Bad Angel escrita por Miller


Capítulo 13
'Cause I stupidly tried to kiss my angel


Notas iniciais do capítulo

Okay, vou deixar vocês lerem o capítulo e comentar nas notas finais lá embaixo *--------*
Enjoy!




James Potter

E, é óbvio, fiquei extremamente chocado com suas palavras. Quero dizer, de onde é que Lily poderia conhecer a tal americana de Sirius? Seria sua antiga protegida? Teriam cruzado pela rua num bater de asas qualquer de Lily por aí.

Aliás, Lily tinha asas? Por que nunca tinha visto nada do tipo. Mais uma pergunta para anotar em minha lista de curiosidades sobre anjo da guarda.

Mas, enfim, Lily dissera conhecer a americana que Sirius tinha marcado de encontrar.

– Você a conhece? – foi Dorcas quem se recuperou primeiro do choque, olhando para Lily em assombro. Remus automaticamente apontou a câmera de seu celular para Lily e me perguntou:

– Pode me dizer o que está acontecendo? – seu tom de voz era curioso.

Suspirando, repeti:

– Ela falou que conhece... – minha voz saiu um pouco rouca, provavelmente devido ao choque. Limpei a garganta e continuei: - A americana – concluí e voltei a encarar meu anjo da guarda.

Lily continuava completamente estática, sua pele tão pálida que parecia prestes a desmaiar – sim, mais uma coisa para a lista. Estava realmente ficando longa. Anjos podiam desmaiar?

Foi então que me lembrei de uma coisa.

– Você é americana – falei sem rodeios e os três, Dorcas, Remus e até mesmo Lily, voltaram-se para mim, encarando-me em confusão.

– Quê? – Remus e Dorcas perguntaram, olhando de mim para Lily como se nos vissem pela primeira vez.

Lily tinha o cenho franzido e eu continuei:

– Lembra? A primeira vez que nos encontramos...

– Você disse que eu era americana. Eu lembro – ela disse e meneou a cabeça, parecendo completamente perdida. Seus olhos voltaram para o outro lado da cantina, observando atentamente enquanto Sirius e a americana sentavam-se em uma das mesas vazias.

– Então quer dizer que talvez você conheça mesmo a garota? – perguntou, depois de ter sido informado da pequena conversação através de Dorcas, encarando Lily pelo celular.

Ele parecia completamente encantado com tudo aquilo. Eu podia imaginar o porquê, afinal ele só era completamente viciado em filmes, games e todos aqueles negócios paranormais, sem falar em ficção científica.

E Sherlock Holmes, obviamente.

Seus olhos pareciam brilhar.

– Eu acho... – Lily falou e então abanou a cabeça, fazendo que sim, provavelmente lembrando-se que Remus não a ouvia.

– Uau – Remus parecia maravilhado. – Isso está parecendo muito com um filme que vi! Nós podemos descobrir o que você esqueceu! Talvez essa menina, a americana, possa ajudar – a empolgação de Remus era tanta que eu não consegui não sorrir junto dele.

Até mesmo Dorcas tinha um brilho estranho nos olhos, como se também estivesse empolgada com a ideia.

– Sim! – ela disse. – Eu estou completamente dentro de descobrir o passado de um anjo!

Lily, porém, encarava os dois com os olhos tristes.

– Eu não posso – ela disse e suspirou.

– O que ela disse? – Remus, vendo a expressão de Lily, perguntou para Dorcas.

– Ela disse que não pode – Dorcas respondeu parecendo não compreender.

Aquele negócio todo de anjo da guarda parecia mesmo estar funcionando para os dois. Eu teria rido com o pensamento se não tivesse ficado imediatamente preocupado com a resposta de Lily.

– Do que está falando? – perguntei um pouco receoso, encarando-a e tentando ler sua expressão. Lily parecia estar se remoendo por dentro.

– Se eu tive a memória limpa, é porque eu não devo lembrar – ela respondeu e lançou um olhar triste na direção onde Sirius estava com a americana. Sua expressão demonstrava o quanto não parecia concordar com as próprias palavras, mas eu ainda me lembrava de Constantine. E sabia que nada de bom poderia vir dele se Lily infringisse alguma regra celestial.

– Mas isso é injusto! – eu reclamei, mesmo sabendo que não havia nada a se fazer, enquanto Dorcas dizia para Remus o que estava acontecendo.

