A Hospedeira - Coração Deserto escrita por Laís, Rain


Capítulo 33
Irmãs


Notas iniciais do capítulo

Tick tock hear my life pass by
I cant erase and I cant rewind
Of all the things I regret the most I do
Wish I'd spent more time with you
Here's my chance for a new beginning
I saved the best for a better ending
And in the end I'll make it up to you, you'll see
You'll get the very best of me
(One Day Too Late - Skillet)



POV – Peg

 

Já era o oitavo dia desde a minha volta e Ian ainda só conseguia adormecer se estivesse enrolado a mim, como uma grande criança agarrada ao seu cobertor.

Quando por qualquer motivo, eu, sem perceber, me afastava de seu abraço, ele acordava imediatamente, ofegante, assustado, confuso. Então eu acordava também e o abraçava novamente, colocando sua cabeça sobre meu peito para que pudesse afagar seus cabelos. Em poucos segundos, sua respiração se acalmava e ele voltava a dormir um sono, ainda assim, atribulado.

Era uma novidade para mim ver Ian desse jeito, tão vulnerável. E isso me deixava assustada. Mas, por mais que me esforçasse, eu não podia nem começar a compreender o que tinha se passado com ele durante o tempo em que estivemos afastados. Tempo que quase o tinha destruído.

Como sempre, ele tentava me poupar de tudo e se recusava a falar sobre sua dor quando percebeu que eu queria toma-la para mim. Era o que eu faria se pudesse, mas é claro que não podia.

— Está tudo bem – ele dizia. – Não precisamos falar de coisas que já passaram. Não foram tempos sobre os quais se queira falar aqui. Deixe isso pra lá, Peg. É melhor que pra você tudo não passe de um sonho ruim.

E era isso que parecia, um sonho ruim. Exceto pelo fato de que os efeitos dele permaneceram “ecoando” nos outros à minha volta e, portanto, também em mim, mesmo que fosse difícil entender a exata dimensão do sofrimento de Ian ou dos demais, até mesmo do de Estrela. Para mim, isso tudo era como se eu tivesse ido dormir um dia e sonhado que era outra pessoa.

Por outro lado, ainda que fosse uma memória confusa e envolta numa aura de pesadelo, eu me lembrava de “morrer”. E me lembrava de ter temido a morte dos que estavam comigo. E mesmo já tendo sentido esse pavor, meu coração nem chega a conceber o que seria de fato ter perdido um deles.

O que seria ter perdido Ian e sobrevivido a isso? Minha mente sequer consegue assimilar o horror daquele momento, muito menos formular o efeito que isso teria sobre mim a longo prazo. É difícil até imaginar que haveria um “longo prazo” diante da devastação que a ausência dele me deixaria. É seguro deduzir que isso teria me destruído, varrido minha sanidade, despedaçada em milhares de minúsculos pedacinhos, para algum lugar ainda mais inóspito que o deserto.

Quando me convenci disso, percebi que a vulnerabilidade de Ian, passageira como todas as suas tempestades, não podia ser traduzida em uma impressão de fragilidade, mas era, sim, sua fortaleza natural sendo restaurada. Ele tinha sobrevivido a algo que teria facilmente me destruído, porque ele era mais forte do que eu. Sempre seria. Esse homem que era meu amor, minha âncora, a sombra sob a qual eu descansava.

Ele só precisava de um tempo. Precisava que eu fosse a sombra dele agora. E que aguardasse pacientemente —  mesmo que esperar fosse doloroso —  que a vida voltasse lentamente a seus olhos outrora tão ardentes. Mesmo assim, eu queria que houvesse um jeito de entender sua dor e que, entendendo-a, eu pudesse erradicá-la. Porque, simplesmente, vê-lo assim me punha num estado muito próximo do desespero egoísta, algo a que eu não estava acostumada.

