Legado de Sangue escrita por Nathy Negrelli


Capítulo 5
Capítulo 5


Notas iniciais do capítulo

Sextouuu com capitulo novo!!!



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“Não existe desespero tão absoluto quanto aquele que surge nos 

primeiros momentos de nosso primeiro grande sofrimento, 

quando não conhecemos ainda o que é ter sofrido e ser curado, 

ter se desesperado e recuperado a esperança.”

— George Eliot

 

O corredor era, na mesma intensidade, lindo e aterrorizante. Os castiçais de um ouro puro, transmitiam um ar arrogante e ao mesmo tempo único à mansão. As paredes, em um tom de bege envelhecido, lembravam as paredes do quarto de sua avó, o que trazia uma similaridade e talvez um conforto ao achar algo familiar nesse novo mundo. 

Mais lágrimas rolaram pelo rosto já manchado da garota, ao lembrar do quarto de sua adorável avó. As mãos pegajosas da cobra rastejante em formato de homem, apertavam seus pulsos como se fossem algemas presas a um animal. A garota, que mostrava sinais evidentes de medo e desespero, foi jogada em frente a uma das portas no final daquele longo corredor. 

O susto ao bater de frente com a porta, fazendo um pequeno arranhão quase invisível aparecer perto de seus olhos, fez o corpo pequeno da garota se contorcer de ódio por aquele ser repugnante. 

O olhar que Orochimaru lançava para a rosada era severo e curioso, mesmo tendo desprezo pela raça humana, ele não poderia negar que o sangue da garota lhe era tentador demais, o cheiro inebriante do corte feito pela adaga do lorde ainda estava fresco em sua mão, e a pequena gota se formando perto da sobrancelha fazia ele salivar de desejo pelo sangue dela. 

“Monstro” ela pensava!

— Entre, a senhora Tsunade vai dar um jeito nessa imundice que você está vestindo.  - Falou virando as costas, voltando por todo o trajeto que fez ao arrastar a pobre garota até ali. 

O bolo que se formava em sua garganta estrangulava seu corpo por dentro e a fazia ter vertigem. As pernas trêmulas deram seus primeiros passos para dentro do quarto iluminado pela enorme porta de vidro. O olhar curioso coberto por lágrimas, varriam toda a extensão do cômodo. O quarto era maior que sua própria casa, daria para hospedar duas ou três famílias completas dentro daquele único cômodo. A enorme porta de vidro dava para uma pequena varanda, foi o que mais deixou a rosada curiosa.

— Eu conseguiria fugir? - Quase como um sussurro, aquelas palavras saíram da boca da garota enquanto ela se aproximava cambaleando para perto da varanda.

— Nem pense nisso. - Uma voz suave mais ao mesmo tempo imponente falou, deixando a Haruno mais assustada que antes. - O lorde te mataria se tentasse fugir.

A vertigem ao rodopiar nos próprios calcanhares invadiu a garota ao notar a figura angelical de uma mulher de olhos tão brancos como as nuvens, olhando-a docemente.

— Eu vi Orochimaru te trazendo, e assim que ele saiu eu vim correndo atrás de você. - A garota se aproximava como se estivesse flutuando, a delicadeza da moça de cabelos azuis era digna de uma fada. - Prazer, me chamo Hinata!

O abraço que recebi daquele ser angelical fez o pequeno misto de carência, com medo tomar conta do meu corpo. A tristeza por não saber o que fazer e como sobreviver no meio daqueles monstros percorreu por toda espinha. 

Monstros, era o que eles eram!

— Tudo bem, chore menina! - Anui, me alinhando mais naquele abraço confortável e gentil. 

Assim passaram-se longos minutos, talvez tenham chegado a horas, e o abraço da mulher de olhos brancos em nenhum momento se tornou desconfortável, muito pelo contrário, a cada minuto que se passava, mais acolhedor aqueles braços se tornavam, mais familiaridade a alma dela transmitia. Mesmo sua pele sendo fria, o calor que sua alma emanava era algo sem explicação.

Nem mesmo percebi quando ela abaixou para sentar-se na cama e afagar meus longos cabelos. Nossa altura era quase parecida, tínhamos uma diferença mínima de tamanho, que parecia mil vezes maior naquela situação que eu me encontrava. Total desespero! Eu parecia um cachorrinho assustado no meio de uma floresta de lobos.

