Não conte a ninguém escrita por Carter


Capítulo 1
Único


Notas iniciais do capítulo

História fofinha, que escrevi em uma tarde pra liberar espaço na minha mente. Espero que gostem :)



Era o último domingo antes do retorno a Hogwarts. Por tradição, todos os netos da sra. Weasley se encontravam na Toca para o tradicional almoço. Mal havia amanhecido e a velha senhora ruiva já encontrava na cozinha, perdida entre os inúmeros afazeres domésticos, o barulho de caldeirões e tachos sendo retirados de seus lugares ecoando por todo o primeiro andar.

Foi nessa atmosfera que Rose Weasley adentrou, ainda vestida com um short e uma camiseta amassada do Chuddley Cannons, que usava para dormir.

— Bom dia, vovó! – Ela saudou, um sorriso discreto nos lábios pousado.

— Bom dia, querida! – Molly respondeu, a voz agitada. Rose observou-a enfeitiçar uma faca para cortar alguns legumes e algumas colheres para mexer dois tachos sobre o fogão. – Como sempre a primeira dos meus netos a levantar, com certeza toda essa disposição veio de sua mãe e não do Roniquinho. – Rose riu. – Seus outros primos são todos uns preguiçosos, isso sim. Tenho tanto a fazer ainda. Tem água sobre o fogão caso queira tomar um chá e biscoitos logo ali. Não se importa de se servir, não é querida?

É claro que não se importava, mas caso se importasse, isso não faria diferença nenhuma pois, aquela altura, a Sra. Weasley já havia ido para a horta e a deixado sozinha.

Imediatamente, ela saltou do banco em que estivera sentada e foi até o fogão. Preparava um chá, o aroma da infusão de ervas já lhe anestesiando os sentidos, quando uma mão grande a segurou na lateral da cintura, quase a matando do coração:

— Você quer me matar?! – Ela perguntou, usando a varinha para enxugar os respingos do chá em sua blusa. O bom humor matinal quase se esvaindo. Encarou Scorpius Malfoy indignada.

— Bom dia pra você também, Weasley. – Ele disse, um sorriso torto brincando nos lábios. – Vejo que a sua recente maioridade a deixou mais preguiçosa. – Avaliou. Rose colocou a varinha no cós do short, o rosto sarapintado de sardas, levemente avermelhado.

— Até parece que você não faz o mesmo, Malfoy. – Ela respondeu, escorando-se no balcão para apreciar o seu chá enquanto o observava com uma expressão desafiadora e, talvez, um pouco zombeteira.

Scorpius a achava extremamente atraente daquela maneira, com os cabelos levemente desgrenhados, o pijama amassado e a expressão de durona estampada na face. Por um instante, não soube o que poderia dizer, perdeu-se nela. Rose Weasley sabia que o provocava, ah se sabia, ele pensou. Mesmo que se esconda por trás dessa pose relaxada.

Scorpius afastou-se dela num rompante e Rose sentiu-se levemente sem graça quando Albus Potter entrou na cozinha:

— Que lindo dia! Meus dois melhores amigos no mesmo ambiente sem estarem se matando... Realmente comovente!

— Não comemore antes do tempo, Al. – Rose resmungou, largando a xícara sobre a pia e andando em direção a porta. – Não o matei porque ainda não tive tempo.

— Está na hora de admitir que me ama, Weasley. – Retrucou Scorpius.

Rose olhou bem pra ele, sem se intimidar.

— Talvez um dia Malfoy, em algum dos seus sonhos.

Ela não esperou resposta, deixou os dois para trás.

**

Rose não jogava quadribol. Seu conhecimento sobre o jogo se limitava a saber que ele terminava quando o apanhador de um dos times pegava o pomo de ouro. Por isso se negou veementemente a fazer parte de qualquer um dos times que, naquele momento, jogavam nos jardins da Toca.

Contentou-se em sentar debaixo de uma árvore com um livro de feitiços a fim de se adiantar para o ano letivo que estava prestes a terminar. Com seus novos deveres como monitora-chefe, temia ter problemas e se atrasar com os estudos. Sua mente estava completamente distraída com o livro quando sentiu alguém sentar-se ao seu lado. Era Dominique. A prima meio veela de Rose estudava em Beuaxbatons, fazendo com que fosse um pouco distante dos demais Weasley.

