Good Day Sunshine escrita por Nowhere Unnie


Capítulo 26
Capítulo 26 - Um dia feliz


Notas iniciais do capítulo

Esse capítulo é dedicado à Helena (Paperbackwriter) ♥ Espero que ajude a se decidir entre Richard e George rsrs



Logo depois do almoço, George insistiu em me levar para algum lugar que, segundo ele, eu iria adorar. Estava morrendo de preguiça para fazer qualquer coisa, como sempre ficava depois do almoço, mas não pude resistir à sua carinha de pidão e deixei que ele me levasse.

Andamos umas três quadras e chegamos a um parque tão bonito que até me fez esquecer a indisposição que eu senti por ter andando até ali. Ele segurou minha mão e me levou até a beira de um lago, onde alguém fazia os últimos preparativos para abrir os pedalinhos ao público.

Sentamos à sombra de uma ávore cujo tronco era grande o bastante para os dois se encostarem sem conflitos, mas ele ignorou esse fato e colou em mim como sempre, passando o braço em volta dos meus ombros. Mas dessa vez eu não me importei, apenas olhava para tudo à minha volta, impressionada com a beleza tão simples daquele lugar.

— É lindo!

— Sabia que você ia gostar. — Ele sorria enquanto acariciava meu braço. — Eu sempre venho aqui depois do almoço pra descansar.

— Ainda bem né, porque se parasse pra dormir era capaz de hibernar por um mês, de tanto que come! — Eu o provoquei, esfregando sua barriga de forma brincalhona.

— Não tem graça! — Ele reclamou com aquela careta de raiva que eu adorava e sorri satisfeita, deitando a cabeça em seu ombro.

Uma leve brisa tomava conta do lugar e, por ser um pouco afastado dos brinquedos de um parquinho que tinha por ali, o silêncio era bastante agradável, o que fez com que eu cochilasse sem querer. Não deve ter passado muito tempo, porque ainda não tinha ninguém nos pedalinhos quando acordei e comecei a esfregar os olhos.

— Eu posso até comer demais, mas você também dorme muito! — George também me provocou ao perceber que eu estava acordando. Não respondi nada, só bocejei enquanto levantava a cabeça e ele continuou falando, ao mesmo tempo em que me apertava com um abraço. — É bom ter você aqui comigo!

— Eu... Eu também acho... — Respondi timidamente, abaixando a cabeça e tentando disfarçar o sorriso besta que invadia meu rosto.

Mas a paz e a calma do lugar logo se quebrou por uma voz aguda que gritava:

— Mamãe, mamãe! A gente pode ir no pedalinho?

Logo avistamos uma garotinha correndo descalça em direção à margem do lago. Ela vestia um tutu rosa de balé e seu penteado, com os cabelos presos em coque por uma redinha, já estava se desfazendo.

Assim que sua mãe conseguiu alcançá-la, segurou sua mão e lhe respondeu:

— Agora não, Lisa. Vamos logo para casa antes que você suje toda sua roupa de balé!

A menina, que não devia ter mais que cinco anos, fez um muxoxo e bateu o pé em reprovação, mas no fim foi levada para a direção oposta do lago pela sua mãe, passando bem ao nosso lado.

Eu dei uma risada ao ver aquela cena, talvez porque aquela garotinha lembrava demais como eu era com essa idade.

— Meu sonho sempre foi ser bailarina... — Revelei com o olhar distante, enquanto várias lembranças voltavam à minha mente.

— O quê?! — George perguntou surpreso, quase gritando e me arrancando daqueles pensamentos.

— Que foi?! Por acaso não posso sonhar?

— Pode é só que... Não sei... Você não parece do tipo de garota que dança balé classico, sabe? Eu sempre te vejo correndo por aí pra bater nos outros e tudo mais.

— Pois saiba que eu não gosto só do que envolve lutas, Harrison! — Refutei irritada. — Mas também nunca vou conseguir ser bailarina, já tentei uma vez, quando eu era bem pequena. — Suspirei desanimada.

— E por que não deu certo?

