Os Poderosos: A Ascensão do Mal - Interativa escrita por Eu Voltei


Capítulo 26
Aventura Selvagem (Parte 1): A Despedida


Notas iniciais do capítulo

Ei, como vão? Ta aí mais um capítulo.
Espero que gostem!

Trilha Sonora:
https://www.youtube.com/watch?v=FTQbiNvZqaY

https://www.youtube.com/watch?v=zxv0VgLKm5Q

https://www.youtube.com/watch?v=EOVp4tb5Fn0



CASTELO DOS PODEROSOS, LONDRES, 1887

— Mestre Tony - da biblioteca, estudando antigos mapas e pergaminhos, Tony pode escutar a voz metálica gritando por seu nome, logo a figura de DX-42 apareceu na porta da biblioteca, em ambas as mãos o robô carregava espanadores - eu não aguento mais limpar tantos pelos dos móveis, das poltronas...e do ralo do banheiro!

— Estou começando a achar que o Shadow deveria mesmo dar uma aula de higiene pessoal para nossos convidados - Tony riu. Nisso Shadow se materializou na biblioteca, em frente a Tony, carregava uma pilha de livros em suas mãos - de onde são esses livros? Não os lembro de ter visto por aqui... - indagou Tony, desconfiado.

— Ah Tonynho,você tem muitos livros em sua biblioteca, logicamente não vai se lembrar de todos os que você possuí - o Ser das Sombras desconversou, caminhando alguns passos para trás.

Tony deu de ombros e voltou sua atenção para os mapas que analisava. Shadow aproveitou e caminhou apressadamente para uma das prateleiras, abrindo espaço nela e guardando os livros ali, um por um.

— Espero que Tony não os encontre aqui - Shadow pensou consigo mesmo - mas se encontrar, vai ser engraçado ver a reação dele ao dar de cara com esses livros do futuro...hehehe! Opa, isso não pode ficar aqui - o Ser das Sombras pegou uma revista que havia trazido consigo.

Na sala, Slip e Flint jogavam cartas, sentados nas poltronas e bebiam chá e comiam um delicioso bolo de chocolate que Kathe havia preparado. Estavam começando a ficarem mal acostumados.

— Vocês tomaram banho antes de sentarem nas poltronas que acabei de limpar? - indagou um impaciente DX-42 surgindo na entrada da sala.

— Ah não amola o lata velha - retrucou Slip jogando uma carta contra a fuselagem do robô.

— Como se atreve? - indagou o robô, largando os espanadores no chão e transformando suas mãos em pistolas de energia - diga isso novamente e...

— Calminha aí pessoal - exclamou Valy passando pela sala naquele momento, acompanhada de Yoseph - não precisamos iniciar um quebra pau aqui por nada.

— Por nada? Esses pulguentos estão sujando de pelos tudo o que limpei e espalhando pulgas pela casa toda! - esbravejou DX-42.

Nisso o Ser das Sombras se materializou na sala.

— Cosméticos Enovi? - Shadow sorria marotamente enquanto segurava um vidro de shampoo.

Alexander estava caminhando tranquilamente pelo corredor que levava até seu quarto. Quando parou em frente a porta de seu comodo e se preparou para a abrir...

Ela se abriu e do lado de dentro saiu um dos lobisomens da tripulação de Slip, com o pelo úmido e enrolado numa toalha. O lobisomem passou por ele, o ignorando como se não estivesse ali. Alexander ameaçou protestar, mas logo o lobisomem sumiu de vista ao dobrar a esquina do corredor. Alexander apenas sacudiu a cabeça e entrou no quarto.

Puxou sua camisa e a jogou em cima da cama e enquanto caminhava até seu banheiro ia tirando a calça a jogando num canto qualquer do quarto, então entrou no seu banheiro e começou a preparar seu banho. Ligou a ducha no quente e começou a encher a banheira. Mas algo o deixou irritado.

— Mas que... - Em sua banheira, Alexander podia ver pelos de lobisomem boiando.