Rose abraçou-a e trocaram trivialidades sobre suas famílias, sobre as diferenças nos métodos nas escolas em que estudavam e sobre suas pretensões para o futuro. Dominique podia ser tão objetiva e aplicada quanto Rose em matéria de futuro. Mas então, repentinamente, o assunto mudou. Após um instante de silêncio, ela perguntou a Rose:

— O loirinho nos arcos é Scorpius Malfoy? – Ela pediu, quase boca aberta. – O mesmo Scorpius Malfoy que vem aqui todos os anos?

Rose revirou os olhos, tentando disfarçar o incomodo.

— O próprio. – Respondeu.

— Caramba, ele está bem... como posso dizer, diferente, não?

Rose olhou bem para o rapaz que mantinha toda a majestade sobre a vassoura. O estômago revirou quando ele olhou pra ela e sorriu, obrigando-a a baixar os olhos – fato que não passou despercebido por Dominique.

— Soube que ele está comprometido com alguém. – Rose respondeu, retomando o controle. – Alguém de Hogwarts.

— Realmente uma pena. – Dominique respondeu, prestando atenção aos modos da prima que mais gostava. – Você parece gostar dele.

A Weasley quase engasgou diante da afirmativa da prima, que riu divertida.

— Relaxa, eu guardo o seu segredo. – Ela disse, piscando enquanto se levantava. – Agora vou até a cozinha, ver se encontro a vovó. Se eu não for, ela logo dará uns berros comigo por ter chegado e não ter ido imediatamente vê-la. Até mais, Rose.

E com a mesma naturalidade com que apareceu, Dominique desapareceu sem dar a Rose uma única chance de réplica. Ela fechou o livro que estudava com um baque, indignada consigo mesma. Deu uma última olhada no campo, para onde Scorpius estava, e resolveu entrar e ler em casa. Aquilo não estava dando certo.

**

O jogo foi uma lavada. Com Scorpius nas goleiras e Albus como apanhador, o time adversário não teve sequer uma chance.

— Vocês só conseguiram porque James está atrasado. – Retrucou Hugo. – Não teria sido tão fácil se não estivéssemos desfalcados do nosso melhor jogador.

— O choro é livre, Hugo. – Retrucou Albus. – Mas confesso que foi uma maravilha James ter ficado preso no ministério justo hoje. – A última parte, segredou apenas a Scorpius.

Andavam despreocupadamente pelo gramado, Scorpius concordando internamente com Albus. Apesar de o seu santo e o do Potter mais velho não se baterem muito, tinha que admitir que ele era um excelente apanhador – um talento que parecia estar no sangue dos Potter.

Entraram pela porta dos fundos, sendo duramente repreendidos pela sra. Weasley que ordenou imediatamente que todos fossem tomar banho pois o almoço já seria servido. Scorpius só tinha olhos para ela, que se encontrava absorta em um livro sentada em um dos sofás da sala. Teve ânsias de ir até ela, jogar a camiseta suada e fazê-la gritar, largando o estupido livro, mas desistiu da ideia ao ser empurrado por Albus em direção as escadas.

Depois de aproximadamente quinze minutos, Scorpius desceu com os cabelos pingando e devidamente vestido para o almoço. Encontrou-a no mesmo lugar, mas, dessa vez, não estava sozinha.

Scorpius sentiu um leão rugir dentro de si e aproximou-se em passos contidos:

— Ora, ora Potter. – Ele chamou a atenção, aproximando-se dos dois. – Isso são horas de chegar? Não sabia que tinha tanto medo ao ponto de inventar um compromisso apenas para não nos enfrentar.

James Potter virou-se para ele, reconhecendo a provocação:

— São os ossos da vida adulta, Malfoy. Quem sabe um dia você cresça e entenda. – Ele retrucou, voltando seu olhar para Rose. – Explicava agora mesmo para Rose sobre a minha vida corrida no ministério.

— Como se ela se importasse. – Malfoy retrucou, sem pensar. James sorriu, satisfeito.

— É claro que se importa, não é Rose? – James virou-se para ela. – Afinal de contas, sou o seu primo preferido.

Rose revirou os olhos, enojada com todo aquele exibicionismo masculino.

— Não tenho primos preferidos, James. – Ela se levantou, o livro debaixo do braço. – Vou ajudar a vovó, se não se importam.

Num impulso, Scorpius a segurou pelo braço por breves segundos. Rose olhou pra ele assustada, a troca de olhares não passando despercebida por James.

— Eu não aguento mais. – Ela sentenciou, por fim, quase as lágrimas, deixando os dois para trás e andando a passos largos para os jardins.