— Porque eu batia nas garotas que riam de mim quando eu fazia alguma coisa errada. — Soltei uma risada ao perceber aquela situação irônica, porque há poucos segundos eu estava tentando defender a falta de violência na minha vida. — Minha mãe começou a ficar com vergonha e me tirou das aulas de balé. Passei vários anos prometendo que não ia mais me comportar mal, na esperança de poder voltar, mas ela dizia que não, só porque eu vivia batendo em todo mundo na escola! — Revirei os olhos indignada ao me lembrar disso. — E eu nem sei porquê estou contando isso pra você! Eu nunca disse pra ninguém, acho que nem pro Richard...

— Então isso faz de mim alguém em quem você confia mais do que seu melhor amigo, certo?

— Errado! Isso faz de você alguém que vai morrer por ter descoberto meu maior segredo! — O ameacei, erguendo as mãos em direção ao seu pescoço e ele tentou se afastar por instinto, mas logo o empurrei com tanta força que ele caiu deitado e eu fiquei por cima dele, o encurralando contra o gramado.

Mas ele logo se desvencilhou e rolou para cima de mim rindo, o que não durou muito tempo porque eu fui para cima dele de novo e acabamos rolando pelo parque feito dois felinos brincando de pegar, nos divertindo como duas crianças, até ele ficar por cima de mim de novo e parar de rir.

Eu não me deixaria prender assim tão fácil se ele não tivesse me lembrado daquele mesmo olhar que tinha me lançado na primeira vez que o vi. Ele segurava meus braços, mas eu estava presa apenas pelos seus olhos e daria tudo para saber o que ele estava pensando naquele momento, enquanto sua expressão séria lentamente dava lugar a um sorriso. Ou talvez  me contentaria apenas em entender o motivo pelo qual ele causava aquelas sensações estranhas em mim, além de me fazer de esquecer de tudo à minha volta quando estava assim tão próximo.

Ele levou uma mão ao meu rosto e acariciou tão suavemente minha face que eu fechei os olhos e tive a breve impressão de que, a qualquer momento, meu coração iria bater tão forte que conseguiria sair do meu peito e voar por aí, assim como eu sentia que a qualquer momento poderia fazer o mesmo, de tão leve e feliz que estava.

Eu costumava odiar essas sensações, mas era diferente quando ele estava me tocando, era como se eu estivesse esperando por isso o tempo todo, mesmo sem nunca ter sequer imaginado o quanto era bom.

Mais uma vez aquele sorriso besta insistia em tomar conta do meu rosto e, tentando disfarçar, voltei a me lembrar do que tinha nos levado àquela situação e já bastava ter sido fraca uma vez, eu não ia deixar que isso acontecesse de novo. Ele estava em desvantagem com aquele braço livre, então eu logo abri os olhos e, em um movimento rápido, tornei a ficar por cima dele.

— Você está morto, Harrison! — Sentenciei com meu melhor sorriso maléfico.

— Eu acho que não! — Ele parecia muito confiante disso e conseguiu se desvencilhar de mim de novo mas, para minha surpresa, passou os braços em volta das minhas costas e me puxou para um abraço ao invés de continuar aquela disputa por uma vitória sem propósito algum. — Você não acabaria com alguém que gosta tanto assim de você! — Ele disse com um sorriso malandro e eu me acomodei por cima dele, deitando a cabeça em seu peitoral.

— Eu te odeio! — Resmunguei entredentes.

— Eu sei que não. — Ele discordou quase como um sussurro e começou a acariciar minhas costas. Suspirei vencida e continuamos ali, no silêncio daquele abraço, por um bom tempo, até que ele voltou a falar. — Sabe? Eu também tenho um sonho...

— Qual? — Perguntei curiosa, sem desgrudar meu ouvido das batidas do seu coração.

— Ficar preso em uma loja de doces de noite e comer tudo que puder até o dia seguinte. — Ele confessou em um tom de voz sonhador.

— George! Eu estava falando sério! —Comecei a rir enquanto levantava a cabeça para encará-lo.

— Eu também! — Ele se mostrava ligeiramente aborrecido pelo pouco caso que fiz do sonho dele. — E meu sonho parece bem mais difícil de se realizar que o seu, então acho que você deveria tentar fazer acontecer, se é tão importante assim.

