Jedis e Padawans – Diferentes Tons de Cinza escrita por MarcosFLuder


Capítulo 5
Perdão e juramento


Notas iniciais do capítulo

Postando mais um capítulo. Aqui é importante fazer algumas digressões sobre a mitologia envolvendo Abeloth e as Irmãs da Noite. Eu conheço muito pouco sobre esses personagens, mas creio que a ligação deles que eu começo a estabelecer nesse capítulo, e que ganhará mais contornos nos próximos, é criação minha. Quem conhece Abeloth do universo Legends também vai notar que eu meio que “nerfei” um tanto a personagem, que é considerada o ser mais poderoso do universo Star Wars. A revelação sobre as formas como as Irmãs da Noite obtém crianças para a sua irmandade, bem como seus rituais de iniciação, também é uma criação minha, não sei se isso acontece no cânone. Enfim, espero que gostem de mais este capítulo. Aproveitem.



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PLANETA LOTHAL – 1 ANO E 4 MESES ANTES DO TEMPO PRESENTE

 

Seus rostos ainda estão praticamente colados quando o olhar de Sabine é desviado para as cicatrizes no corpo de Shin. Com a ponta dos dedos, a mandaloriana acaricia levemente uma delas, que começava num ponto simetricamente central entre as clavículas, para se dividir em duas direções, ambas terminando junto aos mamilos. Outra cicatriz nasce no vale entre os seios e desce até o umbigo, sem falar nas que ela viu nas costas de Shin. As cicatrizes explicavam o que Sabine havia percebido enquanto a via se despir. O temor da jovem, o medo do julgamento claramente visível em seu olhar. A mandaloriana ficou chocada na primeira vez que viu as marcas no corpo de Shin, ainda na época delas em Peridea, mas nunca forçou perguntas. Ela se manteve assim, em vez de perguntar, tratou de beijar essas mesmas marcas, acariciá-las, transmitir à sua companheira de cama um olhar de acolhida e encantamento. Ainda assim, a curiosidade tomava conta de Sabine.

 

— Pergunte logo pelas cicatrizes – a voz de Shin era suave, mas determinada.

 

— Você não precisa me contar se for muito doloroso de recordar – Sabine esperava que Shin acreditasse na sua sinceridade, ao dizer isso.

 

— Foram as Irmãs da Noite – responde Shin – eles fizeram isso comigo quando eu ainda era criança. Era parte do ritual para que eu me tornasse uma delas.

 

— Eu pensei que os Separatistas já tinham acabado com elas anos antes – Sabine continuava acariciando as cicatrizes, embora o olhar estivesse fixo em Shin.

 

— Algumas poucas escaparam – Shin retrucou – nem todas como a Morgan decidiram se integrar à sociedade galáctica. Algumas se esconderam e tentaram restaurar a ordem delas, pegando crianças com acesso à Força, como eu.

 

— Haviam mais crianças além de você? – um misto choque, horror e raiva se reflete no tom de voz de Sabine.

 

— Muitas delas, eu e mais 7 ou 8, creio. Fui a única que sobreviveu. Isso porque Baylan me encontrou e me salvou, antes do ritual ser concluído – Sabine pega uma lágrima deslisando pelo rosto de Shin – ele matou as bruxas e me fez sua aprendiz. Eu devia ter 8 ou 9 anos.

 

— Explica porque você nunca gostou da Morgan. A sua reação quando encontramos as Irmãs da Noite, assim que chegamos em Peridea – Sabine volta a sorrir, um sorriso bem discreto. Shin nada diz e as duas permanecem em silêncio por um tempo, até Shin se levantar bruscamente da cama.

 

— Eu tenho que ir – ela diz isso e se encaminha para o banheiro, deixando uma triste Sabine na cama.

 

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A caminhada delas até a nave que Shin recebera foi feita em silêncio. Por um momento a antiga Padawan de Baylan Skoll cogitou perguntar a Sabine sobre o localizador, que ela tinha certeza, estava instalado na nave. Tal como surgiu, a ideia foi logo descartada. Talvez fosse melhor assim, Shin pensou, enquanto via que Ahsoka, Ezra e Hera estavam esperando pelas duas no local onde a nave se encontrava. A despedida foi breve. Ahsoka e Hera se despediram muito formalmente. O abraço de Ezra, por sua vez, foi ligeiramente constrangedor, apenas o sorriso de Sabine, ao ver a cena, deixou Shin mais à vontade. Ahsoka entrega para Shin um arquivo de holovídeo, dizendo que ela entenderá quando o colocar para rodar. A togruta, junto com Ezra e Hera, se afastam um pouco, deixando Sabine e Shin com um espaço maior para se despedirem. Os três observam discretamente o breve beijo das duas, para depois Shin entrar na nave e partir. Tudo isso enquanto conversavam entre si.