James estava prestes a ir em direção a ela, mas Scorpius o impediu com um empurrão:

— É melhor você ficar fora disso. – Malfoy ameaçou, tomando imediatamente o mesmo caminho que a Weasley.

As poucas pessoas que acompanharam a cena, não compreenderam. Apenas Dominique entendeu todas aquelas trocas de olhares com um sorriso no rosto.

**

— Ei! – Scorpius chamou por ela, que andava alguns passos a frente. – Weasley! Rose!

Ela seguia andando, a mente em tormento e as lágrimas dificultando um raciocínio lógico de toda aquela situação em que se meteu. Scorpius apertou o passo:

— Por Merlim, Rose, você pode parar e me explicar o que está acontecendo? – Ele perguntou, desistindo de correr atrás dela e parando de andar.

Rose também parou e se virou para ele. Rose maneou a cabeça e, derrotada, voltou os poucos passos que os separavam:

— Eu não aguento mais. – Ela repetiu a frase, dita momentos antes. Os olhos azuis se inundaram de lágrimas. – Toda essa situação, tudo isso, eu não consigo, eu...

Scorpius acabou com a distância entre eles, a puxando para os seus braços. Deixou de se importar com quem poderia vê-los ou o que aconteceria, apenas se concentrou em deixa-la confortável enquanto a acalmava. Rose deixou as lágrimas rolarem livremente, molhando a camiseta dele enquanto se deixava ser aninhada. Inevitavelmente, pensou que ali, no meio dos braços dele, era o seu lugar.

— Está tudo bem você não aguentar, Rose, está tudo bem. – Ele sussurrou, afagando o cabelo ruivo dela. – Você não precisa ser forte o tempo todo.

Ela levantou os olhos, o encarando:

— Essas férias têm sido infernais, você não tem ideia do quanto está difícil. A casa sempre cheia, os poucos momentos que conseguimos ficar sozinhos... Ver você a todo momento e não poder mostrar a ninguém o que somos está me matando.

Scorpius depositou um beijo no alto da testa dela:

— Você acha que pra mim está mais fácil? – Ele pediu retoricamente. – Eu queria arrancar a cabeça do seu primo apenas por estar perto da minha namorada.

Rose riu, a dor esvaindo-se um pouco.

— Acho que depois dessa cena que protagonizamos, colocamos tudo a perder não é?

Scorpius comprimiu os lábios, pensativo. Albus com certeza andava desconfiado dos dois, não demoraria muito até o amigo juntar os pontos e contar para todos – além de os amaldiçoar por tê-lo deixado às cegas por todo esse tempo.

— Acho que sim, mas, sinceramente, eu não me importo mais. – Ele disse, enquanto tirava uma mexa do cabelo dela dos olhos a colocando atrás das orelhas. – Seis meses as escondidas não é tempo mais do que suficiente? Eu gostaria de passar as últimas horas desse verão com a minha namorada sem precisar ficar pelos cantos.

De repente, todo aquele receio e medo, esvaiu-se de Rose. Toda aquela semana monstruosa na Toca, onde quase não puderam se tocar apesar de se verem todos os dias, a fez perceber o quanto estava sendo idiota, o quanto a opinião dos outros não deveria importar quando se tratava da felicidade dela.

Antes que mudasse de ideia, em um impulso, Rose se colocou na ponta dos pés e o beijou. Scorpius sorriu entre o beijo, aliviado. Finalmente poderia sair por aí comemorando que a garota mais incrível do mundo o amava. E, Merlim, como ele a amava de volta.

Quando ela se afastou, um pouco tímida, Scorpius envolveu os ombros dela com um braço. E assim, abraçados, expondo a intimidade que compartilhavam desde a metade do sexto ano, andaram em direção a Toca, onde as pessoas já se organizavam para o almoço. Ambos suspiraram longamente quando foram percebidos. Scorpius especialmente incomodado com a carranca de Ronald Weasley. Estavam indo rumo a cova dos leões. Rose aconchegou-se mais ao abraço de Scorpius, passando-lhe a confiança de que precisava.

Que se danem os leões, pensou. Ele tinha conquistado a garota. Contanto que estivessem juntos, o resto podia ser superado.



Notas finais do capítulo

Importante:
A história se passa nas férias do sexto para o sétimo ano.
Rose, Albus, Scorpius e alguns outros passaram toda a semana anterior na Toca. Dominique chegou naquele dia, apenas para o almoço, por morar na França.
James está em algum tipo de estágio no ministério há poucos meses, pois já concluiu Hogwarts.
Acho que é isso.
Espero que tenham gostado :)
Beeijo



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