de vestido na festa. Queria muito esfregar na cara da minha mãe como eu deveria ter vindo de jeans e blusa normal do jeito que eu realmente queria, mas eu tinha que ficar quieta porque ela ao menos olhava para mim para que eu pudesse, pelo menos, mandar meu olhar mais assassino que eu tinha a ela.

E outra, eu havia sido desprezada pelo meu irmão que agora dançava uma música lenta com as duas outras garotinhas.

Sim, as duas ao mesmo tempo.

E sim, a música.

Ela havia acabado de começar e acho que sabia a razão de terem trocado uma música eletrônica tão de repente para essa completamente diferente.

Aconteceu assim:

–Aaron!!! –Aimee berrou para o outro lado, sua voz ultrapassando o som vibrante da música anterior, o garoto olhou para ela e deu um sorriso caloroso, sacudindo o braço em um cumprimento.

–Eai, priminha? –ele berra também totalmente calmo e controlado, as pessoas nem pareceram se importar com a conversa que estavam tendo em cima de suas cabeças.

–Aaron! Vem cá, agora!

O garoto parece se encolher – mas só um pouco – diante do tom de voz que ela usa, mas assim que eu penso isso ele apruma-se e vem em nossa direção.

–Como vai a prima que eu mais gosto nesse mundo? –ele vai perguntando dando um tapa estridente nas costas de Aimee que dá um soco no estômago dele por ter resolvido fazer aquilo, sinto pena do garoto que se curva segurando a barriga.

–Não me vem com essa, Aaronzinho. -a ruiva fala sarcástica para Aaron.

Olho para Will que apenas suspira.

–Vocês não podem parar um minuto de brigar?

–Não. –os dois falam em uníssono, Aimee pega o outro pelo braço e eles dão as costas para nós.

Will dá de ombros e senta no lugar de Amy, tamborilando os dedos na mesa.

–O que sua tia queria falar com você? –pergunto curiosa.

–Nada demais, ela só queria saber se podia servir o bolo. –ele sorri tranquilo, sabia que escondia algo, mas não consegui decifrar o que era. –eu disse para esperar um pouco. Você já está com fome?

Balanço a cabeça em negação e contraio a barriga para tentar esconder os roncos do meu estômago insistindo por comida. Isso era tão típico de acontecer em horas como essas.

–Não. –falo tentando ignorar as persistências por comida da minha barriga teimosa, Will suspira aliviado e tento parecer o mais normal possível na mesa.

–Soube que você vai ficar três dias por aqui. –constatou com um tom de alegria em sua voz.

–Sim, Morgan contou?

Will anuiu e pegou um salgado que tinha na mesa.

–Isso vai ser divertido. –ele disse com a boca cheia e encarei seus olhos verdes fixos nos meus, querendo ter algum poder de ler mentes para poder saber o que ele pensava. Como certos mutantes do X-men.

Minha atenção é desviada pelo primo de Will que passa correndo entre as pessoas para o laptop onde estava escolhendo as músicas que tocavam.

Aimee apareceu ao nosso lado com um sorriso triunfante.

–O que você...? –Will começa a perguntar, desconfiado.

–Nada, nada! –ela se apressa a dizer. –Por que você sempre duvida de mim?

Will continua a olhar para ela, até que ela suspira e pega meu braço, me puxando para fora da cadeira e depois enxota o primo do assento dela também.

–Por que você fez isso? –pergunto de pé, quando vou me dirigir para a minha cadeira de novo Aaron aparece e senta primeiro.

–Desculpa, ocupado. –ele fala, fazendo sinal de positivo com a mão para Aimee e depois olha para mim com a sobrancelha arqueada. –Deixe-me apresentar devidamente.

Aaron pega minha mão e olha para meus olhos.

–Sou Aaron, primo de segundo grau do principezinho ali. –ele aponta com a cabeça para Will que cruza os braços e toma a minha mão da dele e um salgado de frango vindo do nada acerta o rosto do primo “educado” de Will.

–Nada disso, Aaronzinho, fique no teu cantinho. –vejo Aimee mordendo seu outro salgado com um olhar acusador e ameaçador, Aaron sustenta o olhar até ela arremessar outra coxinha no rosto dele e ele se irritar e bem... Só vamos dizer que houve uma guerra de comidas a minha frente, uma guerra que meu irmão não estava participando, coisa que me surpreendeu.

Mas antes que Will ou eu intervisse na briga para que não ficasse pior ainda, uma música começou a tocar.

E foi ai que comecei a ficar sem saber o que fazer.