 

— Onde está a senadora Organa? – Ezra é quem faz a pergunta, embora o seu olhar esteja fixado em Sabine.

 

— Está numa reunião com as autoridades locais – é Hera quem responde, ela também com o olhar fixo em Sabine – afinal ela precisava de um motivo para ter vindo à Lothal – Hera faz um sinal silencioso para Ezra e este o compreende de imediato, indo ao encontro de Sabine. A mãe de Jace se volta para Ahsoka – o que você pode me dizer dessa ligação entre Sabine e Shin?

 

— Creio que já existia desde o primeiro encontro das duas – Ahsoka responde, ambas vendo quando Sabine e Ezra se envolvem num abraço – mas se consolidou de fato em Peridea, depois de tudo o que passaram juntas.

 

— Que história mais louca – um sorriso tenso se forma no rosto de Hera – se não fosse você me contando eu não sei se acreditaria – o olhar dela se volta para o céu, como se ainda quisesse ver a nave de Shin – tem certeza que é uma boa ideia deixá-la sozinha? Quer dizer, ela ainda tem traços de Abeloth dentro dela.

 

— Assim como em Sabine. É uma aposta arriscada, mas tem de ser feita – Hera nota algo na expressão de Ahsoka, esperando pacientemente ela falar – há algo lá fora que Shin precisa encontrar. Apenas a Força sabe o que é.

 

— Por que você acha que é a Força?– Hera pergunta – depois de tudo o que aconteceu, quem pode garantir que não é uma manipulação daquela tal Abeloth?

 

— Sem a Força não teríamos parado Abeloth em Peridea – a face de Ahsoka exibe uma expressão dura, como que afetada por difíceis lembranças – só o que nos resta é confiar nos seus caminhos, mesmo eles sendo frequentemente misteriosos.

 

PLANETA PERIDEA

UM ANO E OITO MESES ANTES DO TEMPO PRESENTE

 

As três mulheres retomaram sua cavalgada logo no começo da manhã. Mesmo a aparição horripilante de Abeloth na noite anterior não impediu que o vínculo reforçado com a Força as revigorasse, permitindo-lhes umas poucas, mas bem-vindas horas de sono. O sol do planeta já estava quase a pino quando chegaram até onde se encontravam as estátuas. Era uma visão impressionante, principalmente para as duas mulheres mais jovens. Para Ahsoka, era apenas a lembrança de um momento sombrio em sua vida. Elas pararam para comer algo e descansar, sabendo que sua jornada estava perto do fim. O acampamento foi montado aos pés da estátua do Pai. Depois de uma leve refeição, as três mulheres voltaram a se dar as mãos, procurando reforçar ainda mais a sua conexão com a Força. Elas ficaram em meditação por mais de 1 hora, até se darem por satisfeitas. Sabine foi a primeira a falar, um sorriso de grande confiança estampado em seu rosto.

 

— Durante muito tempo eu nunca achei que pudesse chegar até aqui.

 

— Conseguir se tornar Um com a Força é o verdadeiro ápice para um Jedi – responde Ahsoka, o olhar se revezando entre Shin e Sabine – muito mais do que saber usar um sabre de luz.

 

— Me… ele… eu tinha muita resistência no início, quando… meu Mestre insistia comigo com os exercícios de meditação – Shin dizia isso com dificuldade, sem fazer contato visual com as outras duas mulheres.

 

— Ele poderia ter me matado depois que eu entreguei o mapa – Sabine olha para Ahsoka com uma visível expressão de vergonha no rosto, voltando depois o seu olhar para Shin – eu não teria a menor chance numa luta contra o Baylan, ainda assim ele cumpriu a sua palavra comigo.

 

— Por mais desiludido que ele estava com a Ordem Jedi, por mais que tivesse se afastado do caminho Jedi – havia um sorriso discreto em Ahsoka enquanto falava, voltado tanto para Sabine quanto para Shin – por mais que tenha se envolvido com o lado sombrio da Força, a verdade é que Baylan Skoll nunca perdeu o caminho Jedi de vista.

