Série Paradise - Dakota escrita por moni


Capítulo 21
Capítulo 21


Notas iniciais do capítulo

Boa noite!!!! Vim mais cedo.



Carl

      Ela está tão mais decidida, tão mais bonita. Era assim que ela era, assim que sempre foi. Forte e inteligente, uma garotinha risonha, animada, colorida, como sua mãe, como sua irmã.

   A vida quase a pega de jeito, mas ela conseguiu dar a volta por cima. Eu me orgulho do que fez, pegar sua dor e transformar em apoio a pessoas que passaram pelo mesmo. Dakota não foi egoísta, não se vitimizou, pelo contrário, ela se fez forte.

   Gosto de voltar para casa caminhando, até o inverno chegar temos tempo, talvez, quando o frio chegar nós dois já estejamos em outro nível de relação, talvez eu não precise mais deixa-la quase toda noite e caminhar para casa.

   Aceno para o porteiro e subo direto para meu apartamento. Ligar para ela avisando que cheguei é sempre uma das primeiras coisas que faço. Eu sei que ela fica preocupada, não é um tipo de controle, não é como se ela estivesse monitorando meus passos, é apenas sua leve insegurança de quem viveu dias difíceis e ainda guarda traumas, ela teme por mim e compreendo isso.

   Deixo a mochila sobre o sofá, meu pai diz que apesar de tudo, de me achar maduro e autossuficiente, andar por aí com uma mochila nas costas me faz parecer um menino. Não é coisa de executivo, mas eu não me sinto um. Sou só o cara que herdou a loja do pai, nada mais.

   Eu me sento ao lado da mochila, sempre que estou sozinho aqui sinto falta de Daisy saltando no sofá miando e pedindo atenção.

   — Oi meu amor, já chegou em casa? – A voz soa tão baixa e tão... diferente. Tensa talvez.

   — Sim. A voz está baixa. – Aviso sem entender o que afinal está acontecendo. Talvez apenas uma ligação ruim.

   — Viva-voz. – Ela avisa.

   —Ah! Está ocupada? – Nunca, nunca falamos no viva-voz, parece algo bastante estranho.

   — Carl, você pode ao menos uma vez na vida confiar em mim? Você nunca confia, Nunca!

   O chão desaparece, nada mais faz sentido, ela não está sozinha, Dakota está em perigo, meu corpo quer agir, minha mente pede calma, ela está falando comigo, ela ainda está bem. Penso em Eric. Ele está longe, ou deveria estar, Alguém pode ter entrado em busca de dinheiro, ela está famosa, ou... meu coração bate tão rápido, quero confirmar, viva-voz, ela está no viva-voz e seja quem for, está me ouvindo.

   — Dakota! – Minha voz treme, respiro domando meu desespero. – Animada para nossas férias no Texas?

   Me corrige amor, diz que estou louco, que vamos para o Arizona, ri dizendo que tudo não passou de uma brincadeira, que não está em risco.

   — Muito. O Texas é meu lugar favorito. – Se eu tinha alguma força, ela se foi, por um interminável segundo meu corpo falha. Não pode estar acontecendo. Não de novo, não com ela. Aperto tanto o telefone que não sinto a mão. Ela precisa de mim. Eu preciso agir. Antes de tudo, ela precisa se lembrar que é forte.

   — Senhorita Coragem. Boa noite. – Cortar o contato, deixar de ouvir sua voz, sua respiração é quase como morrer. Não penso, não respiro, no segundo que corto o contato eu telefono para Ethan, enquanto escuto o toque do celular abro a porta e deixo o apartamento.

   Estou correndo escada abaixo quando ele atende, ao fundo, posso ouvir a música e as conversas no bar.

   — Alô! – Ele grita ao telefone.

   —Dakota está em perigo, no apartamento dela. Estou correndo. Correndo o máximo que posso, dez minutos para chegar lá. Me ajuda! – Desligo, não há tempo para conversas, ele não está muito mais longe, se simplesmente correr chega antes.

   O ar está seco, a noite escura, a vida paralisada, falta alegria, falta sonhos, falta sentido, sinto fraqueza e força, sinto a morte e a vida lutando, medo, um medo que não me deixa parar, um medo que me põe em ação.

   Meus músculos ganham tanta força, poderia correr por uma vida, ela é minha vida. Afasto todo tipo de pensamento ruim, as imagens tentam se formar e imediatamente as afasto, dor, medo, ameaça, violência, tudo que tenta me atingir eu ignoro e me forço a ver minha linda Dakota em seu vestido colorido, enquanto estivemos na estrada, juntando placas em direção a casa do lago.

