(Nem) Todo Mundo Odeia a Emily escrita por May_Mello


Capítulo 44
Todo mundo odeia o trabalho de Biologia. Parte II


Notas iniciais do capítulo

Gentem, 'ceis não sabem o sufoco que foi pra escrever esse capítulo.
Primeiro que eu tinha escrito e já ia postar, mas daí minha inteligência me fez perceber que o cap. só tinha umas 600 palavras, então eu decidi escrever mais. Aí a hora que estava quase terminando, não sei como mas o arquivo sumiu. Aí lá vai a trouxa escrever tudo de novo.
Mas enfim *suspira*, cá estou com mais um capítulo.
Desculpem a demora que já é de lei né, mas vamos que vamos.
Espero que gostem dessa coisa escrota. E boa leitura.
Bjos&Qjos. :*



–Ok. Então Tyler disse que gosta de você... – Pareceu ter um choque epilético, ao mesmo tempo em que piscava, acho que pra compreender melhor a informação, finalmente quebrando o silêncio que pairava pelo quarto. – E você continua o rejeitando. Bom. Só não digo que você foi esperta porque você não é. E se algo acontecer, eu já te disse tudo o que tinha pra dizer sobre ele. Então vamos fazer o trabalho... – Catou seu livro que estava jogado em algum lugar da cama e começou a folheá-lo.

Fiquei o olhando com a boca entreaberta. Ele estava ligando tanto para isso quanto eu ligo para as pessoas que ficam distribuindo folhetinhos nas ruas do centro.

Depois de anos-luz ele notou que eu ainda olhava pra ele e jogou o livro de lado, se dando por vencido.

–Esse livro não tem nada a ver com o trabalho.

–Você parecia preocupado comigo e depois está assim, tipo “nem aí”. – Fiz um gesto com as mãos que queria dizer “isso é tão inacreditável quanto Nutella com carne”.

–Quem disse que eu estava preocupado com você? É tudo do seu psicológico, estúpida.

–Ótimo, então tudo resolvido. Cai fora do meu quarto. – Me ‘estribuchei’ na cama, me deitando de qualquer jeito.

–O que mais Tyler disse? – Ele me encarou de cima, já que eu estava deitada e ele sentando me fitando com a cara bem encima da minha.

–É impressão minha ou você me faz essa pergunta todos os dias? Eu acho que por acaso Tyler sabe algum segredo seu. – Sorri espertinha e ele segurou meu rosto.

–O que diabos ele disse? – Uia, irritou-se todo.

–Nada. – Murmurei, dando de ombros enquanto Thomas soltava o meu pobre rostinho.

–Ok. Certo. – Posso dizer que Thomas tem incríveis movimentos na cama, porque o moleque não para quieto; já estava do meu lado de novo, só que dessa vez do lado contrario, de modo que só nossos rostos estavam paralelos. – Então o cara diz que gosta de você, te convida pro baile...

–Pede perdão por ter sido um idiota... – Emendei.

–Se continuar assim você vai se apaixonar por ele logo, logo. Cabeça fraca do jeito que é, não vai ser tão difícil. – O encarei mortalmente. – O que? É a verdade!

–Que verdade, menino? Lutei muito para superar seu irmão, e não pretendo me apaixonar nunca mais. Ainda mais pelo Tyler. Nossa Senhora das meninas de cabelos tingidos vai me proteger, eu tenho fé.

–Já eu não tenho tanta. E falando sobre amor platônico... Minhas palavras fizeram efeito e você realmente desistiu do Lukas? Porque agora você tem que desistir, eu já até contei pra ele que você estava superando-o. – Sorriu movimentando as sobrancelhas.

–O que você quer dizer com...

–Lukas sempre soube de tudo. Ou você acha que eu nunca lhe contei nada? Eu sou seu irmão gêmeo.

