Jedis e Padawans – Diferentes Tons de Cinza escrita por MarcosFLuder


Capítulo 4
Ligadas pela Força


Notas iniciais do capítulo

Capítulo 4 postado. Eu não vi a animação The Clone Wars. O que conheço dela foi de canais de discussão no youtube, e sites sobre, Star Wars. Ainda assim, espero ter captado bem os sentimentos da Ahsoka sobre o que aconteceu. Muito do diálogo dela com as meninas sobre esse evento eu me referenciei no que vi dos flahbacks do episódio 5 de Ahsoka. Aproveitem a leitura.



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PLANETA LOTHAL – TEMPO PRESENTE

 

Sabine, Ashoka e Hera observam enquanto a nave pousa. Pouco mais de 1 minuto se passa quando a escotilha abre, permitindo a saída de todos. A figura alegre de Ezra é o primeiro a ser visto, ele sorrindo para as três mulheres assim que as vê, acenando para elas. Junto dele está Jace, que corre para a mãe assim que a vê. Sabine e Ahsoka não podendo evitar o sorriso, ao ver Hera se despindo de qualquer formalidade para se comportar como qualquer mamãe-ursa, ao abraçar o menino. A verdade é que a semelhança dele com Kanan, apenas o cabelo esverdeado lembrando a mãe, toca fundo no coração de Mestra e Padawan.

Sabine deixa de lado mãe e filho e volta a se concentrar na dupla que vem chegando adiante. O coração dela dá um pequeno salto assim que vê a figura de Shin. Ela segue caminhando ao lado de Ezra, a visão dos dois juntos indicando um bom entrosamento. Foi só depois que a pequena figura saiu de trás de Shin. Era uma menina com seus pouco mais de 10 anos. Tinha um sorriso caloroso, o olhar voltado para todos os lados, como que apreciando a nova paisagem. Havia um brilho no olhar dela, típico de pessoas tão jovens, ainda descobrindo as novidades da vida. Sabine notou que o tom de pele dela era um pouco mais escuro que o de Ashoka. O cabelo era todo trançado, mas uma dessas tranças claramente se destacava, mais curta que as outras, projetada para frente, como que anunciando a sua condição de Padawan.

O que mais encantou Sabine, no entanto, era a forma como a menina buscava emular a postura de Shin, o olhar frequentemente voltado para a mulher mais velha. Por um instante, o sorriso deixa o rosto infantil, com este agora tomado de certa apreensão, quando vê as três mulheres adiante. A mão de Shin em seu ombro tem o efeito de tranquilizar a menina, um sorriso voltando a surgir-lhe no rosto. Sabine sentiu-se tomada de um forte sentimento, ao ver a interação entre Shin e sua Padawan. Ela entendia bem o significado daquele toque suave no ombro da menina, a confiança passada da Mestra para a sua discípula. Sabine sabia o que era aquilo, pois vivera essa sensação muitas vezes com Ahsoka.

Por sua vez, a ligação que se forjou entre Sabine e Shin permitiu a jovem mandaloriana sentir todo o compromisso que sua outrora inimiga assumira, a profundidade da responsabilidade que ela impôs a si mesma, perante aquela criança. Vendo tudo aquilo, uma certeza tomou conta de Sabine. Certeza essa que se transformou num juramento silencioso, feito a si mesma, tendo apenas seus pensamentos como testemunha. Sabine se comprometeu, desde esse instante, que amará e protegerá aquela menina, como se sua fosse. Ensinará a ela tudo o que lhe for possível. Ao mesmo tempo em que essa certeza toma conta de sua consciência, um medo avassalador surge, o medo de que Shin, por qualquer razão possível, não permita que ela se aproxime de sua Padawan. Um temor reforçado por mais de um ano, desde que ambas se viram pela última vez. A lembrança disso ainda muito forte dentro dela.