***

CORNUALHA, INGLATERRA, 1887

Os Poderosos estavam no píer diante de uma enorme embarcação de madeira, possuía quatro mastros e trinta canhões convencionais e dez canhões de energia canalizada de cada lado. Em sua lateral estava escrito em letras bem grandes: New Bathtub.

— Tem certeza que não querem se juntar a equipe? - Indagou Tony apoiando a mão no ombro de Slip.

— Absoluta, Carter - respondeu Slip - agradecemos pelo navio novo que você fez pra gente - Slip se voltou para Kathe e segurou na mão da mulher - e muito obrigado pela hospedagem nestes três meses que se passaram, senhora Kathe - ele agradeceu a mulher e se voltou para Tony - mas somos lobos do mar e já ficamos tempo demais longe dos mares.

— Está na hora de voltarmos pra casa - complementou Flint - o mar é nossa casa.

A tripulação de lobisomens se despediu dos poderosos, quando chegou a vez de Shadow, o Ser das Sombras discretamente secou uma lágrima que rolou por seu rosto, e entregou uma coleira de couro com detalhes em diamante para Slip, e uma focinheira para Flint.

— Uma lembrancinha para vocês - disse Shadow - vou sentir falta, meus amigos.

Os lobisomens piratas subiram a bordo de seu novo navio e logo este começou a desatracar, tempo depois sumindo no horizonte marítimo. Deixando saudade nos heróis que os observavam partirem.

ALPHA TAVERN, LONDRES, 1887

Naquela noite já se haviam passado alguns dias desde a luta de Antony Carter contra um novo e feroz vilão, autodenominado Raptor. Nosso herói estava junto de seus companheiros de equipe, todos reunidos na Alpha Tavern.

Tony estava ainda muito dolorido dos ferimentos que ganhará na sua última batalha contra um novo inimigo, mas graças as práticas medicinais de Ulisses Damasceno, estava se recuperando bem.

Como já era noite, a taverna estava fechada. Segundo a mãe de Charlie, que agora tinha um trabalho muito bom tocando a taverna para os Carter's e recebia um salário muito bom também, o movimento estava cada vez melhor.

— Estava com saudades desse lugar - comentou Alexander esticando os seus braços e bocejando - fazia tempo que não vinhamos para cá.

— Não temos tido mais muito tempo ultimamente - concordou Tony, fazendo uma careta de dor ao se movimentar na cadeira - temos várias coisas para resolvermos. Amanhã partimos em nossa nova missão. E ainda temos o problema do Raptor aqui em Londres, aterrorizando as ruas.

— Se bem que nas últimas noites, desde nosso encontro com ele - disse Ulisses - não ouvimos mais notícias de sua aparição.

— Sim - concordou Antony - mas fiz uma promessa para o Howard, de que resolveríamos esse problema para ele.

— Você deveria ficar no Castelo e descansar, querido - sugeriu Kathe, cruzando os braços e olhando para o marido.

— Não, amor, eu tenho que ir para o terra ancestral nessa missão - respondeu Tony.

— Bem, posso ficar e junto com os Cães de Guerra podemos caçar o Raptor, e acabar com ele - sugeriu Alexander.

— Alexander tem razão - disse Melanie - Tony, talvez tenhamos de pensar em começar a dividirmos mais as missões. Senão não daremos conta de tudo.

— Ou em aumentar a equipe - falou Valerie.

— Uma equipe reserva - disse Yoseph - uma pena Slip e sua tripulação não terem aceito o convite para entrarem na equipe.

— Lobos do mar - riu Valy - eles não conseguem ficar muito tempo fora de confusão em alto mar.

— Ao menos Slip disse que quando precisarmos, podemos o contatar -lembrou Kathe.

— Enfim, depois que voltarmos da missão, pensamos em como resolver isso - concluiu Tony - agora temos que nos focar em deter o Raptor e em nossa missão de encontrar o anel. Alexander, você fica em Londres e junto com os Cães de Guerra, caçam o Raptor?

— Sim Tony - respondeu um entusiástico Alexander - até já imagino as manchetes nos jornais quando o capturarmos: "Alexander Blanchard, O Corvo, e seus Cães de Guerra salvam a inocente Londres das garras do terrível Raptor".