 Eu queria meu humano alegre, forte e provocador de volta, fazendo piadinhas sobre a teimosia de Kyle, a mania de Jared de tomar a dianteira de tudo e o jeito mandão de Jeb. Mais do que queria, eu precisava disso.

No entanto, isso não tinha a ver com o que eu precisava. Isso era sobre ele. Sobre seu enorme e profundo ferimento com cuja cicatriz viveríamos agora.

Então, não importava o quão grande fosse minha ansiedade, eu esperaria, me resignando ao calor e ao peso do corpo dele sobre o meu, mesmo quando isso me impedia de dormir. Tudo o que me importava era que ele ficasse bem.

Não posso negar que, na maior parte do tempo, era extremamente agradável tê-lo perto de mim assim. Na realidade, quando o dia nascia e precisávamos nos separar, eu sentia como se estivesse faltando algo no meu corpo se ele não estivesse ao menos segurando minha mão. Como se instintivamente eu soubesse a falta que ele teria me feito se eu estivesse consciente esse tempo todo.

Sendo assim, não era a necessidade desesperada que tínhamos de estar o tempo todo perto um do outro o que me incomodava. Mas sim o motivo por trás disso. A tristeza que ainda não tinha se dissipado por completo e ainda nublava os olhos de safira que sempre me mantiveram segura neste mundo.

Por isso, esta manhã, quando acordei encolhida num canto da cama, porque Ian estava esparramado ao meu lado com seus braços e pernas enormes tomando conta do colchão, fui tomada. Não só pela ternura familiar que essa visão sempre tinha me trazido, mas por um alívio intenso e pela mesma felicidade tão boba quanto inabalável que se sente quando, por um segundo, tem-se a ilusão de que o mundo pode ser perfeito.

O movimento que fiz ao me sentar deve tê-lo acordado, porque ele abriu os olhos um pouquinho, pequenos raios de luz azul faiscando sobre mim, espreguiçou-se lentamente e sorriu.

— O quê? – perguntou com uma voz sonolenta e pastosa de manhã de domingo.

— Você está ficando melhor.

Ian franziu a testa, uma adorável ruga surgindo entre suas sobrancelhas grossas e esfregou os olhos num gesto infantil e doce, enquanto se sentava de frente para mim.

— Sério? Deve ser a prática – disse ele, fazendo uma referência nada sutil ao fato de que havia também outras “necessidades” sendo constantemente supridas desde a minha volta. – Se você me deixar treinar mais um pouco, posso ficar ainda melhor – brincou, correndo o indicador de leve desde meu umbigo até o meio de meus seios por baixo da camiseta que se levantava na ponta de seu dedo.

— Isso também. – Ri. – Mas estava falando de outra coisa.

Ian me abraçou e me puxou para si, me embalando em seus braços como costumava fazer.

— Por que será que eu tenho a impressão de que esta conversa, que começou tão interessante, vai tomar um rumo de que eu não vou gostar? – Suspirou.

— Você não gosta de falar a respeito. Então eu fico observando os sinais. E hoje você dormiu a noite toda e quando acordei, você estava espalhado na cama.

— Observando os sinais? – perguntou ele boquiaberto. – Você está mesmo tão preocupada assim?

— O que você achou, Ian? Que eu veria você sofrendo e não me preocuparia?

— Me desculpe. Não queria que você ficasse preocupada e se sentisse isolada a ponto de precisar ficar “procurando pistas” do que eu sinto. Eu só queria poupar você, porque isso tudo já passou e não tem sentido ficar remoendo.

— Mas você ainda está triste...

— Triste? Peg, eu nunca estive mais feliz em minha vida! – disse ele, segurando meu rosto em suas mãos, os olhos queimando sobre os meus. – Ter você de volta depois de conviver com a ideia de que não te veria nunca mais? E um filho? Caramba! Eu nunca achei que teria um! Nenhum de nós achou que voltaria a ver um bebê na vida. Imagine como eu me sinto sabendo que tem um filho meu crescendo dentro de você?