–E um traidor! – Me sentei, ainda chocada e com os olhos arregalados. – Como você pode?! – Comecei a socar o peito dele, o fazendo gargalhar. – Então quer dizer que ele sempre me viu mais idiota do que já sou?! – Thomas ria tão deliciosamente que nem parecia que estava sendo socado com toda a minha força. De repente ele resolveu se defendeu e me e me empurrou com tudo pra trás, segurando meus braços.

–Bobona. – E ria pra valer.

–Eu não acredito! Não acredito! Que vergonha! - E de repente eu comecei a rir também, relembrando o quanto eu faço questão de ser idiota. Tenho que rir pra não chorar. – Eu... Eu não acredito. – Minhas gargalhadas se misturam com as de Thomas.

–Estúpida. – Só notei que ele havia entrelaçado nossas mãos para me segurar, quando ele desenroscou nossos dedos para secar uma “lágrima de riso” no canto de seu olho.

Foi aí que paramos de rir. Foi aí que nos encaramos. Foi aí que eu lhe dei um soco no nariz.

_X_

–Ok, ok. Eu meio que mereci, mas... Fala sério, Emily. Au! – Thomas não calava a boca, enquanto eu secava o filete de sangue que escorria do nariz dele. Agora além de uma sobrancelha cortada, um arranhão na bochecha e um roxo no testa, ele tinha um nariz machucado também, graças a mim.

–Cala a boca. Foi só um machucadinho. – É, o nariz dele até que era bonito demais pra eu ter dado um soco, mas... Fazer o quê? Agora já foi. – E você mereceu mesmo! Onde já se viu? Me enganar assim...

–Na verdade, eu contei pra ele depois que nós brigamos feio, então tecnicamente foi você quem mereceu!

–Eu já mandei calar a boca. – Rangi os dentes, apertando com mais força o papel contra seu nariz.

–EMILY, TÁ DOENDO, PORRA!

–Tá, foi mal... – Quase caí pra trás com o grito. – Meu Deus. O que será que o Lukas deve pensar de mim? – Levei uma mão à testa.

–Nada. – Thomas deu de ombros, afastando minha mão pesada do seu pobre nariz. – Só que você é estúpida mesmo, mas isso todo mundo sabe.

–Eu não acredito. – Me joguei ao seu lado na cama. – Eu deveria te dar um tiro na testa e um chute do pâncreas. Como é que você faz essas coisas, hein, menino?

–Fazendo, menina. – Riu-se. –E já que eu contei pro Lukas sobre você e você já está o superando, é justo o suficiente que eu fale dele pra você...

–Hun? – Fiz cara de “mãe de quem?”.

–Ele... Meio que está saindo com a Samantha. – Thomas se encolheu todo, talvez pensando que agora eu fosse lhe dar uma voadora de vez. – Ué, não vai surtar?

Momento de silêncio e reflexão.

–Ela é uma boa pessoa. Eu sei, mesmo ela sendo uma líder de torcida, porque... Eu li sobre a vida dela. Ela até vai fazer bem pra ele, porque eles se merecem. – Sorri. É, sorri. – Talvez eu já tenha amadurecido o suficiente. Eu já não gosto o suficiente do seu irmão pra matar a Samantha. – Dei de ombros. – E uma pessoa sábia e caduca uma vez me disse que o que tiver de ser meu, será. Além do mais, você já imaginou seu irmão e eu dando certo algum dia? – Sorria mais abertamente e Thomas me acompanhou. Só que ele sorria pra valer, sorria tanto que seu nariz voltou a sangrar. – Ow... – Voltei a limpar o sangue e confesso que já estava me apavorando com a quantidade. Talvez o menino possa morrer por minha causa.

–Eu tenho que concordar. Você é muito estúpida pro meu irmão. Muito, muito estúpida.

–E você é muito, muito chato. – Falei toda sabichona.

–Sou mesmo. – E ainda admite. – E é por essas e outras que você me ama.

–Não, Thomas, é por essas e outras que eu te odeio. – Levantei para ir jogar o papel no lixo, deixando Thomas falando sozinho. – E agora eu acho que você tem que ir embora. – Falei assim que voltei do banheiro.