   Quando posso divisar o prédio pequeno e velho em que mora em uma rua tranquila meu coração reluta. Quero procurar suas janelas e tentar encontrar uma pista, mas tudo me apavora e apenas cravo meus olhos na porta e corro o máximo que posso, toco os bolsos mais uma vez, confirmando o molho de chaves.

   Minha respiração falha quando chego ao portão. Minhas mãos tremem e o molho de chaves cai no chão. Segundos, segundos fazem toda diferença e me recrimino pelo segundo perdido.

   Abro a porta, deixo aberta, Ethan vai chegar, a policia, eu não sei o que ele pode ter tomado de providencias enquanto corria e corria, como se nada mais no mundo existisse se não minhas pernas em movimento e o rosto de Dakota em minha mente.

   Pela primeira vez os lances de escada não são nada, nada importa, eu não preciso me poupar, não preciso respirar, só correr e salvar nossas vidas, sem ela, nada existe.

   Quando chego a sua porta eu paro. Não sou um policial, não sei nada sobre como agir para não coloca-la em risco, entrar? Não entrar? Ela pode ter uma arma apontada para ela nesse instante, abrir a porta pode assusta-lo, seja ele quem for e isso pode por tudo a perder. Não entrar e deixar que ele a machuque. Passo a mão pelo cabelo, meu coração agitado a mente confusa. Medo, lágrimas, eu sou um pedaço dela. Alguém além dessa porta está me ferindo.

   Alguém corre escada acima, Ethan, surge com o rosto duro, olhos firmes, é um alivio e ao mesmo tempo... dor.

   — Não sei o que fazer. – Sussurro. Ele encara minha mão.

   — Chaves? – Afirmo e ele estende a mão. – Vou girar delicadamente e destrancar.

   —Entrar? – Ele nega.

   — Ainda não. Tente ouvir algo. – Enquanto ele leva um longo minuto colocando a chave eu girando para destrancar uma a uma das três fechaduras meu coração parece parar.

   Ethan retira a chave da ultima fechadura, nós dois em silencio, meu coração bate tão forte que temo ser ouvido. Ele faz gestos, uma mão na fechadura, olhos vidrados, parece quase em transe, um Ethan totalmente diferente do cara relaxado que serve bebidas em um balcão enquanto admira a esposa.

   Um barulho, um grito abafado e perco a cabeça. Não consigo esperar por uma ordem, ou sua reação policial, eu apenas o atropelo enquanto empurro a porta e entro no pequeno apartamento.

   Tudo é tão incrivelmente rápido, consigo passar os olhos pela sala, não encontra-la, dar uns passos trôpegos para dentro, acho que grito seu nome, ou apenas solto um grito desesperado qualquer, nunca vou conseguir decifrar minhas palavras nesse momento.

   Sinto Ethan logo atrás de mim. Tem cacos de cerâmica pelo chão e então Dakota deixando o quarto meio tropeçando, olhos arregalados, escapando, correndo em minha direção, um vulto se erguendo atrás dela.

   Ela se atira em meus braços, algo brilha atrás dela, a sombra ganha um rosto desconhecido, uma mão se ergue e posso ver uma faca, jogo Dakota para o lado enquanto Ethan se atira sobre o corpo em minha direção, a faca ainda arranha meu braço, mas não chega a me ferir e cai para o lado. Ethan a chuta para longe enquanto imobiliza o corpo de encontro ao chão.

   Sirenes soam em direção ao edifício e cada vez mais alta, corro para Dakota caída e um tanto em choque, olhos assombrados, corpo tremulo, me ajoelho e ela envolve meu pescoço em uma crise de choro que a toma por inteiro como jamais vi.

   Ethan parece ler os direitos do homem. Parece mergulhado em um filme de ação. Só consigo sentir alivio, amor, só consigo sentir gratidão por tê-la quente em meus braços, por poder amparar seu corpo enquanto ela molha minha camisa com suas lágrimas.

   — Está ferida? – Ela nega em meus braços, mas suas lágrimas são tantas que me deixam ainda em pânico e a afasto desejando confirmar sua condição.

   —Carl! – Ela diz me puxando de volta para um abraço. – Pensei que era uma surpresa, abri, achei que era você, uns minutos depois que saiu.

   —Tudo bem, amor, tudo bem, está segura agora.

   Policiais invadem o apartamento, logo o homem é algemado, Ethan se junta a nós.