— Mas os pesadelos...

— Peg, é só isso que eles são – afirmou, me tranquilizando e perseguindo meus olhos quando os baixei. — Só sonhos ruins. O que importa é o que eu tenho quando estou acordado. É só que... Bem, não acho que alguém se acostume a sofrer, mas... Sei lá. Eu passei meses abrindo os olhos para uma merda de mundo em que você não estava! É estranho, mas acho que é quase tão difícil se acostumar de verdade com a felicidade quanto acreditar que seu mundo acabou.

— Acho que entendo. Como quando eu demorei para acreditar que era tão parte do mundo de vocês, quanto vocês eram do meu.

— Exato! Imagine alguém doente. Como o Walt. – Uma pontada acertou em cheio meu coração à menção de meu amigo morto, mas continuei acompanhando o raciocínio. Era a primeira vez que eu conseguia que Ian falasse sobre seus sentimentos desde que voltei. – Se Walt tivesse melhorado, se nós tivéssemos podido curá-lo... Mesmo que seu corpo estivesse perfeitamente sadio novamente, ele demoraria um pouco para acreditar que não doeria sair por aí jogando futebol, por exemplo. Você me entende?

— Sim, claro. – Ian e suas metáforas!

— Acho que estou tão feliz que tenho medo de doer – disse ele, acariciando minha bochecha com os nós dos dedos e torcendo os lábios num sorriso tímido.

Céus! Como era possível que essa simples visão me encantasse tanto?

— Diferentes linguagens em diferentes mundos e nunca nada pôs tanta ordem em meu universo como as coisas que você diz! – disse eu, me perdendo em seus olhos e, em seguida, em seus braços.

— Desculpe. Não quis te deixar preocupada. Estou bem. Mesmo – sussurrou Ian em meu ouvido, enquanto me abraçava e corria uma das mãos por minhas costas.

— Só... – hesitei, tentando formular meu pedido. — Fale comigo, está bem? Não me deixe ficar tentando adivinhar o que você sente. Acho que não sou muito boa nisso.

— Humm, não sei. Acho que você é bem mais perceptiva do que imagina! Mas você tem razão, é sempre melhor quando conversamos – disse ele, beijando meu cabelo. — Tem mais alguma coisa que você queira perguntar?

— Acho que não. E você? – falei, imitando seu tom de voz, baixo e cúmplice, enquanto afundava minha cabeça em seu peito, aproveitando o calor de seu abraço.

— Como você está? Deve ser muito esquisito, não é? Acordar pela terceira vez neste planeta. Tantas memórias...

— É esquisito, mas minhas lembranças são mais fortes. É bem menos confuso do que eu achei que seria. Mas eu sinto muita falta dela.

— Sim, eu sei. Ela parecia te adorar.

— Ela me ama. — E ama você também, lembrei, com uma pontada forte de possessividade, mas ciente de que, antes de tudo terminar, Estrela já tinha entendido que seu coração pertencia a Logan. – Sinto falta dele também. De Logan. Ele era meu amigo.

— Ele era amigo dela, Peg. Não seu. Você ele deixaria fritar no deserto se nós não tivéssemos feito o que ele queria!

— Ele não faria isso, Ian. Só estava com medo. Eu sei bem o que é ter medo.

— Ah, Peregrina, que seja. Não quero discutir com você. Vou ter que aguentar esse Buscador agora, como tive que aprender a aguentar o Howe. Mas, tudo bem, é um preço pequeno a pagar – disse ele, lançando-me seu olhar de exasperação fingida. — Está com fome? Quer ir tomar café da manhã e ver o pessoal? – perguntou, mudando subitamente de assunto.

— Não. Faço companhia a você, mas não quero comer nada agora. John está me dando “bom dia” – respondi, acariciando minha barriga num gesto quase mecânico que eu tinha herdado da primeira mãe de meu filho.