– Injusto ou não eu não posso! – Lily me encarou seriamente, como nunca tinha feito antes, parecendo muito mais velha do que sua expressão normalmente sarcástica deixava transparecer. Naquele momento ela parecia realmente um ser de outro mundo, um anjo vingador. Algo intangível. Senti meu peito apertar. – Eu não posso perder minha chance, James. Se eu quebrar as regras, talvez eu não consiga voltar!

Ela parecia seriamente desesperada.

E eu senti medo. Medo como nunca antes havia sentido, um aperto na boca do estômago, uma sensação de vazio no peito e um tremor me percorrendo como calafrio.

Voltar para onde? E porque aquilo parecia significar ‘deixar você’?

– Voltar? – Dorcas externou meus pensamentos quando eu não consegui transformá-los em voz. – Do que é que você está falando?

Lily colocou as duas mãos na cabeça e fechou os olhos, inspirando profundamente como se quisesse se acalmar. Eu poderia jurar – se eu não tivesse minhas dúvidas sobre o que anjos podiam ou não fazer – que Lily estava quase chorando.

– Eu não sei! – ela praticamente gritou, sua voz saindo histérica, enquanto uma lágrima (respondendo pelo menos uma de minhas perguntas sobre o que anjos podiam fazer), descia por seu rosto.

Dorcas, parecendo comovida, esticou o braço para tocá-la, mas, assim como eu, ela a atravessou.

Lily encarou a mão da garota, como se aquilo a deixasse milhões de vezes mais triste e então ergueu os olhos para me encarar.

– Podemos ir embora daqui? – pediu em um murmúrio rouco, cruzando os braços sobre o peito logo em seguida.

Eu concordei com a cabeça, sem saber o que dizer, e olhei para Remus e Dorcas.

– Nós vamos indo – eu disse e Remus me encarou sem entender, ainda confuso com as imagens de Lily e a conversação unilateral que estava presenciando. – A Dorcas te explica – disse-lhe e então dei as costas e comecei a caminhar rapidamente, refazendo o caminho inverso até a saída para o estacionamento.

Pensei que aquilo talvez fosse bastante bom. Deixar aqueles dois sozinhos para que pudessem se conhecer melhor.

Andei em silêncio até o carro, com uma Lily completamente perdida em pensamentos ao meu lado. Eu não sabia exatamente o que dizer, afinal de contas Lily nunca tinha parecido tão frágil e o negócio de sua memória parecia ser um assunto ‘restrito’.

Então achei melhor ficar quieto, mesmo que minha mente fervilhasse de perguntas, coisas que queria saber. E para onde ela deveria voltar, afinal de contas?

Para o céu? Para outro protegido? E por que aquilo me deixava tão... O quê?

Nós subimos no carro – ou melhor, eu subi e Lily simplesmente apareceu no banco do carona – e então, dando partida no carro, levei-nos para casa. Fizemos o caminho inteiro sem trocar qualquer palavra. Não precisei da ajuda de Lily para dirigir daquela vez, estava concentrado demais no caminho a minha frente para não correr o risco de deixar algo escapar.

Quando finalmente chegamos, meu pai estava sentado na sala lendo um jornal. Ele me chamou e eu muito relutantemente fui até onde ele estava, parando em sua frente com as mãos nos bolsos, sentindo-me incomodo.

– James... Eu andei pensando – meu pai começou a falar, encarando-me de forma perscrutadora, observando-me como sempre o fazia, em busca de falhas. Antes que ele pudesse continuar, eu o interrompi:

– Eu não vou me consultar com o doutor Amelius – falei de forma ríspida, fazendo-o arquear as sobrancelhas em surpresa.

– Como você sabe do que se trata?

– Eu achei que fosse algo típico do senhor – falei e dei de ombros numa clara demonstração de desinteresse. – Eu estou bem, não preciso de tratamento nem consulta alguma, certo? – disse e, mais uma vez, não o deixei continuar a falar. – Estarei lá em cima, tenho uns trabalhos da escola para terminar – então dei as costas, caminhando em direção as escadas. – Tenha um bom dia, pai.

Subi as escadas me sentindo cansado. Não era apenas Lily que estava com problemas.

Claro que os meus nada se comparavam com os dela, mas ainda assim, odiava aquela situação toda com meu pai.

– Você e seu pai são sempre assim? – Lily perguntou de repente, entrando em meu quarto logo a minha frente.

– Quando ele está em casa sim – respondi de forma insípida e fechei a porta de meu quarto.

– Isso é... Triste – ela disse enquanto me encarava com pesar e eu simplesmente dei de ombros, agindo como se não me importasse.

