Os Poderosos: A Ascensão do Mal - Interativa escrita por Eu Voltei


Capítulo 32
Histórias Passadas (Parte 1): Caminhos Cruzados


Notas iniciais do capítulo

Hey, como vão pessoal? Espero que bem. Então, nessa aventura de dois (talvez três) capítulos, vamos conhecer um pouco do passado de nossos personagens.

Trilha Sonora:

https://www.youtube.com/watch?v=_SOAS6ZXtiM

https://www.youtube.com/watch?v=uzyKkKB7mT4

Boa leitura!!!
PS: Hoje o Capitão América infarta...



WAIMAND, AFEGANISTÃO, 27 DE JULHO DE 1880

POV Dr.W.

Uma tenda militar estava armada no centro do acampamento do exército britânico. Eu, um doutor mandado para lá para cuidar de soldados, soldados estes do Raj Britânico e do Império circulavam por todos os lados empunhando seus mosquetes e seus sabres. Um dos soldado se destacava entre a multidão, caminhando em direção a cabana de comando militar da operação.

Um rapaz jovial, um homem considerado alto, deveria estar na faixa de seus vinte e três anos de idade, pele branca e já com algumas cicatrizes de batalha. No momento em que o vi cogitei que deveria ser um homem nobre, e quem diria talvez até membro de alguma equipe especial do exército...

Bem, o que importa é que minhas teorias sobre Alexander Blanchard se tornaram reais quando troquei algumas palavras com o homem, que andava todo pomposo com seu nada militar uniforme. Estava vestindo um colete carmesim bem cinturado, com detalhes parecidos com vinhas em um vermelho levemente mais brilhante, sob uma camisa social branca de manga longa e em seu braço esquerdo na área do bíceps havia uma faixa de couro preta e em contrapartida tinha um relógio quadrado no seu pulso direito. Sua calça de couro preta era bastante justa ao seu corpo com finas correntes nas laterais e inúmeros cinco em suas coxas junto a um par de botas de couro que iam até seu tornozelo. Roupa muito incomum para um homem de guerra, mas dizia odiar uniformes militares.

Mas o que realmente importa foi a conversa que tivemos quando nos encontramos na cabana de comando militar. Junto de mim, estava um famoso e também jovem Lorde, natural de Londres, Antony Carter. Recebíamos ordens diretas do comandante, Marechal Roberts, Frederick Roberts. O jovem Blanchard juntou-se a nós. Naquela época o homem ainda não tinha poderes.

— Lorde Blanchard - me lembro ainda muito bem do cordial sorriso que Tony demonstrou ao estender a mão para o cumprimentar, eu podia ver a aliança na mão esquerda, torcia para que o jovem Carter volta-se são e salvo para sua amada - é uma honra para a família Carter lutar ao lado dos Blanchards, os maiores estrategistas desta nação.

— Lorde Antony - o pomposo Alexander retribuiu o aperto de mão, mas sem demonstrar maiores sentimentos - também é um prazer lutar ao lado de um Carter.

— Senhores - pigarreou o velho Roberts - estas são suas ordens...

Por mais alguns minutos o condecorado Marechal nos informou nossas ordens. Em suma se resumiam a juntar um grupo de soldados e impedir que os soldados de Yakub Khan obtivessem sucesso.

Saímos nós três, eu, Tony Carter e Alexander Blanchard, passamos primeiro na tenda de Carter, buscar o companheiro dele, outro Doutor, homem mais experiente, pouco mais de trinta anos, lembro bem do homem, Ulisses, jamais poderei esquecer seu forte sotaque português, soldado da Legião Estrangeira, perito no manuseio de revólveres. Enquanto isso, Alexander havia ido ajuntar seu grupo de soldados, havíamos marcado um lugar para nos encontrarmos todos.

Juntamos ao nosso grupo ainda um homem, apelidado de Almirante Benbow, e ainda outro, ah, aquele era uma pessoa boa, na essência da coisa mesmo. Nós o chamávamos de Grandão, mas seu nome mesmo era Yoseph, homem forte e alto, diziam que ao invés de atirar, ele derrubava os inimigos com as mãos.

Quando chegamos ao ponto de encontro para nos juntarmos e partirmos para a batalha, um jovem rapaz, mensageiro, deveria ter seus dezoito anos de idade, apareceu nos informando de que o Marechal Roberts, por circunstâncias especiais, havia mudado a ordem para Blanchard e o enviado para outra missão, tão urgente quanto a nossa.

Enfim, fomos eu, Lorde Carter, Dr. Ulisses, "Almirante" Benbow e o soldado Yoseph, partimos para nossa missão.

— Dizem ser um canhão novo no meio militar - comentou Yoseph.

— Capaz de soltar rajadas de energia - complementou Benbow, eu podia sentir o bafo de rum que saia da boca daquele homem - só me pergunto como tal tecnologia pararia nas mãos dos insurgentes!

— É coisa do Hans - exclamou Tony - podem ter certeza.

Enquanto caminhávamos, seguindo para o ponto em que um pelotão passaria com a tal arma que deveríamos destruir, nossa conversa avançou até um ponto interessante.

— Ouviram dizer de uma fera, que sai a noite nos campos de batalha, lutando contra os soldados inimigos? - indagou Benbow.