— Bom dia, meu pequeno – disse Ian, abaixando-se para beijar minha barriga. – Que tal dar uma folga desses enjoos à sua mãe, hein? Não é porque você passou todo esse tempo com o Exterminador do Futuro, em vez de com o seu pai aqui, que precisa ser nervosinho como ele!

Ri com Ian, aliviada. Quando ele começava a fazer piada das coisas era bom sinal.

— E você, está com fome ou pode esperar mais um pouco?

— Depende. Esperar pelo quê? – perguntou ele, o olhar malicioso de quem sabia aonde eu queria chegar.

— Bom, eu estava pensando... Você disse que queria treinar.

— Dizem que a prática leva à perfeição, Sra. O’Shea. E embora isso tudo esteja sempre perfeito pra mim, sou a favor de testar a teoria de que pode ficar ainda melhor.

— Então, se somos perfeitos, que tal pensarmos nisso como uma experiência de confirmação? É sempre bom checar os resultados mais de uma vez.

— Quantas vezes forem necessárias! Tudo em nome da ciência!

— Ciência... Isso! – murmurei, encerrando a brincadeira aos passar minhas pernas em torno dele e ver seus olhos mudarem de bem-humorados para brasas flamejantes antes de seus lábios buscarem sedentos os meus.

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— Ah, Peg, você não pode mais ser tão teimosa! Agora não se trata mais de proteger só você!

Mel estava tentando me dar uma bronca, mas estava falhando miseravelmente, porque não conseguia fazer isso sem rir. A bronca era porque eu estive a manhã toda reclamando dos exageros protetores de Ian. Se antes ele já não me deixava fazer praticamente nada, agora, grávida, ele mal me deixava andar com minhas próprias pernas.

Eu tinha passado horas tentando convencê-lo de que queria ajudar Sunny e Trudy com o almoço, mas ele insistia que não queria que eu ficasse tempo demais de pé ou no calor da cozinha, ou seja lá qual fosse a desculpa que ele pudesse arranjar para que eu ficasse o tempo todo sentada à toa. Coisas de Ian.

A risada que Mel tentava inutilmente conter era provavelmente por causa das caras que ele estava fazendo às minhas costas enquanto eu me queixava. Como se eu não o conhecesse!

Mel estava tão bonita, tão leve esta manhã, que quase dava pra esquecer o quanto ela tinha sofrido. Mas a maneira como Jared se banhava em seu riso me fazia crer que essa cena, mais do que rara, teria lhe parecido impossível dias atrás.

Eu estava tão orgulhosa dela! Cuidando de todos e pondo os outros à frente de si. Uma verdadeira mulher cuidando de sua família. Forte como só uma humana poderia ser, abnegada como ela nunca tinha podido entender antes que seria capaz. Mas hoje ela ria. E era só o que me importava.

Como era domingo e o tempo da colheita ainda não tinha começado, estávamos sossegadamente aproveitando a manhã fresca falando bobagens na praça central. Jamie estava todo animado organizando uma ida à célula de Nate para poder ver sua “amiga”, Kate, e andava de um lado para o outro fazendo planos e tentando convencer Brandt a acompanhá-lo.

— O safado do seu irmão está tentando empurrar a mãe de Kate para Brandt — comentou Ian, dando risada. – Ele acha que assim vai ficar mais fácil para ver a namorada.

— E está dando certo? – perguntei, mesmo já sabendo a resposta, porque Jamie sempre conseguia o que queria.

— Parece que sim – ele respondeu, apontando para um Brandt incrivelmente corado e sem jeito.

Ah, Jamie! Ri comigo mesma. Meu paraíso não podia ter um anjo mais travesso, pensei, ecoando um conceito humano que achava agradável e especialmente aplicável a este momento.

Estávamos distraídos com isso quando Jeb entrou todo animado.