O relacionamento entre meu pai e eu era algo que me dava muitas dores de cabeça. E eu acreditava que para ele também. Mas, desde que minha mãe se fora, três anos atrás, era assim. Não via forma alguma de modificar nossa relação que parecia cada vez mais piorar, nos distanciando a cada dia mais de voltarmos a sermos como éramos antes: pai e filho.

Vendo que eu não responderia, Lily foi até a janela, observando o horizonte com uma expressão pensativa.

Tentei encontrar alguma coisa para fazer, mas tinha coisas demais martelando em minha mente para que pudesse me concentrar.

– Então você tem que voltar? – foi a primeira coisa que disse. As palavras simplesmente escaparam de mim e, bem, não me arrependi. Aquilo estava mesmo me incomodando.

Lily suspirou profundamente antes de responder, como se esperasse uma pergunta como aquela.

– Ao que parece, tenho uma missão, e nesta missão tenho de salvar você de alguma coisa – ela disse sem olhar para mim.

– Mas você já me salvou inúmeras vezes – eu assinalei, sentindo meu coração dar um solavanco sem qualquer motivo.

– O que me leva a crer que ainda está apara acontecer o evento do qual terei de te salvar realmente. – Lily acrescentou de forma banal, como se estivesse falando do tempo e não de minha possível morte.

Aquele negócio de falar sobre eu estar em perigo ainda me fazia ficar terrivelmente amedrontado.

– Isto é estimulante – resmunguei e ela riu, mas sem qualquer humor. – E ai, quando você terminar de fazer o que tem que fazer, você vai voltar... Para seja lá de onde você veio – prossegui o assunto, querendo mais do que qualquer coisa saber do que tudo aquilo se tratava.

Lily concordou com a cabeça.

Então preferi parar de falar, porque pensar naquilo estava deixando-me estranhamente mal.

Ao que parecia, tinha mesmo me apegado ao meu anjo da guarda – mesmo que nós tivéssemos convivido pouco menos do que alguns dias – e o que era bastante previsível também, levando em consideração que ela já tinha salvado minha vida mais vezes do que poderia contar desde que me encontrara. O único problema era que estava começando a achar que o que eu sentia por ela ia um pouco além daquilo.

O que não era nada bom. O que era uma merda. Uma merda grande e fedorenta.

– Tem algo te incomodando? – ela perguntou preocupada, como sempre, parecendo saber das minhas emoções.

– É só que... Bem – dei de ombros, sentindo-me um idiota. – Eu meio que me acostumei com você – falei. – Vai ser estranho não ter mais você aqui um dia.

Aquilo era diminuir muito a verdade, mas preferi deixar quieto.

Então ela me encarou, aqueles olhos verdes sempre parecendo ler a minha alma. O que era uma coisa bem incomoda levando em conta o fato de que eu estava tentando esconder certas emoções dela naquele momento.

Lily fez algo que me surpreendeu, porém. Ela esticou o braço na minha direção, como se quisesse me tocar.

Sua mão estava a centímetros de distancia de meu rosto e eu podia sentir o meu coração acelerar pelo menos mil vezes em comparação à velocidade normal.

Então, é claro, eu fiz a coisa mais estúpida que eu poderia tentar fazer com um anjo da guarda que iria me deixar em breve.

Tentei beijá-la. E eu a atravessei.

Eu poderia ter rido da cena, se fosse em algum filme ou algo assim, mas vivenciar aquilo era doloroso demais. Penoso demais. Era como uma piada cósmica.

Podia ver que ela estava tão confusa quanto eu e eu estava prestes a falar alguma coisa para tentar desfazer a merda em que eu tinha nos metido quando uma luz branca celestial iluminou todo o meu quarto.

Lá estava Constantine, sua expressão era a de tédio mortal de sempre, mas seus olhos... Ah, eu podia dizer que ele estava bastante irritado.

O que não era nada bom. Nada, nada, nada bom. Mesmo.



Notas finais do capítulo

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHH, eu sei que prometi Lene, mas um quase beijo dos dois vale tanto quanto ela né?
Well, esse capítulo foi um dos mais fofos que eu escrevi, com certeza e eu simplesmente deixei o mel escorrer dos meus dedos para a história. É.
Eu espero que vocês tenham gostado dele tanto quanto eu amei escrevê-lo *O*
E para quem quer me bater por não mostrar muito a dona Lene, não se preocupem porque o próximo está cheio dela kkk'
Beijoos LEITORES MAIS LINDOS DO UNIVERSO ♥
Amo vocês!!
Inté o/