— Não sei... Não costumam aceitar iniciantes da minha idade nas escolas de balé.

— Mas não custa nada tentar, não é?

— É, acho que você tá certo.

— Eu sempre tenho razão!

— Não tem não, seu convencido! — Dei um tapa de leve no seu braço, me levantei e sentei ao seu lado. — Olha, George, já tem gente nos pedalinhos, levanta daí! — Segurei a mão dele, o puxando para que se levantasse também.

— Tá, vamos lá...

Tivemos que eesperar um pouco enquanto o responsável pelos pedalinhos ajudava as outras pessoas a subir neles e, quando finalmente chegou a nossa vez, George tirou algumas notas do bolso e perguntou.

— Moço, isso aqui dá pra ficar até que horas?

O homem começou a contar e eu arregalei os olhos, porque nunca tinha visto tanto dinheiro junto sendo gasto por alguém da nossa idade, ao menos não em uma coisa coisa só.

— Quase até o fim da tarde, garoto. Você tem certeza que vai querer ficar esse tempo todo? — Ele parecia querer se certificar de que o menino sabia o que estava fazendo.

— Tenho sim, obrigado!

Entramos no pedalinho e George foi muito legal em me deixar conduzir, ou talvez tenha só ficado com medo da minha feição ameaçadora ao dizer que eu iria fazer isso primeiro.

— Como você conseguiu tanto dinheiro, George?

— Foi o Harry que deu, ele disse que eu não podia fazer feio agora que... — Ele parou de repente, como se não tivesse percebido antes que havia começado a falar o que não deveria. — Ahm... Eu acho que ele acha que a gente... Sabe? Mas é porque eles ficam dizendo que eu falo de você o tempo todo, mas não é verdade, eu juro! Quer dizer... Deve ser só um pouquinho, mas amigos falam uns dos outros, não falam?

— É, acho que sim. — Eu respondi, rindo do jeito engraçado como ele ficou embaraçado e não falava coisa com coisa.

— E uma vez você disse que gostava tanto de andar no pedalinho que ficaria o dia inteiro se deixassem, então achei que seria melhor fazer isso logo, porque sabe-se lá quando a gente vai ter essa chance outra vez...

— Nossa George, não acredito que você lembrou! Na verdade nem eu me lembro de ter dito isso na sua frente, mas é verdade! Você é o garoto mais legal que eu conheço, sabia? Não, não, o mais legal do mundo! — Parei de dirigir o pedalinho para passar os braços em volta do seu pescoço e dei um beijo demorado no rosto dele, que abriu um enorme sorriso e foi se esparramando pelo banco, enquanto olhava abobado para o nada à sua frente. — Mas agora volta a pedalar porque não vou fazer isso sozinha! — Baguncei seu cabelo, tentando tirá-lo do seu estado de transe.

Ficamos um tempão pedalando, até que ele pediu para conduzir e passou por cima de mim para se sentar em frente ao volante de forma tão desastrada, que fiquei preocupada achando que ele ia cair no lago a qualquer momento ou virar o pedalinho com nós dois dentro. Mas ele finalmente conseguiu se ajeitar e, depois de dar duas pedaladas, parou e ficou só segurando o volante.

— Ei, você me tirou daí e agora para? — Perguntei chateada.

— É porque já cansei. — Ele respondeu com a maior cara-de-pau do mundo.

— Eu não ia me cansar se ainda estivesse aí! — Revirei os olhos e parei de pedalar também, porque estava cansada, embora não admitisse.

Ele passou o braço em volta dos meus ombros e me puxou para ficar mais próxima dele, já que eu não estava mais pedalando, e enquanto brincava de girar o volante com a outra mão, fez uma promessa:

— Um dia eu vou ter um carro e vou te levar pra onde você quiser!

— Pra qualquer lugar? Até à praia? — Perguntei animada e ele balançou a cabeça afirmativamente.

— Eu sempre vou à praia nas férias, até lá já vou saber o caminho...