   —Está bem? – Ele a questiona. – Dakota, o que aconteceu? Assalto?

   Ela balança a cabeça em negação, os corpo tremulo, Ethan pega o telefone, leva ao ouvido.

   — Estou bem. – Ela diz tentando controlar sua dor. Um dos policiais ergue o homem.

   —Não acabou. Não acabou, eu quero minha mulher de volta, eu vou encontra-la, você não pode esconde-la para sempre. Não pode impedir. A culpa é sua. – Ele grita fora de si. Algemado, cercado de policiais e completamente enlouquecido e sinto que Dakota esteve mais em risco que em qualquer outro momento de sua vida. Eu a envolvo ainda mais, abraço Dakota desejando esmagar o homem que grita sobre os ombros dos policiais enquanto vai sendo carregado para longe.

   Tudo parece fazer algum sentido. Está claro que é algo sobre seu blog, ou talvez a coluna que escreve sobre o mesmo tema.

   —Ela está bem, Savannah. Ainda não pode falar, mas não está machucada, só muito nervosa. Um homem invadiu o apartamento, feche o bar, me encontre no distrito, estamos indo até lá.

   —Ela tem que ir? – Pergunto a Ethan quando ele desliga.

   —Eu quero ir. – Dakota avisa. – Ele me atacou, quero que seja preso, quero que pague e que sirva de aviso para o próximo lunático que tentar.

   Eu e Ethan a observamos, o homem estava com o rosto ensanguentado, a mão também parecia ferida, eu nem mesmo sei se ela precisava de nossa ajuda ou não.

   Ela seca lágrimas, controla a dor, fica de pé com minha ajuda. Não me solta, sua mão segura meu braço como se tivesse medo de ser deixada, talvez por puro reflexo.

   —Encontro vocês no distrito. Obrigado. – Ethan aperta a mão de um homem, alguém que não veste uniforme, talvez um investigador.

   Sobramos apenas nós três de pé na sala. Ethan se afasta em direção a cozinha. Dakota soluça. Ethan retorna com água. Seus dedos tremem quando ela pega o copo e meu coração dói.

   —Daisy! – Digo me lembrando assustado. – Daisy! – Grito chamando a gata. Nem posso pensar em algo acontecendo a pequena gatinha ainda um bebê. – Daisy, vem querida. Amor....

   —Ela ficou assustada. – Dakota me tranquiliza, olhando em torno. Logo escuto um miado e Daisy surge vinda de baixo da poltrona. A pequena treme e sei que sentiu medo, que entendeu o que estava acontecendo. Ela passa por mim e escala as pernas de Dakota procurando seu colo. As duas se enrolam em um tipo de abraço que me comove. Me intrometo no momento de amor e as abraço. É tanto alivio, tanto que uma descarga de energia parece percorrer meu corpo quando as sinto junto a mim. – Te amo, Carl.

   — Amo tanto você. – Ela se afasta um pouco, beija meus lábios. Volto a envolve-las.

   —Dakota. Sua irmã está indo para o distrito muito assustada, o que aconteceu?

   — Carl tinha acabado de sair, ele tocou, disse que era uma entrega urgente, achei que era o Carl me fazendo uma surpresa e abri, destranquei a porta confiante, se tivesse esperado ele bater, olhado pelo olho magico jamais abriria, mas não fiz nada disso e quando vi ele estava aqui dentro, achei que era assalto, mas não, ele é um agressor de mulheres, isso é o que esse homem é. A mulher dele o deixou, fugiu na verdade, ele acha que a culpa é minha porque ela lia meu blog, veio querendo que eu dissesse onde a mulher estava, também queria que eu destruísse o blog.

   — A faca era dele? Ou ele pegou aqui? – Ethan me questiona. – Faz diferença. Se ele pegou aqui talvez isso o ajude, mas...

   — Era dele.

   —Então ele tinha intenção de usar. Ao menos planejou algo. Temos que ir. Está pronta?

   —Sim. – Ela balança a cabeça. Olha para Daisy em seus braços depois para mim.

   —Vamos leva-la. – Digo decidido. Talvez sejamos dois bobos, mas ela é um filhote de três meses, se assustou não podemos simplesmente deixa-la.

   —Obrigada. – Dakota diz com os olhos marejados.

   —Lutaram? Ele te machucou? – Ethan questiona.