Conversaram por mais longas horas, até que finalmente tinham todos os detalhes acertados. Kathe se levantou da mesa recolhendo os pratos, Tony fez o mesmo a ajudando.

Caminharam até a cozinha da taverna e colocaram as louças na pia.

— Eu lavo e você seca? - indagou Kathe, dobrando as mangas de sua blusa. Tony concordou com a cabeça e pegou um pano para secar - ainda acho que você deveria ficar no Castelo, para se recuperar mais um pouco.

— Não Kathe, meu bem - disse Tony - eu tenho que ir nessa missão. Sabe aquelas cartas que recebemos nos últimos anos?

— Sim, eu lembro. Cartas da... - o olhar de Kathe se tornou distante - sabe, eu sinto falta dela.

— Eu também - respondeu Tony - mas algo me diz que minha irmã está envolvida nisso.

— Como assim? - indagou Kathe, parecendo confusa, ensaboando os pratos com a esponja e logo em seguida os enxaguando - envolvida com o Anel? Com os artefatos?

— De certa forma, talvez seja isso! - exclamou Tony, enquanto pegava as louças do escorredor e as secava com o pano em sua mão - os poderes dela, a maneira que ela foi embora...

— E sumiu, achando que era uma ameaça para todos nós - Kathe completou a frase de Tony.

— Nós não podemos fracassar em juntar os artefatos - Tony disse, dessa vez em tom mais sério e preocupado - se falharmos...ei!

Tony exclamou quando Kathe jogou água com as mãos nele, molhando seu rosto e sua camisa. Ele soltou uma risada logo em seguida.

— Nós não vamos falhar - Kathe largou o que estava fazendo e bateu com a mão direita fechada contra o peito do marido, um sorriso travesso estampado no rosto dela.

Tony envolveu a mão de Kathe com as suas e a acariciou, puxando Kathe para mais perto de si. Apoiou então ambas as mãos na cintura de Kathe, enquanto se beijavam, e as foi subindo, acariciando-a até chegar em sua barriga, acariciando a barriga da mulher que carregava seu filho.

— Eu aposto que vai ser um pulguentozinho com poderes de fogo - riu Tony - puxando a sua teimosia...e sua bondade.

— E eu acho que ele vai puxar e desjuízo mental do pai - Kathe soltou outra risada, que fazia o coração de Tony se derreter ainda mais por ela - mas também sua bravura e coragem.

— Eu prometo que não vou deixar nada de ruim acontecer a vocês dois - disse Tony - eu prometo com todas as minhas forças, de todo o meu coração, que farei de tudo para proteger você e nosso filho. De tudo!

***

SERENGETI, NORTE DA TANZÂNIA, ÁFRICA, 1887

O céu estava num lindo e maravilhoso tom laranjado enquanto a enorme bola de fogo, conhecida por sol, brilhava incansavelmente refletindo sua luz nas lâminas das folhas da vegetação.

Das margens de um lago uma manada de elefantes selvagens podia ser vista caminhando no horizonte, vez ou outra a imagem no horizonte parecia tremular, por causa do vapor que o calor levantava do lago.

Um grupo de gazelas e antílopes se aproximaram das margens do lago, os animais se curvaram e botando suas línguas para fora e para dentro, em movimentos repetitivos jogavam o líquido precioso para dentro de suas bocas, saciando sua sede.

Uma das gazelas levou um susto e deu um salto para trás quando de dentro daquelas águas um hipopótamo colocou sua enorme cabeça para fora e soltou uma espécie de mugido, outros hipopótamos também emergiram daquelas águas.

Um grupo de belas girafas também surgiu, caminhando em direção ao lago, o lago que "levava vida" aquela região. Para que pudessem beber, baixavam suas patas, se deitando de joelhos no chão e então curvavam seu pescoço para baixo em direção ao lago.

Um rugido então fez com que todos os animais recuassem da margem do lago. Um grupo composto por um leão e algumas leoas com seus filhotes surgiu, os demais animais abriram espaço para que a "família real" passasse.