 

PLANETA LOTHAL – 1 ANO E 4 MESES ANTES DO TEMPO PRESENTE

 

O silêncio naquele quarto era quebrado apenas pelos suspiros e respirações das duas mulheres juntas na cama. Ambas sentindo seus corações acelerados, suas respirações entrecortadas. Seus corpos estavam suados, ainda brilhando pela intensa fricção em que tinham se envolvido. Odor e fluidos de uma, impregnados na outra. Durante o tempo em que conviveram em Peridea, o desejo se insinuou entre elas em diversos momentos, mas havia sempre o receio da influência de Abeloth, além dos próprios medos que ambas as mulheres já tinham, antes mesmo de se conhecerem. A ideia de se perderem totalmente uma na outra, deixando cair todos os escudos emocionais que tinham, as assustava demais. Shin temia o desconhecido, o nunca vivido. Sabine, por sua vez, temia uma intimidade, que já sentia em seu íntimo, seria algo que ela nunca tinha compartilhado antes com alguém. Todos esses temores foram deixados para trás agora.

Ambas as mulheres não paravam de sorrir, por razões diferentes. Shin vibrava pela descoberta de uma emoção inédita, um prazer que pouco tempo atrás lhe parecia inacessível. Uma experiência compartilhada como nunca tivera em sua vida. Ao seu lado, havia outra mulher sorrindo, não pela experiência em si, pois já bem versada nesse tipo de contato, mas na sensação de novidade, que já lhe parecia distante. Um sentimento de verdadeira intimidade que nunca experimentara, em qualquer das relações anteriores que já teve. No entanto, à medida que a sensação de euforia diminuía, uma preocupação tomava conta dos pensamentos de Sabine, o sorriso mudando de aspecto, deixando de ser eufórico e passando ao ligeiramente melancólico.

 

— Eu nem preciso do meu poder Jedi para saber o que se passa em sua mente, Sabine Wren – uma ainda sorridente Shin diz para sua companheira de cama.

 

— O que quer dizer? – Sabine ainda sorri, agora para tentar desviar da desconfiança de Shin, que estende a mão para acariciar o rosto da mandaloriana, com esta fechando os olhos.

 

— “O que eu faço com ela agora?”, “O que eu faço com ela agora?” – Shin continua acariciando o rosto de Sabine, mas agora já sem sorrir – eu consigo ouvir esses seus pensamentos, como se você os tivesse gritando para mim.

 

— Eu nunca… nunca imaginaria que seria a sua primeira vez, Shim – Sabine abre os olhos, apenas para deixar algumas lágrimas deslisarem pelo seu rosto – tive tanto medo de tudo ser uma grande decepção para você.

 

— Olhe para mim, Sabine Wren, eu pareço decepcionada para você – o sorriso de Shin acaba contagiando Sabine, ambas as mulheres sorrindo uma para a outra, até que Sabine fecha o espaço entre ambas para um beijo suave, logo quebrado com as duas tendo seus rostos praticamente colados um no outro.

 

— E no entanto, você partirá assim mesmo – é uma Sabine emocionada quem diz.

 

— E no entanto eu terei de partir sozinha, pois você não irá abandonar o seu estúpido dever como Jedi – é uma igualmente emocionada Shin quem retruca.

 

PLANETA LOTHAL – TEMPO PRESENTE

 

Sabine não precisou passar pelo constrangimento de ser novamente despertada de suas lembranças. Isso aconteceu assim que se viu envolvida no abraço de Ezra, que ela logo retribuiu. Quase 2 anos depois do resgate inicial dele, pouco mais de 1 ano do resgate dela, ambos ainda não perderam o costume dos longos abraços, como se quisessem recuperar os horríveis 9 anos em que estiveram separados. Os olhares de todos para a dupla variavam, mas ninguém disse nada, até que ambos se separaram. Ezra fez um gesto em direção a Shin e sua Padawan, uma amigável provocação para Sabine, como que anunciando que trouxera para ela, o que a jovem mandaloriana tanto esperava. Os olhares dela e Shin se cruzaram, mas ambas as mulheres trataram de manter uma expressão neutra em seus rostos.