   —Tentei correr para o quarto, ele me puxou pelos cabelos, acertei um vaso de cerâmica nele e isso cortou sua mão. Depois ele... ele ficou mais bravo, eu tentei contornar, disse que apagava o blog, sabia que o Carl tinha a chave e entraria. Quis tira-lo da sala, mas quando chegamos ao quarto e peguei o notebook na mão... eu só pensei em acerta-lo, só pensei em usar toda minha força e lutar. Usei tudo que tinha, acertei ele, corri quando ele ficou atordoado, mas... – Vejo seu rosto perder um pouco a cor. – Ele se ergueu e veio atrás, se não fosse vocês chegarem...

   De novo ela chora, eu a envolvo. Abraço Dakota que estremece em meus braços, tão assustada quanto eu. Sinto raiva, é tão visceral, me dá enjoo de tanto ódio.

   —Está segura agora. – Digo a ela. – Se não quiser ir agora... – Olho para Ethan, ele balança a cabeça afirmando.

   —Aviso Savannah e amanhã...

   —Não. – Ela diz firme. – Hoje. Agora. Vamos, estou pronta. – Ela puxa o ar com toda força, solta lentamente, repete a respiração profunda e então ao mesmo tempo que segura Daisy, usa a mão livre para se prender a minha e deixamos o pequeno apartamento. Por mim, para sempre. Minha vontade é nunca mais deixa-la sozinha.

   Quando chegamos ao distrito policial, Savannah, Serena e Dominique estão reunidas. As três correm para abraça-la, eu seguro Daisy, Theodor e Aron se aproximam.

   As quatro parecem incapazes de se soltar, choram, falam ao mesmo tempo, uma confusão emocionante que nos deixa os quatro parados a observar.

   Leva tempo até se afastarem. Aron toca seu ombro em um tipo de carinho desajeitado.

   —Que bom que está bem. – Ele diz para ganhar uma tentativa de sorriso dela.

   Theodor a tira do meio das garotas para abraça-la. Sinto seu rosto duro, pálido. Eu não sei bem como essa relação se tornou forte como é hoje, mas posso sentir o carinho e preocupação dele. É estranho como isso me faz sentir gratidão.

   — Eu disse que tinha que morar comigo. Acabou essa coisa de independência.

   —Estou bem.

   —Mas eu não estou. Eu estou prestes a ter um colapso, eu não sei viver com medo, nem conhecia isso até você resolver se meter em encrencas toda hora.

   — Toda hora? – Ela reclama. – Eu não me meto em encrenca toda hora.

   —Não está em posição de retrucar. – Ele diz bravo e não fosse minha tensão acharia graça nesse pai que dá bronca na hora errada feito todo bom pai que existe. – Conte o que aconteceu.

   Dakota se afasta dele, volta para meus braços, pega Daisy de volta. A irmã chora ainda, Dominique ferve e Serena parece tentar controlar as coisas e isso é tão as garotas Paradise.

   Dakota volta a narrar cada momento da situação, agora com mais detalhes. Sinto todas as reações dos ouvintes, pavor, raiva, alivio.

   —Senhorita Jones? Precisamos do seu depoimento. – Um homem diz se aproximando. – Ela nos olho a todos. Me beija os lábios, abraça a irmã e me entrega Daisy.

   —Quer que eu te acompanhe?

   —Não. – Ela diz decidida. Nos deixa todos perplexos com sua força, Theodor com uma careta.

   Quando ela entra em uma sala e a porta se fecha ficamos em silencio um momento interminável.

   —Ela pensa que manda na própria vida. – Theodor diz magoado. – Melhor você fazer algo, leva a menina para morar com você ou eu adoto a Dakota.

   — É o que quero. – Digo para seu alivio.

   — O bandido está aqui? – Dominique pergunta.

   —Sim. Dando depoimento na outra sala. – Ethan avisa.

   —Se não vou usar minha pá para esconder um corpo vou usar para providenciar um. – Ela se vira nos saltos altos e vestido elegante, maquiada, com joias caras. Aron usa um terno também, acho que os dois estavam em alguma festa.

   —Essa ruiva do mal ainda acaba cumprindo pena. – Ele a segura pela cintura. – Dominique, se acalme.

   Ela enrola a língua, diz umas frases em francês. Theodor ri.

   — Se eu fosse seu amigo eu diria que ela está xingando até a sua bisavô.

   —Eu sei, decidimos que em francês não tem problema, eu não entendo, então não me atinge. – Ele encara Dominique, a voz e o rosto duros agora. – Chega ou vou dar fim aquela pá que insiste em andar no porta-malas.