— Mfalme - uma voz feminina pode ser escutada, os animais voltaram seus olhos para a figura feminina que usava um manto preto com touca e uma máscara de corvo, montada em cima de um leão - deixe os outros animais beberem da água também.

— Mas eu os deixo beber, Peregrina - Mfalme revirou os olhos e sentou-se nas patas traseiras - apenas quero ter certeza de que sobrará o suficiente para mim...

— O lago é de todos, não somente dos leões, Mfalme - esbravejou a Peregrina, descendo do leão - obrigada pela carona Mzuri - ela afagou a juba de seu leão.

— Mas eu só... - Mfalme tentou protestar.

— Sem mas, meu caro - insistiu Peregrina - agora...

— Não faz isso comigo... - Mfalme implorou.

— Vá...faça agora - Peregrina estava começando a perder a paciência.

— Aaah - rugiu Mfalme - tá bem, tá bom, pessoal! - ele olhou para os demais animais - fiquem a vontade para beberem a água do lago.

— Bom garoto - Peregrina soltou uma risada e se aproximou de Mfalme e fez um agrado acariciando sua juba vermelha.

Se alguém visse aquela cena não entenderia nada e veria nada mais do que uma mulher no meio de um bando de animais selvagens com eles fazendo barulhos incompreensíveis. Mas para Peregrina eram mais do que sons de animais. Ela os entendia perfeitamente. Era um de seus muitos dons.

Então um som distante pode ser escutado. Mas era um som conhecido de todos ali. Os animais ficaram amedrontados e Peregrina cerrou seus punhos, com raiva.

— Caçadores! - praguejou ela.

***

Pousado na propriedade de Antony Carter estava o novo e enorme dirigível que ele havia construído e que os levaria em sua nova missão. Os heróis estavam parados diante da entrada da aeronave.

— Se cuida amor - Kathe envolveu seus braços ao redor de Tony e lhe beijou - se sua intuição estiver certa e você encontrar sua irmã, diga que sinto falta dela.

— Espero estar certo sim - respondeu Tony - e a encontrar - ele acaricou o rosto da esposa - Shadow.

Shadow imediatamente parou em frente a Antony.

— Em nossa ausência você e o DX estão encarregados da segurança do Castelo - ordenou Tony, falando um pouco mais duro, para que Shadow realmente compreendesse a seriedade da situação - e especialmente da segurança da Kathe.

— Sim senhor - Shadow bateu continência.

Então Tony, Ulisses, Mel, Valerie e Yoseph embarcaram no dirigível. A medida que Kathe ficaria na castelo e Alexander havia se encarregado de caçar o Raptor.

***

Kathe dormia tranquilamente, não roncava e estava coberta com um cobertor macio e aconchegante. Pela fresta da cortina uma pequena faixa de luz do luar entrava no quarto.

Logo Shadow se materializou no quarto de Kathe. O Ser das Sombras, cuidando para não fazer nenhum barulho, colocou uma cadeira ao lado da cama e sentou-se nela, ficando de frente para Kathe.

Shadow então pegou um rolo de fio azul e uma agulha e começou a tricotar.

— Um ponto aqui, outro ali, um ponto aqui, outro ali - sussurrava ele a medida que a roupinha que fazia para o futuro bebê tomava forma.

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Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado. No próximo capítulo a ação nessa nova aventura
começa e teremos a reunião dos 5 membros do Conselho.

Olhem essas artes que a Peregrin Agbora fez: https://78.media.tumblr.com/3057e84d4e2928625f5fe6927be5f654/tumblr_pbpfblkFJm1vk6s0io2_540.jpg

Em cima no centro: Alexander Blanchard
Abaixo do Alexander no lado esquerdo: Mel
Abaixo do Alexander no lado direito: Yoseph
No centro: Ulisses
Canto inferior esquerdo: Tony Carter
Canto inferior direito: Valerie.

Outra arte dela, dessa vez da Kathe: https://78.media.tumblr.com/fd028185442ea591458efbe22a571d1c/tumblr_pbpfblkFJm1vk6s0io1_540.jpg

Obrigado e até!!!