E é aí que voltamos ao meu problema.

A música não era lenta, mas também não era tão agitada, e quando ela começou a tocar a briga deles parou, assim de repente, e ambos viraram a cabeça ao mesmo tempo para nós com um sorriso estampado no rosto e um olhar expressivo.

Soube imediatamente que era isso que Aimee fora falar para Aaron, e era por isso de ter ido até nos tão determinada.

Apesar de ser apenas uma música, sabia que ela iria armar mais alguma coisa.

Procurei desesperadamente algum lugar para sentar, tentar, sei lá, sentar, tinha um mau pressentimento sobre aquilo.

Mas parecia que todas as cadeiras estavam ocupadas e só havia eu e Will ali em pé, tirando Fynn e as gêmeas.

–Convida ela para dançar Will! –Aimee grita com as mãos em volta da boca, alto o bastante para que as pessoas escutassem e virassem as cabeçonas para ficar observando Will com um olhar esmagador.

Pensava que a Amy poderia ser uma boa amiga.

Estava enganada.

–É, Will, vai lá! –um cara grita e eu olho assustada para ele, o ruivo está hesitando perto da mesa onde Aimee está.

–Convida ela, irmãozinho! –escuto Agatha e quase engasgo com o ar.

Agatha?!

Está bem.

Agatha?!!

–Will, vai logo! –minha mãe berra e eu agora estou recuando tentando fugir dali.

Minha mãe?

Agora era tortura.

Agora era o cúmulo.

Olho para todos os lados, menos para Will. Tento procurar alguma saída, qualquer lugar, minha mente buscava freneticamente por táticas evasivas para sair dali.

Sei que se eu olhar para ele, não vou conseguir mais fugir.

O toque de suas mãos me desperta e me faz olhar para seus olhos persistentes, ele está com um sorriso presunçoso nos lábios e sei que não vou conseguir escapar.

É claro que ele está! Por que não estaria?

–Hm, você quer... dançar comigo?

Respiro fundo e solto o ar lentamente.

Não consigo responder.

Até Fynn parou para olhar para a gente, as gêmeas estão na ponta dos pés tentando enxergar por cima de seus ombros.

Tenho que dizer alguma coisa.

E é lógico que eu digo:

–Não. –mas não saiu como eu esperava. Na verdade, saiu muito pior.

Não saiu convincente, na realidade, saiu falso.

Era como se eu estivesse mentindo, mas eu não estava.

Ou estava?

Então eu suspiro e vejo-o desabar, não literalmente, mas estava cada vez mais triste e abalado, com os ombros caídos e a expressão de funeral. Suspiro, na verdade... eu queria dizer...

–Estou só brincando, quero sim. –dessa vez eu pego sua mão e o levo até o espaço onde foi reservado para as pessoas dançarem, coisa que ninguém está fazendo, sei que todos estão absortos demais em ficar nos estudando.

Uma coisa que não percebo até chegar lá: ambos estamos sorrindo, e o duro é que o meu sorriso é realmente instantâneo. Verdadeiro.

Fynn, que aparece ao meu lado com as duas garotas, levanta as sobrancelhas intencionalmente e eu tento ignora-lo.

Olho desorientada para Will que colocou suas mãos na minha cintura, o que é para eu fazer?

Eu nunca dancei antes, e então fico parada, sem saber como agir. Vejo Fynn gesticular algo dando tapinhas nos ombros, mas não entendo o que ele quer dizer para mim.

Como Will vê que eu não faço nada, ele ri e pega minhas mãos, conduzindo-as até seus ombros depois voltando a posição na minha cintura.

–Você nunca dançou antes? –pergunta ainda rindo, vejo isso como um deboche, mesmo sabendo que não é.

–Ei, não é minha culpa! –justifico tentando fazê-lo acreditar nisso. –Eu nunca achei que precisaria aprender a dançar, e você sabe bem disso! –desvio meu olhar para não ter que encarar a imensidão verde a minha frente.

O ruivo sacode a cabeça, se divertindo da minha incapacidade dançarina, como se isso fosse engraçado.

–Obrigado. –ele diz baixinho.

–Pelo quê? –fico curiosa e acabo deixando-me levar e olhar para ele, fito seus olhos verdes intensos e vejo-os reluzir.

–Por ter aceitado dançar comigo, por um momento pensei que tivesse mesmo recusado. –ele suspirou, dando um sorriso torto.

“E eu recusei” pensei, mas não disse nada. Sabia que eu havia recusado por pressão, porém o que eu queria mesmo era aceitar. Como tinha feito.