 

— Custava muito ter mandando algumas notícias nesse tempo todo? – a voz de Sabine procurava afetar um tom brincalhão, mas havia uma ligeira tensão no fundo.

 

— Eu mandei várias notícias sobre as movimentações do Thrawn, e sobre como as pessoas na Orla Exterior estavam vendo a República – Shin procurou manter o tom neutro de voz – elas não foram úteis?

 

— Foram bastante úteis – é Hera quem responde, o braço ainda em volta de Jace – mas eu creio que Sabine esperava algo mais pessoal da sua parte – ela olha de forma curiosa para a menina ao lado de Shin – como o fato de você ter arranjado uma Padawan, por exemplo.

 

— Você que é a Sabine? – todos olham para a voz ainda infantil da menina ao lado de Shin. É uma sorridente Sabine quem se abaixa, para ficar quase na altura da jovem Padawan.

 

— Sim pequenina, sou eu mesma – ela olha brevemente para Shin antes de continuar – Shin me disse que seu nome é Ath’Zarah Het. Sua Mestra já falou de mim para você?

 

— Humpf! Ela fala de você o tempo todo – há um quê de enfado no tom de voz da menina ao dizer isso, mas o sorriso no seu rosto desmente essa impressão. Se Sabine ainda tinha alguma dúvida, esta se desfez por completo. Ela já amava essa menina como se sua fosse. Um grunhido leve de Shin faz com que a jovem Padawan parasse de sorrir, se colocando um passo atrás de sua Mestra, os braços voltados para trás, a cabeça levemente inclinada para baixo. No entanto, a expressão no rosto dela ainda era muito divertida.

 

— Creio que devemos ir para um lugar onde possamos conversar em segurança – a voz de Shin tem um tom de ligeira preocupação, com ela também fazendo uma clara verificação de perímetro com os olhos – os informes que tenho sobre o Thrawn são muito urgentes.

 

— Tem um lugar perfeito para isso, talvez você ainda se lembre dele – se a voz de Ahsoka causa algum efeito em Shin, esta soube disfarçar muito bem – vamos ter de voltar para a nave que trouxe vocês. Chegaremos lá em 1 hora.

 

PLANETA PERIDEA

UM ANO E OITO MESES ANTES DO TEMPO PRESENTE

 

Foram horas de cavalgada silenciosa. Tendo começado de manhã, as três mulheres seguiam por uma determinada direção. Todas sabem de antemão que estão sendo guiadas pelo mesmo mal que querem impedir de ser libertado. Elas conseguem sentir em seus ossos, em seus órgãos internos. É uma sensação de desconforto que vem de dentro, como uma bílis subindo pela garganta, mas parando no meio do caminho. Nada do alívio do vômito, tudo mantido dentro delas, como um mal-estar que não passava. Todas buscavam na Força um meio de superar o mal-estar, mas só o que conseguiam era mitigá-lo. Por ser menos sensível à Força que as outras duas, Sabine era quem mais sofria com a sensação. Ela tentava estoicamente resistir ao desejo de parar, mas o seu estado era visível, tanto para Shin quanto para Ahsoka. Shin foi a primeira a falar.

 

— Temos que parar ou ela vai desmaiar e cair da montaria – a antiga Padawan de Baylan Skoll se dirigiu à Ahsoka.

 

— Eu estou bem – Sabine tentava demonstrar isso, mas sua voz já mostrava o engodo de sua afirmação.

 

— Já está quase anoitecendo mesmo, e o local parece bem propício – é uma Ahsoka com uma expressão desgastada quem diz – vamos montar acampamento aqui e partiremos de novo pela manhã.