–Está me expulsando?

–Sim, senhor. – Sorri sarcástica.

–Eu já te disse: enquanto não...

–Fizermos o trabalho você não vai embora. Tá, entendi, estrupício. – Suspirei derrotada, e ele abriu o maior sorrisão, já sabendo que mais uma vez tinha acontecido o que ele queria. – Vou na sala buscar meu notebook pra gente pesquisar na internet e eu já volto. Espero que você morra enquanto isso.

–Você não tem tanta sorte. – Thomas gritou, ainda rindo, enquanto eu já me encontrava no corredor ruma à escada. Só esse menino mesmo pra me surpreender de todas as formas possíveis.

Tratei logo de pegar o notebook e voltar para o quarto.

–Olha só, é melhor sermos rápido porque a bateria está acabando e eu não estou a fim de procurar o carr... – Parei. Fiquei estática assim que vi o que Thomas fazia: fuçava na minha guitarra como se entendesse muito do assunto. Bom, talvez ele até entenda mais do que eu...

–THOMAS SCHULTZ!

–O que foi, bocó? Estou só afinando sua guitarra. – E mexia em todas as cordas e de vez em quando tocava algumas.

–E quem pediu pra que você fizesse isso? Agora larga a minha pobre guitarrinha antes que você quebre. – Thomas soltou um risinho debochado.

–Não sei como ainda não está quebrada com uma dona tão sem cuidado e que nem sabe tocar.

–Eu estou aprendendo todos os dias, ok? – Coloquei a mão que não segurava o notebook em minha cintura.

–Aprendendo com quem? Porque, cara, eu tenho que dizer: você tem um péssimo professor.

–Ah, é? Então me arranje um professor pra você ver se eu não aprendo. – Apontei um dedo na cara machucada dele. Confesso que estava começando a me dar pena.

–Ué, pede pra sua mãe te matricular em alguma escola de música. Simples assim.

–Ai, Thomas. Cala a boca. – Me sentei ao seu lado, abrindo o notebook. – E larga isso! – Me referia a guitarra.

–MÃS... Se você implorar muito... Eu posso te ensinar. – Sorriu sem mostrar os dentes, fazendo parecer mais débil mental do que já é.

–Vai sonhando que eu vou implorar. – Soltei um muxoxo sarcástico. – Espera. Você sabe que eu sempre faço o que eu digo que não vou fazer... – Momento de silêncio.

_X_

–Thomas, é tecnicamente impossível que meu dedo fique aqui enquanto o outro vai pra lá. – Tentava explicar a situação, enquanto Thomas não mexia sequer um milímetro e permanecia deitado na grama do meu quintal com seus fones de ouvido e me ignorando com força. – Certo, eu desisto. – Estava a ponto de quebrar minha guitarra na cabeça dele ou fazer coisas piores, então achei melhor parar. – Você é o pior professor do mundo!

–E você a pior aluna do UNIVERSO! – Uia, e eu achando que ele nem estava me ouvindo.

Ele finalmente se sentou na grama e ficou me encarando com as bochechas fofamente coradas, até que eu larguei minha guitarra na cadeira onde antes estava sentada e fui até ele.

–Você não sabe ensinar ninguém. – Me sentei ao seu lado, derrotada.

–Então vamos fazer o trabalho de Biologia. – Sorriu, tirando uma com a minha cara. Eu apenas o encarei com uma cara de lagarto, totalmente sem expressão, e ele sorriu. – Tudo bem. Vamos tomar sorvete e quando voltarmos eu começo a te ensinar a tocar, ok?

–Só está “ok” se você disser que vai pagar pelo sorvete. – Sorri amarelo, mostrando todos os dentes e encolhendo os ombros.

Conclusão: Não fizemos o trabalho de Biologia.

_X_

Qualé, Thomas? Você tem que concordar que o mundo seria uma lugar melhor se a comida fosse de graça! – Erguia meu bracinho esquerdo, já que o direito segurava meu picolé enquanto andávamos de volta pra casa.

