Legado de Sangue escrita por Nathy Negrelli


Capítulo 7
Capítulo 7


Notas iniciais do capítulo

Como está sendo a experiência de ler essa fic até o momento??



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“Um uivo, um grito, metade de horror, metade de triunfo, 

como somente poderia ter saído do inferno, 

da garganta dos condenados, em sua agonia, 

e dos demônios exultantes com sua condenação”

— Edgar Allan Poe



A enorme porta vermelha, no final do corredor, com acabamento de madeira escura e uma placa entalhada, o mesmo símbolo presente na árvore mágica, parecia se mover de acordo com minha respiração. A cada sopro do meu corpo, a cada passo que eu dava em direção aquela enorme porta, fazia meu subconsciente gritar.

Não…

Não entre…

Era um caminho sem volta!

Empurrei a enorme madeira esperando depositar mais força do que eu realmente usei, o ranger das dobradiças indicavam que faltava cuidados aos aposentos do lorde. O ar frio que corria pela janela entreaberta e o assoalho me dava calafrios. 

O quarto era totalmente diferente do meu, suas paredes eram de um preto fosco, móveis altamente alinhados, a luz faltava no cômodo e o carpete, vermelho, parecia que tinha sido pintado pelo sangue de centenas de pessoas. 

Outro calafrio!

A figura negra pousada sobre a enorme cama de casal, tornava o quarto mais obscuro, apenas um fino lençol de seda cobria sua cintura, deixando todo o tronco exposto. Ele estava ferido?

Me aproximei ficando ao lado da enorme cama constatando a verdade, ele realmente estava ferido. Os três cortes no peito passavam das primeiras camadas da pele, não conseguia identificar se aquilo fora feito por um cachorro bem grande ou um urso.

— Lobisomem. - Falou em um fio de voz me olhando, como se eu fosse uma tapada por pensar que um simples cachorrinho faria aquilo. 

— Ooh. - Aquilo estava horrível. 

Trinquei os dentes, fazendo um barulho arrastado com a mandíbula, meu subconsciente se revirava dentro de mim, bagunçando meus pensamentos. Eu trataria ou não um monstro? Era uma pergunta de milhões. E eu precisava dessa resposta, urgentemente. 

Vasculhei com o olhar à minha volta, tinha uma caixa com curativos e ervas, acho que alguns criados tentaram tratar dos teus ferimentos. Então porquê não melhorou? Olhei para ele como se esperasse uma resposta, que não veio!

Um lampejo de memória passou por meus olhos sendo arrastada de um canto do meu cérebro. Eu deduzi qual fora a resposta, eu já li sobre.

— As garras dos lobisomens tem bactérias que dificultam sua cicatrização. - Mais uma vez, sem uma mísera resposta. Tomei aquilo como um “ok” para prosseguir. - Provavelmente vou ter que tirar a toxina antes de começar o tratamento. 

— Eu preciso do seu sangue e não do seu tratamento. - Falou. Tão frio como a lâmina de uma espada eram as palavras do lorde. 

Ele mal podia se mexer, seus olhos estavam quase opacos. O silêncio que começava a se espalhar com o eco de suas palavras era mais ensurdecedor e barulhento que a voz de taquara rachada da senhorita loira que também foi escolhida como doadora. 

Minha boca abria e fechava sem som. Suspirei alto ao tentar girar os pés para sair daquele lugar. Fui impedida por uma mão me puxando para a cama com uma força descomunal, cai sentada sobre as pernas do lorde que se encontrava quase sentado na cama. Como era possível? Ele estava a quase cinco segundos atrás dando um “Oi” para o Satan e agora estava usando toda sua força vampiresca em mim. Deuses me ajudem!

Um vampiro, iria me morder…

Meu olhar encontrou o seu e um lampejo de luz vermelho escarlate ofuscou toda a opacidade de seus olhos quando a primeira gota de sangue brotou de minha clavícula. A pele que fora rasgada pela unha fina brotava pequenas bolhas vermelhas, suas presas cresciam em uma velocidade absurda. Ele estava sedento.

Sedento pelo meu sangue. 

Sem pedir permissão ele avançou contra meu pescoço exposto, mordendo acima do corte, cravando suas presas bem fundo na minha pele. Num ato desesperado tentei segurar seus braços, que apertavam minha cintura  e minha nuca, fazendo o aperto da sua boca no meu pescoço ficar cada vez mais fundo. Arfei quando senti a primeira bombeada do líquido vermelho ser puxada do meu corpo por uma boca feroz com sede. 

A cada aperto que ele dava na minha cintura, a cada puxada na minha nuca, fazia todos os pelos do meu corpo se eriçarem. Nossos corpos se chocando,  buscando mais proximidade fazia minha pele entrar em combustão espontânea. Nossos corpos pareciam que iriam se fundir a qualquer momento. Tudo dentro de mim queimava como fogo. E eu… Estava gostando de tudo.

O lorde, usando outra vez sua força, que parecia que tinha voltado ao normal, me puxou para cima, não separando sua boca em nenhum momento do meu pescoço, fazendo uma das minhas pernas cruzar do outro lado do seu corpo, em uma posição erótica.

Suas mãos travavam uma batalha contra meu corpo, apertando, arranhando e cravando suas afiadas unhas por toda a extensão das minhas pernas e braços. Uma dor ardente e intensa tomou conta do meu quadril, quando suas unhas foram gravadas na pele, agora exposta. Arfei de dor e arrependimento.

Eu queria gritar, gritar com todo o ar que passava por meus pulmões. Meus olhos se nublavam a cada gota a mais de sangue que o maldito sugava do meu pescoço, minhas mãos estavam tremulas num misto de prazer, dor e angustia.   

Senti ele se afastar lentamente do meu pescoço, passando a língua pelo filete de sangue que ainda escorria, e me olhando de um jeito indecifrável, quase monstruoso.  

— Você precisa ir, antes que eu sugue todo o sangue desse seu pequeno corpo. - Sussurrou arfando de desejo.


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