 

As três mulheres desmontam próximas a uma grande rocha. Há nela uma saliência que funciona quase como um abrigo. O frio do deserto começando a se insinuar, à medida que o sol do planeta vai se pondo. Os Bugios se amontoam próximos, fornecendo um calor adicional para suas montadoras. Ahsoka trouxe do acampamento dos Noti um material para fazer fogueira e logo as três tinham chamas fornecendo um calor mais do que bem-vindo. Sabine ainda se sentia com uma sensação de mal-estar persistente, enquanto Shin e Ahsoka estavam um pouco melhor. A mandaloriana não podia evitar a sua forma de lidar com situações assim, sempre através do humor provocativo.

 

— Vamos lá, vamos lá Sith gostosa, pode dizer que eu sou uma fraca desculpa de Jedi – um sorriso de aspecto cansado no rosto de Sabine tornava a provocação divertida para Shin – diga que é por causa disso que estou tão mal.

 

— Você precisa aumentar a sua conexão com a Força para se defender melhor desse ataque de Abeloth – Shin tentava evitar um ligeiro sorriso em seus lábios – e eu não sou uma Sith, nunca fui, nem quando era inimiga de vocês duas.

 

— Tem razão, Shin – a voz de Ahsoka parecia recuperar o aspecto de tranquilidade de antes – você é a Padawan de um cavaleiro Jedi caído, desiludido com os muitos erros da Ordem Jedi. Ele te conduziu muito próxima do lado sombrio da Força – Ahsoka estende sua mão e toca de maneira breve e suave na trança padawan de Shin – ainda assim, ele nunca perdeu o caminho Jedi de vista, mesmo tendo se desviado para bem longe dele.

 

— Está querendo dizer que eu sou uma Boken Jedi? – Shin vê um sorriso surgir no rosto de Ahsoka – você conhece esse termo – era uma afirmação, não uma pergunta.

 

— É claro que conheço – Ahsoka responde – e sim, esse me parece um termo muito bom, na falta de outro melhor.

 

— O que é um Boken Jedi? – Sabine deixou de lado o seu mal-estar, a curiosidade levando a melhor sobre o seu estado.

 

— É como pode ser chamado um Jedi criado fora do templo – Ahsoka aponta para as duas jovens – como vocês duas e o Ezra. Mas eu creio que é mais do que isso também.

 

— O que quer dizer? – Shin se inclina para Ahsoka, um interesse vívido em seu olhar.

 

— A antiga Ordem Jedi ensinava o desapego total, a evitar qualquer tipo de emoção – a face de Ahsoka ganha um tom meio grave enquanto ela fala – o problema é que com o tempo isso fez com que a Ordem se isolasse das outras pessoas, passamos a olhar para elas com um ar de superioridade. No final das contas isso contribuiu muito para a nossa ruína.

 

— Você parece o meu antigo Mestre falando – Shin ouviu um som de desprezo vindo de Sabine, mas a face de Ahsoka não demonstrou o mesmo sentimento.

 

— Eu partilho de muito da decepção que Baylan Skoll teve com a Ordem Jedi – Ahsoka diz – hoje eu sei que essa dualidade absoluta que pregavam era um erro. Depois da Ordem 66, quando tive que me esconder, e mais tarde ainda, quando atuei como uma agente Fulcron na Aliança Rebelde, eu vi que não era possível ficar do lado da luz todo o tempo. Às vezes era necessário me aproximar do lado sombrio, seu eu quisesse fazer bem o meu trabalho de lutar contra o Império.

 

— Sua época como agente Fulcron deve ter sido incrível. Eu ainda me lembro quando te vi pela primeira vez – havia um entusiasmo na voz de Sabine que Ahsoka achou tocante em sua ingenuidade, mas Shin podia ver através disso.

 

— Você não deve ter achado aquela época tão incrível, não é mesmo? – a expectativa pela resposta não estava apenas em Shin, com Sabine se aproximando, como se não quisesse perder uma única palavra de sua Mestra.