–Claro que não, pessoa estúpida. – Thomas mantinha seus braços cruzados, negando com a cabeça. – Onde estaria o capitalismo, o mundo moderno em que estamos , a-

–Mas a fome ia acabar, e a miséria, e- – Percebi que Thomas só me observava com um sorrisinho irritante, enquanto eu explica minha causa fazendo gestos estranhos com os braços. – Tudo bem, conclusão da minha tese: você tem que concordar que o mundo seria um melhor lugar se a comida fosse de graça, porque assim você não estaria falido, já que eu comprei a sorveteria inteira e fiz você pagar!

–Eu sei. Claro que o mundo seria um lugar melhor. Mas eu só te contrario pra te irritar.

–Boas notícias: Você consegue, seu bocó!

Silêncio mortal.

–Emily, eu sempre tive a curiosidade de saber... o que o Tyler... Fez com você no baile pra que te humilhasse? – E eu achando que ele já iria perguntar outra vez o que o Tyler disse.

–Bem coisa de cinema mesmo. Me esculachou bonito. – Fiz cara de brava e o ar saia fazendo barulho pelas minhas narinas, já que eu bufava.

–O que ele fez e tão terrível? – Thomas parecia pensar, rindo. – Tacou tinta em você? Fez comentários sobre o seus estranho jeito de andar?

Suspirei derrotada. É claro que esse capeta do Thomas me faria contar.

–Naquele ano Tyler ganhou como rei do baile, e Zooey como a rainha. Até aí chuchu beleza. Mas... Quando ele fez o discurso de coroação, ele... ele... Ele disse que estava surpreso pois eu não tinha ganhado como rei, já que era mais garoto do que todos ali.

–Claro! Até meu irmão é mais garoto do que os meninos daquela escola! – Bati nele com a minha mãozinha pesada, mais por ter me interrompido do que por ter falado do Lukas.

–Cala a boca! Me deixa terminar! Bom... Até aí tudo bem, já que só parecia coisa estúpida de criancinha de cinco anos. Mas quando todo mundo riu, foi como uma motivação pra que ele continuasse a me zoar. Eu pensei que éramos amigos, e não sabia por que diabos de uma hora pra outra ele havia começado a falar de mim, até que ele começou a falar sobre o meu pai de novo. Qual é, só porque eu não tenho um pai... Eu mereço ser piada pra todo mundo?

–Eu entendo... Perfeitamente. Sabe, eu não também não tenho um pai; pelo menos não um de verdade. Ele deixou minha mãe...

–Mas você tem um padrasto. É diferente.

–Talvez. Mas eu sei como é a sensação, ok? Agora cala a boca e continue a falar! – Nem um pouco contraditório.

Olhei para o céu, suspirando e sentindo que meu picolé derretia.

–E enquanto todo mundo olhava pra mim rindo, a Zooey caminhou lentamente com o seu saltinho e jogou ponche na minha cara, enquanto eu continuava simplesmente parada. E pra completar tudo alguém ainda puxou meu cabelo, antes que eu chorasse e começasse a correr.

–Que bosta. – Thomas riu, chutando uma pedrinha com as mãos nos bolsos.

–Não é engraçado, ok? Retardado! – Irritei-me, apressando o passo e fazendo um beiço de um quilometro.

–Hey, espera. – Antes que ele repetisse a cena pela milionésima vez e puxasse pelo braço eu me virei, o encarando com uma cara feia enquanto mordia meu picolé ferozmente. Nem comentei a dor no dente que me deu porque Thomas me zoaria ainda mais. – Vamos nos vingar, pequena estúpida.

–É? Como, sabichão?

–Eu vou descobrir. Deixe tudo comigo!

–Da última vez que disse isso, todo mundo só se ferrou.

–Shii. – Thomas colocou o indicador da mão esquerda sobre meus lábios, e com a mão direita me deu um peteleco na testa. – Você ainda vai me agradecer de joelhos...

Só pra constar: eu não maliciei a última frase como Thomas fez, beleza?