Legado de Sangue escrita por Nathy Negrelli


Capítulo 6
Capítulo 6


Notas iniciais do capítulo

Em homenagem a querida leitora do Nyah! Esse capitulo é todo seu.



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“Acontece que estou seco

Meu sangue pingou a última gota

meu coração não tem mais o que bombear

Minha alma fez as malas”

— Vampiro

 

A garota sentia cada membro do seu pequeno corpo tremer entre os largos lençóis cor vinho, um misto de medo e exaustão assombrava o corpo da menina. Ela estava com um mal pressentimento. Levantou seu tronco, encostando na cabeceira da cama, tendo visão do corpo quase putrefato de um dos guardas reais, carrascos dos vampiros. 

O medo se instaurou em seu corpo, o som abafado de sua voz, saiu como um sussurro, um simples pedido de socorro. A tortura psicológica que aquele corpo demasiadamente “morto” fazia no seu  cérebro era quase castigo divino.

“Não chore.” Uma voz sussurrava em meu ouvido!

Pânico, medo, angústia. O maior mix de sentimentos já sentidos nesse mundo; O tremor voltou a fazer morada no corpo frágil e delicado, as mãos agarrando os lençóis, sangue jorrava pelo crânio esmagado do guarda, e a garota olhava aquilo prestes a vomitar.

“Você precisa acordar.”  A mesma voz sussurrava.

O despertar da garota foi coberto por um choro sôfrego e apavorante. A escuridão do quarto apavorava ainda mais a garota assustada entre os lençóis. Os olhos brancos entre a escuridão fizeram a garota dar um pulo e se agarrar a cabeceira da enorme cama de casal.

— Calma! - Exclamou. - Sou eu, Hinata.

— Você me assustou! - Falou aliviada.

— Peço desculpas, tive a sensação que você precisava de mim, então vim correndo. - Falou temerosa. 

O olhar da menina percorria toda a extensão do quarto, tentando avistar uma mísera fagulha que comprovaria que aquilo não foi só um sonho. Hinata, docemente, acompanhava o olhar da garota, tentando entender o que se passava e por que o sonho foi tão perturbador ao ponto de alertar o dom da sensibilidade que ela tinha. 

— Me conte, com o que estava sonhando. - Falou.

Temerosa e com a fala arrastada, mas mesmo assim querendo compartilhar um pouco do pavor que ela sentiu, Sakura sentou-se na cama, se apoiando confortavelmente no travesseiro e voltou o olhar para a jovem morena na sua frente. 

— Eu…sonhei com um dos guardas. - Ponderou.- Ele estava morto aqui no quarto, e… - Aquelas palavras não queriam sair. -  Eu senti alguém me observar. 

— Você está assustada, isso pode ser seu subconsciente. - Falou gentilmente. - Eu sei que deve ser horrível para você ter que se submeter ao lorde. Ele pode ser um homem difícil.

— Como você veio parar aqui Hinata? - Perguntava curiosa.

— Eu me apaixonei. - Um rubor tomou conta de sua pele tão palita como a dos moradores da mansão. - Me apaixonei por um cara idiota, que também é apaixonado por mim. 

— Ele também é um monstro Hinata. - Questionei horrorizada.

— Ele não é perfeito, Sakura. - A fala dela se tornava severa. - Mas eu o amo e ele me ama.

— Mas Hinata. - Ponderei olhando para seus olhos, opacos. - Como?

— Eu não posso enfiar uma adaga no peito do meu esposo toda vez que ele quiser se alimentar. - O pesar passava pelos seus olhos como se fosse uma leve brisa gélida. - Seria injusto da minha parte. Seria hipocrisia!

As palavras dela me acertaram em cheio. Ela lutava todos os dias para não julgar o próprio marido e se julgar também. A luta interna que a garota de cabelos azulados passava era algo quase palpável. E eu… Eu não tinha o direito de julgar!

— Como que funciona seu casamento, Hinata. - Tentei transmitir curiosidade, o que eu realmente estava.

— Eu fui marcada pelo Naruto. - Ela enxugava uma pequena lágrima solitária que se formava no canto do seu olho direito. - Nos conhecemos e nos apaixonamos, eu sempre soube o que ele era. Minha família tem poderes, Sakura. Eu não sou uma completa inútil. 

Eu nunca achei que ela fosse uma inútil, pelo contrário, ela sempre foi o ser de luz que me deu esperanças no meio disso tudo.

— Quando vampiros do nível deles, nível demônios, encontram suas prometidas, eles fazem um pacto. Marcam elas com o sangue dos demônios e elas viram sua propriedade. - “Absurdo” era isso que minha mente gritava. -  Somos doadoras deles, suas únicas doadoras.

— Não entendi o que você quis dizer, Hinata. - Falei

— Eles não conseguem ingerir outro sangue sem ser o nosso. - Fala. - O sangue das marcadas são como drogas, que deixam eles viciados, com isso, eles só querem o nosso sangue.  - Balancei a cabeça em sinal de entendimento. Aquilo era um mundo totalmente novo, e eu fui jogada de cabeça dentro daquele universo perturbador de demônios. 

Ela aos poucos foi parando de falar,  depois de gastar todo seu vocabulário explicando sobre o amor dos dois, da  forma de devoção que ele a tratava e de como ele tenta, ao máximo, controlar o instinto selvagem dentro dele. Era até um amor bonito, tirando toda a parte de pacto, demônios,  sangue, pessoas morrendo e tals. Um amor verdadeiramente bonito. 

— Meu marido saiu com o lorde Uchiha, eles foram cobrar dividas.  - Falou um pouco tensa.

— Você está preocupada? - Eles são demônios, ora Deus. Quem em sã consciência vai tentar atacar demônios? 

— Dividida entre vampiros são coisas perigosas. - “Touche” Uma luz acendeu na minha cabeça, eles iriam cobrar de monstros. 

— Se você quiser, pode dormir comigo até seu marido voltar. - Falei. 

— Muito obrigada, Sakura. - Agradeceu me abraçando apertado. 

Deitamos uma ao lado da outra na cama, nos aconchegando entre o amontoado de travesseiros. Por um breve momento deixei meus pensamentos relaxarem enquanto pensava em minha avó, será que ela estaria bem? Aquele inverno estava sendo ruim entre os moradores da cidade. Eu precisava fazer algo para mudar isso, eu precisava ajudar meu povo.

Olhei para o lado, Hinata estava com os olhos fechados, seu peito subia e descia devagar, ela estava dormindo tranquilamente na cama. Não sei quantos minutos se passaram, até eu começar a pegar no sono outra vez. O medo do pesadelo anterior ainda estava manchando minhas vistas, mas eu tentava fechar com cuidado, tentava orar para ser protegida. 

Não sei como foi que aconteceu, pareceu muito rápido, um barulho ensurdecedor de gritos tomou conta do quarto me acordando. Olhei para a porta, dois carrascos entravam chamando por “doadores”.


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