 

— Foi quando eu me dei conta de vez que não havia apenas luz e trevas, mas que também havia um lado cinza onde transitar – as duas jovens olhavam para Ahsoka quase que hipnotizadas – muitas vezes lutando para me manter sempre do lado da luz, mas frequentemente tendo que “flertar” com o lado das sombras. Em horas assim eu não me permitia deixar de ficar um único segundo atenta, para não cair de vez nas trevas.

 

— Como… como você conseguia? – era uma impressionada Sabine quem perguntou.

 

— Mantendo minhas emoções sob controle – a resposta de Ahsoka vinha com um sorriso melancólico – nunca negando que elas eram parte de mim, nunca reprimindo-as, como a Ordem Jedi recomendava, mas também nunca permitindo que elas assumissem o controle sobre as minhas decisões.

 

— Meu antigo Mestre sempre dizia algo bem parecido para mim – a voz de Shin é quase um sussurro.

 

— Pessoas como Baylan e eu, que sobreviveram a Ordem 66, todos tivemos que pagar um preço por isso. Cada um lidou com o trauma à sua maneira – Ahsoka fecha os olhos por um segundo, um breve silêncio se instala entre as três mulheres – todos tivemos que caminhar por uma área cinza, alguns mais perto das sombras, outros mais perto da luz, mas nunca mais foi possível seguir a dualidade estrita que a Ordem Jedi sempre pregou. Para alguns de nós, eu creio que isso começou antes mesmo da queda da Ordem Jedi, nas guerras clônicas – o olhar de Ahsoka ganha um aspecto sombrio e angustiado, como se assombrado por duras lembranças.

 

— Meu Mestre nunca gostou de falar sobre o que ele viveu nas guerras clônicas – disse uma pensativa Shin – sempre que eu perguntava ele dizia que nada importante havia para ser dito, mas eu via a angustia no rosto dele, sempre que dizia isso.

 

— Tudo o que vivemos naquela guerra – Ahsoka diz – não imagino algum Jedi lembrando daquela época com orgulho. Todas aquelas mortes…

 

— Quantas pessoas você matou nas guerras clônicas?

 

— Shin! – é uma Sabine indignada quem diz.

 

— É uma curiosidade que tenho – Shin responde para Sabine – meu Mestre nunca me respondeu.

 

— Tinham sido 16 pessoas... – Ahsoka começou a dizer.

 

— Você matou 16 pessoas…? – Sabine não resiste em perguntar, se arrependendo assim que vê o olhar angustiado de sua Mestra, seus olhos lacrimejantes.

 

— Não Sabine, tinham sido 16 pessoas quando eu parei de contar – Ahsoka reponde com a voz embargada – ter nos enviado para aquele conflito foi o pior erro do Conselho Jedi. Hoje em dia eu não tenho a menor dúvida que foi a partir dali que a Ordem Jedi começou a cair.

 

— Essa era uma das poucas coisas que o meu Mestre dizia sobre as Guerras Clônicas – é uma Shin muito emotiva quem diz. Um silêncio cheio de embaraço se segue, até que Sabine decide quebrar a tensão.

 

— A noite caiu rápido enquanto conversávamos – Sabine tenta cortar a tensão presente no ar, olhando para o céu agora estrelado – não sei vocês duas, mas eu estou muito cansada.

 

— Tem um pouco de Abeloth no seu cansaço, Sabine – é Ahsoka quem diz, buscando se recompor – mesmo ainda contida ela já está poderosa o suficiente para nos afetar com o seu poder.

 

— O que faremos então? – é Shin quem pergunta. Ela vê Ahsoka entender as mãos em direção a ela e Sabine.

 

— Juntas podemos combater essa influência – a veterana Jedi diz – vamos nos unir com a Força. Ela irá nos fortalecer contra Abeloth.