— Hinata… - O bolo que se formou em minha garganta devido a quantidade de lágrimas que incessantemente saiam, fez seu nome sair quase com um sussurro. 

— Sim. - A morena mostrava interesse na fala da menina. - Desculpa minha educação, eu nem perguntei seu nome. 

— Sa…kura, meu nome é Sakura! - A voz ainda anasalada pelo tanto que ela chorou fazia presença na voz. 

— Sei o que está sentindo, mas eu vou te ajudar a se adaptar a rotina da mansão e do Lorde. - Como um ser tão puro estaria na mansão de monstros? foi o que ela pensou

Três batidas na porta tiraram Sakura do modo relaxado e voltaram a por ela em modo de defesa, quase como uma muralha impenetrável. Uma mulher de longos cabelos loiros entrou com uma cesta cheia cheia de ervas e sais. Sua pele era alva e brilhante, não como o rosto pálido dos poucos moradores da mansão que ela presenciou, diferente do rosto gélido de Hinata, seu rosto era rubro e bem cuidado. 

Ervas... Foi o que pensou! 

— Me chamo, Tsunade! - A loira comentou ao depositar a grande cesta na cama de lençóis brancos como a neve que estava espalhada por toda a capa da garota, neve que derretia e tornava aquelas roupas, quase insuportáveis de se usar de tão geladas. - Vamos minha filha, vou te dar um banho quentinho antes que você morra congelada com essas roupas molhadas.

O olhar de Tsunade era firme, mas transmitia calor iguais aos de Hinata. Hinata por sua vez, se despediu da garota que parecia um cachorrinho assustado com um beijo em sua testa e deixou ela aos cuidados de Tsunade, mas antes sussurrou palavras de carinho e um “Você está em boas mãos” para a garota.

A confiança era um ato de fé, e fé era o que aquela mulher com poucas palavras fez a rosada ter. Fé que tudo ficaria bem, era o que a pobre garota achava!
Mas nada ficaria bem, nada.

Me despi da capa encharcada de neve derretida, tirei as botas feitas de couro marrom que vovó Chiyo fez a algumas semanas, quando ela própria me avisou da chegada do inverno. Era indiscutível o poder e conhecimento que ela tinha com a natureza. 

Tirei o vestido simples que usava por baixo da capa, e umas peças íntimas que chegavam a ser mais simples que o vestido.  Me direcionei para a banheira que estava localizada no canto oposto a janela do quarto. Quase não pegando iluminação de inverno naquele local. A água estava quente o suficiente para fazer todos os músculos do meu corpo relaxarem ao contato. 

Tsunade derramou um líquido roxo na água, que pelo cheiro posso falar com todas as letras que era lavanda. Com os olhos fechados de profundo relaxamento, senti suas grandes unhas lavarem meu couro cabeludo, depositando mais essência de lavanda por todo o meu corpo e cabelo.

— Por que estou tão relaxada? - A frase saiu em um sussurro. 

— Esse é meu dom, eu influencio o corpo das pessoas com minhas ervas. - Um arrepio percorreu toda minha espinha, afastei as mãos daquela mulher com um único tapa, e me direcionei quase escorregando para o outro lado da banheira. Ela estava me dopando?

— Você está me drogando? - Um rosno de ódio misturado com decepção saiu de minha garganta.

— Eu não vou te fazer mal. - Ela falava voltando a depositar mais lavanda entre os dedos. O cheiro era altamente inebriante, minhas narinas se abrem para sentir aquele frescor, e meu corpo se relaxava cada vez mais.

— Pare com isso. - O grito saiu em uníssono com o ranger dos vitrais da janela, fazendo a mulher  tomar um susto e sorrir como se lembrasse de algo. 

— Calma, menina! - Ela falou com um olhar tranquilizador. - Eu não estou usando nenhum feitiço em você, você apenas está relaxando conforme o aroma se espalha pelo seu corpo, isso é ciência e não magia!

— Como eu posso acreditar em você? - A relutância em confiar nos seres daquela casa voltou com toda força. 