 

— Eu não entendo – a voz de Shin trai sua confusão – por que ele quer libertar Abeloth? Ele não ouviu as histórias? Não sabe o quanto ela é maligna?

 

— Abeloth deve ter manipulado bem a desilusão dele com a Ordem Jedi – é Ahsoka quem responde. Ela continua revezando o seu olhar para as duas mulheres mais jovens – vocês duas devem estar preparadas, usem a ligação que está se formando entre vocês para se fortalecerem contra a influência de Abeloth – o sorriso de Ahsoka ganha um ar meio astuto, ao notar o embaraço das duas mulheres diante dela – não deve demorar para o cair da noite. Creio que é melhor continuar acampado aqui. Prosseguiremos de novo amanhã de manhã.

 

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Sabine acordou bem no meio da noite, sua primeira visão sendo o céu estrelado do planeta. Logo a sua atenção foi desviada por um som leve, que ela imediatamente identificou como sendo um choro. Ela se levantou para ver Shin de costas, um pouco afastada da fogueira que ainda crepitava. Sabine deu uma olhada para ver que Ahsoka parecia estar num sono bem profundo. Andando devagar, procurando fazer o mínimo barulho, ela se dirigiu até onde estava Shin. A jovem mandaloriana viu sua antiga inimiga sentada sobre seus próprios calcanhares, parando menos de um metro atrás dela, ainda em dúvida sobre o que fazer.

 

— Vá dormir, mandaloriana – a voz de Shin estava claramente embargada pelo choro.

 

— Você está chorando por causa do Baylan – não era uma pergunta – você está com medo de ter de enfrentá-lo – Sabine tomou um leve susto, recuando um passo, ao ver a maneira abrupta como Shin se levantou, o olhar dela cheio de fúria, embora ainda úmido das lágrimas.

 

— Não finja preocupação comigo... mandaloriana – Shin grita no início, mas acaba abaixando a voz, até esta se tornar quase um sussurro – nada do que aconteceu até agora mudou o fato de que somos inimigas, que eu quase matei você, que você tentou me matar em Seatos. Que eu ordenei matarem você e seu querido Ezra aqui em Peridea – um momento de desconfortável silêncio se fez entre as duas. Foi Sabine quem tomou a iniciativa de falar.

 

— Você tem razão, nada aconteceu que mudou isso – a firmeza na voz de Sabine deixou Shin sem ter o que dizer – mas algo precisa acontecer, não é mesmo? Alguém tem que dar o primeiro passo. Que seja eu então – Sabine dá um passo à frente, abrindo um sorriso ao ver que Shin não recuou – eu perdoo você, Shin Hati.

 

— O que... – a voz de Shin falha ao ouvir tal declaração. Ela fica imóvel, sem saber como proceder, ainda mais quando Sabine fechou a distância entre as duas para abraçá-la, de um jeito que Shin nunca fora abraçada antes em sua vida.

 

Shin Hati nunca foi ensinada a confiar. Ela aprendeu desde o início que a confiança normalmente era a véspera da traição. Seu Mestre ensinou-a sempre a manter suas emoções sob controle. Nunca negar ou reprimir sentimentos, mas jamais se deixar dominar pelos mesmos. Nesse momento, entretanto, ela sentiu seu corpo relaxar no abraço de Sabine, os braços da mandaloriana a envolvendo por completo, as mãos dela deslisando suavemente por suas costas. Mais do que tudo, era a voz de Sabine em seu ouvido. A jovem mandaloriana sussurrava num tom bem baixo para Shin, “eu te perdoo”, “eu te perdoo”, despertando nela um desejo de se deixar levar, uma primeira vez, pelos sentimentos que a envolviam.

Lágrimas voltaram deslisar pelo rosto de Shin, mas dessa vez eram lágrimas de alívio e alegria, como se um peso que não imaginava carregar ate então, fosse tirado de suas costas. Era como se uma dor, que não sabia de onde vinha, parasse de latejar. Lentamente os braços de Shin se ergueram, com as duas mulheres se unindo num abraço mútuo agora. Seus corpos estão colados, o frio do deserto anulado, pelo calor de uma envolvendo a outra. Ambas só ouviam o som do choro de Shin, os sussurros de perdão de Sabine. Elas se mexem um pouco, mas mantém o abraço, suas testas coladas agora, seus rostos bem próximos, ambas sorrindo em meio às lágrimas que derramavam.