Não! Eu não queria aceitar! Annie, pare de pensar no que você pensava!

Ficamos um tempo em silêncio, escutando a música e Will me conduzindo, já como eu era totalmente inexperiente em fazer qualquer coisa relacionada a “dança”. Fiquei observando seus passos regulados e, sem querer, acabei pisando no seu pé três vezes, fazendo com que eu risse do rosto dele.

Quando pisei pela quarta vez no seu pé, levanto a cabeça preparada para me desculpar, mas quando nossos olhares se encontram, acabo me perdendo neles.

–Você está triste? –ele quebra nosso silêncio.

–Não, por quê? –pergunto, soltando um riso com a pergunta.

–Bom, por... bem...

–Will, eu não estou triste! –tiro minhas mãos do seu ombro e dou um soco em seu peito. Ele começa a rir.

–Que bom, então. –ele fala e sobe suas mãos até chegar ao meu rosto e sorri, fico paralisada. –Por que você está corando, Annie?

Esquivo-me das suas mãos e ele começa a rir, um riso tilintante, sereno e baixinho.

–Você realmente não entende, não é, ruivo? –sussurro brava para ele.

Abaixo minha cabeça, tentando esconder meu rosto e controlar minhas novas emoções que não consigo refrear, ou ao menos entender.

Se ele pelo menos tentasse me ajudar... Mas não, a única coisa que ele faz é me confundir ainda mais.

–Entender o quê? –ele pressiona, seu tom de voz parece ansioso e começo a me remexer inquieta ao mesmo tempo em que Will tenta conduzir a dança, mas até ele está ficando impaciente e descoordenando os passos.

Suspiro e tento organizar meus pensamentos, levanto a cabeça e sustento seu olhar, ele está com a sobrancelha arqueada esperando o que eu digo.

Assim que eu abro a boca para falar, ainda sem saber o que irá sair, perco a coragem do que dizer e dou de ombros, tentando reagir com desdém.

–Nada demais.

Sei que Will não caiu nessa, ele não é bobo, apesar de aparentar a ser.

–Não? –ele tenta me persuadir falando com a voz arrastada.

–Não. –falo certa com que estou afirmando.

–Hmm... –Will acelera o passo e me olha desconfiado. –Sim, sim. Tem certeza?

–Absoluta. –tento acompanha-lo, mas parece que ele está fazendo de propósito. –Ei Will! Mais devagar!

E ele só começa a ficar mais rápido, parecendo brincar comigo, até que também estou rindo e começamos a dançar de um jeito, digamos, novo.

Ele pega minhas mãos e me rodopia me deixando tonta e depois me segura para não cair, mal tenho tempo de respirar quando ele me joga para longe e me puxa de volta.

Ah, é assim que ele quer dançar?

Ficamos dançando como dois problemáticos, mas não posso dizer que não foi divertido.

Depois de um tempo consigo me equilibrar e pego suas duas mãos, estou ofegante de tanto rir e posso ver pessoas se levantando para começar a dançar, inclusive meus pais.

Levo minhas mãos até seus ombros e envolvo meus braços no seu pescoço, deixando-me cair, sem fôlego ou energia para continuar.

–Pausa, por favor. –falo sorrindo e ele concorda soltando sua gargalhada que me faz estranhamente feliz.

Quando vou desenlaçando meu abraço nele, Will me impede e me puxa para mais perto, fazendo o que eu menos esperava: ele me pegou no colo e me carregou até a mesa, deixando-me no chão apenas quando chegamos.

–Will! –reclamo, mas estou rindo.

Ele se separa de mim, sorrindo.

–Foi ótimo dançar com você, Annie. –fala, ainda perto o bastante para tocar meu nariz com a ponta dos dedos, novamente aquela sensação de paralisia me domina, e não sei o que pensar.

–Igualmente. –respondo em um sussurro quando minha voz resolve aparecer.

Assim que penso em sair e ficar o mais longe possível dele, para conseguir deixar minha mente sã de novo, escuto o som agudo e irritante de uma cadeira sendo arrastada no chão e vejo o primo do Will, Aaron, se levantando.

–Sente-se aqui, jovem dama. –ele diz, atenciosamente e percebo tanto o seu olhar como os de Aimee que nos encara com os olhos azuis penetrantes e vencedores.

–Ah, por favor! Pare de se agir como um cavalheiro, Aaron! Todos nós sabemos que você realmente não é um. –a ruiva rola os olhos, olho por cima do ombro e vejo Will sorrindo para mim, fazendo que sim para que me sentasse.

Desde quando pedia orientações dele?