   Ela se acalma, o marido a envolve, e vejo Dominique voltar a chorar e ser consolada por ele.

   —“Ma petite”!

   —Está tudo bem. Ela está bem. – Savannah ainda treme muito. Eu só consigo encarar a porta onde ela está desejando estar com ela enquanto meu peito se enche de orgulho da mulher corajosa que ela se tornou.

   Outra porta se abre, o homem que a atacou sai ainda algemado, o sangue que antes corria agora parece ter sido estancado e suas roupas estão sujas, mas ele não sangra mais,

   É tão rápido. Ninguém nota direito como acontece, mas Theodor avança nele acertando um soco em seu rosto que o deixa mole, os policiais tem que segura-lo enquanto Ethan e Aron puxam Theodor e eu não me movo porque acho mesmo que um soco apenas é pouco.

   Se tivesse pensado seria eu a soca-lo, por alguma razão, enquanto os policiais o puxam e os amigos contem Theodor, eu e ele nos olhamos. É como ver de novo o olhar débil de Eric. É como assistir sua prisão. Voltar ao passado, mas dessa vez ficar. Não partir assustado. Ficar e enfrentar.

   Dakota deixa a sala uma hora depois. Não sei bem onde os pais deixaram seus filhos, mas ninguém parece com pressa de partir.

   São mil perguntas sobre como se sente e de novo o que aconteceu, até que ela explica tudo e então são os intermináveis oferecimentos para recebe-la.

   —Ela vai ficar comigo. – Savannah diz decidida.

   —Vou dormir na casa do Carl essa noite. – Dakota procura meu abraço. – As coisas da Daisy estão lá, eu também quero ficar com ele. Amanhã volto para casa.

   Deixamos o distrito, não quero mais que ela volte ao apartamento para além de buscar suas coisas. Não posso confiar mais nela sozinha, algo pode acontece.

   Depois de preparar duas xicaras de chocolate quente eu me sento com ela no sofá. Daisy agora relaxada dorme em sua almofada preferida.

   — Amor. Fica aqui comigo, trás suas coisas.

   —Amanhã volto para casa, Carl.

   —Voltar? – pergunto preocupado. – Não. Vai simplesmente ficar lá em casa, não. Voltar não. Vamos buscar suas coisas e fica comigo. Morar comigo. Entregar o apartamento.

   —Carl, não somos casados. Eu vou voltar para minha casa. Precisa entender uma coisa. – Ela deixa a xicara sobre o móvel, os olhos agora mais calmos. – Desde que minha mãe morreu não tenho um lar como esse. Meu. Primeiro meu pai com aquela esposa que me odiava e não me deixava me sentir em casa, então fui viver com a Savannah e me sentia um peso. Tinha amor, cuidados, mas eu a via se matar por nós duas e não me sentia em casa, aí fui para Yale, tudo por conta da generosidade carinhosa do Theo, não me sentia em algo meu, era algo que outra pessoa me proporcionava. Agora pela primeira vez é a minha casa, pago com o meu trabalho.

   — Eu sei que isso é importante, mas nos amamos.

   —Sim. Muito, amo você e nenhum outro lugar me faz mais segura e feliz que seus braços.

   —|Então...

   — Você me dez voltar a sonhar, Carl. – Os olhos dela brilham marejados. – O velho sonho de princesa, com pedido de casamento, com vestido de noiva, lua de mel, decorar a nova casa. Entende? Quero tudo. Mereço isso, é bobo para algumas, mas não é para mim.

   —Não é bobo para mim também.

   —Se lembra como eu era uns meses atrás? Confirmando a fechadura uma dúzia de vezes, passando noites em claro? Não vou me permitir voltar a ser assim. Preciso ser forte e independente. Não. Eu nunca mais vou ser irresponsável de novo, vou me cuidar, vamos nos cuidar e pensar em segurança, mas ainda vou viver naquele meu apartamento.

   — Amo você. Liberdade, se lembra? – Ela afirma. – Sua decisão, sempre sua e eu vou respeitar. Pegou tudo de volta. Essa noite... essa noite você enfrentou muitos agressores. Enfrentou ele. Enfrentou e venceu. Eric se foi.

   — Para sempre. – Ela diz deixando uma lágrima correr e me abraçando. Não vai ser nada fácil respeitar isso, melhor começar a pensar em um pedido de casamento muito romântico. Um que não deixe espaço para nada além de sim.

 



Notas finais do capítulo

BEIjosss
Agora volto na quarta-feira.



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