 

— Me desculpe, me desculpe – a voz de Shin é um sussurro.

 

— Eu já te perdoei – diz uma sorridente Sabine, com o rosto banhado em lágrimas – só falta você me perdoar por tentar te matar em Seatos.

 

— Cale a boca, cale a boca – é só o que Shin consegue dizer, as duas mulheres ainda abraçadas e sorrindo, enquanto as lágrimas continuam deslisando por seus respectivos rostos. Um pouco afastada delas, uma sorridente e emocionada Ahsoka se vira de costas, dando a privacidade que as duas jovens precisavam, voltando a dormir.

 

PLANETA LOTHAL – TEMPO PRESENTE

 

A base de operações do grupo era um elevado de areia e pedras que ficava no meio do deserto, o mesmo lugar onde Shin estivera, mais de 1 ano atrás. Era um lugar perfeito para quem queria discrição. A nave possuía um dispositivo de invisibilidade que tornava tudo mais fácil. O local passou por mudanças desde a última vez que Shin estivera ali. Ela notou que dentro havia uma nova infraestrutura que não deve ter custado barato. A ex-Padawan de Baylan Skoll se perguntou quem seria o responsável por financiar tudo isso. Ver algumas pinturas nas paredes deu um ar de reconhecimento para Shin, embora ela e sua Padawan não estivessem tão à vontade no lugar como os demais. Sabine foi a primeira a notar isso.

 

— Vocês podem se acomodar à vontade – a voz dela tentando se mostrar apenas polida – imagino que estejam cansadas.

 

— Infelizmente não podemos nos dar ao luxo de descansar – é a voz de Hera que é ouvida. Ela se dirige a Shin – você disse que a reunião do Thrawn com os demais imperiais ocorrerá em breve. Tem como ser mais precisa?

— Pelos meus cálculos será em 5 ciclos, a contar pelo tempo desse planeta em que estamos – a resposta de Shin foi dirigida a todos os presentes.

 

— Onde você conseguiu essa informação? – é Ahsoka quem pergunta agora.

 

— Do jeito que vocês acreditavam que eu conseguiria, e como eu consegui as anteriores, ouvindo de gente linguaruda num bar – um sorriso presunçoso surge no rosto de Shin.

 

— Essa é uma informação quente demais para estar na boca de bêbados de bar – o ar desconfiado de Hera é bem visível em seu rosto – tem certeza de que não é uma armadilha?

 

— A reunião vai acontecer, sem dúvida – a voz de Shin é firme, mas há um ar sombrio em seu rosto – no entanto, eu entendo a sua desconfiança, general Syndulla.

 

— Você não anda lendo as notícias sobre a República, Shin? – Hera responde – já fui destituída do meu posto a um bom tempo.

 

— Você acha que é mesmo uma armadilha, Hera? – há um tom de preocupação no rosto de Sabine ao perguntar.

 

— Eu não ficaria surpresa do Thrawn já ter concluído que Shin tem nos tem passado informações nos últimos meses, ainda mais depois do nosso último encontro. Esse é um tipo de armadilha que eu esperaria daquele azulão desgraçado – Hera se dirige a Ahsoka, que concorda silenciosamente.

 

— Armadilha ou não, temos que impedir essa reunião de atingir seus objetivos – a voz de Ahsoka é bem firme – se Thrawn conseguir reunir os líderes imperiais restantes numa única força hostil será uma tragédia para toda a galáxia.

 

— Você tem razão, Ahsoka – Hera concorda, mas logo volta a sua atenção para Shin – mudando de assunto, você ainda não nos disse direito porque está solicitando refúgio.

 

— Não é para mim, é para a minha Padawan – responde Shin.

 

— Sabine nos contou que as Irmãs da Noite querem tirá-la de você e torná-la parte de sua Irmandade – Shin apena acena com a cabeça, em concordância – por tudo o que já ouvi sobre as Irmãs da Noite, eu diria que a única coisa positiva que o Papaltine fez na vida foi ordenar a destruição delas – a voz de Hera reflete bem o aspecto sombrio em seu rosto.