Estou ficando com dor de cabeça.

Fico sentada ali e vejo todos os outros dançarem outra música mais animada, agora nós somos os únicos sentados. Até Fynn e as meninas decidiram descansar também.

Aaron e Will puxam duas cadeiras das mesas vazias ao lado e sentam-se ao nosso lado.

–Então, humanos deprimentes, o que querem fazer? –Aimee bate as mãos unidas e alterna o olhar entre nós três.

–Já como o aniversariante é o Will... que tal ele escolher? –Aaron retruca, todos nós nos viramos para o ruivinho que fica alarmado quando percebe ser o centro das atenções.

–Mímica! Mímica! –Fynn chega até nós como se estivesse escutando desde o começo e insiste: - Mímica!

As meninas ao lado balançam a cabeça freneticamente concordando com ele.

–Will? –Aaron pergunta.

–Tudo bem, mímica está bom.

Meu irmão comemora e só nos resta a fazer o que ele pede, mímica é o que vamos jogar.

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Quando já está bem tarde, ou seja, quando está tarde para a maioria das pessoas adultas que ali se encontram, Will tem que sair da brincadeira e ir se despedir dos familiares.

Ficamos ainda por um tempo ali, tentando entender o que Aaron estava interpretando. Ele batia os braços para cima e para baixo e depois caia de novo e colava as mãos no corpo, pulando sem parar.

–O que raios você pensa que está imitando? –Aimee fala desconcertada para o garoto que levanta os braços, indignado. –Um pinguim? Não? Então o quê? Ah, já sei: você passando por um papel ridículo na frente de todo mundo e provavelmente deixando bem claro que hoje será um dia inesquecível para você pelo resto de sua vidinha?

Aaron deixou que os ombros caíssem e a olhou com uma expressão que traduzi como: “você tá brincando com a minha cara, não é?”.

–Um pato? Uma galinha? Uma ave qualquer? –uma das menininhas, Trianne, chuta, não acertando nenhuma.

–O que é então?! –a outra gêmea, Arianne, exclama.

Aaron faz um gesto de zíper fechado na boca.

–Ah, sei lá, um kiwi? A ave? –pergunto e ele suspira aliviado.

–Finalmente!

–Kiwi? –Fynn vira para mim e antes de explicar para ele Will chega junto com meus pais, Gale, Agatha, e os tios.

–Garotos, vamos dormir. Está tarde e teremos um longo dia amanhã. –o tio dele, Paul, marido de Morgan, anuncia e nós reclamamos.

–Os quartos de vocês já estão arrumados, Aaron, seus pais me disseram para avisa-lo que irá vir busca-lo amanhã porque estão com preguiça de vir agora – vejo o garoto sorrir satisfeito. – Annie, você vai dormir com Aimee, Trianne e Arianne, no quarto delas e meninos, vocês vão dormir todos juntos no quarto de visitas.

Todos nós assentimos desanimados e sem poder contestar, nos levantamos e esperamos para que eles desapareçam no corredor escuro para que Fynn sussurre para nós:

–O que vocês estão esperando fazer para hoje?

Tenho vontade acerta-lo com uma almofada – ou com meu próprio punho – por ele ter insinuado fazer mais alguma confusão no meio da noite quando para meu espanto Aaron se pronuncia:

–Pergunte isso ao Will.

Fynn vira-se para ele como todos nós, eu, particularmente, surpresa.

Ele pensa um pouco antes de dar seu sorriso torto e dizer:

–Segredo.

–Como assim? –pergunto.

–Meia-noite, todos nós nos encontramos aqui embaixo, está bem? –ele murmura e relutantemente eu assinto.

Fomos para os nossos respectivos quartos.

É, os meus três dias que passaria aqui seriam bem interessantes.




Notas finais do capítulo

Bom... bom... Oi!
Como havia dito, esse era para ter música, se alguém quiser escutar a que supostamente iria tocar, podem pedir que eu mando o link está bem?
TRÊS COISAS:
-Vocês provavelmente já viram o poster animado (não sei se é isso mesmo, mas tanto faz) de "Em chamas", não? AHHH ELE É TÃO LINDOOOOOOOOOOOOO.
-Que mais? Esqueci (.__.), poréeeeeeeeeeem o que vocês acharam do "romancezinho" Will e Annie? HAHAHAHAHAHA ok.
-No próximo tem música!!!! *^* [Ou eu espero que tenha... se não será no próximo].
Nossa, alguém aqui tá com saudades da Alex que nem eu? Santo Poseidon...
Obrigada a todos que esperaram!!!