 

O coração de Ahsoka sente-se aquecido quando as duas jovens diante dela, embora um tanto hesitantes, se dão as mãos, depois entendendo suas mãos livres para ela. Um sorriso, entre o astuto e o feliz, surge no rosto da togruta, notando o laço cada vez mais forte unindo as duas jovens, ela se perguntando o quanto ambas já notaram isso. As três mulheres permanecem um bom tempo em meditação. Ahsoka consegue sentir uma Sabine cada vez mais empenhada em superar suas dificuldades de se conectar com a Força. A togruta percebe a influência de Abeloth aos poucos sendo vencida. Ao mesmo tempo ela se pergunta como esse laço que percebe se formar entre as duas jovens poderá ser útil, na hora do confronto definitivo. Em sua mente, Ahsoka sabe que enfrentarão um desafio enorme, uma provação que ela já enfrentou antes, embora saiba que a escala dessa vez será muito maior. Seu maior medo é se as jovens diante dela serão capazes de lidar com isso.

Sabine sente um grande relaxamento em sua tentativa de se conectar com a Força. O que antes era um desafio, normalmente seguido de uma grande frustração, agora se torna uma fonte de alívio, com ela sentindo cada vez mais o seu persistente mal-estar se desvanecendo em seu corpo. A mandaloriana sente cada vez mais o fortalecimento da sua ligação com sua Mestra. A confiança nos seus ensinamentos cada vez mais se infiltrando em sua mente. Ela sente a preocupação de Ahsoka, muito mais voltada para ela e Shin, do que para si própria, seu coração aquecido por essa constatação. A outra ligação, que sente se formando entre ele e Shin, por sua vez, ainda gera nela um certo temor, não exatamente de traição, por parte do jedi sombrio. O que ela teme são os sentimentos envolvidos nessa ligação. Sabine nunca foi muito boa em lidar com isso, mesmo em suas muitas ligações passageiras, ainda mais agora, que sente algo mais profundo se formando entre ela e a antiga Padawan de Baylan Skoll.

Shin Hati sente medo, muito medo. Não do desafio que irá enfrentar lá na frente. Ela está acostumada com o perigo de morte, já esteve de frente com essa possibilidade mais vezes do que pode contar, desde a sua infância. O que ela teme mesmo são os sentimentos que surgem, toda vez que toca em Sabine Wren, como está fazendo agora, suas mãos unidas, o contato de suas peles enviando a ela sensações nunca vividas antes. Ela também tem medo da ligação que está começando a construir com Ahsoka Tano. É um medo por razões diferentes. Medo de confiar e ser deixada de lado, como Baylan fez. Mesmo o que Ahsoka disse, sobre ele estar protegendo-a com esse afastamento, não foi capaz de eliminar a mágoa que sentiu, ao ser deixada sozinha, depois de tanto tempo, tanta confiança depositada.

As três mulheres seguem firmes em sua meditação, a união conjunta na Força pode ser sentida por todas elas. Todas se sentem fortalecidas, apesar de suas dúvidas e medos pessoais. Ao mesmo tempo elas sentem algo vindo, a malignidade podendo ser notada na forma como essa presença se torna cada vez mais opressiva para cada uma delas. Uma explosão vinda da fogueira que as aquecia retira todas as três de seu estado meditativo, além de assustar os bugios. As três mulheres observam com horror quando a fogueira assume a forma de um rosto de aspecto indefinido. O que é possível notar são as horrendas fileiras de dentes pontiagudos, indo de um lado a outro da face. Uma voz que soa horripilante nos ouvidos delas ressoa no ar.

 

“Mulheres tolas, todas vocês” – a voz corta o ar como um buraco negro, absorvendo todo o som em volta – “acham que vão me deter, mas serão apenas a chave da minha libertação. Uma de vocês será o meu receptáculo, como sempre foi o seu destino. A outra será a primeira serva das minhas vontades. Já você, Ahsoka Tano, que carrega em si o último vestígio vivo dos deuses de Mortis, será a chave da minha libertação, assim que estiver morta”.


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Notas finais do capítulo

Espero que quem leu tenha gostado do capítulo. No próximo domingo tem o capítulo 5. Aguardem.



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