 

— Mostre para todos, Shin – a voz de Sabine está um pouco embargada – eu sei que é difícil para você fazer isso, mas todo mundo aqui precisa ter uma ideia muito claro do risco que Zara está correndo.

 

— Zara? – um breve tom de sarcasmo é notado na voz de Shin, mas esta retira sua roupa de cima. O choque por ver as cicatrizes só aumenta quando Shin vira de costas. Ela coloca a roupa de volta, ao ver a reação de sua Padawan.

 

— É isso que elas querem fazer comigo? – o medo na voz da menina afeta todos os presentes. Shin se abaixa para falar com sua Padawan.

 

— Isso foi só o começo do ritual. Para minha sorte o Baylan chegou a tempo e matou todas elas para me salvar – Shin recolhe uma lágrima que deslisa pelo rosto de sua Padawan – desculpe por assustá-la desse jeito… Zara – ela olha para Sabine antes de retomar a sua fala com a menina – mas você precisa entender a gravidade de tudo o que está acontecendo. Eu vi os corpos das outras crianças que passaram por todo o ritual antes de mim. Estavam quase todos cobertos por cicatrizes. Eu fui a única que sobreviveu.

 

— É tipo de cada 10 ou 15 que passam pelo ritual, só uma sobrevive – a voz de Ezra não tinha nenhum traço de sua alegria habitual.

 

— As Irmãs da Noite também não podem simplesmente raptar crianças. O ritual delas exige que aja algum tipo de consentimento por parte dos responsáveis por elas. Por isso tem de ser crianças de lares bem miseráveis, onde algo assim seja possível.

 

— E todas as crianças precisam ter acesso à Força – Ezra ainda mantém um tom angustiado em sua voz – explica porque quase não tem mais Irmãs da Noite.

 

Um silêncio opressivo toma conta do ambiente. Ninguém parece capaz de dizer nada. É quando Ahsoka se move em direção à Padawan de Shin. A antiga Padawan de Baylan Skoll leva instintivamente sua mão até o sabre em seu cinto. Seu olhar fixado na Mestra de Sabine. A tensão aumenta. Hera, Ezra e Sabine fazem menção de intervir, mas Ahsoka, com um suave gesto de mãos, os impede. Ela continua sua caminhada até chegar na menina. A antiga Padawan de Anakin Skywalker se abaixa, ficando quase no mesmo nível de altura da jovem Padawan de Shin Hati. O olhar entre as duas parece dizer muito no silêncio, com ambas acabando por abrir um sorriso, dissipando a tensão no ambiente. Ahsoka se levanta, olhando de Shin para todos os demais, antes de voltar o seu olhar para Ath’Zarah Het.

 

— Todos nós estaremos mortos, antes que as Irmãs da Noite possam fazer algo contra você, pequenina – as pessoas ali presentes dão um passo à frente, todos olhando para Shin e sua Padawan. Um juramento silencioso sendo feito. Sabine olha para Shin e sorri, sendo retribuída no gesto pela antiga inimiga.

 

LOCAL DESCONHECIDO NO ESPAÇO

NAVE QUIMERA

TEMPO PRESENTE

 

— Por favor Almirante, eu juro que não contei nada a ninguém – a pessoa estava ajoelhada diante de Thrawn, o terror visível em seu rosto. Outras três pessoas também estavam juntas, igualmente apavoradas.

 

— Negar é uma perda de tempo meu caro – a face de Thrawn era calma, junto com seu tom de voz. Ainda assim, o temor que causava no homem à sua frente era enorme – fazer com que você ouvisse a informação era parte do plano, e o temos mantido sob vigilância desde então. Os três do seu lado também receberam essa informação, mas tiveram o bom senso de guardá-la para si.

 

— Eu também não falei nada Almirante, eu juro – o desespero era total por parte daquele homem.

 

— Você ficou se gabando num bar sobre como tinha acesso a essa informação – era a voz de uma das Grandes Mães que se ouve agora. Ela, junto com as outras do seu lado, as três olhando para o homem apavorado com vivo interesse.

 

— Eu… eu… só contei para alguns amigos – sua voz é quase um sussurro agora – eles são de confiança.

 

— Seus amigos já estão mortos – a voz de Thrawn tinha um tom indiferente – foram mortes piedosamente rápidas, bem diferente da que você terá.