— Dizem ser um Lobisomem! - exclamou Antony - duvido muito da veracidade dessa história. Homens adoram criar lendas nos campos de batalha - então o londrino deu uma piscada para Ulisses, que riu, como se não acreditasse no que o amigo falava. Imagine minha cara quando descobri que o paspalho era o tal lobisomem!

Vou lhe poupar detalhes da luta que tivemos quando pegamos de emboscada o pelotão de trazia a arma, pequeno Charlie. Enfim, conseguimos matar vários inimigos, deveriam ser uns vinte soldados. Você tinha que ver como Carter atirava bem.

Infelizmente, está vendo esta minha perna e a bengala? Minutos depois de a luta ter iniciado, levei um tiro na perna. Dr. Ulisses me acudiu, enquanto os outros três, Carter, Bendow e Yoseph deram cabo do restante dos homens, destruindo a arma, o canhão de energia...

***

LONDRES, INGLATERRA, 1887

— Então pequeno Charlie, está é a história de quando eu lutei ao lado de heróis, sem saber - respondeu o doutor, pegando sua muleta e se colocando de pé.

— E Yoseph, você nunca mais o viu, até o chamar para os Poderosos? - indagou Charlie olhando para Antony.

— Ah garoto, Yoseph partiu em outras missões - respondeu Tony se arqueando para frente na poltrona em que estava sentado - obrigado Sra. Hudson - agradeceu quando a senhoria da casa lhe trouxe uma xícara de chá - perdi o contato, e só o recuperei anos depois, quando a tempos atrás, descobri seu endereço e lhe convidei para integrar a equipe.

— E pensar que um dia - Yoseph pôs as mãos nos joelhos e começou a gargalhar, Tony também gargalhava - que um dia nós quatro, eu, você Tony, o Ulisses e o Alexander tivemos nossos caminhos cruzados.

 Um homem, alto e esguio, usando um roupão e fumando um charuto, juntou-se aos demais na sala.

— Ah velho Tony - exclamou o homem, a medida que Charlie o observava, admirado - sua esposa andou se ferindo, você vai ser pai, e anda se incomodando com vilões por aí...

— Mas como? - Tony jogou as mãos para cima - desisto meu chapa, você tem olhos por toda parte?

— Isso é elementar, não é mesmo meu caro... - o homem usando o roupão olhou para o doutor que havia contado a história logo mais cedo - Tony, fios de cabelos grisalhos começando a surgir em sua cabeça indicam tudo o que acabei de lhe falar.

***

ALGUNS MINUTOS ANTES, MAIS CEDO NESSE MESMO DIA, LONDRES, INGLATERRA, 1887

— Você vai adorar conhecer nosso velho chapa - Tony disse a medida que ele, Charlie e Yoseph caminhavam pelas ruas londrinas naquela rara manhã ensolarada na capital - e tenha certeza garoto, eu vim a contra gosto. Se não fosse pela Kathe, eu não o traria hoje, talvez outro dia. Mas ela insistiu dizendo que ficaria bem com as garotas no castelo. Além do mais disse que eu devia lhe levar para o conhecer, como forma de agradecimento por sua bravura e coragem em a proteger no orfanato.

— E eu o agradeço muito por isso - falou o pequeno Charlie - obrigado senhor Tony.

— Mal posso esperar para reencontrar nossos velhos amigos de guerra - exclamou Yoseph - moramos na mesma cidade, e a quanto tempo não nos vemos? Uns sete anos eu diria.

Os três caminharam por longos minutos, até por fim chegarem na famosa rua Baker, número 221B. Tony bateu com o punho cerrado na porta, e a Sra. Hudson, senhoria da casa os atendeu.

— Bom dia! - Tony a cumprimentou com um agradável sorriso - Dr. Watson e Mr. Holmes se encontram?

— Bom dia! Venham, vamos entrando, Dr. Watson os aguarda - disse a mulher enquanto entravam na residência - Mr. Holmes está em seu quarto, mais tarde irá os receber. Esse homem, nunca melhora os hábitos!

Watson os recebeu na sala de estar. Tony sentou-se numa poltrona e Yoseph sentou-se no sofá, ao lado de Charlie.

— Bem, já que o pequeno está aqui para conhecer Holmes - Watson caminhou se apoiando na bengala até sua poltrona, e sentou-se ali - contarei alguma história, dos velhos tempo, para lhe entreter enquanto aguardamos nosso bom e velho detetive. O que acha Tony?

— Que tal a Batalha de Maiwand? - sugeriu Tony.

— Perfeito! - Watson bateu palmas exultante - por onde começo? Hmm...deixe-me ver...Ah! Já sei! Preste atenção, Charlie. A sete anos atrás, uma tenda militar estava armada no centro do acampamento do exército britânico. Eu, um doutor mandado para lá para cuidar de soldados, soldados estes do Raj Britânico e do Império circulavam por todos os lados empunhando seus mosquetes e seus sabres...

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Em memória de:

Sir Arthur Conan Doyle.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado!!!

Obrigado e até mais!!
PS: No próximo capítulo, vamos descobrir mais sobre o passado de Alexander, Valy e Mel.
PS 2: Duvido que alguém tenha pego a referência a Almirante Benbow...