— Ei, Peg! Por que você não vem ver o que o gato encontrou na rua e trouxe pra dentro de casa!

Será que um dia consigo entender Jeb?, me perguntei, olhando para Ian que, de repente, estava alerta e de pé me estendendo a mão.

— Venha – ele disse. – Pelo jeito você vai gostar da surpresa.

Mel e Jared nos acompanharam enquanto seguíamos em direção ao depósito. Antes que eu chegasse lá, vozes familiares entraram por meus ouvidos fazendo meu coração se acelerar em expectativa. Nós nos aproximamos com cuidado e eu estaquei, obstruindo o caminho dos outros que chegavam silenciosamente atrás de mim.

Logan estava ocupado colocando suprimentos no depósito, mas parou assim que percebeu nova movimentação. Eu me lembrava disso, de como ele estava sempre atento e parecendo desconfiado e, por um segundo, temi. Como ele reagiria? Lembro-me de que ele não era exatamente meu maior fã quando achava que minha existência privaria Estrela da dela. Mas assim que levantou os olhos para mim, eu soube que tudo tinha mudado quando um sorriso sincero se abriu em seu rosto.

Ele se virou, pegando a mão da mulher atrás dele, ainda distraída com a organização dos mantimentos, e a trouxe para frente. Ela me reconheceu de imediato, sobressaltando-se ligeiramente e buscando a segurança do olhar de Logan, que sorriu para ela em aprovação. Seus olhos castanhos e prateados brilharam para mim, derretendo-se em lágrimas que começaram a escorrer por seu belo rosto. Ela era linda, tinha um semblante calmo e sorriso radiante. E eu a conhecia bem.

— Águas Claras? – perguntei confusa, mesmo sabendo que reconhecia aquele olhar de outro rosto. Do meu.

Então ela balançou a cabeça em negativa, mas não conseguiu falar nada quandoo a emoção assaltou nossos corações em uníssono. Logan passou o braço por sua cintura e a trouxe alguns passos à frente enquanto Ian fazia o mesmo por mim.

Uma vez próximas uma da outra, nós nos olhamos, nos reconhecendo, e eu estendi a mão para tocar seu rosto. Ela era bem mais alta do que eu e teve que se inclinar um pouco para encontrar meu carinho. Assim que o fez, deitou o rosto em minha mão e fechou os olhos, uma lágrima rolando por sua pele e molhando a minha.

Eu não sabia o que dizer, apenas que aquela mulher, aquela Alma, minha irmã desconhecida, tinha salvado minha vida, tinha amado meu filho e minha família e tinha feito tudo ao seu alcance para que eu também pudesse continuar a amá-los. Todos os momentos perfeitos que eu tinha vivido nos últimos dias e todos os que eu viveria de agora em diante eu devia a ela, a seu amor por mim e a sua coragem.

Então eu vi meu filho em minha mente, fechei meus olhos e visualizei-o crescendo dentro de mim. Eu o veria ser uma criança linda como o céu brilhante e onipresente sobre nós. Eu o veria se tornar um garoto astuto e travesso como Jamie. E o veria se tornar um homem forte, afável e gentil como o pai. E tudo o que eu pude dizer para aquela que me proporcionara tudo isso era uma única palavra, tão rica quanto frágil, como todas as palavras. Tão poderosa como imprecisa. E, certamente, insuficiente.

— Obrigada – murmurei, em meio às lágrimas que se misturaram às dela quando nos abraçamos.

Nunca seria o bastante, mas ela precisava ouvir. E assim era o amor, afinal, não era? Rico. Frágil e ao mesmo tempo poderoso. Impreciso. E nunca grande o suficiente para que não coubesse mais dele em nossos corações.



Notas finais do capítulo

Dedicado a Vanyelli (minha amadinha) e a Laís Oliveira (xará da minha "irmãzinha" e minha nova amiga). Obrigada pelas recomendações, lindas.