 

Aquele conhecido como Grande Almirante Thrawn faz uma breve sinalização às Grandes Mães. Um raio vermelho formado a partir de três orbes cria uma ligação que mantém o homem apavorado sob controle, o guiando contra a sua vontade. Ele sai gritando e implorando, mas ninguém parece ouvi-lo, além das duas Irmãs da Noite que vão junto com ele. Uma delas ainda se mantendo ao lado do Almirante Thrawn. Este se volta para as outras três pessoas ajoelhadas. O pânico delas visível em seus olhares e linguagem corporal. Há um visível desprezo nos olhos vermelhos de Thrawn, e mesmo o sorriso que ele dirige para os três homens, tem um quê de assustador.

 

— Vocês se mantiveram calados e terão suas vidas poupadas como recompensa, mas Enoch irá escoltá-los até onde as outras Grandes Mães levaram aquele infeliz. Quero que vejam o que poderia ter acontecido com vocês se tivessem falado – com um breve sinal, o Capitão da Guarda de Thrawn escolta os três homens, que saem fazendo gestos de gratidão, entre aliviados e apavorados.

 

— O senhor acha mesmo que Shin Hati levará essa informação para os nossos inimigos? – a Grande Mãe que permaneceu pergunta respeitosamente.

 

— Eu creio que sim – diz o Almirante – é a nossa melhor aposta sobre como o grupo liderado pela ex-general Syndulla tem se mantido um passo adiante de nós esses meses todos.

 

— O senhor tem certeza disso?

 

— De que outra forma o pessoal de Hera Syndulla poderia ter se antecipado aos nossos passos ao longo de todo esse tempo, minha cara? – a voz de Thrawn ganha um tom mais forte agora – nada de super espiões infiltrados, mas apenas a situação prosaica de alguém num bar suspeito; ouvindo o tagarelar bêbado de um idiota. Da última vez que uma informação sobre nossos movimentos foi vazada quase que fomos pegos. Temos que pôr um fim nesse bando de irritantes.

 

— Só lamentei ter perdido a oportunidade de pegar aquela Jedi – há um olhar cheio de ódio na Irmã da Noite, enquanto fala – quanto mais tempo ela continuar como Mestra daquela menina, mais difícil será converter aquela criança em uma de nós.

 

— Paciência minha cara – o sorriso de Thrawn foi breve – porque pegar só um quando podemos pegar todos. Nossos objetivos serão atingidos. Eu liquidarei uma fonte de grandes problemas e vocês Irmãs da Noite terão a jovem que tanto desejam, para iniciar a reconstrução de sua Irmandade.

 

— O senhor sabe que não é apenas isso que nos move, Grande Almirante Thrawn – o olhar sinistro da Grande Mãe reflete bem os seus pensamentos – nós sentimos, quando nos voltamos para aquela Jedi, nós vimos… Abeloth – o nome pronunciado permitiu a Thrawn vislumbrar algo que não via nas Irmãs da Noite, em nenhuma outra situação, um sentimento de medo – pensávamos que tínhamos nos livrado dela, mas a maldita conseguiu sair de sua prisão original.

 

— Baylan Skoll – o nome é dito no mesmo tom de sempre, mas o ódio pode ser percebido ao fundo – confesso que eu ainda acho difícil entender como se deu tudo isso.

 

— É difícil para nós também – a Grande Mãe respondeu – o fato é que Abeloth está presa na ligação na Força que existe entre Shin Hati e a outra que fede a Jedi. As duas precisam morrer, mas temos que garantir que Abeloth vá junto com elas para esquecimento.

 

— É de nosso mútuo interesse garantir isso, minha cara. Isso e destruir o que sobrou da Ordem Jedi – a voz de Thrawn mantém o seu tom habitual, mas o olhar deixa claro suas intenções – eu aprendi da pior forma possível que eles podem ser uma variável imprevisível e extremamente perigosa. Uma variável que deve ser eliminada.

 

— Não só dos Jedi, mas qualquer Sith que ainda restar também – retruca a Grande Mãe – não vamos cometer o mesmo erro de nossas irmãs de Darthomir, quando Darth Siddius praticamente as destruiu. Quando a poeira abaixar, só as Irmãs da Noite terão acesso a Força, mais ninguém.


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Notas finais do capítulo

Capítulo postado como prometido. No próximo domingo teremos o capítulo 6. Aguardem.



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