— Eu adooooooro a praia! E piscina! E andar de barco! E ficar em lagoas de pedalinhos também! — Comentei com entusiasmo.

— É, eu tô vendo! — Ele disse rindo. — E eu adoro ficar com você! — Em seguida me deu um beijo estalado na bochecha e começou a friccionar o polegar suavemente no meu braço.

Escondi meu olhar envergonhado deitando a cabeça em seu ombro, já que não poderia sair dali correndo e comemorando como tinha vontade, mesmo sem saber o porquê. Ele inclinou sua cabeça de encontro à minha e ficamos ali por um bom tempo, só descansando e aproveitando a companhia silenciosa porém aconchegante um do outro.

George ficou no comando do pedalinho até se cansar outra vez, quando paramos para observar como o sol começava a se enconder por trás das árvores que cercavam o lago, fazendo com que suas sombras se tornassem cada vez maiores e se aproximassem da gente.

Como já estava ficando tarde, ele me levou para lanchar e, quando voltamos para sua casa, seu pai já havia chegado e foi muito gentil ao me levar para a minha, mesmo depois de eu ter dito que não precisava.

Chegando ao meu portão, me despedi de George e já estava quase entrando quando ele segurou minha mão de repente e me puxou de volta com tanta força que acabamos próximos demais.

— Q-que foi? — Perguntei surpresa e ao mesmo tempo um pouco incômoda por estar tão em cima dele.

— Eu... Eu me diverti bastante hoje! — Ele disse timidamente.

— Eu também! — Respondi, sorrindo ao lembrar de como tinha sido o nosso dia e esquecendo o desconforto.

— A gente pode fazer isso de novo... Você pode ir na minha casa outra vez qualquer dia desses... Sabe, pra estudar ou então... Se quiser ver os gatinhos... — Ele parecia procurar coragem para dizer aquilo olhando enquanto olhava para o chão e, embora não me olhasse nos olhos, também segurou minha outra mão, o que me deu coragem para agir impulsivamente.

— E se eu só quiser te ver e ficar com você o dia inteiro de novo? — Ele apertou de leve minhas mãos ao ouvir aquilo.

— Então eu ia ficar muito feliz! — Ele voltou a me olhar, sorridente.

Retribuí um enorme sorriso, apertei suas mãos também e, quase com um pulinho, dei um beijo de despedida na bochecha dele.

— Até amanhã, George! — Larguei suas mãos para me afastar, mas ele me deu um abraço apertado e sussurrou algo tão baixo ao pé do meu ouvido, que ficava difícil saber se era um “tchau” ou um “te amo”. Provavelmente era só uma despedida, então achei que estivesse imaginando coisas e o abracei de volta na mesma intensidade.

Quando entrei em casa, atravessei a sala correndo porque precisava telefonar para alguém logo e contar tudo o que tinha acontecido hoje. Mal tirei telefone do gancho e, de repente, uma voz ecoou por trás de mim.

— Se você ia ligar pra se desculpar por me deixar esperando, ainda estou aqui.

Abafei um grito de susto quando o ouvi, como se fosse uma criança que aprontava alguma coisa escondida dos pais e tinha suido descoberta. Devolvi o telefone ao gancho e girei os calcanhares para encará-lo.

— Richard! — Exclamei, quase histérica pelo susto, e só então percebi que havia me esquecido completamente do nosso acordo de que ele viria à minha casa no fim daquele dia e tinha entrado tão animada que nem cheguei a reparar que ele estava sentado no sofá.



Notas finais do capítulo

Se depois desse capítulo, pelo menos uma de vocês não mudar pro team George desisto de escrever pra sempre -q rsrsrs
Ontem vi um filme que no final nasciam dois bebês que se chamavam Megan e George... Vomitei arco-íris!! rsrs Os da minha fic são dois leõezinhos *-* ♥
E por falar em Ringo, não me xinguem depois desse capítulo fofinho, team Richard u-u Amem o George e no próximo capítulo farei um POV do Ricardão porque sei que vocês amam isso também ^^ Não sei pra que fui dizer isso, sempre que anuncio um POV do Richard pessoas me ameaçam de morte e.e kkkkk