— Você não pode, mas deve. - Acho que um pequeno ponto de interrogação estava estampado na minha face, pois depois de quase dois minutos ela começou a explicar. - Você vai precisar de uma amiga aqui na mansão, sei que a Hinata vai cuidar muito bem de você, mas…

Uma pausa quase dramática pousou sobre nós, aquilo me deixou desconfortável. 

— Mas? - A curiosidade com toda certeza era seu pior defeito. 

— Mas o Lorde pode ser cruel, até mesmo com a doce Hinata! 

— Ele não seria cruel com você? - Ela pareceu pensar em minhas palavras, fitava as grandes unhas pintadas de uma cor exótica. 

— Ele não faria isso.  - Ela parou por um momento. - Acho que ele não faria…Eu nem reconheço mais aquela criança doce que ele era. 

Senti uma verdade em sua voz, uma confiança, da mesma forma que senti com Hinata! Me aproximei mais de seu corpo pegando um pouco flores secas de cerejeira que estavam em um dos potes e jogando na água, vendo a mesma tomar uma bela coloração, eu conhecia muito bem aquelas flores, minha avó me deu esse nome em homenagem aquela singela flor.

— Vejo que conhece sobre ervas. - Ela falava enquanto enchia com a água quente da banheira um dos potes brancos que estavam dentro da cesta e jogava pelos meus cabelos, lavando e tirando toda a neve e uns pequenos galhos. 

Eu estava imunda!

Dois potes foram colocados perto da banheira, um deles ela passou nos meus cabelos, fazendo uma leve espuma branca, aquilo tinha cheiro de rosas, e o outro parecia uma pasta grossa com pedrinhas, o cheiro era inebriante, também de cerejeira. Ela me ajudou a passar toda aquela pasta esfoliante pelo corpo e depois me retirou da água, me enxugando e fazendo eu colocar uma espécie de roupa íntima diferente, aquilo era transparente e… Indecente!

— Vai por mim, isso vai deixar sua autoestima melhor. - Não entendi sobre o que ela estava falando, então dei de ombros.  

Terminei de vestir aquelas peças transparentes e coloquei um dos vestidos que ela pegou no baú. Sim, aquele quarto possuía um baú cheio de belos vestidos. 

— A mais bela das flores!

Aquele sim era um dos melhores elogios que recebi em toda minha vida, não aguentei o sorriso que estampou todo o meu rosto, um sorriso genuíno. - Obrigada. - Sentia meu rosto esquentar e  tomar um rubor desde o nariz até a  orelha. 

Alguns minutos se passaram enquanto ela ajeitava algo em “meu quarto”, aquele cômodo ainda era estranho, aceitar que aquele lugar seria meu novo quarto, minha nova casa… Meu novo tudo!

— O  que exatamente um doador faz? - Aquele pergunta era um tanto repulsiva. 

— Exatamente o que a própria palavra diz, ele doa. - Ela soltou uma risadinha como se aquilo fosse uma piada normal entre amigas. - Bom, você terá que doar seu sangue para o lorde se alimentar. - Ela completou.

— Ele vai me morder? Tirar todo sangue do meu corpo até eu morrer? - O desespero voltou a tomar conta do meu corpo, nem o aroma de lavanda e flor de cerejeira que estava impregnando o ambiente estava resolvendo.

— Não, minha pequena. - Ela soltou um leve sorriso e afagou minha cabeça. - Ele não vai tirar todo seu sangue até você…morrer!

Eu estava começando a odiar essas pausas que ela dava entre frases. Ela parecia querer esconder alguma coisa, e eu iria descobrir!

— Eu me sinto um objeto, me sinto uma mercadoria. - Falei meio chorosa. - Jogada como comida na toca dos lobos! 

— Eu te entendo, entendo sua tristeza e revolta, mas por favor, não desafie o lorde, ele pode ser cruel, muito cruel.  

— Mais cruel que me tirar da minha vila? Da minha família?

Ela pareceu perceber toda minha indignação e refletiu um pouco sobre minhas palavras. Talvez ela tenha passado pela mesma coisa, talvez todas tenham passado pela mesma coisa! Aquele lorde, aquela família, aqueles monstros. Todos… Todos eram monstros, e eu… Não teria nenhuma sorte dentro daquele covil de demônios.


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